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sábado, 12 de abril de 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mercado

Continuando a sua gestão (essencialmente) errante, as movimentações do Porto neste último mercado de transferências, saldaram-se em:

Entradas


- Quaresma
Uma aposta sem história dado que mesmo em final de carreira, o antigo cabeça-de-cartaz no período Jesualdo Ferreira, é muito superior a qualquer um dos extremos que já faziam parte do plantel.
Custo: zero.


- Abdoulaye
O marfinense regressa depois de ter cumprido a primeira volta ao serviço do Guimarães, para colmatar a saída do Otamendi.
Custo: zero.

Saídas


- Lucho González
Em nítido declínio (físico), o até aqui titularíssimo e capitão de equipa, trocou o Porto por um petroclube das arábias, em dia de jogo - uma estreia que cada vez supreende menos; uma equipa já de si sem norte, perde um líder e um jogador experiente.
Proveito: zero.


- Otamendi
O central argentino, titular na equipa que venceu há 3 anos a Liga Europa, foi "empurrado"(?) para fora do clube, num processo pouco condizente com a fama de que goza a "estrutura".
Proveito: 12 milhões (se forem efectivamente pagos)


- Sinan Bolat
A passagem do guarda-redes turco pelo Porto, é um sinal claro de que alguma coisa está muito errada.
Proveito: ?

Conclusões

O reduzido número de entradas e saídas, não permite retirar grandes ilacções, excepto que o número/qualidade dos extremos à disposição do treinador no início da época, óbvio para qualquer leigo, era claramente insuficiente - daí o regresso (tardio?) do Quaresma. Já a saída do Lucho González, foi completamente inesperada. Se, por um lado, não faria sentido negar ao jogador a hipótese de assinar um contrato milionário, é incompreensível que um jogador titular - cuja utilização, o treinador não soube gerir - saia sem qualquer compensação para o clube - e dinheiro não deve faltar para isso - e mais, que a saída se concretize num dia de jogo. De resto, o futebol apresentado até aqui é tão mau, tão mau, que é impossível apontar uma única área específica do plantel que necessite de ser reforçada; por outro lado, alguns jogadores são reconhecidamente capazes de se exibir num nível muitíssimo superior a aquele que têm vindo a demonstrar. Otamendi, é um caso flagrante - um jogador que já demonstrara ter qualidade, (aparentemente) perdeu no "duelo" com um treinador que não demonstrou nada, e que tem "queimado" jogadores - exemplos: Quintero passou de bestial a besta, Mangala irreconhecível, Jackson por conta própria - mais rapidamente que um incêndio de verão. Abdoulaye, regressa para o banco, quando ainda podia continuar a evoluir em Guimarães (e principalmente, continuar longe do Paulo Fonseca).

No que respeita a quase-saídas, Mangala esteve com um pé no Manchester City, mas para felicidade do clube inglês, a transferência gorou-se; ao ritmo que o jogador se vem desvalorizando, no final da época, o mais provável, é que consiga contratá-lo, caso ainda haja interesse, por um valor bem abaixo daquele que estaria envolvido se a transferência se tivesse ocorrido agora. O internacional francês tem sido invulgarmente resistente a transferir-se, mas duvido que na próxima época ainda esteja por cá, quanto mais não seja, pelo o risco bem real de o Porto se ver reduzido a disputar a Liga Europa.

Defour esteve à beira de se transferir para o Fulham, mas a saída do Lucho González gorou essa hipótese. O belga nunca foi visto como sucessor natural do Moutinho, a julgar pelo valor investido no Herrera - para um clube com a capacidade financeira do Porto, dispender €8.000.000* num um só jogador, só mesmo num titular - mas agora vai ter de servir, dê lá por onde der; o Porto decidiu arriscar forte no mexicano, inutilizou uma quantia considerável, para no final ter de recorrer a uma segunda-escolha, que não passa de um jogador útil para ter no plantel, mas não para ser titular.

Fernando, contra todas as expectativas, lá renovou.

* cerca de €1.000.000, foi para o empresário do jogador

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Uma história de regressos

Ricardo Quaresma está de volta. Bem vindo seja.

O mustang já é parte oficial do plantel e só não defrontou o Atlético porque o certificado internacional não chegou a tempo. Pouco importava a falta de treino, de rotação com os colegas. O importante era exibir a nova contratação e dar-lhe os primeiros minutos do ano. Fica para a próxima. Não faltarão os minutos. Ao contrário de Liedson, imagino que Quaresma vá jogar e muito. Primeiro porque, ao contrário do brasileiro, segundo deixou antever Pinto da Costa, o número 7 é escolha pessoal do treinador. Lógico é que o coloque a jogar num posto onde Licá nunca deslumbrou (apesar de ter feito dois primeiros meses de época bons) e onde Kelvin e Ricardo nunca tiveram opções. Curioso, depois de meio ano a insistir num falso extremo (Josué e Quintero andaram por lá também e Licá é o que é, um avançado mais móvel) o treinador agora queira ao lado de Varela e Jackson o mais extremo dos extremos que passaram pelo FC Porto nos últimos dez anos.

Quaresma regressa a onde já foi feliz. E nós fomos feliz com ele.
Aterrou no Dragão no negócio Deco, um negócio onde eu continuo a achar que ficamos a perder mas que entendo. Afinal, Pinto da Costa e Mourinho convenceram o "Mágico" a ficar um ano mais em troca de uma saída já apalavrada. No fatidico 2004/05 viu-se pouco do "Harry Potter" que tinha deslumbrado no Sporting e que se apagara em Camp Nou. Mas a partir da época de Adriaanse e, sobretudo, com Jesualdo, a importância de Quaresma tornou-se evidente. Era o melhor jogador individual da liga, aquele que nos resolvia jogos, puzzles e quebra-cabeças. Chegou a jogar de falso avançado, as suas trivelas fenomenais desbloquearam muitos jogos complicados e não se apagou nos encontros mais importantes. Depois veio o canto da sereia de Mourinho no Inter e a decadência, confirmada por uma passagem para esquecer pelo Chelsea. E o exílio. Quaresma teve oportunidades para voltar mas não quis. Preferiu engordar a conta bancária, primeiro na Turquia, depois nos países árabes. Estava no seu direito ainda que o Mundo estivesse a perder um jogador irregular, imaturo mas com uma técnica espantosa.

Não sabemos como vai ser este regresso.
Um jogador conhecido pela velocidade, Quaresma não é um líder. Não é um motivador no balneário. É, no sentido mais futebolístico do termo, um egoísta dos relvados, para o bem e para o mal. Vive no seu mundo, tem dificuldades em manter um rendimento elevado durante muito tempo seguido e precisa de espaço e velocidade para jogar o seu jogo. Nos últimos quatro anos e meio não teve minutos nas pernas que justifiquem que pensemos que será o mesmo jogador que saiu de aqui. O mesmo desequilibrador, o mesmo homem-chave. Seguramente trará mais à equipa do que trouxe Liedson (ou Ismailov, o russo desaparecido a quem se continua a pagar o salário...porque sim), duas apostas desastrosas, sem sentido e sem contribuição palpável para a equipa (dois segundos e meio para que voltem a citar o maravilhoso passe para o momento K). Mas mais em jogos contra equipas pequenas e encerradas do que em cenários como a Luz, Alvalade ou Nápoles, para por exemplos de estádios onde teremos (provavelmente) de ir jogar em 2014.

O seu regresso é mais um na velha lista de nomes que, com Pinto da Costa, foram e voltaram.
Uma saga que começou com Fernando Gomes, um ponto de honra do presidente que resgatou do Gijón o genial avançado. E que bem que lhe saiu a jogada. Gomes foi fundamental nos títulos de Artur Jorge e na corrida a uma Viena onde, malgrais, não pôde estar, desforrando-se em Tóquio antes de tornar-se finito. Também Sousa e Jaime Pacheco saíram e voltaram, para continuar a ser peças fundamentais da equipa. Nos anos noventa repetiu-se o cenário, mas os resultados foram diferentes. Rui Barros voltou no ocaso da carreira - depois de uma brilhante carreira internacional - para ajudar e foi um actor secundário relevante no final da era Oliveira. Secretário passou apenas um ano em Madrid. Domingos esteve mais tempo no Tenerife mas nunca mais foi o mesmo e quando voltou foi para sentar-se mais tempo no banco do que para calçar. Baía foi um caso à parte, como Pinto da Costa explica no seu novo livro. E claro, o caso de Conceição, talvez o mais parecido ao de Quaresma. A explosão do extremo foi brilhante, rapidamente partiu para Itália e quando voltou, em 2004, era um jogador física e mentalmente diferente. E durou pouco tempo o regresso porque o que Conceição fazia antes já não conseguia fazer.



