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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Suspensão FIFA, um novo jogo a que temos de estar atentos


Muitos não deram crédito quando saíram as primeiras noticias de que o Barcelona ia ser castigado com um ano e meio sem poder contratar jogadores por parte da FIFA. Era o Barça, afinal de tudo, essa equipa que, segundo Mourinho, tinha trato preferencial graças ás suas ligações com a Unicef e o Qatar nos corredores do poder. O todo poderoso Barcelona - que nesse Verão tinha contratado a vários futebolistas, incluindo o genial Luis Suarez, via-se agora vetado a ano e meio sem actividade no mercado por culpa da contratação ilegal de vários adolescentes dos quatro cantos do Mundo para a sua cantera. Ninguém podia acreditar, todos pensavam que era uma jogada mediática, dessas em que o clube é castigado e logo perdoado, mas ai temos os blaugrana vetados oficialmente até ao dia 1 de Janeiro de 2016. Parecia caso único mas não era.

A imprensa radiofónica espanhola começou ontem a notificar nos programas desportivos nocturnos que a mesma sanção iria ser aplicada tanto ao Real como ao Atlético de Madrid. Uma vez mais a forma como os clubes assinavam com menores, falseavam documentação, procuravam o acordo dos pais (a FIFA exige que a família viva com o jogador no seu novo local de treino, por exemplo) quando na realidade tudo não passava de uma ficção para "inglês ver" é o motivo oficial por detrás desta sanção. Os mais dados ás teorias da conspiração falam no interesse do Real Madrid em prejudicar o Barcelona e a pressão do Barcelona, à posteriori, para devolver a moeda. Há também quem diga que atrás desta medida estão os poderosos qataris, interessados em congelar o absorvente mercado espanhol, para evitar o fluxo de estrelas para "La Liga" e com isso manter campeonatos como o francês com algumas das estrelas. Tudo rumores, tudo suspeitas, tudo teorias. É certo que a FIFA e a UEFA vivem uma guerra surda pelo poder, mas isso sempre passou. Ferir de morte a dois grandes clubes da UEFA é ferir Platini e o seu projecto ambicioso de derrocar Blatter mas, ironicamente, o mais prejudicado neste jogo é o melhor aliado de Blatter na UEFA, o espanhol Angel Maria Villar (que alguns vêm como seu sucessor putativo num eventual duelo com "Platoche". Guerras de tronos que em principio diriam pouco a um clube como o FC Porto mas que podem dizer muito.

Em primeiro lugar, se a suspensão for confirmada, é certo que Oliver Torres não vai voltar ao clube na próxima época. 
Sem poder assinar com novos jogadores o plantel do Atlético de Madrid vai necessitar forçosamente de ter todos os seus activos de valor consigo e Oliver é um deles. Sofreria, jogaria menos do que merecia mas nenhum gestor com cabeça o deixaria sair se não houvesse alternativa. O problema não estaria apenas em Oliver. Caso o FCP insistisse em continuar a procurar novos empréstimos no futebol espanhol, uma sanção deste estilo levaria o clube a encontrar-se com um problema de disponibilidade já que nem Barcelona nem Real Madrid - e muito menos o Atlético - teriam jogadores livres para dispensar. O Real já mostrou intenção de recuperar Casemiro e pensava seriamente na opção de emprestar ao FC Porto Lucas Silva ou Odegaard para o próximo ano para repetir a operação de rentabilização (nem Keylor Navas nem Illarramendi estão neste pack) mas com esta sanção é altamente improvável que o faça. O mesmo sucede com o Barcelona, clube a quem o FC Porto cobiça o empréstimo de dois futebolistas, Gerard Deulofeu e Sergi Robert, em moldes parecidos ao negócio Tello. São casos que estão oficialmente em standby até porque o Barcelona continua oficialmente a recorrer da sua sanção para desbloquear a situação.

