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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Antero, o mal menor

Depois dos rumores, a realidade. Há vários meses que se especulava com a saída - voluntária - de Antero Henriques do organograma da SAD e da direcção desportiva do clube. A saída está agora, no final do mais lamentável mercado de transferências de que há memória, oficializada. Antero sai e quem acompanhou os seus anos como Director Desportivo sabe que, na prática, a perda é relativa mas também que a sua saída é um mal menor tendo em conta um problema mais grave e que se vai, progressivamente alastrando desde o clube.

Antero era um Director Desportivo ausente. Alguém ouviu Antero falar nestes três anos de desgraças? Pois não. Nos anos das vacas gordas, Antero era um homem com o ego inchado que dava entrevistas á Marca a gabar-se do modelo do Porto como algo seu e deixando cair, aqui e ali, que era alvo da cobiça de grandes clubes europeus. Curioso que sempre se tenha resistido a uma oferta milionária, caso tenham realmente existido. Nesses anos Antero falava no final do ano para colher os louros. Nos anos das derrotas, nem pio. O papel de Director Desportivo no FC Porto de Pinto da Costa sempre foi ingrato porque o clube nunca teve um maior Director Desportivo do que o actual Presidente, na etapa de Américo de Sá. O que veio depois foi, simplesmente, uma extensão da sua liderança brilhante e activa, sobretudo até meados dos anos 2000. Parecia que o Porto tinha um Presidente-Director Desportivo e que não fazia falta mais ninguém. Talvez por isso não se exigisse muito a Antero. Mas Pinto da Costa envelheceu, silenciou-se, perdeu a noção do mundo que o rodeava, o novo mundo do futebol, e cada vez mais, no mercado actual, ter um grande Director Desportivo tornou-se fundamental. Vejam os mais de dez anos de êxito de Monchi no Sevilla e comparem. Antero nunca foi um Monchi. Nunca foi um Director de comprar barato, desconhecido e bom e saber vende-lo caro. Não. Antero foi o responsável porque, ano sim, ano também, o Porto fosse comprando mais caro e salvando o modelo com negócios in extremis sempre com suspeitos parceiros no mercado. E quando se passou a pagar tanto como se vendia a principio do modelo, ficou claro que o "modelo" era treta e o negócio é que era importante. Sobretudo o negócio paralelo que foi envolvendo a SAD em manobras mil. Umas mais claras do que outras.


Alguém acredita que Antero, como Director Desportivo, está detrás das chegadas de jogadores chave dos últimos anos (Hulk, Moutinho, Falcao, Jackson), de jogadores relevantes no mercado (Casillas) ou de jovens promessas (James, Danilo)? Não. Antero foi recolhendo os louros de um trabalho alheio e procurando cimentar, á base de títulos, a sua posição internamente com um só objectivo, a sua particular cadeira de sonho. Não importava a sua afiliação clubística original nos seus tempos de jovem nem o seu trabalho na sombra, o que contava era fazer-se importante dentro da estrutura. E por isso o clube foi caminhando rumo a um abismo onde está actualmente. Antero presidiu a pior janela de transferências da história recente do clube. Mas também todas as anteriores. Foi incapaz de encontrar um central desde Abril que não o mesmo, referenciado originalmente pelo próprio Peseiro. Foi incapaz de colocar os excedentários com vendas tão necessárias que vão levar o clube a repetir uma operação que se disse ser de uma só vez. Foi responsável pelo cardápio de dezenas de empréstimos que são marca da casa da última década. Antero demitiu-se? Bolas, com o seu CV, o estranho é que Antero não tenha sido demitido.

Claro que Antero nunca seria demitido quando paralelamente a sua influência abraça personalidades do clube noutras áreas. São muitos anos, muitas histórias, muitas vivências para serem resolvidas com uma carta de despedimento. O que é certo é que Antero perdeu a sua guerra particular. Não é por casualidade que a decadência do seu modelo coincidiu com o regresso do filho pródigo, momento a partir do qual cada um dos dois se esforçou a convencer o timoneiro de que o seu modelo era o melhor para lhe suceder. Cada um por um lado foram cozendo negócios e negociatas, aliando-se a bancos, fundos, agentes, procurando impor os seus treinadores e jogadores, tudo para sair vencedor de algo que, para eles, é mais importante do que o Futebol Clube do Porto, o cargo máximo. E sob o olhar atento e, imagino, desesperado e desalentado, de quem devia ter antecipado há muitos anos que isto viria a suceder mas que não soube nem como o evitar nem como contornar. Antero já não está mas a sombra de Alexandre segue, mais presente do que nunca, ainda que a saída da SAD não é o fim de nada e sim o início de muito.

Ninguém espere uma rendição fácil de quem tanto lutou para chegar ao topo e mais num clube que está mais preocupado, por dentro, com tudo menos com o êxito em campo e o sentimento dos adeptos. Antero viu negócios seus abortados, viu vendas suas abortadas, viu como o seu trabalho era substituído pelo trabalho alheio mas com as consequências a pesar sobre o seu nome e saiu. Fez o que tinha a fazer e demorou um defeso em fazê-lo porque esta realidade já tem alguns anos. Mas a sua saída é um mal menor. O seu substituto é um homem ligado ao scouting mas sem peso político dentro do clube e portanto o cargo que oficialmente ocupa será controlado fora do seu escritório. Nunca valeu tão pouco ser Director do FC Porto quando as decisões, cada vez mais, se cozem desde fora do clube. Pinto da Costa entrou no clube e baniu os sócios de opinarem sobre os treinos e os directores das modalidades e de contas de opinar sobre o futebol. Está perto de sair deixando que as decisões sejam tomadas fora das portas do clube. Antero, pelo menos, tinha um cargo dentro do clube.
   

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mudos & Mansos

Vistos e revistos os lances mais polémicos do Sporting x FC Porto de ontem, não sobram grandes dúvidas que os dragões têm fortes razões de queixa da arbitragem, senão vejamos:

a) A complacência do árbitro Tiago Martins com o excesso de agressividade, em alguns casos a roçar a violência, de vários jogadores sportinguistas – Bruno César, Adrien, Coates, Slimani e William Carvalho. Ou seja, com um árbitro a sério (como o árbitro polaco que arbitrou o AS Roma x FC Porto do Play-off da Liga dos Campeões), o Sporting teria terminado o jogo com 8 ou 9 jogadores e, seguramente, o resultado teria sido bem diferente.

