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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Percentagem pontual no campeonato português

Percentagem pontual e classificação (do FC Porto, Benfica e Sporting) na história do campeonato português.




Estes gráficos (extraídos da área multimédia do PUBLICO) permitem várias leituras. Por exemplo, a evolução dos três "grandes" ao longo das épocas, ou verificar a distância a que os três "grandes" ficaram entre si em cada um dos campeonatos.

Outro tipo de leitura, mais focada num determinado período é, por exemplo, constatarmos que de 1997/98 até 2012/13 (as últimas 16 épocas), apenas cinco vezes o FC Porto terminou o campeonato com uma percentagem pontual superior a 80% - José Mourinho (em 2002/03 e 2003/04), André Villas-Boas (2010/11) e Vítor Pereira (2011/12 e 2012/13). Nos anos em que ficou abaixo dos 80% e, mesmo assim, ganhou o campeonato, foi mais por mérito próprio ou por demérito da concorrência?

Fonte: PÚBLICO

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Caiu a máscara ao Bruno Prata



29 Janeiro 2012
A seguir ao Gil Vicente x FC Porto (3-1) da época passada, em que a arbitragem de Bruno Paixão fez lembrar um célebre jogo em Campo Maior, Bruno Prata escreveu o seguinte no PUBLICO:

«(…) O FC Porto terminou a primeira parte com razões de queixa da arbitragem de Bruno Paixão, que não assinalou um penálti contra o Gil Vicente (Defour foi atingido por Daniel, aos 23’) nem anulou o lance (Pedro Moreira centrou em posição de fora de jogo) que terminou com a grande penalidade (bem assinalada, por braço na bola de Otamendi) que permitiu aos gilistas aumentar a diferença para dois golos mesmo antes do intervalo. No início da segunda parte ficou ainda por assinalar um outro penálti a favor do FC Porto, quando Kléber é derrubado pelo guarda-redes Adriano. Mas a equipa portista deve principalmente queixar-se de si própria. (…)»

Ou seja, aos 23’, a perder por 0-1, o FC Porto viu-lhe negada pelo árbitro uma grande penalidade indiscutível. Em cima do intervalo, o Gil Vicente marcou o seu 2º golo numa jogada precedida por um fora-de-jogo evidente (mesmo à frente do árbitro assistente). E, como se não bastasse o que se tinha passado na 1ª parte, no início da segunda ficou mais um penalty por marcar a favor do FC Porto.
Apesar das consequências óbvias que este conjunto de más decisões da arbitragem teve no desenrolar do desafio, para Bruno Prata a equipa portista devia principalmente queixar-se de si própria.
Mas, o melhor de tudo foi o título que escolheu para a sua crónica do Gil Vicente x FC Porto:
«FC Porto tinha perdido até com uma arbitragem competente».
Fantástico!


7 Outubro 2012
Título da crónica do FC Porto x SCP publicada pelo PUBLICO:
«Quinze minutos de recital e erros arbitrais»

«No Dragão, os golos caíram na baliza do Sporting como folhas no Outono, com cadência regular, um em cada parte. E foram a expressão inequívoca do domínio exercido pelo FC Porto, da impotência dos “Ocean’s Eleven” e de alguns equívocos arbitrais. Com excepcão do período inicial, não houve, no entanto, uma soberba lição futebolística e o jogo acabou por ficar marcado por algumas polémicas e teatros (dois penáltis mais do que duvidosos). (…)
A segunda parte foi um exercício geométrico, muitas idas e voltas, muita pólvora seca, mas com saldo nulo. O Sporting surgiu mais afoito, mas o FC Porto podia ter resolvido tudo se Lucho não tivesse disparado ao poste, aos 55’, na marcação de um penálti duvidoso (ficou a ideia que Cédric não teve a intenção de tocar a bola com a mão).
(…) mas tudo ficou decidido quando James fez o 2-0, em mais um penálti duvidoso (não ficou claro o agarrão de Boulahrouz a Jackson). Um bom general deve não apenas conhecer o modo de vencer, mas também saber quando a vitória é impossível. Ontem, Oceano não teve tropas e ainda teve contra si o árbitro

Sabem quem escreveu esta crónica? Não, não foi nenhum dos representantes do sporting na comunicação social. Foi o mesmíssimo Bruno Prata!