Para fechar esta lista de outros regressos, obrigatório falar de Hélder Postiga e Lucho Gonzalez. A cara e a cruz. O primeiro foi um jogador que explodiu cedo mas não evoluiu como se esperava e que Mourinho não se importou de trocar por McCarthy. Num dos negócios mais difíceis de explicar dos últimos anos, Postiga voltou (por troca com Pedro Mendes, um excelente jogador, e bastante dinheiro) e durante três anos provou aos adeptos que a opção de Mourinho tinha feito todo o sentido e que o seu faro de golo não era o melhor. Apesar disso - e depois de uma passagem fantasma pelo Sporting, é hoje o titular da selecção ainda que as chegadas de Lisandro, Falcao e Jackson deixem claro a diferença de um grande e um médio ponta-de-lança. Já Lucho representa o outro lado da moeda. Saiu no zénite da sua carreira para França e voltou num momento critico. Tornou-se no líder do balneário, ganhou o respeito de todos e ajudou a resolver um sério problema interno. Desde então o FC Porto não parou de ganhar. Claramente já ultrapassou a sua melhor etapa, fisicamente é um jogador mais limitado mas a sua influência é evidente. Talvez porque tenha o carácter e o espírito que jogadores como Quaresma (ou Postiga, Conceição, Domingos) nunca tiveram.

O que pode suceder então com Ricardo Quaresma?
Pessoalmente espero pouco a médio prazo, até porque sou consciente do difícil que é para um extremo recuperar a velocidade e "explosão" depois de cinco anos desactivado. Dificilmente voltaremos a ver o mesmo Quaresma. Mas em campos complicados ou em jogos no Dragão, onde se espera um ataque constante e incisivo, a sua capacidade técnica e a sua trivela mágica ainda podem fazer estragos. Algumas assistências e golos podemos esperar, uma grande influência no jogo colectivo ou uma presença de inspiração e liderança parece-me mais difícil. Resgatar o melhor Quaresma seria um grande triunfo mas, precisamente, parece-me que temos o pior treinador possível para essa missão. E claro, se até agora Kelvin, Ricardo e até Quintero já jogavam pouco, parece-me evidente que vão ser figuras cada vez mais residuais até ao final do ano. Efeitos colaterais de mais um capítulo na nossa história de regressos...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da equipa B a “maestro”

Record, 23-05-2013
Pelos vistos, Carlos Eduardo é mais um da extensa lista de jogadores que interessavam ao slb e vieram parar ao FC Porto (Lisandro, Alvaro Pereira, Radamel Falcao, James Rodriguez, etc.). Mas, independentemente disso, no início desta época o meu conhecimento de Carlos Eduardo era diminuto, até porque, nos jogos da época passada entre o FC Porto e o Estoril, a minha atenção esteve sempre muito mais focada nos jogadores que equiparam de azul-e-branco.

Não dando grande importância aos jogos da pré-temporada (nunca dei), os primeiros minutos de Carlos Eduardo num jogo oficial com a camisola do FC Porto chamaram-me à atenção. Foi num Beira Mar x FC Porto B e, no dia 15 de Agosto de 2013, publiquei um artigo acerca da ‘Nova filosofia para a equipa B’, onde coloquei um recorte de O JOGO com o destaque da exibição de Carlos Eduardo em Aveiro.

Apesar das boas exibições que foi fazendo na equipa B, Carlos Eduardo ficou fora da lista de 21 jogadores escolhidos por Paulo Fonseca para a Liga dos Campeões 2013/14 e, a propósito desse assunto, no dia 5 de Setembro de 2013 escrevi o seguinte:

«Quem também fica de fora é Bolat (o terceiro guarda-redes será Kadú) e Carlos Eduardo, apesar dos bons indicadores que este médio de ataque brasileiro deu nos jogos da equipa B em que já actuou. Cheguei a admitir a hipótese de ser Diego Reyes a ficar de fora da Lista A e o 4º defesa-central (que raramente joga na LC) ser Tiago Ferreira, mas Carlos Eduardo não tem o mesmo estatuto do defesa-central mexicano e, além disso, concorre com Lucho, Quintero e, talvez, com Izmailov, o que, convenhamos, não lhe facilita a vida.»

O tempo foi passando, Paulo Fonseca foi experimentando diferentes configurações para o meio-campo portista (Fernando-Defour-Lucho; Fernando-Herrera-Lucho; Fernando-Josué-Lucho; etc.), sem obter grandes resultados e, no dia 29 de Novembro de 2013, após mais uma boa exibição de Carlos Eduardo pela equipa B, escrevi o seguinte num artigo intitulado ‘Carlos Eduardo e os intocáveis’:

«Pelo que se tem visto, quer nos jogos da equipa A, quer nos da equipa B, penso que Carlos Eduardo mais do que justifica uma oportunidade a sério na equipa principal. O problema é que Lucho parece ser intocável, Defour avisou que precisa de jogar (para manter a titularidade na seleção belga) e, no caso de Herrera, a SAD investiu 8 milhões em 80% do passe. (...) Quando as coisas não funcionam, talvez não fosse má ideia experimentar alternativas, em vez de continuar a apostar nas mesmas receitas e nos mesmos “intocáveis”.»

Nota: Atualmente, Carlos Eduardo é quase consensual entre jornalistas, comentadores e adeptos portistas, mas vale a pena (re)ler os comentários a este artigo, publicado há cerca de três semanas.

Após o FC Porto x SC Braga, jogo em que Carlos Eduardo entrou ao intervalo para substituir Lucho, escrevi o seguinte a propósito da sucessão de Moutinho:

«não havendo no plantel um “Moutinho 2”, compete ao treinador reestruturar o meio-campo, tirando o melhor possível dos bons jogadores que tem à sua disposição. Foi isso que aconteceu na 2ª parte do último FC Porto x SC Braga, em que o meio campo portista foi formado por Defour, Herrera e Carlos Eduardo e o que se viu foi o melhor FC Porto desta época. Dinâmica, intensidade, pressão alta, dois golos e mais quatro oportunidades flagrantes, tudo isto em 45 minutos sem Fernando, Lucho e… Quintero.»

Chegados à 13ª jornada do campeonato, Carlos Eduardo foi, finalmente, titular da equipa principal do FC Porto e, em Vila do Conde, jogou mais minutos do que nas 12 jornadas anteriores!

«A primeira parte [do Rio Ave x FC Porto], contudo, demonstrou que a coisa não correu muito bem, excepto na forma desempoeirada e plena de iniciativa de Carlo Eduardo que jogou muito bem entre linhas, com rapidez e critério. Também ficou incumbido da execução das bolas paradas que efectuou a um nível superior ao que tem sido feito. Foi de um livre seu que chegámos ao golo por intermédio de Maicon. (...)
Sobre o comportamento dos jogadores, e tirando Carlos Eduardo que me parece ser um reforço valioso para o que ainda falta jogar e esteve a um nível claramente superior, diria que cumpriram sem deslumbrar. Não gostei do Lucho: achei-o hesitante e com pouca mobilidade. Não criou, nem tamponou. Via o Herrera com maior utilidade para jogar nessa posição.»
Mário Faria, in ‘Carlos Eduardo fez a diferença!


Olhando para o futuro…

O JOGO, 16-12-2013
Depois de vermos os 22 jogos oficiais que o FC Porto já disputou nesta época; depois de vermos o Rio Ave x FC Porto e a 2ª parte do jogo anterior para o campeonato (FC Porto x SC Braga), cada um tirará as conclusões que entender.
Relativamente ao meio-campo portista, as minhas são as seguintes:

1) Analisando o plantel do FC Porto e o desempenho evidenciado pelos diversos médios até esta altura (quer na equipa A, quer na equipa B), o melhor meio campo portista inclui, necessariamente, Carlos Eduardo.

2) Eu reconheço grande qualidade ao Lucho (a jogar na posição 8) mas, conforme já referi noutros artigos, para mim não é obrigatório que tenha de ser sempre titular deste FC Porto 2013/14.
Por exemplo, quer contra o SC Braga, quer contra o Rio Ave, gostei de ver a dupla Carlos Eduardo + Herrera a jogarem à frente do médio defensivo (contra o SC Braga foi Defour; contra o Rio Ave foi Fernando).
O processo de adaptação de Herrera ao futebol europeu ainda não está concluído e o ex-Pachuca perde para el comandante em termos de experiência, liderança, classe pura e visão de jogo. Contudo, o internacional mexicano é um jogador mais vertical, com maior intensidade de jogo e, quando arranca com a bola em transições ofensivas, provoca maiores desequilíbrios nas defesas contrárias (fê-lo duas vezes nos 16 minutos que esteve em campo contra o Rio Ave).
Gostava de ver esta solução – Herrera + Carlos Eduardo à frente de Fernando ou Defour – trabalhada por Paulo Fonseca e experimentada em mais jogos.