Cotovelo de Slimani na cara de Layun

b) O 1º golo do Sporting é precedido por dois erros graves de arbitragem: cotovelada de Coates em André Silva, que não foi assinalada e punida disciplinarmente; simulação clara de Slimani, que o árbitro transformou num perigoso livre direto frontal (de onde resultou o golo). As imagens estão aí e não mentem.


Simulação de Slimani que o árbitro transformou em livre direto frontal

c) Aos 47’, é assinalado um fora-de-jogo a André Silva. Mais uma vez as imagens são claras. No ‘Tribunal OJOGO’, o ex-árbitro José Leirós escreve o seguinte: “No momento em que a bola é jogada, André Silva está mais de um metro em jogo. Erro monumental, ficava isolado”.

Tribunal O JOGO

d) Quanto aos lances de “Andebol”, quer no primeiro, quer no segundo golo do Sporting, dou de barato as interpretações benévolas da “intencionalidade”, feitas a favor dos jogadores leoninos. Mas imaginem que tinha sido ao contrário…


Perante tantos lances polémicos e todos estes casos de arbitragem, como reagiu a Nação Portista?

Os jogadores, revoltados, protestaram dentro de campo e o Casillas até viu um cartão amarelo.

Casillas viu um cartão amarelo por protestar com o árbitro (fonte: O JOGO)

O treinador, embora de uma forma demasiado soft (para o meu gosto), afirmou o seguinte: “Preferia não comentar o trabalho dos árbitros mas hoje é evidente, nem preciso de ver as imagens. Condicionou o resultado. As ações dos jogadores do Sporting foram claras. Preferia não comentar e fazer a análise de como jogámos, o que nos faltou, o que quisemos potenciar. Isso compete-me analisar. Mas hoje é evidente que o árbitro teve influência direta

Nuno Espírito Santo e a influência do árbitro no resultado (fonte: O JOGO)

Os comentadores do Porto Canal falaram num jogo de Kickboxing e Andebol.

Nas redes sociais, li inúmeras reações de adeptos portistas indignados.

O FC Porto (instituição) reagiu no Twitter e hoje de manhã na newsletter 'Dragões Diário'.

E a Administração da FC Porto SAD?

Tomada de posse da Direção do Futebol Clube do Porto em 23-04-2016 (foto: LUSA)

Entre os responsáveis do FC Porto, ninguém dá a cara e a voz à indignação?
Alguém sabe onde andam o presidente (Pinto da Costa) e o administrador com o pelouro do Futebol (Antero Henrique)?
Algum deles (Pinto da Costa ou Antero Henrique) falou na sala de imprensa?
Algum deles (Pinto da Costa ou Antero Henrique) falou na zona mista do estádio de Alvalade?

Continuem assim, com esta postura de meninos bem comportados perante os árbitros.
Continuem assim, com este silêncio subserviente em relação a nomeações cirúrgicas (como foi a deste Tiago Martins).
Continuem assim, sem nada fazer, em relação a quem avalia, promove e despromove os árbitros.
Continuem assim, como fizeram nos últimos anos, deixando os jogadores e o treinador entregues à sua sorte.
Depois, lá para abril ou maio, quando for tarde demais, escusam de vir chorar para a praça pública.



P.S.2 12 fotos, 12 casos, 12 "roubos" do jogo de ontem (no facebook do FC Porto)

P.S.3 O clássico de Alvalade em 12 fotos (fotogaleria no Record) (fotogaleria no O JOGO)

P.S.4 "O pior cego é aquele que não quer ver" (José Guilherme Aguiar)

P.S.5 Mais do Mesmo, Mesmo Resultado (blogue Porto Universal)


P.S.7 Vamos à luta, caralho! (facebook Guerreiros da Invicta)

P.S.8 Lutar... ou desaparecer (blogue Bibó Porto, carago!)

P.S.9 O barril de pólvora (blogue Porto Universal)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A Vergonha

A uns dias das eleições fica evidente que o problema não é a ausência de uma lista alternativa. É a presença da lista que se apresenta, sem vergonha, com os últimos três anos de serviço como cartão de visita, com um treinador do mais reles que a história do Futebol Clube do Porto já teve - no antes e no pós Pinto da Costa - e com um plantel sufragado e desenhado pela ausente direcção desportiva que quer ir a votos de forma descarada porque há ainda muito azul que arrancar da camisola até que fique pálida, sem cor.

O FC Porto perder em casa com o último classificado - e um último classificado morto e enterrado na classificação, no seu primeiro ano de 1º Divisão e que há cinco anos era equipa de III Divisão - podia ter sido um acidente de percurso anedótico - triste, mas anedótico - se não fosse o reflexo constante do que tem sido este clube nos últimos três longos anos. Todos eles com treinadores diferentes mas com um mesmo presidente - com letra pequena - e um mesmo responsável da área do futebol - com letra pequena igualmente - a respaldarem esta sequência inesquecível de fracassos. Quando os treinadores passam - são já 4, mais Rui Barros, em três anos, um logro absoluto - mas os problemas subsistem, é óbvio que o problema está noutro lado. Durante largos minutos de jogo, no estádio que já foi um dos maiores fortes do futebol mundial, mandou o Tondela. Quem parecia ter jogadores de terceira divisão - no controlo desastre, na falta de coordenação, na total e absoluta ausência de compenetração - eram os de azul e branco. Três meses depois acabaram as desculpas do tempo, especialmente depois da larga paragem de jogos com as selecções. Quando alguém é incompetente para desempenhar uma função, não há tempo que valha. Felizmente foi a primeira opção, naturalmente, como todos sabemos!

O problema é que, infelizmente, a alguns, a palavra vergonha não diz absolutamente nada.
Por isso vão a votos. Porque não lhes interessa o mais mínimo este clube. Os que sufragarem essa lista devem tê-lo assumido porque não vale, daqui a uns anos, quando jogos como o de hoje se transformarem na regra em lugar da excepção, virem com choramingas e lamentos. Tiveram uma oportunidade para dizer claramente não. Não a aproveitaram. Não se queixem depois. Levantem-se e aplaudam por favor. O Tondela já foi, que passe o seguinte, que aqueles que enterraram os "andrades" para lançar os dragões parecem ter-se arrependido e foram buscar o "andradismo" à cave escondida para fazerem dele a nova bandeira eleitoral.