Não vale a pena chamar à atenção para a diferença entre lances de análise duvidosa (conforme se verificou no FC Porto x SCP) e erros clamorosos de arbitragem (vários no Gil Vicente x FC Porto);
Nem vale a pena referir, que o impacto no desenrolar do jogo, das más decisões dos árbitros nestes dois desafios, foi muitíssimo diferente.
Vale sim a pena reler os títulos das duas crónicas, a ênfase que em ambas foi dado à arbitragem e, cereja em cima do bolo, sublinhar a última frase escrita por Bruno Prata na sua crónica do FC Porto x SCP.

Caiu a máscara ao Bruno Prata. Se dúvidas houvesse, a simples comparação entre estes dois artigos mostra o nível de isenção e coerência deste jornalista do PUBLICO e comentador da RTP.
E o problema é capaz de ser mesmo este. Aparentemente, para se ser comentador de futebol na RTP Porto, dá muito jeito estar nas boas graças do Carlos Daniel (cuja “simpatia” pelo FC Porto é bem conhecida)…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fundos sem fundo II

«Em 4 de Julho de 2010, a Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD emitiu um comunicado para informar que tinha adquirido o passe (direitos de inscrição desportiva) do João Moutinho pelo montante de 11.000.000 € (onze milhões de euros).
Cerca de três meses depois, no dia 15 de Outubro de 2010, a FC Porto SAD enviou um novo comunicado à CMVM para informar o mercado que tinha alienado 37,5% dos direitos económicos do João Moutinho por 4.125.000€ à Mamers B.V.
No dia 3 de Agosto, a SAD portista informou ter readquirido, por 4.000.000€, 22,5% dos direitos económicos do João Moutinho ao Soccer Invest Fund – Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado, Fundo este ao qual a Mamers B.V. cedeu a sua posição contratual relativamente aos direitos económicos que detinha.»
in Reflexão Portista, 03 de Agosto de 2011



Dos negócios acima descritos, relativamente ao passe do João Moutinho, temos que:
1. Em 4 de Julho de 2010 adquirimos 100% por 11,0 milhões;
2. Em 15 de Outubro de 2010 alienamos 37,5% por 4,125 milhões (100% = 11 milhões);
3. Em 3 de Agosto de 2011 recompramos 22,5% por 4,0 milhões (100% = 17,7(7) milhões);
4. Em Outubro de 2011 alienamos à Mamers BV e em Agosto 2011 adquirimos à Soccer Investment Fund;
5. Até um novo negócio no passe de João Moutinho a FC Porto SAD está a perder 1,525 milhões (adquiriu 22,5% por 4,0 milhões, que ao valor nominal valeriam 2,475 milhões). É verdade que o jogador poderá ter valorizado 6,7(7) milhões entre Outubro de 2010 e Agosto de 2011 dada a extraordinária época realizada pelo próprio e pela equipa. Mas também é verdade que desde Agosto 2011 o seu passe não mais foi negociado pelo que existe para já uma perda contingente. Este negócio só se entende no caso de o FC Porto ter tido uma proposta iminente para vender João Moutinho antes de Agosto 2011 por um valor superior a 17,7(7) milhões por 100% do passe.