3) Os últimos dois jogos para o campeonato provaram que, com o plantel atual, é possível formar meios campos competentes sem Moutinho, mesmo deixando de fora jogadores como Fernando e Lucho (na 2ª parte do FC Porto x SC Braga), Defour e Josué (no Rio Ave x FC Porto) e Quintero (em ambos os jogos).
Ao contrário dos últimos dois anos, em que, basicamente, Vítor Pereira só dispôs de quatro médios – Fernando, Moutinho, Lucho e Defour (o joker, primeira e às vezes única alternativa para todas as posições do meio-campo) –, no plantel atual não falta matéria-prima, quer para Paulo Fonseca construir e consolidar um meio-campo capaz, quer para o treinador ter alternativas de qualidade para castigos, lesões ou situações de abaixamento de forma dos habituais titulares.
Saiba o “cozinheiro” Paulo Fonseca fazer “omeletes” com os “ovos” que tem à sua disposição.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Inflexível até ao fim?


"Tenho de continuar a acreditar nas minhas ideias. Não acredito em mudanças repentinas ou momentâneas. Quando mudamos as coisas, tudo tem de ser trabalhado. Não prevejo muitas alterações porque é nisto que eu acredito.
(…)
Os jogos são todos difíceis. Quero ver um Porto determinado, concentrado e ambicioso. Estamos focados no que temos de melhorar. Acredito que a equipa vá dar uma boa resposta. Queremos reforçar o nosso primeiro lugar."

Paulo Fonseca, 29-11-2013 (na antevisão ao jogo Académica x FC Porto)


Aquilo que já toda a gente viu, menos o treinador: o modelo táctico que Paulo Fonseca anda a tentar implementar desde o início da época não funciona.

Em primeiro lugar, porque a colocação de um jogador ao lado de Fernando para formar um “duplo pivot” confunde e tira efectividade à acção do Polvo, que sozinho com os seus tentáculos consegue anular a maior parte das investidas do adversário. Nesta equação do meio campo é importante referir também a enorme falta que João Moutinho faz à equipa do FC Porto. Sem o box-to-box e com o seu substituto sempre “amarrado” a Fernando e sem a mesma capacidade técnica do agora jogador do Mónaco, o FC Porto não consegue sair a jogar e, são invariavelmente os defesas centrais quando pressionados pelos adversários, que mandam “chutão” para a frente. Além disso, Lucho Gonzalez está sempre 20 metros à frente de onde devia jogar (ou pelo menos começar a jogar), quase numa posição de apoio ao ponta-de-lança. Com o desenrolar do jogo e as evidentes dificuldades da equipa em sair a jogar, Lucho acaba por se ver forçado a recuar para vir buscar jogo e ensaiar passes de calcanhar que muitas vezes dão perdas de bola. Não há futebol apoiado e solidário, nem dinâmicas, nem sequer um modelo de jogo.

Em segundo lugar, o sector defensivo tem estado muito mais inseguro que no passado, com os mesmos jogadores mais desconcentrados e a cometerem erros infantis com graves consequências. Grande parte desta mudança é uma consequência do estilo táctico que o treinador quer implementar. Fernando perde referência com outro jogador a seu lado e é obrigado, pela primeira vez desde que chegou ao FC Porto, a pensar o jogo ofensivo da equipa quando a sua missão sempre foi a de recuperar bolas e entrega-las aos colegas o mais rápido possível. Não tendo ninguém a quem passar a bola (ainda por cima todos parecem esconder-se) e com Lucho muito mais à frente, Fernando (ou o outro médio, seja Defour ou Herrera) passa a bola para trás obrigando os defesas centrais ao trabalho que deveria ser feito pelos médios e laterais. Os adversários aperceberam-se disso e colocam 3 a 4 jogadores a pressionar a defensiva portista. Daí ao pânico generalizado é um pequeno passo.


Em suma, o cerne do problema táctico está no posicionamento de Fernando e de Lucho Gonzalez. A solução a curto prazo seria voltar de imediato a um 4-3-3 clássico, com extremos rápidos como o Kelvin, por exemplo (o tal que na opinião de Paulo Fonseca não faz o suficiente nos treinos), com o Polvo sozinho no papel de trinco e com Lucho mais recuado com o mesmo papel de outros tempos. Mas este é apenas um dos muitos problemas que Paulo Fonseca não tratou de acautelar e foi empurrando até ao limite. Entretanto os jogadores perderam a confiança no líder, estão altamente desmotivados, arrastam-se em campo, e têm tido um comportamento pouco profissional e até indigno da camisola que vestem.

O treinador queixa-se da qualidade dos extremos, tendo já sido noticiado o regresso de Quaresma… No início da época PF dispensou Iturbe (ou terá sido Antero Henrique?), que tinha sido apenas um dos melhores jogadores da pré-época (e tem 'facturado' com frequência pelo Verona) e praticamente não tem dado hipóteses a Kelvin, constantemente relegado para a equipa B. As últimas exibições do FC Porto demonstram uma equipa sem profundidade nas alas, que afunila o jogo pelo miolo e que não tem rapidez para fazer transições ofensivas, preferindo parar o jogo e devolver para trás para (mais) uma troca de bolas entre os defesas centrais. É ridículo!

É necessária uma mudança urgente de Paulo Fonseca. Outros no passado também se renderam às evidências. Lembram-se certamente de Co Adriaanse, que depois de um empate em Vila do Conde e de sofrer grande ‘contestação’, alterou o esquema táctico colocando Paulo Assunção a fazer de pivot e central em situações ofensivas e defensivas, respectivamente, arrancando em definitivo para o título de Campeão. Poderá não ser assim desta vez, mas pelo menos Paulo Fonseca deveria esgotar todas as possibilidades à sua disposição, porque se está a fazer tarde.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Adeus Champions, adeus

A Champions League acabou. Há três jogos por disputar mas a festa chegou ao fim. Antes do previsto para muitos. Como era esperado para outros. Haverá quem alimente no próximo mês o discurso de que tudo é possível. Que é um ponto de atraso nas contas do grupo. A verdade é que é muito, muito mais do que isso. O FC Porto caiu por culpa própria, uma vez mais. Não por erros colectivos mas por falhas individuais. Foi assim em Málaga, foi assim com o Atlético de Madrid. Foi assim hoje. Desta forma não se vai a lado nenhum.

Acreditar que este FC Porto - este - é capaz de ganhar em São Petersburgo e em Madrid, é acreditar em fadas e duendes. Pode ser que eles existam e eu esteja enganado. Mas até os ver não acredito em contos. E é disso que se trata. Contos. Uma equipa que não ataque bem, que defende mal e que ainda para mais comete mais do que um erro grave por jogo (o de Otamendi não tem nome) está condenada a cair antes do esperado. Os adeptos seguramente não merecem este desfecho. Mas é a realidade. O FC Porto tem um treinador que não consegue dar a volta aos problemas que se lhe colocam em campo. E tem jogadores cujos comportamentos, mais do que infantis, diria, anti-profissionais, comprometem o esforço do colectivo. Hector Herrera tornou-se no jogador expulso mais rapidamente da história da Champions League. É preciso um dom para ser-se tão inocente. Tal como Defour, em Málaga. Tal como os erros de Otamendi e Mangala contra o Atletico. Erros e mais erros. Nos momentos cruciais.



O jogo em si não foi mau. A equipa reagiu bem à expulsão sobretudo porque o Zenit é muito menos do que aparenta ser e porque Hulk quer resolver à bomba todos os problemas da sua equipa. Teve nos pés resolver o jogo muito mais cedo mas se calhar lembrou-se dos bons tempos de Dragão ao peito, hesitou e permitiu a Hélton um desvio de milagre. O brasileiro foi um dos melhores em campo. Só Lucho, imenso até ter esgotado cada gota de suor que tinha para dar, e Fernando, foram melhores.
O jogo de hoje serve, ainda que não para outra coisa, demonstrar que na sua posição Fernando é um dos melhores do mundo. Ter um treinador que não é capaz de o ver dá pena. Quando a equipa voltou a um desenho mais parecido ao 4-3-3, um 4-3-2-1, lá foi o "Polvo" quem fez esquecer Herrera. Cortou tudo o que havia para cortar e ainda teve pulmão para ajudar no ataque. Imenso. Imenso. Imenso.
O FC Porto soube controlar o jogo na primeira-parte mesmo jogando com menos um. A falta de Herrera notava-se menos no miolo e mais no ataque onde Jackson foi engolido, literalmente, por Luis Neto e havia poucas opções de perigo sempre que Licá, uma nulidade, estava por perto. Lucho tentou a sorte, mas ela olhou para outro lado. Varela, o grande dinamizador do ataque do FC Porto na segunda parte (porquê a suplência?), também sofreu o mesmo destino. Quando a incompetência individual e o azar se unem não à volta a dar.
Parecia que a equipa ia aguentar o empate. Helton parava cada bomba de Hulk, Fernando engoliu a Danny, Shirokov e Arshavin, Lucho corria, corria e corria e as melhores oportunidades até aconteciam do outro lado, quando a bola durava mais de cinco segundos nos pés de Jackson. Mas não. Estava escrito que o segundo jogo em casa se saldava com uma segunda derrota perto do fim, quando os adeptos acreditavam que iam presenciar um milagre.