Do jogo com o Tondela não há absolutamente nada a dizer a não ser que o resultado foi mais do que merecido. Quem ataca tão mal, defende pior e é incapaz de superar uma equipa que já se sabe há semanas de II Divisão, jogando em casa, não merece outra coisa a não ser o mais absoluto desprezo.
Do presente e futuro do FC Porto já muito foi dito. Aqui e noutros espaços atentos da bluegosfera ou por portistas que são apontados como o alvo a abater por indivíduos, newsletters e familiares oportunistas. Tanto faz...Os alertas lançados, os podres destapados, os debates lançados. No campo vive-se o reflexo do que existe fora. Foi assim nos tempos de glória. É assim nos tempos de podridão. E mais podre que este Porto há pouco até que descobrimos que sempre se pode ir um pouco mais longe. E haverá sempre uma nova descoberta por fazer. A derrota com o Tondela - uma frase que nunca passou pela cabeça de qualquer portista de direito e coração azul e branco pronunciar - é o fim da ilusão de um título que ou Jesus - pelo terceiro ano consecutivo - ou o Benfica - pelo terceiro ano consecutivo - vão tratar de disputar. É a derrota definitiva do FC Porto como primeira potência do futebol português, algo que podia ter sido debatido até ao ano passado mas que, face ao que se viveu este ano na Europa e na liga já não é real. É também a derrota epistolar de um modelo de gestão que não se sustenta a não ser nas cabeças delirantes de uns poucos.

Quanto mais dure esse delírio, mais tempo se tardará em voltar á elite. O FC Porto é grande demais para voltar a estar vinte anos no poço como outras gerações de grandes portistas tiveram de suportar. Mas o relógio não pára e três anos já passaram. Faltam apenas dezasseis e há quatro de um próximo mandato que, a ser semelhante - porque havia de ser diferente - do presente elevaria a contagem a sete. Esse é o cenário, tristemente, mais óbvio para o futuro imediato olhando para o plantel que existe, o treinador que existe, a politica de contratações que existe e os directores que subsistem...Sete anos já é um deserto?

Tique, taque, tique, taque...

domingo, 17 de janeiro de 2016

Uma equipa no chão...

foto: maisfutebol

O FC Porto está no chão. Em apenas 15 dias perdeu a liderança e está agora em terceiro lugar a 5 pontos do líder e a 3 pontos do segundo classificado. A equipa está à deriva, sem rumo e sem comandante. Um reflexo do que se está a passar no Clube.

Os jogadores não sabem o que é a cultura do FC Porto e por isso não se impõem em campo. A maioria deles vieram de outras realidades para relançar a sua carreira ou para "darem o salto" e, por isso, o FC Porto pouco lhes diz. Não agarram primeiro a bola, não pressionam o adversário, estão inertes e desorientados, não são e não sabem como funcionar como um colectivo. Não sofrem, como nós. O oposto do que é Ser Porto.

Os árbitros tratam-nos sem isenção, como se merecêssemos ser castigados a cada lance, mesmo sabendo que estão a avaliar mal, porque sim. Não há uma única voz a dar a cara e a proteger o Clube, a não ser o Francisco Marques - que o faz de uma forma brilhante - na rubrica "Dragões Diário" mas que é manifestamente pouco para as necessidades actuais.

O senhor do telemóvel continua a limitar-se a ler coisas no seu smartphone, alheio a tudo o que se passa à sua volta. Podia cair-lhe o céu em cima, que ele não dava conta...



O jogo em Guimarães não teve história. Um grande frango de Casillas a abrir e noventa minutos seguintes a procurar desesperadamente um empate que não viria a surgir. O falhanço do guarda-redes espanhol está ao nível dos de um qualquer principiante das camadas jovens.

A equipa está constantemente mal posicionada, quer em transição ofensiva quer defensiva, as linhas estão muito afastadas, os jogadores usam e abusam do recuo no terreno como forma de preservar a posse, colocando demasiada pressão em centrais nervosos e desmotivados. Há demasiada cerimónia para rematar, há uma constante colocação de bola ora numa ala, ora noutra, sem contudo haver progressão no terreno de jogo ou com desequilíbrios na defesa adversária. Assim bem podiam estar horas a fio a lutar que não conseguiam marcar um golo. Em suma, Lopetegui destruiu a equipa. Devia ser ele a indemnizar o Clube pelo estrago que lhe trouxe. Ele ou quem o lá pôs.

No meio de tanta desorientação é necessário destacar alguns jogadores:
Os melhores: Danilo, André e Varela.
Os piores: Casillas, Herrera e Aboubakar

Os de Guimarães fizeram enorme festa no fim do jogo. Pena não viverem os jogos contra os grandes de Lisboa com tanto ódio ao adversário. Compreende-se tendo em conta a grande quantidade de benfiquistas na massa associativa vimaranense.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Este Porto não tem tomates

Nuno Almeida em acção no Boavista x FC Porto

A propósito da arbitragem do senhor Nuno Almeida no jogo de ontem – Boavista x FC Porto, para os Quartos-de-final da Taça de Portugal – o meu amigo Mário Faria, co-autor do ‘Reflexão Portista’, um grande Portista, escreveu o seguinte na caixa de comentários de outro artigo:

«Assisti, hoje, a uma das arbitragens mais velhacas que me foi dado assistir. Fiquei muito irritado, e mais fiquei com a brandura das declarações dos responsáveis, no fim do jogo. A equipa reagiu mal no segundo tempo e o treinador também. Devemos deixar de ter vergonha de falar sobre a arbitragem quando temos razão e somos lesados. Estes adeptos deixaram-se de indignar, para além dos treinadores. A estrutura cala-se. Este Porto não tem tomates.»


E na mesma caixa de comentários, José Lima, também ele um Portista da velha guarda, escreveu o seguinte:

«Assino por baixo caro Mário Faria. O cãozinho amestrado que o snr vítor pereira mandou para o Bessa é mais uma encomenda. Esta SAD cala-se porquê? É uma miséria!»

Casos do Boavista x FC Porto (fotos de Fábio Silva)

Sinceramente, eu já nem sei o que dizer.

