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sábado, 22 de março de 2014

A “fruta” de Lisboa

A BOLA, 28-12-1995
No dia 28 de Dezembro de 1995, o jornal “A Bola” reproduziu uma entrevista dada ao News of the World pelo ex-árbitro internacional inglês Howard King, onde o mesmo revelou ter recebido favores sexuais em Lisboa, oferecidos por Sporting e Benfica nos dias que antecederam jogos destas equipas para as competições europeias.

O primeiro caso passou-se em 1984, num jogo entre o Sporting e o Dínamo de Minsk. Na noite anterior, afirmou King, foi levado a um clube, em Lisboa onde, segundo o próprio, “se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas”, tendo-lhe sido dada a possibilidade de escolher a que ele desejasse (o que veio a suceder).

O segundo caso ocorreu em 1992, para um jogo entre o Benfica e o Sparta de Praga. Segundo o próprio Howard King, dessa vez, para além da rapariga que esteve com ele, “o valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras a que estamos autorizados”.



António Boronha, 1991
«a propósito da partida desta noite [11-03-2010] entre o ‘benfica’ e o ‘marselha’ estou farto de ouvir gente, alguns nem nascidos eram, falar de uma outra, entre os mesmos intervenientes realizada na primavera de 1990.
ora acontece que eu, na altura ‘presidente’ de um clube que (já) liderava isolado a ‘zona sul’ da 2ª. divisão, o ‘farense’, acabei por ter tido uma relação um pouco estranha e absolutamente casual com tudo o que se passou nessa noite, no velho ‘estádio da luz’.
várias peças soltas e desirmanadas que se juntaram, num espaço de horas entre o início da noite e as 4 da manhã, acabando por formar um mosaico, para mim, inesquecível.

primeiros os elementos isolados:
Marcel Van Langenhove
- por intermédio de álvaro braga júnior, hoje presidente do ‘boavista’ e à época ‘director desportivo’ do ‘farense’ - sim! a partir de finais de ‘80’ o ‘farense’ tinha na sua orgânica o cargo de ‘dd’! - eu era talvez uma das poucas pessoas no país que já tinha chegado à fala com o árbitro indicado para a partida, o belga marcel langenhove;
- fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, luís baptista mais tarde presidente da ‘arbitragem’, no camarote presidencial do ‘benfica’. remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do ‘sporting’, josé de sousa cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao ‘marselha’, elementos da embaixada de ‘frança’, julgo;
- festejei, moderadamente, o golo de vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos ‘franciús’ e...ao zé sousa cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se, ‘como é que tinha sido possível tamanha injustiça?...a do ‘benfica’ ir à final da ‘champions’!!!;
- terminado o jogo, eu e o luís, resolvemos ir à ‘baixa’ comer qualquer coisa tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do ‘benfica’ tinha sido marcado com a mão, como, diziam, as imagens televisivas mostravam. foi a primeira vez que tomámos conhecimento de tal possibilidade!
- a euforia encarnada - e o paraíso cavaquista que então se vivia à custa dos dinheiros de bruxelas - tinham enchido por completo a maioria dos restaurantes da ‘baixa’ lisboeta. arrajámos lugar na ‘lagosta real’ onde quem lá estava(?) era sousa cintra (de novo) em animado convívio com o autarca mor de ‘aljezur’, na costa vicentina. (sousa cintra nunca brincava em serviço!);

juntemos agora estes elementos soltos, num só.
terminado o repasto e tendo jsc tratado dos ‘negócios’ que tinha a tratar zarpámos, os três, para ‘lavar a vista’ e beber um ‘whisquinho’ no, onde é que poderia ser?, ‘elefante branco’.
Alder Dante
quem lá estava, para além de uma enorme multidão? a equipa de arbitragem chefiada por langenhove, césar correia e alder dante
, que os acompanhavam, e dois funcionários do ‘benfica’, sendo um deles...loura e bonitinha...
quando me dirigi à mesa para os cumprimentar, marcel puxou-me de lado e perguntou-me:
- oiça lá, o golo foi com a mão?...
- tentando meter água na fervura, respondi-lhe que estivesse tranquilo, pois só muito depois de ter saído do estádio e ter tido conhecimento do que as imagens revelavam é que eu próprio me apercebera de tal possibilidade. daí ele poder ficar sem qualquer peso na consciência pois se algo de irregular houvera tinha sido algo que humanamente lhe escapara, como a milhares que assistiam ao jogo no estádio.
aproveitei ainda o momento para lhe apresentar o presidente do ‘sporting’, pessoa com quem se poderia vir a cruzar no futuro, o qual não perdeu a oportunidade para enquanto lhe apertava a mão dizer em português: ' vocês (árbitros) são todos iguais! sempre a gamar para o lado do ‘benfica’!
depois desta tirada resolvi sair pela esquerda baixa e...ir para a cama. sozinho.»
Antonio Boronha, 11-03-2010