Em Viena, onde tanto sofremos para marcar, o Atlético de Madrid aplicou um festival de futebol e de golos e resolveu a liderança do grupo. Têm nove pontos em três jogos, precisam apenas de rematar o FK Austria em casa para confirmar a liderança. O que significa que contra o Zenit, primeiro, e contra nós, em segundo lugar, vão jogar apenas os milhões e o prestigio. Mas até lá, possivelmente, o grupo até já pode estar decidido. No jogo de São Petersburgo é o tudo ou nada. Uma vitória do clube cujo patrocinador e patrono também o é da prova, fecha praticamente as contas do grupo. Seriam sete pontos para os russos por três dos dragões com apenas seis para jogar. Se ambos vencessem o FK Austria os jogos com o Atlético seriam totalmente irrelevantes. Mesmo um empate na Rússia continua a jogar a favor dos russos. Só a vitória em terreno hostil pode mudar um destino similar ao de 2011. Mas parece altamente improvável.

Seguramente que haverá muito boa gente que se ponha de pé a clamar por traição, que isto é o FC Porto e que ninguém desiste antes do jogo terminar. Certo. Eu, pessoalmente, não desisto. Mas quem joga é a equipa, quem tem de fazer acreditar é a equipa. E quem a lidera. E o que a temporada tem trazido até agora dá pouco espaço para a crença, mais sabendo que os russos vão jogar como gostam em casa, tranquilamente, aproveitando espaços, precisamente onde a equipa com Paulo Fonseca é mais débil. Podem sonhar à vontade, que é grátis. O normal é que a equipa arranque o novo ano na Europe League, uma competição que seria para ganhar. Seria, mas com esta liderança tenho as minhas dúvidas!

PS: Se alguém conhecer uma equipa que chega aos oitavos-de-final de uma Champions League com o ratio de erros gravíssimos da sua dupla de centrais e dos seus médios que me avise. Foi em Viena, foi com o Atlético e foi hoje. Mangala, Otamendi, Herrera, Alex Sandro. Nenhum fica bem na fotografia e a situação em lugar de se corrigir parece que vai piorando. Á elite só lá chega quem merece. Esta linha defensiva, sobretudo, não a merece!

PS2: A arbitragem foi lamentável. A expulsão certeira, ninguém se pode queixar quando se cumprem as regras. Mas a partir de aí houve erros e erros, cartões por mostrar (a ambas partes) e o momento anedota da noite quando uma bola ao ar se transformou num livre quando o guarda-redes russo caiu em falta na área. Enfim, a elite europeia dizem!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O triunfo do futebol ridículo


Não raras vezes o adepto implora ao mais básico desejo em vésperas de uma partida importante. A vitória. Paulo Fonseca estreava-se na Liga dos Campeões ao leme do experiente FC Porto. A julgar pela inquietante exibição, a imaturidade competitiva parecia generalizada e entre o tão pouco futebol que se viu no relvado do Prater, a única coisa que acabou por ficar de oferta aos portistas foi a sibilina vitória azul e branca, através do solitário golo do capitão Lucho Gonzalez.

Felizmente para nós, enquanto a Europa do futebol se ia entretendo com o hattrick de Messi ou com a ensaboadela suíça a Mourinho perante o seu público, em Viena desenrolava-se o pior jogo da 1ª jornada da competição de clubes mais importante do Mundo. Um mau jogo, disputado por duas equipas inconsequentes, com jogadores fracos ou desinteressados, orientados por equipas técnicas medíocres. Se isto é o melhor futebol que a UEFA tem para oferecer. Vou ali e já venho…

Ao FC Porto, como se não bastasse a pálida exibição do passado fim-de-semana com Gil Vicente, resolveu aprimorar o estilo e tornar-se ainda mais degradante. Os danos só não aconteceram porque este Áustria de Viena vai ser uma espécie de versão 2.0 do Dínamo de zagreb, para levar coça de criar bicho de todas as equipas que lhe vão calhar em sorte. A caça ao voto do Platini trouxe à tona estas tainhas que até o espaço que ocupam na rede incomoda.

As declarações pouco efusivas dos jogadores na zona mista após a partida revelam algum decoro ou, quiçá, peso na consciência da qualidade de jogo. A quantidade de equívocos, erros, falhas e infantilidades foram tantas que todo o balneário sabe que uma exibição igual a esta na próxima jornada da Champions equivalerá a ZERO pontos. Paulo Fonseca acha que a sua equipa fez um jogo “pragmático” e “inteligente”. Temo que o engodo das vitórias lhe possa toldar o discernimento para as muitas debilidades que os seus comandados evidenciam.

Entre um meio-campo incapaz de gerir o jogo, perdido entre a falta de pressão ao portador da bola e na pouca circulação e rotatividade dos seus jogadores, juntou-se a incapacidade de os extremos e laterais portistas em explorar as faixas, bem como trabalhar a ligação no momento de transposição da bola. Jackson dedicou-se ao egoísmo e Otamendi à parvalheira. Tudo isto polvilhado com um chorrilho de passes errados e más recepções, resultando na confrangedora exibição que se sabe.

Valeu esta noite que a eficácia saiu generosa. Provavelmente na única jogada condigna a um jogo de futebol, levou Danilo a ganhar a linha de fundo servindo Lucho num oportuno passe atrasado para o golo que arrebataria os três pontos para o Dragão. E foi só, para gáudio e escrupuloso cumprimento do desejo do adepto. O “pragmatismo” assim obriga, diz o técnico. A jogar assim, Liga Europa cá vos espera, digo eu!

domingo, 1 de setembro de 2013

Meu Deus, que mau!

Paços Ferreira x FC Porto, Jackson Martinez (fonte: Maisfutebol)

Que mau que é ver um ponta-de-lança titular do FC Porto a rematar à baliza pior que um iniciado. E não foi uma ou duas vezes, foram sete ou oito.

Que mau que é ver um jogador da categoria do Lucho e a "revelação" Licá a imitarem Jackson Martinez e a também não conseguirem sequer que um dos seus vários remates fosse enquadrado com a baliza.

Que mau que foi ver como, primeiro Fucile e depois Maicon, iam enterrando a equipa, devido à forma displicente com que abordaram dois lances em zonas proibidas. Valeu São Helton.

Que mau que foi ver a dificuldade que o FC Porto teve para vencer este Paços de Ferreira, uma equipa frágil, em reconstrução, que jogou a meio da semana em São Petersburgo e que vinha de quatro derrotas em quatro jogos oficiais.

Que mau que foi ver o FC Porto a queimar tempo no final do jogo, à espera que os minutos passassem, em vez de aproveitar o adiantamento do Paços para marcar o 2º golo e "matar" o jogo.

Enfim, perante uma exibição cinzenta, salvou-se o resultado, uma magra vitória que valeu 3 pontos e a manutenção da liderança do campeonato.

E parabéns aos milhares de adeptos do FC Porto que se deslocaram a Felgueiras, os quais apoiaram a equipa do princípio ao fim, fazendo com que, na prática, quem jogou em casa tivesse sido o FC Porto e não o Paços de Ferreira.

P.S. Sim, o FC Porto ganhou, mas se aquilo que esteve mal não for corrigido (para além do Jackson, é preciso outras alternativas para finalização das jogadas de ataque; contra equipas fechadinhas, um meio-campo formado por Fernando, Defour e Lucho é muita parra e pouca uva), mais tarde ou mais cedo iremos ter amargos de boca.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca... (III Parte)

Concluídas as duas primeiras jornadas do campeonato está na altura de revisitar os excelentes artigos do Miguel Lourenço Pereira de 12 e 13 de Agosto, aqui no Reflexão Portista, sobre o esquema táctico 4-2-3-1 do treinador Paulo Fonseca:

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)
O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

O FC Porto apresentou-se com a mesma equipa titular nas duas partidas da Liga: Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Defour, Lucho, Josué, Jackson e Licá, o que significa que Paulo Fonseca encontrou um "onze base", tendo em conta que o titular Varela, lesionado, foi substituído por Josué.

Nos referidos artigos o Miguel descreveu os princípios básicos do novo esquema táctico relativamente ao conhecido 4-3-3: (i) a criação do conceito de número 10, Lucho, (ii) a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, Fernando e Defour e (iii) o maior espaçamento de linhas para a obtenção de um futebol mais vertical. Além disso chamou a atenção para os principais defeitos e virtudes do 4-2-3-1: "este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. (…) [o adversário pode] lançar um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival".


