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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Prokop, o Special Stasi Officer

Quase 31 anos depois da Final da Taça das Taças, da época 1983/84, no dia em que os dragões regressam a Basileia…

Adolf Prokop
Temos bastas razões de queixa da arbitragem, que perdoou dois penalties aos italianos. O primeiro por um empurrão ao Vermelhinho, o segundo por uma mão [braço] do Scirea, que toda a gente viu…
António Morais (adjunto de Pedroto, o qual, muito doente, ficou no Porto), em declarações no final do jogo


Fomos espoliados por um árbitro da RDA, país onde se procuram divisas desesperadamente. Por isso, melhor era impossível…
Fernando Gomes (capitão da equipa do FC Porto), em declarações no final do jogo


É duplamente injusto [a UEFA suspendeu Zé Beto por um ano]. Depois do que aconteceu em Basileia, o FC Porto espoliado de forma vergonhosa, mais isto… É mentira que tenha dado pontapés ao fiscal de linha, que lhe tenha tentado dar com a bandeirola na cabeça, a ele e ao árbitro, foi disso que me acusaram. Se quisesse agredir um ou outro, ninguém me conseguiria deter, agredia mesmo.
Zé Beto (guarda-redes do FC Porto), declarações feitas em 1984


Fomos melhores. Esse lance [falta de Boniek que precedeu o 2-1] fez toda a diferença. O João [João Pinto] é carregado e fica fora da jogada. Fomos para o intervalo revoltados, a pensar no senhor Pedroto e nesse erro do árbitro
Mike Walsh (avançado irlandês que, aos 64’, substituiu Jaime Magalhães), declarações feitas em 2015


«East-German Secret Police (Stasi) leader Erich Mielke made the Berlin team BFC Dynamo his personal toy and took care it won 10 Championships. He managed it by for instance securing a Stasi affiliated referee to take charge of its matches. It is documented that as a referee, Prokop helped BFC win a match in at least four instances. Prokop went on to become an OibE (Special Stasi Officer)
Fonte: http://worldreferee.com/referee/prokop/bio


16 de Maio de 1984, Final da Taça das Taças (foto: 'Filhos do Dragão')
De pé (da esquerda para a direita): Eurico, Lima Pereira, Eduardo Luís, Jaime Magalhães, João Pinto, Zé Beto
Em baixo (da esquerda para a direita): Vermelhinho, Jaime Pacheco, Sousa, Gomes, Frasco




P.S. Arbitragem à parte, o FC Porto fez um grande jogo. A perder por 1-2, na segunda parte adiantou as linhas (como se diz agora), foi para cima da Juventus (expondo-se a alguns contra-ataques perigosos) e, durante largos períodos, os jogadores da equipa italiana nem passaram do meio-campo. O próprio treinador da Juventus, Giovanni Trapattoni, em declarações feitas no final do jogo, reconheceu isso mesmo: “Para nós [Juventus] foi muito difícil, nunca imaginamos que pudesse sê-lo tanto. O pressing do FC Porto, durante a segunda parte, exigiu-nos muito esforço e não menor atenção. Caíam em cima de nós e, quando tinham a bola, era muito difícil tirar-lha. Cheguei a sentir medo, muito medo…

Selecção italiana no Mundial de 1982
De pé (da esquerda para a direita): Zoff, Antognoni, Scirea, Graziani, Collovati, Gentile
Em baixo (da esquerda para a direita): Rossi, Conti, Cabrini, Oriali, Tardelli

P.S.2 A equipa da Juventus era a base da selecção italiana que, dois anos antes, se tinha sagrado campeã do Mundo. Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli e Paolo Rossi foram titulares indiscutíveis dessa fantástica squadra azzurra a qual, no percurso para o título mundial de 1982, deixou pelo caminho a Argentina de Maradona, o Brasil de Zico, a Polónia de Boniek e a Alemanha de Rummenigge. A juntar a este lote de campeões do Mundo, o colosso de Turim tinha dois estrangeiros de top mundial: Zbigniew Boniek (o melhor jogador polaco de sempre) e Michel Platini (triplo vencedor do Ballon d'Or entre 1983 e 1985). Foi esta constelação de estrelas que, a 16 de Maio de 1984, o desconhecido FC Porto defrontou em Basileia e, como se não bastasse, os dragões ainda tiveram de enfrentar mais dois obstáculos de monta: a Juventus praticamente jogou em casa (pelo menos 4/5 dos espectadores eram adeptos italianos) e a UEFA nomeou um árbitro da antiga Alemanha de Leste que, pelos vistos, era um apaixonado por automobilismo…

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mistérios de Lille

1. Um jogo disputado num “pavilhão”

O JOGO
O que terá levado a UEFA a concordar com a pretensão do Lille, de disputar o jogo contra o FC Porto com a cobertura amovível do Estádio Pierre Mauroy fechada?

As coberturas amovíveis (nos estádios que as têm) servem para preservar os relvados e proteger os espectadores das agruras do Inverno, nomeadamente quando está a nevar e/ou se registam temperaturas negativas.

A questão é que o Lille x FC Porto foi disputado em pleno Agosto, num dia em que nem sequer se registaram aguaceiros e com uma temperatura exterior à hora do jogo de 12 graus centígrados (excelente para a prática de um jogo de futebol).

Eu compreendo que os dirigentes do Lille quisessem “abafar” os jogadores do FC Porto (pouco habituados a jogar em “pavilhões”).
Eu sei que, num estádio fechado, 30 mil espectadores a gritar parecem o dobro e poderiam impressionar uma equipa com uma média de idades inferior a 23 anos.
Mas pensava que a UEFA, apesar de ser liderada pelo francês Michel Platini, era isenta (cof, cof, cof…).


2. Uma arbitragem “inteligente”

O que terá levado o senhor Bjorn Kuipers a, logo aos 6 minutos, amarelar um defesa do FC Porto (Danilo), num lance de bola dividida, sem perigo para a integridade física do adversário e em que não foi anulada qualquer jogada de perigo?

O que terá levado o mesmo Bjorn Kuipers a, por exemplo, aos 30 minutos, nem sequer assinalar falta, num lance em que o francês Gueye entra de pé em riste sobre Maicon, atingindo-o de forma perigosa (podia ter provocado uma lesão grave)?

Aos 28 minutos, numa altura em que o resultado estava em 0-0, Jackson foi ostensivamente agarrado e puxado por Basa em plena área do Lille, quando tentava cabecear uma bola.
Dos cinco árbitros holandeses, as imagens da transmissão televisiva mostraram que, pelo menos o árbitro de baliza, estava a olhar para os dois jogadores e viu perfeitamente.

Perante um lance desta clareza, o que terá levado o senhor Bjorn Kuipers (um árbitro do grupo de elite da UEFA, que arbitrou a última final da Liga dos Campeões) a não assinalar a grande penalidade que se impunha?

Bjorn Kuipers expulsa Rolando (Supertaça Europeia 2011/2012)

Nota: Para quem não se lembra, Bjorn Kuipers é o mesmo árbitro que, há três anos atrás, no dia 26 de agosto de 2011, na final da Supertaça Europeia entre o FC Barcelona e o FC Porto, não assinalou um penalty óbvio sobre Guarín (e que seria uma oportunidade flagrante para o FC Porto reestabelecer a igualdade no marcador).


Para além do valor do Lille, uma equipa com uma boa organização defensiva e que aposta no erro do adversário, é também por causa deste tipo de "mistérios" que estou de pé atrás em relação ao jogo da 2ª mão.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Resolver a questão da co-propriedade

«Se se proibirem totalmente fundos de investimento vai ser uma tragédia, vão matar o futebol português tal como o conhecemos hoje em dia, com a competitividade atual e com a capacidade para formar jogadores», garantiu Mário Figueiredo em declarações exclusivas à Agência Lusa.

Desde que escrevi aqui, na passada semana, sobre a problemática da extinção da co-propriedade, muitas têm sido as vozes que se têm igualmente levantado contra a medida. Alguns por oportunismo, outros por convicção. O que está claro é que a medida não é popular nos países afectados e não há na Europa um caso tão flagrante como o de Portugal e dos seus clubes.

