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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

De Caballero para burro

«Tal como A BOLA revelou hoje, os paraguaios do Libertad estão ao corrente do interesse do Benfica na esperança Mauro Caballero. O presidente do clube paraguaio, Carlos Guggiari, em declarações à Rádio Renascença, confirmou o alegado interesse por Maurito, de 17 anos, mas esclareceu que ainda não existe nenhum contacto oficial.»
in abola.pt, 19-04-2012


«O Benfica tem dois concorrentes de muito peso na corrida pelos direitos do avançado Mauro Caballero, de 17 anos, que representa o Libertad. De acordo com o paraguaio Diario Popular, o Real Madrid e o Barcelona seguem atentamente o jogador, que se destacou nas camadas de formação da seleção paraguaia.
Em 2009, Maurito, como é conhecido, participou no campeonato sul-americano de sub-15, que o Paraguai conquistou com um golo do avançado, que nessa competição foi vice-goleador, título pessoal que voltaria a repetir em 2011 (sub-17), com cinco golos.
O jovem jogador tem paulatinamente conquistado o seu espaço na primeira equipa do clube de Assunção, no qual se tem destacado na Taça Libertadores, na qual já assinou dois golos, chamando a atenção dos colossos europeus.»
in abola.pt, 08-05-2012


«Augusto Paraja, empresário que tratou das negociações entre o Benfica e Mauro Caballero, decidiu revelar os motivos que levaram ao rompimento do pré-acordo que existia entre o jogador e os encarnados.
O Mauro Caballero assinou um papel onde aceitou as condições que lhe oferecia o Benfica, mas depois negou. (…) Se assinas um papel é para cumprir. Agora, rasgou a passagem, o salário, os prémios, a casa, tudo... Não há explicações quando tens algo assinado. Se tens uma oferta melhor e não tens nada assinado, tudo bem, mas ao contrário não.
Augusto Paraja, 13-06-2012, em declarações à imprensa paraguaia


«Mauro Caballero tem tudo para ser jogador do FC Porto a partir de janeiro. O avançado já acordou um contrato de cinco épocas com o clube português e, nesta fase, não há qualquer direito legal do Libertad sobre ele, a não ser os direitos de formação, que de uma forma ou outra teriam sempre de ser pagos.»
in ojogo.pt, 04-11-2012


«Mauro Caballero, avançado que o FC Porto contratou ao Libertad, chegou ao Porto na manhã desta terça-feira [8 janeiro de 2013].»
in ojogo.pt, 08-01-2013


Estou muito contente pela confiança que me estão a dar. Quero adaptar-me o mais rápido possível para devolver a confiança. (…) Deram-me boas referências do FC Porto. É um clube muito grande e já queria a minha chegada há muito tempo. É um grande desafio para mim. (…) Sou ponta de lança goleador. Quero títulos e o carinho das pessoas. Quero muita glória.”
Mauro Caballero, 09-01-2013, em declarações ao Porto Canal


«Aquisição dos direitos de inscrição desportiva assim como 100% dos direitos económicos do jogador Caballero à MHD, S.A. por 2.000.000 USD»
in Relatório e Contas da FC Porto SAD, do 1º Semestre de 2012/2013

Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 3º Trimestre de 2012/2013

O primeiro jogo de Caballero pela equipa B, após um longo período de paragem (devido a um conflito com o seu anterior clube), foi apenas no dia 2 de Março de 2013, correspondente à 30ª jornada do campeonato 2012/13 da II Liga.

Em 24 de Julho de 2013, publiquei um artigo onde escrevi o seguinte:

Mauro Caballero parece-me promissor, mas tem 18 anos e só chegou ao Porto no início deste ano, tendo participado em apenas 13 jogos da equipa B (entre Fevereiro e Maio).
Não sei se este avançado paraguaio vai dar grande jogador mas, por aquilo que vi na época passada, para além de uma agressividade natural, já denota algumas movimentações à ponta-de-lança.
É óbvio que, para já, ainda não tem a maturidade suficiente para integrar o plantel principal mas, na época que agora começou, vai ser trabalhado por Luís Castro (que substituiu Rui Gomes como treinador da equipa B) e veremos o tipo de crescimento que irá ter.

