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sábado, 8 de novembro de 2014

O jogo com o “2º classificado”

Na passada quinta-feira, ao fim da tarde, quando ia a caminho de casa, sintonizei a Antena 1 e ouvi a parte final do relato do Dinamo Moscovo x Estoril (jogo para a fase de grupos da Liga Europa).

O Estoril perdeu por 0-1 mas, de acordo com o jornalista e o comentador da Antena 1, o resultado mais justo seria o empate, ou mesmo a vitória do Estoril, que terá feito uma exibição personalizada e teve mais oportunidades de golo que o próprio Dinamo.

Contudo, mais do que destacar a (boa) exibição do Estoril, na casa de uma equipa russa cujo orçamento ronda os 150 milhões de euros, no final do jogo, o que mais preocupava o comentador da Antena 1 – José Nunes –, era o desgaste dos jogadores do Estoril e a longa viagem de regresso que teriam de fazer porque, domingo (amanhã) à noite, teriam de voltar a jogar contra o… 2º classificado do campeonato português.

Discorrendo vários minutos sobre o assunto, o comentador da Antena 1 questionou, de forma implícita, a opção de José Couceiro em ter feito alinhar em Moscovo aquele que, teoricamente, seria o melhor onze do Estoril (fiquei sem perceber se, para José Nunes, o treinador do Estoril deveria ter poupado alguns jogadores para o embate contra o FC Porto… perdão, contra o 2º classificado do campeonato português).

E também questionou o facto do Estoril ter, apenas, um intervalo de três dias entre o final do jogo da Liga Europa e o jogo do campeonato contra o FC Porto, como se isso fosse inédito (por acaso, é algo que ocorre com todas as equipas europeias que disputam a Liga Europa… ) e esquecendo-se de dizer, que três dias de intervalo entre dois jogos é, precisamente, o prazo regulamentar.

Vendo (ouvindo) este tipo de “preocupações”, eu imagino o que José Nunes (que também participa em programas de debate na RTP Informação) diria, se o Estoril fosse um clube que tivesse uns 10-12 jogadores internacionais, os quais, após serem convocados pelas respectivas seleções, regressassem ao clube na véspera de jogos importantes.

Mas eu percebo, ó se percebo, que os “Josés Nunes” deste país estejam mais preocupados com o Estoril x FC Porto do que com a campanha europeia do Estoril.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Parabéns Beto!






P.S.1 A RTP 1, a SIC e a TVI, que passaram o dia com uma programação de alienação colectiva centrada no Benfica, que interromperam os telejornais no intervalo do SL Benfica x Sevilha (entre as 20:30 e as 20:45), para fazer directos em locais onde se encontravam benfiquistas a assistir à Final, quando o jogo acabou puseram no ar… telenovelas.

P.S.2 A RTP, uma empresa 100% pública, paga pelos contribuintes portugueses, enviou quatro (!) jornalistas para Turim (Carlos Daniel, Noé Monteiro, Alexandre Albuquerque e outro que não fixei o nome), mais os respectivos operadores de câmara e um manancial de meios humanos e técnicos de apoio. Durante um telejornal, cheguei a ver três destes jornalistas a entrarem em directo (um estava nas imediações do estádio, outro à porta do hotel onde ficou o SLB e o terceiro andava pelas ruas de Turim a entrevistar benfiquistas). E tudo isto, quando a televisão que detinha os direitos de transmissão da Liga Europa era a SIC.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Quaresma no Mundial do Brasil? Obviamente!

No passado dia 25 de Março, no “Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Paulo Bento foi questionado por Carlos Daniel se ia convocar Fernando e Quaresma.
É estranho, ou talvez não, que o benfiquista mais conhecido de Paredes, no papel de moderador de um painel, apenas se preocupe com os nomes de dois jogadores do FC Porto. Atendendo à inquestionável valia dos jogadores portistas, não seria muito mais lógica a dúvida em torno da convocação dos benfiquistas Rúben Amorim ou Ivan Cavaleiro?

Paulo Bento, com muita tranquilidade, respondeu: “Pode ser, está longe. Eu se calhar só faço a convocatória no dia 19 de manhã. Vou dormir no dia 18 a pensar nisso. Depois se vai Quaresma, se vai Fernando, se vai Miguel, se vai William, se vão outros, logo veremos”.

“Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Maia, 25-03-2014


CR7 à parte e com Nani sem jogar (regularmente) há muitos meses, não vejo, atualmente, que haja algum ala/extremo português em melhor forma do que Quaresma.

Contudo, há um “jornalista” da RTP Porto, que há anos vomita anti-portismo por todos os poros, a querer crucificar Ricardo Quaresma por causa dos incidentes no final do Nacional x FC Porto (os quais, saliente-se, não envolveram o trio de arbitragem, nem qualquer tipo de agressão entre jogadores que seja visível nas imagens televisivas).

Ora, apesar dos esforços deste recadeiro e das pressões, mais ou menos óbvias, para Paulo Bento não convocar Quaresma (e Fernando!), eu não acredito que o selecionador nacional, cujo passado disciplinar na Seleção Portuguesa de Futebol é sobejamente conhecido, use este episódio como pretexto para não incluir Quaresma no lote de 23 jogadores que irá convocar para o Mundial do Brasil.