No primeiro jogo, em Setúbal, a equipa acusou falta de entrosamento e permitiu vários lances perigosos aos sadinos, incluindo o do golo, sendo que o perigo foi aparecendo de situações que o Miguel previra: o "duplo pivot" estava em linha e sem uma noção clara de quem deveria marcar e foram surgindo passes para as costas da nossa defesa. Por outro lado a articulação entre os jogadores das linhas ofensivas não foi a melhor, o que gerou mais dificuldades de penetração na defesa contrária e criação de lances de perigo. Lucho não conseguiu ser o número 10, Defour não foi box-to-box e Fernando não foi… Fernando. Valeu Quintero, que substituiu Defour, e mal entrou mandou uma bomba para resolver o jogo.


No segundo jogo, na estreia da equipa esta época no Dragão, tudo foi diferente. O FC Porto submeteu o Marítimo a forte pressão desde o início, com um futebol rápido, alegre e mais vertical. Na vertente defensiva Mangala e Otamendi estiveram muito bem na antecipação e na anulação das investidas do adversário e o "duplo pivot" Fernando-Defour funcionou bem, o primeiro libertando-se do seu típico jogo de recuperação e varrimento e o segundo conseguindo ser um box-to-box mais influente. Não foi Moutinho, mas esteve no campo todo. Vi pela primeira vez o Fernando a avançar no terreno com a bola controlada e a procurar linhas de passe, fazendo-o com maior à vontade e segurança que em partidas anteriores. Contrariamente ao que afirmou o Miguel, parece-me agora que o Fernando poderá ser um dos mais beneficiados com este estilo de jogo porque terá mais bola e terá de pensar mais o jogo, o que o tornará num jogador mais valioso. Às suas características de trinco puro, poderá juntar características de distribuidor e tornar-se um médio mais completo.

Apesar da boa exibição e dos golos achei que a equipa, pelas características de Licá e Josué, que não são extremos puros, afunilou demasiado o jogo, tendo abusado do jogo interior, perdendo profundidade. Poderá, eventualmente, ser ideia do treinador usar momentaneamente os laterais Danilo e Alex Sandro como extremos, com o apoio e as dobras do "duplo pivot" em caso de perda de bola e (principalmente) Licá como segundo ponta-de-lança, dando ao Lucho tempo e liberdade para deambular no meio campo e no ataque.


A este esquema sobram ainda Herrera e Quintero – que deverão competir com Defour e Lucho, respectivamente, por um lugar no "onze" – e Carlos Eduardo como alternativas para o meio campo e Kelvin e Iturbe como jokers para os lugares de extremo. Ghilas deverá ser a alternativa a Jackson Martinez dado que, em jogos oficiais, creio que não foram experimentados simultaneamente.

À pergunta final do Miguel, "será este o modelo ideal para esta época?", respondo, para já, com um sim porque a equipa tem dado sinais de que o consegue assimilar e o plantel tem variadas opções e de grande qualidade para substituir ou complementar os jogadores que neste momento integram o "onze base". Tanto o “duplo pivot” como a defesa, na generalidade, estiveram bem melhor no jogo contra o Marítimo. Que a equipa e o treinador continuem a evoluir e a proporcionar bons espectáculos de futebol (com vitórias!).
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

Está claro que o Paulo Fonseca teve pouco a dizer nas contratações mas terá muito pelo que responder com aquilo que o seu plantel pode oferecer durante o ano.

Desde Fernando Santos - aquele 4-2-3-1 com Paulinho+Chainho atrás de Deco, com Alenitchev no banco - que a equipa se habituou ao 4-3-3 como modelo base, salvo pelo segundo ano de Mourinho e o 3-4-3 de Adriaanse. É um modelo formatado, assimilado e que faz todo o sentido. Mas também é uma táctica para a qual o plantel oferece poucas opções individuais. A ausência de extremos desequilibradores (que já foi um problema no ano passado, depois da saída de Hulk e da situação com Atsu) afunilava em excesso a equipa, com James a meter a marcha para dentro e Varela muitas vezes a encostar-se a Jackson num 4-1-2-1-2. Este ano não houve mudanças radicais nesse capitulo. E portanto o plantel continua a oferecer poucas opções individuais.

O 4-2-3-1, pelo contrário, encaixa melhor nos jogadores disponíveis. E é o modelo que o técnico utilizou no Paços, que conhece bem. Quer entrar com cautela, jogando pelo seguro. É compreensível, mas também é preciso lembrar que a defesa do Paços não jogava tão alta como deverá jogar a nossa, o que implica que os espaços entre linhas eram menores e, portanto, o risco de descompensação zonal entre-linhas inferior.


Nesta imagem fica claro o que vamos ver este ano.
4 defesas em linha, com os laterais com ordem para subir. Um avançado fixo, dois extremos abertos e um jogador livre. E dois box-to-box que se têm forçosamente que complementar no meio-campo. Ora é aí precisamente que geramos um considerável over-booking.

Para as alas o "mister" sabe que tem o Varela, o Ricardo, o Licá e o Kelvin (não sei onde o Iturbe ou o Ismailov encaixam aqui, já veremos o que passa). Dois extremos puros (Ricardo, Varela), um batalhador que vai ser muito útil (Licá) e o joker, Kelvin. No ataque contamos, finalmente, com duas opções válidas em Jackson e Ghilas. É no meio-campo que está o busílis.

Quintero chegou e triunfará, mas precisa de tempo (como Anderson, como James). Lucho fará o posto de 10 desde o início e a transição será progressiva. Se a táctica fosse o 4-3-3, o argentino teria problemas em jogar, porque como se viu no ano passado, o 4-3-3 exige muito do trio do meio-campo fisicamente. E Lucho já não está para isso, enquanto Quintero ainda é verde para esse ritmo. "El Comandante" é o grande beneficiado desta metamorfose táctica. Vai permitir manter-se vivo e activo mais tempo do que poderíamos imaginar. Fernando é o grande prejudicado.

"O Polvo" tem sido fundamental desde que substituiu o Paulo Assunção a tapar todos os buracos que apareciam na linha defensiva. Sempre funcionou melhor varrendo do que com um jogador ao seu lado. Por estatuto será titular mas tenho as minhas dúvidas que se sinta cómodo. O contrato acaba este ano, até ao fim do mês ainda pode sair ou, eventualmente, pensando já no futuro, o técnico procura um modelo para o que tem. E como não há outro Fernando no plantel, acha mais adequado apostar num modelo onde sim funcionam todos os outros médios de que dispõe.

Este 2-1, este triângulo invertido, encaixa bem no perfil de Defour, de Herrera, de Carlos Eduardo, de Josué (que também pode fazer o 10) e de Castro. Apostando neste modelo, o técnico garante que terá jogadores a quem pode distribuir minutos, rentabilizando as suas características técnicas e tácticas ao máximo em vez de as forçar a um modelo que dependia em excesso de Fernando para funcionar realmente.

Portanto, o 4-2-3-1 é o modelo ideal para esta época?

Como em tudo, tem aspectos positivos e negativos.
Defensivamente causa muitos mais problemas do que o 4-3-3 e nos jogos europeus, sobretudo, a segurança defensiva é absolutamente fundamental. Podemos nesse jogo voltar, pontualmente, ao 4-3-3?
Podemos e, talvez, devemos. É também um sistema que não saca o melhor de um dos melhores jogadores do plantel, Fernando, e que gera sérios riscos nos jogos em casa contra rivais claramente inferiores.
É um modelo cauteloso, com dois médios sempre no apoio (e ás vezes vai fazer falta um desses médios lá à frente) e que funciona melhor em equipas onde o meio-campo é uma zona curta de passagem, mais de contra-golpe do que de futebol de posse constante.



No entanto, não se pode dizer que seja, exclusivamente, um modelo defensivo mas sim que se adapta melhor a equipas mais pequenas, que queiram ter menos tempo a bola e procurem mais as transições rápidas e as linhas próximas entre si (numa zona do terreno mais recuada).
O 3-2-3-1 vai permitir ter sempre um segundo homem na área. Vai gerar maior dinamismo nas transições, quebrando o ritmo "pastelento" do ano passado. Em momentos de posse, pode tornar-se num 2-4-1-2, com a subida dos dois laterais para a linha do 2-1 no meio-campo, mas isso só funcionará se as linhas estiverem para lá da linha de meio-campo. Permite sacar o melhor de um grande jogador, que é Lucho, e de outro que seguramente o será, Quintero. E adapta-se melhor ao plantel desenhado para a temporada.

