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domingo, 4 de maio de 2014

Tortura #572152

O Olhanense até pode ser despromovido, mas pelo menos parece dar-se bem com defesas com nível de 2ª Liga.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Letargia na pedreira

O FC Porto apresentou um 'onze' com algumas surpresas em Braga. Na defesa jogaram Maicon e Abdoulaye como centrais e Victor Garcia (da equipa B) e Ricardo nas laterais e o meio campo ficou entregue a Carlos Eduardo - que tinha estado muito mal em Sevilha - Fernando e Josué (que ontem foi um dos melhores no FC Porto). Na frente jogaram Varela, Jackson e o desinspirado Licá.

Apesar do maior controlo demonstrado na primeira parte, fomos sempre uma equipa muito lenta e sem motivação, situação decorrente de um final de época sem quaisquer objectivos nesta prova. O FC Porto entrará em campo nas 3 últimas jornadas apenas para defender o orgulho e a honra.


Voltando à equipa, alguns jogadores mostraram porque não têm lugar no plantel do FC Porto e eu destacaria desde já o Licá e o Abdoulaye. Outros mostram algumas boas notas mas o colectivo terá de mudar radicalmente o mindset para a próxima época. A tal 'revolução' de que falava o jornal OJOGO na sua edição de Sábado tem mesmo de acontecer.

O FC Porto marcou primeiro por Varela aos 23' aproveitando bem uma óptima desmarcação de Jackson. Ainda na primeira parte houve dois cabeceamentos em zona frontal desperdiçados, um pelo avançado colombiano e outro por Carlos Eduardo. Apesar das situações de golo iminente, há que realçar que a equipa portista opta quase sempre por parar o jogo no meio campo e circular a bola entre os centrais mesmo quando a recupera em terrenos mais adiantados e apanha a defesa adversária em desequilíbrio, o que é desesperante para o adepto. Que FC Porto é este? Não há motivação, não há drive, não há vontade para jogar futebol. O estado anímico desta equipa é preocupante.


Na segunda parte o FC Porto continuou o seu processo de adormecimento e, além de recuar demasiado para manter a posse de bola, bastou que o adversário aumentasse o pressing no meio campo ofensivo para a defesa portista começar a meter água. O Braga empatou aos 57' numa arrancada pela direita de Pardo, deixando Abdoulaye pregado ao chão, e cruzando de seguida para entrada fulminante de Moreno ao primeiro poste. Logo a seguir mais uma perda de bola do defesa senegalês e Rafa a desperdiçar isolado frente a Fabiano. Valeu um Josué que procurou sempre novos caminhos para a baliza bracarense e descobriu Carlos Eduardo na área aos 85' para, de cabeça, fazer o 1-2. Passados poucos minutos e já contra um Sp. Braga muito longe da equipa de 2010/2011, sem capacidade de resposta, Josué galgou terreno e encontrou Quintero que fez o terceiro para o FC Porto. O 2º e 3º golos portistas foram marcados já muito perto do final da partida.


Depois de Barcelos, esta foi a segunda vitória fora de casa do FC Porto na 2ª volta da Liga. Isto diz tudo sobre a época que terminará em poucas semanas.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Erros a mais e alguns de capela


A visita à choupana constituía um exame ao novo FCP que neste jogo mostrou demasiados vícios antigos para acreditar que os sinais de bonança, manifestados em alguns jogos anteriores, vinham para ficar de forma duradoura. O resultado e a exibição da primeira parte demonstram que não basta mudar de treinador para tratar da saúde da equipa. O FCP apresentou-se abúlico e incapaz de sair com a bola para além do meio campo, como tem ocorrido em boa parte do campeonato, nomeadamente na primeira fase de construção. A defesa com erros posicionais, pôs-se sempre a jeito do contra-ataque do adversário. Aquela desorganização posicional que permitiu ao Nacional chegar ao segundo golo, constatei-a demasiadas vezes em jornadas anteriores. Os jogadores movimentam-se de forma anárquica como se não houvesse um guião, sustentado em rotinas, processos e métodos que deveriam estar assimilados. Só por uma vez poderíamos ter chegado ao golo na primeira parte, enquanto o Nacional fartou-se de nos inquietar nas transições, com o nosso meio campo perdido e em que as ajudas raramente funcionaram.

No segundo tempo com um golo madrugador, perdemos rapidamente esse efeito de galvanização ao sofrer, poucos minutos depois, um novo golo que moralizou o adversário. Demos o ouro ao bandido e Quaresma e o árbitro apressaram a derrota. Muita vontade do Nacional que fechou todos os caminhos para a baliza, mais suor da nossa parte, mas continua a faltar força e intensidade. Provavelmente a equipa estará fatigada, possivelmente alguns jogadores ainda cometem erros próprios da juventude e reconheço que há que ter alguma paciência e não desatar a tudo pôr em causa e a diabolizar todos os directores e actores envolvidos neste desnorte. Apesar disso, é constrangedor e inquietante esta fragilidade e incompetência para ultrapassar este tipo de equipas que se entrincheira e que se ri nas nossas barbas pela tibieza como as combatemos. Mais: a equipa pareceu alheada da qualidade do adversário e não se preveniu para que os seus pontos fortes prevalecessem, como aconteceu na primeira metade em que não controlámos a bola, o ritmo, sem velocidade, muitos passes transviados e demasiado duelos feitos de choque que raramente vencemos. Apenas reagimos e raramente bem. Perderam-nos o respeito.

O melhor que nos poderia ter acontecido esta semana foi o Estoril ter perdido: não fora isso e aproximar-se-ia perigosamente do terceiro lugar. Individualmente, apenas Martinez esteve a um nível alto. Quintero mexeu no jogo, revelou qualidades, mas a sua acção não foi tão continuada como carecíamos. A arbitragem esteve ao nível do Capela de outras ocasiões. Péssima e que muito nos penalizou. Nenhuma surpresa. Quaresma entrou em delírio com aquela trapalhada já depois do apito final e o treinador tem que o saber conter e não hesitar em substituí-lo quando passa a ser um problema e não a solução. Devemos não aligeirar os erros do árbitro e muito menos esconder os nossos.