Eu não tenho memória curta e ainda me recordo do que se passou no França x Portugal, do Europeu de 2000…

«A Comissão de Disciplina da UEFA anunciou domingo o castigo aos jogadores portugueses envolvidos nos incidentes que se verificaram no final do jogo contra a França [meia-final do Europeu 2000].
Abel Xavier ficará afastado de toda a actividade internacional por nove meses, Nuno Gomes tem uma suspensão de oito meses e Paulo Bento estará de fora durante seis meses. Além disso, a Federação Portuguesa de Futebol foi castigada com 175 mil francos suíços, pouco mais de 20 mil contos. (…)
Durante o período em causa, os jogadores não poderão defender as camisolas dos seus clubes em jogos internacionais nem a da selecção nacional no Mundial que, sendo uma competição da FIFA, adopta todas as sanções da UEFA por uma questão de delegação. (…)
O relatório do quarto árbitro, o escocês Hugh Dallas, acerca do qual se especulava ter sido agredido com um murro nas costas por um jogador português, não teve qualquer influência na decisão final, já que Dallas não foi capaz de reconhecer o autor dessa alegada agressão. (…)
O comunicado da UEFA, de resto, especifica aquilo que fizeram os jogadores portugueses. Começa por dizer que Benko e o seu primeiro assistente (o eslovaco Sramka, que assinalou o “penalty” de Abel Xavier) foram empurrados e pressionados por jogadores nacionais, “sofrendo contusões e arranhões de monta”. Diz o comunicado: “o quarto árbitro, que tentou proteger os colegas, foi também pressionado, empurrado pelas costas e agarrado pelas roupas”. E, até mesmo a marcação da grande penalidade, refere a UEFA, só foi possível porque Humberto Coelho “interveio para acalmar os seus jogadores”.

Paulo Bento no EURO 2000

Continuando a seguir o comunicado da UEFA, os incidentes ter-se-ão prolongado depois do golo marcado por Zidane. “Quase todos os jogadores portugueses correram em direcção ao árbitro assistente, que foi empurrado e insultado”, lê-se. E depois vêm as referências concretas aos três punidos: “Nuno Gomes deu ao árbitro um violento empurrão no peito e Abel Xavier agarrou-lhe o braço. O árbitro mostrou então o cartão vermelho a Nuno Gomes e Paulo Bento tentou tirar-lhe o cartão, segurando-lhe o braço.” E termina: “Nuno Gomes despiu então a camisola e mandou-a ao árbitro assistente.”
Da leitura do comunicado, que refere ainda que “um jogador não identificado cuspiu no árbitro assistente” (…)»
in record.pt, 3 julho de 2000 | 02:26

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fernando, a RTP e a catástrofe anunciada



Na passada terça-feira à noite, assisti a parte de um programa sobre futebol na RTP (des)Informação, onde pude ouvir dois jornalistas/comentadores, no caso Bruno Prata e Carlos Daniel, supostamente donos da verdade, a discorrerem, com um ar quase constrangido, sobre a forma “incompetente” como os responsáveis do FC Porto tinham tratado dos casos de Otamendi e Fernando.

O caso do Fernando, então, era quase inexplicável. A RTP sabia (sabia!) que o melhor médio defensivo do campeonato português, um jogador considerado insubstituível por todos os comentadores presentes no programa (alguns dos quais torcem o nariz à possibilidade de Fernando ser chamado por Paulo Bento à Seleção da FPF...), ia ser colocado a treinar à parte e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, por se ter recusado a renovar.

Não sei porquê, mas desconfio que no programa 'Grande Área' da próxima terça-feira (e nos outros programas de discussão futeboleira), os “casos” Otamendi e Fernando vão deixar de fazer parte da agenda...

P.S. Na quarta-feira, dia 5 de Fevereiro, quando os ecos me(r)diáticos da novela Fernando estavam no auge, escrevi o seguinte num e-mail enviado a um grupo de adeptos portistas:
«Estou convencido que o Fernando vai continuar a jogar, sairá do FC Porto em Junho e a SAD encaixará alguns milhões de euros em mais-valias. Outros cenários que não este serão, para mim, uma surpresa.»

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Acabar com as condutas manhosas

«Em 35 anos, esta é a quinta vez que inicio funções na redação do Record. Em 1978, com Monteiro Poças, fui estagiário. Em 1986, com Rui Cartaxana, desenvolvi o primeiro espaço regular sobre futebol internacional. Em 1994, com João Marcelino, regressei para participar na grande transformação em jornal diário e integrei as direções até 2003, também com José Manuel Delgado. Em 2004, com Alexandre Pais, iniciei um ciclo como colunista que durou até há poucas semanas.»
João Querido Manha
in Record, 19-07-2013


O diretor do Record deixou de ser Alexandre Pais (um assumido adepto do Belenenses com uma certa simpatia pelo slb) e o lugar passou a ser ocupado por um homem da casa, que também era cronista do Correio da Manhã e comentador da CM TV.

Acho bem. Detesto fingimentos e, com “talibans encarnados”, como são os casos de Octávio Ribeiro e João Querido Manha, na direção do Correio da Manhã e Record respectivamente, a estratégia e politica comunicacional do grupo Cofina fica muito mais clara.

Esta clarificação no Record, junta-se à transferência do ano nos media portugueses, anunciada há umas semanas atrás: Hélder Conduto, coordenador do Desporto da RTP, vai sair da estação pública para passar a chefiar a redação da benfica TV.
É sempre positivo quando as pessoas deixam de ter vergonha e assumem aquilo que realmente são. Desse modo, pelo menos evitam ser criticadas por condutas manhosas

Neste período das trevas, em que grande parte da comunicação social portuguesa (lisboeta!) é “comandada no terreno” por fundamentalistas encarnados (José Manuel Delgado, Octávio Ribeiro, João Querido Manha, ...), com uma visão do futebol português toldada pelo ódio ao FC Porto, é reconfortante constatar que o Porto Canal é um projeto diferente, que caminha em sentido contrário, numa lógica de abrangência e que desperta simpatias em pessoas e zonas do país onde isso parecia pouco provável.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Caiu a máscara ao Bruno Prata



29 Janeiro 2012
A seguir ao Gil Vicente x FC Porto (3-1) da época passada, em que a arbitragem de Bruno Paixão fez lembrar um célebre jogo em Campo Maior, Bruno Prata escreveu o seguinte no PUBLICO:

«(…) O FC Porto terminou a primeira parte com razões de queixa da arbitragem de Bruno Paixão, que não assinalou um penálti contra o Gil Vicente (Defour foi atingido por Daniel, aos 23’) nem anulou o lance (Pedro Moreira centrou em posição de fora de jogo) que terminou com a grande penalidade (bem assinalada, por braço na bola de Otamendi) que permitiu aos gilistas aumentar a diferença para dois golos mesmo antes do intervalo. No início da segunda parte ficou ainda por assinalar um outro penálti a favor do FC Porto, quando Kléber é derrubado pelo guarda-redes Adriano. Mas a equipa portista deve principalmente queixar-se de si própria. (…)»