«(...) Embora a FC Porto SAD tenha o bom hábito de identificar o nome dos fundos com quem trabalha, quer nos comunicados que envia à CMVM, quer nos relatórios & contas, não é claro quem são as pessoas/empresas que estão por trás desses fundos, nem tão pouco se também mantêm negócios, ou relações contratuais, com clubes concorrentes do FC Porto.»
in Reflexão Portista, 05 de Agosto de 2011


Em 28.02.2012 o jornal PÚBLICO publicou um artigo na sequência de uma investigação aos detentores de percentagens dos passes de jogadores dos três grandes. Esse artigo, entre outras coisas, diz o seguinte:

«Há jogadores do FC Porto que estão parcialmente nas mãos de empresas holandesas, luxemburguesas, inglesas e maltesas. (…) Um dos negócios mais curiosos envolve João Moutinho. O FC Porto comprou o passe do médio ao Sporting em Julho de 2010 por 11 milhões de euros e três meses depois vendeu 37,5% a uma empresa holandesa chamada Mamers B.V, por 4,125 milhões. Segundo os dados obtidos pelo PÚBLICO na base de dados de empresas D&B, esta sociedade é detida por uma fundação (Stiching Mamers), cujos corpos directivos são o empresário português António Fernando Maia Moreira de Sá e o filho Flávio Moreira de Sá. António Moreira de Sá é um empresário do Norte do país com interesses na construção civil e também membro suplente do conselho superior do FC Porto (um órgão consultivo do clube).

O PÚBLICO questionou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para saber se existe alguma incompatibilidade, algo a que o órgão regulador respondeu negativamente: "Nessa data, António Fernando Moreira de Sá não integrava os órgãos sociais da Futebol Clube do Porto - Futebol SAD." O PÚBLICO também tentou obter uma explicação do FC Porto (que recusou responder a perguntas) e de António Moreira de Sá, que não se disponibilizou para falar.

As movimentações em torno do passe de João Moutinho, porém, não ficaram por aqui. A dado momento (entre Outubro de 2010 e Agosto de 2011), esses 37,5% dos direitos económicos de Moutinho foram cedidos ao Soccer Invest Fund, um fundo registado na CMVM cujos nomes dos accionistas não são conhecidos publicamente (só o regulador sabe quem são). Este fundo é gerido pela MNF Gestão de Activos, uma empresa que tem entre os seus administradores João Lino de Castro, que à data da venda de Moutinho ao FC Porto era secretário da mesa da assembleia-geral do Sporting e em Setembro de 2010 foi cooptado para a administração da SAD leonina, então presidida por José Eduardo Bettencourt. Em Agosto de 2011, o Soccer Invest Fund vendeu 22,5% do passe de Moutinho ao FC Porto, por 4 milhões de euros, ficando com 15%.

Também aqui a CMVM recusa a existência de qualquer incompatibilidade, até porque "na data em que foi comunicada esta transacção entre o Soccer Invest Fund e a Porto SAD, João Lino de Castro não integrava os órgãos sociais da Sporting SAD." O PÚBLICO também tentou ouvir o ex-administrador leonino, mas não foi possível.
(…)
Percentagens sem dono conhecido
Na análise que fez aos relatórios das sociedades anónimas desportivas (SAD) do Benfica, FC Porto e Sporting e aos comunicados enviados à CMVM, o PÚBLICO deparou-se com algumas dúvidas sobre o paradeiro de partes de passes de jogadores dos três "grandes". É o caso de 5% de Hulk e 10% de James Rodríguez (FC Porto), (…). O FC Porto detinha 90% de Hulk mas no último relatório anual aparece apenas 85%. A explicação é que os restantes 5% terão sido cedidos à empresa Maxtex, embora o clube não comente oficialmente. No caso de James Rodríguez, o FC Porto comprou 70%, depois vendeu 35% e recomprou 30%. Ou seja, deveria ter 65% e não os 55% que constam do relatório.»
PÚBLICO, 28 de Fevereiro de 2012


Como é possível concluir deste excelente trabalho jornalístico do PÚBLICO, transparência e ética são valores que escasseiam nos recentes negócios envolvendo jogadores do FC Porto. Exemplo: um membro do Conselho Consultivo lidera uma empresa (Mamers, BV) que negoceia com a SAD em passes de jogadores.

É também interessante observar que, embora lideradas por portugueses, as empresas com quem a SAD tem desenvolvido mais negócios estão sediadas na Holanda, Malta, Inglaterra ou Antilhas Holandesas.

