Mostrar mensagens com a etiqueta Gaspar Ramos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gaspar Ramos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Coação (a sério) sobre árbitros

A propósito do tema 'coação sobre árbitros', alguns extratos de uma interessante e reveladora entrevista de Jorge Coroado (ao jornalista Rui Miguel Tovar)

----------

[Jorge Coroado]: No final do jogo [Benfica x Torrense], o Gaspar Ramos convidou-me para ir à sala de imprensa e aceitei. Cheguei lá e não havia nem um jornalista, só sócios do Benfica. (…)

[Rui Miguel Tovar]: E há sempre aquele Benfica-Sporting de 1995 [30 de Abril de 1995].

[Jorge Coroado]: Que processo, esse. Bem kafkiano.

Jorge Coroado e Caniggia (foto: jornal i)

[Rui Miguel Tovar]: O vermelho ao Caniggia, porquê?

[Jorge Coroado]: A ideia é dar um amarelo ao Caniggia e outro ao Sá Pinto, por troca de empurrões na sequência de uma falta perto da área do Benfica. Só que o Caniggia insulta-me. Chama-me ‘filho da puta’ e manda-me para a ‘puta que te pariu’. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho direto. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho direto, porque não aceito insultos de ninguém. Seja em português ou em castelhano.

[Rui Miguel Tovar]: E depois?

[Jorge Coroado]: Na cabina do árbitro, o Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e incontrolável. Pedi-lhe então que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali mas não naquele estado, mas aquele espaço era meu.

Gaspar Ramos no banco de suplentes na década de 90 (foto: SAPO Desporto)

[Rui Miguel Tovar]: A verdade é que a FPF instaurou-lhe um processo?

[Jorge Coroado]: Já lhe disse que foi kafkiano, não já?

[Rui Miguel Tovar]: Então?

Sampaio e Nora (foto de 2010)
[Jorge Coroado]: Mal entrei na sala para depor, o relator do processo [Sampaio e Nora, membro do Conselho de Justiça da FPF, pertencente à lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica uns anos depois] disse-me para estar tranquilo porque não gostava de mim. (…)

[Rui Miguel Tovar]: Arrumado? Sei de uns episódios estranhos por conta do vermelho ao Caniggia.

[Jorge Coroado]: Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola e depois com uma faca, à porta do meu emprego, ali na José Malhoa.

[Rui Miguel Tovar]: O quê?

[Jorge Coroado]: De manhãzinha, ainda antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola só me queria assustar, o da faca do mato tentou atingir-me só que falhou o alvo e estragou-me o casaco. A sorte dele é que conseguiu fugir. O azar é que lhe fiquei com faca.

----------

Num período em que o “polvo encarnado”, com os seus múltiplos “tentáculos”, controla (quase) tudo e todos, é sempre bom relembrar estes episódios, porque há quem ande um bocado esquecido…

Nota: A entrevista completa do ex-árbitro Jorge Coroado pode ser lida aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O “clube regional” assusta-os

O que é que o FC Porto, ou o seu presidente, tiveram a ver com isto?


Adepto do Sporting assassinado na Final da Taça de Portugal de 1996, com um very light lançado por um adepto do SLB

SLB x Sporting em futsal - adeptos encarnados com uma enorme tarja a dizer “VERY LIGHT 1996”

Sporting x SLB em futebol - tarja “SIGAM O KING” mostrada por adeptos leoninos

Capa de A BOLA de 11-02-2015

Capa do Record de 11-02-2015

E, contudo, há indivíduos obcecados, que adormecem e acordam a ver “fantasmas”…

É uma situação [corte de relações do Sporting com o SL Benfica] muito desagradável e que não ajuda nada à dignificação do futebol. Neste momento, face a esta posição do Sporting, Pinto da Costa deve estar a rir-se mais uma vez.
Gaspar Ramos, antigo dirigente do SL Benfica, em declarações à Rádio Ranascença


Pelos vistos, o “clube regional” continua a assustar esta gente, ao ponto de virem a público lamentar a desunião entre os dois “clubes nacionais” de… Lisboa.

sábado, 22 de março de 2014

A “fruta” de Lisboa

A BOLA, 28-12-1995
No dia 28 de Dezembro de 1995, o jornal “A Bola” reproduziu uma entrevista dada ao News of the World pelo ex-árbitro internacional inglês Howard King, onde o mesmo revelou ter recebido favores sexuais em Lisboa, oferecidos por Sporting e Benfica nos dias que antecederam jogos destas equipas para as competições europeias.