Será um ano largo.
Ninguém pode antecipar que durante os jogos o próprio técnico faça mudanças que permitam oscilar entre um modelo e outro. Não é uma mudança demasiado radical (como foi o 3-4-3 de Adriaanse), não é um modelo estranho aos adeptos. É uma interrogante mais, a par do treinador e de muitas das caras novas. Esperamos que, em Maio, a nota positiva se aplique aos três e que a nova variante permita contornar os problemas que tínhamos o ano passado sem, por sua vez, criar outros já resolvidos.

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

Parece claro que Paulo Fonseca não vai abdicar do seu 4-2-3-1.

O tempo dirá se a sua opção é a mais acertada, sobretudo em jogos radicalmente diferentes aos da pré-época e da Supertaça. Em Aveiro o sistema funcionou perfeitamente também porque o rival foi macio, muito macio. Na véspera do jogo o treinador tomou a palavra na sala de imprensa para responder a um jornalista que sugeriu o modelo como mais defensivo. Paulo Fonseca não gosta dessa ideia (apesar de ser um sistema muito mais utilizado por equipas de contra-golpe do que de ataque continuado).
Vou tentar explicar o que penso ser o seu ponto de vista e a minha percepção sobre o que vai significar a aplicação do modelo ao longo do ano, os seus pontos fortes e fracos. E, sobretudo, a sua adequabilidade ao plantel, no seu todo, e a alguns jogadores, em particular.

No final, podemos chegar à conclusão se o sistema é mais ou menos defensivo que o 4-3-3 standard da última década, se mais parecido ao modelo de Fernando Santos em 2001 ou ao Borussia de Dortmund de Klopp (de quem Paulo se lembrou na conferência de imprensa).

Basicamente há três grandes alterações conceptuais com este modelo.
A inversão do triângulo do meio-campo gera duas situações novas:
- a criação do conceito de número 10, que no 4-3-3 não tem lugar (ou é um extremo adaptado, como foi James, ou é um médio centro reconvertido, como muitas vezes joga Iniesta)
- a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, ambos com ordens para subir e descer, alternando-se sucessivamente

No primeiro caso, a ideia de Paulo Fonseca parece-me evidente.
O número 10 está liberto de carga táctica. Marca menos o rival, corre menos, ocupa mais os espaços livres e aproxima-se ao avançado. Ele tem a missão de criar superioridade ofensiva na área, ajudar Jackson nas suas movimentações e oferecer-se sempre como alternativa de passe.
No segundo caso, implica ter uma equipa muito mais móvel, sem nenhum jogador com uma missão fixa todo o encontro, o que exige mais fisicamente dos dois jogadores, que terão de ser muito mais flexíveis.

A terceira alteração passa pelo maior espaçamento de linhas.
Com o 4-3-3 era muito habitual ver as linhas muito próximas entre si, com a equipa a subir em campo de forma compacta, em posse, muitas vezes num ritmo mais lento e previsível. O médio mais defensivo ficava ancorado entre os centrais, os laterais subiam (ora um, mais raramente, os dois) e os dois médios da parte superior do triângulo pautavam o ritmo. Agora nota-se claramente a existência de duas linhas, e cabe aos dois jogadores mais recuados do triângulo pautar o ritmo, permitindo sempre a 3 ou 4 jogadores estarem perto da área sem a bola, à espera de que a combinação entre os restantes jogadores a faça chegar até eles o mais rápido possível.

Nesta imagem pode ver-se qual é o desenho táctico standard em campo:


Um dos médios sai com a bola permitindo aos defesas abrirem-se para cada lado oferecendo linhas de passe e possibilitando aos laterais abrir o campo. O segundo médio está perto, numa zona próxima, para servir de apoio imediato. Mais à frente, os dois extremos jogam abertos e o número 10 e o avançado próximos um do outro, para puxar a marcação e abrir espaços nas costas e, em caso de recepção de bola, poderem combinar entre si de imediato.

Com esta ideia, o Paulo Fonseca quer claramente uma equipa mais vertical, mais dinâmica e trabalhada fisicamente e mais opções para o remate, com a presença constante de um segundo elemento perto da baliza.

Nesta outra imagem, num movimento ofensivo, podemos ver como o Lucho aparece quase como um 2º avançado (na sombra do médio defensivo do Vitória, ele está lá!), na mesma linha que os dois extremos (bem abertos), com o Jackson a prender um dos centrais. Essa situação garante quase uma igualdade numérica em movimentos ofensivos (4 para 5, em vez do 3-5 habitual do ano passado). Vemos os dois centrais a fechar a linha, uma vez mais os laterais abertos, neutralizando os extremos e os dois médios centro com a função de criar desde o primeiro instante.


Pode ser este um sistema mais defensivo do que o 4-3-3, como se tem sugerido?

Depende sobretudo do rival.
Em teoria, uma equipa que utilize um jogador como "número" 10 ou dois avançados, é uma equipa mais ofensiva por natureza. O problema está onde se movem. O 4-3-3 permitia a aproximação regular de dois jogadores do meio-campo à entrada da área, a que se juntavam os três da frente e, eventualmente, os laterais. Este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. O 4-2-3-1 pode não ser mais defensivo que o 4-3-3, mas é um sistema bastante mais frágil.

O FC Porto vai jogar, para a Liga, com equipas que vão estacionar o autocarro e aproveitar falhas para lançamentos rápidos de contra-ataque. Foi assim que se perderam muitos pontos no ano passado. Lançamentos rápidos da defesa, diagonais no meio-campo, aproveitando processos defensivos desorganizados por uma rápida perda de bola. O 4-3-3 garantia, na teoria, que a presença de um médio mais defensivo na ajuda aos centrais, podia tapar essas iniciativas de contra-ataque com mais facilidade, o que leve a uma maior contenção da dupla e menos ajuda no movimento atacante.

O 4-2-3-1 é um modelo que sofre muito mais nessa circunstância.
Aliás, o Paulo Fonseca deve saber, grande parte dos golos sofridos por equipas como Dortmund e Real Madrid (que no ano passado usaram esse sistema) surgiram de situações assim, diagonais entre os dois médios centros, perdidos em campo, aproveitando os espaços disponíveis entre linhas para ganhar segundos preciosos, suficientes para armar o remate que a presença de uma sombra na zona evitaria (o que faz Busquets em Barcelona, por exemplo).

Nos jogos da pré-época, e na Supertaça, já se verificaram essas situações.
Um médio rival (ou defesa) tem a bola, lança um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival. Isso vai suceder regularmente durante o ano. Contra equipas mais exigentes, que vão ter a bola tanto ou mais tempo que nós (jogos de Champions, sobretudo), essa situação vai ser ainda mais habitual porque esse espaço livre é uma mina de ouro para explorar. Não há um jogador que varra o lance.

Nesta imagem estamos perante essa situação. 
Uma perda de bola do ataque, contra-golpe do rival. O número 10 é o último, o que não corre e o avançado e os extremos estão todos muito próximos. Um dos laterais (Fucile), está pendente do extremo e longe da linha defensiva. Os restantes elementos da defesa estão em linha. Mas os dois médios estão expectantes, na mesma zona. Neste momento o Defour não está a marcar ninguém, é um jogador passivo na acção. O Fernando cumpre o seu papel (o que faz melhor) e aproxima-se do homem com a bola, que pode colocar um passe em diagonal para o avançado nas costas do meio-campo. 


Não deixa de ser uma movimentação de jogadores que pode ser trabalhada durante o ano. Mas é um risco.
Não há sistemas perfeitos, o 4-3-3 desde já não o era. Mas defensivamente era muito mais seguro do que este modelo. Claro que o trabalho dos jogadores será fundamental para que este ou qualquer outro modelo funcione. E de aí vamos ao segundo ponto da análise.

Faz o 4-2-3-1 mais sentido que o 4-3-3 com este plantel e estes jogadores?
(continua)

sábado, 25 de maio de 2013

Moutinho saiu? Chamem o “pronto-socorro”

(jornal O JOGO, 14-05-2013)

Na semana que antecedeu o desafio final em Paços Ferreira, e quando já se sabia que Fernando não ia poder participar nesse jogo (estava lesionado e castigado), o jornal O JOGO publicou um artigo sobre o Defour. Nesse artigo (ver em cima), Defour era apresentado como o pronto-socorro portista da época 2012/13, sendo destacado numa infografia o facto do internacional belga ter sido chamado a jogar em seis posições diferentes (as três posições do meio-campo, ala-direito, ala-esquerdo e defesa-direito). É obra!
E é, também, sinal de três coisas:
- das limitações existentes no plantel que Vítor Pereira teve à sua disposição;
- da polivalência de Defour;
- da confiança que o treinador do FC Porto depositou no número 35 (3+5=8, o seu número preferido) do plantel portista.