Mas a realidade é que Caballero nunca foi aposta de Luís Castro, quer como ponta-de-lança, quer como 2º avançado e, em termos de utilização na época 2013/2014, Maurito contabiliza apenas 429 minutos nos 11 jogos (4 como titular) em que participou.

Utilização de Caballero na época 2013/2014 (fonte: zerozero)

Até que hoje soube-se o seguinte:
«O paraguaio Mauro Caballero é reforço do Penafiel, até ao fim da época 2013/2014, por empréstimo do FC Porto, anunciou hoje o clube da II Liga de futebol.
O provável substituto de Rafael Lopes – transferido para a Académica de Coimbra no mercado de inverno – chegou esta terça-feira a Penafiel e fará já hoje, às 15:30 horas, o primeiro treino ao serviço da equipa penafidelense.»

Deixa ver se eu percebi.

Ao serviço das seleções jovens do Paraguai, Mauro Caballero destacou-se como goleador nos campeonatos sul-americanos de sub-15 e sub-17.

Em 2012 (entre 25 de Janeiro e 7 de Outubro), ao serviço do Libertad e com apenas 17 anos, participou em 14 jogos da Liga Paraguaia Apertura (2 golos), 4 jogos da Liga Paraguaia Clausura e 6 jogos da Copa Libertadores (2 golos).

Utilização de Caballero, ao serviço do Libertad, em 2012 (fonte: zerozero)

A partir de Março de 2013 (quando o diferendo entre o FC Porto e o Libertad foi resolvido pela FIFA), Caballero foi sendo integrado gradualmente por Rui Gomes (ex-treinador da equipa B), tendo participado em todos os jogos da equipa B entre as jornadas 30 e 42 do campeonato 2012/2013 da II Liga.

Utilização de Caballero na época 2012/2013 (fonte: zerozero)

Após a adaptação à cidade, clube e futebol português estar concluída, esperava-se que 2013/2014 fosse a época de afirmação de Caballero, quer como titular da equipa B (na minha opinião, tem características de 2º avançado), quer com algumas chamadas à equipa principal (em jogos menos importantes).

Nada disso se passou e, pelo contrário, perante uma utilização muito baixa na equipa B do FC Porto, Caballero foi “desterrado” para Penafiel.

É estranho. Eu pensava que a equipa B era o espaço ideal para jogadores muito jovens, como Caballero, se integrarem, adaptarem, “beberem a cultura do clube”, potenciarem as suas qualidades e fazerem a transição para a equipa principal.

Afinal, parece que não. Para que serve, então, a equipa B?

(*) O título deste artigo é algo provocador (de discussão, assim espero) mas, evidentemente, não pretende atingir e/ou ofender o jogador Caballero ou o seu novo clube, o FC Penafiel.

sábado, 5 de janeiro de 2013

O Plano B dos golos

Vítor Pereira não está preocupado com a falta de alternativas a Jackson Martinez. Vítor Pereira não está preocupado com a lesão de Kléber. Vítor Pereira tem um plano. Chama-se equipa B.

Foi mais ou menos isso que a última conferência do mister deixou a entender.
Claro que ele diz aquilo que lhe dizem para dizer. Alguém já lhe explicou que não há condições financeiras para ir ao mercado pescar um avançado de qualidade que andaria sempre na casa dos 5 milhões, como minimo. Talvez um empréstimo, como o de Janko, com opção de compra, mas para isso, porque vender o austríaco em Agosto? Pois, eu também não entendo.

Agora que Kleber está lesionado (como se isso fizesse diferença) e que Jackson demonstrou no Estoril que não é de ferro (como muitos dos que pensavam que devia ter jogado em Braga naquela noite de Taça) e que é preciso cuida-lo com muito mimo porque sem Jackson lá se vão os golos, a Champions, a Liga, etc..., o que o Vitor Pereira nos quer dizer é algo muito simples: não há plano B.

