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domingo, 30 de outubro de 2016

NES não é um treinador à Porto

Nuno Espírito Santo a "explicar" o que é um jogador à Porto


«Se o pecado de João Pinheiro [árbitro do Vitória Setúbal x FC Porto] tivesse sido a grande penalidade não assinalada ainda se podia achar que tinha sido um caso sem exemplo, mas quem viu o jogo sabe bem a tendência do sr. árbitro, tanto a marcar faltas a todo o contacto dos jogadores do FC Porto e a aplicar um "critério largo" quando era o contacto era provocado pelo adversário. E depois temos os descontos, um assunto que por si só merecia um estudo, que neste jogo ficaram muito longe do tempo efetivamente perdido, tanto na primeira como na segunda parte
Francisco J. Marques, newsletter ‘Dragões Diário’, 30-10-2016


“quem viu o jogo sabe bem a tendência do sr. árbitro”

Sabe? Será que toda a gente que viu o jogo sabe?

No final do Vitória Setúbal x FC Porto, em declarações na flash interview, quando questionado sobre se o FC Porto tinha queixas da arbitragem, Nuno Espírito Santo (NES) afirmou o seguinte:

De onde estou não consigo analisar totalmente os lances, mas neste momento não vou olhar para isso

Não viu bem os lances, não percebeu a tendência da arbitragem (sempre contra o FC Porto), nem tem nada a dizer sobre o desconto (e que desconto!) de tempo dado pelo internacional proveta. Mas que gajo manso! Que cobardolas!

Ao contrário do treinador “ceguinho”, os jogadores FC Porto, quer os que estiveram sentados no banco de suplentes, quer os que andaram a correr lá dentro, viram bem e sentiram na pele a injustiça de mais uma roubalheira. Por isso, mal o jogo acabou, enquanto o seu treinador se escapulia rapidamente para o balneário, os jogadores foram manifestar a sua justa indignação junto do trio de arbitragem.

Jogadores do FC Porto a protestar com o árbitro João Pinheiro (fonte: O JOGO)

Jogadores do FC Porto a protestar com o árbitro João Pinheiro (fonte: Record)

Em vez de encher a boca com o slogan “Somos Porto”, ou pretender dar aulas, inspiradas em manuais de auto-ajuda, sobre o conceito “jogador à Porto”, alguém devia explicar a Nuno Espírito Santo o que é ser treinador à Porto.

Ser treinador à Porto, algo que Nuno Espírito Santo está muito longe de ser, é isto…


… ou isto…


Percebido?

Espero não voltar a ver, nunca mais, os jogadores do FC Porto a serem abandonados pelo seu treinador e a enfrentarem, sozinhos, juntamente com os adeptos nas bancadas, este Sistema vergonhoso que, sempre que pode, nos prejudica.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Tweet do Dia

O mito do Mourinho "melhor treinador do Mundo" foi hoje a enterrar definitivamente. Paz à sua alma!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

De "special one" a "Bus Driver"


No dia 10 de Junho de 2013, José Mourinho regressou ao Chelsea, nove anos depois de uma célebre conferência de imprensa em que, poucas semanas após ter conquistado a Liga dos Campeões ao serviço do FC Porto, se intitulou como especial.

Desta vez, o special one encontrou uma equipa que, na época anterior (2012/2013), tinha ficado em 3º lugar na Premier League (a três pontos do Manchester City e a 14 pontos do Manchester United) e que tinha ganho a Liga Europa (derrotando o SLB na Final).

À sua disposição, José Mourinho teve um plantel de “velhos conhecidos” – Petr Cech, Ivanovic, Ashley Cole, John Terry, Lampard, Obi Mikel, Samuel Eto’o – e de outros “craques” mais ou menos consagrados – David Luiz, Gary Cahill, Matic, Ramires, Oscar, Willian, Eden Hazard, Schurrle, Torres – que, à partida, davam algumas garantias de sucesso, até porque o campeão inglês da época anterior tinha ficado sem o seu histórico manager (Sir Alex Ferguson).

Mas as coisas não correram bem. O Chelsea chegou ao fim da época sem ganhar rigorosamente nada.

Logo em Agosto de 2013, a Supertaça europeia foi perdida para o Bayern Munique do arquirrival Guardiola.
E, após Mourinho ter gozado/provocado quer Manuel Pellegrini, quer Arsène Wenger, viu as equipas orientadas por estes dois treinadores – Manchester City e Arsenal – ganharem, respectivamente, a Premier League (o Chelsea voltou a ficar em 3º) e a FA Cup (o Chelsea foi eliminado nos Oitavos-de-final).