Nota: Este artigo é acompanhado pela infografia publicada no jornal PÚBLICO e que ilustra o artigo acima citado. Clique na imagem para ampliar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Em queda livre

Reproduzo, em baixo, um artigo publicado pelo jornal Público há cerca de duas semanas atrás mas que, obviamente, despertou muito menos interesse e debate entre os adeptos, do que o golo marcado em fora-de-jogo, ou de que o penalty bem/mal assinalado, de um qualquer jogo dos três grandes disputado neste mesmo período de tempo.

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Bolsa, o jogo que os clubes de futebol estão a perder
06.12.2011
Hugo Daniel Sousa

Ver o comportamento dos clubes de futebol em bolsa é o mesmo que dizer que os “três” grandes nacionais estão a ser goleados pelos mercados de capitais. As acções das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) de FC Porto, Sporting e Benfica valem actualmente menos 90% do que quando foram admitidas à cotação.

O FC Porto e o Sporting foram os primeiros a lançar-se na aventura bolsista. As acções portistas fecharam na sexta-feira [02/12/2012] a 50 cêntimos contra os 7,64 euros da primeira sessão (-93%). Algo parecido ocorre com as acções “leoninas”, que valem agora 48 cêntimos, quando abriram a primeira sessão a 7,48 euros (-94%). O Benfica tem uma história mais curta no mercado de capitais, pois só está em bolsa desde Maio de 2007, mas a narrativa não é diferente: as acções abriram a primeira sessão a valer seis euros e agora estão a 72 cêntimos (-88%). Outro indicador elucidativo desta quebra é que a capitalização bolsista (estimativa do valor da empresa em que se multiplica o número de acções pelo valor da sua cotação) das três SAD é agora 113 milhões inferior.


É certo que os tempos que correm também não são fáceis para quem está na bolsa. Dados do Millennium BCP, a que o PÚBLICO teve acesso, mostram que nos últimos dez anos alguns índices europeus caíram significamente: o PSI-20 de Lisboa baixou 24,4% e o CAC de Paris desceu 25,3%, embora, por exemplo, o Ibex de Madrid (15,2%), o Footsie de Londres (10%) e o Dax de Frankfurt (34,7%) tenham todos saldos positivos.

Esta comparação mostra que o comportamento dos clubes de futebol em bolsa é pior do que o das outras empresas. “Os clubes tentam gerar o máximo de receitas para cobrir despesas, mas não têm perspectivas de criar valor para os accionistas. E é suposto que quem esteja cotado em bolsa gere mais-valias”, aponta António Samagaio, professor de Economia no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), salientando que começa aqui a “incompatibilidade” entre os clubes de futebol e os mercados de capitais.

Mesmo comparando com clubes estrangeiros também cotados, as descidas dos “grandes” portugueses são mais significativas. Desde o início do ano, o Stoxx Europe Football (um índice que reúne as cotações de 22 clubes europeus, entre eles Benfica, FC Porto e Sporting) caiu 35%. Se olharmos para os três “grandes” nacionais, as quebras são piores, à excepção do Sporting, cujo “papel” iniciou o ano a 69 cêntimos e “só” caiu 30%, contra 52% no Benfica e 44% no FC Porto.

Um facto curioso é que, salvo raras excepções (ver infografia), os resultados desportivos não têm influenciado o desempenho na bolsa. “A evolução das acções da FC Porto SAD não apresenta um comportamento economicamente racional”, queixa-se a SAD portista no último relatório anual, sublinhando que, apesar de ter lucros há cinco anos seguidos e bons resultados desportivos, a “cotação das acções tem vindo a diminuir progressivamente desde 2003-04.”

António Samagaio apresenta uma explicação, que vale para o FC Porto e para as outras SAD: a forma como são geridas estas sociedades, que acumulam quase 270 milhões de euros de prejuízos desde a sua criação.

“Se olharmos para o modelo de gestão das SAD, o que temos visto é que há uma primazia do desportivo em relação ao financeiro. O que interessa é ganhar campeonatos, mesmo que isso tenha reflexos nos resultados financeiros”, aponta Samagaio, para quem esta política está bem evidente na forma como os administradores são remunerados.

