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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Em memória de Pedroto

Há 37 anos atrás, em 1977/78, uma dupla carismática, constituída pelo chefe do Departamento de Futebol e pelo treinador do Futebol Clube do Porto, tiveram de lutar muito fora do campo para que, dentro das quatro linhas, fosse possível a uma grande equipa azul-e-branca interromper um longo jejum de 19 anos.

FC Porto campeão? Depende dos árbitros”, afirmou José Maria Pedroto de forma desassombrada, e Pinto da Costa (na altura chefe do Departamento de Futebol) acrescentava: “O critério de nomeação dos árbitros, se não é uma palhaçada, o que é que é?

Estávamos no pós 25 de Abril e, no final da década de 70, Pedroto proferiu um conjunto de frases históricas contra o “polvo” que dominava o futebol português, denunciando o sistema herdado do antigamente, frases essas que haveriam de perdurar por muitos anos:

É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes em Lisboa

Um campeonato ganho pelo FC Porto vale por dois ou mais dos clubes de Lisboa

Verifica-se um estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica

Temos de lutar contra os roubos de igreja!

Era assim, sem papas na língua, que o grande Zé do Boné colocava os nomes aos “bois”. Sem falinhas mansas, sem se preocupar com o politicamente correcto, na defesa do Norte e do seu muito amado Futebol Clube do Porto.

Se, quase 40 anos depois, a maior parte das frases de Pedroto continuam a ser perfeitamente actuais, há uma que está mais actual do que nunca:

Quanto a árbitros, em casa serve qualquer um. Fora convém que seja um bom árbitro


Vejamos o que se está a passar neste campeonato, com as deslocações do SLB e do FC Porto…

24-08-2014, 2ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bessa (Porto)
Aos 83’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o boavisteiro Brito marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor Marco Ferreira.

12-09-2014, 4ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bonfim (Setúbal)
Aos 19’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o jogador sadino Giovani marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor João Capela.

14-09-2014, 4ª jornada, deslocação do FC Porto ao Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães)
Os “roubos”…, perdão, os erros do trio de arbitragem liderado pelo senhor Paulo Baptista, que prejudicaram, de forma clamorosa, o FC Porto, são claros e estão perfeitamente documentados.

Vitória Guimarães x FC Porto, Tribunal O JOGO

Perante todos estes casos, perante este reiterado “estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica”, o que disseram os responsáveis do FC Porto?
Nada!

Vejo com muita preocupação este silêncio de Pinto da Costa, de Antero Henrique e da estrutura do FC Porto.
O que ganhamos em ser bem comportados e compreensivos com os sucessivos “erros” das arbitragens?

Há quem tenha memória curta, mas eu lembro-me bem de quatro deslocações na época passada – Estoril, Benfica, Sporting, Nacional – em que, com a influência de “roubos”…, perdão, erros de arbitragem, foram subtraídos ao FC Porto 9 a 11 pontos!

E chamo à atenção que a próxima deslocação do FC Porto para o campeonato é já daqui a 11 dias, ao estádio de… Alvalade.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A frase do ano

"Já jogámos debaixo de um dilúvio em Coimbra e vencemos. Já jogámos com neve em Viena e vencemos. Já tivemos um jogo com um rival directo, em que sofremos um golo irregular, vimos um jogador mal expulso e outro ficou em campo inexplicavelmente, que foi um misto da tempestade de Viena e do dilúvio de Coimbra; foi um ciclone que passou com apito na boca por esse jogo e conseguimos resistir."
Pinto da Costa


Salvaguardando as devidas diferenças e proporções, esta parte da entrevista de Pinto da Costa a O Jogo (publicada em 25/12/2010) fez-me lembrar um célebre discurso de Winston Churchill, em 4 de Junho de 1940, numa altura em que a Alemanha nazi ameaçava estender o seu jugo sobre toda a Europa:

"We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the seas and the oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be. We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills. And, we shall never surrender!"

É este o espírito que me habituei a ver nas equipas do FC Porto, o espírito do dragão, que desde os anos 80 tão bem foi simbolizado por jogadores como João Pinto, André, Paulinho Santos, Baía, Jorge Costa, entre outros. "Jogadores-guerreiros", que tinham a mentalidade do antes quebrar que torcer.
E enquanto for este o espírito, por mais que nos ataquem, dentro e fora dos relvados, por mais que o centralismo nos cerque e seja cada vez mais sufocante, nós nunca baixaremos os braços, nós nunca nos renderemos!

sábado, 29 de maio de 2010

Frase da semana

“Sem nunca prometer campeonatos ou vitórias, que não estão na minha mão, garanto que para o ano vamos ter uma equipa à Porto, uma equipa que só quer ganhar. Uma equipa digna dos grandes campeões [Fernando Gomes, António Sousa, Frasco, Inácio, Secretário, Jorge Couto e Américo] que aqui temos.”
Pinto da Costa, 28/05/2010, na Casa do FC Porto de Argoncilhe

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (14)


"Verifica-se um estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica".

Entrevista a A Bola, 1979

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (13)


"Lamento que a boa massa associativa do F.C. Porto continue a alimentar esperanças que se lhe pretendem dar e que não correspondem às realidades a que essa excelente massa associativa faz jus e tem direito".

De Setúbal, mantendo viva a chama, 1969, in Alfredo Barbosa, op.cit.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (12)


"Tenho uma experiência de muitos anos e conheço muito bem os jornalistas. Sei quais são as suas cores clubistas, ou se cortam a direito, como há vários, e como eles reagem quando a equipa da sua predilecção perde. (...).