O Benfica, à semelhança daquilo que faziam a maioria, a generalidade dos clubes, ao receber as equipas de arbitragem, naquele tempo, cá em Lisboa, as equipas de Lisboa levavam as equipas de arbitragem para um estabelecimento nocturno muito conhecido. E uma equipa de arbitragem, chefiada por um árbitro francês muito conhecido, foi para esse estabelecimento e quando estava lá dentro o árbitro tinha umas senhoras na mesa, a acompanhar a equipa de arbitragem...

Estas afirmações de Jorge Coroado (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), feitas esta semana no programa “Liga Futre” da CM TV, só vieram surpreender quem, nos últimos anos, andou muito distraído, ou então entretido com a propaganda anti-Porto, que pretendeu (pretende!) convencer os papalvos de que “fruta” só existia no Norte.

Gaspar Ramos
Pois apesar de nunca ter sido feita qualquer investigação aos clubes de Lisboa (porquê?), foi possível tudo isto ser conhecido através do testemunho directo de vários intervenientes (ex-árbitros e ex-dirigentes).

Agora, imaginem por um instante, que indivíduos como Alder Dante, César Correia, Porfírio Alves, António Rola, Gaspar Ramos, João Rodrigues, Luís Filipe Vieira, José Veiga, etc., etc., tivessem sido colocados sob escuta durante uns meses...

Ai se as paredes do ‘Elefante Branco’ falassem...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Até ia ver os treinos…


Final da Taça de Portugal da época 1979/80 (fonte: Reportv dedicado a Pedroto)


«Bo, o cão-d’água português que mora na Casa Branca, usa uma coleira de cortiça por cortesia de Sandra Correia, a portuguesa de 40 anos que acaba de ser eleita pelo Parlamento Europeu como a empresária do ano 2011 no Velho Continente. (…)
César Correia, o pai de Sandra e antigo árbitro, aproveitou os conhecimentos do mundo do futebol para se tornar fornecedor dos cavas catalães e dos champagnes franceses. (…)
Durante a infância e início da adolescência era um ferrinho no Estádio da Luz, a ver treinos e jogos, pela mão do pai. “Lá em casa sempre fomos todos do Benfica” conta [Sandra], recordando o dia em que foi expulsa da aula, em São Brás de Alportel, por estar a ouvir um relato radiofónico de um jogo do clube do seu coração numa quarta-feira europeia. (…)
[Sandra] admirava Carlos Manuel, Bento e Veloso, que conheceu pessoalmente quando acompanhava o pai árbitro. (…)
[Sandra] está desde pequena habituada a lidar com jornalistas – quando andava com o pai para todo o lado conviveu muito com veteranos jornalistas de A Bola e do Record. (…)
No fim do curso, fez um estágio no Record. (…)»
in Notícias Magazine (suplemento do JN e do DN), 04/12/2011


Por vezes, é muito interessante quando as pessoas falam do passado de forma aberta, descomplexada e sem tabus, abordando facetas da sua vida que, de outra maneira, nunca seriam do domínio público. Foi isso que senti ao ler o artigo sobre Sandra Correia, publicado na revista Notícias Magazine que veio com o JN do passado Domingo.

No que ao futebol diz respeito, a infância e adolescência de Sandra Correia, filha do ex-árbitro César Correia (se não estou em erro, o primeiro árbitro algarvio a chegar a internacional), é reveladora dos meandros de um certo período do futebol português. O pai, árbitro da 1ª categoria, levava-a consigo quando ia ver jogos e treinos (!!) do seu slb, apresentava-a aos craques encarnados e os dois conviviam animadamente com jornalistas de A Bola e do Record.

Passados 30 anos, estes episódios familiares, contados de forma descontraída, mostram como o futebol português era tão puro e transparente nos anos 60 e 70… De facto, não havia qualquer tipo de promiscuidade entre árbitros, dirigentes, jogadores e jornalistas…

Ao contrário do que se passa actualmente, em que é conhecido, ou mesmo assumido pelos próprios, o benfiquismo de diversos árbitros internacionais (Olegário Benquerença, Bruno Paixão, Duarte Gomes, Pedro Proença), no tempo de César Correia eram todos do Oriental, Atlético ou Olhanense.