Defour ainda não é um jogador de top internacional mas, na minha opinião, é um jogador de qualidade, com uma cultura táctica muito acima da média e, tirando a “loucura” que o afectou em Málaga (obrigando a equipa postista a jogar a 2ª parte quase toda reduzida a 10 jogadores), é um jogador que se tem revelado muito útil.
Estando há dois anos no FC Porto, e tendo sido o 12º jogador do plantel mais utilizado (1308 minutos) no último campeonato, Defour ainda não se afirmou como titular dos dragões, o que é compreensível, se atendermos a que o meio-campo portista era formado por Fernando, Moutinho e Lucho.

Contudo, a saída de João Moutinho para o AS Monaco (o novo “brinquedo” do multimilionário Dmitry Rybolovlev) é uma oportunidade de ouro para o belga se afirmar como titular dos dragões porque, parece-me, ser ele quem está na pole position para ocupar o lugar do melhor médio português da atualidade.

Estou convencido que se o Defour se fixar na posição em que rende mais (na posição 8, que era ocupada por João Moutinho), em vez de ser o pronto-socorro que, por falta de alternativas no plantel, jogou em 5-6 posições diferentes, a tendência será o seu rendimento subir. Dificilmente atingirá o nível do Moutinho, mas tem características semelhantes e poderá aproximar-se.

Falta saber quem serão os outros elementos do meio campo portista para a época 2013/14.
Lucho terá como concorrentes Carlos Eduardo (ex-Estoril) e Izmaylov, mas será que Fernando, que não se cansa de dizer que gostaria de sair (Inter Milão, PSG, ...), acabará por renovar e ficar?
E que futuro está reservado para Castro, Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães) e Tozé (equipa B)?
E há ainda o mexicano Héctor Herrera, jogador do Pachuca, que se diz já ter um acordo com a FC Porto SAD desde... Janeiro.


A saída de um jogador do calibre de João Moutinho (a "maçã podre" de Alvalade, lembram-se?) é, obviamente, uma perda significativa em termos desportivos mas, como portista, estou mais preocupado em saber como vão ser colmatadas as carências óbvias que existem no ataque (extremos, avançados e pontas-de-lança) porque, em termos de médios, penso que há matéria-prima suficiente para, na próxima época, o FC Porto voltar a ter um meio-campo forte.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pela mão do nosso salvador



Setenta e um longos minutos, muita ansiedade, perda de oportunidades flagrantes e bons apontamentos defensivos reverteram um jogo que tudo fazia supor ser daqueles em que calendário competitivo nos impele como mera formalidade ou obrigação mas que acabou por se revelar muito intenso e difícil. A menos de vinte minutos do fim Jackson Martinez vestiu a capa de bom servo outra vez, livrando a nossa equipa de males maiores que algumas cabeças menos crentes já conspiravam demoniacamente. Entre a infelicidade de concretizar e inabilidade de se conseguir gorou-se um resultado mais gordo e alguma margem de manobra para que os papagaios de serviço aventem teorias sobre certas dúvidas criadas nas duas grandes áreas. Três preciosos pontos no bolso e venha daí esse derby imperial o qual sempre anseio que termine em porrada de criar bicho.

Enfim, que não me fujam as ideias para outros rosários que a crónica aqui não chama, a bem do muito que temos dizer desta vitória que os ilustres atletas da vila de Moreira de Cónegos nos venderam cara. Um apanágio, diga-se, que parece estar a querer fazer história, embora assim não o desse cara quem viu aquele primeiro quarto de hora. Logo desde aí, bem cedo, cheirou a golo aos pés e cabeça de Jackson. O ritmo também seguia o tempo da batida, mas a bola não entrou.

No natural afrouxamento da circulação a equipa perdeu um pouco o rumo, mas não se deixe de aqui de gratificar a boa organização defensiva visitante onde Ricardo Fernandes roubou o pão à boca de Martinez num par de ocasiões ou quando Ricardo Ribeiro fez uma vistosa intervenção a um pontapé de Moutinho vindo do meio da rua. Para agrurar ainda mais as nossas preocupações Lucho ficou-se por terra depois de uma traulitada bem dada, deixando Vítor Pereira mais apreensivo do que já estava.

A troca pelo irreverente Kelvin já no início do segundo tempo não se revelaria feliz com o miúdo a não conseguir dar um estilo rápido e prático que o jogo estava a pedir. Percebendo isso o treinador juntou Kléber a Jackson na área, tentando desconstruir a muralha que vem lá da concelhia onde este Reino se deu em berço. Reflexos visíveis na velocidade incutida à partida e não tanto nas ocasiões criadas.

Em ritmo vivaço e tenso os homens orientados por Casquilha esgueiram-se um par de vezes onde a defesa azul e branca não fluiu com a lisura desejável. Otamendi ainda bem “tentou” dar brinde, mas Helton emendou a tempo. Enfim, as nossas almas já quase estavam por tudo, mas salvação se deu de onde menos se esperava. Um canto, pois claro!

Ao fim de mais de uma dúzia destes inconsequentes lances o colombiano Cha Cha Cha facturou e fez o cântaro quebrar depois de tantas vezes à fonte ir. Não sendo a mais vistosas das finalizações, para alívio ficou perfeito. Contingências de uma partida muito sofrida por todos nós e algo sofrível dos nossos jogadores. Pede-se melhor aproveitamento em momentos chave, assim como maior e melhor regularidade ao ritmo a impor. Problemas já usuais como a carência de algumas soluções de recurso que até mais ver os resultados do campeonato ainda não puseram a nu.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Lei do mais forte



É sempre muito bom, seja em que circunstância for, somar três pontos numa competição de nível tão elevado como é a Liga dos Campeões. O 0-2 definido já bem perto do final espelha melhor a décalage entre a equipa da casa e campeão português. O conjunto azul e branco esteve muito longe de fazer uma exibição de gala. Bastou-lhe gerir a posse de bola com segurança e ir aproveitando as fragilidades evidentes do setor recuado do adversário croata. Vitória saborosa, pois claro. Mas, por aquilo que se viu, tinha de ser obrigatória.

Com efeito, este Dínamo de Zagreb não demonstra melhoras da paupérrima prestação da Champions da temporada passada. Pouca capacidade na posse de bola e demasiada tremedeira ao sair da sua área cristalizam as limitações desta equipa sem andamento para esta competição. Vítor Pereira, mesmo assim, não facilitou e respeitou o adversário. Sinal claro através da inclusão de Miguel Lopes à direita, privilegiando a robustez defensiva. O português cumpriu e integrou-se em manobras ofensivas sempre que solicitado.

Bem cedo a equipa azul e branca chamou a si a condução do jogo. Num ritmo sempre pausado o FC Porto circulava a bola de forma confortável perante a inépcia pressionante adversária. James e Varela fletiram muitas vezes das laterais para dentro afunilando a construção portista. Mas, curiosamente, eram mais perigosos e desequilibradores quando alargavam o jogo pelas suas alas. Alex Sandro, o outro defesa lateral, foi igualmente importante nestas manobras.

Se ao domínio do encontro já nada faltava para os comandados de Vítor pereira fazer o que queriam, pecava a equipa nos poucos lances de finalização que criava. James ainda tentou fora de área uma vez e depois veio o brinde de Kelava onde Jackson Martinez resvalou para o lado anedótico do futebol. Sem tempo para a merecida risada – ou insulto de todo o dragão que se preze, Lucho deu vantagem às nossas cores, na sequência de um bom “raide” de Alex Sandro até á linha final. O capitão corrigia o que deveria ter sido confirmado pouco antes.

Ao regresso das cabines as bases do encontro foram-se mantendo inalteráveis, num domínio portista total, sem um perceptível incómodo dos homens da casa. Até ao minuto 65 tudo era simplificado e fácil de ordenar. Uma letargia que quase contagiou o dragão, passando depois por um par de sustos quando o discernimento se toldou, o Dínamo acelerou e nosso meio campo se perdeu. Helton foi resolvendo sempre com muito acerto e ainda lançou dois contra ataques venenosos.

Ainda assim durou pouco a investida croata. Em pouco mais de dez minutos o entusiasmo caseiro afrouxou e a crença na reviravolta no resultado era quase nula. Cristian Atsu, pouco incomodado com os humores do adversário, lançou-se ao ataque do golo da tranquilidade. Com uma bela arrancada e um passe certeiro pôs Defour à mercê do golo que viria a selar o resultado final. Finalmente, mais folgado, como poderia e deveria ter saído, mais cedo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O peso de Lucho em golos

(clicar na imagem para a ampliar, fonte: O JOGO)


A influência de El Comandante na equipa do FC Porto excede, em muito, os golos que marca, mas não deixa de ser interessante analisar o contributo que deu nesta vertente - 45 golos em jogos oficiais -, ao longo das várias épocas em que envergou a camisola azul-e-branca.