Mas, na minha opinião, pior que perder tudo, foi a imagem que este Chelsea de Mourinho deixou, quer em Inglaterra, quer por essa Europa fora (a excepção é, claro, a subserviente comunicação social portuguesa).




E, para além do sabor amargo das derrotas em campo, Mourinho terminou a época provando do seu próprio veneno.
Na semana passada, numa sessão aberta a perguntas dos adeptos, denominada Twinterview, organizada pelo portal ‘Yahoo! Sport’, adeptos de clubes rivais do Chelsea aproveitaram a iniciativa «askjosetwitter» para colocar algumas perguntas irónico-sarcásticas a Mourinho:

«Depois de ter gasto 110 milhões de libras, não ter ganho nada e ter levado o Chelsea de 3º para 3º, ainda é o special one?»

«Porque é que o Arsenal não ganha nada e somos uns falhados e o Chelsea não ganha nada e vocês estão a construir para a próxima temporada?»

«Na próxima temporada vai tentar alinhar com dois guarda-redes e nove defesas?»

«A próxima contratação é um autocarro de dois andares? Qual será a tática a seguir? Vai tentar estacionar de lado, de frente ou tipo a Muralha da China?»

«Desde quando é que estacionar o autocarro se tornou uma genialidade tática?»


Após duas épocas desastrosas (uma saída pela porta pequena do Real Madrid em 2012/2013, seguida de um regresso infeliz ao Chelsea em 2013/2014), na próxima época, para além de necessitar de voltar a ganhar títulos, José Mourinho vai ter uma missão ainda mais difícil: reconquistar a admiração e respeito dos adeptos do futebol.

sábado, 17 de maio de 2014

Um treinador que faz a diferença

Atlético Madrid campeão de Espanha (fonte: Maisfutebol)

17 de Maio de 2013. Final da Taça do Rei 2012/2013, entre as duas equipas de Madrid. O jogo foi disputado no Santiago Bernabéu e, também por isso, a constelação de estrelas sob a orientação técnica de José Mourinho era super favorita. Contudo, o Atlético não se deixou intimidar e, após 120 minutos, foram os jogadores superiormente comandados por Diego Simeone a vencer (2-1) e a erguer o troféu na casa do Real.

30 de Abril de 2014. 2ª mão das Meias-finais da Liga dos Campeões 2013/2014. Após um empate a zero no jogo da 1ª mão, Mourinho e Simeone voltam a encontrar-se. Apesar do jogo ser em Londres e do Chelsea precisar de ganhar, Mourinho adoptou novamente a "táctica do autocarro" e iniciou o jogo deixando no banco de suplentes Oscar, André Schürrle, Demba Ba e Samuel Eto’o. Contra a corrente do jogo, o Chelsea marcou primeiro, mas nem isso valeu aos comandados de Mourinho, porque a equipa de Simeone (a quem bastava um empate com golos), deu a volta ao resultado e venceu em pleno Stamford Bridge por categóricos 3-1.

17 de Maio de 2014. 38ª e última jornada do campeonato espanhol 2013/2014. Depois de várias vicissitudes, o FC Barcelona (2º classificado) recebia o líder Atlético Madrid no Camp Nou estando a apenas três pontos de distância e, por isso, bastava-lhe uma vitória para se sagrar bi-campeão de Espanha.
Os deuses da fortuna parecia estarem do lado da equipa catalã e, com apenas 22 minutos de jogo, já Diego Simeone tinha sido obrigado a queimar duas substituições, devido a lesões de Diego Costa e Arda Turan.
Sem praticamente nada ter feito para marcar, o Barça chegou à vantagem no marcador aos 34', através de um "remate impossível" de Alexis Sánchez.
Mas, mais uma vez, veio ao de cima a atitude competitiva, a garra, a raça, a alma deste Atlético de Simeone e os últimos 10 minutos da 1ª parte e os primeiros 15 minutos da 2ª parte foram impressionantes. Sinceramente, não me lembro de ver o Barcelona ser subjugado desta forma em pleno Camp Nou. No início da 2ª parte foi de tal maneira sufocado, que só conseguiu passar do meio campo aos 57 minutos!

O Atlético Madrid de Simeone fez hoje história no Camp Nou como, nos últimos 12 meses, já tinha feito no Santiago Bernabéu e em Stamford Bridge. Ou seja, nada disto foi sorte, nem foi por acaso.

18 anos depois, o argentino (*) Diego Simeone voltou a conquistar a Liga espanhola para o Atlético Madrid, clube que, 40 anos depois, volta a estar na final da principal competição europeia de clubes.

