![]() |
| Capa do Record de 03-12-2015 |
400 milhões! Benfica fecha contrato histórico com a venda dos direitos de televisão à NOS até 2026
Capa do jornal Record de 03-12-2015
O maior negócio do futebol português: Benfica na NOS por €400 milhões
Encarnados recebem recorde de 400 milhões pelos jogos em casa
400 milhões de TV: Benfica celebra contrato milionário
Capa do jornal A Bola de 03-12-2015
“O maior negócio do futebol português”
“Histórico”
“Recorde”
“Contrato milionário”
“Um negócio sem precedentes em Portugal”
“águias passam a receber mais do que FC Porto e Sporting juntos”
“A marca Benfica é maior do que o país!”
O país ficou de boca aberta e isto foram algumas das coisas ditas e escritas acerca do excelente negócio (há que o reconhecer) feito entre o SL Benfica e a NOS.
Mas houve mais. Por exemplo, o jornalista António Tadeia (também comentador da RTP), escreveu o seguinte:
«O negócio do Benfica com a Nos, para a venda dos direitos televisivos dos jogos do campeão nacional àquela operadora, por valores que podem chegar aos 400 milhões de euros, veio abalar os panoramas audiovisual e futebolístico portugueses. (…) os 400 milhões que o Benfica pode vir a receber pelos dez anos de direitos televisivos dos seus jogos da Liga em casa representam uma grande vitória da estratégia montada pela direção de Luís Filipe Vieira na questão dos direitos de TV. O Benfica viu de facto mais longe que toda a gente, pois conseguiu valorizar os conteúdos relativamente àquilo que a Sport TV pagava. (…) É evidente que os direitos televisivos do Benfica valem muito mais do que os dos outros clubes (…)»
António Tadeia, 02-12-2015
Conforme se viu, leu e ouviu, apesar dos jogos dos encarnados (no Estádio da Luz) voltarem, já a partir da próxima época, a ser transmitidos pela Sport TV do “arqui-inimigo” Joaquim Oliveira, nem isso foi motivo para arrefecer o entusiasmo dos benfiquistas, jornalistas e comentadores acerca deste extraordinário contrato entre o SL Benfica e a NOS.
![]() |
| Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira a comemorar o acordo entre as duas Partes |
E nem o facto de ser um "casamento" de 10 anos (épocas 2016/17 a 2025/26) foi visto como um problema, bem pelo contrário, como se percebe pela posição de Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, o qual, embora assumindo haver risco em fazer um contrato a dez anos, afirmou o seguinte:
“Se pensarmos um pouco como é que o mercado vai evoluir em termos da concorrência à volta de conteúdos, que é claramente uma das peças chave para conseguirmos ter alcançado o nosso valor, não tenho certezas, olhando bem o que é o mercado das operadoras de telecomunicações, tenho até algumas dúvidas que esta grande concorrência que existe hoje se possa manter em termos futuros. Portanto, havia que aproveitar o momento e foi isso que fizemos.”
Ora, se o contrato entre o SL Benfica e a NOS foi excelente, algo verdadeiramente extraordinário, só possível pela dimensão do clube e potencial da marca Benfica, que dizer do acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, pelo valor global de EUR 457.500.000?
![]() |
| Capa de O JOGO de 27-12-2015 |
Eu acho que nem há adjetivos. Fabulástico foi aquilo que me ocorreu, quando soube da notícia.
E se houve quem ficasse de boca aberta com os 400 milhões de euros do contrato SLB – NOS, parece que há quem tenha ficado sem fala e a engolir em seco, com os 457,5 milhões do acordo FCP – PT.
Ainda não conhecemos, em detalhe, os pormenores deste acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, mas do que fui lendo (recomendo este artigo no ‘Tribunal do Dragão’) e ouvindo, só vejo aspetos positivos:
Resolução, imediata, da ausência de um patrocinador para a parte frontal das camisolas da Equipa Principal para as próximas sete épocas e meia (receita garantida até ao final da época 2022/2023). E mais, os valores referidos para esta componente do acordo – 5 milhões/época – representam um aumento de 35% em relação ao valor do contrato anterior (3.7 milhões/época).
Resolução da sustentabilidade do Porto Canal, pelo menos durante 12 épocas e meia (até 30 junho de 2028).
Os valores referidos para esta componente do acordo são, também, de 5 milhões/época, mas convém lembrar que os custos de operação do Porto Canal são muito inferiores aos da BTV.
Somando as verbas correspondentes ao…
… Direito de Transmissão do Porto Canal, pelo período de 12 épocas e meia (62,5 milhões de euros)…
… e ao Estatuto de Patrocinador Principal do FC Porto, com o direito de colocar publicidade na parte frontal das camisolas da Equipa Principal de Futebol do FC Porto, pelo período de sete épocas e meia (37,5 milhões de euros)…
… sobram 357,5 milhões de euros para os Direitos de Transmissão Televisiva + Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão, por um período de 10 anos, com inicio em 1 de Julho de 2018.
Ou seja, com este acordo, a partir de 1 de Julho de 2018 e durante 10 épocas (2018/19 até 2027/28), as administrações da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, sejam elas quais forem, terão garantidos cerca de 35,7 milhões de euros por época (em média), o que é quase o dobro do contrato atual com a PPTV;
Mais 5 milhões/época correspondentes ao patrocínio da parte frontal das camisolas.
E, já agora, mais o desafogo resultante do project finance do Estádio do Dragão terminar em 2018.
Perante este cenário, não diria cor-de-rosa, mas azul e branco, se os próximos três exercícios (2015/16, 2016/17 e 2017/18) fecharem com contas equilibradas quem, a partir de 1 de Julho de 2018, tiver de gerir (financeiramente) a FC Porto SAD, terá menos dores de cabeça.


