Falta muito para fechar a época, mas continuo muito pessimista. Esperemos que a equipa recupere, que os sócios apoiem e que a nossa direcção comande o clube de forma competente. E preparar a próxima época como deve ser para não entrarmos em plano inclinado.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A homenagem perfeita


Depois de uma semana a ouvirmos na comunicação social as carpideiras benfiquistas ad nauseam, eis que chegava o grande jogo e era preciso ganhar ao FC Porto para dedicar a vitória ao Eusébio. Nada me move contra as homenagens a esse grande símbolo do Benfica mas ironicamente a homenagem deu-se num jogo de sentido único em que SLB e o árbitro Artur Soares Dias (filho de um benfiquista) encostaram às cordas uma equipa do FC Porto sem atitude competitiva.

O critério disciplinar do árbitro foi desigual, favorecendo o SLB, e a generalidade das faltas cometidas pelo FC Porto deveu-se a disputas de bola intensas com mergulhos frequentes dos jogadores do SLB ao primeiro contacto. Isso também os ajudou a controlar o jogo. No critério técnico o árbitro esteve, também, muito mal, beneficiando na maioria das vezes a equipa lisboeta. Contra o FC Porto ficou um penalty por marcar por mão na bola de Mangala e contra o SLB ficaram 2 penalties por marcar, um por derrube pelas costas a Danilo quando este se preparava para rematar, isolado, à baliza de Oblak e outro por falta dentro da área de Garay sobre Quaresma. No derrube a Danilo, o árbitro não só não marcou penalty como ainda “interpretou” a queda do brasileiro como uma simulação, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo e o correspondente cartão vermelho. Erro muito grave. Curiosamente, Danilo tinha visto o primeiro amarelo por protestos num lance em que há uma falta à entrada da área benfiquista sobrando a bola para Jackson Martínez que estava em óptima posição para prosseguir o lance rumo à baliza adversária, mas o árbitro resolveu marcar a falta, beneficiando claramente o infractor. Outro erro muito grave.

A partir de metade da segunda parte passou a ser impossível jogar: bola dividida, jogadores disputam a bola, jogador do SLB deixa-se cair ou mergulha intencionalmente e falta contra o FC Porto. Perdi a conta ao número de vezes...


Por ironia do destino, o jogo que teve Eusébio como grande protagonista poderia ter sido transmitido a preto e branco, tantas foram as semelhanças com o tempo do Estado Novo: um estádio empolgado, um árbitro demasiado caseiro e um Portinho frouxo e pouco organizado (a fazer lembrar os Andrades)… E para compor o ramalhete, o treinador Paulo Fonseca, incapaz de se insurgir contra os erros de arbitragem, como se lhe exigia, surge aos microfones com aquela tibieza de discurso que lhe é habitual: péssima atitude. Não será possível manter este treinador na próxima época  não serve para o FC Porto.

Que se enterrem, também, os fantasmas do Regime.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Carlos Eduardo fez a diferença!


PF introduziu algumas mudanças no elenco, mantendo o sistema sem alterações substanciais. Lucho apareceu mais atrás e a Carlos Eduardo coube desempenhar o papel que El Comante vinha desempenhando. Saiu Josué e Defour que não estiveram brilhantes em Madrid. A entrada de Licá, visou alargar o jogo e aproveitar mais e melhor o jogo pelos corredores. Outra novidade foi a reintegração de Kelvin depois do ostracismo a que foi votado. Ainda bem que o treinador não desistiu de aproveitar o seu potencial que, obviamente, deve ser integrado e em linha com os processos da equipa.

A primeira parte, contudo, demonstrou que a coisa não correu muito bem, excepto na forma desempoeirada e plena de iniciativa de Carlo Eduardo que jogou muito bem entre linhas, com rapidez e critério. Também ficou incumbido da execução das bolas paradas que efectuou a um nível superior ao que tem sido feito. Foi de um livre seu que chegámos ao golo por intermédio de Maicon. No processo defensivo e na zona central mostrámos que as rotinas ainda não estão suficientemente oleadas, sem tirar o mérito ao desenho da jogada de que resultou o golo do Rio Ave. Foi uma espécie de regresso ao passado: nem soubemos ir para acima do adversário e alargar a vantagem, nem proteger com eficácia a nossa baliza. A bola girou, tivemos posse, mas não incomodámos, nem desequilibrámos. A jogada mais prometedora foi do Rio Ave, que obrigou Helton a uma cuidada intervenção.

Na segunda parte estivemos bem melhor. Controlámos bem o jogo e a equipa esteve mais coesa. Martinez marcou e Danilo confirmou a vitória. Poderíamos ter feito mais golos, mas o resultado ajusta-se ao que se passou em campo.

Sobre o comportamento dos jogadores, e tirando Carlos Eduardo que me parece ser um reforço valioso para o que ainda falta jogar e esteve a um nível claramente superior, diria que cumpriram sem deslumbrar. Não gostei do Lucho: achei-o hesitante e com pouca mobilidade. Não criou, nem tamponou. Via o Herrera com maior utilidade para jogar nessa posição. Uma vitória esforçada sem direito a música, mas muito importante. Não caímos e continuamos na luta.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Depois da tempestade .....


Foi  uma boa vitória num jogo com duas partes distintas. No primeiro tempo o SCB apareceu muito bem posicionado com uma defesa subida, com os jogadores muito próximos e um meio campo que cobriram de vermelho. Salvo os 10 minutos finais, vivemos muito espartilhados e sem iniciativa; a falta de confiança da equipa e um Lucho claramente incapacitado não ajudaram. Houve insuficiências da nossa parte: não conseguimos jogar para as costas do SCB, ganhar as segundas bolas e perdemos muitos passes, por mérito do processo do adversário e muita tremedeira nossa. Apesar de tudo, o SCB não ameaçou e o FCP esteve mais perto do golo, em duas jogadas de bom envolvimento. Apesar disso, o FCP foi claramente dominado pelo catenaccio na zona central,  montado pelo SCB e que os seus jogadores interpretaram e executaram muito bem,  com um bloqueio que perturbou as nossas saídas para o ataque . Há que saber reconhecer o mérito do adversário e trabalhar para que a equipa reaja mais rapidamente e não permita tanta iniciativa ao adversário. Compreendo as hesitações e os medos, porque o momento não é fácil. Só há um remédio: trabalhar para melhorar.