Outro ponto importante é o caso Danilo.
Danilo está oficialmente vendido ao Real Madrid. Mas se a suspensão do Real Madrid se oficializar antes do dia 1 de Julho - como é provável - e não houver recurso que lhes valha, Danilo não pode ser inscrito. A suspensão não proíbe os clubes de contratar o deter passes de novos jogadores o que impede é a sua utilização através da inscrição na liga. Portanto o Real teria pago mais de 35 milhões de euros por um jogador que não poderia, a todos os efeitos, utilizar durante um ano completo. 
Esse cenário é complexo. 
Como não conhecemos os detalhes do negócio não sabemos se o Real guardou alguma clausula em que podia cancelar o negócio caso este cenário se desse. Afinal todos sabiam já desde 2014 que o Real estava no ponto de mira da FIFA por queixas formais do Barcelona e isso apressou também a contratação de Asensi, extremo do Mallorca muito prometedor, e de Odegaard, inscritos oficialmente em Dezembro e portanto já parte do clube tal como Lucas Silva que chegou á pressa e tem sido escassamente utilizado o que diz muito do interesse real do Ancelotti em tê-lo já ás suas ordens. Também Javier Hernandez foi emprestado e esse empréstimo pode ser prolongado um ano mais já que, ao estar inscrito, está ao abrigo da suspensão. Mas Danilo não.
Danilo foi contratado - paga a primeira tranche - mas oficialmente é ainda um jogador inscrito pelo FC Porto e se o Real não o conseguir inscrever, é um activo seu mas na prateleira. 
Uma vez mais reforçamos, não sabemos se há alguma clausula no negócio de Danilo que permita ao Real cancelar tudo ou se, pelo contrário, se abriu uma hipótese de Danilo ficar um ano emprestado, até caducar a suspensão, e depois ser oficialmente inscrito pelo Real Madrid. O curioso é que o próprio Danilo descartou o Barcelona - onde joga um dos seus melhores amigos, Neymar - porque não queria esperar até Janeiro de 2016 (e porque o Barcelona exigia ao FCP não inscrever o jogador na Champions League para poder utiliza-lo na segunda fase). Seria irónico que, depois disso, lhe passe o mesmo.  

No final tudo pode ficar em águas de bacalhau.


Dia 29 de Maio há uma eleição para a presidência da FIFA. Sepp Blatter vai ganhar, todos o dão já por assumido por muito que Luís Figo sonhe com um cargo numa candidatura suportada pelos Fundos de Investimento e os poderes mediáticos atrás da máquina Mendes que querem um futebol com menos regulação e mais dinheiro para todos. Uma vitória de Blatter é, habitualmente, seguida de uma amnistia geral e esse perdão pode desbloquear a situação. De certo modo é um teste á fidelidade de Villar e dos grandes clubes europeus, uma prova da FIFA de que são eles quem manda de verdade e não a UEFA e que quando seja preciso apertar, eles não vão hesitar um só segundo. Pode ser. Ou pode também isto significar novas regras no jogo, um cuidado extremo numa realidade que nos afecta. Não só porque, cada vez mais, clubes como o FCP têm de procurar na sua formação (e na contratação de talentos para a formação) o seu sustento como a punição de clubes com grande poder de inversão pode bloquear o mercado e com esse movimento colocar em risco muitos orçamentos de contas para clubes que, como nós, vivem no limite. Até ao Verão ainda falta muito tempo para dar algo por garantido mas o FCP deve tomar nota de tudo o que se passe porque cada detalhe é fundamental para perceber para que mundo o futebol caminha. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

O ponto de situação do "caso Oliver"

A notícia da semana em Madrid foi a renovação – até 2020 – de Diego Pablo Simeone.
É uma renovação com matizes (todos os anos, até 2020, ambas partes podem chegar a um acordo amigável que basicamente quer dizer que quando Simeone quiser aceitar uma das muitas ofertas que tem, pode sair sem prejuízo financeiro) mas que consolida definitivamente a sua presença como máxima figura no Calderón. Tudo gravita à sua volta e a sua obsessão – ganhar a Champions League com os “colchoneros” – vai ser o motor dos próximos anos. O clube assume que a 38 jogos é difícil ombrear com Real Madrid ou Barcelona para repetir o titulo da liga do ano passado mas sabe que na Europa, com jogos a eliminar, a conversa é outra. E essa é também uma noticia importante para o FC Porto.