Ou seja, aos 23’, a perder por 0-1, o FC Porto viu-lhe negada pelo árbitro uma grande penalidade indiscutível. Em cima do intervalo, o Gil Vicente marcou o seu 2º golo numa jogada precedida por um fora-de-jogo evidente (mesmo à frente do árbitro assistente). E, como se não bastasse o que se tinha passado na 1ª parte, no início da segunda ficou mais um penalty por marcar a favor do FC Porto.
Apesar das consequências óbvias que este conjunto de más decisões da arbitragem teve no desenrolar do desafio, para Bruno Prata a equipa portista devia principalmente queixar-se de si própria.
Mas, o melhor de tudo foi o título que escolheu para a sua crónica do Gil Vicente x FC Porto:
«FC Porto tinha perdido até com uma arbitragem competente».
Fantástico!


7 Outubro 2012
Título da crónica do FC Porto x SCP publicada pelo PUBLICO:
«Quinze minutos de recital e erros arbitrais»

«No Dragão, os golos caíram na baliza do Sporting como folhas no Outono, com cadência regular, um em cada parte. E foram a expressão inequívoca do domínio exercido pelo FC Porto, da impotência dos “Ocean’s Eleven” e de alguns equívocos arbitrais. Com excepcão do período inicial, não houve, no entanto, uma soberba lição futebolística e o jogo acabou por ficar marcado por algumas polémicas e teatros (dois penáltis mais do que duvidosos). (…)
A segunda parte foi um exercício geométrico, muitas idas e voltas, muita pólvora seca, mas com saldo nulo. O Sporting surgiu mais afoito, mas o FC Porto podia ter resolvido tudo se Lucho não tivesse disparado ao poste, aos 55’, na marcação de um penálti duvidoso (ficou a ideia que Cédric não teve a intenção de tocar a bola com a mão).
(…) mas tudo ficou decidido quando James fez o 2-0, em mais um penálti duvidoso (não ficou claro o agarrão de Boulahrouz a Jackson). Um bom general deve não apenas conhecer o modo de vencer, mas também saber quando a vitória é impossível. Ontem, Oceano não teve tropas e ainda teve contra si o árbitro

Sabem quem escreveu esta crónica? Não, não foi nenhum dos representantes do sporting na comunicação social. Foi o mesmíssimo Bruno Prata!

Não vale a pena chamar à atenção para a diferença entre lances de análise duvidosa (conforme se verificou no FC Porto x SCP) e erros clamorosos de arbitragem (vários no Gil Vicente x FC Porto);
Nem vale a pena referir, que o impacto no desenrolar do jogo, das más decisões dos árbitros nestes dois desafios, foi muitíssimo diferente.
Vale sim a pena reler os títulos das duas crónicas, a ênfase que em ambas foi dado à arbitragem e, cereja em cima do bolo, sublinhar a última frase escrita por Bruno Prata na sua crónica do FC Porto x SCP.

Caiu a máscara ao Bruno Prata. Se dúvidas houvesse, a simples comparação entre estes dois artigos mostra o nível de isenção e coerência deste jornalista do PUBLICO e comentador da RTP.
E o problema é capaz de ser mesmo este. Aparentemente, para se ser comentador de futebol na RTP Porto, dá muito jeito estar nas boas graças do Carlos Daniel (cuja “simpatia” pelo FC Porto é bem conhecida)…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Perguntei ao vento norte…



Começaram os JO com um espetáculo deslumbrante. No futebol, a Espanha de Rodrigo, como se lê na nossa imprensa, já se foi e o Brasil confirmou o seu estatuto de favorito, sem deslumbrar. O Japão mostrou a sua força e constitui, até ao momento, a boa surpresa do torneio. Mas, não só de futebol, vivem as olimpíadas. A natação domina e os portugueses ficam longe dos seus recordes pessoais. Os nossos atletas andam por lá, batem-se, perdem e choram. É o nosso fado.

Ao nível da nossa comunicação social, tomei nota do entusiasmo dos comentadores com Labyad e fiquei enjoado porque, de tanto falar no moço (muito interessante como jogador), esqueceram-se que havia futebol para comentar. Uma tristeza. Cá no burgo, a RTP transmitiu o jogo SLB-Real Madrid, e ninguém notou a diferença entre os comentários da televisão estatal e da Benfica TV, o que significa que está no bom caminho porque, honrar e favorecer o SLB, situa-se no estrito âmbito da prestação de um serviço público de qualidade. Definitivamente, a vergonha não mora lá!


Enquanto isso, o FCP vai-se preparando: integra os novos recrutas, avalia os regressados, espera pelos olímpicos e que o mercado se mexa e não se fique pelos sinais. Todavia, nada acontece por acaso. A demora é estratégica: os emblemas europeus, com maior poder de compra, esperam, pacientemente, que os clubes vendedores os libertem a valores substancialmente mais baixos do que as cláusulas de rescisão impõem. A urgência aprendeu a simular a pressa e os clubes que vivem do encaixe de receitas extraordinárias sofrem amargamente este tempo cheio de incertezas a que acresce, no nosso caso, o fecho da torneira da Banca e a inevitável pressão da tesouraria. Já aconteceu algo semelhante na época passada e vai ser pior no próximo futuro. A austeridade veio para ficar e algumas das principais ligas europeias não lhe vão poder escapar: ninguém gosta, nem admite, depois entranha-se e faz-se regra.

O FCP tem privilegiado o recrutamento de jogadores jovens, alguns dos quais demasiado caros para a nossa bolsa, a meu ver. É bem provável que se torne mais regular a fuga que os jogadores podem usar para contornar o bloqueio contratual que a cláusula de rescisão implica para os seus interesses. Cristian Rodriguez apontou o caminho: saber esperar. Um jogador que não seja impaciente e tenha como agente um profissional competente, pode servir-se do clube como uma montra e esgotar o seu vínculo até ao termo contratual. Têm tempo para crescer, ganhar experiência e notoriedade para atrair interessados e multiplicar os proveitos que o seu esforço potenciou. Ganham todos, menos os investidores de talentos à procura de mais valias. Sapu e Belluschi podem sair prejudicados por não poderem competir ao mais alto nível em 2012/13, mas creio que têm valor para que possam constituir bons reforços para muitas equipas de nível médio alto e, desta forma, negociar exclusivamente segundo o seu interesse, no futuro.