No segundo tempo, a entrada de Carlos Eduardo que esteve em muito bom nível, e os excelentes desempenhos de Defour,  Herrera, Varela e Martinez desfizeram o nó : conseguimos vencer e tivemos excelentes momentos. O FCP exibiu-se em bom nível  e com alta intensidade. Ainda se notou alguma confusão no processo defensivo, mas a equipa vinha de um mau período. Esta vitória é muito importante se os demónios que ainda habitam aquelas cabecinhas forem exorcizados. PF ganhou tempo: espero que o aproveite bem e que os jogadores o acompanhem na recuperação. Porque nada está perdido e o desespero é o pior conselheiro. Acho que os portistas estão um pouco mais aliviados e que o fim de semana lhes vai saber melhor.

Não gostei nem um bocadinho da arbitragem que não serviu o futebol. Ao mínimo contacto dos  nossos jogadores o apito funcionava sem hesitações; esse critério empurrou-nos para trás e ajudou que o SCB se mantivesse confortavelmente instalado no meio campo; no segundo tempo conseguiu com o mesmo critério uma sucessão de faltas que constituíram sempre o meio mais rápido dos bracarenses chegarem à nossa área, porque dificilmente chegavam de outra forma. Os dois amarelos que nos foram mostrados foram excessivos. Em suma: uma arbitragem habilidosa.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Que queremos para o nosso Porto?

É nos momentos mais dificeis que os grandes clubes se fazem sentir. Quando a crise bate à porta, seja ela grande ou pequena, de resultados ou de jogo, de ideias ou de apoio externo, os grandes clubes sabem sempre encontrar a fórmula de reinventar-se. E nós, Futebol Clube do Porto, somos um grande clube.

Temos a imensa sorte de viver o ciclo de ouro da história do nosso clube. Não se enganem.
Quando este ciclo acabar - e pode acabar daqui a dois anos ou daqui a dez - será irrepetível tudo aquilo que vivemos. É parte da história. Não significa que deixaremos de ganhar, de celebrar. Mas seguramente não tantas vezes. E quando o façamos será mais difícil. Mais sofrido. Como no passado. Passou a todos. O Barcelona viveu nos anos 60 e 70 um hiato abismal. Teve um pequeno ciclo deprimente a final dos anos oitenta e na viragem do século. Voltou sempre mais forte. O Liverpool reinou durante 30 anos sobre o futebol inglês. Agora está há mais de vinte à espera da sua oportunidade. O Sporting já foi a maior potência portuguesa. Há mais de meio século. E o Benfica, até ao 25 de Abril, jogava num mundo à parte. Agora têm dois títulos de campeão nacional por década nos últimos vinte anos. Algum dia fomos nós, algum dia podermos voltar a sê-lo. Vale por isso bem celebrar o momento. Celebrar as pessoas que o conseguiram. Celebrar os adeptos que fizeram o clube crescer. Mas celebrar, desfrutar e sentir-se grande não chega. Os ciclos só se perduram no tempo porque quem está no topo continua a evoluir para não ser apanhado. Se não tivesse chegado Mourinho, talvez o ciclo tivesse acabado com o Penta. Mas não. Fomos mais longe. E quando ele e meia equipa se foram e um título se perdeu sem se saber como, a nossa resposta foi, bem, ganhar mais quatro seguidos. E agora vamos a caminho do mesmo. Vamos?

Este artigo não é um ataque a ninguém.
Nem aos dirigentes, nem ao staff técnico, nem aos jogadores nem aos adeptos. É o oposto. Uma consciencialização do que estamos a viver e do que nos espera. Do que queremos fazer para manter este ciclo vivo. Porque se os adeptos não têm o poder neste clube (e cada vez menos, em geral, no mundo do futebol) é nosso dever apontar o caminho, dizer bem alto o que queremos e esperar que nos levem a sério. Quando Pedroto e Pinto da Costa ajudaram os andrades a libertarem-se das correias psicológicas para transformarem-se em dragões, criaram um pequeno "monstro", exigente e eternamente insatisfeito. É bom sinal. Os adeptos do Real Madrid, do Barcelona, do Manchester United e do Bayern Munchen também o são. É o sinal de que vencer é o nosso destino e o como - e sobretudo, o como - importa. As equipas que ganham pouco contentam-se em ganhar. As que repetem e repetem querem diferenciar as suas vitórias em algo. Durante os anos 80 foi um grito de guerra contra o Sul. Na década de 90 foi o triunfo de um modelo de negócio. Na última década foi o sucesso europeu que nos diferenciou em toda a Europa. E agora, entrada nesta década, que nos espera?



O FC Porto tem um grande presidente, um dos maiores da história deste desporto.
Tem também uma massa adepta fiel, instalações top, conexões privilegiadas com mercados importantes, uma rede de scouting espantosa e desfruta de uma hegemonia interna nunca vista em Portugal. Foi preciso lutar muito para chegar até aqui, construir tudo isso. Dormir à sombra da bananeira não nos levará a nenhum lado. Procurar crescer sim. Como o podemos fazer?

A SAD, na preparação para as últimas temporadas, tem colocado o ênfase em três objectivos:
- reduzir o passivo através da venda cíclica de jogadores
 vencer o título nacional e, se possível, uma prova interna a eliminar
- alcançar os oitavos de final da Champions League

Esta tem sido a nossa rota, estabelecida desde os escritórios do Dragão. É para ela que se trabalha, é pensando em nela que se preparam os planteis e se define o staff técnico. Há condicionantes que a motivam, a começar pelo significativo passivo que temos e que aumenta a passo de caracol. Há também a vontade imensa da maioria dos jogadores de utilizar o clube como um poiso temporal. E também o aparecimento de fortunas por toda a Europa que preenchem os papeis de favoritos para ir mais além na Europa. Muito bem, são argumentos com a sua lógica e com muitos (e legítimos) defensores entre os adeptos.

