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terça-feira, 2 de junho de 2015

O ranking dos “títulos”

Apesar do muito bom desempenho na Liga dos Campeões (o melhor de uma equipa portuguesa desde 2003/2004), esta época o FC Porto não ganhou qualquer uma das quatro competições oficiais que disputou.

Ora, se o facto do melhor clube português dos últimos 40 anos não ganhar o campeonato já é notícia, quando “não ganha nada” isso é motivo para muita conversa e inúmeras páginas de jornais (dos mesmos jornais que ignoram ou minimizam as conquistas dos dragões, mas isso é outra conversa… ).

Entre os azuis-e-brancos que “não ganham nada” e os encarnados que “ganham (quase) tudo”, era inevitável que voltasse à agenda mediática o tema do número de títulos conquistados, tal é a ânsia de colocar no topo o “mais melhor clube do Mundo e arredores”.

Contudo, como é mais do que óbvio, uma Taça da Liga não tem o mesmo valor que um Campeonato, da mesma maneira que uma Liga Europa não tem o mesmo valor que uma Liga dos Campeões.


Assim sendo, mais do que o ranking dos títulos conquistados (em que uma tacinha da liga conta tanto como uma liga dos campeões), faz muitíssimo mais sentido falar num ranking de títulos ponderado, em que seja atribuído um determinado peso a cada competição.

Naturalmente, atribuir “pesos” às diferentes competições, nacionais e internacionais, é um exercício subjectivo, mas eu procurei fazê-lo com alguma objectividade. Assim, para atribuir o peso de cada competição, levei em conta cinco critérios de avaliação:

* Título oficial atribuído a quem ganha a competição
* História, tradição e prestígio da competição
* Notoriedade nacional/internacional da competição (ao nível dos media)
* Receitas e prémios monetários proporcionados pela competição
* Grau de dificuldade do trajecto necessário para ganhar a competição


Legenda da pontuação:
5 - Excepcional / Fabuloso
4 - Muito Bom
3 - Bom / Elevado
2 - Médio / Razoável
1 - Medíocre / Fraco
0 - Mau / Nulo

Com esta ponderação, o ranking dos “títulos” é o seguinte:



Dificilmente haverá alguém que esteja inteiramente de acordo com os pesos que eu atribuí a cada competição, mas se estiverem de acordo com o princípio seguido e, principalmente, que é um completo absurdo somar taças da liga ou supertaças com campeonatos, já não será mau.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Arquivos dos últimos 25 anos

O treinador do FC Porto limitou-se a dizer aquilo que o instruíram a afirmar. Mas como só chegou este ano ao futebol português, o melhor conselho que lhe posso dar é pedir à sua entidade patronal para ter acesso aos arquivos dos últimos 25 anos e aí ele talvez ficasse a perceber bem o que é favorecimento no âmbito do futebol português
José Eduardo Moniz, vice-presidente do SL Benfica e administrador da Benfica SAD, em declarações ao programa ‘Bola Branca’, da Rádio Renascença

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Meu caro José Eduardo (posso tratá-lo assim?),

Antes de mais nada, gostaria que satisfizesse a minha curiosidade.

Lembra-se dos ‘broches’ de A BOLA, a propósito da sua abortada candidatura à presidência do SL Benfica? Já fez as pazes com o José Manuel Delgado?

Lembra-se daquilo que você próprio disse, acerca da época 2010/2011 (publicado no Correio da Manhã, de 9 de Abril de 2011)?

José Eduardo Moniz (Correio da Manhã, 09-04-2011)

E lembra-se daquilo que escreveu no final da época 2011/2012 (publicado no Record, de 1 de Maio de 2012)?

José Eduardo Moniz (Record, 01-05-2012)


Mas já que quer desenterrar os arquivos dos últimos 25 anos, vamos a isso.

A propósito de favorecimentos, no âmbito do futebol português, sabe qual é a primeira coisa que me ocorre?

Elefante Branco! Já lá foi? Já ouviu falar? Há cada estória… Tenho a certeza que você ia gostar…

Outra coisa que está no top das minhas lembranças é uma afirmação do seu presidente, feita em 2003, a propósito da contratação de Jankauskas (ex-jogador do seu clube) pelo FC Porto: “são mais importantes os lugares na Liga do que contratar bons jogadores
Lindo, não acha? Cá entre nós, o que será que o Luís queria dizer com isto?…

E, claro, quem é que não se lembra da “extraordinária” atuação do benfiquista Bruno Paixão em Campo Maior (na época 1999/2000)?