A “estrutura” está (continua) calada.
Porquê?
Provavelmente porque ganhamos por 7-1… em cartões.
1 cartão amarelo para os axadrezados (tão bons rapazes que eles são…);
6 cartões amarelos e 1 vermelho direto para os “sarrafeiros” azuis-e-brancos…

Quem se indigna? Quem protesta? Quem nos defende?

Os adeptos e sócios do FC Porto que reflitam acerca de tudo isto que se está a passar no nosso clube.


P.S. Já agora, em termos da defesa dos interesses do FC Porto, neste como noutros casos semelhantes, para que serve o “renovado” Porto Canal?

sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Espiral de contestação

Estádio do Dragão, insultos e recados na madrugada do dia 03-01-2016

«Cerca de quatro centenas de adeptos receberam a equipa do FC Porto, no Estádio do Dragão, com assobios e insultos, depois da derrota (2-0) de sábado em Alvalade com o Sporting, para o campeonato.
Jogadores e equipa técnica chegaram ao Dragão às 03:00 em ponto e à sua espera tinham um grupo de adeptos descontentes com os últimos resultados e exibições da equipa. As principais palavras de descontentamento foram para o treinador espanhol Julen Lopetegui, a quem exigiram que pedisse a demissão do cargo. Um grupo de adeptos exibiu uma tarja a dizer: "Espanhol pede a demissão". "Vergonha" e "joguem à bola", gritaram os adeptos.

03-01-2016: Insultos e contestação a Lopetegui (fotos: O JOGO)

Na operação policial para evitar confrontos estiveram envolvidos dezenas de agentes, que impediram que os adeptos se aproximassem da zona de entrada da garagem do Estádio, chegando mesmo a cortar o trânsito na rua de acesso.»
in OJOGO.pt, 03-01-2016 | 09:10


A contestação em relação ao treinador tem vindo a aumentar e, nas últimas semanas, atingiu mesmo níveis preocupantes de hostilidade e agressividade verbal (da parte de alguns adeptos portistas). Contudo, porque a memória de alguns parece ser fraca, convém salientar que a contestação ao trabalho de Lopetegui não começou com a derrota em Alvalade e a consequente perda da liderança do campeonato.

Há meses que existe um enorme desagrado pelas más exibições (algumas delas paupérrimas), que este plantel milionário (o mais caro do campeonato português!) tem proporcionado em grande parte dos jogos desta época.

24-11-2015: Vaias e lenços brancos nas bancadas do Dragão, após a derrota (0-2) com o Dínamo Kiev

10-12-2015: Insultos à chegada ao aeroporto do Porto, depois da derrota (0-2) contra o Chelsea
(fotos: JN / Global Imagens)

29-12-2015: Lenços brancos no Estádio do Dragão, após a derrota (1-3) com o Marítimo
(fotos: Global Imagens / Leonel Castro)

E não, não é por falta de “ovos”, que o treinador do FC Porto se está a revelar incapaz de fazer uma boa “omelete”.

Sou o primeiro a reconhecer que o plantel do FC Porto (incluindo alguns dos melhores jogadores da equipa B) tem excesso de jogadores para algumas posições e lacunas de qualidade noutras, mas penso que poucos terão dúvidas que Julen Lopetegui tem à sua disposição o melhor plantel do campeonato português e, por isso, condições (obrigação!) de fazer mais e melhor. A começar pela construção de uma EQUIPA coesa e competente, algo que, seis meses após o início da época 2015/16, ainda não existe.

Perante o que (não) se tem visto a equipa do FC Porto fazer dentro das quatro linhas;
Perante a contestação crescente dos adeptos portistas, durante e após os jogos;
Perante a hostilidade (por vezes a passar dos limites) em relação ao treinador;
Perante os "avisos à navegação" de vários ex-jogadores do FC Porto (Jaime Magalhães, Eduardo Luís, Vítor Baía, Domingos, Secretário, etc.);
O que fazer?

Chegados aqui é fácil apontar o dedo a Lopetegui e "imolar no altar" da contestação mais um "cordeiro" (treinador).

Mas, como sempre, compete à Administração da FC Porto SAD avaliar e decidir.
Neste caso específico, a responsabilidade é de Pinto da Costa e de Antero Henrique, que terão de decidir se o timoneiro que foram buscar a Espanha, ainda tem condições para recuperar as "velas rasgadas", consertar os "rombos no casco" e levar a ziguezagueante nau dos dragões a bom porto.

Pinto da Costa e Antero Henrique no treino do dia seguinte à derrota de Alvalade
(foto: Manuel Araújo)

Com a certeza, porém, que quanto mais dias passarem, mais Pinto da Costa, Antero Henrique e Julen Lopetegui estarão juntos neste "barco".
Nas vitórias e nas derrotas.

Aconteça o que acontecer, chega de atribuir os louros dos sucessos ao presidente e as culpas das derrotas aos treinadores e jogadores. Até porque, treinadores e jogadores não caem no Estádio do Dragão de pára-quedas...

domingo, 3 de janeiro de 2016

Até quando?

Lopetegui no banco de Alvalade (fonte: LUSA)

«(…) vi um conjunto de jogadores à deriva, sem saber o que fazer com a bola nos pés, sem saber para onde ir, sem rumo e sem timoneiro.
E isso, falta de um treinador, é o problema nº 1, nº 2 e nº 3 desta pseudo equipa.

Lopetegui parece completamente perdido e está de cabeça perdida.

Compete à Administração da FC Porto SAD e, particularmente, ao presidente Pinto da Costa, reflectir sobre a situação actual e avaliar se Julen Lopetegui ainda será capaz de levar a nau portista a bom porto.»


Escrevi este texto a seguir a uma vitória. À vitória (por 1-0) do FC Porto frente ao Tondela.
36 dias depois, fora da Liga dos Campeões, eliminados (na prática) da Taça da Liga e na sequência de duas derrotas seguidas – uma em pleno Estádio do Dragão frente ao Marítimo e outra hoje em Alvalade – em ambos os casos com exibições ridículas, o que dizer?

Apontar o dedo aos jogadores?
Lamentar-mo-nos do azar?
Queixar-mo-nos das arbitragens?
Não.