As palavras do actual presidente da Liga são a mais pura verdade.
Significa isso que tem razão? Em parte, porque de certa forma, a necessidade dos clubes portugueses em recorrer de forma constante a este modelo deve-se também à sua péssima gestão financeira da última década. Se os clubes tivessem tido abordagens radicalmente diferentes das que tiveram, a situação não seria tão dramática. O drama é real, ninguém pense o contrário.

Clubes podem desaparecer, clubes podem perder o pouco que têm e mesmo os grandes minguarão, forçosamente, até encontrar forma de se levantar outra vez. Com este modelo permitiu-se que os clubes portugueses tenham ajudado da Liga Sagres a trepar ao quinto posto do ranking UEFA. Com este modelo permitiu-se vencer uma Europe League - com um semi-finalista e um finalista vencido no mesmo ano - mas também as boas performances europeias tanto em Champions League (2009, FC Porto, 2012, SL Benfica) como na Europe League (campanhas de Braga, a épica de 2011 e a semi-final do Sporting no ano passado). Ninguém duvida que as equipas que aí chegaram não o poderiam ter feito se tivessem de arcar com o 100% da ficha salarial mais o 100% dos passes dos seus jogadores. Com as dividas já acumuladas pelas principais instituições do futebol português, esse sobrepeso financeiro o que fará, não se iludam, é acabar com a competitividade desses mesmos clubes contra os rivais europeus.

Mas se Platini e Blatter conseguem aprovar a lei, que podem os clubes fazer?
O projecto está agora em discussão e diz-nos a experiência que demorará sempre um par de anos até ser aplicado. No caso da UEFA a ideia do Fair Play Financeiro, desde a sua divulgação até à sua aplicação, tardou mais de cinco anos enquanto que o 6+5 ainda está em discussão - por envolver a lei comunitária - enquanto que a utilização obrigatória de 6 jogadores de formação nacional no plantel de 25 na Europa (3 do mesmo clube) foi aplicada em três temporadas. Tempo providencial para clubes como o FC Porto adoptarem medidas urgentes a olhar para o futuro.



1) Aposta séria e inequívoca na formação.

É inevitável. O fim da co-propriedade vai impedir que o clube mergulhe em mercados estrangeiros com a mesma regularidade. Não se enganem. Muitas vezes a co-propriedade não é uma eleição nossa mas uma exigência de quem vende. Os empresários e fundos compram jogadores para sacarem lucro e quanto mais tempo detenham parte do passe, melhor. Caso este cenário acabe, o preço dos jogadores subirá porque a margem de lucro, forçosamente, será menor. Um James, a 100%, custará bem mais do que custa a 70%, não tenham dúvidas.
Para evitar esta realidade há que captar jogadores cada vez mais novos e fazê-los parte do nosso sistema de formação, como já fazem o Arsenal e o Barcelona há uma década e que também é uma das ideias por detrás do 6+5 que Platini quer aplicar.



2) Comprar nacional

O mercado português é o que é e um jogador na liga lusa vale sempre menos que um jogador das ligas sul-americanas ou europeias. É lei de mercado. Para poder deter a 100% o passe de um jogador ele tem de ser mais baixo e mais acessível. Lima, quando estava no Belenenses, poderia ter sido do FC Porto por muito menos do que se pagou por Jackson. Não quer dizer que seja melhor, quer dizer que no futuro, quando não exista tanto dinheiro disponível para jogar com os passes, será nesses jogadores que nos temos de focar.

3) Fim dos empréstimos entre clubes da mesma divisão

Uma ideia que esteve perto de se tornar real este Verão e que continua a ser fundamental para garantir que os clubes não possuem planteis de 50 jogadores para depois usá-los para manobras políticas de bastidores e garantem que esses jogadores permanecem nos clubes de origem.


4) Criar um lobby dentro da ECA.

Portugal não é o único país afectado por esta realidade. A co-propriedade envolve clubes sul-americanos mas também clubes do sul da Europa, de Espanha à Turquia, da Grécia a Itália passando por ligas como a romena, sérvia ou croata. É a realidade de uma Europa a duas velocidades.
O FC Porto, um clube com um peso institucional na Europa incomparável em relação aos outros clubes portugueses, deveria procurar dentro da ECA - European Club Association - construir pontes que exijam da FIFA e da UEFA outras medidas que, aplicadas ao mesmo tempo que o fim da co-propriedade, defendam a competitividade de clubes como o nosso. Medidas que podem ser, por exemplo:

- A aplicação definitiva do 6+5.
A UEFA tem encontrado problemas com a União Europeia porque estes entendem que não se podem restringir a cidadãos europeus a actuação em clubes dentro da UE. Mas o que podem é exigir que exista um máximo de 5 jogadores não-europeus no onze titular. Isso permitira que o mercado sul-americano e africano não seja exclusivo de uns poucos e se mantenha uma via livre para clubes como o FCP.

- Acabar com o Marketpool da Champions League e repartir os valores pelas ligas mais prejudicadas.
Actualmente há clubes de Inglaterra e Espanha que, eliminados na fase de grupos, acabam por ganhar quase tanto dinheiro com a Champions como se o FC Porto fosse campeão. Sem o Marketpool ou, pelo menos, desenhado noutros moldes, e esse dinheiro redistribuído os clubes poderiam encontrar um importante balão de oxigénio numa fase de transição. A medida não seria definitiva mas sim um mecanismo de solidariedade.

- Obrigatoriedade por parte da UEFA da venda colectiva de direitos televisivos
Esta medida não só tornaria a distribuição do dinheiro entre os clubes europeus mais equitativa como acabaria com o profundo desequilíbrio entre clubes no espectro nacional como também sucederia o mesmo no espectro europeu. A Bundesliga e a Ligue 1 são o melhor exemplo.

- Obrigatoriedade da UEFA em passar de 6 para 10 os jogadores de formação nacional no plantel europeu
Essa medida, que agora mesmo nos seria prejudicial, no futuro poderia ser uma tábua de salvação. Obrigaria os tubarões europeus a alinhar com 10 jogadores formados no seu país nos seus planteis europeus - que são, no fundo, os seus planteis anuais - e defenderia os melhores jogadores dos vários países europeus de ser alvo de constante cobiça. Se o clube apostasse nos primeiros dois pontos que mencionei e os restantes clubes europeus fossem forçados a fazer o mesmo, os jogadores sul-americanos, africanos, asiáticos ou de outros países da Europa não estariam concentrados numa dúzia de clubes forçosamente.

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Com estas medidas - ou metade delas pelo menos - teríamos um clube mais sustentável, mais financeiramente saudável, mais preparado para os desafios do futuro e igual de competitivo.

 É um processo longo, complexo e que acabaria com algumas das políticas de favores em que directivos da SAD têm sido tristemente protagonistas, com um certo compadrio com agentes, fundos e personagens externos à realidade do clube. Não existem gestões perfeitas nem clubes perfeitos mas encontrar um rumo auto-sustentável, com olhos para o depois de amanhã, seria uma jogada importante por parte da directiva e um sinal de que no Dragão há quem consiga ver para lá do imediato.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estrangular o futebol dos pequenos

A FIFA revelou nesta sexta-feira que o comité do organismo para o futebol, liderado por Michel Platini, presidente da UEFA, solicitou “a criação de regulamentos que proíbam a propriedade por parte de terceiros” dos passes dos jogadores.

Esta notícia vinha publicada na edição online do PÚBLICO de Sábado. E não surpreende ninguém.

