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terça-feira, 7 de abril de 2015

Tozé e os emprestados

A minha opinião sobre a utilização de jogadores emprestados é simples: se o clube que empresta o jogador é o detentor do seu passe (leia-se, da maior parte dos direitos económicos) e, simultaneamente, é responsável pelo pagamento do respectivo ordenado, esse jogador não deve participar nos jogos contra a equipa da sua entidade patronal. É uma questão de conflito de interesses. Ponto.

Como é público, não era esta a situação de Miguel Rosa e Deyverson e daí o mistério...

Miguel Rosa e Deyverson (fonte: capa do Record)

Mais. Entendo que os regulamentos da FPF deveriam prever um limite no número de jogadores emprestados a um clube da mesma divisão. Dois parece-me um número adequado para a dimensão de um plantel (a generalidade dos clubes têm planteis com 24 a 26 jogadores).

O “caso Tozé”

A propósito do FC Porto x Estoril de ontem, voltaram a levantar-se vozes, devido ao facto do Tozé não ter sido titular no Estádio do Dragão.
No meio destas vozes, há de tudo: os idiotas, os intelectualmente desonestos, os mal-informados, etc.

Eu não sei se a FC Porto SAD é responsável pelo pagamento da maior parte do ordenado do Tozé (vou partir do princípio que não).

O que eu sei é outra coisa. Desde que houve mudança de treinador no Estoril, o Tozé deixou de ser um dos titulares indiscutíveis. A prova disso é o facto de, nas quatro jornadas após a goleada sofrida na Luz, o Tozé só ter sido titular UMA vez (foi duas vezes suplente utilizado e uma vez suplente não utilizado).

Os novos treinadores do Estoril - Fabiano Soares e Hugo Leal

Sendo esta a realidade dos factos e se já no outro jogo disputado fora de casa (Restelo, 25ª Jornada), o Tozé tinha sido suplente, qual é o escândalo por o Tozé não ter sido titular no Estádio do Dragão?


P.S. Ouvi, na rádio, um idiota escandalizado por o Kléber não ter jogado contra o FC Porto. Independentemente de outras razões (a maior parte do ordenado do Kléber é pago pela SAD do FC Porto), convinha que, antes de falarem, estes comentadores se informassem sobre o estado do físico dos jogadores. É que o Kléber já não jogou na jornada anterior (Estoril x Penafiel), precisamente por estar lesionado.

P.S.2 Alguém me sabe dizer qual foi o último jogador emprestado pelo SLB que, tendo jogado contra os encarnados, fez uma boa exibição, conquistou um penálti e/ou marcou um golo, contribuindo, decisivamente, para a perda de pontos do SLB?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sete longos meses sem fins-de-semana



Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer. 
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos. 
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos "grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Eusébio e Tozé, descubra as diferenças

«Tozé, médio cedido pelo FC Porto ao Estoril [o empréstimo é válido por duas temporadas e o Estoril garantiu 35% do passe do jogador], esteve em destaque neste domingo. O jovem internacional português foi titular frente aos dragões, sofreu uma grande penalidade na reta final do encontro e converteu-a com eficácia. A equipa de Julen Lopetegui perdeu dois pontos na Amoreira (2-2).
O jogador não festejou o golo e pediu desculpa aos adeptos do FC Porto, clube que representa desde 2005
in Maisfutebol, 10-11-2014


O Porto é o clube do meu coração e foi difícil para mim, mas tentei ser profissional e ajudar o Estoril
Tozé, no final do Estoril x FC Porto, em declarações à SportTv


O jogador [Tozé] estava sereno, embora toda a situação tenha mexido com ele, pela história que tem com o FC Porto e que possivelmente ainda não acabou. Se o FC Porto o quiser de volta vai contar com um profissional de alto gabarito.
Ele é profissional e demonstrou isso, acima das paixões clubísticas ou do histórico da formação.”
Tiago Ribeiro, presidente do Estoril, em declarações ao Maisfutebol



«Eterno adepto do Benfica, o “Pantera Negra” revelou, numa entrevista a ser transmitida esta quarta-feira pela RTP, que na sua carreira chegou a fazer “birra” para não marcar um golo contra o clube do coração.
Eusébio interrompeu um período de 14 anos de ligação ao Benfica, dois meses depois da “Revolução dos Cravos”, para passagens curtas pelos Estados Unidos da América, México e Canadá. Um ano depois de ter abandonado Lisboa, Eusébio regressou a Portugal, em 1976, para jogar no Beira-Mar. Mas avisou o seu treinador que jamais marcaria um golo ao Benfica.
Não me peçam para marcar um penálti, nem um livre. Se for para marcar um penálti eu mando um pontapé para fora”, revelou o ex-futebolista, que acabou por não ter feito um único remate quando defrontou o Benfica, que viria a sagrar-se campeão na mesma temporada.
Eusébio contou ainda que, a 15 minutos do início da partida, foi ao balneário do Benfica “tranquilizar” os ex-companheiros. “Malta, eu vou jogar mas estejam tranquilos porque não vai haver golos”, disse o então avançado do Beira-Mar.»


Que história exemplar!