“No relatório e contas de 2009-10 do FC Porto, em que toda a administração é paga, diz-se claramente que a remuneração variável dos administradores não tem em vista o desempenho a longo prazo da empresa. O que interessa é vencer, mesmo que isso hipoteque o futuro”, salienta este professor no ISEG.

Dan Jones, chefe de negócios da área de desporto da Deloitte, aponta “duas razões para os clubes não se darem bem com as bolsas”. “Uma é que os mercados de capitais impõem regras que muitas vezes são difíceis de cumprir pelos clubes. Por exemplo, quando se negoceia a transferência de um jogador, o clube quer tratar disso rapidamente e não estar a comunicar que está em negociações”, diz, prosseguindo: “A segunda razão é que não são bons a pagar dividendos e a fazer lucros, coisas que os accionistas querem quando investem.”

E, de facto, FC Porto, Sporting e Benfica nunca distribuíram dividendos, além de a quebra quase contínua das acções também não permitir muitas oportunidades para gerar mais-valias, vendendo a melhor preço do que se comprou. “Os investidores estão dispostos a comprar se tiverem dividendos ou um ganho potencial”, diz António Samagaio, para quem a melhor prova de que as SAD não são um bom investimento é o facto de muitos dos administradores não terem acções ou deterem montantes reduzidos.

Gostam tanto do clube, mas eles próprios não investem. Parece que não acreditam no sucesso financeiro destas sociedades”, argumenta o professor no ISEG.

Na SAD portista, Pinto da Costa detém 165.670 acções (1,1%), enquanto Reinaldo Teles tem somente 9850 acções (0,07%). Os restantes administradores (Adelino Caldeira, Angelino Ferreira e Jaime Lopes) não têm acções.

No Benfica, Luís Filipe Vieira detém 850.000 acções (3,7%), enquanto Rui Costa tem apenas 10.000 (0,04%), Rui Cunha 500 e Rui Gomes da Silva 100. Domingos Soares Oliveira não detém qualquer acção.

No Sporting, Godinho Lopes tem só 322 acções (0,001%) e Luís Duque 100. José Filipe Nobre Guedes, o administrador financeiro, não tem qualquer uma, tal como os homólogos do Benfica e FC Porto.


Chegados a este ponto, a pergunta que se coloca é se os clubes devem (ou querem) manter-se na bolsa. Nenhum dos administradores das SAD esteve disponível para responder ao PÚBLICO.

Em Inglaterra, vários emblemas (como Manchester United e Chelsea) deixaram os mercados quando foram comprados por investidores estrangeiros, mas em Portugal ainda não se chegou a esse ponto.

Os “grandes” portugueses estão agora um pouco entre a espada e a parede. Se continuarem cotados, a tendência é de continuar a perder – basta dizer que as acções do Braga (que estão no mercado sem cotação, uma espécie de segunda divisão) valem somente dez cêntimos. Mas sair também não é fácil, porque teriam de comprar as acções que estão dispersas, o que implicaria um investimento importante, numa altura em que não têm liquidez. Fontes do sector explicaram ainda ao PÚBLICO que uma saída de bolsa dificultaria o acesso a alguns mecanismos de financiamento, como empréstimos obrigacionistas e emissão de papel comercial. A resposta parece ser esperar para ver...

Fonte: PUBLICO

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Miolo do FC Porto anda coxo


Artigo de opinião de Bruno Prata, publicado em 06/11/2009, onde o jornalista do PÚBLICO toca num dos problemas principais deste FC Porto 2009/10.

«O diagnóstico dos problemas do FC Porto em termos de qualidade de jogo tem sido associado às vendas (cíclicas) de alguns dos seus melhores jogadores e à necessidade de dar tempo aos seus substitutos para que eles possam apreender a cultura, os processos e o modelo de jogo. Os mesmos motivos estiveram na origem do periclitante arranque da época passada, em que os resultados até foram bem piores na fase de grupos da Liga dos campeões.