Michel Platini é uma figura que divide opiniões como dirigente (menos como futebolista). É, sobretudo, um excelente político com máscara de figura desportiva. Cresceu ao lado de Sepp Blatter, nesse antro de mafiosos que é a FIFA. Foi o seu homem forte na luta contra Johansson, um dos amigos mais íntimos de Pinto da Costa e da maioria dos homens do G14, e venceu. A partir de então a sua atitude com os clubes que entravam nesse grupo foi fria, distante e tensa em muitos casos. Salvo casos pontuais, como o Barcelona, que se afastaram do modelo original para aproximar-se da sua gestão presidencial, os clubes do G14 tiveram dificuldades com a UEFA nos últimos oito anos. O FC Porto, um dos que mais. Tivemos de sofrer as ameaças do francês, sem nenhum critério legal, e seguramente que Platini não se esquece do que teve de suar para vencer os azuis e brancos na polémica final de Basileia.


A gestão de Platini de devolver o futebol aos adeptos tem tido aspectos positivos.
Na sua luta contra os grandes, apostou num novo formato de Champions League que abre mais a porta à fase final a clubes campeões nacionais dos seus modestos países, ao livrarem-se de disputar o play-off final com os quartos ingleses, espanhóis  alemães e terceiros das ligas portuguesas, italianas ou francesas. Com gestos como esse (e o Euro 2008 e 2012, e as finais europeias que começam a chegar ao leste do continente), assegurou os votos para a reeleição e vendeu a ideia de ser um presidente dos mais fracos. Mas  como negociador nato que é, nunca se afastou em demasia dos países grandes. Não é por acaso que Londres recebe duas finais da Champions em três anos. Que Munique, Madrid, Paris e Moscovo tenham sido eleitas antes. Que os milhões da Champions sejam cada vez mais para cada vez menos e que o dinheiro investido na Europe League - a liga dos pobres - seja cada vez mais insignificante.

Platini quer chegar à FIFA e quer chegar com o apoio dos grandes. Precisa de sentir-se respaldado pela ECA, pela elite do futebol europeu e não apenas pelos clubes de países pequenos e sem expressão mundial. Por isso a nova medida vem apenas confirmar a sua deriva política. Acabar com a co-propriedade, algo que já existe nas ligas inglesa e francesa, é uma estocada de morte na ambição de muitos desses clubes. Os portugueses, por exemplo.

Com a situação actual de mercado, é cada vez mais difícil aos clubes como o FC Porto competirem com os milhões dos históricos do continente e com as novas fortunas do leste. A co-propriedade tornou-se numa ferramenta possível para comprar jogadores incomportáveis a preço total e também para aliviar o passivo quando a necessidade de cash flow se tornava iminente e aparecia um fundo qualquer para comprar uma pequena parte do passe de um jogador promissor. Sem esse mecanismo, não se enganem, não existia futebol profissional em Portugal. E em muitos países do Mediterrâneo. Em Itália a co-propriedade entre clubes é habitual desde os anos 90. Em Espanha, a esmagadora maioria dos clubes não detém o 100% do passe dos seus melhores atletas. Falar da Grécia, Chipre, Turquia, países eslavos e centro-europeus é apenas repetir a mesma história. A co-propriedade permite-lhes manter o pulso sem asfixiar-se (ainda mais) financeiramente. Sem ela, a Superliga europeia torna-se inevitável.

A missão de Platini nos últimos anos como presidente da UEFA é abrir caminho para essa realidade.
Abolir a co-propriedade significa dar aos clubes ingleses, alemães, russos, ucranianos e à elite espanhola, francesa e italiana, o domínio exclusivo e absoluto do futebol europeu. Deixa de haver margem de manobra para qualquer desafio externo. O FC Porto, como tantos outros, desapareceria entre o passivo acumulado e a venda dos seus activos para não acabar. Sem jogadores top não há performances top, não há ameaça, não há vitórias ao PSG, não há gestas como 2004. Não há nada.



Pessoalmente sou contra o modelo da co-propriedade. Absolutamente contra a entrada de fundos e empresários, muitas vezes para lavar dinheiro, no futebol gerido por um clube independente.
Mas também sou contra os salários praticados de forma infame pelos donos da pasta árabes e russos. Também sou contra a Lei Bosman, tal como está actualmente, e sou contra o modelo de distribuição de lucro das provas europeias desenhado pela UEFA.
Ou se é contra tudo ou a favor de tudo. Por um lado, se tudo isto fosse revisto, o futebol voltaria a ser mais igualitário  mais justo, mais divertido. Mas aos grandes isso não lhes interessa nada. O caminho é o oposto, aumentar ainda mais os desafios aos pequenos, roubando-lhes os melhores jogadores sem limite (mesmo que seja para preencher o banco), pagando-lhes fortunas impensáveis, ficando com números impensáveis de pagamentos por parte da UEFA e do império televisivo que vive à sua sombra. Acabar com a co-propriedade é só facilitar que os James, Jackson, Moutinho, Alex Sandro, Fernando, Danilo sejam suplentes do PSG ou do Shaktar em vez de serem jogadores do FC Porto.

É mais um golpe baixo e sujo, mais uma jogada muito bem pensada por parte da elite europeia. A tornar-se real - e ninguém duvida que Platini tem o poder necessário para lográ-lo - poderia ser também o fim do FC Porto como um potentado europeu. E talvez o fim do profissionalismo, tal como o conhecemos, do futebol do sul da Europa. Estejam atentos!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Platini, esse Rui Rio do Futebol Europeu

Eleito em 2006, Michel Platini está no segundo mandato como presidente da UEFA, mas tal como Rui Rio, parece que ainda vai no primeiro tão pouco é o trabalho que tem para apresentar. Prometeu uma revolução na vertente financeira do Futebol Europeu, através de tectos salariais e de despesas e ameaças de exclusão das provas da UEFA para os clubes demasiadamente endividados. Até um feudo arranjou com o Pinto da Costa e o FCP. Resultados visíveis: zero. Lá conseguiu impor os árbitros de baliza, mas como as corridas na Boavista, são de interesse duvidoso.



E porquê Platini, "nesta altura do campeonato"? Simplesmente, porque é ele o primeiro e único responsável - já lá está há 12... 6 anos, e já não vale atirar a culpa para o antecessor - pela inquietação em que vivem muitos adeptos todos os anos por esta altura. Há campeonatos com duas jornadas já jogadas, e mesmo assim há clubes com plantéis por fechar - como é o caso do do FCP. Quanto mais se pensa nisso, mais absurdo parece. Como é uma coisa destas possível numa estrutura com a responsabilidade da UEFA? É inegável que esta situação tem impacto nas competições - os jogadores (daqueles que jogam) estão com os pés em campo, mas com a cabeça noutro país - na gestão dos clubes e nos direitos dos próprios adeptos.

Ao invés de andar com "rodriguinhos" como são as tais regras de "fair-play financeiro" que anda a prometer implementar - como o outro com o fim do estacionamento em segunda fila - desde que foi eleito, por que não acaba com esta palhaçada do mercado de tranferências que nunca mais fecha? Isso sim, seria uma verdadeira medida de fair-play, e com um imenso poder equilibrador entre clubes pequenos/pobres e grandes/ricos. O actual estado só beneficia os clubes endinheirados porque podem escolher quando gastar o dinheiro. E num negócio feito sob pressão, normalmente é quem vende - e é porque o jogador faz birra para sair, ou porque precisa mesmo de vender; os exemplos são vários - que sai a perder. Pior ainda, aumenta até o fosso competitivo entre os clubes de topo e os restantes: a menos de uma semana para o fecho do mercado, mesmo tendo jogadores referenciados, quem e a que preço é que o Porto vai contratar para substituir, por exemplo, o Hulk? O que aconteceu o ano passado, também nesta altura, com o Falcao, deixa qualquer um com o credo na boca.

Platini, és um FDM.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Istvan Vad - o gajo que tramou Platini


Istvan Vad é a prova de que Platini estava errado (mais uma vez) obrigando-o a engolir um sapo (mais uma vez...).

Mais uma vez temos um caso num Europeu ou Mundial com uma bola que entra mas não conta (desta feita no Inglaterra – Ucrânia). Segundo Platini, a introdução de 2 árbitros-assistentes adicionais na linha de fundo seria a garantia de que não mais teríamos casos destes, mas apesar de estar a uns 5 metros da bola e com visibilidade perfeita... o senhor Vad não viu que a bola tinha entrado (e ao contrário de outros, acredito sinceramente que estivesse de boa fé). Ironicamente, dois dias antes Platini tinha afirmado a boca cheia que casos como o golo não sancionado a Lampard 2 anos antes no Mundial não voltaria a repetir-se.