E, uns anos depois, quem não se recorda do “gato das botas”, como ficou conhecido o árbitro benfiquista Hélio Santos, após o seu “brilhante” desempenho no estádio do Algarve (época 2004/2005), no âmbito de um processo mais vasto – o ‘Estorilgate’?

Depois vieram tempos mais sombrios, com armadilhas montadas no túnel da Luz, bem como, as célebres imagens captadas umas horas antes de um SL Benfica x FC Porto, onde é possível ver elementos do seu clube a levantarem o ângulo de uma das câmaras. Espectáculo!

E, finalmente, embora os seus telemóveis nunca tenham estado sob escuta (quem é que tem coragem de colocar o presidente da "instituição" sob escuta?), as escutas esquecidas. Sim, no âmbito de escutas feitas para apanhar terceiros, soube-se das preferências de Luís Filipe Vieira por determinados árbitros (em 2004, Paulo Paraty e João Ferreira estavam à cabeça), dos “favorzinhos” solicitados por José Veiga ao presidente dos árbitros e das manobras de bastidores e influências de João Rodrigues. Tudo muito transparente e, evidentemente, em prol da verdade desportiva…

Mas, verdadeiramente, do que eu me lembro é disto…

Museu do FC Porto - Troféus Internacionais

Se o José Eduardo quiser, terei todo o gosto em o convidar e servir de cicerone numa visita ao Museu do FC Porto onde, entre dezenas de troféus conquistados nas últimas três décadas, poderá ver:

- uma Taça dos Clubes Campeões Europeus (época 1986/1987);
- uma Supertaça Europeia (época 1987/1988);
- duas Taças Intercontinentais (épocas 1987/1988 e 2004/2005);
- uma Taça UEFA (época 2002/2003);
- uma Liga dos Campeões (época 2003/2004), competição que, neste formato, nunca foi ganha por nenhum outro clube português;
- uma Liga Europa (época 2010/2011).

Que tal? Acha que estas taças foram roubadas? Como é que, de 1987 a 2011, o FC Porto terá ganho todos estes troféus internacionais?

Caro José Eduardo Moniz, ajude-me. Quantos troféus internacionais (oficiais!) é que o seu clube ganhou nos últimos 25 anos? 30 anos? 35 anos? 40 anos? 50 anos?

Nota: Clique nas imagens para as ampliar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma máquina de faturar dinheiro e títulos?

Com a devida vénia, reproduzo a seguir um artigo de opinião do jornalista João Tiago Figueiredo, publicado do site Maisfutebol, o qual, para além da pertinência (incide no modelo de gestão adoptado pela FC Porto SAD no pós-Gelsenkirchen versus a expectativa dos adeptos), me parece poder suscitar uma boa discussão e reflexão portista.

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Em 2004, numa das mais deselegantes declarações da carreira, José Mourinho anuncia a saída do FC Porto no flash-interview da conquista da Liga dos Campeões. A forma surpreendeu, mas a mensagem já era esperada.

Tanto que, pouco depois, o Dragão novinho em folha despede-se de Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Novamente sem grande surpresa e alarido. Encaixa sensivelmente 70 milhões. Feitas as contas, perdeu treinador, viu sair referências mas encaixou dinheiro. Muito dinheiro.

Sobreviveu a um trágico ano de rescaldo e voltou a ganhar, internamente e na Europa, sempre com base no modelo nascido naquele verão: comprar, afinar, vender.

Tornou-se uma máquina de faturar. Dinheiro, mas também títulos. Desde aquela noite em Gelsenkirchen venceu sete campeonatos em nove. Uns mais facilmente, outros menos. Uns a jogar melhor, outros com menor fulgor.

zerozero, 21-05-2013
Fruto de uma forma peculiar de ver futebol e de uma exigência, muitas vezes, exacerbada, o domínio portista nem sempre trouxe a paz que seria expectável. Basta, para isso, lembrar que, desde José Mourinho, não houve um único treinador consensual a liderar a nau portista.

É certo que Villas-Boas o foi, mas apenas enquanto estava na sua cadeira de sonho. A forma inesperada como deixou o clube foi traumática. E o estado de graça esvaiu-se.

Antes e depois, nunca houve consenso.