O clube está desde Janeiro a falar com os principais responsáveis desportivos do campeão espanhol, Gil Marin (filho do mítico presidente Gil y Gil) e Caminero, director desportivo e a voz de Simeone nas reuniões. O que tínhamos adiantado na altura parece confirmar-se cada vez mais e a renovação de Simeone reforça-o. Muito dificilmente Oliver Torres voltará a jogar no Atlético de Madrid enquanto o argentino for treinador. Em equação – e fundamental para a renovação – entrou outra variável. O investimento de um milionário chinês Wang Jianlin, que adquiriu um pack importante de acções da SAD colchonera, cerca de 20%, sob a promessa de sustentar financeiramente o clube na sua corrida à Champions, correspondia às exigências do treinador que quer que o Atlético deixe de ser uma equipa vendedora e possa atrair ao Manzanares jogadores de topo. Na lista de exigências do argentino há três nomes escritos em letras maiúsculas: o avançado uruguaio Edison Cavani, o médio argentino Javier Pastore e o extremo Marco Reus. São os principais objectivos do novo Atlético e é altamente provável que, pelo menos dois deles, sejam contratados para o próximo ano.
O clube de Madrid vai estar muito activo no próximo defeso. Com ordem de saída no plantel estão Siqueira, Mandzukic, Miranda e Oblak. Arda Turan tem ofertas importantes e poderá sair. Tiago ficará apenas mais uma temporada e o capitão Gabi – debaixo de um processo de corrupção desportiva – vai ter cada vez menos protagonismo. Simeone quer montar uma estrutura de meio-campo e ataque onde Reus, Koke e Griezzman sejam o apoio a Cavani, com Saul e Tiago ou Gabi no apoio medular. Seria um onze muito mais forte do que o actual e, sobretudo, um onze sem espaço para Oliver Torres.


Simeone já deixou claro que não conta com o jovem criativo no seu esquema de jogo. O clube  não se quer desprender de uma das suas maiores pérolas nem o jogador que quebrar o vinculo com o Atlético mas se essas movimentações taparem qualquer possibilidade de jogar de Oliver, a saída parece inevitável .O Atlético vai comprar muito mas também vai ter de vender para respeitar o Financial Fair Play e é importante cortar o máximo de pontas soltas no plantel. Um novo empréstimo só é opção se for o FC Porto. Nem o jogador quer ir para outro lugar emprestado nem o clube está disposto a ter Oliver noutro clube sem sacar algum tipo de rendimento ou emprestá-lo a um rival directo em Espanha (Sevilla e Villareal são os interessados) não é opção para o clube. Oliver tem mercado – e muito especialmente depois deste ano – e a sua recuperação para posterior venda é neste momento o cenário mais provável. O Atlético guardaria uma opção de recompra sobre o jogador no período de dois anos para onde quer que vá por um valor nunca superior aos 20 milhões de euros. O médio tem mercado em toda a Europa mas as necessidades de Simeone são prioridade. E aí entra o eventual duelo que pode ditar o seu destino. Um FC Porto vs Borussia Dortmund.