Os mais atentos acrescentarão a onda de lesões que têm afectado os portistas e as dificuldades criadas pelas múltiplas convocatórias para as respectivas selecções, que, além do desgaste dos jogos e das longas viagens, impedem o desenvolvimento normal dos treinos, que já se sabe ser a arma que Jesualdo Ferreira mais e melhor sabe potenciar.

Sendo tudo isto verdade, há mais um detalhe que deve ser relevado. O meio-campo denota falhas de complementaridade, algo que complica ainda mais as coisas, especialmente numa equipa desenhada em 4x3x3, como é o caso.

Para perceber do que falamos, atente-se no meio-campo que levou Jesualdo ao sucesso em Braga: Andrés Madrid, Vandinho (então um médio interior esquerdo, antes de se tornar no "trinco" de grandes recursos que é hoje) e João Alves. São três jogadores de características diferentes, mas que cosem bem uns com os outros. O sentido posicional de Madrid dava-se bem com a verticalidade de Vandinho e com a capacidade de Alves de ler o jogo. As diferenças entre aqueles três médios funcionavam como um factor multiplicador, tornando o meio campo bracarense coeso, versátil e imaginativo.

Mas há outros exemplos de boa complementaridade em equipas desenhadas em 4x3x3, a mais conhecida das quais talvez seja o Barcelona, principalmente quando opta pela capacidade física de Touré, o futebol cerebral de Xavi e a magia e a verticalidade de Iniesta. Recuando na história, é possível recordar a forma perfeita como se desenvolvia e organizava o meio-campo de José Mourinho na sua primeira época no FC Porto, com Costinha a "6" e Maniche e Deco como médios interiores. Mais um caso de evidente complementaridade.

Jesualdo conseguiu repetir a receita quando se mudou para o FC Porto. Porque Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho são três jogadores diferentes, mas que também tinham o condão de funcionar em harmonia. E esta complementaridade não foi sequer trocada quando Paulo Assunção desertou para Madrid e no lugar se impôs Fernando.

A verdade é que uma boa parte dos elos de ligação foram quebrados com a venda de Lucho. O lugar foi ocupado por Belluschi, que já se sabia ser um belíssimo jogador. Mas é muito mais um "dez" do que um "oito". É justo reconhecer que tem feito um esforço enorme para se adaptar às funções e as coisas até lhe saíram de forma razoável nos primeiros tempos, antes de uma lesão atrapalhar a sua afirmação. Só que, mesmo quando está bem, acaba por funcionar frequentemente como um corpo algo estranho, principalmente quando opta pela posse da bola em circunstâncias em que o modelo portista recomenda a transição. Belluschi não tem culpa, porque isso faz parte do seu ADN futebolístico, devendo ainda reconhecer-se que a sua presença garante, pelo menos, uma fantasia que não abunda no Dragão.

A complementaridade do miolo é ainda mais reduzida quando, em vez de Belluschi, se recorre a Guarín, Tomás Costa ou Mariano (mais por instabilidade psicológica do que por outra qualquer razão). Não que estes sejam fracos, mas porque não acrescentam suficiente diversidade a um sector em que Fernando e Meireles acabam por viver fases de angústia e de saudade do complemento perfeito que era Lucho.

O substituto ideal do argentino parecia ser outro argentino. Mas Valeri demorou a apanhar a primeira carruagem, fruto de alguns problemas físicos - é provável, de resto, que o FC Porto tenha optado por garantir o seu empréstimo (por duas épocas), em vez de o contratar logo ao Lanús, por temer eventuais sequelas da operação aos ligamentos cruzados do joelho direito a que o jogador foi sujeito em Novembro de 2005. Valeri soma apenas 77 minutos nos quatro jogos em que começou como suplente na liga portuguesa. Jesualdo tentou rodá-lo nos jogos da Taça de Portugal, mas quando o médio se começava a integrar totalmente, uma nova lesão afastou-o dos últimos jogos, que poderiam ter sido uma boa oportunidade para a afirmação deste argentino de 23 anos.