No entanto, a situação que estamos a viver actualmente, e que tanto critica tem levantado, parte precisamente dessa política desportiva.
Temos um staff técnico inexperiente porque essa tem sido a nossa linha recente (desde 1995 o FC Porto teve oito treinadores - em onze - quase sem experiência: António Oliveira, Fernando Santos, Octávio Machado, José Mourinho, José Couceiro, André Villas-Boas, Vitor Pereira e Paulo Fonseca). Não há qualquer novidade nessa escolha e se Paulo Fonseca for campeão nacional - que pode perfeitamente sê-lo - encaixará no padrão. O que não elimina que seja um treinador muito fraco, muito fraco!

Contamos com um plantel com muitas falhas, especialmente nas faixas, tanto nas laterais (não há suplentes pós-exclusão Fucile, que era a única opção) como nos extremos. Não há uma alternativa a um número 6 que acaba contrato e já disse por activa e por passiva que não vai renovar. E no entanto há 18 milhões gastos em dois rookies mexicanos, um dos quais sem minutos de jogo e outro que já demonstrou precisar de amadurecer o seu jogo. Um overbooking posicional na medular onde se acumulam projectos de jogador (que entram nessa política de comprar e vender rapidamente, desde Reyes e Mangala a Herrera a Quintero) que denunciam que muitas das compras do FC Porto são feitas primeiro como uma oportunidade de negócio futuro e só depois como uma necessidade real do plantel (quem não trocaria o Reyes por um extremo?). Mais uma vez, uma continuação da política recente (e que tantos frutos tem dado nas vendas, cada vez menos nas compras já que os preços têm encarecido muito), sem novidades. E claro, se o Ghilas custava 8 milhões a 100% de passe jogando no despromovido Moreirense (nós só pagamos metade, menos mal...irony mode on) então resta saber se alguém aqui ainda procura realmente jogadores do perfil de Cissokho (e os benditos 600 mil euros que custou). Talvez não! Ou se calhar não são rentáveis!

E por fim, a questão dos títulos. O FC Porto continua a ser, para mim, o máximo favorito para ser campeão, nem que seja por defeito. Não vejo o Sporting ainda com plantel para ambicionar com algo tão grande e o Benfica encontra-se numa situação similar internamente. E na Europa o resultado negativo até ao momento não é tão diferente do que temos vivido. Vitor Pereira falhou o apuramento no seu primeiro ano, Villas-Boas nem sequer teve a oportunidade de disputar a prova pela péssima última época de Jesualdo e desde 2009 que os oitavos não se ultrapassam.



Dito isto, parece-me claro que o cenário actual não é tão diferente do que temos vivido nos últimos seis, sete anos.
2011 foi uma overdose. A Liga Europa foi uma prova menos difícil de conquistar do que a nostalgia nos faz lembrar, as vitórias (goleada e reviravolta incluída) com o Benfica deram uma aura especial ao sucesso e a qualidade de jogo em grande parte do ano foi de alto nível. E já está. Tanto o antes como o depois tem-se pautado por bases similares, a base em que se move o FC Porto. Joga-se muito mal este ano? Joga-se. O staff técnico parece ser indigno da cadeira de sonho? Sem dúvida. O plantel tem lacunas? Claro que tem. A desorganização dentro e fora de campo tem sido maior? Claro que sim. E que temos a dizer em relação a isso. É essa a base de clube que queremos, como adeptos, ou está na altura de mudar algo e esta situação não é mais do que um alarme de despertar para todos?

Paulo Fonseca parece-me um fraco líder, um fraco técnico e uma opção errada da SAD.
O mesmo me pareceu Fernando Santos, Jesualdo Ferreira e Vitor Pereira. Mas venceram. Porque a máquina azul-e-branca sabe vencer apesar de e não por culpa de. O plantel tem falhas mas é melhor que muitos dos que Jesualdo teve nas mãos e tem mais opções (outra coisa é que não as usem ou que tenham sido demasiado caras para o que são) que o do ano passado. Continuam-se a perfilar vendas interessantes no Verão e seguramente haverá já miúdos apalavrados para o seu lugar. E o ciclo continua. E continuará se não quisermos algo diferente. Algo que não se enfoque tanto na gestão empresarial do plantel (não do clube). Algo que não mudará até que um treinador com mais poder (não todo o poder, cuidado) possa desenhar um projecto desportivo mais sólido. Algo que recupere o espírito de jogadores da casa, uma linha medular estável que faça de ponte entre os jovens que entram e as estrelas que saem. Não é necessário que sejam portugueses, da formação mas que estejam lá quando Helton e Lucho nos faltem. E, sobretudo, temos de pensar em novos desafios. Vencer já não chega e isso tem de ser encarado entre todos como um bom sinal. Ninguém pode apontar nada a uma liderança que tenta e falha.

Manter o título português é uma obrigação tal como está o futebol português mas se um remate de um puto brasileiro no minuto 92 não entrar não é preciso pedir cabeças imediatamente. Sonhar em ser algo mais na Europa sim, devia ser parte do nosso plano. Não uma obrigação mas uma ambição. Para isso é preciso trabalhar bem e a médio prazo, algo que há muito tempo que não se faz. Encontrar um rumo dentro do balneário entre técnico e jogadores de um perfil que carecemos. Fazer das fraquezas, forças. Se não temos o orçamento do Zenit, Shaktar, PSG ou Monaco, usemos a nossa experiência, a nossa fortaleza doméstica e montemos um onze sólido, não apenas composto por jogadores com a cabeça noutro lado. Se não procuramos esses desafios, vamos entrar num ciclo fechado e perigoso. Nunca estaremos contentes com nada do que se ganhe em Portugal porque saberá a pouco. Estaremos nas mãos de treinadores inexperientes e que duram dois anos até dar o turno ao próximo e continuaremos a ter de esquecer rapidamente o nome dos jogadores que queremos memorizar tão rápido se vão. Acho que o nosso modelo de negócio agora chegou a uma encruzilhada.