E Diego Simeone fez tudo isto tendo à sua disposição um plantel sem vedetas (não me consta que se tenha queixado de egos ou super-egos...), tendo ficado sem o seu jogador de referência – Radamel Falcao – transferido para o AS Monaco no Verão passado, o qual foi “substituído”, na missão de marcar golos, por um ex-jogador do SC Braga – Diego Costa – e com um plantel que inclui vários jogadores – Courtois (emprestado pelo Chelsea), Tiago (ex-Chelsea) e David Villa (ex-Barcelona) – que foram descartados por clubes que o Atlético Madrid derrotou ao longo da época.

A transformação do “Patético de Madrid” (um clube em pré-falência) numa das melhores equipas da Europa é obra de Diego Simeone e vem, mais uma vez, mostrar a importância decisiva de se escolher um treinador que, dentro de um determinado modelo de jogo, saiba potenciar as características dos jogadores que são colocados à sua disposição.

Não sei se este estrondoso sucesso será replicável noutros clubes, com outra cultura clubística, mas em Madrid, ao serviço dos colchoneros e com estes jogadores, Diego Simeone construiu uma EQUIPA com uma atitude e garra impressionantes e fez a diferença. E que diferença!


Os aplausos dos adeptos [do Barcelona] coroaram um ano de campeonato grandioso de uma equipa [o Atlético Madrid] que sabe quais são os seus defeitos, que conhece as suas virtudes e que nunca deixou de lutar
Diego Simeone, no final do FC Barcelona x Atlético Madrid


(*) Os três primeiros classificados do campeonato espanhol 2013/2014 - Atlético Madrid, FC Barcelona e Real Madrid - tinham treinadores estrangeiros (dois argentinos e um italiano).

terça-feira, 5 de março de 2013

A Justa Indignação de um Patrioteiro

Pois bem. Confesso estar farto do patrioteirismo dos nossos comentadeiros em relação ao Real Madrid, até porque, como português, embora arraçado, a minha antipatia para com a castelhanada seja superior à improvável simpatia que poderia sentir pelo Zé de Palermo e pelo Tony Carreira do futebol.

Deste modo, e nestes termos - e como tenho o mesmo direito ao "patrioteirismo" - afirmo a minha total e completa indignação pela inacreditável expulsão do nosso compatriota Nani, a qual, provavelmente, decidiu a eliminatória.

E como não tenho tendência para teorias conspirativas, não direi que o facto de um espanhol presidir à comissão de arbitragem da UEFA tenha tido qualquer influência na arbitragem de um turco que, segundo pesquisas genealógicas, será primo de Lucílio Baptista, Inocêncio Calabote e Reinaldo Silva.

Resta-me esperar que o Barcelona ressuscite - ou que Dortmund ou Bayern se afirmem.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mourinho e os guarda-redes simbólicos

José Mourinho está a fazer de tudo para ser despedido do Real Madrid.
Cada vez se parece mais aquele tipo de trabalhadores que querem ser despedidos para receber uma indemnização e decidem desafiar o patrão por tudo e por nada para forçar a situação. Ele sabe que naquele balneário ninguém o suporta, que lhe será impossível voltar a vencer a liga e a Champions League parece uma utopia cada vez mais evidente. Para preparar o futuro, com 12 milhões de euros no bolso, o melhor é sair quanto antes. Por isso decidiu pisar o último símbolo do clube espanhol que faltava: Iker Casillas.

As discussões de Mourinho com Casillas não são nada novas.
Remontam ao dia em que o capitão do Real Madrid ligou ao seu melhor amigo, Xavi Hernandez, em plena sequência de Clásicos, em 2011, e da troca de insultos e acusações entre ambos os clubes. Mourinho não lhe perdoou ao madrileno que pensara pela sua própria cabeça e como faz sempre, desenhou uma cruz no seu nome e manteve-a até hoje. Mas Casillas não é um jogador qualquer.
Capitão, herdeiro único da última equipa a vencer a Champions League com o clube, símbolo máximo do futebol espanhol e da sua geração mais brilhante, casado e amigo de jornalistas influentes, era a peça com quem não se podia meter livremente sem saber que acabaria por perder. Até agora.
Ao relegá-lo ao banco de suplentes num jogo decisivo em Málaga, Mourinho condenou-se e voltou a demonstrar a sua particular veia por discutir com guarda-redes que também são símbolos e lideres de balneário. Viajemos até 2003.



