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domingo, 22 de maio de 2011

A outra Final contra o VSC


em cima: Młynarczyk, Lima Pereira, Celso, Jaime Magalhães, Sousa e João Pinto
em baixo: Rui Barros, Inácio, Jaime Pacheco, Bandeirinha e André



Há 23 anos, na época 1987/88, o FC Porto de Tomislav Ivic chegou à Final da Taça de Portugal, após ter conquistado o título com um enorme avanço em relação às restantes equipas (o 2º classificado ficou a 15 pontos e cada vitória só valia 2 pontos).

O adversário no Jamor, no dia 19 de Junho de 1988, foi o Vitória Sport Clube (VSC) e, por coincidência, na meia-final (foi apenas um jogo) o FC Porto também tinha eliminado o slb (1-0).

Tal como para o jogo de hoje, à partida o FC Porto era amplamente favorito mas, jogando sem qualquer ponta-de-lança de raiz (é dessa altura a célebre frase de Ivic "Gomes é finito"), o futebol produzido pela equipa azul-e-branca esteve bastantes furos abaixo daquilo que tinha exibido ao longo da época. O cansaço (físico e mental) de um lote de jogadores que já tinham ganho Taça Intercontinental, Supertaça Europeia e Campeonato Nacional, associado à hiper-motivação dos vimaranenses, fizeram com que o desafio fosse muito mais equilibrado do que era esperado.

Os dragões acabaram por vencer por 1-0, mas o golo da vitória foi marcado numa altura em que já se perspectivava o prolongamento, ao minuto 83, por Jaime Magalhães.


Foto 1: Dragão Penta Campeão
Fotos 2: Correio Manhã

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jamor assumidamente sem condições

«A final da Taça de Portugal, marcada para 22 de Maio, pode não se realizar no Estádio do Jamor, como estava previsto e é tradição. A SIC sabe que o estádio apresenta várias deficiências que podem inviabilizar a realização da grande festa da Taça de Portugal, que encerra a época desportiva. Cadeiras partidas, relvado a precisar de manutenção e mesmo algumas deficiências na tribuna presidencial justificam que tenha sido solicitada uma verba governamental para resolver todos os problemas. Também as questões de segurança não estão conformes à nova lei, recentemente aprovada, sobre a segurança nos recintos desportivos. Mas a verdade é que o Ministério das Finanças não tem respondido a este pedido, pelo que as condições do Estádio podem, neste momento, inviabilizar a realização do jogo.»
in SIC online


Não há condições? O que é que isso interessa? Desde quando é que isso é motivo para que a final da Taça de Portugal, a "festa do povo", não se realize no helénico estádio do Jamor?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Do Jamor a Timor


O FCP ganhou a Taça. Apesar da vitória, fiquei irritado com a exibição e aliviado por ter terminado a época. Por muito respeito que me mereça JF, e merece, não há condições para o FCP arrancar para 2010/11, cujo ponto de partida não seja esse: a sua saída. PdC é certo que vai continuar e tomará as decisões no que concerne ao relançamento da nossa capacidade produtiva: o próximo futuro não vai ser pêra doce e os 98% obtidos nas eleições de pouco lhe servirão se o FCP não “mostrar serviço”. O nosso presidente anda feliz e promete triunfos, como gosta de ouvir a Nação Portista.

Fechado o campeonato, entramos na silly season com um mundial a ajudar à festa. Os tabus sobre as entradas e saídas de técnicos e jogadores são compreensíveis – o segredo é a alma do negócio – e estimulantes porque preenchem o vazio e alimentam a participação dos adeptos que se entretêm a congeminar estratégias, tácticas e quem as vai servir. O país está em crise. No futebol parece que não e os programas dos três grandes são ambiciosos. No FCP o serviço da dívida, a dificuldade acrescida no acesso ao crédito, a perda das receitas da CL e provavelmente de bilheteira, aconselharia a apertar o cinto.

Tentaremos (da forma hábil do costume) conseguir boas receitas na venda de alguns jogadores e comprar "carne da peça a preços da uva mijona". Não vai ser fácil, porque não tivemos uma época brilhante, logo não a tiveram os nossos jogadores, e os mercados habitualmente compradores vão ser (provavelmente) muito selectivos nos seus investimentos. O tempo não está para desperdícios e até os mais ricos não vão cair nos exageros passados: o dinheiro está caro e a Europa vive sob a ameaça de bancarrota.

Um FCP a vencer à Porto é uma promessa e a sentença que na época que terminou não foi capaz de o fazer. Implicitamente fica responsabilizado JF pelo facto, ao ser-lhe passarda uma guia de marcha milionária, reveladora do facilitismo reinante: porquê na época transacta a renovação de JF por dois anos? Que se lixe o campeonato, a taça é nossa e o futuro é promissor, palavra de presidente para toda a Nação portista.


