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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um negócio fabulástico

Capa do Record de 03-12-2015

400 milhões! Benfica fecha contrato histórico com a venda dos direitos de televisão à NOS até 2026
Capa do jornal Record de 03-12-2015

O maior negócio do futebol português: Benfica na NOS por €400 milhões

Encarnados recebem recorde de 400 milhões pelos jogos em casa

400 milhões de TV: Benfica celebra contrato milionário
Capa do jornal A Bola de 03-12-2015

“O maior negócio do futebol português”
“Histórico”
“Recorde”
“Contrato milionário”
“Um negócio sem precedentes em Portugal”
“águias passam a receber mais do que FC Porto e Sporting juntos”
“A marca Benfica é maior do que o país!”

O país ficou de boca aberta e isto foram algumas das coisas ditas e escritas acerca do excelente negócio (há que o reconhecer) feito entre o SL Benfica e a NOS.
Mas houve mais. Por exemplo, o jornalista António Tadeia (também comentador da RTP), escreveu o seguinte:

«O negócio do Benfica com a Nos, para a venda dos direitos televisivos dos jogos do campeão nacional àquela operadora, por valores que podem chegar aos 400 milhões de euros, veio abalar os panoramas audiovisual e futebolístico portugueses. (…) os 400 milhões que o Benfica pode vir a receber pelos dez anos de direitos televisivos dos seus jogos da Liga em casa representam uma grande vitória da estratégia montada pela direção de Luís Filipe Vieira na questão dos direitos de TV. O Benfica viu de facto mais longe que toda a gente, pois conseguiu valorizar os conteúdos relativamente àquilo que a Sport TV pagava. (…) É evidente que os direitos televisivos do Benfica valem muito mais do que os dos outros clubes (…)»
António Tadeia, 02-12-2015


Conforme se viu, leu e ouviu, apesar dos jogos dos encarnados (no Estádio da Luz) voltarem, já a partir da próxima época, a ser transmitidos pela Sport TV do “arqui-inimigo” Joaquim Oliveira, nem isso foi motivo para arrefecer o entusiasmo dos benfiquistas, jornalistas e comentadores acerca deste extraordinário contrato entre o SL Benfica e a NOS.

Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira a comemorar o acordo entre as duas Partes

E nem o facto de ser um "casamento" de 10 anos (épocas 2016/17 a 2025/26) foi visto como um problema, bem pelo contrário, como se percebe pela posição de Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, o qual, embora assumindo haver risco em fazer um contrato a dez anos, afirmou o seguinte:
Se pensarmos um pouco como é que o mercado vai evoluir em termos da concorrência à volta de conteúdos, que é claramente uma das peças chave para conseguirmos ter alcançado o nosso valor, não tenho certezas, olhando bem o que é o mercado das operadoras de telecomunicações, tenho até algumas dúvidas que esta grande concorrência que existe hoje se possa manter em termos futuros. Portanto, havia que aproveitar o momento e foi isso que fizemos.

Ora, se o contrato entre o SL Benfica e a NOS foi excelente, algo verdadeiramente extraordinário, só possível pela dimensão do clube e potencial da marca Benfica, que dizer do acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, pelo valor global de EUR 457.500.000?

Capa de O JOGO de 27-12-2015

Eu acho que nem há adjetivos. Fabulástico foi aquilo que me ocorreu, quando soube da notícia.

E se houve quem ficasse de boca aberta com os 400 milhões de euros do contrato SLB – NOS, parece que há quem tenha ficado sem fala e a engolir em seco, com os 457,5 milhões do acordo FCP – PT.

Ainda não conhecemos, em detalhe, os pormenores deste acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, mas do que fui lendo (recomendo este artigo no ‘Tribunal do Dragão’) e ouvindo, só vejo aspetos positivos:

Resolução, imediata, da ausência de um patrocinador para a parte frontal das camisolas da Equipa Principal para as próximas sete épocas e meia (receita garantida até ao final da época 2022/2023). E mais, os valores referidos para esta componente do acordo – 5 milhões/época – representam um aumento de 35% em relação ao valor do contrato anterior (3.7 milhões/época).

Resolução da sustentabilidade do Porto Canal, pelo menos durante 12 épocas e meia (até 30 junho de 2028).
Os valores referidos para esta componente do acordo são, também, de 5 milhões/época, mas convém lembrar que os custos de operação do Porto Canal são muito inferiores aos da BTV.

Somando as verbas correspondentes ao…
… Direito de Transmissão do Porto Canal, pelo período de 12 épocas e meia (62,5 milhões de euros)…
… e ao Estatuto de Patrocinador Principal do FC Porto, com o direito de colocar publicidade na parte frontal das camisolas da Equipa Principal de Futebol do FC Porto, pelo período de sete épocas e meia (37,5 milhões de euros)…
… sobram 357,5 milhões de euros para os Direitos de Transmissão Televisiva + Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão, por um período de 10 anos, com inicio em 1 de Julho de 2018.