Deste modo, talvez por desconhecer a enorme paixão que César Correia nutria pelo slb, ou então como prémio de carreira, a FPF nomeou-o para uma das finais da Taça de Portugal mais polémicas de sempre, na época 1979/80. Vale a pena recordar este jogo, realizado a 7 de Junho de 1980, em que adeptos do SCP e do Belenenses juntaram-se aos benfiquistas no Jamor e reeditaram o célebre BSB (Benfica - Sporting - Belenenses), unindo forças contra os portistas que rumaram do Norte.

Num jogo disputado praticamente em casa, e com o apoio da “união nacional”, o slb de Mário Wilson venceu o FC Porto de Pedroto por 1-0.
No final, o inesquecível Zé do Boné, para além de se queixar de uma grande penalidade sobre Fernando Gomes que César Correia não assinalou, disparou noutras direcções:
Perdemos o Campeonato [para o SCP] e a Taça por causa dos 'penaltys' que ficaram por marcar. Se o prejudicado fosse o Benfica julgo que estariam já marcadas manifestações de rua, pedindo a demissão do Governo. O treinador do Benfica, com o ar esfíngico que lhe é característico, lançou a pedra e escondeu a mão, suplicando controlo anti-doping. Gostaria, contudo, que me fosse explicado o comportamento do jovem e talentoso Carlos Manuel que me pareceu, estranhamente, de cabeça perdida e que, na minha frente e nas barbas do fiscal de linha, agrediu Lima Pereira. O circo voltou a descer à cidade. O futebol é uma selva e vou sair dela”.

Mas voltando a César Correia, e já depois de largar o apito (não sei se durante a sua carreira terá recebido algum dourado ou de outras cores…), continuou ligado à arbitragem fora dos relvados.

Um dos serviços que prestou, presumivelmente como colaborador do slb (de quem haveria de ser?), foi o de acompanhar árbitros estrangeiros quando estes vinham arbitrar jogos à Luz, tendo sido visto com Marcel Van Langenhove na casa de diversão nocturna 'Elefante Branco', após o célebre slb x Marselha (o da mão de Vata).

Também a Liga de Clubes requisitou os bons serviços de César Correia, o qual, entre 2001 e 2009, presidiu à Comissão de Análise da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (comissão de avaliação de juízes e observadores).

Após ter deixado estas funções, Cruz dos Santos, um dos veteranos jornalistas de A Bola, dedicou-lhe um texto sentido, do qual extraio a seguinte parte:
«Foi no dia 30 de Junho de 1959 que o algarvio César da Luz Dias Correia, então com 24 anos de idade, fez exame para árbitro de futebol. Ficou aprovado, fez longa e bonita carreira, ganhou paixão pela arbitragem, viu-se por ela chamado para diversos cargos, colheu várias distinções (…).
Como árbitro, César Correia não terá chegado tão longe quanto podia, porque nunca foi de “vida social”, preferiu sempre a tranquilidade de S. Brás de Alportel. Mas, mesmo assim, bem pode orgulhar-se de, numa carreira de 23 anos, ter feito os últimos nove no escalão de internacional.»

E pronto, assim se escreveu, e escreve, a história do futebol português.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Uma "funcionária" loura e bonitinha

Já eram conhecidas as estórias, nunca desmentidas, dos favores sexuais oferecidos pelo Sporting e Benfica ao ex-árbitro internacional inglês Howard King.
Mas agora ficamos a saber mais.
A propósito da eliminatória entre o SLB e o Marselha, António Boronha, ex-presidente do Farense e ex-vice-presidente da FPF, contou uma estória que viveu, envolvendo o árbitro belga do SLB x Marselha (o nosso conhecido Marcel Van Langenhove), Sousa Cintra, a casa de diversão nocturna 'Elefante Branco', os ex-árbitros César Correia e Alder Dante e uma "funcionária" do SLB loura e bonitinha...

Vale a pena ler. Está tudo aqui, contado pelo António Boronha na primeira pessoa.

P.S. Actualmente com 65 anos, Marcel Van Langenhove colabora com o Anderlecht na recepção aos árbitros estrangeiros que dirigem jogos do clube de Bruxelas nas competições europeias. É caso para dizer que curriculum não lhe falta...