Simeone quer Reus. Já tentou de tudo neste último defeso – o jogador esteve mesmo a ponto de assinar mas as exigências do Dortmund (pagamento a pronto da cláusula) impediram o negócio – e vai voltar à carga. O jogador também está interessado em jogar em Espanha. Klopp já assumiu que vai perder Reus – o último pilar da sua grande equipa com Gotze e Lewandowski no ataque – mas em troca quer Oliver. É um admirador confesso do médio, acredita que pode ser importante para impor ordem no meio-campo do Dortmund e sabe que incluir o jogador pode baixar o preço a pagar por Reus. Por dez milhões de euros teria um jogador de uma enorme projecção que taparia uma vaga na equipa e ainda deixava dinheiro para reforçar outras áreas. O Atlético está disposto a ir por esse caminho – o jogador não acha tanta piada – e a operação já teve luz verde de Simeone mas o FC Porto voltou à carga explorando a grande debilidade dos colchoneros este ano: o lateral esquerdo.
Depois da venda de Filipe Luis, jogador fundamental nos anos anteriores, o Atlético foi ao mercado buscar Siqueira (num negócio mediado por Mendes com Quique Pina) e conseguiu, por empréstimo, o argentino Ansaldi. Simeone está insatisfeito com ambos. Ao primeiro considera pouco profissional e aplicado e ao segundo, a situação de empréstimo, o elevado salário que recebe e a falta de rendimento por contínuas lesões parecem descartar a sua contratação. Tanto que é Jesus Gamez, lateral direito, quem tem ocupado a posição. Assinar com um lateral é a prioridade máxima da equipa e o Atlético tem tentado convencer Mendes a persuadir o Chelsea a emprestar de novo um Filipe Luis que não tem tido minutos em Londres. Tudo depende desse negócio. Se Mourinho se mantiver inflexível, o Atlético vai ter de ir ao mercado. E aí aparece Alex Sandro. O lateral acaba contrato no próximo ano (como Danilo), tem mercado e o rendimento desportivo, ainda que bom, tem baixado esta época em relação à anterior. No Dragão a opinião geral – que partilho – é que é a melhor altura para vender o brasileiro e se essa venda incluir Oliver no negócio (com um empréstimo com opção de compra ou, cenário mais improvável, compra definitiva imediata), todos saíam a ganhar. O jogador, claramente, prefere esta segunda opção. Está com o seu “pai” futebolístico, perto de casa e num clube que já conhece e que o valoriza.


Neste cenário o destino de Oliver está nas mãos de muita gente. Uma equação complicada que envolve Jorge Mendes, José Mourinho, Jurgen Klopp, Marco Reus e Alex Sandro. Um cenário assim é sempre imprevisível e tudo pode suceder até Julho. O que é certo é que Simeone não quer Oliver, o jogador prefere o FC Porto a qualquer outro cenário longe de Madrid e o clube tem feito de tudo para garantir o seu concurso para o próximo ano. As cartas estão na mesa mas o jogo ainda está longe de acabar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Frustração!


É nas alturas complicadas que devemos ser mais sensatos, mas é difícil face à enormidade de erros cometidos pela equipa. Tudo acontece. Pior: quando pensámos que já vimos de tudo, acontece algo ainda pior. E esta derrota confirma o pesadelo desta passagem pela CL: o FCP não conseguiu quebrar esta onda de maus resultados e fica com o seu pior registo de sempre. A equipa rendeu-se a esse malfadado destino que lhe serve de desculpa ou desresponsabilização. Lamento, mas não sou capaz de negar o descontentamento, só porque se deve apoiar a equipa nos maus momentos. Nesta fase apoiar, significa não aceitar a resignação; a fase do conformismo para dar tempo a que a situação se arrume, já não é prudente. 

O azar e a sorte intrometem-se frequentemente no jogo, ora para nosso desespero ora para nossa alegria. Neste jogo com o Atlético de Madrid nada correu bem, mas temos de convir que foram cometidos alguns erros capitais que não devemos escamotear, porque aconteceram e são recorrentes. No primeiro golo, é estranho que um lançamento de bola fora executado pelo adversário, que se sabe consegue colocar a bola bem dentro da nossa área, não tenha merecido a atenção e a concentração dos homens nessa zona nevrálgica. A bola partiu, Maicon foi impotente para travar o movimento do atacante e o remate; Helton foi surpreendido e aparentemente mal batido, enquanto uma boa parte dos jogadores nas redondezas se limitaram a assistir à jogada; algo semelhante aconteceu no segundo golo: uma série de erros e Maicon parado, incapaz de acorrer ao lançamento em profundidade, por falta de reacção e de velocidade. Com o Nacional e o Belenenses, foi a mesma história. Foram falhas e não tiveram nada a ver com a sorte ou o azar.