Mourinho tinha acabado de chegar e reencontrou-se com Vitor Baía, com quem tinha vivido épocas douradas no FC Porto e em Barcelona como adjunto de Bobby Robson.
Os dois eram amigos e rapidamente o treinador tentou afastar-se do jogador para não dar a imagem errada ao balneário. Mas Baía era o líder indiscutível, particularmente depois do afastamento de Jorge Costa, e o capitão dessa equipa. E não queria abdicar facilmente do poder que tinha para um homem que tinha começado a carreira há meio ano. Houve discussões, houve fricção e houve problemas quando Mourinho devolveu a braçadeira ao regressado "Bicho", passando por cima do historial de Baía e da sua maior longevidade com o clube.
O choque aconteceu depois de Mourinho não ter convocado Baía para uma viagem a Guimarães, entregando a titularidade a Nuno Espírito Santo. Baía pediu explicações a Mourinho, lembrou-o do seu passado como "traductor" e Mourinho queixou-se à directiva que ficou do seu lado e suspendeu Baía de todas as actividades. Nesse dia o guarda-redes deu igualmente uma polémica entrevista ao Record em que deixava antever que havia movimentos no clube para o substituírem  Uma linha de raciocínio que vem de encontro com as declarações, à posteriori, de Scolari e com o pensamento de Mourinho, que gosta de eleger um guarda-redes sempre com o mesmo tipo de características  algo que Baía não tem. O 99 vinha também de um período complicado, depois de várias lesões e do Mundial 2002, e essa discussão podia ter colocado um ponto final na sua carreira.

Só um posterior pedido de desculpas do 99 - quase um mês depois dos incidentes - o permitiu voltar a ocupar o seu lugar natural, nas redes, a caminho do biénio mais bem sucedido da história do clube. A partir de aí não voltou a haver um conflito aberto, apesar de já Mourinho ter recomendado ao clube a contratação de Helton, que anos mais tarde seria o substituto definitivo do capitão azul e branco.

Nesse mano a mano, Mourinho saiu vencedor e a sua posição no balneário reforçada, apoiada directamente por uma SAD que não sabia bem como lidar com os pesos pesados do balneário (veja-se caso Jorge Costa). Neste duelo concreto é fácil perceber que o português já perdeu. Perdeu a credibilidade que lhe restava, o apoio da directiva, da pouca imprensa que ainda o aguentava e do adepto comum, habituado a ver em Casillas um símbolo do madridismo. Dois guarda-redes históricos, duas histórias paralelos e um mesmo protagonista. O homem que não lidava bem com os guarda-redes!


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

SMS do Dia

Há um ano perdia em Coimbra, vivia um momento diferente.. «Faz parte da vida, é preciso crescer e isso acontece fundamentalmente nas dificuldades. O contexto é diferente este ano, o trabalho é o mesmo, as cabeças estão limpas, focadas e quando assim é...»                         

Vitor Pereira à SportTv no final do FC Porto 3-0 Dinamo Zagreb
O treinador que bateu a marca dos pontos conquistados por Mourinho na fase de grupos em 2003/04 e está a três do recorde de António Oliveira em 1996!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Happy Birthday mr. Dragão!

Num dia como hoje há nove largos anos, nascia para o mundo do futebol o Estádio do Dragão.

É, clubismos à parte, um dos estádios mais bonitos da Europa.
Frigorífico no Inverno, com correntes de ar bem portuenses, rodeado pela cintura rodoviária de um lado e a saudosa Fernão de Magalhães do outro, a casa do Dragão está prestes a cumprir uma década que acabará forçosamente por ser associada a alguns dos grandes momentos da história do clube.

Quando se anunciou o final do velhinho estádio, como aconteceu seguramente com todos os portistas, apertou-se-me algo no peito. Pensei, a principio, como aconteceu com a Luz e com Alvalade, que o nome se ia manter. Não que o estádio alguma vez tivesse sido das Antas (o nome oficial era Estádio do Futebol Clube do Porto) mas era um título que ecoava glória e nos prendia ao granito escuro da cidade. Depois ouvi o presidente anunciar, numa entrevista na RTP, que o nome do recinto seria o de uma personalidade marcante da história do clube. Pensei, de imediato, em José Maria Pedroto.

O pintocostismo, nos seus gloriosos 30 anos, tem uma divida com o Zé do Boné que nunca pagou - nem acredito que alguma vez consiga pagar tudo aquilo que o mestre nos deu e não pode viver para saborear - e dar o nome à maior personalidade individual da história do clube seria honroso e digno. Mas se nem uma estátua mandamos construir em tantos anos, seria um estádio inteiro uma utopia? Foi.
O nome Dragão primeiro foi estranho, raro, demasiado metafórico. Mas depois entranhou, e de que maneira. Hoje considero que foi uma das melhores ideias da gestão de Pinto da Costa como presidente. É um nome de força, um nome de alma, um nome que evoca tudo aquilo que nos separa da era pré-Pedroto, pré-Pinto da Costa, a era dos andrades com medo de ir a sul disputar o título com o regime.


