«Haverá dinheiro para o FC Porto fazer a renovação que se impõe e, simultaneamente, construir um plantel melhor?
Estará a secção de Hóquei em Patins do FC Porto suficientemente bem estruturada, para viver sem a presença (e apoio financeiro) de
Ilídio Pinto, o homem que, do quase nada, transformou o hóquei em patins azul-e-branco numa das maiores potências a nível mundial?
Um ano depois do FC Porto ter ganho a dobradinha, não estou nada optimista com o futuro do hóquei portista.»
Maio de 2015. Onze meses depois de ter publicado esse artigo (quase premonitório)…
 |
| O JOGO, 03-05-2015 |
SAÍDAS: Tó Neves, Ricardo Barreiros, Caio e Pedro Moreira, todos para a UD Oliveirense e Reinaldo Ventura para OC Barcelos.
ENTRADAS: Guillém Cabestany (espanhol, novo treinador), Gonçalo Alves (UD Oliveirense), Telmo Pinto (AD Valongo), Alvarinho (AD Valongo) e Reinaldo García Mallea (Barcelona).
Será suficiente para voltarmos aos sucessos nesta modalidade?
Num dos comentários ao artigo que publiquei há um ano atrás (em Junho de 2014), escrevi o seguinte:
«O FC Porto iniciou o processo de renovação na época passada [2012/2013], com a contratação de Hélder Nunes, e para a próxima época [2014/2015] já contratou o Rafa (o qual tinha saído do FC Porto para o Valongo… ).
Chega? Eu acho que não.
Mas será que há dinheiro para mais e melhores jogadores?»
Dinheiro. Esta é a questão fundamental.
Parece-me óbvio, que as modalidades de alta competição do FC Porto estão a passar por um processo de downsizing.
No basquetebol o downsizing foi brutal e, inclusivamente, levou ao fim da equipa principal e à extinção da sociedade desportiva que o clube tinha criado para esta modalidade.
No andebol, há muitos anos que o dinheiro não abunda e, consequentemente, a base da equipa principal são jogadores da formação portista, ou que chegaram ao clube ainda jovens.
Mais. Não havendo dinheiro para manter os melhores jogadores formados e/ou moldados no FC Porto (ex: Tiago Rocha e Wilson Davyes), há uns anos atrás iniciou-se a contratação de jogadores cubanos (Alfredo Quintana, Daymaro Salina, Alexis Hernandez, Yoel Cuni Morales), num mercado que é mais acessível a clubes menos endinheirados.
O próximo a sair deverá ser o MVP do campeonato português, Gilberto Duarte…
E o hóquei?
O hóquei está a seguir o mesmo caminho (da redução de custos), substituindo jogadores consagrados (com muitos títulos no currículo), por jovens valores, alguns dos quais com passado nas camadas de formação portista.
Contudo, esta lógica de tentar fazer mais gastando menos, não será fácil de implementar.
O SL Benfica está num processo inverso ao do FC Porto. Cada vez aposta (gasta!) mais nas modalidades (andebol, basquetebol, futsal, voleibol, hóquei, atletismo, etc.) e, por aquilo que se sabe, já terá assegurado dois reforços de top internacional – Marc Torra (FC Barcelona) e Jordi Adroher (HP Braganze) – para o plantel de hóquei da próxima época.
Mas não é só o SLB. Também a UD Oliveirense tem estado em força no mercado e, para além do treinador e dos três jogadores do FC Porto que referi atrás, já terá assegurado as contratações de Carlitos López (SL Benfica) e de dois hoquistas que, na época passada, foram campeões nacionais pelo AD Valongo.
Há quem questione e especule de onde virá esta abundância de dinheiro da UD Oliveirense e, principalmente, do SL Benfica (para o hóquei e para as restantes modalidades).
Para a realidade interna do FC Porto, isso é irrelevante.
O que me parece evidente é que as modalidades de alta competição do FC Porto terão de apreender a viver com menos e fazerem o “impossível”, isto é, disputar títulos com quem gasta o dobro, o triplo ou mais.
 |
| O JOGO, 05-05-2015 |
Ora, por aquilo que se sabe nesta altura, na próxima época o plantel do hóquei portista deverá ser o seguinte:
Guarda-redes: Edo Bosch, Nelson Filipe
Jogadores de campo: Jorge Silva, Vítor Hugo, Hélder Nunes, Rafa, Reinaldo Garcia, Telmo Pinto, Alvarinho, Gonçalo Alves
É com estes e com um novo treinador, que o FC Porto terá de construir uma nova equipa de hóquei em patins, com muitos jogadores jovens e, no início de um novo ciclo, procurar fazer o “impossível”.