Há 36 dias atrás, o problema principal (não o único) já era mais do que óbvio e, por isso, o título que escolhi para esse artigo foi ‘A bola está nas mãos do Presidente’.

Entretanto...

Alguns dos meus amigos, Portistas indefectíveis, fartos destas exibições miseráveis, deixaram de ver os jogos do FC Porto.

O número de Portistas que vão para o Estádio do Dragão, assobiar e mostrar lenços brancos ao treinador, aumentou.

E hoje, ao meu lado, no café onde assisti ao jogo, ouvi adeptos (sócios?) Portistas a desejarem, em voz alta, que o Sporting marcasse mais golos, de modo a apressar a saída de Lopetegui.

Senhor Presidente, eu sei, todos sabemos, que se a Administração do FC Porto despedir o treinador, isso será o reconhecimento público que o “projeto Lopetegui”, em que a SAD investiu dezenas de milhões de euros, falhou.

Mas, Senhor Presidente, pesando os prós e os contras, vale a pena adiar o inevitável?
Até quando?


P.S. Cada vez é mais difícil encontrar um Portista que elogie a capacidade de Lopetegui. Já entre os adversários, há quem destaque a qualidade do ainda treinador do FC Porto e, por causa dele, até se zangue com os jornalistas...

domingo, 13 de dezembro de 2015

Blindagem, já!


Chegou a ser ventilado que na véspera da deslocação do FC Porto à Luz, no final da época passada, num jogo que poderia decidir o campeonato, o treinador adversário, Jorge Jesus, terá tido acesso ao ‘onze’ que Lopetegui estava a trabalhar para essa partida. Desconheço a veracidade deste episódio.

No decorrer desta época, têm sido do domínio público algumas informações que se deviam manter privadas no estrito âmbito da equipa técnica e dos jogadores. Parece haver demasiada informação a circular pelos empresários de jogadores e outros elementos que vivem debaixo do chapéu da SAD. O FC Porto tem de voltar a blindar totalmente o seu balneário, independentemente do treinador que estiver a orientar a equipa. Para triunfar tem de voltar a ser aquele clube que já foi, uma fortaleza de onde nada sai, nada se sabe e que a todos surpreende.

Se o problema fosse apenas e só Lopetegui, seria muito fácil de resolver. Mas não é. É muito mais profundo que isso e os sócios já se aperceberam da sua verdadeira dimensão.

O presidente Pinto da Costa sempre teve um estilo de liderança autocrático. Até ao final de 2004 sempre exerceu a sua liderança e a sua presença, sendo a voz e a cara que representava o clube. Com o aparecimento dessa fraude jurídico-desportiva que deu pelo nome de Apito Dourado, a imagem do presidente ficou desgastada e a defesa pública dos constantes ataques ao clube foi sendo feita – e muito bem – pelo treinador Jesualdo Ferreira. A equipa jurídica que assessorou a SAD e o Presidente trabalhou na sombra e conseguiu desfazer a trama mas os aparecimentos públicos de Pinto da Costa nunca mais tiveram o mesmo impacto.

Sem alguém na forja que pudesse ir substituindo o Presidente para a defesa pública da boa imagem do clube, com um Antero Henrique mais preocupado com a sua afirmação pessoal na cúpula da SAD onde já se encontravam outros “pesos pesados” com superiores aspirações, e com a crescente influência de determinados empresários que traziam financiamento e jogadores de qualidade do mercado sul-americano, o clube ficou demasiado vulnerável e durante muitos anos sem uma figura que pudesse desempenhar o papel de Pinto da Costa: um líder com mão férrea que blindava totalmente as equipas técnicas e lhes dava a estabilidade e confiança que elas precisavam para se preocuparem apenas com o seu trabalho.

Neste momento o clube precisa de um Director desportivo forte e autoritário que consiga equilibrar o jogo de forças entre a equipa técnica e jogadores, o empresariado capitalista mas dependente, e a pressão exterior exercida pela comunicação social e pelos adeptos impacientes. De preferência um homem com a escola da casa.

Sem esta figura não há treinador que resista. Podemos ir fazendo experiências e transformar o clube num cemitério de treinadores como aconteceu nas décadas passadas com os clubes da 2ª circular, mas não conseguiremos voltar a ser aquele clube onde qualquer treinador conseguia ser campeão.
   

domingo, 6 de dezembro de 2015

A primeira reviravolta


Na era Lopetegui, os jogos no Dragão são sempre difíceis. Porque a equipa entra a dormir ou porque o adversário marca um golo fortuito, como foi o caso no jogo de ontem. Um canto a favor do Paços, um alívio e uma bola de ressaca para um pacense marcar fácil frente a Casillas. O FC Porto começava o jogo praticamente a perder. Por incrível que pareça, desta vez o Estádio manteve-se tranquilo e essa tranquilidade transmitiu-se à equipa que pegou no jogo e foi para cima do Paços com o objectivo de marcar golos. Uma e outra situações de golo ocorreram antes de uma bela jogada de Brahimi desmarcar Corona que, aguentando a pressão dos defesas contrários, picou a bola por cima de Marafona e fez o merecido golo do empate. Pouco depois ainda assistimos a um falhanço monumental de Herrera que sozinho atirou à figura do guarda-redes. Fomos para o intervalo empatados a uma bola.

Na segunda parte o FC Porto entrou forte, com vontade de fazer golos e de vencer o jogo, enquanto o adversário se limitava a perder tempo com lesões convenientes que implicavam a entrada da equipa médica em campo. Até que Herrera se lembrou de pressionar o guarda-redes e o defesa e, aproveitando o erro, ganhou um penalty que Layun marcou na perfeição. Estava consumada a reviravolta no marcador, a primeira de Lopetegui ao comando da equipa do FC Porto.

Até ao final do jogo ainda assistimos ao desperdício de golos cantados por parte de Tello e, principalmente, Aboubakar. O camaronês está com os níveis de confiança abaixo de zero.

É necessário deixar uma nota ao responsável pelo futebol na SAD, Antero Henrique. Tem de explicar ao senhor treinador e aos senhores jogadores, e já agora a todo o staff do Dragão, que os nossos adversários têm de sentir medo quando entram na nossa casa. Porque cá, temos de ser nós a mandar.