Enquanto isso não acontece, a Jesualdo Ferreira só restam três alternativas para tentar resolver a questão: trabalhar cada vez mais com Belluschi para o tornar mais compatível com o triângulo no miolo; recorrer ainda com mais insistência ao 4x4x2 que nos últimos tempos vem funcionando como uma "muleta" táctica interessante; e começar a arriscar um pouco mais no lançamento de alguns jovens formados na casa e que já mostram valor. Muitos adeptos continuam a ansiosos de reverem, por exemplo, Sérgio Oliveira, que deu água pela barba na Taça de Portugal frente ao Sertanense. Pode não ser ele também o substituto ideal de Lucho (até porque só tem ainda 18 anos), mas o que lhe vimos fazer naquele jogo não pode ter sido obra do acaso. É craque.»

Nota: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jornalismo de sarjeta no PUBLICO


O estranho caso do minuto 58
por Luís Octávio Costa, PÚBLICO, 26/04/2009

«Minuto 58 do FC Porto-Vitória de Setúbal. De uma assentada, Leandro Lima e Bruno Gama foram substituídos por dois colegas de equipa. Coincidência ou não, Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Setúbal, estavam a ser os dois jogadores mais perigosos dos sadinos. Coincidência ou não, o jogo que estava empatado ganhou outra vida quatro minutos depois com o primeiro de dois golos de Lisandro (2-0). O tiro no pé de Carlos Cardoso deu uma segunda vida ao campeão nacional.

Alguém quer explicar a substituição? Pontaria de Carlos Cardoso, que na véspera até vaticinara uma “gracinha”? Sorte de Jesualdo Ferreira, que via o placard a andar para trás? “Com a saída dos dois jogadores, o FC Porto passou a ter mais espaço e mais linhas”, respondeu Jesualdo. “Já não atacavam com a mesma intensidade”, justificou Carlos Cardoso.

Antes de o jogo começar, os portistas aplaudiram a entrega a Bruno Alves do troféu A Bola/BES, que premeia o melhor dos três grandes no campeonato nacional. No final, aplaudiram Lisandro, autor de dois golos à ponta-de-lança que deixam o FC Porto com o avanço do costume. Pelo meio, aos 58’, fez-se silêncio no Estádio do Dragão, estupefacto com a sorte que lhes calhara na rifa.

Houve claramente um antes e um depois “minuto 58”. Antes, o ataque do FC Porto resumia-se a dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’). Antes, o FC Porto tinha tido dois bons períodos de pressão, mas inconsequente. Antes, falava-se da falta que fazia uma cabeça (de Lucho) no meio-campo e músculo (de Hulk) na frente de ataque. Antes, o Setúbal era uma equipa modesta e humilde, mas concentrada e com Auri a varrer tudo lá atrás. Antes, Leandro Lima e Bruno Gama tinham tido a ousadia de invadir a área portista (e aos 40’, o português, com o consentimento de Tomás Costa, até podia ter marcado). (...)»

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Os meus parabéns ao senhor Luís Octávio Costa (LOC), que mostrou uma coragem assinalável ao escrever um artigo digno de um qualquer Querido Manha, José Manuel Delgado, Rui Cartaxana ou Leonor Pinhão. Não é para qualquer um. Aliás, não me surpreenderia que, a curto prazo, este novo “craque do jornalismo desportivo” estivesse a assinar pela ‘A Bola’ ou por um dos jornais da Cofina.

Mas para além do “estranho caso do minuto 58” e das insinuações e suspeições octavianas subjacentes (vocês sabem do que eu estou a falar...), há outras estranhezas que talvez o senhor LOC nos possa ajudar a esclarecer.

1º) Sendo Leandro Lima e Bruno Gama jogadores emprestados pelo FC Porto, porque razão os dirigentes azuis-e-brancos permitiram que eles jogassem um minuto sequer contra o clube que lhes paga os salários? Se não quisessem que eles jogassem, não teria sido facílimo arranjar uma mialgia ou uma qualquer indisposição gástrica?
Provavelmente o Pinto da Costa esteve a dormir a semana toda e só acordou ao minuto 58...
Terá sido isso senhor LOC?