O FCP tem contratado pouco a “custo zero” (Sereno e Djalma) e com excepção de Bracalli (para suplente), Lucho (um regresso) e de Janko (um remedeio) poucos atletas foram recrutados entre os 25 e os 30 anos, com curriculum, maduros, estáveis, disponíveis, com experiência e menos dispendiosos (em princípio) porque têm menos procura e muitos deles “jogam com a carta na mão”. Será que poderemos ajustar o modelo ou é pouco rendível em termos desportivos e financeiros?

O FCP naturalmente estará muito atento e sabe da poda. Porém, nas últimas duas épocas as dificuldades de colocação têm sido maiores. Os sócios e adeptos impacientam-se, quer entendam que vivemos um tempo complicado para o negócio, quer expludam em críticas generalizadas onde se mete tudo: o arrastamento negocial, a formação do plantel, a má prestação da equipa, o treinador, os jogadores, o modelo, a tática, a ocupação dos espaços, a defesa, o meio campo, a avançada, as bolas paradas em geral e as grandes penalidades em particular. Salvo o tom e o excesso, considero que uma boa parte dessa crítica é pertinente. À direção cumpre-lhe comandar, aos sócios apoiar, aplaudir e criticar. Se não lhe é conferido o direito de falar nas AG’s do clube, compete-lhes fazer chegar a sua voz, pelos canais que têm mais à mão. Se o fizerem de forma equilibrada, tanto melhor.

Pela minha parte, perguntei ao vento norte, notícias do meu clube. O vento pouco me disse. Avisou-me que os sócios do FCP, amantes do basquete, se movem e estiveram em Valência. E isso é bom!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Baía e as mentiras de Scolari

Ontem à noite, logo a seguir ao telejornal, a RTP brindou o país com uma extensa entrevista efetuada a Luís Felipe Scolari, entrevista essa que no dia/horas anteriores andou a promover à custa do anti-portismo nacional. De facto, o chamariz desta entrevista foram as “revelações” de Scolari acerca das razões que o levaram a não convocar Vítor Baía para a Seleção Nacional.
E que explicações foram essas?
Bem, Scolari contou uma história que, segundo ele, se terá passado na véspera de um Belenenses x FC Porto, supostamente o primeiro jogo a que assistiu como selecionador de Portugal (no início de 2003):

No dia anterior [ao Belenenses x FC Porto], tive um encontro com as lideranças do Porto, técnico e presidente

Disseram-me que o Vítor Baía não estava mais nos planos do clube, não jogaria mais e que estava em conflito com o seu treinador [José Mourinho] e com a direção

Foi o presidente do Porto que me disse isto. A partir daí passei a olhar com outros olhos para o Vítor Baía

Quem jogou esse jogo [Belenenses x FC Porto] foi o Nuno Espirito Santo

Um mês ou dois depois [o Vítor Baía] voltou a jogar no Porto

O jornalista da RTP ouviu estas afirmações impávido e sereno, mas o comum dos adeptos não precisa de ter grande memória para se lembrar de outras explicações apresentadas por Scolari (para o afastamento de Vítor Baía da seleção nacional). Primeiro, e durante anos, foi a tese da opção técnica.

5 de Setembro de 2008. No fecho do Fórum de Treinadores de Elite da UEFA, em Nyon, na Suíça, Luiz Felipe Scolari (na altura treinador do Chelsea) afirmou:
As escolhas que fiz na época [em que era selecionador de Portugal] e as que faço agora são de acordo com as minhas convicções. Já falei 120 vezes a mesma coisa, que foi por opção técnica. Quem quiser que entenda, se não quiser que se dane.

No entanto, em Dezembro passado a razão principal deixou de ser técnica e passou a ser de balneário, com o ónus pelo afastamento de Baía a ser atirado para cima de Gilberto Madail.

30 de Dezembro de 2011. Em resposta a declarações de Gilberto Madail, acerca do afastamento de Vítor Baía da seleção nacional, Acaz Felleger, assessor de Luís Felipe Scolari, afirmou em entrevista à RTP:
Scolari perguntou a Madail sobre o Vítor Baía e foi-lhe dito pelo presidente que não era um bom atleta de balneário, que não criava bom ambiente

Uns dias depois, Madail refutou completamente estas declarações: “Surpreenderam-me essas declarações do senhor Scolari. Eu seria incapaz de me intrometer em algo que é da responsabilidade do selecionador. E ele sabe muito bem que nunca tive essa conversa com ele.

Finalmente, nove anos e meio após ter sido contratado pela FPF, Scolari chegou à mãe de todas as explicações e aquela que, indiscutivelmente, mais agrada ao país desportivo: o principal culpado pelo afastamento de Baía foi o maquiavélico Pinto da Costa!

Mas será esta explicação mais verosímil que as anteriores?
É fácil constatar que as afirmações de Scolari estão cheias de falsidades.

14 de Dezembro de 2002. O presidente da FPF, Gilberto Madaíl, completou 58 anos e Scolari veio a Lisboa para assinar contrato como selecionador de Portugal. No evento, que teve ampla cobertura mediática (e foi transmitido em direto no sítio da FPF na Internet), esteve presente Luís Filipe Vieira, na altura presidente da SAD do slb.

19 de Janeiro de 2003. Disputou-se, no Restelo, o Belenenses x FC Porto, da jornada 18, do campeonato 2002/03.