Jornal OJOGO, edição online

Qualquer equipa que vem ao nosso Estádio condiciona os nossos jogadores, empurra, marca faltas e lançamentos mais à frente, bloqueia a marcação das faltas a nosso favor com obstruções, simula lesões e pede assistência para logo de seguida se levantar e correr, pressiona o árbitro, etc. E não há qualquer reacção da parte dos nossos jogadores. O Paços foi o exemplo perfeito deste tipo de comportamento. E depois temos de ouvir as declarações deste suíno: 

"Não há vitórias morais, mas ao sétimo jogo no Dragão o FC Porto sofreu um golo. O FC Porto acaba o jogo a queimar, a retardar o início do jogo, acho que isso são sinais de que qualquer equipa que venha ao Dragão pode fazer um jogo que coloca o FC Porto em sentido".

"Qualquer equipa que vem ao Dragão coloca o FC Porto em sentido"?! Esta ideia não pode passar e estes comportamentos têm de ser travados com a nossa atitude colectiva. Os adversários têm de sentir medo.
   

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

H-E-L-T-O-N

A revolta de Antero Henrique perante Cosme Machado

Afinal, a Taça Cosme Damião…, perdão, a Taça da Liga serviu para algo verdadeiramente importante: revoltar e unir jogadores, treinador, dirigentes e adeptos portistas contra aquele que é o verdadeiro adversário do FC Porto nesta época – o SISTEMA ENCARNADO, suportado num lote de árbitros (in)competentes, subservientes e alinhados com o “desígnio nacional” de levar o SL Benfica ao colo até aos títulos pretendidos.

Não vale a pena falar nos muitos casos deste SC Braga x FC Porto e, muito menos, na escandalosa dualidade de critérios de Cosme Machado. Aliás, contrariamente ao pretendido, o árbitro da AF Braga acabou por prestar um favor ao FC Porto.

Em primeiro lugar, com a sua inenarrável exibição de hoje, tornou impossível ser nomeado para qualquer outro jogo do FC Porto até ao final desta época. Ora, sabendo que ainda há 17 jogos do campeonato 2014/2015 para disputar, é um alívio.

Em segundo lugar, a escandalosa arbitragem de hoje, deverá fazer com que, pelo menos nas próximas duas ou três semanas, seja um bocadinho mais difícil prejudicar o FC Porto. Parece que não, mas isto começa a dar demasiado nas vistas.

Em terceiro lugar, ao obrigar os DRAGÕES a jogarem 55 minutos com menos dois jogadores, transformou os restantes em “heróis”, pelo espirito de luta e sacrifício que demonstraram (Rúben Neves jogou os últimos 10-15 minutos a mancar!).

Helton!

Finalmente, ao inferiorizar (em número) o “exército” portista, possibilitou que o “guardião do castelo azul-e-branco” – Helton – brilhasse a grande altura, fizesse uma das melhores exibições da sua carreira e, depois da grave lesão que sofreu, mostrasse a todos que está vivo e bem vivo.

ENORME HELTON!

domingo, 21 de setembro de 2014

A Estrutura e o Treinador do FCP

Este jogo começou a ser perdido (empatar em casa com uma equipa do nível deste Boavista é uma derrota), na forma mansa e quase silenciosa como a Estrutura do FC Porto (não) reagiu à escandalosa arbitragem da semana passada.

A entrada imprudente, mas não violenta, de Maicon aos 26 minutos de jogo (quase não toca nas pernas/canelas do jogador boavisteiro), justifica a mostragem de um cartão vermelho direto?
Claro que não.


O senhor Jorge Ferreira (da AF Braga) foi extremamente severo na análise deste lance (um tackle lateral, a meio campo, junto à linha lateral, num relvado encharcado)?
Claro que foi mas, perante o comportamento submisso da Estrutura do FC Porto, após o Vitória Guimarães x FC Porto, estavam à espera de quê?

Há 15-20 anos atrás, os árbitros tinham medo de errar contra o FC Porto.
Hoje em dia, não só se sentem completamente à vontade nos jogos do FC Porto, como chegam a ser premiados se, na dúvida, decidirem contra o FC Porto.
Actualmente, os árbitros, com duas ou três excepções, têm é pavor de errar contra o SLB.

Mas se este FC Porto x Boavista começou a ser perdido no pós-Guimarães, há outros dois aspectos que me deixaram perplexo.

Por que razão, o capitão do FC Porto (Jackson Martinez), escolheu atacar na 1ª parte para o lado que estava mais encharcado e com o relvado em pior condições?
Qual foi a ideia?


E, tendo o FC Porto jogado há 4 dias e só voltando a jogar daqui a 5 dias, também não percebi o que motivou Lopetegui a revolucionar o onze inicial, comparativamente com o onze inicial do último jogo (FC Porto x BATE Borisov).
Mudou o guarda-redes - jogou Andrés Fernández em vez de Fabiano;
Mudou dois defesas - jogaram Ivan Marcano e José Ángel em vez de Martins Indi e Alex Sandro;
Mudou dois médios - alinharam de início Rúben Neves e Evandro em vez de Casemiro e Brahimi;
Mudou dois avançados/extremos - alinharam de início Brahimi e Tello em vez de Adrián López e Quaresma.

Mas, para além de todas estas alterações no onze inicial, Lopetegui também decidiu voltar a mexer no modelo de jogo que adoptou frente aos bielorrussos.

O JOGO, 20-09-2014
Conforme referi na altura, umas das inovações de Lopetegui no FC Porto x BATE Borisov, foi colocar Adrián López a jogar, não encostado à linha, mas com grande mobilidade, muitas vezes perto de Jackson, numa frente de ataque que também incluía Brahimi e um extremo puro (Quaresma).
Hoje, durante quase todo o jogo, voltou a ser frequente ver Jackson sozinho na área do Boavista, rodeado de jogadores axadrezados...

Se já se previa que o Boavista vinha defender com 11, com linhas ainda mais recuadas do que o BATE, por que razão Lopetegui voltou a mudar o que tão boas provas tinha dado na passada quarta-feira?

Em resumo, mais 2 pontos perdidos, muito por culpa de uma Estrutura que parece andar adormecida e de um treinador que, apesar das palavras que proferiu antes do jogo, na prática encarou este derby da Invicta como se fosse um jogo da Taça da Liga.

terça-feira, 22 de julho de 2014

A novela Jackson

22 de Julho de 2014
Juan Quintero, que esteve no Mundial do Brasil, ao serviço da seleção do seu país, regressou aos treinos.
Jackson Martinez, outro futebolista colombiano, que também esteve no Mundial do Brasil, continua longe do Porto, supostamente para tratar de assuntos particulares.