O primeiro caso passou-se em 1984, num jogo entre o Sporting e o Dínamo de Minsk. Na noite anterior, afirmou King, foi levado a um clube, em Lisboa onde, segundo o próprio, “se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas”, tendo-lhe sido dada a possibilidade de escolher a que ele desejasse (o que veio a suceder).

O segundo caso ocorreu em 1992, para um jogo entre o Benfica e o Sparta de Praga. Segundo o próprio Howard King, dessa vez, para além da rapariga que esteve com ele, “o valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras a que estamos autorizados”.



António Boronha, 1991
«a propósito da partida desta noite [11-03-2010] entre o ‘benfica’ e o ‘marselha’ estou farto de ouvir gente, alguns nem nascidos eram, falar de uma outra, entre os mesmos intervenientes realizada na primavera de 1990.
ora acontece que eu, na altura ‘presidente’ de um clube que (já) liderava isolado a ‘zona sul’ da 2ª. divisão, o ‘farense’, acabei por ter tido uma relação um pouco estranha e absolutamente casual com tudo o que se passou nessa noite, no velho ‘estádio da luz’.
várias peças soltas e desirmanadas que se juntaram, num espaço de horas entre o início da noite e as 4 da manhã, acabando por formar um mosaico, para mim, inesquecível.

primeiros os elementos isolados:
Marcel Van Langenhove
- por intermédio de álvaro braga júnior, hoje presidente do ‘boavista’ e à época ‘director desportivo’ do ‘farense’ - sim! a partir de finais de ‘80’ o ‘farense’ tinha na sua orgânica o cargo de ‘dd’! - eu era talvez uma das poucas pessoas no país que já tinha chegado à fala com o árbitro indicado para a partida, o belga marcel langenhove;
- fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, luís baptista mais tarde presidente da ‘arbitragem’, no camarote presidencial do ‘benfica’. remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do ‘sporting’, josé de sousa cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao ‘marselha’, elementos da embaixada de ‘frança’, julgo;
- festejei, moderadamente, o golo de vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos ‘franciús’ e...ao zé sousa cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se, ‘como é que tinha sido possível tamanha injustiça?...a do ‘benfica’ ir à final da ‘champions’!!!;
- terminado o jogo, eu e o luís, resolvemos ir à ‘baixa’ comer qualquer coisa tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do ‘benfica’ tinha sido marcado com a mão, como, diziam, as imagens televisivas mostravam. foi a primeira vez que tomámos conhecimento de tal possibilidade!
- a euforia encarnada - e o paraíso cavaquista que então se vivia à custa dos dinheiros de bruxelas - tinham enchido por completo a maioria dos restaurantes da ‘baixa’ lisboeta. arrajámos lugar na ‘lagosta real’ onde quem lá estava(?) era sousa cintra (de novo) em animado convívio com o autarca mor de ‘aljezur’, na costa vicentina. (sousa cintra nunca brincava em serviço!);

juntemos agora estes elementos soltos, num só.
terminado o repasto e tendo jsc tratado dos ‘negócios’ que tinha a tratar zarpámos, os três, para ‘lavar a vista’ e beber um ‘whisquinho’ no, onde é que poderia ser?, ‘elefante branco’.
Alder Dante
quem lá estava, para além de uma enorme multidão? a equipa de arbitragem chefiada por langenhove, césar correia e alder dante
, que os acompanhavam, e dois funcionários do ‘benfica’, sendo um deles...loura e bonitinha...
quando me dirigi à mesa para os cumprimentar, marcel puxou-me de lado e perguntou-me:
- oiça lá, o golo foi com a mão?...
- tentando meter água na fervura, respondi-lhe que estivesse tranquilo, pois só muito depois de ter saído do estádio e ter tido conhecimento do que as imagens revelavam é que eu próprio me apercebera de tal possibilidade. daí ele poder ficar sem qualquer peso na consciência pois se algo de irregular houvera tinha sido algo que humanamente lhe escapara, como a milhares que assistiam ao jogo no estádio.
aproveitei ainda o momento para lhe apresentar o presidente do ‘sporting’, pessoa com quem se poderia vir a cruzar no futuro, o qual não perdeu a oportunidade para enquanto lhe apertava a mão dizer em português: ' vocês (árbitros) são todos iguais! sempre a gamar para o lado do ‘benfica’!
depois desta tirada resolvi sair pela esquerda baixa e...ir para a cama. sozinho.»
Antonio Boronha, 11-03-2010