Será que nesse dia Scolari já estava em Lisboa a trabalhar como selecionador?
Será que na véspera (18/01/2003) se encontrou com o treinador e dirigentes do FC Porto? Onde?
Convido os jornalistas sérios a investigarem, mas uma coisa é facílima de apurar (eu demorei dois minutos): quem defendeu a baliza dos dragões nesse jogo não foi Nuno Espirito Santo, mas sim… Vítor Baía! (o tal que, segundo Scolari, lhe foi dito que não jogaria mais pelo FC Porto, porque estava em conflito com o seu treinador e com a direção)

É verdade que Vítor Baía teve um desentendimento com José Mourinho num treino à porta fechada, mas isso foi no dia 22 de Setembro de 2002 e, após ter sido colocado a treinar à parte, o conflito ficou sanado no dia 17 de Outubro de 2002 (três meses ANTES do Belenenses x FC Porto referido por Scolari).

Na realidade, Baía voltou à baliza do FC Porto, não quando o Scolari disse na entrevista à RTP (“um mês ou dois depois [do Belenenses x FC Porto] voltou a jogar no Porto”), mas muito antes do devoto de Nossa Senhora de Caravaggio ter posto os pés em Portugal. E, para desgosto do clube de fans do Ricardo, foi com o Vítor na baliza que o FC Porto venceu o campeonato, a final da Taça de Portugal e a Taça UEFA dessa época (2002/03), já para não falar na Liga dos Campeões no ano seguinte.

Pois é, querendo, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo. O problema é que, neste caso, isso estragava os títulos e manchetes anti-Porto que esta entrevista a Scolari proporcionou.

P.S. Que Scolari, para ser popular e para agradar aos seus amigalhaços portugas, avance com explicações mirabolantes, desdizendo-se a si próprio, é algo que não me surpreende minimamente. Agora, que um jornalista cruze o Atlântico para ir a São Paulo entrevistar Scolari, ouça estas afirmações e nem sequer o confronte com as contradições evidentes e diferentes “explicações” anteriores, é algo que remete para outro tipo de considerações.
Em primeiro lugar, o que motivou a entrevista ao ex-ex-selecionador de Portugal nesta altura? O ex-selecionador (Carlos Queiroz) também vai ser entrevistado ou isso não convém?
Em segundo lugar, tendo a RTP um correspondente no Brasil, qual a necessidade de enviar propositadamente um jornalista de Lisboa, algo que implicou uma viagem de 16 mil quilómetros (ida e volta)? Pelos vistos, e apesar da Troika, na televisão pública continua a haver oceanos de dinheiro para esbanjar nestas “missões especiais”…
Em terceiro lugar, porque razão foi escolhido o jornalista Hélder Conduto? Por estar habituado a confraternizar com treinadores de futebol? Por ser amigo de Scolari desde os tempos em que o homem das bandeirinhas fazia campanhas de milhões para o BPN? Por, em entrevistas anteriores, já ter mostrado uma elevada capacidade para “conduzir eficazmente” entrevistas polémicas que envolvam insinuações ou acusações a elementos do FC Porto?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Os amigos de Carlos Daniel

Quando fui convidado para fazer o Zona Mista, as pessoas que me contactaram sabiam qual a minha tendência clubística
João Gobern, PUBLICO, 04/04/2012


«Não me peçam, nem agora nem nunca, que não festeje um golo do Benfica. Faço-o há muitos anos, desde que me reconheço como gente. (…)
Festejei o golo no enquadramento errado. Se não tivesse consciência plena desse deslize, não tinha posto o meu lugar no “Zona Mista” à disposição ainda antes de as campanhas orquestradas chegarem ao seu destino. Ou seja, tenho consciência de que errei. (…)
Foi infeliz o gesto? Sim. Foi desajustado? Sim. Foi tudo um grande azar? Quero continuar a pensar que sim. Mas não posso sequer garantir, para ser sincero, que não voltaria a fazer-me o mesmo, de uma forma espontânea e não premeditada. (…)
Tendo reconhecido o erro, tendo lamentado o sucedido, há uma pessoa que me obriga a ir mais longe. Por ter apostado em mim quando nada o obrigava, por me ter brindado com este desafio e porque o capítulo final é tão murcho, resta-me pedir desculpas ao meu amigo Carlos Daniel. Garantindo-lhe que há casos em que a memória funciona mesmo.»
João Gobern, Facebook, 07/04/2012


Eu já suspeitava que o convite feito ao João Gobern, para ser comentador na RTP, tinha partido do benfiquista mais famoso de Paredes, mas nada como ser o próprio Gobern a confirmá-lo.

Aliás, não me custa a acreditar que também tenha sido ideia de Carlos Daniel, o convite para um dos árbitros preferidos de Luís Filipe Vieira (Paulo Paraty) passar a ser comentador de arbitragens na RTP.

Evidentemente, o Carlos Daniel tem todo o direito de ser benfiquista e de ter pertencido ao núcleo inicial que fundou a casa do slb de Paredes, mas ao jornalista da RTP, com responsabilidades na RTP Porto e que já pertenceu à Direção de Informação da RTP, pede-se alguma contenção.

Ora, até para defesa do próprio e da sua imagem, Carlos Daniel deveria evitar qualquer envolvimento em convites de amigos seus benfiquistas para a RTP (já nem falo nos almoços com o treinador do slb no restaurante do conhecido Barbas). Até porque, convém não esquecer um “pequeno pormenor”: a RTP ainda é uma empresa do Estado (paga por todos os contribuintes!) a qual, supostamente, presta um serviço público.

P.S. Quando o Carlos Daniel despe a camisola do slb e tira os óculos encarnados, eu até gosto de ouvir as análises e comentários que faz aos jogos de futebol. É pena fazê-lo poucas vezes.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rui Rio no Porto Canal?