Também - e apesar dos 2 árbitros-assistentes adicionais - tem havido alguns casos polémicos dentro da grande-área mal decididos (por ex agarrar de camisolas); ainda que, diga-se em abono da verdade, a arbitragem neste Euro tem sido em geral boa.

Nunca compreendi direito a aversão de Platini à introdução de tecnologia no que diz respeito à questão da «bola-que-entra-ou-talvez-não», o vulgo «olho de falcão» usado há tanto tempo no ténis (ainda que adaptado para as especificidades do futebol). Para mim é, para usar uma expressão anglófona, um «no brainer». Penso que isto foi a machadada final na resistência de Platini à medida (de assinalar que a FIFA já tinha decidido avançar nessa direção).

Mas para além disso penso que se poderiam justificar mais uma ou outra medida nova. O mundo evolve, as tecnologias também, e o futebol deve saber adaptar-se ainda que sem se descaracterizar. Aliás, o futebol já evoluiu imenso no último século: alguns dos leitores «menos jovens» ainda certamente se lembram dos tempos em que não podiam haver substituições ou em que não existiam cartões (nem amarelos, nem vermelhos, nem rosa às riscas verdes, o que levou por ex a confusão no Mundial de 66). Outros mais jovens lembram-se pelo menos dos tempos em que o GR podia agarrar a bola a passe de um colega.

Duas medidas que julgo merecer consideração:

1)      A possibilidade de revisão de imagens de TV pelo árbitro antes de tomar a decisão final (como no râguebi).

Esta medida deixa-me dúvidas, mas penso que poderia ser tomada desde que de forma bastanta circumscrita e limitada. Por exemplo: apenas no caso de penaltis ou limitando a possibilidade a apenas 2 vezes por jogo para cada equipa (a seu pedido). Nada invalida que os árbitros tomem decisões polémicas na mesma (e isto iria expor melhor os arbitros de má fé), mas estou certo que os erros mais flagrantes seriam em geral eliminados.

2)      Limitar o número de jogadores na barreira a partir de «x» faltas.

Esta medida é inspirada pelo básquete (lances-livres) e penso que iria combater um pouco o anti-jogo (em que equipas sem argumentos recorrem sistematicamente a faltas e faltinhas para quebrar o ritmo do adversário), tal como aumentar ligeiramente o número de golos por jogo. Porque não limitar o número de jogadores na barreira a (por ex) 3 a partir da (por ex) décima falta?

domingo, 24 de junho de 2012

Gosto do gajo

Concordo com tudo o que o gajo diz? Não.

Tem ideias absurdas? Tem.

É politicamente correcto? Não. E ainda bem. E é por isso que gosto dele - apesar daquela Juventus e daquela França ainda estarem atravessadas na garganta.

- Ai que ele é o presidente da UEFA e não pode dizer aquilo.

O tanas é que não pode!


O problema não é quando eles dizem o que pensam.
O problema é quando dizem o que não pensam e depois nos bastidores fazem o que pensam.
De quem tenho "medo" é daqueles que se dizem muito neutrais. Quando leio um Jorge Coroado a criticar o Platini, abençoado seja o Platini.
O que me irrita são as frases feitas, as conferências de imprensa em que estão ali a debitar o mesmo paleio vezes e vezes sem conta.

Tá bom de ver que ontem a França só perdeu porque o homem quer a Espanha na final. Isto é claro como a água. 
(Como era claro como a água, que se fosse ao contrário a França só tinha ganho porque o presidente da UEFA é Francês.)

Ele gostava que a Holanda estivesse nos quartos de final. Mas não esteve.
Em termos teórico eu também gostava, preferia ter tido uma Holanda nos quartos que uma Grécia, uma R. Checa, ... mas o certo é que apesar de ele ser presidente da UEFA isso não aconteceu.
Como não passou nenhum dos organizadores - e a Ucrânia até teve aquela bola lá dentro. Interessante que agora ninguém fala do interesse, passe o pleonasmo, da UEFA em ter pelo menos um organizador nos quartos e nas meias.
O Francês gostava de uma final da liga dos campeões entre o Barça e o Real e nenhuma equipa lá chegou, a UEFA queria um organizador a passar as eliminatórias e nenhum passou.
Estão mesmo a perder qualidades. 

E esta é a realidade, o futebol é um jogo que qualquer interveniente pode ajudar a decidir, como o árbitro do Ucrânia-Inglaterra, como o treinador da Holanda, como o Varela, como o Ricardo da Grécia, como o Xabi (e até o Torres já ajudou a decidir), como o Jorginho já decidiu um Sporting-Porto, e até pode ser a própria sorte a decidi-lo. Mas não me venham com histórias, 89% são decididos pelos jogadores e 10% pelos treinadores.

O dia em que eu acreditar que o futebol não é assim, e como não sou masoquista, dedico-me ao Curling.  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Cabra-Cega



Os mais recentes vaticínios de Michel Platini sobre as Seleções que irão disputar a final do Euro 2012 para além de terem sido, uma vez mais, um verdadeiro chuto na atmosfera, tiveram o condão de universalizar a ideia de que o dirigente máximo da UEFA é mesmo um desbocado. Aos adeptos do FC Porto essa característica do ex-internacional francês já é quase uma redundância desde as considerações que teceu ao nosso clube no processo que foi alvo na instância que dirige. Mas a uma personalidade tão cheia de frases feitas e ideias pré-concebidas, não seria difícil de prever o tropeçar nas próprias palavras até à desconsideração geral da nação futebolística - mesmo a mais inquinada (como é o caso da imprensa lisboeta).

Houve quem referisse por estes dias que a inteligência de Platini ostentadora de um perfume único nos relvados por onde passou, não se coaduna com o seu discurso de praça enquanto Presidente do organismo supremo do futebol europeu. Porém, há 30 atrás, um artista da bola tinha tempo e espaço para pensar dentro da quadra, e atualmente isso não acontece. Nem lá dentro, nem cá fora. Está visto que o homem ainda não se adaptou aos novos tempos.



De uma forma peculiar, o dirigente francês está ser vítima da própria estratégia que o levou ao topo da hierarquia da UEFA. Foi com uma boa dose de demagogia e um discurso populista junto das Federações mais pequenas (com promessas de entrada direta das equipas de países com rankings mais baixos na Liga dos Campeões, por exemplo) que juntou votos para chegar ao cargo que por hora ocupa. Um principio válido e útil para quem se quer erguer à ribalta rapidamente, mas perigoso quando se está no topo.

Se como atleta Platini terá sido uma figura aglutinadora de massas, como responsável desportivo tornou-se um repelente. Da boca do Presidente da UEFA não interessa ouvir apostas – que ele tanto odeia – sobre uma final, dissertar sermões e opiniões sobre jogadores, ou tecer considerações acerca de dossiês que não domina e para os quais está manifestamente mal preparado. Um dirigente com sentido de Estado abstêm-se gravilhar no acessório para se dedicar ao essencial, não ficando a fazer de Cabra-Cega perante um golo “fantasma” não validado num torneio em que é organizador e onde previamente já ditou o seu desfecho.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O racismo da UEFA


"O Comité de Controlo e Disciplina da UEFA aplicou uma multa de 20 mil euros ao FC Porto, na sequência dos alegados cânticos racistas dirigidos pelos adeptos a Mario Balotelli, do Manchester City, no jogo dos 16-avos de final da Liga Europa, disputado a 16 de fevereiro no Estádio do Dragão. O processo foi instaurado cinco dias depois do jogo e agora, mais de um mês depois, o organismo que tutela o futebol europeu deu então razão à queixa que o clube inglês formalizou imediatamente após o final do jogo. De acordo com o City, Balotelli foi insultado aos 77', quando foi substituído por Aguero. A UEFA justificou a decisão com a violação do disposto no ponto 2 do Artigo 11 do seu Regulamento Disciplinar. O FC Porto, que quando foi a Manchester também se queixou de manifestações contra Hulk, tem agora três dias para recorrer do castigo."
in OJOGO, 04/04/2012


Esta decisão da UEFA é politicamente correcta e completamente estúpida. Algo que não é de admirar, visto o organismo ser gerido pelo francês Platini.