O clube sabia ter um problema nas mãos desde o Verão.
Duvido até que imaginassem que Jackson se adaptaria tão bem. Talvez tenham tentado vender Moutinho para guardar Hulk. Talvez. Mas quando o fizeram, quando venderam a Hulk, tiveram um mês para investir o dinheiro num suplente e não o fizeram. Porque o mercado internacional estava fechado e porque o dinheiro de Hulk veio (e virá) para tapar buracos, como o de Falcao. Que estamos quase em falência, lembrem-se.


A Equipa B realmente devia servir para estas coisas.
É a sua ideia de base, o seu plano de trabalho. Para isso se criou, para isso se devia ter trabalhado. O clube no entanto olhou para os quadros e viu que avançados nos juniores e emprestados não abundavam. Havia o Thibaut Vion, esforçadito francês que acaba por não acrescentar nada de novo. O Gonçalo Paciência lesionou-se e só agora começou a ganhar minutos. Foi preciso ir ao mercado, pescar dois emprestados para a Equipa B com opções de compra de jogadores de Equipa A. Curioso.
Sebá veio do Cruzeiro e custaria 5 milhões se o FC Porto estivesse realmente interessado no seu concurso. O Dellatorre veio da Traffic, essa agência de jogadores internacional, e custará algo menos. Entre os dois estaria o passe de um Jackson Martinez, digamos.

Ora, olhando para o último meio ano, o plano B do mister não parece ser uma solução muito agradável.
Pelo menos no apartado de golos. Vejamos!

Sebá - 1 golo em 18 jogos (quase sempre a jogar como extremo, no posto ocupado habitualmente pelo Varela)
Dellatorre - 5 golos em 17 jogos (números muito, muito abaixo de um goleador "inspirado" que tem sido quase sempre titular nos planos do técnico da equipa B)
Vion - 0 golos em 16 jogos (os números falam por si).

Quem anda a marcar então na equipa B?
Os centrais (4 golos entre Zé António e Ba) e Sergio Oliveira (4 golos), são os homens que fecham o pódio dos golos na equipa de Rui Gomes. Claramente números que indicam que não há nenhum plano B realmente e que se o FC Porto ficar sem Jackson Martinez, sem alternativa no mercado, tem um problema muito mais grave do que possa parecer.

Jackson Martinez é responsável por cerca de 40% dos golos do FC Porto este ano.
É o nosso melhor marcador na Liga e na Champions League. E não tem uma alternativa real.

Em vez de procurar trazer de Alvalade um russo mais conhecido pelos seus problemas físicos de anti-desportivos que pelo seu talento (que tem), ou em recrutar um Ricardo Quaresma que todos sabemos que tem tanto de génio como de louco, seria muito importante que a SAD e os adeptos tenham consciência do nosso real problema para este ano. Vitor Pereira fala de um plano B que sabe não ter. E não o tem porque não lhe deram alternativa. Ele não pode transformar, da noite para o dia, o pão em vinho.
Sebá, Dellatorre ou Vion dificilmente taparão o buraco que Jackson pode deixar. Kleber já sabemos que não o faz. Ou a equipa se transforma numa metralhadora colectiva de golos (como já aconteceu no passado), ou os números dos nossos avançados deixam uma boa dor de cabeça até Junho!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O rumo do FC Porto B!

O FC Porto B empatou hoje em casa com o equivalente encarnado num jogo onde os golos disfarçaram a pobreza futebolística. Este projecto que é a equipa B parece ter sido mal parido e pior gerido. Apesar de uma série recente de bons resultados, é confrangedor ver uma equipa com o emblema do FC Porto tão perdida em campo, como se não soubesse o b-á-b-á do futebol.

As semelhanças com a primeira equipa começam com o 4-3-3. E acabam aí.
Rui Gomes tem um plantel bastante medíocre  para os padrões do FC Porto. E talvez por isso prefira uma abordagem muito mais defensiva. As linhas jogam a quilómetros, uma das outras. O quarteto da defesa raramente chega à linha de meio-campo, os laterais quase nunca dobram os médios no ataque e o buraco entre o trio do miolo e os homens do ataque é constante. Não só neste jogo, é uma tendência desde Setembro.