22 de Julho de 2014
Capa do jornal O JOGO: “Jackson só sai pelo valor da cláusula de rescisão”

Coincidência?
Obviamente que não.

Isto é uma mensagem clara da SAD para Jackson Martinez, para o seu empresário (um tal de Luís Henrique Pompeu) e, talvez, para alguns dos clubes interessados no jogador.

Como não acredito que haja algum clube disposto a pagar 40 milhões de euros pelo passe do Jackson, o mais provável é termos novela até aos primeiros dias de Setembro (altura em que fecha o mercado na Rússia).

E, enquanto dura este impasse, o que deve fazer a SAD?
Avançar para a contratação do muito falado Raúl Jiménez (avançado do América)?
Ou esperar tranquilamente porque, mesmo que Jackson saia, Adrián López, Sami e Gonçalo Paciência serão capazes de dar conta do recado?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mudança de Paradigma!

O ex-seleccionador espanhol chegou ao Porto. Já tinha passado por clubes espanhóis de segunda linha. O seu perfil de formador e de saber liderar jovens era conhecido e, também por isso, foi uma aposta do clube. Pinto da costa deixou-lhe palavras de apoio: “Pode estar seguro que está num clube que lhe dará todas as condições e dirigentes do melhor que há em Portugal. Este é um projecto novo que procura um novo rumo”.

Estou a falar de Moncho Lopez.

Treinou o Gijon, o Breogan e um clube de basquetebol de Sevilha. Treinou a selecção espanhola durante pouco tempo (em 2002) e a selecção portuguesa antes de chegar ao FC Porto. A selecção portuguesa por si orientada ficou em último lugar do Grupo na qualificação para o Europeu de Basquetebol de 2011. Um fracassado.

No entanto o clube apostou forte no Basquetebol e o trabalho de Moncho deu frutos. Foi campeão em 2010/2011 pelo FC Porto (entre outras conquistas) e jogou a final de 2011/2012 contra o SLB. No final dessa época a SAD do Basquetebol entrou em declínio e... faliu. O FC Porto, no entanto, convidou Moncho para iniciar um projecto com o nome Dragon Force feito de jovens jogadores e começar do zero nos escalões secundários e este, contra todas as expectativas, aceitou. A partir daí o projecto Dragon Force é uma história de vitórias e de sucessos e disputa actualmente a final da Proliga com o Illiabum.

Salvaguardadas as devidas distâncias, o paradigma do negócio futebolístico também está a mudar e irá mudar muito nos próximos anos, principalmente para os clubes de países com Ligas mais fracas e crónica incapacidade de geração de receita, como é o caso português.

Às medidas do fair-play financeiro da UEFA (City e PSG poderão ter de pagar 60m€ cada) poderá juntar-se a breve trecho a proibição da co-propriedade de passes de jogadores. Assim, a opção pela formação e pela construção de equipas "à Porto", com jogadores formados na casa, faz mais sentido que nunca. Embora desconhecendo se tudo isto foi ponderado e assumido estrategicamente no Dragão, a verdade é que o FC Porto não tem actualmente condições para apresentar orçamentos de 100M. As contas estão como se sabe e é necessário assumir a mudança. Acredito que o clube e a SAD estão conscientes das suas limitações, nomeadamente a incapacidade de competir financeiramente com um poço sem fundo como o SLB e terão, por isso, tomado a decisão de contratar um treinador especialista na formação.


Neste momento a decisão tomada parece fazer sentido. O perfil de Lopetegui revela a escolha de um caminho diferente, moderno e ambicioso, representado pela escola espanhola. O facto de o contrato assinado com o treinador ser de 3 anos, algo pouco comum no FC Porto, indica também que esta é uma aposta forte de Pinto da Costa e Antero Henrique com um foco na formação.

A contratação foi um processo “à Porto”: tratada em sigilo, cirúrgica e com uma mensagem forte. E não menos importante: ocorreu ainda antes do final desta época desastrosa de forma a terminar com o desgaste moral provocado por sucessivas derrotas. O FC Porto disputará em Agosto a 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões pelo que a preparação da próxima época terá forçosamente de começar mais cedo. Também por isso este foi o timing ideal.

Espero uma gestão do FC Porto mais disciplinada e menos propensa ao modelo de negócio impor/expor de jogadores que está a ficar saturado, é de alto risco e muito intensivo em capital. Os jogadores entram como mercadoria e comportam-se como uma mercadoria. Querem valorizar-se para poderem render noutros mercados (leia-se noutras Ligas). Assim não há colectivo que resista.

Que Lopetegui trabalhe e faça o melhor que pode pelo clube. Desejo-lhe a maior sorte do mundo.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mais uma derrota

O último classificado e, antes do jogo, quase despromovido Olhanense (*), derrotou o tricampeão FC Porto por 2-1.

Mais uma derrota. Mais um recorde negativo (o Olhanense não ganhava ao FC Porto desde 1973/74, há 40 anos!)

O JOGO, 05-05-2014

Época 2013/2014: 7 derrotas em 29 jogos do campeonato, o que dá uma derrota em cada 4 jogos (4,14 para ser mais preciso). E ainda falta disputar o FC Porto x SL Benfica, da 30ª jornada, para terminar este pesadelo.

Para dar uma ideia do enorme descalabro que é esta época, apresento, de seguida, o número de derrotas em alguns dos outros campeonatos “menos bons”, desde que Pinto da Costa assumiu a responsabilidade do futebol portista:

Época 2009/2010: 4 derrotas em 30 jogos
Época 2004/2005: 6 derrotas em 34 jogos
Época 2001/2002: 8 derrotas em 34 jogos
Época 1999/2000: 5 derrotas em 34 jogos
Época 1988/1989: 3 derrotas em 38 jogos
Época 1976/1977: 7 derrotas em 30 jogos

Só de me lembrar que na época passada…

Época 2012/2013: 0 derrotas em 30 jogos

O JOGO, 18-04-2014
Nunca o FC Porto tinha piorado tanto (em termos de derrotas) de uma época para outra, como foi o caso da época 2012/2013 para 2013/2014.