Que o italiano Balotelli foi assobiado e apupado no Dragão aquando da sua substituição ninguém tenha dúvidas: é verdade. Mas isso aconteceria com qualquer avançado adversário que tivesse tido papel decisivo num golo da sua equipa, fosse ele branco, preto ou amarelo. Nada teve que ver com a raça do jogador. Por isso, tanto a queixa do City como o provimento que lhe foi dado pela UEFA são de uma enorme desonestidade intelectual.

Acabou a UEFA por ter uma atitude verdadeiramente racista ao dar cobertura a esta situação. Se tivesse um comportamento coerente castigaria também o próprio City porque o Hulk, que não é caucasiano, também foi apupado no Estádio Etihad.

O mais caricato foi a tentativa dos ingleses moralizarem connosco no que toca ao racismo. Foi ridículo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O FC Porto é grande!


"Sou a favor da identidade. Se o FC Porto está em Portugal, devia jogar com portugueses, em vez de comprar jogadores de outros países. Não gostei da influência sul-americana na final. Creio que os jogadores jovens do Brasil e da Argentina estariam melhor jogando no seu próprio campeonato."
Michel Platini


Quantos sul-americanos faziam parte do onze inicial do Inter Milão na final da Liga dos Campeões 2009/10?
Pelas minhas contas (ver foto em cima) foram "só" sete!
E italianos?
Ora deixa cá ver... zero?!!
Pois...

E quantos ingleses havia no onze inicial do Manchester United na final da Liga dos Campeões 2010/11?
Por acaso, tantos como portugueses no onze azul-e-branco de Dublin: três (Ferdinand, Carrick, Rooney)!

E, já agora, com quantos ingleses costuma alinhar o Arsenal?
Zero?
E, senhor Platini, a enorme legião de franceses dos gunners (treinador incluído) estaria melhor a jogar no seu próprio campeonato?

Mas eu compreendo que o presidente da UEFA fale do FC Porto. Ao fim e ao cabo, quem é que se ia preocupar com o número de estrangeiros de clubes pequenos como o Inter e o Man United?...

sábado, 21 de maio de 2011

A foto do ano

(clicar na imagem para a ampliar)


Esta foto não precisa de legenda, nem de comentários, fala por si. É um daqueles casos em que uma imagem vale mais do que mil palavras.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O perigo invisível


O Pedro Vale já escreveu um artigo sobre as características do “submarino amarelo”, onde chama à atenção para a valia de vários dos seus jogadores - Nilmar e Cicinho (internacionais brasileiros), Marchena, Joan Capdevila, Santi Cazorla e Marcos Senna (internacionais espanhóis) e a estrela Giuseppe Rossi (internacional italiano) – e para o facto de o Villarreal estar a conjugar um bom campeonato (o 4º lugar e o consequente acesso à pré-eliminatória da LC está quase garantido), com um excelente desempenho em termos europeus (para além de ter esmagado o Twente FC, líder do campeonato holandês – de notar que o PSV é o actual terceiro classificado… –, já deixou pelo caminho os segundos classificados da Serie A e da Bundesliga).


O Villarreal eliminou o Nápoles e o Leverkusen, teve uma fase de grupos com qualidade enorme, eliminou o Twente, portanto estamos a falar de uma equipa que se apresenta como um desafio máximo. É uma final antecipada
André Villas-Boas, 19/04/2011


Estou de acordo com a opinião do treinador do FC Porto, mas à valia indiscutível do “submarino amarelo”, acrescento aquilo que designo por perigo invisível (um pouco à semelhança dos submarinos alemães na II Guerra Mundial).

1. Angel María Villar Llona, presidente da Real Federación Española de Fútbol, é também terceiro vice-presidente da UEFA, bem como, presidente dos Comités de Arbitragem da UEFA e da FIFA.

2. Howard Webb é um árbitro profissional, considerado pela UEFA e FIFA um dos melhores da actualidade, tendo sido nomeado para as finais da última Liga dos Campeões e do Campeonato do Mundo. Contudo, isso não o impediu de em Fevereiro passado, ter protagonizado uma arbitragem miserável no FC Porto x Sevilha, a qual contribuiu para quase inverter o destino da eliminatória, de modo a que a equipa espanhola continuasse em prova.

3. Em resposta ao recurso apresentado pelo FC Porto, a UEFA manteve a suspensão de dois jogos a Álvaro Pereira, na sequência do cartão vermelho que lhe foi exibido por Howard Webb no jogo com o Sevilha, da segunda-mão dos 16-avos-de-final da Liga Europa.
Tudo depende do que o árbitro escreve… E ele escreveu que o Álvaro é um jogador agressivo, que esteve alterado durante todo o jogo. Isso é uma barbaridade”, afirmou André Villas-Boas.

4. «De acordo com um estudo realizado em 2010, a organização da final - a cargo da federação irlandesa de futebol - previa uma audiência global de 40 milhões de telespectadores e a visita de 40 mil turistas/adeptos que se deslocariam de propósito a Dublin. O impacto da final para a economia local rondaria os 30 milhões de euros. A eliminação do Liverpool - clube com muitos adeptos em Dublin e ligações históricas à Irlanda - provocou um enorme rombo nestas previsões e expectativas dos organizadores. A ausência de outras equipas de grandes mercados televisivos continentais como o PSG, Bayer Leverkusen, Estugarda ou Manchester City causou novas dores de cabeça.»
Paulo Anunciação, O Jogo

5. “Existe a sensação de que um duelo ibérico entre Benfica e Villarreal daria maior dimensão europeia [à final] e é certamente a preferência em termos de audiência televisiva. Estive presente na cerimónia de entrega do troféu [à cidade de Dublin] e a sensação generalizada é a de que seria melhor não ter uma final entre duas equipas do mesmo país. Existe alguma preocupação no seio da organização perante a possibilidade de a final do dia 18 de Maio ser um assunto entre dois clubes do mesmo país
Emmet Malone, jornalista do diário The Irish Times, em declarações a O Jogo

6. Nilmar e Cazorla, dois dos principais jogadores do Villarreal, foram acusados pela UEFA de conduta imprópria por, no jogo da 1ª mão dos quartos-de-final com os holandeses do Twente, terem forçado a mostragem de um cartão amarelo, de modo a completaram uma série de três e cumprirem o respectivo castigo no jogo da 2ª mão, limpando o cadastro para o resto da competição.
Nota: Já esta época, Sérgio Ramos e Xabi Alonso (jogadores do Real Madrid) foram penalizados pela UEFA pelo mesmo motivo, sendo obrigados a cumprir novo castigo no jogo seguinte.

7. A UEFA considerou que ficou provado que Nilmar e Cazorla forçaram a mostragem de cartões amarelos, mas decidiu apenas multá-los. O comité rejeitou suspender os jogadores, que podem assim alinhar frente ao FC Porto na primeira-mão das meias-finais, no Estádio do Dragão.

8. «[Uma final da Liga Europa] Benfica-FC Porto seria a garantia de estádio cheio, mas também de muitas preocupações com a segurança já que a maior parte dos jogos recentes entre as duas equipas foram manchados por escaramuças entre os adeptos rivais»
Emmet Malone, The Irish Times (20-04-2011)


Não quero entrar em teorias da conspiração, mas os factos anteriores não são invenção e falam por si.

Por tudo isto, estou convencido que para eliminar os espanhóis da Villarreal e estar na final de Dublin (contra outra equipa portuguesa), não vai chegar ao FC Porto ser melhor que a equipa do país campeão da Europa e do Mundo. Terá, seguramente, de ser muito melhor.

sábado, 21 de novembro de 2009

O que diria disto o Sr. Batota?