Nem tudo mal e o trabalho feito não pode ser deitado pela borda fora. Mas desta vez, talvez, como passou em 2006, 2002, em 1995, em 1985 ou em 1977, ao chegar a este cruzamento, mais vale seguir pela direcção que ninguém espera. Só assim fintaremos uma rotina que pode acabar por ser auto-destrutiva a curto prazo e subiremos outro degrau para fazer com que este ciclo seja mais longo do que qualquer um de nós poderia alguma vez sonhar!

sábado, 2 de novembro de 2013

SMS do Dia

Ainda estamos em primeiro lugar, é o que interessa! Força Porto, somos os maiores! Campeões, Campeões!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eis que o mundo está para acabar

É só para lembrar que o MAXI PEREIRA FOI EXPULSO!
FOI EXPULSO!
Repito: O MAXI PEREIRA FOI EXPULSO!
EXPULSO!
EXPULSO!
EXPULSO!

domingo, 6 de outubro de 2013

Mais um jogo de treta num fim-de-semana de Sol


Se era esta a resposta que a equipa do FC Porto pretendia dar após a primeira derrota oficial da época ocorrida na Liga do Campeões, então podemos finalmente dissipar todas as dúvidas sobre a pálida valia deste grupo de jogadores orientados por Paulo Fonseca. Mais uma vez a nossa equipa pôs os seus motores a carburar até fazer o primeiro golo para depois, uma vez mais, ir adormecendo à sombra da vantagem tangencial. O triunfo é inquestionável tal como inquestionável é o desencanto que a equipa azul e branca vai espalhando de cada vez que sobe a um relvado para disputar mais uma partida de (pouco) futebol.

Não sei se valha o esforço reportar uma súmula das incidências da contenda em Arouca. Na verdade, nem haverá muitos momentos dignos de registo nestas linhas que redigo, a não ser a regularidade com que Jackson Martinez vai picando o ponto. Talvez Herrera seja merecedor dos mais surpreendentes e entusiasmados vivas desta noite. O mexicano parece mostrar melhores aptidões para fazer transportar o jogo e circular a bola no sector intermediário portista. Muito longe de fazer esquecer Moutinho, mas indiscutivelmente mais hábil do que o inconsequente Defour. A variedade de soluções que esta tarde foi tentado prestar, pelo menos, são uteis para uma equipa que urge encontrar referências na sua construção de jogo.

De resto, é mesmo essa qualidade de jogo que ainda teima em manter-se ocultada por largos períodos de tempo no futebol dos homens de Paulo Fonseca. Infelizmente não creio que haja apenas uma razão para esse facto. Vislumbro várias! E todas elas, de maneira geral, vêem sendo enumeradas quer aqui, no Reflexão Portista, quer pelos adeptos do nosso clube, em geral. O treinador parece pouco sagaz de operar novas ideias capazes de introduzir o factor-surpresa ao adversário. De igual modo, PF parece pouco seguro de abordar os jogadores para moldar comportamentos erráticos outrora repetidos. A autoridade não parece para já estar posta em causa. Mas sua liderança – que deveria ser natural – não terá ainda chegado aos atletas e duvido que alguma vez chegue.

Enfim, reconhecendo o teor especulativo que anterior afirmação encerra, não acho seja o único a pressentir estes sinais que a paralinguagem de jogadores Vs. treinador nos vai emanando. Falta também muito talento nesta equipa. E isso é tão eloquente nas extremidades. Varela, Licá e Josué são bravos e voluntariosos jogadores. Mas nenhum deles tem consigo o talento que decide encontros e que faça polvilhar a nossa imaginação de que a magia pode surtir do inesperado.

O único elemento próximo disso no actual plantel do FC Porto é Quintero. Um miúdo com futuro brilhante à sua frente, mas que ainda tem muitas aulas da escola do futebol Europeu pela frente. Por hora vai quebrando aqui e acolá o estilo de jogo uniforme e fastidioso que a equipa portista produz. Tudo isto somado pode ser suficiente para arrebatar o título deste pobre e porco campeonato português. Mas joga-se tão mal que não volto a trocar um belo fim de tarde de Sol de um Domingo numa esplanada para ver mais um jogo de treta!

domingo, 19 de maio de 2013

SMS do dia

O VP agradeceu à família, aos colegas, aos jogadores, à administração, às claques, aos adeptos ... e esqueceu-se do Carlos Martins! Não se faz! Assim sendo: obrigado, Carlos Martins! Não fosse aquele desempenho memorável frente ao Estoril, e hoje outros galos(!) cantariam.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Habemus arbitrum

Hugo Miguel é o árbitro escolhido para o jogo em Paços de Ferreira.

Não deixa de ser interessante que para um jogo entre duas equipas do distrito do Porto se tenha ido buscar um árbitro de Lisboa. Provavelmente vai-se argumentar que será, na sabedoria de quem manda, para estar menos suspeito a pressões antes e depois do jogo - esquecendo-se do pormenor que estará mais sujeito a pressões de outro clube com um interesse muito directo neste jogo...

Quem é este senhor? Bem, entre outras coisas conseguiu esta época poupar de forma incompreensível um cartão vermelho a Rui Patrício antes da deslocação do FCP a Alvalade, e não ver um penalti claríssimo a favor do FCP no FCP - Guimarães (ver mais aqui)...

De qualquer forma espero que faça uma arbitragem imaculada. Mas por muito que isto vá chocar algumas mentes mais sensíveis, estou-me a borrifar para «politicamente correctos» e pelo sim pelo não peço desde já às claques do FCP que levem uma grande tarja para o estádio que diga:

«Hugo Miguel, se nos gamares hoje não sais daqui vivo!»