Co Adriaanse venceu campeonato e Taça de Portugal no mesmo ano. Criou Pepe, fez explodir Quaresma, lançou Helton, inventou Paulo Assunção. Saiu por ser aquilo que o FC Porto lhe pediu: exigente e rígido.

Jesualdo Ferreira venceu três campeonatos em quatro e passou sempre a fase de grupos da Champions. Afinou Bosingwa, descobriu Fernando, transfigurou Bruno Alves, potenciou o melhor Lisandro de sempre e deu escola a Hulk e Falcao. Não chegou.

Vítor Pereira perdeu um jogo em dois campeonatos, jogando praticamente todo o primeiro sem ponta-de-lança. Pelo meio mostrou Mangala, poliu James e ajudou Alex Sandro a fazer com que hoje ninguém se lembre de Álvaro Pereira. Também foi de menos.

Veio Paulo Fonseca e, meio ano depois, a sentença está dada: mesmo que ganhe, não agrada. Percebeu-se quando, após a primeira derrota na Liga, (quase) os mesmos jogadores que estiveram na festa de maio foram recebidos com tochas, insultos e petardos no Dragão. Uma pressão sem sentido e sem efeito. Alguém viu uma melhoria depois daquela noite de Coimbra?

Se a solução fosse trocar (outra vez) de treinador, a mesma estaria, acredito, tomada há muito. Se o FC Porto não o fez é porque sabe que o problema é outro. Há desejos distintos e só os adeptos querem títulos e ponto. Jogadores querem ganhar mais. Treinador quer manter o emprego. Direção quer lucro para que toda a pirâmide seja sustentável.

E se a estrutura ceder (é preciso lembrar que o FC Porto está em quatro frentes com hipóteses de vencer todas) a interrogação mais forte não estará sobre o treinador, o duplo-pivot ou na aposta neste ou naquele central. Estará num onze claramente abaixo dos últimos anos e no modelo criado a partir de 2004.

Record, 10-04-2012
É, naturalmente, descabido anunciar a sua falência quando, ainda no último verão, 75 milhões entraram nos cofres portistas. Mas exigirá reflexão. O emblema é igual mas tem o mesmo significado quando os craques, que eram de uma vida, são só para uma ou duas épocas? Por muita paixão que haja, que sentido faz celebrar uma venda milionária com a consciência que a equipa ficará enfraquecida?

As estadias são cada vez mais curtas e já é impossível esconder que os jogadores chegam com a ideia que entraram numa ponte que há de desaguar em algum lado. Alguém se lembra, por exemplo, do período em que Jackson não falava em sair? Está em Portugal há ano e meio…

O FC Porto precisa, por isso, saber o que quer. E explicar. Porque com títulos sonham todos, mas só consolam os adeptos. Dez anos depois da saída de Mourinho, o FC Porto vive um novo desafio: pedir para suar a camisola já é de mais. É preciso primeiro convencer a vesti-la de corpo e alma.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Os burros e o consulado de Vieira

«Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que se deixam contentar com dois campeonatos e uma taça enquanto o leitor enche pneus de inveja com os títulos nacionais e internacionais do FC Porto.»


Luís Filipe Ferreira Vieira foi eleito em 3 de Novembro de 2003, como 34º presidente do slb, mas desde Outubro de 2000 que é o homem forte do futebol encarnado. De facto, após as eleições em que Manuel Vilarinho derrotou João Vale e Azevedo (entre as promessas eleitorais constava a contratação de um tal de Jardel, contratação que acabou por não se realizar e que valeu a Vilarinho a instauração de um processo por parte do goleador brasileiro), Vieira assumiu a presidência da SAD e, desde logo, um enorme protagonismo no clube do regime.

Os resultados, até agora, foram estes:


Olhando para a infografia anterior (fonte: Record), o que mais impressiona não é o facto de, no século XXI, o FC Porto ter conquistado mais títulos internacionais do que campeonatos e taças de Portugal ganhas pelo slb (foram os árbitros…). O mais incrível é o facto de, neste mesmo período, correspondente ao consulado do leitor, um clube/SAD em pré-falência - o SCP - ter melhor palmarés que o slb de Vieira.


«Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que ainda levam a sério o leitor. Em 2003: “O Benfica será mais forte do que o Real Madrid”. Em 2005: “Vamos arrasar na Europa”. E em 2006: “Depois do Verão, seremos o maior clube do mundo”. Largos dias têm os Invernos….»
in ‘Os burros e a mudança’

Nota: A infografia foi feita antes da final da Taça de Portugal e, daí, faltar o troféu ganho pela Académica.

sábado, 4 de junho de 2011

Conspiração internacional

Ele é o reconhecimento das mais altas instâncias da UEFA...






... a Taça Latina que não conta para a FIFA...




... o ranking de final de época do IFFHS...


Nota: Neste ranking, o slb está em 40º, 10 lugares abaixo do SC Braga.

Isto é tudo muito suspeito. Cheira-me a conspiração internacional contra o slb...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O simbolismo deste 69...

Nos dias seguintes à vitória dos dragões na Taça de Portugal, a comunicação social lisboeta (A Bola, Record, SIC e TVI, pelo menos estes) deu amplo destaque ao facto do FC Porto ter “igualado” o slb em títulos: 69 – 69, disseram eles.
É falso! Foi mais uma manipulação grosseira de uma comunicação social sem vergonha, que nunca se cansa de andar com o clube do regime ao colo, mesmo que para isso seja preciso mentir e/ou meter a ética jornalística e o código deontológico na gaveta.

Por mais deturpações e invenções que esta ridícula comunicação social centralista faça, a realidade dos factos é incontornável: o slb tem 68 títulos (e não 69) em provas oficiais organizadas/reconhecidas pela FPF, UEFA ou FIFA, requisito que uma tal Taça Latina (ganha pelo slb em 1949/50) não reúne.


Sobre isto, na entrevista que concedeu à RTP na passada segunda-feira, Pinto da Costa deu a este tema uma importância reduzida, mas aproveitou para pôr o dedo na ferida: “Não sabia que existia essa polémica, mas incluir uma Taça Latina, prova que acontecia por convite, em simultâneo com outras, não me parece relevante. Isso para mim não é um problema. O que nos interessa é ir ganhando títulos. O que eles [slb] ganharam no passado é História e de História não percebo muito.”

É um facto que o palmarés mais relevante do slb é de há 40-50 anos atrás (década de 60 do século XX), enquanto que o do FC Porto é do passado recente mas, para além disso, uma contabilidade de troféus oficiais em que uma Liga dos Campeões conta tanto como uma Taça da Liga não faz qualquer sentido.



O 69º título ganho pelo FC Porto tem um simbolismo especial (acrescido pela polémica criada pela comunicação social lisboeta), mas é um disparate total contabilizar da mesma maneira (com o mesmo peso) provas cujo historial, prestigio, impacto mediático, retorno financeiro e grau de dificuldade é completamente distinto.

Levando em conta todos estes aspectos, eu valorizaria as diversas competições disputadas por equipas portuguesas da seguinte maneira:
1 Liga dos Campeões = 3 Taças dos Campeões Europeus
1 Taça dos Campeões Europeus = 10 Campeonatos
1 Taça UEFA = 2 Campeonatos
1 Liga Europa = 1 Campeonato
1 Supertaça Europeia = 1 Campeonato
1 Taça Intercontinental = 1 Campeonato
1 Campeonato = 5 Taças de Portugal
1 Campeonato = 10 Supertaças
1 Campeonato = 20 Taças da Liga

Mas, independentemente de contabilidades mais ou menos criativas, há algo que é indiscutível: o FC Porto é, de longe, o clube português com melhor palmarés internacional e o que tem maior prestigio além fronteiras. Não foi certamente por acaso, que a generalidade da comunicação social estrangeira encarou com naturalidade o “passeio” dos dragões pela Liga Europa desta época, afirmando que o FC Porto estava a disputar a competição errada, visto ser um clube da Liga dos Campeões.

Agora, que os benfiquistas se contentem em contabilizar Taças da Liga, Taças Latinas e, quiçá, Torneios do Guadiana e Eusébio Cups, isso é algo que a mim não me preocupa minimamente.

P.S. Ontem, em resposta à agência Lusa, o departamento que gere as bases de dados da FIFA esclareceu que a Taça Latina de futebol "não merece o reconhecimento oficial" do organismo e que a FIFA "nunca se referiu aos vencedores da Taça Latina em quaisquer das suas publicações".
O mesmo departamento acrescentou que a Taça Intercontinental é reconhecida oficialmente pela FIFA "desde a sua criação", em 1960, mesmo quando passou a chamar-se Taça Toyota, a partir de 1980.