A pergunta é retórica, como é óbvio. O Sr. Batota não diz nada e o que mais lhe interessa é que a França esteja apurada para o Mundial da África do Sul em 2010, ainda que tenha conseguido esse apuramento através de um lance decisivo em que Henry assiste um colega depois de ter dominado a bola com a mão. Um erro de arbitragem muito grosseiro e que a FIFA convenientemente resolveu ignorar.

Em 6 de Junho de 2008 o Sr. Platini, Presidente da UEFA, comentando os castigos impostos pela UEFA ao FC Porto (no âmbito da Farsa “Apito Final”) e a outros clubes, revelou que estava “empenhado em deixar uma mensagem muito forte contra a batota”. Quem diria...



Não deixa de ser irónico que um francês que está à frente dos destinos da UEFA e que, além de se arrogar em justiceiro, está a fazer uma campanha miserável contra os clubes ingleses (que segundo ele "estão muito endividados"), assista agora em silêncio ao apuramento para o Mundial 2010 da sua selecção através da batota em detrimento de uma selecção anglo-saxónica, a Irlanda.
No que diz respeito ao comportamento da FIFA, esta já se tinha portado muito mal em Setembro quando criou regras já no final da fase de qualificação com o intuito de proteger os cabeças-de-série, depois de se saber que países como a França e Portugal teriam de disputar um play-off. Agora, ignorando a forma como a França se qualificou, a FIFA acabou de passar a mensagem de que vale tudo para que os países com maiores receitas estejam presentes na fase final do Mundial.

Fico-me com uma citação dessa grande personalidade do futebol luso que é Paulo Bento: “Andebol – mão, Basquetebol – mão, Futebol – pé”.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

SLB fora da UEFA a partir de 2013/14?


O comité executivo da UEFA aprovou hoje, por unanimidade, o princípio do "fair-play financeiro", norma destinada a vedar a participação nas competições europeias de futebol aos clubes que gastem mais dinheiro do que aquele que geram.

Esta decisão impedirá aquilo a que Platini chama a "vitória a crédito", isto é, o sucesso de um clube endividado que vive à base de futuras entradas de dinheiro (já ouviram falar nos negócios entre o SLB, a Central de Cervejas e o BES?).

A 28 de Agosto, no Mónaco, Platini já tinha anunciado que a partir de 2012/13 a UEFA pretendia examinar a evolução das contas relativas às duas épocas anteriores e que a partir de 2013/14 as sanções seriam aplicadas por um painel independente, as quais podem ir de uma multa à suspensão das competições europeias. Segundo Platini, o critério principal do "fair-play financeiro" assenta num orçamento equilibrado durante um período de três anos.

Foto: A BOLA

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

E agora Platini?


«Lisboa, 04 Ago (Lusa) - A UEFA encerrou a investigação contra o FC Porto por alegada tentativa de corrupção de árbitros em Portugal e confirmou a presença dos tetra-campeões na edição desta época da Liga dos Campeões de futebol.
A decisão do Comité de Controlo e Disciplina da UEFA foi hoje comunicada às partes - incluindo FC Porto, Benfica, Vitória de Guimarães e Federação Portuguesa de Futebol -, num documento a que a Agência Lusa teve acesso.
"A investigação aberta contra o FC Porto devido ao caso Apito Dourado está fechada e retirada da lista de processos", refere o documento, adiantando que "o FC Porto está admitido a participar nas competições de clubes da UEFA na época 2009/10".»
in LUSA - Agência de Notícias de Portugal


Em 15 de Setembro de 2008, após ter sido divulgado o acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto, em que era apontado o dedo à UEFA e postos em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF, ficou desde logo claro que a possibilidade de o FC Porto ser excluído da Liga dos Campeões na secretaria estava seriamente comprometida.

Se o cenário já estava negro para as pretensões do SLB, o golpe de misericórdia foi dado em 24 de Março deste ano, quando o Comité Executivo da UEFA aprovou a alteração aos regulamentos da Liga dos Campeões e, nomeadamente, reviu o famigerado artigo 1.04, que esteve na origem das dúvidas sobre a admissão do FC Porto na época passada.

A decisão final do Comité de Controlo e Disciplina da UEFA anunciada ontem é apenas o corolário lógico das decisões anteriores.

Perante tudo isto, é caso para perguntar: E agora Platini?
Será que este individuo percebeu o descrédito e ridículo em que caiu após as declarações que fez há um ano atrás?
Se o ex-jogador da Juventus tivesse um pingo de vergonha, viria a público retratar-se e pedir desculpa ao FC Porto. Como não parece ter estatura ético-moral para reconhecer que se precipitou, o mais provável é que não o faça e limitar-se-á, tal como os pseudo 6 milhões, a engolir em seco.

Chegados ao fim desta trama, sobra uma pequena consolação: felizmente a UEFA ainda não é uma coutada onde personagens sinistras como este Michel põem e dispõem a seu belo prazer.

terça-feira, 24 de março de 2009

Artigo 1.04 revisto pela UEFA

«O Comité Executivo da UEFA aprovou esta terça-feira a alteração aos regulamentos da Liga dos Campeões. O artigo 1.4, que esteve na origem das dúvidas sobre a admissão do F.C. Porto na prova na época passada, foi revisto e tudo indica que a nova formulação deixa os «dragões» a salvo de castigo pelo seu envolvimento no processo Apito Dourado.
A UEFA ainda não divulgou a o texto dos novos regulamentos, mas as indicações vão no sentido de que o artigo que estabelece as condições de admissão não abrange a data dos processos em que o F.C. Porto está envolvido, 2003/04. O artigo deverá estipular, segundo fonte da UEFA citada pela Lusa, que um clube será suspenso por um ano das provas caso tenha estado envolvido na manipulação ou viciação de um jogo desde que os factos tenham ocorrido após 27 de Abril de 2007, altura da reformulação dos estatutos do organismo.
No Verão passado o F.C. Porto foi excluído em primeira instância da Liga dos Campeões pela Comissão Disciplinar da UEFA, mas essa decisão foi anulada pelo Comité de Apelo, considerando que os factos não estavam devidamente apurados e que o processo devia voltar a ser analisado, mais tarde, pela Comissão Disciplinar.»
in 'Portugal Diário', 24/03/2009



E agora?
O que dirão os delgados e cartaxanas deste Mundo?
E que coelho irão tirar da cartola os "supra-sumos" encarnados em direito desportivo - Cunha Leal, Sílvio Cervan, Fernando Seara, etc. – para nos entreter no próximo Verão?

Uma coisa é certa, os tipos da UEFA devem estar todos "comprados" pelo Pinto da Costa...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (III)

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (I)
O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (II)

(continuação do artigo de Bruno Carvalho)

Vamos agora, então, ao tema da corrupção. Sei bem que é disso que esperam que fale e aqui revele se sou ou não um verdadeiro benfiquista.

Que tristeza! Onde nós chegámos! A prova de fogo de um benfiquista é a forma como trata, ou melhor, como insulta, o presidente de um clube adversário e não aquilo que pode fazer pelo seu próprio clube.

Esse tem sido o erro sistemático do Benfica. O Benfica em vez de construir uma identidade forte e ganhadora, desperdiça o seu tempo a pensar em Pinto da Costa e como o pode ofender.

Se alguém pensa que vou insultar o Presidente do FC Porto, pode parar já de ler este texto, uma vez que não o vou fazer. Eu tenho respeito pelo presidente do FC Porto, como imagino que Luís Filipe Vieira tinha por ele quando era presidente do Alverca.

Mas não pensem que vou fugir ao assunto. Eu vou falar com franqueza de Pinto da Costa.

Pinto da Costa foi condenado no âmbito do Apito Final, por corrupção desportiva, pelo Conselho de Disciplina da Liga e recorreu da sentença, que veio a ser confirmada pelo Conselho de Justiça da Federação, numa reunião recheada de polémica. Sinceramente eu acho que essa reunião foi uma vergonha e não deixou ninguém convencido de que aí se fez justiça. A reforçar o que digo, está o facto do TAS (Tribunal Arbitral du Sport), em Lausanne, na Suíça, ter desconsiderado totalmente essa decisão do Conselho de Justiça.