Ou seja, com este acordo, a partir de 1 de Julho de 2018 e durante 10 épocas (2018/19 até 2027/28), as administrações da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, sejam elas quais forem, terão garantidos cerca de 35,7 milhões de euros por época (em média), o que é quase o dobro do contrato atual com a PPTV;
Mais 5 milhões/época correspondentes ao patrocínio da parte frontal das camisolas.

E, já agora, mais o desafogo resultante do project finance do Estádio do Dragão terminar em 2018.

Perante este cenário, não diria cor-de-rosa, mas azul e branco, se os próximos três exercícios (2015/16, 2016/17 e 2017/18) fecharem com contas equilibradas quem, a partir de 1 de Julho de 2018, tiver de gerir (financeiramente) a FC Porto SAD, terá menos dores de cabeça.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O patrocinador da I Liga


"É preocupante quando o principal patrocinador da liga (Sagres) está associado a um clube que está também em competição (Benfica). A Liga de Clubes deve intervir nesta questão e estar no mercado à procura de uma marca que seja confortável para todos, ou impor que o patrocinador da Liga não fosse também o de outro clube"
Henrique Pais, director da Porto Comercial


"Em nenhuma liga no Mundo acontece tal situação [o patrocinador principal do campeonato estar associado a um dos clubes que o disputa]. É uma situação que não é boa para os patrocinadores e para os clubes que estão a disputar a mesma competição."
Pedro Afra, director-geral do Sporting


Estas declarações foram feitas ontem, durante o Seminário de Marketing Desportivo 'Activação de Patrocínios Desportivos', realizado no ISCTE, em Lisboa.

Há oito meses atrás já tinha chamado à atenção para a delicadeza deste assunto (para não dizer outra coisa), num artigo com o titulo Liga Sagres ou Liga SLB?.

Entretanto, em Julho passado soube-se que a ligação entre o SLB e a Central de Cervejas tinha sido reforçada e ampliada (até 2020!), com o jornal SOL a noticiar que os 43 milhões de euros (!!!) do contrato de publicidade já se encontravam cativos para liquidação de dívidas.
Esta situação foi referida pelo Nuno Nunes aqui.


Evidentemente, este assunto não está na agenda do actual presidente da Liga Clubes, e muito menos preocupa determinados jornalistas (encarnados), que costumam ser muito expeditos a falarem de transparência e credibilidade. Mas claro, neste domínio o único problema são os jogadores emprestados... pelo FC Porto.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Unicer reforça aposta no futebol

«A Unicer prevê investir em 2010 entre seis e sete milhões de euros em patrocínios a instituições desportivas (...).
A entrada no mercado do desporto é, segundo Pires de Lima, "uma aposta da administração", que surgiu depois da experiência com a Carslberg, patrocinadora da Taça da Liga, e da Vitalis, marca da empresa que dá o nome à Liga de Honra.
Actualmente, a Superbock patrocina o FC Porto e o Sporting, clubes que exibem a marca nas costas das camisolas, e também o Leixões, o Vitória de Guimarães, o Vitória de Setúbal e o Belenenses, clube com o qual formalizou hoje o contrato.
(...) António Pires de Lima considerou importante "ter três clubes do Norte e três do Sul, zona onde é importante que a marca cresça
in O JOGO, 28/08/2009

A noticia completa pode ser lida aqui.

Apesar do pseudo descrédito de que muitos o acusam, continua a haver empresas interessadas em investir e patrocinar equipas do futebol português. É um mistério...

sábado, 15 de agosto de 2009

Mais um episódio

Esta novela da guerra das cervejas tem aí mais um episódio, agora a Sagres ataca, e usa um ponta de lança do FC Porto, o Baía:



Não é a primeira vez que o Baía protagoniza campanhas da Sagres, já o tinha efectuado há uns anos a par do Figo e João Pinto com a camisola da selecção, e mais recentemente foi a cara principal de outra campanha com uns remoques ao brasileiro que dizem foi seleccionador nacional.

Como dizia não é a primeira vez, mas não deixa de ser estranho que uma das principais caras dirigentes do clube e seu representante em diversos eventos importantes, seja uma das caras de um concorrente de um dos principais patrocinadores do clube. É verdade que o mesmo acontece com patrocínios de equipamentos desportivos, mas não deixa de me parecer estranho ver ali o Baía.

Mas por outro lado é esta guerra de patrocínios e de caras, que tem permitido arranjar importantes receitas para o(s) clube(s). E por aí que a "guerra" continue por muitos e bons anos.

ps 1: Mas mais estranho, ainda, é ver ali o Oceano (que é seleccionador nacional de sub-21) a vestir a camisola dos lagartos. Todos sabemos que ele é lagarto e não é isso que está em causa, mas quando se está ao serviço de uma instituição como a federação o mínimo que se pede é que se evitem confusões de funções e de papeis.

ps 2: De todas as camisolas que o Futre teve ao longo da carreira, qual foi a escolhida para aparecer no anúncio? Pois é! Fica sempre melhor aparecer com uma camisola vencedora.

domingo, 24 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vai uma Super Bock?