P.S. «Há ligações afectivas entre clubes e jogadores que simplesmente não têm explicação: a de Lucho González, que foi campeão português em todos os anos que passou no FC Porto, é uma delas. A transferência para Marselha, no final de um ciclo, aos 28 anos, parecia ter todas as condições para um enorme sucesso pessoal, talvez o melhor tempo da carreira. Mas nem o bom rendimento individual lhe permitiu repetir o sucesso no clube francês, perdendo para sempre a corrida por um espaço na selecção argentina, que tinha representado por quase 50 vezes até aos 27 anos. A carreira de Lucho parecia ter entrado na rampa descendente quando, em grande aflição com o acidentado percurso pós-Villas-Boas, o FC Porto lhe propôs a volta. O regresso ao Dragão de um jogador com carisma e liderança no auge das capacidades técnicas e ainda muito forte fisicamente terá sido o melhor acto de gestão do clube nos últimos anos. Saiu como ‘capitan’ e regressou como general.»
João Querido Manha
Correio da Manhã, 28 Agosto 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Foi só dar mais um "cheirinho" no acelerador



Com outra vivacidade o FC Porto transfigurou-se da jornada inaugural para a segunda etapa do campeonato. “O campeão voltou” disse – e bem - o público do dragão, bastando para isso que o conjunto orientado por Vítor Pereira imprimisse um ritmo mais exigente para desconstruir a organização adversária. Numa partida de sentido único, quase sempre bem jogada, o resultado robusto fez-se erguer naturalmente em consonância com a solidez exibicional da equipa azul e branca.

É de facto incomparável a velocidade com que a bola circulou entre os nossos homens. Igualmente incomparável é a intensidade que os mesmos impregnaram ao jogo. Duas nuances fundamentais para o futebol ser de outro quilate, limpo de impurezas causadoras de ardor ao consumo. Os regressos da dupla brasileira às laterais da defesa e a inclusão do "agitador" Cristian Atsu ajudaram a complementar o dinamismo intenso que pautou a prestação do campeão nacional.

Não se tornou estranho, pois, os portistas assomarem-se em redor da baliza vimaranense desde cedo. As combinações fluíam razoavelmente entre a linha média – com Lucho a encostar muitas vezes na zona de área, não faltando também as variações nos flancos onde os imprescindíveis apoios de Alex Sandro e Danilo surtiam efeito. Depois de uma tentativa de meia distancia falhada, “El Comandante” abriu o marcador num remate de grande qualidade em um dos vários movimentos colectivos de circulação do esférico interessantes que se geraram.

O resultado tangencial do intervalo não conheceu maior expressão por alguma precipitação no último terço de terreno da nossa parte e, não menos verdade, a vista grossa de Hugo Miguel a um braço de NDiaye no interior da área. Nada que apoquentasse a equipa da casa. Aliás, insaciável, é a melhor palavra para definir a fantástica 2ª parte do FC Porto.

Rui Vitória desmontou o duplo pivô defensivo, abdicando de Barrientos. Tentou explorar as alas com Marco Matias, mas os visitantes não tiveram engenho para se conseguir fazer impor ao dragão. Bem pelo contrário. Num ritmo absurdo a nossa equipa lançou-se à procura da tranquilidade, algo que viria a alcançar a meio da etapa final num forte pontapé diagonal de Hulk. Uma imagem de marca muito sua. Quem saberá se pela última vez exibida no estádio do Dragão.

Livres de sobressaltos e com os pontos todos no bolso o FC Porto fez um jogo solto e colorido. Não tardou o terceiro tento da noite, o “bis” de Lucho, após recarga a um remate de Atsu. Para tudo deu, até para Jackson Martinez converter uma penalidade sobre Moutinho e se estrear a faturar no campeonato. Uma felicidade para dar e vender. Alegria e entusiasmo no futebol praticado. E porque não é sempre assim?

domingo, 25 de março de 2012

Nem espanto, nem tristeza. Apenas pobreza.


Vinte e quatro jogos depois, ainda há quem exclame, ou até quem se espante, por tão intensos e sucessivos tropeços no liso, que estas equipinhas cá do burgo não aspiram a mais do que esse singelo diminutivo, e, eis outra vez, nem dois dias passaram, espalha-se ao longo outro “grande” com futebol tão pequeno, que apesar de pagos com muitos dinheiros, não são essas moedas que os fazem jogar mais. Os “pobres” da casa, coitados, lá vão eles à vida todos contentes, um pontinho no bolso, bem melhor que nada, seja louvado Cássio pelas prestimosas intervenções, ou bem-afortunado das aselhices alheias.

Não foi o pior, nem foi o melhor, correu como em outros jogos se deu, uma mediania sensaborona, que o nosso jogar não sabe a carne, nem peixe, mas a comandita de Vítor Pereira acabou por engolir as sobras que não tinha rapado antes do empate fatal, maldita melga ou vareja, que nos pôs a ver estrelas.

Nem foi nada mal, tal a cadência de bolas, e perigos vários, esvoaçando a baliza caseira. Depois do quarto de hora de jogo, a meter muito rasgo e pouco mais, chegou-se à frente o Dragão, com boas promessas de golo, mas todas elas sem lhe verem o ouro. Lucho primeiro, enquanto as pernas lhe davam, pica por cima, mas lá vem Cassio. Janko mais tarde, que para ser mais fácil, ou quiçá mais difícil, de portas escachadas, acerta-lhes nas fechaduras. Vira porca, venha outra, mais do mesmo, Janko outra vez, não sabe o que fazer a um ressalto de um tiro de Hulk. E nulo que és, fica-te tão bem.

Volta das cabines o povo, anda cá Fernando, que estás perdoado. Põe-te andar Defour, que só aterraste por estas beiras há pouco, ainda cheiras a leite, e não tens arcaboiço para deixar no chuveiro um capitão doutros tempos. Não sejas arreliante, escrever tais dislates, nem dois minutos a bola rolava e já se anichou nas redes de Cássio. Arrancada de Hulk, um pique bem ao seu estilo, obrigado Ricardo por nos fazeres o jeito, não vá aparecer aí um austríaco qualquer a trocar as voltas aos seus papéis.



Sobe, sobe rendimento. Oportunidades às dúzias, mas golos que é bom, nem vê-los. Chuta Hulk, chuta Moutinho. Carrega Cássio que estás na baliza para isso. Perde-se fulgor e alguma energia, mas deixa lá estar o Lucho que lá vai com a bomba no máximo. O Paços acredita, e está mesmo a cheirar a paio. Nem é preciso servi-lo. Com retaguarda como a nossa, há banquete pronto a sair a qualquer instante. Eis a igualdade, que até rima com nulidade, talvez injusto, ou se calhar merecido.

Cabeçudos somos nós por acreditar que agora é desta. Nem foge, nem descarta. Assim vai este andor, com os descrentes ansiosos, os agitados furiosos e os louvaminhas prudentes. Enquanto isso, vem de fininho o Braga e põe-se a pronto de açambarcar o tesouro da realeza. Bem feita e merecida chaga merecias, vós “grandes” que não desgrudais lá do púlpito, que chorais e rogais por gralhas e agruras do apito, mas não fazeis muito ou pouco por merecer lá ficar. Oremos.

terça-feira, 20 de março de 2012

É um lucho jogar só meia-parte


Dói menos por ser a taça da Liga?
Dói menos, sim. Mas dói.

Devemos ter vergonha da exibição produzida? Quem viu aqueles miseráveis últimos 30 minutos contra o Nacional, não pode responder afirmativamente.

Mas lá foi o Cardozo, mais uma vez.
Só de pensar que graças à (pouca) inteligência das massas, esteve quase quase de saída do nosso rival...
Quantas vitórias ele já garantiu desde então?

O 2-2 era justo ao intervalo. Não podíamos pedir mais. Com alguma sorte à mistura, as coisas foram correndo bem.
Até que chegou, uma vez mais, o ponto habitual onde as coisas deixam de funcionar: o estouro total e completo do nosso meio-campo.
Temos agora direito a um Lucho que dura menos de 60 minutos, na melhor das hipóteses. Quando a isto se junta um Defour que ninguém sabe muito bem como veio aqui parar (comparem-no com o Witsel), é só mesmo esperar pelo desastre acontecer.
Isto porque, já estamos cansados de saber, tranquilidade é uma palavra que todos os nossos "centrais" desconhecem por completo.

Menos mal que não foi pelo "baixinho" Bracalli que a coisa deu para o torto. Se bem que, um dia, alguém nos há-de explicar por que razão os treinadores adoram desfalcar a equipa do seu guarda-redes principal, nestes jogos de tamanho grau de dificuldade.

E, por último, um conselho para quem inventou o figurino desta prova (já de si com má fama), em que as meias-finais se disputam a uma só mão e no campo de um dos contendores: consulte rapidamente um psiquiatra.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O (real) valor de Hulk

O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.

Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.



Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.

Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.

Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.



Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.

Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.

Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.

Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.

Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.