Pinto da Costa, entretanto, recorreu para os tribunais administrativos, onde, entre outras coisas, põe em causa a utilização das escutas telefónicas como meio de prova. Este processo ainda decorre, pelo que devemos aguardar atentamente os seus resultados, ainda que já se saiba que o Supremo Tribunal Administrativo, no processo do presidente da U. Leiria, veio dizer que as escutas não poderiam ser utilizadas, o que pode fazer reverter todo este processo.

Quanto ao FC Porto a história é ainda pior. O FC Porto foi condenado pelo Conselho de Disciplina da Liga e, pasme-se, não recorreu.

O Porto cometeu, na minha perspectiva, um erro trágico ao não ter recorrido da sentença que o condenava no processo Apito Final.

É que a honra não tem preço e muito menos se vende por 6 pontos.

Por mais que tenham descoberto depois que o recurso de Pinto da Costa aproveita ao Porto, o certo é que o Porto não recorreu, o que significa que aceitou o castigo e logo qualquer um pode deduzir que o Porto se deu como culpado num processo de corrupção desportiva.


Deste modo, o Porto colocou-se numa posição em que lhe é muito difícil defender-se quando alguém lhe chama “corrupto”. A provar o que eu digo estão as várias declarações feitas pelo presidente da UEFA, Michel Platini, a propósito do Porto que devem fazer corar de vergonha qualquer dirigente ou adepto portista.

O Porto comportou-se com esperteza saloia, não tendo assumido a postura séria que uma instituição de prestígio exigiria, sabendo-se que o principal valor que se deve defender na vida é a honra.

E, neste caso, Pinto da Costa esteve muito mal.

Das duas, uma: ou Pinto da Costa concordou com o facto de o Porto não ter recorrido, o que no meu ponto de vista é um erro lamentável ou, se não concordou, tinha que se demitir, uma vez que era ele o presidente e não poderia transigir num assunto desta importância. Demitia-se e a seguir convocava eleições ouvindo a opinião dos sócios do seu clube.

Assim, Pinto da Costa, apesar de ser um Presidente dos mais bem sucedidos em termos de títulos na história do futebol mundial, apesar de ter construído um estádio novo, apesar de ter construído um centro de estágios, apesar de ter renovado o campo da Constituição, apesar de estar a terminar o pavilhão, cometeu um enorme erro.

Na minha opinião 6 pontos estragaram tudo e o Porto perdeu o respeito dos seus adversários porque não soube dar-se ao respeito.

Eu prefiro sinceramente nada ganhar do que a desonra que se abateu sobre o FC Porto.

Contudo, eu não sou dos que acha que o Porto conquistou todas as vitórias que enumerei por ser um clube corrupto ou porque comprou tudo e todos.

Eu não alinho na conversa do sistema que me parece, sobretudo, uma desculpa para quem não consegue ganhar em campo.

Estou convicto que o Porto ganhou o que ganhou porque ao longo destes anos foi melhor que o Benfica e porque tinha melhores equipas e melhores treinadores que os seus adversários.

O Porto chegou inclusivamente a ser Campeão Europeu com uma equipa que poderia ser a do Benfica.


O treinador era o do Benfica (Mourinho), os jogadores principais (Deco e Maniche) eram do Benfica, e depois o próprio Mourinho foi buscar Derlei e Nuno Valente ao Leiria e Paulo Ferreira ao Setúbal por meia dúzia de tostões. O sonho que se viveu no Porto podia, perfeitamente, ter sido vivido pelo Benfica.

Todos bem sabemos que Pinto da Costa definiu, há muito, o Benfica como alvo a abater. E nesse aspecto, há que admitir que o Benfica tem dado uma grande ajuda, com constantes tiros nos pés.

Não foi com certeza Pinto da Costa que elegeu presidentes como Manuel Damásio ou Vale e Azevedo.


Não foi Pinto da Costa que contratou, ao longo de anos, centenas de jogadores medíocres e treinadores sem qualidade, deixando fugir os principais talentos para os adversários directos.

O Benfica queixa-se muito do sistema, mas devia queixar-se sobretudo do seu sistema de gestão desportiva que tem sido miserável ao longo de todos estes anos.


No que diz respeito às arbitragens, que fique claro que eu não gosto dos árbitros portugueses e acho que eles são, na sua maioria, medíocres. Mas isso é consensual.

De facto, basta perguntar aos adeptos do Porto ou do Sporting se gostam dos árbitros que temos. Perguntem-lhes se não acham que os seus clubes são prejudicados pelos árbitros. Eles acham genuinamente que sim, como acham os adeptos dos clubes mais pequenos. No fundo acham todos. É que os árbitros, na sua generalidade, são francamente maus.

No entanto, não acho que sejam os árbitros a génese dos problemas do Benfica e a prova está aí à vista de todos.

Como já disse atrás, Rui Costa assumiu a pasta do futebol e o Benfica construiu logo uma melhor equipa que os seus adversários, tendo melhor plantel e melhor treinador que os demais, e os resultados apareceram de imediato. O Benfica tem já 4 pontos (no mínimo) de vantagem sobre o Porto e 5 sobre o Sporting.

Esse é o caminho. O caminho do conhecimento, do saber estar e da competência.

É por isso, e por muito mais motivos, que eu gosto tanto do Rui Costa!

Bruno Carvalho, 26/11/2008
in blog ‘Novo Benfica’

PS 1: A confirmar muito do que eu disse, o FC Porto qualificou-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões pelo 3º ano consecutivo, mesmo com a pior equipa dos últimos anos. Registe-se que, desde que existe Liga dos Campeões, é a 9ª vez que o Porto passa a fase de grupos, sendo que o Benfica apenas conseguiu tal feito uma única vez, com Ronald Koeman, na época 2005/2006.

PS 2: Questionado pela RTP sobre quem seria o melhor jogador da Liga Portuguesa, Pablo Aimar (outra vez lesionado!) respondeu que era Lucho González, jogador do FC Porto. Será que não chega de dar tiros nos pés? Não haverá ninguém no Benfica atento a estas coisas? Alguma vez alguém do Porto disse que o melhor jogador da Liga era o Simão Sabrosa? Não podia Pablo Aimar ter dito que era o David Suazo, o Reyes ou o Luisão? Ou até não poderia ter dito, com um sorriso, que era ele próprio? Tinha que dizer que era um jogador do Porto? Agora imaginem lá quem se ficou a rir…

Nota: As fotos, os links para outros artigos e os negritos no texto são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Foto do dia: Michel Platini


Monte Carlo, 26 de Agosto de 2004, sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões 2004/05

Foto: Alex Livesey/Getty Images

terça-feira, 16 de setembro de 2008

TAS iliba FC Porto e arrasa CD Liga e CJ da FPF

«No acórdão da sentença que determinou a participação do FC Porto na edição da Liga dos Campeões que hoje se inicia, o Tribunal Arbitral do Desporto destroça a UEFA e põe em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF.

O documento, que demorou todo este tempo a redigir - a decisão foi anunciada a 15 de Julho - chegou ontem aos clubes envolvidos, mas só trouxe motivos para ser bem recebido pelos dragões. No mínimo, a norma que o excluía da Champions vai a enterrar.

O painel de juízes do TAS nem chega a aprofundar a violação do princípio da retroactividade, ou seja, a decisão de excluir o FC Porto da Liga dos Campeões por actos ilícitos cometidos antes da existência dessa regra - uma das principais armas de defesa dos dragões.
Para o Tribunal Arbitral, o regulamento viola vários outros princípios, a começar pelo da proporcionalidade. Levada à letra, diz o TAS, a alínea d) do ponto 1.04 exclui perpetuamente os clubes que cometam actos ilícitos. Em lado nenhum, ressalvam os juízes, está determinado que a exclusão seja de um ano (ou dois, ou três) como pretendia o instrutor da UEFA no processo inicial.
Outra falha encontrada é a do desrespeito pelo princípio da igualdade de tratamento: os clubes só sofreriam a sanção coincidindo o ano da condenação com o ano do apuramento para a Champions. Sem apuramento, não há castigo.