Se o AM estava confortável com as linhas baixas e bem agrupadas à espera do erro para o qual labutavam como formiguinhas chatas e incansáveis, com o primeiro golo, mais confortável ficou. Geriu o jogo como quis e venceu bem. Como no Dragão, em que se contentava com o empate.

Nas estatísticas demos um baile de bola, só que mais uma vez ficámos bem longe nos quilómetros percorridos; na primeira parte com o jogo aparentemente controlado, sofremos um golo da primeira vez que o AM chegou próximo da nossa baliza; perdemos uma gp, tal como tinha acontecido com AAC. As palavras de PF, no final do jogo, foram uma clara demonstração da sua impotência, e do estado de espírito instalado na equipa, que não acredita nas suas capacidades e raramente parece capaz de mudar o rumo dos acontecimentos.

Individualmente destaco os bons desempenhos de Fernando, Defour, Martinez e Danilo; Varela esteve esforçado e Mangala razoável, mas distante dos registos da época passada ; Maicon e Alex Sandro estiveram desinspirados. Josué falhou. Helton esteve bem mas facilitou no primeiro golo. Os que entraram estiveram sofríveis: Licá que entrou bem, foi perdendo fulgor. Herrera e Ghilas nada acrescentaram. Faltou raiva e intensidade à equipa.

O Austria de Viena, pasme-se, perdeu com o FCP a possibilidade de chegar aos oitavos, e o FCP, com esse golo no Dragão, garantiu a Liga Europa. Aliás, é justo destacar que em Viena fomos muito felizes. Hoje, tivemos tudo para ser felizes, mas não fomos capazes ou não soubemos. Algo tem que mudar. Gostaria que o treinador e a equipa fossem capaz de reverter a intranquilidade que tomou a equipa. Mas tenho muitas dúvidas: tem a palavra a SAD.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Adeus Champions, adeus

A Champions League acabou. Há três jogos por disputar mas a festa chegou ao fim. Antes do previsto para muitos. Como era esperado para outros. Haverá quem alimente no próximo mês o discurso de que tudo é possível. Que é um ponto de atraso nas contas do grupo. A verdade é que é muito, muito mais do que isso. O FC Porto caiu por culpa própria, uma vez mais. Não por erros colectivos mas por falhas individuais. Foi assim em Málaga, foi assim com o Atlético de Madrid. Foi assim hoje. Desta forma não se vai a lado nenhum.

Acreditar que este FC Porto - este - é capaz de ganhar em São Petersburgo e em Madrid, é acreditar em fadas e duendes. Pode ser que eles existam e eu esteja enganado. Mas até os ver não acredito em contos. E é disso que se trata. Contos. Uma equipa que não ataque bem, que defende mal e que ainda para mais comete mais do que um erro grave por jogo (o de Otamendi não tem nome) está condenada a cair antes do esperado. Os adeptos seguramente não merecem este desfecho. Mas é a realidade. O FC Porto tem um treinador que não consegue dar a volta aos problemas que se lhe colocam em campo. E tem jogadores cujos comportamentos, mais do que infantis, diria, anti-profissionais, comprometem o esforço do colectivo. Hector Herrera tornou-se no jogador expulso mais rapidamente da história da Champions League. É preciso um dom para ser-se tão inocente. Tal como Defour, em Málaga. Tal como os erros de Otamendi e Mangala contra o Atletico. Erros e mais erros. Nos momentos cruciais.