«Face às conclusões do grupo de estudo da RTP é de temer pelo futuro da RTP – Porto, que suporta mais de 50 por cento dos conteúdos apresentados na RTP Informação, o canal de notícias da televisão pública no cabo, e produz o jornal televisivo de maior audiência (comparada) há muitos anos. Há tempos que se receia que o emagrecimento de custos da televisão do Estado seja feito à custa do empobrecimento da RTP – Porto. A situação de crise do País pode ser uma boa oportunidade. Mas, se tal acontecer (e lamentando que alguns dos algozes sejam homens do Porto ou fortemente relacionados com o Porto, na Administração da RTP), cometer-se-á um crime de lesa-pátria (…)

Uma televisão pública, entre muitos outros conteúdos (alguns dos quais oferecidos na RTP2), não pode deixar de dedicar uma parte substancial dos seus recursos à informação, olhando para o país – o país todo, continental e insular – e para os espaços da lusofonia e da diáspora. O que não se sabe não existe. O que não aparece nas notícias e na informação não acontece.
(…) a ideia pouco inteligente de que tudo o que acontece fora de Lisboa não tem importância, de que a política, a economia e a finança se resumem a Lisboa.»
Alfredo Barbosa, jornalista
Semanário Grande Porto, 11/11/2011


Na quarta-feira da semana passada, ao fazer um zapping, apanhei parte de uma entrevista de Rui Rio no ‘Grande Jornal’ da RTP Informação. A entrevista abrangeu diversos temas e às tantas Rui Rio disse à jornalista qualquer coisa do estilo “… vocês aqui em Lisboa…”.

Já pouca coisa me surpreende no país mais centralista da Europa, mas não deixo de questionar por que razão esta entrevista não pôde ser efectuada a partir dos estúdios da RTP Porto. E também é significativo que o presidente da CM Porto e da Junta Metropolitana do Porto tenha aceite deslocar-se numa quarta-feira à noite a Lisboa, para dar uma entrevista, de alguns minutos, inserida num dos vários espaços noticiosos do canal de notícias da televisão pública.


Se dúvidas tivesse (que não tinha), estes episódios – entrevista de Rui Rio à RTP Informação e conclusões do grupo de estudo da RTP – vieram reforçar a minha convicção de que a estratégia que o FC Porto definiu para o Porto Canal é a mais correcta. De facto, o esvaziamento progressivo da RTP Porto no universo RTP, se por um lado constitui mais uma machadada centralista na pluralidade de notícias e opiniões (“o que não aparece nas notícias e na informação não acontece”), por outro é uma oportunidade que o Porto Canal deverá aproveitar.

Os canais do regime, público e privados, estão cada vez mais centralistas? Pois muito bem, então o Porto Canal deve dar voz a actores (políticos, empresários, académicos, desportistas, …) de fora do eixo Lisboa – Cascais.
Se a RTP é cada vez mais uma RTL (Rádio e Televisão de Lisboa), o Porto Canal, apesar do nome, tem de ser também o canal de Braga, de Guimarães, de Viana, de Vila Real, de Bragança, de Aveiro, de Viseu, etc.
Falta saber se as pessoas destas regiões, principalmente os políticos locais, querem ajudar a crescer um canal que não está sediado na capital e que não olha para o país de acordo com a célebre ideia de uma personagem de Eça, segundo a qual Portugal era (é!) Lisboa e o resto é paisagem.

Nesta linha, será que antes do final deste seu terceiro e último mandato, teremos o presidente da câmara municipal do Porto a dar uma entrevista ao Porto Canal?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A isenção da RTP (IV)


A RTP perdeu a vergonha (a pouca que ainda lhe restava) e tornou-se no veículo oficial de informação da máquina de propaganda benfiquista. Ontem transmitiu em directo e por várias horas a "Gala Eusébio" e substituiu-se, assim, à BenficaTV mas em canal aberto e subsidiada por todos os contribuintes. Foi ver os jurássicos e os saudosos do Regime a dar vivas ao glorioso-dos-anos-sessenta-e-um-sessenta-e-dois.

Isto sim é serviço público de televisão.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A isenção da RTP (III)


O jornalista Carlos Daniel, que é agora o principal responsável editorial da RTP Porto, anda empolgado com as prestações recentes do seu clube, o slb. O Jornal de Tarde de 14/01/2011 fez uma peça em que releva o facto do slb já levar uma série impressionante de 5 vitórias consecutivas na Liga (agora 6! com a preciosa ajuda do Grande Elmano), tendo até regressado às goleadas. A "máquina destruidora" da época passada voltou. Carlos Daniel até se lembrou de ouvir a interessantíssima opinião do seu amigo cineasta subsídio-dependente com quem prepara meticulosamente o programa Trio d'Ataque. Disse o cineasta que, "shem factorezzz externozzz, o benfica vai sher campeão pois sherá muito difíchil perder pontozzz na shegunda volta". Realmente com arbitragens como a de ontem de Elmano Santos será difícil o slb perder pontos. Seria deste tipo de "factores externos" que António-Pedro Vasconcelos se estaria a referir?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A isenção da RTP (II)


Cá está mais um excelente exemplo da isenção e rigor jornalístico da RTP. Este ocorreu no Telejornal de 10/01/2010. Numa peça sobre o alegado incumprimento dos clubes de futebol de pagamentos ao Estado fixados no âmbito do "Totonegócio", que presidentes de clubes é que a televisão pública escolheu como imagens de arquivo para acompanhar a voz off? Nem mais: Pinto da Costa. E perto do fim da peça aparecem ainda Valentim e João Loureiro. No fundo, todos aqueles que representam o "Sistema segundo o SLB".<


O facto de o "Totonegócio" ter sido um acordo assinado entre o Estado e todos os clubes é completamente indiferente. O mais importante é mostrar que Pinto da Costa é sempre o culpado pelos problemas que vão surgindo no futebol português. A desonestidade jornalística não tem limites em Portugal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A isenção da RTP



Eu pensava que a RTP era uma empresa 100% pública, paga com os impostos de todos os portugueses, mas parece que me enganei.

P.S. Obrigado ao Ricardo Aguiar, que nos enviou mais esta prova da “isenção” clubista da RTP.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Lei é para cumprir?


De acordo com a máquina de propaganda encarnada, ao serviço da qual existem centenas (milhares?) de pessoas de diferentes sectores da nossa sociedade, a divulgação, parcial ou total, de conteúdos de escutas telefónicas faz parte da liberdade de expressão.

Contudo, em 2007 foram introduzidas alterações no Código de Processo Penal e, desde essa altura, de acordo com o artigo 88.º, número 4, «não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo».