Não peço que o FCP seja beneficiado, mas parece-me mais do que razoável que neste domingo - mais do que nunca - se peça que o FCP não seja prejudicado de forma grosseira. Acho que não é pedir muito...

PS - antes que venham as virgens ofendidas cair-me em cima, assinalo que não me podem acusar ou ao Reflexão Portista de estar a apelar à violência já que peço apenas que levem uma determinada tarja para o estádio de forma a colocar pressão sobre ele, não que façam algo ao homem caso nos roube descaradamente (sobre isso não me pronuncio).

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Victis Honor

Passada a euforia (ou parte dela), e reconhecendo que no último sábado, a balança podia ter pendido para qualquer um dos lados, há que saudar os nossos adversários. Assim, e com a consciência do momento difícil que neste momento estarão a viver, aqui fica o meu abraço para todos os sócios(?) e adeptos(?) do CD Nacional (da Madeira).

domingo, 12 de maio de 2013

Era com isto que sonhávamos...


...não era?

Quando em pequenos todos sonhamos ser jogador de futebol, imaginamo-nos precisamente num momento como este: estamos no último minuto de um jogo decisivo, na nossa casa, contra o nosso maior rival. Estádio completamente cheio e já muito pouco tempo para se jogar. Jogo empatado e a bola vem na nossa direcção. Com todo a nossa alma de portistas, rematamos à baliza do nosso adversário.
Golo!
Jogo e título no papo. Correria para os braços dos nossos companheiros e bancadas loucas a festejar.

Hoje, um rapaz brasileiro de 19 anos, cumpriu este nosso velho sonho.

E tantas ironias teve esta partida.
À moda do nosso rival, vencemos partindo de uma desvantagem no marcador.
Também a ironia do nosso golo do empate ter sido um auto-golo do adversário mais contestado pelos portistas. A ironia de, nesse mesmo golo, o cruzamento ter sido de Varela, também ele muitas vezes por nós contestado, embora por melhores razões. A ironia do golo da vitória ter sido de autoria de um jogador que esteve mais activo na equipa B do que propriamente na principal. A ironia de ter sido marcado por um "brinca-na-areia" que muitos criticam. A ironia do passe ter sido de Liedson, o tal que muitos não compreenderam a razão da sua vinda para o Dragão.

Tudo isto para concluir que nem vale a pena entrar pelos habituais caminhos do "eu não dizia?".
Ao longo desta difícil temporada, muita gente teve razão num ou outro aspecto mas ninguém teve sempre a razão toda. No fundo, a bola a rolar é sempre quem mais ordena.
Até o habitualmente "cauteloso" Vítor Pereira, desta vez, e ao contrário da final de Supertaça, arriscou jogar com apenas 3 defesas no "tudo-por-tudo" e deu-se bem.
A vida é assim mesmo: uma constante aprendizagem para todos. Não é, Jesus?

A altura é, sim, de unir forças para, no próximo fim-de-semana, fazermos jus à dança do nosso presidente no camarote e às lágrimas do nosso treinador no relvado.

Para a história, e caso ganhemos mesmo este campeonato, ficará obviamente a imagem de Jorge Jesus a cair de joelhos, após o golo que incendiou o estádio do Dragão.
Porém, para nós portistas, existe uma outra que nos toca bem fundo: o visível sofrimento de Castro que, manifestamente impotente, via o título a fugir para outro clube.
Ele, naquele banco, tal como qualquer um de nós na bancada...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

SMS do dia

"Águias viajam de avião até à Invicta", in JN

Desta vez ninguém vai poder apedrejar o autocarro vermelho.
Pode não parecer, mas também foi trazido para o Porto - vai ficar estacionado em frente à baliza.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Não dá uma para a caixa

É pá, corram com o Vítor Pereira o quanto antes! O homem não acerta uma! Então ele veio dizer que o Estoril ia perder esta jornada?!

sexta-feira, 1 de março de 2013

O golpe do baú da BTV ao futebol televisado

O golpe no baú!
O SL Benfica conseguiu os direitos de transmissão exclusiva da Premier League para as próxima temporadas e vai ter o direito de exibir no seu canal de televisão todos os jogos que se possam ver em território português da competição nacional mais vista do planeta.

Como é possível que um clube de futebol consiga um contrato deste nível pelo qual empresas em todo o Mundo pagam fortunas, a começar pela própria Sky no Reino Unido (seguido do Canal Plus em França e Espanha)? Simples, com a ajuda dos amigos da Portugal Telecom, essa empresa que apesar de já não ser detida pelo governo, ou seja, por todos os portugueses, continua a comportar-se no mercado como se tal fosse certo (porque tem as costas muito bem cobertas)!

O negócio é simples de entender. Um esquema muito bem montado que permite à empresa de telecomunicações e ao clube eliminarem de um só golpe dois rivais dos últimos anos: ZON e Joaquim Oliveira.

A PT nunca esteve de boas relações com Joaquim Oliveira o seu império Controlinveste e durante os últimos anos ambas as empresas travaram uma luta surda nos corredores do poder. O império mediático montado por Oliveira foi-se desfazendo à medida que começavam a aparecer novos jogadores, nomeadamente o dinheiro que vinha de Angola, e que ajudou a safar a PT de muitos problemas quando a crise apertou. Esse dinheiro, coordenado pela família do actual presidente angolano e coordenado pela filha, serviu para adquirir títulos de imprensa e entrar no accionariado da PT.

Por outro lado, a plataforma detida pela Portugal Telecom leva vários anos de luta contra a ZON, depois de que ambas as empresas se tivessem separado, pouco amigavelmente, e seguido o seu caminho de forma distante. A BenficaTV optou por aparecer apenas na Meo, ligando-se intimamente à PT na sua influência de poder, no que foi um primeiro golpe para a Zon. Mas não o último.
A primeira ameaça ao poder da SportTv e da Zon chegou com a ideia de Pais do Amaral em criar um canal alternativo de desporto em Portugal na plataforma Meo. Pais do Amaral tinha adquirido os direitos para os próximos três anos da liga espanhola e sondou o Benfica para vender-lhe os seus 15 jogos em casa mas no final não conseguiu juntar dinheiro e meios para avançar e a SportTv apareceu à última da hora com dinheiro exigido pela Mediapro (empresa que gere os direitos do futebol em Espanha) e manteve esse trunfo na manga. Tinham abortado o plano inicial da PT mas não poderiam fazê-lo com o alternativo.



