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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Hubris

"Hubris": excessive pride or self-confidence


14 vitórias e 1 empate em 15 jogos oficiais.
Vitórias convincentes, algumas de forma brilhante (e 11 delas por mais de 1 golo de diferença).
39 golos marcados e 8 sofridos (uma média de 2,6 e 0,5 por jogo, respectivamente).

Temos todas as razões para estar orgulhosos e confiantes; sinceramente não me recordo de um início de época idêntico, e já sigo o FCP há mais de 30 anos.

A equipa joga e ganha de forma convincente; respira saúde e confiança. O (muito jovem) treinador passou os testes iniciais com elevada distinção; assinalo que o aproveitamento da "matéria prima" (jogadores) deu um claro salto qualitativo - repare-se que da equipa inicial de 2a feira, só Moutinho (no lugar de Meireles) não estava lá há um ano.

No ano passado houve uns quantos portistas que afirmavam que tínhamos que escolher entre "jogar mal, e ganhar" e "jogar bem, ou perder". Pois muito bem, está demonstrado (como se tal fosse necessário) que essa era uma falsa escolha. Chamem-me maluco, mas acredito claramente que quanto melhor se joga, maior a probabilidade de ganhar... e como bónus, mais motivados os jogadores se sentem.

O caso de Hulk é paradigmático do maior aproveitamento da "matéria prima", mas não é o único; se há um par de meses ele me deixava algumas dúvidas de que pudesse dar um salto qualitativo (apesar de já o ter então em muito boa conta), hoje demonstra ser um jogador diferente do passado, para melhor: mais objectivo, e jogando muito mais em prol da equipa (o que não impede de tomar iniciativas individuais quando tal se justifica, como deve ser).

Assim sim, pode de facto realizar o seu enorme potencial. Mérito para ele (e tiro-lhe o chapéu) e para o treinador, não só pelo "trabalho" individual mas também pelo trabalho colectivo que potencializa a valia deste jogador: longe vão os tempos em que a maior parte dos passes para Hulk eram feitos a 20 ou 30m de distância, ou em que se sentia bastante desapoiado pelos colegas.

Mas se a situação actual e recente é motivo de júbilo e confiança, não podemos (nem - acima de tudo - os jogadores) deixarmo-nos entrar em euforias e excesso de confiança. Haverá certamente pontos ainda a melhorar (há dois pontos em particular que me merecem atenção: alguma oscilação na segurança defensiva - em particular nas alas -e dúvidas sobre até que ponto Walter poderá colmatar uma eventual ausência de Falcão) ; ainda temos 75% dos jogos do campeonato pela frente ("a procissão ainda mal saiu do adro"); e haverá certamente algumas vicissitudes pelo caminho (lesões, algo em que AVB está a ter a sorte que JF não teve há um ano atrás; longas viagens à América do Sul para jogos de selecções; arbitragens, etc).

Há portanto que continuar com os pés bem assentes na terra, sempre com uma mentalidade de melhoramento contínuo (no que diz respeito ao trabalho do treinador e jogadores). Disfrutemos deste bom futebol e das vitórias, sem dúvida, mas passo a passo, jogo a jogo.

Agrada-me verificar que AVB é o primeiro a dizê-lo, e não me parece que o diga apenas porque lhe fica bem, mas sim por convicção. Este adepto agradece; não só pela "ópera", mas também por isto.