No próximo ano a Luz irá receber a final da Champions. Alvalade já recebeu uma final da Taça UEFA.
As relações da direcção com o G14 talvez nos tenham impedido de receber uma merecida prova europeia em casa por parte da UEFA de Platini, mas nem sequer precisamos disso para estar na história. Um tal de Lionel Messi deu aqui os primeiros toques numa bola como profissional, numa equipa pouco de gala que o Barcelona enviou para a inauguração. Estive lá, paguei 70 euros (nunca paguei tanto por um bilhete), tenho o meu nome escrito para sempre no estádio e apesar de, por motivos alheios à minha vontade de portista, não lá ir há algum tempo, quando fecho os olhos sinto-me em casa e o cheiro da relva e a voz dos adeptos ressoa na minha cabeça.

Para muitos o seu grande momento do Dragão será o recente 5-0 ao Benfica. Percebo-os bem, mas não estive lá. O meu lugar anual de dez anos das Antas só durou três no Dragão antes de acabar por sair da Invicta para não voltar (ainda) de forma a recuperar o velho costume de estacionar o carro na Velazques, tomar um café, descer a Alameda e sentar-me no meu assento. Para mim a vitória ao Manchester United, em Março do ano seguinte, o da consagração definitiva, será esse momento mágico. Aí caiu uma lenda aos nossos pés e nasceram duas: a do FC Porto de Mourinho e a do Dragão.

O estádio onde a magia transforma-se em sentimento e futebol!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O 32ª treinador mundial

O crescimento do FC Porto com Vitor Pereira ao leme não é só uma questão de percepção. É um dado real.
Estatisticamente falando, o técnico azul já é considerado como o 32º melhor treinador mundial. Num desporto ainda bastante tradicionalista, ao contrário dos desportos mais populares nos Estados Unidos, a estatística ainda é olhada com suspeita/desprezo pelos adeptos, analistas e muitos dirigentes. Mas parece-me a mim que é cada vez mais a melhor forma de apalpar a realidade, sem falsas questões pelo meio. A subida de Vitor Pereira nesse ranking diz muito do que o espinhense tem logrado.

O ranking, como conto aqui, chama-se Football Coach World Ranking e é organizado pela Institute of Football Coaching Statistics, uma organização holandesa que se dedica a trabalhar com agências de apostas, clubes, federações e sites especializados e que fornece dados estatísticos actualizados sobre o trabalho desenvolvido por treinadores de 40 países. O ranking tem as suas regras e os jogos, naturalmente, não valem o mesmo, o que dá ainda mais destaque a quem está na parte alta da tabela classificativa. A lista é liderada por outro ex-treinador do FC Porto, José Mourinho, se bem que este só chegou ao primeiro lugar em Outubro, depois de seis meses em que Pep Guardiola não somou qualquer ponto.


O caso de Vitor Pereira é significativo e ameaça tornar-se num dos case studies da organização que gere o site. A 5 de Dezembro do ano passado estava na posição 159 na tabela, perdido entre maus resultados domésticos, uma eliminação precoce na Champions League e muitas dúvidas sobre o seu futuro. Em Maio, quando conquistou o título nacional, VP tinha trepado ao 55º posto, mesmo assim uma posição bastante modesta para quem se acabava de sagrar vencedor de uma das seis ligas mais cotadas do ranking. Meio ano depois, está às portas do top 30 e se contabilizamos apenas os treinadores das ligas europeias (o ranking é mundial), Pereira seria o 21º. À sua frente estariam nomes como Lucescu, Garde, Pellegrini, Stevens, Allegri, Mazzari, Klopp, Wenger, Mancini ou Emery em muitos dos casos apenas e só porque, como sucede com a Bota de Ouro, os pontos somados variam de liga para liga, conforme a sua importância e todos estes trabalham em competições melhor valoradas que a Liga Sagres.

Vitor Pereira pode ser um treinador questionado pela sua falta de capacidade de comunicar, pela sua falta de aura como "manager" e até por algumas questões futebolísticas, do sistema aos jogadores que utiliza. Mas como o meu colega José Correia mencionou há uns dias, parece-me evidente que a pouco e pouco começa a tomar controlo do balneário e a dar forma à equipa com base na sua filosofia de jogo. Os jogos na Champions League, repletos de autoridade, eficácia e maturidade, são um bom exemplo de como transformar estes dados estatísticos em sensações.