A PT entrou em força na própria SporTv, adquirindo 25% da empresa (os outros 25% são da ZON e 50% pertencem à empresa detida por Joaquim Oliveira). Foi uma forma de ganhar sem perder. Não só garantia para si parte importante dos lucros da empresa como apaziguava Oliveira em relação à jogada que preparavam. Membros influentes ligados à PT serviram de intermediários na negociação entre a direcção da Premier League e a BenficaTV, garantindo aos ingleses que não só serviam de fiadores como davam a cara pela gestão dos direitos da competição face às dúvidas iniciais dos ingleses em ter a sua competição num canal de um só clube.

O que conseguem com isto?
Em primeiro lugar tiram uma das máximas jóias da SportTV.
Para LF Vieira (que agora conta com a ajuda e os contactos importantes de José Eduardo Moniz no meio audiovisual) é um golpe que sabe particularmente bem depois da guerra aberta com Oliveira nos últimos anos, com choradinhos à mistura, que estavam por detrás da criação da BTV, do seu posicionamento na Meo e na compra dos direitos da liga brasileira, por exemplo.
Em segundo lugar dão um golpe muito sério à ZON, obrigando a todos os que queiram seguir a competição a mudar-se para a Meo, independentemente do clube que apoiem. É o primeiro passo para acabar progressivamente com o rival directo nas plataformas audiovisuais. Para isso contam com o apoio do Estado - que até à bem pouco tempo ainda detinha uma golden-share na companhia e que mantém uma influência tremenda - e do dinheiro angolano que lhes permite este golpe tão ousado sem temer perdas financeiros nos primeiros dois anos.

Por fim abrem a porta a transformar a BenficaTV no canal que Pais do Amaral quis criar, um concorrente desportivo real à SportTV. A Premier League é apenas o 1º passo. Seguem-se os jogos em casa do Benfica, a eventual compra dos direitos da Taça da Liga/Taça de Portugal, alguma que outra competição nacional europeia e talvez um ataque mais directo às provas da UEFA, nomeadamente nos jogos que actualmente dão em sinal aberto por um dos 4 canais generalistas que começam a perceber que não têm pernas nem fundos para suportar os preços exigidos pela UEFA. Se a isso juntarem outros desportos, o plano da PT e dos dirigentes do Benfica é ter um canal multi-desportivo de projecção para os próximos dois anos. Precisamente quando acaba o contrato da liga espanhola e da Champions League, à qual planeiam optar com uma oferta muito mais alta que a que possa fazer a SportTV. Nada é deixado ao acaso.

Essa realidade permite ao Benfica não só aumentar o número de subscritores ao seu canal como também o aumento das receitas em publicidade. E é também o primeiro e inevitável passo antes de passar o canal ao serviço fechado, garantindo então um lucro muito superior em subscrições exclusivas da plataforma Meo.



Com essa jogada não só esperam ir esvaziando de conteúdo e assinantes a SportTV - com quem têm mantido uma forte rivalidade e que actualmente não tem potencial financeiro para competir, e que depende cada vez mais do dinheiro angolano que também está na PT - como criar uma receita paralela e sem precedentes num clube de futebol.

A operação terá custado cerca de 15 milhões de euros e para isso o clube pediu um novo empréstimo obrigacionista no valor de 80 milhões, metade para pagar um empréstimo que vence agora e o resto para investir em força no novo canal. A PT funcionará como fiador, garantindo que o projecto tem pernas para andar porque é do seu especial interesse que a Meo crie uma plataforma desportiva alternativa sólida à da Zon. Porque se muitos portistas e sportinguistas podem passar para a Meo para verem os jogos da Premier, com o passar do tempo o objectivo é esvaziar a SportTv de assinantes à medida que a sua oferta vá diminuindo. O aumento da transmissão de jogos via streaming online pode permitir aos adeptos de muitos clubes simplesmente cancelar o contrato com a SportTv se a oferta baixar significativamente e só com isso a PT e o Benfica conseguem uma vitória importante. Aumentar os assinantes do canal é só a segunda parte do plano. Um plano com um alvo bem definido e que roça o limite do legal e do ético. Uma competição nacional exclusiva de um clube obriga sempre os adeptos de outros clubes a dar audiência ao mesmo. Se esse canal se tornar (como é óbvio) canal fechado por subscrição, obriga-os a dar dinheiro a esse clube para ver os jogos de uma liga independente.

E o Estado português, que até há bem pouco tempo manteve uma golden share na PT - mas cuja a influência permanece e permanecerá na companhia - pactua de forma silenciosa com este claro assalto aos direitos dos consumidores, da mesma forma que a RTP também adiantou dinheiro para que Paulo Futre vestisse a camisola vermelha durante uma temporada. É assim Portugal e é assim que se gere o futuro e a salvação financeira de um clube eternamente protegido contra um empresário que se tornou personan non grata na capital quando começou a dizer que não às exigências que vinham de governantes, empresários e dirigentes desportivos sediados no sitio do costume.



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cha Cha Cha faz abanar, mas não deixa cair



De vilão a herói, eis a melhor forma para resumir a noite de Jackson Martinez. Depois de um momento de estupidificação ímpar ao “oferecer” a bola a Oblak na conversão da primeira grande penalidade do encontro, o colombiano redime-se arquitectando a reviravolta no resultado. O gelo da fria noite e do frio jogo do Rio Ave ameaçou apoderar-se do dragão. A densidade à retaguarda voltou novamente a ser o maior inimigo do conjunto portista que por vezes tarda em conseguir a impor um ritmo elevado ao seu jogo.