Há ocasiões em que não passo do título. Basta-me ler o título para saber o que o jornalista escreve. Mas, por norma e por educação, não hostilizo o jornalista que, no meu entender, deturpa a verdade, sonega factos aos leitores, sobrevaloriza o secundário, deixando passar o essencial. Não o hostilizo atendendo à subjectividade da apreciação. Não posso, contudo, deixar de alertar os meus jogadores para essa subjectividade do jornalista, que é tanto mais desfavorável à equipa quanto maior é a sua predilecção pelo clube de que gosta."

Finais dos anos 70, já de volta a "casa", e destapando a careca à "isenção" jornalística.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (10)


"Agora, o FC Porto está de tal forma que as chicotadas psicológicas já chegaram aos directores, pois Hernâni e Ivo de Araújo também já foram "chicoteados". Agora, o sr. presidente é que pontifica, também, no Departamento de Futebol. Aliás, ele manda tanto, agora, que o F.C.P. quer dizer Futebol Clube Pinto (de Magalhães).

No entanto, não se pense que tenho ódio ou rancor a quem quer que seja. Só que penso que é minha obrigação ajudar a desmascarar o "bezerro de ouro" do FC Porto, um clube que amo, um clube no qual vivi os melhores anos da minha vida".

Quando ao serviço de V. Setúbal, denotando saudades e um sentido premonitório;-), 1970, in Alfredo Barbosa, op.cit.

sábado, 3 de maio de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (9)


"O Varzim é um clube maravilhoso, sem donos, nem ditadores, com uma organização perfeita. (...) todos os anos, o presidente do clube e todos os dirigentes fazem turnos junto ao casino, na rua, a vender rifas para angariar fundos para o clube e não emprestam demagogicamente o seu dinheiro a juros."

Mais um ataque a Afonso Pinto de Magalhães, quando treinava o V. Setúbal, 1970, in Alfredo Barbosa, "Pedroto, o Mestre", Porto, 1998.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (8)

"O Benfica não tem estofo de campeão: demonstrou-o bem aqui, pois empatou tal como poderiam ter empatado o Feirense ou o Espinho, isto é, jogando à defesa. Claro que falhou um penalty, mas penalties todos os guarda-redes defendem, mexendo-se ou não" (uma alusão ao facto de Manuel Bento, o guarda-redes do Benfica, ser "especialista" em defender penalties, mexendo-se frequentemente antes de a bola partir).

Primavera de 1978, após um Varzim-Benfica a que assistiu.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (7)

"Sou um homem livre e quero que os meus jogadores também o sejam!"

Ao demitir-se de treinador do Vitória de Setúbal, em Janeiro de 1974, após o presidente, António Xavier de Lima ("o pedreiro", no léxico pedrotiano) ter decidido que os jogadores só poderiam conceder entrevistas com autorização directiva. A equipa seguia em 1º lugar no campeonato.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (6)

"As gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e Taças de Portugal."

Na sua campanha contra os poderes "fácticos", finais dos anos '70

sábado, 19 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (5)

"Pinto de Magalhães é presidente do FC Porto mas isso não o impediu de levar alguns jogadores de basquetebol do clube para a equipa do seu banco, o BPM".

Prosseguindo as suas críticas a Afonso Pinto de Magalhães, quando ao serviço do V. Setúbal.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (4)

"Do SINBOL [Sindicato Democrático dos Treinadores de Futebol] fazem parte grandes nomes de treinadores portugueses, como Fernando Vaz, Juca e Manuel Oliveira. Do outro sindicato [de tendência comunista] fazem também parte alguns nomes conhecidos, embora de menor reputação. Quanto ao Mário Wilson, esse não pertence a nenhum dos dois sindicatos: queda-se naquela atitude de "nem carne, nem peixe" a que alguns costumam chamar de "bom-senso". Se todos fossem como ele, Moçambique [terra natal de Wilson], ainda não era independente."

Em entrevista a "A Bola", finais dos anos '70

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (3)

"Pinto de Magalhães roeu a corda, mas eu sou de Lamego, sou de antes quebrar que torcer!"

No auge da crise que levaria à sua saída do clube em 1969.

domingo, 13 de abril de 2008

Frase do dia - Dez milhões

«Hoje o País conta praticamente dez milhões de benfiquistas: os seis milhões de sempre, se bem que tristes, e os restantes quatro milhões, a quem o clube das águias só tem dado alegrias...»
António Tavares-Teles
in DN, 13/04/2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (2)

"O circo desceu à cidade, e o palhaço, desesperado e à beira do desemprego, volta com a rábula do controlo anti-doping. Claro que o faz dizendo que também ele se dopou, mas não diz onde nem quando, ou seja, atira a pedra e esconde a mão. Estou de acordo com o controlo, sim senhor, mas ao alcóol que lhe circula nas veias! Já sei que estas minhas declarações vão ser consideradas como atentatórias da ética desportiva. O crime do palhaço, esse, cairá no esquecimento."

Reagindo às declarações de Mário Wilson, treinador do Benfica, favoráveis ao controlo anti-doping na Final da Taça de Portugal entre Benfica e Porto daí a dias, 1980.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (1)

"Os serventuários das instituições que abdicam da sua personalidade não passam de medíocres que vegetam, aguardando ansiosamente o dia de pagamento."

Ao demitir-se do cargo de seleccionador nacional.