Porque será?
É algo para Pinto da Costa e Antero Henrique meditarem…

Apesar de, comparada com esta, a época passada parecer perto da perfeição (passe o exagero), o FC Porto, na época 2012/2013, averbou um total de quatro derrotas (duas na Liga dos Campeões, uma na Taça Portugal, uma na Taça da Liga).

Apenas quatro derrotas (SC Braga, PSG, Málaga, SC Braga) no cômputo geral de todas as competições que o FC Porto disputou na época 2012/2013. E dá-se a particularidade de três dessas derrotas terem acontecido em desafios onde o FC Porto viu um seu jogador ser expulso e teve de disputar uma parte significativa desses jogos com menos um jogador.

A comparação entre as épocas 2012/2013 e 2013/2014 é algo para Pinto da Costa, Antero Henrique e os adeptos portistas meditarem…

(*) Como se sentirão os adeptos do Paços Ferreira e Belenenses, perante a atitude, falta de empenho e exibição da equipa do FC Porto no jogo de ontem?

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O estranho caso de Juan Iturbe


Juan Manuel Iturbe foi descoberto pelo FC Porto quando ainda tinha 17 anos e jogava no clube paraguaio Cerro Porteño. Iturbe estreou-se na equipa principal deste clube em Junho de 2009, então com 16 anos.
Em Janeiro de 2011 o FC Porto contratou-o como reforço para a época 2011-12, apresentando-se em Portugal em Junho desse ano, numa altura em que já teria completado 18 anos. Era considerado uma das maiores promessas do futebol mundial, tendo merecido comparações com Maradona, ao marcar um golo pela selecção argentina sub-20, e com Lionel Messi, do Barcelona.

Em 2011-12, com o então treinador Vitor Pereira, Iturbe fez apenas 4 jogos na Liga e 3 na Taça de Portugal, não tendo conseguido confirmar minimamente as enormes expectativas que sobre si recaíam. Apesar disso Iturbe foi incluído no lote de jogadores que fez o estágio da pré-época de 2012-13, tendo marcado um golaço ao Celta de Vigo:


No início dessa época Iturbe acabou por não ter tido oportunidades para jogar e ganhar experiência na equipa principal tendo, em Dezembro de 2012, sido emprestado ao River Plate, da Argentina. Dizia-se que era indisciplinado no balneário. Possivelmente o regresso ao seu país iria permitir que ganhasse experiência e maturidade. Esteve lá de Janeiro a Junho, tendo realizado 17 jogos e marcado 3 golos. A vontade do River em contar com o jogador era grande e a pressão exercida sobre o FC Porto para o prolongamento do empréstimo fez-se sentir durante várias semanas. O clube argentino terá ficado muito agradado com o jogador. No entanto, o FC Porto foi irredutível tendo dado instruções ao jogador para se apresentar às ordens de Paulo Fonseca no estágio da pré-época 2013-14. Nesse estágio Iturbe marcou mais um golaço no jogo contra o Marselha:


Iturbe foi utilizado por diversas vezes na pré-época e teve alguns bons apontamentos. É um jogador explosivo. Muitos adeptos do FC Porto, onde me incluo, pensaram que era desta que o jovem argentino iria finalmente começar a entrar na equipa principal. Errado. Afinal Iturbe não servia para Vitor Pereira mas também não serviu para Paulo Fonseca. O plantel só poderia ter 25 a 26 jogadores e alguém teria de sair. Na altura não entendi os motivos para Iturbe ser um dos dispensados. Hoje, volvidas algumas jornadas desde o início da Liga, entendo ainda menos a sua saída.

Assim, no início de Setembro, Iturbe foi emprestado aos Italianos do Hellas Verona até ao final da temporada com opção de compra de € 8m.
Como adepto não consigo entender o porquê da dispensa de Iturbe, ainda por cima numa época em que perdemos um extremo como James Rodriguez, sendo que este dossier parece ter sido mal gerido dentro do FC Porto.

As afirmações do seu empresário, Augusto Paraja, ainda adensam mais o mistério, afirmando que existiram movimentações para que o jogador mudasse de representante, o que não veio a acontecer:

"O empresário de Iturbe, Augusto Paraja, disse ontem ao CM ter conhecimento de "movimentações para que o Iturbe mude de representante", mas garantiu que se trata do "desejo de uma só pessoa e não de toda a estrutura do FC Porto". "É alguém com interesse nessa mudança, pois sabe que o Juan [Iturbe] tem um potencial inesgotável e que a sua imagem valerá ouro", afirmou, escusando-se a revelar nomes: "Antero Henrique? Não posso dizer quem é. Só lamento que esteja a pressionar para que o Iturbe não jogue, porque as coisas não seguem o rumo que deseja." Segundo Augusto Paraja, o extremo, de 19 anos, "só se ri disto tudo". "Temos uma relação que ultrapassa o plano pessoal. Estou com ele desde miúdo, acompanhei o seu crescimento. Iturbe só confia em Pinto da Costa e é por causa dele que se mantém no FC Porto", vincou. "Infelizmente, há gente boa e gente de m... em todos os clubes. O presidente do FC Porto é uma pessoa de bem e é quem mais confia na afirmação do Juan", reforçou. A falta de oportunidades do extremo, que ainda não se estreou em jogos oficiais nesta época, continua a preocupar Paraja: "Ele não pode estar contente por não jogar. Precisa de minutos." Ainda assim, ressalvou, "a inscrição na Champions. Foi um passo em frente". "Vamos ver o que acontece no primeiro semestre da época. Todos os dias tenho clubes grandes a perguntar por ele", concluiu, sem apontar os interessados.
in Correio da Manhã

Iturbe fez parte das opções de Paulo Fonseca durante os jogos de estágio da pré-época. Posteriormente foi preterido em detrimento de outros extremos como Licá e Ricardo que, durante o estágio, terão tido exactamente as mesmas oportunidades de Iturbe. O argentino fez bons jogos e marcou um golaço. Desde que está no Hellas Verona já marcou 2 golos, um dos quais de livre directo, de belo efeito. Espero que as afirmações do seu empresário não se confirmem e que acima de tudo esteja a defesa intransigente dos superiores interesses do FC Porto.