Na verdade, apesar de a equipa vila-condense seguir a mesma receita ultra defensiva que as suas congéneres nacionais que defrontaram recentemente a nossa equipa, esta foi cometendo erros próximo e até no interior da sua área de rigor. O FC Porto não soube tirar partido desses momentos, perturbando-se a si próprio. A zona de pressão tão bem trabalhada na partida da Liga dos Campeões perdeu-se e os homens de Nuno Espírito Santo soltaram-se em contra-ataques venenosos.

Num desses despiques, Braga aproveitou bem as costas de Maicon, tirou a bola do alcance de Helton com classe, fazendo estalar o verniz entre os sócios azuis e brancos. O regresso à titularidade do nosso central brasileiro esteve longe de ser feliz e provou que actualmente não supera o andamento de Mangala. A defesa ressentiu-se da ausência do acutilante francês. Quiñones teve uma prestação em crescendo, mas precisa de mais minutos para saber ler os seus companheiros e, porque não, melhorar os seus cruzamentos.

Meio abananada com o que lhe acontecia, a equipa de Vítor Pereira via-se em tremendas dificuldades para gizar ocasiões para finalizar. Apenas por uma vez Izmailov fez a bola rondar as redes do adversário, além das penalidades. A segunda das quais dando o empate à nossa equipa e um pedido de perdão de Cha Cha Cha Martinez aos seus fãs. A lei do castigo máximo haveria sempre de tropeçar nos excessos da defesa do Rio Ave e Artur Soares Dias não vacilou, o que é de registo. Apesar de pessoalmente ter algumas reservas a este tipo de penalidades que na actualidade fazem escola e outrora não eram assinaladas.

Mas não foram estas questíunculas de alecrim e manjerona que farão as delícias dos paineleiros televisivos a ser o factor decisivo no encontro. O “grito” do balneário sortiu os seus efeitos e o FC Porto finalmente impôs velocidade na circulação de bola no recomeço da partida. Agora o jogo era mais vivo e incisivo por parte do dragão. O Rio Ave recolhia-se cada vez mais ao seu reduto, asfixiando-se em si mesmo, onde só Oblak dava mostras de vida.

A entrada de Defour, alargando pela direita ainda mais a banda portista desconstruiu o adversário. Mas seria dos pé do discreto James Rodriguez que sairia o cruzamento para Jackson Martinez mostrar ao país aquilo que melhor sabe fazer; Dominar, ajeitar e matar. A redenção era completa e povo finalmente respirava de alívio. O sofrimento vem onde menos se conta. Mas a entrega à luta, essa, já é mais previsível. Os elogios a meio da semana fizeram lãs aos pezinhos dos jogadores azuis e brancos. Mas para se ganhar títulos tem de se mostrar fibra todos os dias!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Arrumar a casa antes do regresso à velha Europa



O campeonato português está impregnado de jogos como assistimos esta noite em Aveiro. Bola que corre em sentido único. Uma equipa que defende e outra que ataca. Em metade do campo se joga, apenas intervalado por uns pífios tiros de pólvora seca, sempre no ensejo de quem dispara ver lume a soltar da camara. Não têm nome, pois muitos são os que lhes usam as vestes, que trocam entre si a cada semana que passa. Olhanense, Beira-Mar, tanto faz, ao filme já todos nós lhe conhecemos a sinopse, podendo contudo variar o final da história.

Ainda a refazer-se de uma dessas películas que não lhe coube ao melhor engodo, o FC Porto fez-se de novo à acção desta trama maior do futebol português, o assalto à muralha. Bem se pode dizer que a azia do passado Domingo deu lugar a um relaxado início de fim-de-semana. A vitória azul e branca foi tranquila e Vítor Pereira conseguiu ter margem de manobra para gerir o grupo com decorrer favorável da partida, pensando, invariavelmente, na importante contenda com o Málaga para a Liga dos Campeões.

Não obstante do belo trajecto que a nossa equipa tem feito ao longo desta época, derrubar conjuntos ultra-defensivos como este Beira-Mar tem-nos causado alguns problemas. O jogo enrodilhado não permite fazer uso do estilo de bola corrida que os jogadores portistas apreciam e dominam. O ritmo tende a baixar e muitas vezes, estranhamente, tendemos a acompanhar o balanço.

Felizmente, hoje, o movimento disruptivo de Cristian Atsu veio relativamente cedo. Pelo menos a tempo de evitar desconforto geral às hostes azuis e brancas. O remate pleno de intensão do jovem ganês explorou bem um dos pontos fracos da equipa aveirense, o seu guarda-redes, permitindo que a nossa equipa encara-se o que restava do jogo com alguma serenidade.

Os homens de Ulisses Morais não criaram uma única ocasião de golo. Apenas alguns lançamentos em profundidade prometedores. Carlos Xistra apitava a tudo o que se mexia e puxou de cartões com demasiada facilidade. Magala bem pode lamentar-se do rigor do árbitro. Mas nestas coisas os jogadores devem antever aquilo que vai na cabeça dos homens do apito e não o que está na lei. Pôs-se a jeito e queimou-se. Para próxima alguém que o avise antes de cair na mesma esparrela.

Agruras de arbitragem à parte, a sentença do jogo foi arquitectada por Jackson Martinez – pois claro – num movimento fabuloso onde o colombiano põe em prática toda a sua técnica e excelente colocação de remate. Aí vão vinte golos em dezanove jogos de Cha Cha Cha, que tenuemente vai ameaçando recordes de heróis de dragão ao peito doutros tempos.

Entre o empate com o Olhanense e o triunfo desta noite diante do Beira-Mar a diferença não esteve no futebol jogado mas sim na eficácia nos momentos chave. Converter quando as oportunidades sugerem vale ouro e o FC Porto soube catapultar a sua sorte quando esta lhe sorriu. Eficácia, essa que também poderá ser crucial na próxima Terça-Feira. Mas aí o adversário é outro. Não faz uso das manhas destas equipinhas lusitanas e, sobretudo, tem um naipe de jogadores de enorme qualidade.