Conforme é sabido, a UNICER e o FC Porto assinaram um contrato de patrocínio para as próximas três épocas. Assim, a partir de 1 de Julho, a marca 'Super Bock' irá substituir o BES nas costas do equipamento oficial do FC Porto e também irá surgir nos equipamentos de treino e de saída dos jogadores e da equipa técnica.

Embora não tenha nada de especial contra o BES (não sou cliente e não gosto da cor, mas isso é um pormenor), fico muito satisfeito por o FC Porto ter deixado de ser patrocinado pelo "Banco do Sporting" e, em sua substituição, ter reforçado a parceria com a UNICER (ligação que existe há 15 anos), a qual é líder do mercado das bebidas e uma das poucas grandes empresas nacionais que mantém a sua sede e administração na região do Porto. É o chamado dois em um! E o timing não poderia ser melhor, visto o SLB ter reforçado a sua ligação à Sagres.

Com este contrato, a UNICER torna-se no principal parceiro comercial do FC Porto, em virtude deste acordo abranger igualmente outras modalidades do clube - as equipas de Andebol, Atletismo, Basquetebol e Hóquei em patins serão patrocinadas pela marca Vitalis, igualmente detida pela UNICER - além de que, conforme é sabido, o campo da Constituição ter sido totalmente renovado com o apoio da UNICER em contrapartida do naming (daí a designação Vitalis Park).


Para além dos patrocínios, outro aspecto que me agrada neste acordo é o envolvimento do FC Porto num torneio a realizar em Luanda, em 2010.
"A disputa da Taça Super Bock em Luanda faz parte do contrato que fizemos com Sporting e FC Porto. Queremos que seja uma prova com regularidade anual e estamos a fazer todos os esforços para que a selecção angolana, patrocinada pela Cristal, também entre na competição"
António Pires de Lima, presidente da UNICER

Na minha opinião, o crescimento da marca FC Porto passa, em grande parte, pelas comunidades lusófonas espalhadas pelo Mundo e daí ser estratégico o reforço da ligação aos PALOP, particularmente a Angola e a Moçambique.

Como se tudo isto não bastasse, ainda por cima sou apreciador e consumidor desta cerveja (nada como uma Super Bock fresquinha para acompanhar uma francesinha...)


Nota: Quem for abstémio pode sempre beber uma água Vitalis...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A crise e o modelo de gestão portista (III)

O impacto da crise no futebol português (I)

A crise vista da 2ª circular (II)


O Decreto-Lei n.º 67/97, de 3 de Abril, no seu artigo 45º determinou que as suas normas entravam em vigor no dia 1 de Agosto de 1997. Assim, até ao início da época desportiva seguinte (1997/98) deveriam os clubes optar por um de dois regimes:
- sociedade desportiva;
- clube desportivo sujeito a regime especial de gestão.

Analisando o desempenho das sociedades desportivas de FC Porto, Sporting e Benfica neste período – últimas 11 épocas, de 1997/98 a 2007/08 – é evidente que, quer em termos desportivos, quer em termos financeiros, a gestão portista demonstrou ser a melhor do futebol português. Isto para mim é claro e não há ‘Apito Final’ que o consiga disfarçar.

E se em termos desportivos – a essência e objectivo primordial das SAD’s – a diferença é abissal (7 campeonatos, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Taça Intercontinental, contra apenas 3 campeonatos ganhos por Sporting e Benfica em conjunto), em termos financeiros também parece não haver grandes dúvidas, bastando olhar para os passivos globais dos três clubes grandes.


O modelo de gestão portista, particularmente nas últimas cinco épocas (2004/05 a 2008/09) tem sido, no essencial, baseado nos seguintes princípios orientadores:

i) prospecção de jogadores (privilegiando o mercado sul-americano) feita pela própria SAD ou por empresários;

ii) investimento anual significativo em passes de jogadores (a maioria com idade inferior a 24 anos);

iii) crescimento e rentabilização desportiva dos jogadores durante três ou quatro épocas, com o desempenho na Liga dos Campeões a ser fundamental, visto servir de montra privilegiada para os "tubarões" europeus;

iv) venda de pelo menos dois dos melhores (e mais valorizados) jogadores todos os anos, de modo a gerarem mais-valias que permitam equilibrar as contas e realimentar o modelo.