O jogo em si não foi mau. A equipa reagiu bem à expulsão sobretudo porque o Zenit é muito menos do que aparenta ser e porque Hulk quer resolver à bomba todos os problemas da sua equipa. Teve nos pés resolver o jogo muito mais cedo mas se calhar lembrou-se dos bons tempos de Dragão ao peito, hesitou e permitiu a Hélton um desvio de milagre. O brasileiro foi um dos melhores em campo. Só Lucho, imenso até ter esgotado cada gota de suor que tinha para dar, e Fernando, foram melhores.
O jogo de hoje serve, ainda que não para outra coisa, demonstrar que na sua posição Fernando é um dos melhores do mundo. Ter um treinador que não é capaz de o ver dá pena. Quando a equipa voltou a um desenho mais parecido ao 4-3-3, um 4-3-2-1, lá foi o "Polvo" quem fez esquecer Herrera. Cortou tudo o que havia para cortar e ainda teve pulmão para ajudar no ataque. Imenso. Imenso. Imenso.
O FC Porto soube controlar o jogo na primeira-parte mesmo jogando com menos um. A falta de Herrera notava-se menos no miolo e mais no ataque onde Jackson foi engolido, literalmente, por Luis Neto e havia poucas opções de perigo sempre que Licá, uma nulidade, estava por perto. Lucho tentou a sorte, mas ela olhou para outro lado. Varela, o grande dinamizador do ataque do FC Porto na segunda parte (porquê a suplência?), também sofreu o mesmo destino. Quando a incompetência individual e o azar se unem não à volta a dar.
Parecia que a equipa ia aguentar o empate. Helton parava cada bomba de Hulk, Fernando engoliu a Danny, Shirokov e Arshavin, Lucho corria, corria e corria e as melhores oportunidades até aconteciam do outro lado, quando a bola durava mais de cinco segundos nos pés de Jackson. Mas não. Estava escrito que o segundo jogo em casa se saldava com uma segunda derrota perto do fim, quando os adeptos acreditavam que iam presenciar um milagre.



Em Viena, onde tanto sofremos para marcar, o Atlético de Madrid aplicou um festival de futebol e de golos e resolveu a liderança do grupo. Têm nove pontos em três jogos, precisam apenas de rematar o FK Austria em casa para confirmar a liderança. O que significa que contra o Zenit, primeiro, e contra nós, em segundo lugar, vão jogar apenas os milhões e o prestigio. Mas até lá, possivelmente, o grupo até já pode estar decidido. No jogo de São Petersburgo é o tudo ou nada. Uma vitória do clube cujo patrocinador e patrono também o é da prova, fecha praticamente as contas do grupo. Seriam sete pontos para os russos por três dos dragões com apenas seis para jogar. Se ambos vencessem o FK Austria os jogos com o Atlético seriam totalmente irrelevantes. Mesmo um empate na Rússia continua a jogar a favor dos russos. Só a vitória em terreno hostil pode mudar um destino similar ao de 2011. Mas parece altamente improvável.

Seguramente que haverá muito boa gente que se ponha de pé a clamar por traição, que isto é o FC Porto e que ninguém desiste antes do jogo terminar. Certo. Eu, pessoalmente, não desisto. Mas quem joga é a equipa, quem tem de fazer acreditar é a equipa. E quem a lidera. E o que a temporada tem trazido até agora dá pouco espaço para a crença, mais sabendo que os russos vão jogar como gostam em casa, tranquilamente, aproveitando espaços, precisamente onde a equipa com Paulo Fonseca é mais débil. Podem sonhar à vontade, que é grátis. O normal é que a equipa arranque o novo ano na Europe League, uma competição que seria para ganhar. Seria, mas com esta liderança tenho as minhas dúvidas!

PS: Se alguém conhecer uma equipa que chega aos oitavos-de-final de uma Champions League com o ratio de erros gravíssimos da sua dupla de centrais e dos seus médios que me avise. Foi em Viena, foi com o Atlético e foi hoje. Mangala, Otamendi, Herrera, Alex Sandro. Nenhum fica bem na fotografia e a situação em lugar de se corrigir parece que vai piorando. Á elite só lá chega quem merece. Esta linha defensiva, sobretudo, não a merece!

