Num dia em que milhões de portugueses recordam os entes queridos que já partiram, aproveito para homenagear 10 personalidades da família portista que já não estão entre nós e que, de alguma maneira, simbolizam todos aqueles que contribuíram para os sucessos dos últimos 30 anos e para a transformação do FC Porto naquilo que é hoje: o clube português com mais títulos no futebol e o de maior currículo e prestigio a nível internacional.
Adolfo Roque (ex-patrocinador)
Américo de Sá (ex-presidente)
António Feliciano (ex-treinador e coordenador das camadas jovens)
Seria muito fácil falar dos momentos gloriosos que tenho guardado na memória da minha (ainda curta) vida portista, mas como já quase todos foram referidos e é sempre mais fácil falar das coisas boas, pensei aproveitar esta minha oportunidade para homenagear um jogador e descrever um acontecimento que me marcou profundamente: a morte de Rui Filipe.
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Rui Filipe perdeu a vida aos 26 anos num trágico acidente de automóvel a 28 de Agosto de 1994. Recordo-me perfeitamente, como se fosse hoje, que o Porto ia a Aveiro nesse dia defrontar o Beira-Mar para a 2ª jornada do campeonato, Rui Filipe estava castigado depois de um jogo na Luz para a Supertaça, onde tinha marcado um golo fantástico a Michel Preud'homme – deixando-o completamente sentado no chão - mas onde acabou expulso (tal como Secretário, Nelo e João Vieira Pinto) tendo o jogo acabado empatado a uma bola. Quis o destino que o jogo de castigo tivesse de ser cumprido na jornada seguinte do campeonato.
Cerca da hora do almoço, acordo e tenho conhecimento da noticia, tinha 13 anos, acabado de me inscrever como sócio do Porto - já acompanhava regularmente o Porto ao vivo mas só naquela altura tinha arranjado "patrocinadora" para me inscrever como sócio - e tinha assistido ao meu último jogo na antiga Superior Norte uma semana antes, onde vira Rui Filipe marcar o 1º golo do Porto no campeonato (uma vitória 2-0 frente ao Braga).
Chorei como se tivesse perdido um amigo. A minha mãe, preocupada, até pensava que eu o conhecia… E conhecia!! Era o Rui Filipe!! Um dos médios mais promissores do Porto, tinha apenas 26 anos, vestia habitualmente a camisola 6, e estava a embalar já há algum tempo para o que se pensava ser uma grande carreira, que infelizmente tinha sido tragicamente interrompida nesse dia.
O Porto acabou por ganhar esse jogo em Aveiro por 2-0 e dedicar a vitória ao Rui. Aliás, durante os 5 anos seguintes, o Rui foi figura de proa das conquistas e sempre lembrado como o marcador do 1º golo daquele ciclo de vitórias que culminou no Penta, sendo até construído um busto em sua homenagem. Tenho alguma pena da forma como foi esquecido subitamente, e pelo desconhecimento de onde se encontra hoje o seu busto, e já agora, o do também falecido Pavão.
Carlos Alberto foi o 1º treinador a apostar no então jovem de 23 anos nascido em Vale de Cambra, dando-lhe algumas oportunidades, mas foi com Bobby Robson que se afirmou num meio campo que partilhava com o brasileiro Emerson e o russo Kulkov. Ao serviço do Porto conquistou 3 campeonatos nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças Cândido de Oliveira.
Confesso que ainda hoje tenho saudades de o ver jogar. Tenho na retina momentos fantásticos, grandes golos e boas exibições de um jogador “á Porto”, e sobretudo pena… Pena da sua carreira ter acabado tão cedo. Eu percebia certamente pouco de futebol na altura, mas estou convencido que o Rui tinha muito ainda para dar...
Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Martino a elaboração deste artigo.