É caso para dizer, principalmente aos benfiquistas, descubra as diferenças entre estes dois casos…

Mais. Enquanto o Tozé está emprestado, tem contrato com o FC Porto e a maior parte do seu passe pertence à SAD portista, no caso do Eusébio, quando, em 5 de Janeiro de 1977, defrontou o “seu clube do coração” ao serviço do Beira Mar, já há mais de dois anos que não tinha qualquer tipo de vínculo ao SL Benfica.

Mas o pior de tudo é saber que a generalidade dos benfiquistas – adeptos, comentadores, jornalistas, ex-jogadores, etc. – em vez de vergonha, têm orgulho nesta história.
Isto é que é (foi) amor ao “glorioso”, dizem eles.

sábado, 5 de julho de 2014

Está tudo doido

Tiro o chapéu à SAD do Estoril; isto sim, é argúcia, é saber montar um negócio sem risco. Será que o Estoril não está interessado no Jackson ou no Reyes? Se pedirem com jeitinho, levam os jogadores e um bónus em dinheiro.

"Com esta contratação, o Estoril encontrou o substituto para colmatar a vaga deixada por Evandro." - não sei se ria ou se chore!

terça-feira, 29 de abril de 2014

António José Pinheiro Carvalho, conhecem?

António José Pinheiro Carvalho é um jogador de futebol português, com 21 anos (nasceu em Forjães, em 14-01-1993), o qual mantém ligação ao FC Porto há quase 10 anos (desde a época 2005/2006).

Entre Tiago Ferreira e Gonçalo Paciência, FC Porto B x SLB B

Para além do seu trajecto no FC Porto (dos iniciados aos seniores), António José Pinheiro Carvalho foi internacional por Portugal em Sub-16, Sub-17, Sub-18, Sub-19, Sub-20 e Sub-21. No total, conta já com 54 internacionalizações pelas diversas seleções portuguesas de futebol por onde passou, ao serviço das quais marcou 9 golos.

Sendo um médio ofensivo (tem algumas características que me fazem lembrar o Rui Barros) é, atualmente, um dos melhores goleadores do campeonato da II Liga, tendo marcado 20 golos (10 dos quais de grande penalidade) em 39 jogos, nos quais foi sempre titular do FC Porto B.

Marcação de um penalty, FC Porto B x SLB B

Aliás, quer com Rui Gomes na época passada, quer com Luís Castro e José Guilherme nesta época, António José Pinheiro Carvalho foi sempre um dos indiscutíveis da equipa B do FC Porto, jogando a médio interior, número 10 ou extremo.

Ao contrário dos médios ofensivos da equipa principal, António José Pinheiro Carvalho está a atravessar um grande momento de forma. Nas últimas cinco jornadas da II Liga (jornadas 36 a 40), só por uma vez ficou em branco, tendo marcado nestes cinco jogos um total de 7 golos.

Marcação de um livre, FC Porto B x SLB B

António José Pinheiro Carvalho, mais conhecido por Tozé, já jogou 24 minutos pela equipa principal do FC Porto. Essa oportunidade foi-lhe dada por Vítor Pereira na época passada, no FC Porto x Olhanense, disputado no dia 10 de Fevereiro de 2013.

Atendendo ao desempenho sofrível da equipa do FC Porto e, particularmente, ao desempenho pouco brilhante que os médios ofensivos – Josué, Carlos Eduardo, Quintero – têm tido ao longo desta época, que mais é que o Tozé precisa de fazer para ter uma nova oportunidade na equipa principal?

Remate de fora da área, FC Porto B x SLB B

Espero que essa oportunidade lhe seja dada por Luís Castro já no próximo fim-de-semana, novamente contra o Olhanense, num jogo em que Josué não vai poder atuar por estar a cumprir castigo.

domingo, 20 de abril de 2014

Pedro, Tozé e Gonçalo, tenham paciência...

Devido à lesão de Helton, o angolano Kadú foi "promovido" a guarda-redes suplente de Fabiano. Evidentemente, necessita de continuar a jogar na equipa B, mas parece-me claro que o FC Porto não precisa de contratar um 3º guarda-redes para o plantel da equipa principal.

Víctor García já teve duas oportunidades na equipa principal, uma na Taça da Liga e outra no campeonato mas, tendo já em vista a próxima época, penso que Luís Castro deveria voltar a apostar neste defesa-direito venezuelano para a recepção ao Rio Ave e, eventualmente, experimentar Danilo onde ele mais gosta de jogar (no meio-campo).

Mikel é outro dos jogadores da equipa B que já integrou algumas vezes o lote dos 18 convocados da equipa principal. Será desta (2ª feira, frente ao Rio Ave) que, finalmente, o médio defensivo nigeriano vai ter oportunidade de jogar no lugar do castigado Fernando?

Há outros jogadores da equipa B que, na minha opinião, já poderiam (deveriam) ter tido uma oportunidade na equipa principal, casos de Pedro Moreira, Tozé e Gonçalo Paciência, mas penso que isso só acontecerá na próxima época, após a anunciada "revolução"...