PS2: A arbitragem foi lamentável. A expulsão certeira, ninguém se pode queixar quando se cumprem as regras. Mas a partir de aí houve erros e erros, cartões por mostrar (a ambas partes) e o momento anedota da noite quando uma bola ao ar se transformou num livre quando o guarda-redes russo caiu em falta na área. Enfim, a elite europeia dizem!

sábado, 5 de outubro de 2013

O nosso treinador estuda os adversários?

É uma pergunta legitima tendo em conta o desnorte táctico com que muitas vezes a equipa do FC Porto se encontra. Uma realidade nova para muitos adeptos azuis-e-brancos, habituados a uma análise metódica que começou (em tempos recentes) com André Villas-Boas e prosseguiu com Vitor Pereira.

Paulo Fonseca tem demonstrado poucas virtudes (as sufragadas pelos resultados, enganosos a meu ver pelo abismo competitivo que separa o FC Porto de todos os seus rivais até agora...salvo o Atlético) e alguns defeitos. A maior parte deles podem-se corrigir com os anos, é o processo evolutivo de um treinador jovem. Ele não tem culpa que a SAD do FC Porto procure técnicos sem curriculum a homens experimentados. Quem sonha com Pellegrinis e acaba com Fonsecas às vezes tem o que merece.

Um dos defeitos que tenho observado em PF é a falta de estudo aprofundado do rival.
O FK Austria - uma equipa outrora gloriosa e há largos anos de terceira linha europeia, digam o que disserem do empate em São Petersburgo - jogou como quis contra o FCP. Deixou a iniciativa aos dragões, explorou perfeitamente todos os problemas tácticos do 4-2-3-1 e a falta de garra e sagacidade na marcação do homem da bola por parte dos médios e defesas da equipa portista. Causou mais perigo do que seria suposto entre duas equipas tão diferentes. Ao contrário, foram poucas as ocasiões que deu para perceber que nós sabíamos quais os seus pontos fracos. O golo de Lucho, numa jogada de livro, rompeu uma noite muito cinzenta. Não foi a única. Contra o Vitória de Guimarães (quem, por certo, o nosso treinador deve ter achado que ia jogar da mesma forma, infantil, que na Supertaça) ou o Vitória de Setúbal, tivemos sempre problemas em controlar o adversário e dificuldades em impor o nosso modelo. Faltavam jogadas de laboratório, momentos do jogo em que, ou a equipa convidava o rival a subir para explorar os espaços deixados atrás ou, pura e simplesmente, mudava de modelo para asfixiar o autocarro colocado à frente da baliza. Não se viu nem uma nem outra coisa.

Mas o que me tira verdadeiramente do sério quanto a esta incapacidade de saber ler o jogo e estudar o rival até ao mais pequeno detalhe ocorreu no final do jogo contra o Atlético de Madrid. A equipa espanhola marcou um golo num livre muito bem planeado e estudado pelos seus jogadores.
Poderia ser uma coincidência, um fruto do acaso que esse livre tenha sucedido no Dragão. Mas não foi. Não só porque Diego Simeone é conhecido, desde que começou a sua carreira como treinador, pelos seus lances de bola parada estudados ao mais mínimo detalhe entre livres e cantos, como esse mesmo remate tinha sido posto em prática no passado. Não uma, não duas, mas três vezes.

Poucas jornadas antes, com o Almeria, num lance bastante parecido, Tiago marcou o terceiro golo dos espanhóis. Um livre ensaiado, que explora a presença de um jogador sem marcação no meio da terra de ninguém, livre para rematar. PF viu esse lance? Não me parece!



Os jornais e sites foram rápidos a lembrar outro golo, mítico, este com Diego Simeone como jogador. Nos Oitavos-de-Final do Mundial de França, em 1998, "El Chollo" esteve envolvido na concepção do golo que permitiu à Argentina marcar contra a Inglaterra. Os "ches" acabaram por vencer o encontro em penalties mas este é um lance que fica para a história. Seguramente que, como amante do futebol que é, PF se deve lembrar disso.