No jogo em questão, apesar de tudo, o FC Porto B foi superior porque o Benfica B joga ainda pior.
Chegaram aos 2-0 muito cedo, concederam um auto-golo que deu oxigénio ao Benfica e depois sofreram o golo do empate, tudo na primeira parte. tudo muito inocente, tudo muito atabalhoado, tudo sem critério, tudo longe dos padrões de excelência que se deve exigir a uma equipa com o dragão ao peito.
No segundo tempo o Benfica dedicou-se a distribuir faltas pelo meio-campo e o médio peruano Ascues, demorou quinze minutos entre o momento em que deveria ter sido expulso e o que realmente foi enviado para o banho. Em vez de cair em cima do rival, faltou killer instinct. O treinador não mudou nada, os jogadores não cresceram e com dez o Benfica teve as suas oportunidades. O empate foi justo, pela mediocridade colectiva, e só o péssimo arranque de época dos homens de Rui Gomes justifica a diferença de sete pontos na tabela classificativa. Ao contrário do Sporting B, que realmente joga a outro nível, as equipas B de FC Porto e SL Benfica estão a anos-luz do que se lhes exige.



Doeu-me ouvir ao final Rui Gomes dizer que fez o melhor jogo do ano. É caso para pensar.
Se o treinador da equipa pensa que este é o melhor futebol que pode fazer, então há realmente algo que não está mesmo a funcionar neste projecto. Uma equipa B serve, sobretudo, para pensar em lançar jogadores para a primeira equipa. Devem jogar da mesma forma, com os mesmos processos e trabalhando jogadores de futuro. Na realidade o FC Porto B é algo bem diferente.
Deste plantel actual vejo apenas em dois jogadores reais possibilidades de chegar à primeira equipa.
Casos como Sérgio Oliveira, Pedro Moreira, David Bruno e Delatorre são para esquecer. Jogadores muito melhores que eles foram dispensados por muito menos. Tiago Ferreira gera-me dúvidas. Tem potencial mas falta-lhe ainda a maturidade que à sua idade tinham Fernando Couto, Jorge Costa e Ricardo Carvalho, por exemplo. Seba e Vion querem mas raramente conseguem.

Só mesmo Fábio Martins e Tozé demonstraram ter o futebol na cabeça e o espírito competitivo no corpo para sonhar com mais. O extremo tem de polir muito o seu jogo, mas é um jogador vertical e incisivo que quero seguir com mais atenção. Tozé é um projecto bem mais sério. Pequeno, de baixo centro de gravidade, pauta o jogo como quer, lê bem os espaços, tem uma técnica considerável e joga para a equipa, o que é difícil a esta idade. Aos 19 anos está no momento decisivo da sua carreira.

A equipa B tornou-se num entreposto comercial. No onze titular havia um sérvio, um zambiano e dois brasileiros. No banco estavam ainda um francês e outros dois brasileiros. Jogadores de perfil muito baixo, sem potencial para se afirmarem a nível internacional. Quando o FC Porto vai ao mercado mexicano pescar pérolas como Diego Reyes, jogadores com um potencial tremendo, pagando por isso cerca de 7 milhões de euros, é importante ver como é gerida a equipa B para perceber o quão mal este projecto está desenhado desde o principio.

Se os directores do FC Porto querem jogadores jovens estrangeiros para a equipa B, tudo bem. Mas que sejam Reyes, James, descobertos não depois de "explodirem" nacionalmente mas antes disso, quando a rentabilidade para o clube for muito maior. É curioso que no meio disto tudo, tanto Tozé como Fábio Martins nasceram no Grande Porto, precisamente a área de prospecção que mais temos negligenciado.


Espero honestamente que este ano de prova sirva para aprender lições para o futuro. O resultado de hoje - e o resultado do final da época, sempre que seja em lugares de salvação - é o de menos. Urge trabalhar sobretudo a ideia por detrás do projecto equipa B nos escritórios e dar uma profundidade táctica no relvado. Sem ambas as directrizes, fundamentais, a equipa B do FC Porto vai ter um final prematuro!