É um facto que tem havido um elevado desperdício associado a muitos falhanços nas compras e ao número excessivo de jogadores sob contrato (com dezenas a terem de ser emprestados), mas a SAD portista tem tido o inegável mérito de conseguir vender muito bem as suas “pérolas” a alguns dos clubes mais endinheirados da Europa (Chelsea, Barcelona, Dínamo Moscovo, Manchester United, Real Madrid, Inter Milão), o que lhe permitiu fazer encaixes impensáveis, particularmente no pós-Gelsenkirchen.

Contudo, é óbvio que este é um modelo de risco elevado.

Por exemplo, o que acontecerá se, por falta de liquidez dos compradores, a FCP SAD não conseguir vender as suas “pérolas” durante duas épocas seguidas?

Ou, pior ainda (do ponto de vista desportivo), se tiver de vender dois ou três dos seus melhores jogadores, para encaixar o mesmo dinheiro que nos últimos anos recebia por apenas um?

Em 10 de Outubro passado, em declarações ao PÚBLICO, Fernando Gomes afirmou o seguinte:
Esta ausência de liquidez vai tornar muito mais difícil o acesso ao crédito, que terá uma selecção muito mais rigorosa, ainda mais quando os clubes portugueses estão altamente endividados e necessitados de fundos de terceiros, nomeadamente da banca.”

Mais recentemente, em declarações que fez à Agência Lusa, Fernando Gomes reafirmou e reforçou as suas preocupações com o impacto que a crise poderá ter no futebol e, particularmente, no FC Porto.

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Fernando Gomes, Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD


O administrador da sociedade desportiva do FC Porto, afirmou à Lusa que a actual situação económica e financeira, tendo em consideração o nível de endividamento dos cubes, vai "ter reflexos nos clubes e SAD, que vão ter maiores dificuldades de acesso ao crédito devido à falta de liquidez e terão condições de crédito muito mais gravosas", o que terá efeitos na conta de exploração.

Aquele responsável observou que, "tendo em linha de conta que Portugal é um país exportador de jogadores e que essas exportações são necessárias para equilibrar as SAD, com as mais valias geradas", a área das transferências vai ter "reflexos negativos sobre a vida financeira dos clubes" nacionais.
Fernando Gomes realçou que os clubes estrangeiros, nomeadamente do mercado inglês, terão menos liquidez para fazer compras e "os valores das transferências de jogadores deverão baixar, devido à menor capacidade de investimento dos clubes importadores, o que se traduz numa diminuição" de aquisições de jogadores.

O dirigente da SAD do FC Porto recordou que os custos com publicidade são dos primeiros a ser cortados pelas empresas, o que se irá fazer sentir nos patrocínios.

Fernando Gomes afirmou que o FC Porto tem um número significativo de lugares vendidos para todo o ano no início da época desportiva, mas garantiu que a SAD estará atenta para quando se iniciar a venda de lugares anuais para a próxima época tentar manter o seu número, não excluindo uma redução de preços.

"No futuro, se houver maior condicionamento, o FC Porto é, dos três, aquele que terá de ter maior atenção relativamente ao facto de ver diminuída essa parte da sua conta de exploração. Se já é uma preocupação este ano, nos anos subsequentes será uma preocupação acrescida", assinalou Fernando Gomes.

Para o administrador da SAD "é um dado objectivo que o FC Porto necessitará de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar" as suas contas, apesar de a venda de Quaresma para o Inter de Milão já ter aliviado o exercício de 2008/09.
Fernando Gomes considerou preocupante a "estagnação do mercado" por parte dos clubes europeus mais gastadores, que terá "reflexos ao nível dos clubes de países periféricos e exportadores, que necessitam dessas transacções para equilibrarem as suas contas".
"De alguma forma, o FC Porto pode ressentir-se mais (do que o Benfica e o Sporting), pois, tendo em conta o passado recente, tem conseguido equilibrar as suas contas de exploração com a geração de mais-valias" provenientes da transferência de futebolistas para o estrangeiro, observou.

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Quando o Dr. Fernando Gomes diz que a FCP SAD precisa de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar as suas contas, é um número que assusta. Contudo, se olharmos atentamente para os relatórios e contas da SAD, a dúvida que fica é se 25 milhões por época será suficiente.

Vale a pena recordar o valor (em milhões de euros) e peso que as mais-valias das transferências de jogadores têm tido nas contas da SAD:

Exercício de 2003/04: 58.290 (equivalente a 97,7% das receitas operacionais)
Exercício de 2004/05: 48.579 (110,2%)
Exercício de 2005/06: 14.205 (32,2%)
Exercício de 2006/07: 33.365 (60,7%)
Exercício de 2007/08: 42.964 (78,2%)

Ou seja, no pós-Gelsenkirchen (últimas cinco épocas), a FCP SAD encaixou, em média, 39.4 milhões de euros por época em mais-valias de transferências.
Deste modo, se 25 milhões anuais de mais-valias fossem suficientes, estes quase 40 milhões de euros anuais (valor médio), deveriam ter permitido que a SAD tivesse acumulado 75 milhões de euros (15 milhões por época) de resultados líquidos positivos nos últimos cinco anos. Ora, não foi isso que aconteceu.