Segundo Rogério Alves (ex-bastonário da Ordem dos Advogados), de acordo com o Código do Processo Penal, "não é permitida a publicação de conversas ou comunicações interceptadas, mesmo que o processo de que fazem parte já não esteja em segredo de justiça, a não ser que haja autorização dos intervenientes nessas conversas. Se não tiver havido essa autorização, que é o ponto de partida que estamos a assumir, então essa divulgação viola a lei e faz incorrer quem a promova na prática do crime de desobediência simples".

Portanto, para que meios de comunicação social (por exemplo, Correio da Manhã ou Benfica TV) ou qualquer outra pessoa (por exemplo, António-Pedro Vasconcelos) pudessem reproduzir as escutas colocadas na Internet, sem incorrer num crime, teriam de solicitar autorização a todos os envolvidos.

Censura, dizem eles. Esta Lei é inconstitucional!
Oh meus amigos, se esta Lei não serve os interesses do clube do regime, mude-se a Lei!
É só dar uma palavrinha às pessoas certas. E, por exemplo, está demonstrado que não é difícil a Luís Filipe Vieira falar com o homem que desempenhou o cargo de Coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, entre 2005 e 2007. Sabem quem foi? Nem mais, nem menos, que o ministro que mais vezes é visto no camarote presidencial do estádio da Luz - Rui Pereira.
Outra hipótese é o actual Ministro da Justiça, o também benfiquista Alberto Martins. Aliás, benfiquistas é o que não falta no Governo Sócrates.

Mas enquanto esta Lei estiver em vigor, é obrigação de todas as pessoas e entidades respeita-la, particularmente os organismos públicos (como é o caso da RTP), que têm a obrigação de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para a cumprir e fazer cumprir.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

As televisões do clube do regime


Nota prévia para os mais sensíveis: Este pequeno artigo não é sobre a Benfica TV.

No domingo à noite, ao chegar a casa após o jogo, fiz um zapping pelos programas televisivos em que se comentavam as incidências do FC Porto x SLB.
Qual o meu espanto (eu ainda me espanto com estas coisas...) ao constatar que os comentadores e convidados em estúdio nas várias televisões eram os seguintes:

SIC Noticias: Rui Santos, David Borges e Ribeiro Cristóvão.
TVI 24: Fernando Correia, Toni (ex-jogador e treinador do SLB) e João Querido Manha.
RTPN ('Edição Especial'): João Vieira Pinto, Paulo Madeira e Hélder (todos ex-jogadores do SLB)
SportTV ('Só Golos'): Pedro Henriques (ex-jogador formado no SLB)

Eh pá, isto é que é isenção e pluralidade!
Querem ver que não havia portistas - ex-jogadores, adeptos ou comentadores - disponíveis para participar nestes programas?
Ou será que estavam lá, mas tão escondidinhos e caladinhos, que no zapping que eu fui fazendo não os apanhei?

É por estas e por outras que o Benfica se parece cada vez mais com o Real Madrid do tempo do Franco, ou o Steaua do tempo do Ceausescu.

terça-feira, 30 de março de 2010

Clássico em entrevistas simultâneas


Na semana passada, após ser conhecida a decisão do CJ da FPF acerca do caso Hulk, a RTP anunciou que Pinto da Costa iria ser o convidado de Judite de Sousa, no programa "Grande Entrevista", a emitir hoje, a partir das 21h00.
É sabido que Pinto da Costa dá muito poucas entrevistas e esta é aguardada com alguma expectativa, não só devido às consequências do caso Hulk, mas também porque estão previstas eleições para o FC Porto em Abril/Maio e para a Liga de Clubes em Junho.

Porventura receando o impacto mediático das declarações do presidente do FC Porto, o lobby encarnado (assessores, jornalistas, agências de comunicação, etc.), que domina a seu belo prazer a comunicação social, pôs-se em campo e, em tempo recorde, conseguiu agendar não uma, mas duas entrevistas de reputados benfiquistas para o mesmo dia:
- Ricardo Costa, na SIC Notícias, às 22h00;
- Luís Filipe Vieira (LFV), na SIC, à mesma hora da entrevista de Pinto da Costa.

Os objectivos são claros. A entrevista (mais uma!) a LFV visa retirar audiência a Pinto da Costa, enquanto que a entrevista a Ricardo Costa tem por objectivo procurar dar resposta, e se calhar até comentar, os previsíveis ataques de Pinto da Costa ao ainda presidente da CD da Liga.

Seja como for, eu presumo que Miguel Sousa Tavares (MST) não terá aceite combinar as perguntas que vão ser feitas a LFV e, por isso, há algumas que eu nunca vi serem colocadas e que seriam muito interessantes. Exemplos:
- Como explica que o SLB não tenha descido de divisão, quando se provou que não teve a situação fiscal regularizada durante vários anos (no período de Vale e Azevedo)?
- Com que pessoas negociou o modelo que foi acordado com a Câmara de Lisboa para o financiamento do estádio da Luz?
- O que o fez mudar o apoio público do PSD (Santana Lopes / Durão Barroso) para o PS (António Costa / José Socrates)?
- Qual é o peso dos grupos BES, PT e Ongoing no Fundo de jogadores que o SLB lançou no ano passado?
- Existe algum tipo de negócios, ou participações em sociedades do universo benfiquista, de capital angolano, nomeadamente de Isabel dos Santos?
- Como é que explica o facto de, em menos de duas décadas, ter acumulado uma das maiores fortunas do país?

MST não costuma ter medo, nem ser subserviente. Espero, por isso, que a entrevista não se limite a perguntas banais, porque senão é melhor pôr lá uma entrevistadora de decote e mini-saia...

domingo, 4 de outubro de 2009

E ao sétimo dia...

... um jogo do FC Porto vai ser transmitido em sinal aberto.
É verdade, não está a ler mal! Aconteceu, e esperemos que não seja um pronúncio do Apocalipse.

Muitos poderão considerar um jogo do FC Porto transmitido em sinal aberto à sétima jornada como um milagre, se tiverem em conta a quantidade de jogos já transmitidos dos nossos adversários directos.