2º) Na 2ª parte o FC Porto entrou em campo com outra atitude e rapidez, o que foi visível para todos aqueles que viram o jogo com os olhos abertos (terá sido o caso do senhor LOC?). A prova disso é que nos primeiros sete minutos a seguir ao intervalo houve três lances perigosos para a baliza do Setúbal - segundo o próprio LOC, “dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’)”.
Nessa altura o Leandro Lima e o Bruno Gama ainda estavam em campo? Ah estavam, e não conseguiram “esticar o jogo” evitando que o FC Porto criasse estas três situações de golo?
E, já agora, quantas jogadas de perigo é que esta dupla maravilha criou na 2ª parte até serem substituídos? Zero? Hum, não será estranho senhor LOC?...

3º) Ao ver o FC Porto criar mais perigo nos primeiros minutos da 2ª parte do que em toda a 1ª parte, a intenção de Carlos Cardoso não terá sido reforçar a equipa com jogadores frescos e de perfil mais defensivo, de modo a evitar que os dragões fizessem aquilo que estavam a ameaçar, isto é, quebrassem a muralha sadina?
Terá sido por isso que, no final do jogo, Carlos Cardoso afirmou: "O F.C. Porto estava a atacar muito pelos laterais, e eles [Leandro Lima e Bruno Gama] tinham de os acompanhar. Por isso já não conseguiam atacar como deviam. Pensei que com as alterações pudessem travar essas subidas dos laterais do F.C. Porto e poderia dar hipótese a um jogador do centro para entrar mais pelo meio no apoio ao Carrijo".
Correu mal? Pois correu, como acontece à esmagadora maioria das estratégias dos treinadores do campeonato português quando jogam contra o Tri-campeão nacional.
Ou, na opinião do senhor LOC, o melhor teria sido o treinador do Setúbal aproveitar o balanceamento ofensivo do FC Porto e reforçar o ataque (com que jogadores não se sabe, mas para as suspeições subjacentes isso também não interessa...), jogando taco-a-taco no Estádio do Dragão?

4º) Terão sido as substituições ao minuto 58 que, quatro minutos depois, impediram Auri de continuar “a varrer tudo lá atrás”? Às tantas as substituições afectaram psicologicamente o Auri e só por isso é que o Lisandro lhe deu um nó cego e marcou espectacularmente o 1º golo. Terá sido isto senhor LOC? Aposto que sim...

5º) A possibilidade de haver alguma marosca por trás do “estranho caso do minuto 58” pressupõe, entre outras coisas, a conivência e colaboração activa do treinador sadino, um homem de 64 anos, com um enorme passado no futebol português e, particularmente, no seu Vitória de Setúbal (onde é uma espécie de faz tudo e treinador de recurso para as situações mais aflitivas).
Será que o senhor LOC se lembrou disto, antes de escrever a crónica vergonhosa e rasteira do FC Porto x Vitória de Setúbal, publicada no jornal PÚBLICO de hoje?

6º) Em Janeiro passado, o Vitória de Setúbal veio jogar ao Estádio do Dragão para a Taça da Liga, tendo perdido por 1-2. Nesse jogo os sadinos beneficiaram de duas grandes penalidades, tendo Leandro Lima concretizado a primeira e falhado a segunda o que, claro está, motivou as habituais insinuações e suspeições.
Isto é assim: se os jogadores emprestados jogarem contra o FC Porto, isso é suspeito; se não jogarem é ainda mais suspeito; se jogarem de início e forem substituídos isso é altamente suspeito.
Perceberam ou querem que eu faça um desenho?
Bem fez o SLB na semana passada, não permitindo que o Zoro jogasse contra eles (ah, pois, estava lesionado...)


Se, contra tudo e contra todos, o FC Porto revalidar o seu titulo de Campeão Nacional, é desta que os Rennies vão esgotar...