Tozé, 2º golo do FC Porto

Pedro Moreira, 3º golo do FC Porto

Nota: Resumo do FC Porto B x Benfica B (4-1), disputado ontem, referente à 39.ª jornada da II Liga.

domingo, 23 de dezembro de 2012

O rumo do FC Porto B!

O FC Porto B empatou hoje em casa com o equivalente encarnado num jogo onde os golos disfarçaram a pobreza futebolística. Este projecto que é a equipa B parece ter sido mal parido e pior gerido. Apesar de uma série recente de bons resultados, é confrangedor ver uma equipa com o emblema do FC Porto tão perdida em campo, como se não soubesse o b-á-b-á do futebol.

As semelhanças com a primeira equipa começam com o 4-3-3. E acabam aí.
Rui Gomes tem um plantel bastante medíocre  para os padrões do FC Porto. E talvez por isso prefira uma abordagem muito mais defensiva. As linhas jogam a quilómetros, uma das outras. O quarteto da defesa raramente chega à linha de meio-campo, os laterais quase nunca dobram os médios no ataque e o buraco entre o trio do miolo e os homens do ataque é constante. Não só neste jogo, é uma tendência desde Setembro.

No jogo em questão, apesar de tudo, o FC Porto B foi superior porque o Benfica B joga ainda pior.
Chegaram aos 2-0 muito cedo, concederam um auto-golo que deu oxigénio ao Benfica e depois sofreram o golo do empate, tudo na primeira parte. tudo muito inocente, tudo muito atabalhoado, tudo sem critério, tudo longe dos padrões de excelência que se deve exigir a uma equipa com o dragão ao peito.
No segundo tempo o Benfica dedicou-se a distribuir faltas pelo meio-campo e o médio peruano Ascues, demorou quinze minutos entre o momento em que deveria ter sido expulso e o que realmente foi enviado para o banho. Em vez de cair em cima do rival, faltou killer instinct. O treinador não mudou nada, os jogadores não cresceram e com dez o Benfica teve as suas oportunidades. O empate foi justo, pela mediocridade colectiva, e só o péssimo arranque de época dos homens de Rui Gomes justifica a diferença de sete pontos na tabela classificativa. Ao contrário do Sporting B, que realmente joga a outro nível, as equipas B de FC Porto e SL Benfica estão a anos-luz do que se lhes exige.



Doeu-me ouvir ao final Rui Gomes dizer que fez o melhor jogo do ano. É caso para pensar.
Se o treinador da equipa pensa que este é o melhor futebol que pode fazer, então há realmente algo que não está mesmo a funcionar neste projecto. Uma equipa B serve, sobretudo, para pensar em lançar jogadores para a primeira equipa. Devem jogar da mesma forma, com os mesmos processos e trabalhando jogadores de futuro. Na realidade o FC Porto B é algo bem diferente.
Deste plantel actual vejo apenas em dois jogadores reais possibilidades de chegar à primeira equipa.
Casos como Sérgio Oliveira, Pedro Moreira, David Bruno e Delatorre são para esquecer. Jogadores muito melhores que eles foram dispensados por muito menos. Tiago Ferreira gera-me dúvidas. Tem potencial mas falta-lhe ainda a maturidade que à sua idade tinham Fernando Couto, Jorge Costa e Ricardo Carvalho, por exemplo. Seba e Vion querem mas raramente conseguem.

Só mesmo Fábio Martins e Tozé demonstraram ter o futebol na cabeça e o espírito competitivo no corpo para sonhar com mais. O extremo tem de polir muito o seu jogo, mas é um jogador vertical e incisivo que quero seguir com mais atenção. Tozé é um projecto bem mais sério. Pequeno, de baixo centro de gravidade, pauta o jogo como quer, lê bem os espaços, tem uma técnica considerável e joga para a equipa, o que é difícil a esta idade. Aos 19 anos está no momento decisivo da sua carreira.

A equipa B tornou-se num entreposto comercial. No onze titular havia um sérvio, um zambiano e dois brasileiros. No banco estavam ainda um francês e outros dois brasileiros. Jogadores de perfil muito baixo, sem potencial para se afirmarem a nível internacional. Quando o FC Porto vai ao mercado mexicano pescar pérolas como Diego Reyes, jogadores com um potencial tremendo, pagando por isso cerca de 7 milhões de euros, é importante ver como é gerida a equipa B para perceber o quão mal este projecto está desenhado desde o principio.

Se os directores do FC Porto querem jogadores jovens estrangeiros para a equipa B, tudo bem. Mas que sejam Reyes, James, descobertos não depois de "explodirem" nacionalmente mas antes disso, quando a rentabilidade para o clube for muito maior. É curioso que no meio disto tudo, tanto Tozé como Fábio Martins nasceram no Grande Porto, precisamente a área de prospecção que mais temos negligenciado.


Espero honestamente que este ano de prova sirva para aprender lições para o futuro. O resultado de hoje - e o resultado do final da época, sempre que seja em lugares de salvação - é o de menos. Urge trabalhar sobretudo a ideia por detrás do projecto equipa B nos escritórios e dar uma profundidade táctica no relvado. Sem ambas as directrizes, fundamentais, a equipa B do FC Porto vai ter um final prematuro!