Se repetir o título de liga, como seria natural, e realizasse uma Champions League à altura das expectativas do clube (apuramento para os Quartos de Final, na minha óptica), agora que o apuramento para a próxima fase está matematicamente assegurado, não duvido que Vitor Pereira chegará a Junho como um dos 10 técnicos mais valorizados do mundo. Deve-o à estrutura do FC Porto - que apostou nele, manteve-o quando era difícil - mas também o deve a si mesmo, depois de ter sobrevivido à perda de metade da equipa que venceu a Europe League em 2011 (Fucile, Alvaro, Sapunaru, Hulk, Falcao, Bellushi, Guarin) e ter forjado um projecto cada vez mais sólido.

PS: A título de mera curiosidade, o ranking inclui ainda os últimos treinadores que passaram pelo FCP. Já sabemos que Mourinho vai à frente (e assim continuará durante largos meses), enquanto AVB está actualmente na posição 58º (chegou a ser o 4º em Maio de 2011). Jesualdo quase que fecha o top 100 (está no lugar 98), Adriaanse encontra-se no 515º posto e claro, o mestre da táctica, Jorge Jesus, aparece perdido no 48º lugar sendo que o melhor que logrou no ranking foi um sétimo posto. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Frases Lapidares

"Não me importava de perder a Supertaça se, em contrapartida, ganhasse o campeonato"

José Mourinho, actual Oráculo de Delfos, falando antes dos jogos contra o Barcelona para a Supertaça de Espanha.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mourinho de regresso a Inglaterra?


Na sua edição de domingo passado, The Sunday Times anuncia que José Mourinho decidiu deixar o Real Madrid no final da época e que pretende regressar a Inglaterra.

Referindo o desagrado de Mourinho com o ambiente madridista, especialmente a excessiva proximidade entre os media e alguns jogadores espanhóis do plantel, o jornal levanta uma série de hipóteses quanto a um possível retorno daquele nosso antigo treinador à Velha Albion.

Por mim, acho que, a regressar, o destino mais provável de Mourinho é o Tottenham. Em primeiro lugar, o actual treinador do clube, Harry Reknapp, está a ser julgado por evasão fiscal quando treinava o Portsmouth, e seja qual for o desfecho do processo, estas coisas não caem bem em Inglaterra; em segundo lugar, Redknapp nunca escondeu o seu grande interesse em suceder a Fabio Capello à frente da selecção inglesa, que o italiano deixará após o Europeu, embora o referido processo possa fazer com que a Federação Inglesa veja com reservas a contratação de Redknapp.

Em Itália e Espanha José Mourinho viu o que é uma imprensa "raivosa". Quando estava em Inglaterra também se queixava da imprensa inglesa, especialmente dos famosos "tablóides". Mas o jornalista inglês pode ser uma "lapa", mas não é clubista. Há muitos clubes grandes em Inglaterra, as pessoas tendem a apoiar o clube da sua terra, não havendo pateguismo em relação aos principais clubes. E, além disso, os ingleses levam Mourinho a sério como treinador, mas normalmente sorriem perante as suas declarações mais extraordinárias. Numa palavra, não levam a sério os seus mind games, além de que em Inglaterra há uma certa afeição pelas personalidades extrovertidas.

A seguir ao Tottenham, considero o Arsenal como a hipótese mais forte para Mourinho. Fala-se até que o Real Madrid tem tentado convencer Arsène Wenger a rumar à capital espanhola, pelo que...

Enfim, um romance a seguir nos próximos meses, decerto envolto em inúmeros desmentidos e declarações descabeladas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

As razões de queixa do clã Mourinho...

Os repórteres do diário desportivo catalão Mundo Deportivo presenciaram uma cena interessante no final do último FC Barcelona x Real Madrid.


Não é que José Mourinho fez uma espera junto ao carro do árbitro e quando este e os seus assistentes apareceram, ter-se-á dirigido ao árbitro Teixeira Vitienes nos seguintes termos: "Ei artista, como gostas de chatear os profissionais...", retirando-se de seguida.

Será que Mourinho se estava a referir aos lances que o vídeo seguinte mostra?




Quem também esteve muito bem neste jogo foi o adjunto de Mourinho. De facto, Rui Faria demonstrou ter um elevado fair play na forma e termos como se dirigiu a um elemento do banco do Barça. Se continuar assim ainda é capaz de chegar ao nível do chefe...


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Incorrecções do "melhor do mundo"


O "melhor treinador do mundo" fez mais um anúncio televisivo à instituição bancária portuguesa que vive momentos difíceis.
Desta vez o Maior percorre um mapa da Europa desenhado no chão e vai apontando para os países onde conquistou títulos surgindo, simultaneamente, uns pós dourados que acabam por desenhar os troféus conquistados. Até aqui tudo bem, excepto o pequeno pormenor das taças conquistadas ao serviço do FC Porto estarem desenhadas sobre... Lisboa. Incorrecções do "melhor do mundo".