Balanços da FCP SAD do período 2001-2008 (clique na imagem para ampliar)

Nota: Conforme se pode constatar no quadro anterior, em Junho de 2008 os capitais próprios da SAD estavam ao mesmo nível de Junho de 2003.

Mais. O orçamento para 2008/09 prevê 35.213 milhões de euros de mais-valias (76,2% das Receitas Operacionais), 10 milhões de euros acima dos 25 referidos como necessários pelo Dr. Fernando Gomes. Em que ficamos?

A venda de Quaresma, concretizada em 1 de Setembro de 2008, irá gerar uma mais-valia na ordem dos 17 milhões de euros, mas para cumprir o orçamento desta época é necessário que até 30 de Junho de 2009 haja outra(s) transferência(s) que gere(m) 18 milhões de euros em mais-valias.
É neste cenário que a saída de Bruno Alves, de Lucho, ou de ambos, se afigura como altamente provável.

Importa sublinhar o seguinte: O Dr. Fernando Gomes é um homem da confiança do presidente Pinto da Costa, sendo o administrador da FCP SAD com o pelouro financeiro e o representante nas relações com o Mercado. Pelo seu passado no clube e na SAD e por aquilo que conhecemos dele, não me parece que seja o tipo de pessoa que diz coisas gratuitas e sem fundamento.


Estas suas declarações não são bocas de café ou feitas de forma ligeira em fóruns na Internet. São afirmações claras, feitas à Agência Lusa de forma institucional, e demonstram que a preocupação com a gestão económico-financeira da SAD não é infundada e muito menos uma especulação resultante dos "críticos", de "bloguistas ignorantes", ou de mentes maquiavélicas anti-SAD.

(continua, Transferências, publicidade e patrocínios no futebol português)

Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A crise vista da 2ª circular (II)

O impacto da crise no futebol português (I)

Vale a pena recordar que o Sporting, depois de no final dos anos 90 e início deste século ter investido fortemente no futebol, acumulou um enorme passivo e atingiu uma situação de desequilíbrio financeiro tal, que obrigou a actual administração a vender património e a fazer cortes brutais na sua equipa de futebol (a propagandeada aposta na formação foi muito mais uma necessidade do que uma aposta estratégica). Como é óbvio, a politica de contenção dos últimos anos afectou a competitividade da sua equipa de futebol e só a partir desta época parece haver uma folga um bocadinho maior.

Ao contrário da “formiga” sportinguista, o seu vizinho da 2ª circular continua a adoptar a postura da “cigarra”. Todos os anos gastam milhões no suposto reforço da equipa de futebol, sem se perceber muito bem de onde vem tanto dinheiro.

Em declarações prestadas à Agência Lusa, primeiro em 6 de Novembro e, mais recentemente, a 3 de Janeiro, responsáveis das sociedades desportivas do FC Porto, Benfica e Sporting afirmaram que o futebol português não escapará à recessão que afecta a economia europeia, mas que os efeitos da crise devem sentir-se de forma desigual nos três "grandes".

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Filipe Soares Franco, Sporting SAD


O presidente do Sporting antevê "com toda a segurança" um "crédito bancário mais difícil e mais caro, sobretudo para as organizações que apresentem menos sustentabilidade", porque os bancos vão ser mais restritivos na concessão de crédito devido à crise de liquidez.

Relativamente ao mercado de transferências, aquele empresário, presidente do grupo Opway, considerou que a crise "vai afectar os negócios em geral e os clubes fortes poderão ficar menos fortes e os clubes médios vão ficar mais fracos", admitindo uma quebra nos valores das transferências, normalmente essenciais para os principais clubes nacionais equilibrarem as contas.
Os clubes “vão ser mais selectivos” e só quererão comprar os melhores por um preço mais baixo, admitindo que, como vai haver menos procura e muita oferta, os preços de venda dos passes dos jogadores tendem a reduzir-se.

Em relação às receitas de bilheteira e merchandising, Soares Franco salientou que terá de haver um grande esforço dos clubes para manterem a assistência e as receitas, indicando que no caso do Sporting cerca de metade dos lugares estão vendidos para toda a época, razão pela qual, pelo menos na época em curso, não haverá reduções de preços para não prejudicar quem comprou bilhetes antecipadamente.

Filipe Soares Franco garantiu que o Sporting está "preparado para enfrentar os tempos difíceis que aí vêm, mas isso não quer dizer que está imune a esses problemas", pois ainda tem "um endividamento muito alto e precisa de, pontualmente, vender alguns dos seus activos para poder fazer face à diminuição de lucros e reduzir o passivo".
"Isso é algo que o Sporting não deve parar de fazer, sobretudo numa altura destas. Espero que o Sporting consiga, com a reestruturação financeira que está a terminar, ter uma sustentabilidade que lhe permita passar esta fase difícil de forma mais suave", advogou.