LFV e o duplo Embaixador, Nuno Gomes, visitam Timor na qualidade de legítimos representantes do regime. Só este estatuto poderá justificar o acompanhamento exaustivo da TV pública a esta visita. Xalana Gusmão (como é reconhecido por Eusébio que, por isso, não fez parte da comitiva) recebeu da mão de LFV a camisola mais representativa do regime, um livro encadernado de Pragal Colaço, o guião de Leonor e o filme de Botelho. A comitiva encarnada tem sido acompanhada de perto por muitos timorenses, indonésios, australianos e altos funcionários da ONU, vestidos de azul e branco e a cantar os Filhos do Dragão. A multidão foi calada e posta em debandada, à força, pela GNR e as imagens foram cortadas, a Bem da Nação.

Enquanto se vivia momentos de alto fervor em Timor, em Lisboa não se parava. Jorge Jesus, Rui Costa, Ricardo Costa, Lucílio Baptista, Leonor Pinhão e o Chefe dos Stewards, ultimavam o plano para a próxima época. Nada ficou descurado e a estratégia das catacumbas é para continuar. No fim, e a sós, Rui Costa esteve reunido com Pragal Colaço para tratar do modelo de intervenção paramilitar e do recrutamento das tropas de intervenção, no futuro. O principal responsável pelo MAI está a par de todos os desenvolvimentos, a Bem da Nação.

Presidentes prevenidamente confiantes e um jogador com azia feito embaixador, confirmam que o tecido directivo do futebol nacional continua em alta. A bem da Nação.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Apedrejados por adeptos do SLB

Por João Branco (*)

A final da Taça de Portugal, que tinha tudo para ser uma bela festa, ficou manchada por dois acontecimentos que roçam a vergonha e o escândalo. O primeiro, que certamente outros comentarão neste espaço, está relacionado com a segunda parte do FC Porto nesta partida que não dignificou o clube, nem a camisola, nem o espectáculo, nem o adversário, muito menos os muitos adeptos que se deslocaram àquele local para ver a sua equipa jogar à bola. Festejar no final foi o que menos nos apeteceu fazer e pelos vistos os jogadores também não estavam lá muito entusiasmados e lá fizeram o frete de levantar a Taça e ir festejar para perto dos Super Dragões.

Mas o que aqui me trás nem sequer são os comentários aos jogos mas o que se passou depois. A caminho de casa, e sem que nada o fizesse prever, passando por debaixo de um viaduto, sentimos um barulho enorme. A fila de carros era grande, o trânsito rodava lentamente, e por isso o meu primeiro pensamento foi que alguém nos tinha batido atrás. Mas depois veio outro estrondo. Ao terceiro estrondo percebemos que o carro estava a ser alvejado por enormes blocos de cimento, paralelepípedos, mais precisamente. De calçada portuguesa, com certeza. Disse ao meu irmão, que conduzia para sair dali, ainda éramos mortos. Mais à frente vimos alguns carros parados e um funcionário da Brisa. Aconselhei o meu irmão a parar para denunciar a situação. Afinal, todos aqueles carros tinham sido barbaramente atingidos da mesma forma. Tinham já chamado a polícia - havia milhares perto do estádio - e passados 45 minutos nada. Começaram a chegar mais carros atingidos. Alguns de adeptos dos Chaves. Um autocarro com adeptos transmontanos viu o vidro da frente todo destruído. Havia feridos ligeiros, mas o que mais se comentava ali é que podia ter sido muito pior. Se uma daquelas pedras atingisse directamente um dos condutores, estaríamos neste momento a lamentar perdas humanas. E para quê?

Mais uma nota: a comunicação social? Nada. Apareceu uma equipa da SIC passados duas horas do ocorrido e fizeram uma reportagem que passou uma vez na SIC Notícias. Escusado será dizer ou prever o que teria acontecido se tivessem sido um carro com adeptos do Benfica a ser atingido. Era tudo abrir telejornais com a notícia! Os quatro canais mais os noticiosos. Além disso, e por falar em adeptos vermelhos, alguns dos atiradores tinham camisolas desse clube vestidas e dois deles abriram uma tarja numa dessas pontes onde se lia «SLB sem Medo», ou algo parecido.

Tudo isto num jogo que foi uma festa, onde mais se viu foi famílias inteiras confraternizando, adeptos dos dois clubes lado a lado comentando as incidências do jogo, tudo na maior paz. Ou quando estávamos na mata do Jamor, chegando, um grupo de portistas comia um belo piquenique e sem mais nem porquê se viraram para nós e perguntaram «não querem vir cá comer? trouxemos comida a mais, carago!»

Mais uma vez acontecem vergonhas destas, que não procuraram ver a cor nem dos carros nem dos adeptos e mais uma vez o caso é abafado. Será abafado, certamente. Uma vergonha. Uma vergonha nacional. Notícia mesmo é a visita a Timor. O resto é conversa.








(*) João Branco na foto com o irmão, Pedro Branco, que conduzia o carro atingido.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao João Branco a elaboração deste artigo.