Para juntar a isto, posso anunciar desde já que os jogos da oitava e da nona jornada serão também transmitidos na RTP, em sinal aberto.

Para os mais distraídos, são 3 jornadas consecutivas com o FC Porto na RTP. Parece que não há fome que não dê em fartura...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Co(s)me e cala!

09/03/2008, FC Porto x Academica: Cosme expulsa Mariano com um vermelho directo


Após a derrota do SLB em casa perante os seus "amigos" de Guimarães, o FC Porto recebia a Naval e tinha hipóteses de aumentar a vantagem para o 2º classificado.
Embora o favoritismo fosse dos dragões, convém não esquecer que o FC Porto tinha efectuado um jogo intenso a meio da semana para a Liga dos Campeões e não podia contar com aquele que tem sido o maior desequilibrador do seu ataque – Hulk. Além disso, a última derrota dos portistas tinha sido precisamente frente à Naval e nos últimos cinco jogos no Dragão tinha vencido apenas um, contra o Rio Ave, com o(s) golo(s) da vitória a serem obtidos nos últimos minutos.

Por tudo isto, era muito importante que o FC Porto entrasse bem no desafio e conseguisse marcar cedo, sob pena da intranquilidade e nervosismo tomar conta de equipa e tudo se complicar. Ora, é precisamente aqui que entra em jogo, e de que maneira, o árbitro Cosme Machado, o qual, na primeira meia-hora e com o resultado ainda em branco, não assinalou dois penalties a favor dos dragões.


O primeiro é claríssimo e foi logo aos 9', quando o guarda-redes da Naval saiu aos pés de Lisandro e, sem jogar a bola, derrubou o avançado do FC Porto ostensivamente. Para além do penálti que ficou por assinalar, o árbitro bracarense deveria também ter mostrado o vermelho a Peiser, porque impediu uma clara oportunidade para obter golo.

O segundo penálti que ficou por assinalar foi aos 28' quando, após uma rotação de Lisandro, Paulão o agarrou pelo ombro direito. Como se não bastasse o penálti que não assinalou, Cosme ainda por cima mostrou o cartão amarelo a Lisandro, o que o irá impedir de jogar na próxima jornada na difícil deslocação a Guimarães.


Estes dois lances não deixaram qualquer dúvida aos ex-árbitros que constituem o painel do 'Tribunal de O JOGO', que também são unânimes na apreciação a um terceiro penálti que ficou por assinalar, por falta de Dudu sobre Cissokho (90'+2), num lance em que a falta é iniciada fora mas termina bem dentro da área da Naval.

Aliás, os lances dos dois primeiros penalties (não assinalados) foram também apreciados por Rui Santos no 'Tempo Extra', o qual não teve dúvidas sobre os erros da arbitragem em claro prejuízo do FC Porto.


Em resumo, três penalties a favor do FC Porto não assinalados, uma expulsão perdoada ao guarda-redes da Naval (equipa que deveria ter ficado a jogar com menos um logo aos 9 minutos de jogo) e Lisandro excluído da difícil deslocação a Guimarães.
Brilhante desempenho do "Colina português"!
Qual será a pontuação que este “predestinado” do apito irá ter?
Quantos jogos irá para a "jarra"?
Aguardemos as decisões do senhor Vitor Pereira...

E como é que a comunicação social viu estes lances?

Bem, nós (portistas) estamos habituados a que as decisões da arbitragem que prejudicam o FC Porto sejam completamente branqueadas (viram as capas dos jornais desportivos de hoje?), mas o que se passou no 'Domingo Desportivo' de ontem à noite raia o inacreditável.


Tudo começou na selecção dos lances que Carlos Daniel colocou à apreciação dos dois especialistas residentes – Cruz dos Santos (um histórico de A BOLA) e Paulo Paraty (o árbitro preferido de Luis Filipe Vieira, conforme ficou demonstrado nas escutas).
Dizendo que havia vários lances polémicos nas áreas, principalmente na da Naval (viu algum na do FC Porto?), dos três possíveis penalties que ficaram por assinalar, Carlos Daniel escolheu apenas o segundo (o menos visível dos três), a que juntou um segundo lance, correspondente a um corte na queima de um jogador da Naval sobre Lisandro à entrada da área figueirense.
Podia-se pensar que a escolha de apenas dois lances tinha sido por limitações de tempo, mas o mesmo Carlos Daniel seleccionou três lances para apreciação no jogo do SLB e quatro no do Sporting...

Relativamente ao lance em que Paulão agarrou Lisandro pelo ombro direito, a introdução de Carlos Daniel é notável. Segundo ele, mais do que discutir se era penálti, importava avaliar se o amarelo mostrado ao Lisandro se justificava ou não (como se uma coisa não decorresse da outra). Os três lá chegaram à conclusão que sim senhor, o amarelo tinha sido exagerado…

Para encerrar o assunto, Carlos Daniel termina dizendo qualquer coisa como "a arbitragem de Cosme Machado sai, então, ilibada".
Ilibada?!! Tenho de ir a um otorrinolaringologista, porque devo andar a ouvir mal.

O mais incrível disto tudo é o benfiquista mais conhecido de Paredes, que veste a pele de jornalista pseudo isento, ter conseguido não ver aquilo que até o António Rola viu: 3 (três!) penalties a favor do FC Porto que ficaram por assinalar.
Por menos, muito menos do que isto, encheram-se primeiras páginas de jornais com palavras eloquentes como “Escândalo” ou “Roubo”.

O Carlos Daniel já tinha dado mostras da sua “isenção” na forma como moderava o ‘Trio de Ataque’, mas desde que se transferiu para pivot do ‘Domingo Desportivo’ tem sido um festival. A forma habilidosa, para não dizer manhosa, como selecciona os lances polémicos e, inclusivamente, orienta os comentários dos dois elementos acima referidos é já uma imagem de marca.

Perante tudo isto – nomeações cirúrgicas, arbitragens escandalosas e manipulação da comunicação social, incluindo a pública – o que fez, ou disse, a SAD portista?
É caso para dizer: Co(s)me e cala!

Fotos: Maisfutebol