Para o presidente dos “leões”, 2009 "não será um ano fácil em nenhuma vertente e o futebol terá que se adaptar à nova realidade económica que o mundo está a viver e que passa por uma enorme falta de liquidez nos mercados" e os "colossos" europeus não são excepção.
Filipe Soares Franco lembrou que "esses clubes não são ilhas desertas que contornam todas as dificuldades criadas pelo cenário internacional" e descartou a possibilidade de abdicar da política de austeridade para agradar aos sócios em ano de eleições.

Evolução dos Proveitos vs Custos da Sporting SAD (fonte: Fórum SCP)

"O Sporting nunca seguirá esse rumo. O Sporting pauta as suas decisões pela racionalidade e não pelo facto de ser ano eleitoral. Aliás, o maior investimento que fizemos esta época foi não termos vendido nenhum jogador importante", assegurou o presidente "leonino".

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Domingos Soares de Oliveira, Benfica SAD

O administrador financeiro da SAD do Benfica afirmou ter consciência das maiores restrições ao crédito por parte das entidades bancárias em geral, mas assinalou que a maioria dos créditos contratados pelo clube estão negociados a longo prazo. O responsável assinalou que se o Benfica precisar de novos empréstimos, além de falar com os parceiros habituais, poderá optar por outros meios de financiamento, como empréstimos obrigacionistas, observando que até à data o clube não teve dificuldades de crédito.

As receitas de bilheteira têm estado acima do orçamentado, embora em situações pontuais haja indícios de menor disponibilidade dos espectadores, garantiu Domingos Oliveira, considerando que "face à qualidade da equipa, as dificuldades são compensadas porque a qualidade do espectáculo é boa".

Aquele gestor prevê que possa haver restrições na importação de jogadores se os clubes destinatários tiverem dificuldades financeiras ou de crédito, mas assinalou que o Benfica "não tem uma dependência por aí além das vendas de jogadores" para equilibrar o seu balanço e não será muito afectado por isso, recordando que o clube não vendeu jogadores no fim da época passada e apresentou resultados positivos.

Mais do que o "apertar do cinto" de Chelsea, Manchester United, Real Madrid ou Inter de Milão, o drama para o Benfica passa por novo afastamento da "liga milionária", pois, como notou Domingos Soares de Oliveira, "a diferença entre a Liga dos Campeões e a Taça UEFA situa-se entre os sete e dez milhões de euros".

"Desenvolvemos um modelo que visava não depender da venda de jogadores. Esta quebra do mercado é-nos mais favorável do que em relação a alguns concorrentes. Mas se todos os proveitos se reduzirem, em 2010, o Benfica também terá necessidade de vender jogadores", preveniu.

O administrador da SAD do Benfica espera quebras nas receitas de bilheteira e quotização, pois "é impensável julgar que as pessoas vão continuar a pagar, quando até o consumo de bebidas e gasolina diminui", mas salienta que é a Liga dos Campeões que faz a diferença: "Não podemos manter esta ausência durante muito tempo".

Para Domingos Soares de Oliveira, é o "sucesso ou insucesso na performance desportiva" que pode determinar uma boa ou má época para a tesouraria benfiquista e não os proveitos com a venda de jogadores, pois "a última grande venda foi a de Simão (para o Atlético de Madrid), já há quase dois anos".
"Não diria que vai secar, mas esse mercado vai diminuir significativamente. Não se atingirão os níveis, nem em valores, nem em quantidade, que se atingiram nos últimos anos. Vermos clubes que, num ano, fazem 50 ou 60 milhões de euros de vendas... não acredito que isso aconteça", defendeu.


(continua, A perspectiva de Fernando Gomes, administrador da FCP SAD)

Fonte: Agência Lusa
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O impacto da crise no futebol português (I)

Os efeitos da crise mundial no futebol já se começam a sentir. Exemplos não faltam, incluindo no milionário futebol inglês (o mais rico a nível mundial). A AIG, principal patrocinadora do Manchester United, esteve à beira da falência, sendo salva pelo governo dos EUA; o Chelsea, tudo o indica, está à venda (basta que apareça alguém com dinheiro fresco para comprar o “brinquedo” de Roman Arkadyevich Abramovich).

Em Portugal, apesar de 90% das discussões serem à volta da arbitragem, têm-se também multiplicado os sinais de alerta (para quem esteve atento). O BES já anunciou que no final desta época vai deixar de patrocinar as camisolas dos três grandes e as declarações de responsáveis das SAD’s do FC Porto, Sporting e Benfica têm todas um denominador comum: a crise financeira mundial vai-se fazer sentir no futebol português, principalmente nas receitas das transferências de jogadores, publicidade e de bilheteira, que irão diminuir.