O Benfica, à semelhança daquilo que faziam a maioria, a generalidade dos clubes, ao receber as equipas de arbitragem, naquele tempo, cá em Lisboa, as equipas de Lisboa levavam as equipas de arbitragem para um estabelecimento nocturno muito conhecido. E uma equipa de arbitragem, chefiada por um árbitro francês muito conhecido, foi para esse estabelecimento e quando estava lá dentro o árbitro tinha umas senhoras na mesa, a acompanhar a equipa de arbitragem...

Estas afirmações de Jorge Coroado (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), feitas esta semana no programa “Liga Futre” da CM TV, só vieram surpreender quem, nos últimos anos, andou muito distraído, ou então entretido com a propaganda anti-Porto, que pretendeu (pretende!) convencer os papalvos de que “fruta” só existia no Norte.

Gaspar Ramos
Pois apesar de nunca ter sido feita qualquer investigação aos clubes de Lisboa (porquê?), foi possível tudo isto ser conhecido através do testemunho directo de vários intervenientes (ex-árbitros e ex-dirigentes).

Agora, imaginem por um instante, que indivíduos como Alder Dante, César Correia, Porfírio Alves, António Rola, Gaspar Ramos, João Rodrigues, Luís Filipe Vieira, José Veiga, etc., etc., tivessem sido colocados sob escuta durante uns meses...

Ai se as paredes do ‘Elefante Branco’ falassem...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 1 de maio de 2010

"Fui ameaçado de morte"

«(...) o Caniggia insulta-me. Chama-me 'filho da puta' e manda-me para a 'puta que te pariu'. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho directo. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho directo, porque não aceito insultos de ninguém. Nem em português nem em castelhano."

E depois? "Na cabina do árbitro, o sr. Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e descontrolado. Pedi-lhe que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali, mas não naquele estado, que aquele espaço era meu."

A FPF reagiu e instaurou um processo ao árbitro, aos jogadores, ao jogo. A expulsão de Caniggia não ficou por ali. O avançado argentino garantiu nada ter dito e as imagens televisivas confirmavam-no, embora Caniggia aparecesse tapado pela cabeça de Isaías por uns segundos. O processo avançou e quem foi o relator? Sampaio Nora, do Conselho de Justiça da FPF, que esteve, anos depois, na lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica. "Mal entrei na sala para depor, ele disse-me que estivesse tranquilo porque não gostava de mim." Entrada a pés juntos? "É como lhe digo: já se passaram tantos anos e ainda nem sei se hei-de rir se hei-de chorar. Foi um processo kafkiano." (...)

"A FPF anulou esse jogo e promoveu um outro, de repetição, no Restelo, que a FIFA desvalorizou. Nas contas finais desse campeonato 1994-95, o jogo que conta é o meu. Que isso fique claro." (...)

Só mais uma pergunta: sofreu muito com esse episódio? "Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola na cabeça e depois com uma faca, à porta do meu emprego [de bancário na Rua José Malhoa], de manhãzinha, antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola apontou-me a arma à cabeça mas não me assustou. O da faca falhou o alvo mas estragou-me o casaco. A sorte dele foi que conseguiu fugir. O azar foi que lhe fiquei com a faca."»


A entrevista completa de Jorge Coroado ao jornal i pode ser lida aqui.

De facto, comparado com isto, a estratégia dos túneis é uma brincadeira de crianças.