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um Dilema Teológico


O propagandista de um banco português - cujas acções ombreiam, nas suas vertiginosas perdas de valor, com as das SADs dos clubes de futebol - e treinador de um clube castelhano, saiu a terreiro, sem dúvida que no âmbito da sua incomensurável modéstia e infinita sabedoria, a apoiar a candidatura do Dr. Fernando Gomes a Presidente do venerável orgão que é a Federação Portuguesa de Futebol.

É público o nojo que tal candidatura provoca em certos escribas mouriscos, os quais, contudo, de um modo geral, veneram o dito actor publicitário mais do que o profeta, ou até o bom senso, lhes recomendaria.

Eu imagino o dilema teológico em que essa malta se encontra, e só posso recomendar-lhes:

"Obedecei, portanto, filhos da justiça, à advertência de João que vos diz: Endireitai as veredas do Senhor", S. Cirilo de Jerusalém.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Prémio Fair Play da FIFA


Com a cordialidade que lhe é peculiar, e que lhe vai granjeando a simpatia de todos aqueles que, pelo mundo fora, gostam de futebol, o famoso José Mário Félix cumprimenta o treinador adjunto da equipa adversária depois de mais um retumbante sucesso por terras de Espanha.

Imaginem só o que por cá se teria escrito se esta cena tivesse tido lugar em Alvalade com o famoso Paulinho ou com a camisola do Rui Jorge!

Pois, mas como não foi por cá, nem ao serviço do F.C. Porto, os media portugueses, na sua desvertebração (desconheço se este termo consta do Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, mas presumo que não) limitam-se a um comprometido silêncio, até porque os portugueses, quando no estrangeiro, "têm sempre razão" (assim a modos como o cliente).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O fantasma Mourinho

Ontem à noite, Pinto da Costa foi o convidado de honra no encerramento do quinto ano de tertúlias no Casino da Figueira, tendo sido entrevistado por Fátima Campos Ferreira.

Naturalmente, a saída de André Villas-Boas dominou a entrevista e Pinto da Costa aproveitou para revelar parte da conversa que manteve com o ex-treinador do FC Porto, bem como, a sua perspectiva sobre o principal motivo que levou Villas-Boas a aceitar o convite do Chelsea.

[não foram só as libras a convencer o André Villas-Boas] Isso ajudou, mas acho que o que Villas-boas teve foi algum receio. Disse-lhe que em condições normais, aos 33 anos devia estar a treinar a Académica ou a Naval, para aos 40 estar num grande. Que aos 33 anos já tinha ganho no FC Porto e ia ter muitas oportunidades de ganhar mais. E ele respondeu: 'isso é muito bonito, mas se levar três ou quatro do Barcelona e se me correr mal a Champions já ninguém me quer'...
Ele tem um complexo e está sempre a pensar no fantasma do Mourinho. Como o Mourinho ganhou a UEFA e a Champions, ele não quis continuar porque teve medo de não ganhar o mesmo. Se fosse pai dele, dizia-lhe o que lhe disse como presidente e amigo: que devia ficar mais um ano no FC Porto. Lembrei que o Mourinho levou cinco do Barcelona e não foi por isso que deixou de ser o melhor treinador do mundo.


É natural que estas afirmações de Pinto da Costa estejam influenciadas pela desilusão que a saída de André Villas-Boas lhe provocou mas, tal como escrevi várias vezes, também eu partilho da opinião que, embora importante, o dinheiro não foi a razão principal para o André ter deixado a sua “cadeira de sonho”.

Seja como for, estas afirmações de Pinto da Costa aguçam o apetite para um eventual confronto entre o Chelsea e o Real Madrid na Liga dos Campeões da próxima época.


P.S. Parece que alguns órgãos de comunicação social – SIC, TVI, A Bola, Record, Agência Lusa, Rádio Renascença, RDP e Sapo Desporto – foram impedidos de cobrir o encerramento destas ‘Conversas do Casino’. Aparentemente, seria necessário convite e, por isso, só puderam entrar jornalistas da RTP, O Jogo, Jornal de Notícias e Porto Canal (além de outros órgãos de comunicação locais). É estranho que a Agência Lusa e a RDP (é do mesmo grupo da RTP) estejam na “lista negra”, mas quanto aos restantes, enquanto mantiverem uma linha editorial claramente anti-Porto, acho muito bem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dois treinadores, dois comunicados






Sete anos e 20 dias depois, é interessante verificar as diferenças nos termos e tom utilizados nestes dois comunicados da SAD portista.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O excesso de sucesso


"É uma sucessão natural, inclusive já prevista há algum tempo. Aquilo que aconteceu faz parte da vida e do futebol. Nós admitíamos isso. Já tínhamos a garantia do professor Vítor Pereira que, se isso acontecesse, ele estaria disponível.
Quando o nosso treinador [André Villas-Boas] foi passar um fim-de-semana a Londres, há um mês e tal, falei com o professor [Vítor Pereira] a questionar a sua disponibilidade. Ele disse-me que sim e fiquei descansado.
"
Pinto da Costa, 21/06/2011


Conforme o presidente FC Porto referiu na apresentação de Vítor Pereira, e o novo treinador confirmou, a saída de André Villas-Boas era uma situação encarada como provável, que até já tinha sido discutida entre ambos.