Há cerca de três meses, o Nuno Nunes abordou este assunto no ‘Reflexão Portista’. Primeiro, no artigo ‘Futebol e a crise financeira mundial (I)’, onde referiu que “as dificuldades poderão ter diversas origens e previsivelmente irão fazer-se sentir tanto no lado da receita – uma retracção no consumo poderá afectar negativamente a receita de bilheteira e de merchandising e a médio e longo prazo a receita proveniente da sponsorização se as assistências tiverem uma forte diminuição e, principalmente, uma redução dos valores envolvidos no mercado de transferências, a maior fonte de receita do FC Porto – como do lado da despesa – uma aumento das taxas de juro fará com que os encargos com a dívida aumentem e que o acesso ao crédito bancário seja mais restrito”.

Em 04/11/2008, com a publicação da 2ª parte – ‘Futebol e a crise financeira mundial (II)’ – analisando o caso concreto do FC Porto, o Nuno Nunes refere que “no ano passado, o Balanço da SAD evidenciava um total de dívida bancária de 59,3 milhões de euros, sendo 62% de médio e longo prazo e 38% de curto prazo. Este ano o Balanço apresenta um montante de dívida bancária de 79,6 milhões de euros (mais 20 milhões do que no ano passado!) sendo 44% da sua composição dívida de médio e longo prazo e 56% de curto prazo. Ou seja, em apenas um ano, a SAD aumentou o seu endividamento em 34% sendo que a maior fatia desse endividamento é exigível num prazo inferior a um ano”.

Embora saibamos que este assunto não merece muita atenção por parte dos adeptos (basta ver a quantidade residual de comentários que são feitos a este tipo de artigos), e o seu interesse diminua ainda mais numa semana em que regressamos à liderança do campeonato, entendo ser fundamental os portistas estarem cientes do impacto que esta situação poderá ter no modelo de gestão que tem vindo a ser seguido pela sociedade desportiva do FC Porto na última década.
Nesse sentido, irei recordar em três artigos análises e declarações feitas nos últimos dois meses por consultores, economistas e responsáveis das SAD’s dos três principais clubes portugueses.

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O consultor da Deloitte Ricardo Gonçalves previu que no curto e médio prazo haverá clubes e sociedades desportivas que vão cessar a actividade profissional de futebol, na Europa como em Portugal.

"A indústria de futebol é uma actividade económica como as outras e não está imune à crise", disse à agência Lusa aquele analista da Deloitte, especializado na área do desporto.

Ricardo Gonçalves assinalou que o crédito mais escasso e mais caro, uma previsível redução dos proveitos de patrocínios e publicidade, menor rendimento da venda de jogadores para o estrangeiro e quebra de receitas de bilheteira e merchandising (vendas de camisolas e outros artigos), vai implicar "um aperto de cinto" dos clubes portugueses.

Salientou que com a baixa da taxa Euribor serão aliviados os custos dos clubes com empréstimos passados mas, num contexto de problemas de liquidez, a obtenção de novos empréstimos será dificultada: "Vai haver menos dinheiro para emprestar aos clubes", e o custo do crédito vai agravar-se, com spreads muito maiores.

Aquele consultor da Deloitte sublinhou que a indústria de futebol, não só em Portugal como na Europa, está bastante endividada e apresenta um risco superior à média, "tem um balanço muito débil e vai ter problemas nesta conjuntura" de contracção económica.

Ricardo Gonçalves salientou que os custos com pessoal (salários mais amortizações de transferências) se situam em média em Portugal em 69 por cento das receitas correntes, acima dos 60 por cento recomendados pela UEFA, o que significa que é preciso um "pequeno ajustamento" no sector.

Mas o consultor da Deloitte acredita que, após uma fase de redução de preços de transferências e contenção de salários nas renegociações de contratos no curto/médio prazo, devido à crise económica, estas variáveis vão voltar ao normal e crescer no longo prazo.
Ricardo Gonçalves acredita que a longo prazo a receita gerada pela indústria do futebol vai voltar a crescer, porque o rendimento disponível das famílias aumentará e haverá mais tempo de lazer, o que significa que os valores de transferências e os salários vão voltar a subir.

Adiantou que existe uma correlação directa entre o crescimento do PIB de cada economia e o crescimento das respectivas indústrias desportivas, em que o futebol ocupa lugar de relevo no caso europeu.

Ricardo Gonçalves salientou a tendência de globalização da indústria do futebol, com entrada em novos mercados, destacando que a opção pela realização de campeonatos mundiais em países como o Japão e Coreia do Sul ou na África do Sul se insere nessa lógica.


"Há grandes clubes europeus que estão a fazer as suas pré-épocas na China, numa lógica de globalização de marcas", observou.

O especialista da Deloitte considera que a indústria mundial de futebol tem futuro e Portugal tem vantagens competitivas neste sector, porque é um mercado com grande apetência para a prática de futebol, que atrai muitos jovens, e para o seu consumo, além de ter um clima que permite jogar todo o ano e bons estádios espalhados por todo o país.