Mas o TAS rapidamente põe de parte a norma, já feita em pedaços, por entender que nem é necessário discuti-la: o FC Porto não preenche os requisitos para ser castigado por ela. O painel afirma que os critérios não ficaram estabelecidos, mesmo que a UEFA pudesse decidir apenas com base na decisão dos órgãos portugueses.
"As duas decisões do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa", concluem os três juízes, "não demonstram com a certeza necessária que o FC Porto ou o seu presidente estiveram envolvidos em actividades ilícitas".
E, na opinião do TAS, mesmo que provassem, a UEFA tem meios para julgar a culpabilidade do FC Porto autonomamente e não pode estar vinculada às sentenças da Comissão Disciplinar ou do Conselho de Justiça.

O outro tema forte do Apito Final - se a condenação do FC Porto transitara ou não em julgado - foi considerado pouco importante pelo Tribunal, que no acórdão diz "perceber" a decisão de não recorrer tomada pela SAD portista, dada a irrelevância dos seis pontos perdidos. Até porque "ficou provado que o recurso do presidente aproveitava ao clube".

Para o tricampeão português, este acórdão pode ser o salvo-conduto que faltava, dado estar ainda no ar a possibilidade de uma futura exclusão da Champions. O TAS fica pelo menos comprometido com esta decisão, que terá forçosamente reflexos em hipotéticos recursos, mas o mais certo é que a UEFA retire, ou substitua, a alínea d) do ponto 1.04 dos regulamentos da Liga dos Campeões e da Taça UEFA. E uma nova redacção que possa afectar o FC Porto atingirá também Milan, Juventus, Fiorentina, Marselha, etc., etc.

Para além das custas do processo, que o TAS já endereçara a Benfica, Guimarães e UEFA na sentença resumida de 15 de Julho, cada um deles terá de pagar ao FC Porto dez mil euros para ajudar às deslocações e emolumentos dos advogados
in O JOGO, 16/09/2008



Em 15 de Julho, o TAS comunicou a sua decisão:
«Lausanne, 15 July 2008, The appeals filed by Benfica and Vitoria are dismissed by the Court of Arbitration for Sport (CAS). The full arbitral award with the grounds will be published at a later date.»

Na altura, o Mário Faria publicou um artigo onde refere:
«A Direcção, ultrapassada esta fase, deve passar à ofensiva. Ponderadamente, mas com firmeza. Queremos vingança: não podemos admitir que o nome do FCP seja humilhado em vão.»

Dois meses depois, surge a divulgação do acórdão do TAS, cujos termos e fundamentos são uma espécie de bomba atómica sobre as aspirações do SLB (a LC 2009/10 ficou muito mais longe) e, também, sobre a cruzada de pseudo moralização do presidente da UEFA.

Perante uma derrota tão estrondosa e esmagadora, é natural que nos lembremos dos "generais" envolvidos. Se do lado dos vitoriosos já falamos, em devido tempo, de Adelino Caldeira, do lado dos derrotados é inevitável destacar os "generais" Luis Orelhas e Michel Corleone Platini.
Mas o "exército" dos derrotados é vasto e, coitados, também têm direito que nos lembremos deles. Por isso, aqui vai uma pequena lista, com nome e "patente":
• Ricardo Costa, o justiceiro da Liga e mentor do 'Apito Final'
• Hermínio Loureiro, o sonsa que preside à Liga com um olho na FPF
• Bando dos Quatro, os vogais da golpada no CJ da FPF
• Cunha Leal, ex-agente do SLB na Liga de Clubes
Sílvio Cervan, benfiquista ressabiado do Porto e vice-presidente do SLB
• Fernando Seara, agente do SLB na BOLA e na SIC, ideólogo do regime vermelho
Leonor Pinhão, inspiradora e co-autora do livro da Carolina D'Arc
• João Botelho, marido da Leonor
• Octávio Ribeiro, Director do jornal oficioso do SLB (Correio da Manhã)
• Eduardo Dâmaso, Sub-Director do Correio da Morgado (perdão, da Manhã)
• Tânia Laranjo, “jornalista” da correia de transmissão, especializada em apitos...
• Eugénio Queirós, o geninho é “jornalista” do Record e marido da Tânia
• Marinho Neves, especializado em “Sistemas”, ex-assalariado de Dias da Cunha, vomita ódio anti-Porto na blogosfera
• Vitor Serpa, Director da "Biblia encarnada"
• João Querido Manha, comentador manhoso na comunicação social do regime
• Rui Cartaxana, conhecido no Porto como a "ratazana encarnada"
Domingos Amaral, filho de Freitas do Amaral, "jornalista", director da revista GQ e colaborador do Diário Económico
João Miguel Tavares, "jornalista" do DN
• Ricardo Araújo Pereira, humorista oficial dos encarnados


Finalmente, será agora que a Administração da FCP SAD irá reagir publicamente, apontar a dedo os "bois pelos nomes" e, no que for possível, exigir responsabilidades a quem enxovalhou o nome do FC Porto na praça pública?

Fotos: O JOGO


P.S.1 Quem quiser pode fazer o download do acórdão (é um PDF com 30 páginas) no website oficial do TAS.

P.S.2 Os itálicos e negritos são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O Senhor PGR e Monsieur Platini


1) A PGR abriu as hostilidades ao decidir pela reabertura dos processos arquivados relativamente ao FCP, depois do testemunho credível de Carolina, segundo os procuradores de serviço;

2) A PGR criou um “dream team” para investigação e preparação do libelo acusatório;

3) A PGR deu o ok à acusação, assinando por baixo, relevando o valor testemunhal em detrimento do “julgamento” dos juízes que tinham mandado arquivar os processos. O Estado, por via da PGR, tomou partido e comprometeu-se;

4 ) O CD da Liga, com a “bênção” da PGR e do Dr. Vital Moreira, e sob a pressão do SLB e da opinião publicada, decidiu condenar o FCP e PdC. Não acho que tenham corrido riscos. A condenação há muito estava tomada: bastou seguir o guião;

5) A UEFA suspende o FCP da CL e o FCP recorre. O SLB e o VG são chamados como parte interessada. Estranho comportamento da UEFA ao chamar à colação clubes estranhos ao processo. Os benefícios de terceiros, a ocorrerem, deveriam ser consequência do julgamento do FCP e sem intromissão de qualquer outra instituição que não fosse a FPF;


6) Muito embora a delação seja um acto vergonhoso, em tempo de guerra não se limpam armas e vale tudo. E no futebol, por maioria de razão. A UEFA e Platini, com a declaração repetida de ataque à batotice e subliminarmente ao FCP batoteiro, travestiram o jogo sujo do SLB+VG em jogo limpo, e aceitaram o vil ataque em nome da defesa da verdade desportiva;

7) E não é que todos esses “safados” querem que a gente acredite que são os campeões da verdade e da lealdade desportiva!?


Concluindo: A PGR e a UEFA são os principais responsáveis pelo encaminhamento deste processo, dentro e fora das nossas fronteiras, respectivamente. São os seus autores. O resto são actores de segunda, cada qual cumprindo o seu papel. Triste papel, a maior parte das vezes. Um jogo de marionetes, condimentado com os ingredientes do costume: a ambição, o reconhecimento, o benefício, a subserviência, o poder e o medo do poder. PdC (e o FCP) vieram mesmo a calhar para todos eles. Madaíl, Hermínio, Ricardo Costa & e Cia jogam com cartas marcadas. Sendo, assim, só esperam ganhar.

Que o diga o procurador Carlos Teixeira, responsável pelo processo AD, que foi promovido – com “nota” excepcional – e destacado para a Madeira. O Alberto João que se cuide.

Finalmente, é meu entendimento que o FCP só chegará à CL se o efeito de retroactividade não for aplicável na regra (na lei) da UEFA, conforme é prática corrente na maioria dos códigos penais.