Na realidade, se quisermos analisar os factos friamente, verificamos que:

1986/87, o portuense e portista Artur Jorge ganhou a Taça dos Campeões Europeus e saiu para o Matra Racing de Paris (na altura, uma forte aposta do dono do Canal+).

2003/04, o setubalense José Mourinho ganhou a Liga dos Campeões e saiu para o Chelsea.

2010/11, o portuense e portista André Villas-Boas ganhou a Liga Europa e saiu para o Chelsea.

Sempre que o FC Porto ganhou uma competição europeia o treinador, independentemente de ser portista ou não, saiu.
A excepção? José Mourinho em 2002/03, o qual permaneceu mais um ano no FC Porto após ter ganho a Taça UEFA.
Foi por gostar do Porto? Claro que não, foi porque nessa altura não chegou ao Dragão uma proposta de um dos grandes (e mais endinheirados) clubes europeus.

Para um clube da dimensão económica do FC Porto, o excesso de sucesso desportivo que temos tido (é quase uma blasfémia dizer isto), torna inevitável estas saídas. E, não tenhamos ilusões, quanto maior for o sucesso, mais curtos serão os ciclos.

A alternativa a este “sofrimento” (o sofrimento de ano após ano vermos sair os melhores) é passar a ganhar menos, ou mesmo não ganhar nada. Num cenário desses, é certinho que nenhum dos “tubarões” europeus vai cobiçar os “peixinhos” (jogadores e treinadores) que temos no nosso aquário.

Têm dúvidas? Apesar da propaganda, vejam lá se alguém se chegou à frente disposto a pagar as clausulas de rescisão de jogadores do SCP ou mesmo do slb (já nem falo nos treinadores). Talvez com a excepção do Coentrão, só sairão se for a preço de saldo e mesmo assim…

Chamem-me nomes mas, como portista, quem me dera voltar a desfrutar de uma época como a de 2010/11 e, no final, sofrer uma “traição” semelhante a esta do André Villas-Boas. E seria óptimo que o próximo “traidor” fosse já o Vítor Pereira que, pelo sim, pelo não, tem no seu contrato uma clausula de rescisão de 18 milhões...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Villas Boas vs Mourinho

Quem não se lembra da forma como Mourinho ficou mal visto por muitos portistas quando deixou o FCP?

Muita gente diz agora que ''afinal Villas Boas é como Mourinho''.

Pois muito bem: não, não é. É pior. A saída de Villas Boas é muito menos abonatória do carácter do homem do que a de Mourinho. E porquê?


1) o Mourinho saiu do FCP após 2 épocas e meia, e após ser campeão europeu. O AVB saiu ao fim de uma época e sem sequer comandar um jogo na LC.

2) O Mourinho qdo saiu do FCP era 8 anos mais velho do q o AVB é hoje. Se o Mourinho ainda era muito jovem, então o AVB é q não se compreende de todo pq esta tão cheio de pressa. Alias, muito dificilmente não arranjaria oferta equivalente (ou até melhor) a do Chelsea daqui a um ano - quando ainda teria uns 30 anos de carreira pela frente.

3) Mourinho não bateu com a porta a uma semana do inicio da época. Bem sei que Pinto da Costa diz que Vítor Pereira já estava previsto como potencial substituto, mas mesmo que não seja verdade é natural que afirme isso, só lhe fica bem e protege o novo treinador.

4) O AVB é portista (diz ele...) e fez juras de amor (se ficasse 15 anos no FCP ficava contente), o Mourinho não. Alguém viu a Mourinho declarações semelhantes as que se seguem?

"Eu já vivi experiências fora e posso dizer que não abdico desta cadeira por nada. Relativamente aos jogadores, têm ambições individuais. Agora, não podem sobrepor ambições individuais aos objectivos colectivos. Isso é o mais importante." André Villas-Boas, 12/11/2010

"Se ficar 15 anos no clube que adoro, por mim tudo bem" André Villas-Boas, 12/11/2010, 30/04/2011