Além disso, nos últimos sete anos houve dois jogadores de futebol portugueses considerados como os melhores do mundo (Figo e Cristiano Ronaldo), o que contribui para que os futebolistas nacionais sejam mais valorizados nos mercados internacionais.

Ricardo Gonçalves defende que os clubes portugueses devem continuar a racionalização nos salários e custos de compra dos jogadores, que já começou há uns quatro anos, e transformar os modelos salariais, com maior componente de remuneração variável em função dos resultados, para se ajustarem a receitas também variáveis.

(continua, A opinião de responsáveis das SAD do Sporting e Benfica)

Fonte: Agência Lusa, 10/12/2008
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Liga Sagres ou Liga SLB?


«O Benfica e a Sagres assinaram no último dia de 2008 um acordo de patrocínio para todas as modalidades do clube encarnado que terá a duração de, pelo menos, três temporadas a troco de 1,5 milhões de euros/ano.
Este valor é apenas uma referência, pois o montante que a cervejeira vai pagar ao Benfica pode ser ajustado de acordo com o êxito desportivo. No contrato ficou assente que as duas partes podem, em 2011, prolongar o acordo desde que ambas o pretendam.
No que diz respeito ao futebol profissional, a Sagres substitui o Banco Espírito Santo (BES) nas costas das camisolas. A entidade bancária que patrocina os três grandes, já revelou que vai deixar o futebol no final da época.
Segunda-feira Benfica e Sagres divulgarão pormenores do acordo.»
in DN, 03/01/2009


1,5 Milhões de euros/ano (no mínimo) para as modalidades é, sem dúvida, um excelente patrocínio e que vem reforçar a ligação que já existia entre a Sagres e o SLB.

Em 07/07/2008, relativamente ao naming das Bancadas do Estádio da Luz, o site oficial do SLB anunciava:
«TMN e Meo substituem respectivamente as bancadas PT e Sapo. As restantes bancadas - Coca-Cola e Sagres - mantêm a designação».


Juntando o naming de uma das Bancadas do Estádio, o patrocínio de todas as modalidades do clube e a publicidade das costas das camisolas da equipa principal, é fácil concluir que as verbas anuais envolvidas andarão na ordem dos 4 a 5 milhões de euros, tornando a Sagres no principal parceiro comercial do SLB.

Ora, faz sentido que o patrocinador do campeonato nacional e que dá nome ao mesmo seja, simultaneamente, o principal parceiro comercial de um dos clubes que disputa essa competição?

Imagine-se o que diria a comunicação social lisboeta se o clube envolvido fosse o FC Porto. Expressões como “Promiscuidade”, “Conflito de interesses”, “Suspeição” e “Mulher de César” iriam ser repetidas até à exaustão e, provavelmente, a pressão dos media obrigaria a Liga de Clubes a mudar o seu patrocinador. Mas como é o SLB não merece, sequer, um comentariozinho…

Por falar em “mulher de César”, o João Saraiva já tinha aflorado este assunto, a propósito da apresentação dos equipamentos do Sporting tendo, na altura, sido referido que a Sagres iria patrocinar as equipas de Futsal e de Andebol do Sporting.


Evidentemente, no caso do SLB estamos a falar de uma parceria de outra amplitude, que também envolve o futebol e cujos montantes são muitíssimo superiores.

Deixo uma pergunta final: se a Sagres pudesse escolher um clube para ganhar a competição que patrocina, qual seria esse clube?
Não é difícil adivinhar…

sábado, 19 de julho de 2008

À mulher de César

Depois da Superliga, da Liga BetandWin e da Liga Bwin, vamos ter esta época a Liga Sagres.

até aqui nada de muito novo, se exceptuarmos o facto de depois de se patrocinar uma casa de apostas se passar a patrocinar uma bebida alcoólica, mas isso é outra conversa.

Mas voltando ao patrocínio da Liga, quando se escolhe um patrocínio destes espera-se que o mesmo seja equidistante a todos os clubes e que a todos beneficie sem tomar partido. Por isso não pude deixar de me espantar, quando há dias vi a apresentação dos equipamentos do Sporting:

e reparo: "Sagres"?

Não sei se aquilo foi só para a apresentação, ou em que contexto o vão utilizar, mas assim à partida parece-me que à mulher de césar não basta ser séria é preciso parecê-lo, e que por questões de transparência e precisamente para não abrir mão a especulações, parece-me que uma marca que patrocine a Liga não deve ter ligações individuais a um clube.

Assim como a Era que patrocina (ou patrocinou) os árbitros não poderia ter nenhuma ligação a um clube.

Assim como a Vitalis não deverá patrocinar nenhum clube da II Liga, ou a Carlsberg nenhuma equipa que participe na Taça da Liga.