Mas se não fosse pouco, a equipa de Simeone marcou um terceiro golo calcado ao que foi apontado no Dragão. Aconteceu no fim da primeira época de Simeone com o clube, em Mallorca, numa derrota dos colchoneros na ilha balear. Gabi, como no Dragão, enganou toda a gente e Adrián (e não Arda) disparou para as redes, com Falcao a desviar a bola. O árbitro acabou por marcar penalty mas o precedente estava estabelecido. O video está online, qualquer um o pode ver. Não é nem o primeiro nem o segundo caso. E depois da falta inútil e perigosa de Mangala não devia haver um só jogador do plantel do FCP que não estivesse avisado para a possibilidade de um coelho sacado da cartola directamente do livro de ideias originais do treinador argentino. O que se viu em campo?
PS: Peço desculpa pela má qualidade, mas fica a ideia!

Um desnorte total e absoluto dos jogadores, um golo a consumar uma reviravolta que parecia impossível na primeira meia-hora e a prova de que Paulo Fonseca tem muito trabalho pela frente como treinador principal.

Começar a estudar a fundo os seus rivais, saber alterar os destinos do jogo desde o banco e saber antever estes pequenos detalhes que na alta roda fazem toda a diferença são passos fundamentais para que, no futuro mais imediato, se transforme num treinador que valha a pena seguir e não apenas no homem que levou o Paços de Ferreira ao melhor posto da sua história.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

As infantilidades pagam-se caras amigos!

Na Europa os erros pagam-se caro. O FC Porto foi melhor durante 90 minutos mas isso não chega. As faltas sem sentido de Josué e Mangala permitiram ao Atlético vencer um jogo que os dragões tinham controlado desde o principio. Dois livres, dois lances estudados, anularam o grande trabalho colectivo dos azuis. Uma derrota amarga no Dragão, injusta por critérios futebolísticos mas natural entre uma equipa que sabe a que joga (e mesmo quando não joga, sabe como dar a volta à situação) e uma equipa verde, mentalmente, capaz de deitar por terra o excelente trabalho conseguido.

O Atlético não venceu por ser melhor. Venceu por ser mais inteligente. Venceu por saber resolver os seus problemas com engenho. Por estudar cada jogo com detalhe cirúrgico. E porque entre os erros infantis de Mangala e Josué e a eterna incapacidade de transformar a posse e as oportunidades em golos, condenou o FC Porto a ter de somar um duplo resultado positivo com o Zenit para seguir em frente. A liderança do grupo está praticamente fora de questão.

A primeira parte do jogo lembrou a excelente exibição dos dragões contra o Málaga, no ano passado.
Uma equipa confiante, autoritária, dominadora e desejosa de impor o seu modelo de jogo sob o rival. Foi o melhor FCP da era Fonseca, de longe. A equipa movia-se bem, era capaz de trocar a bola com segurança e dominava claramente os destinos do encontro. Simeone surpreendeu pela negativa, com uma equipa ainda mais defensiva do que se esperava, com Koke - o melhor jogador da equipa no último mês e meio, a par de Diego Costa, ausente por suspensão - no banco. No seu lugar jogou Leo Baptistão, uma jovem promessa brasileira, que passou totalmente ao lado do jogo. O Atleti foi mais defensivo e especulativo do que se podia esperar, sobretudo porque rapidamente os azuis e brancos os encostaram ás cordas e raramente os deixaram aproximar-se da baliza de Helton, um espectador durante quase todo o jogo.

Com Arda e Baptistão fora de jogo, Villa esteve demasiado só para criar perigo e Defour e Fernando entenderam-se perfeitamente com Alex Sandro e Danilo (excelente jogo) para apertar as linhas dos colchoneros para bem dentro da sua área. Aí começavam as combinações com Varela, Josué e Lucho. Entre eles cozinharam-se os problemas dos espanhóis mas, tal como tinha sucedido contra o Málaga, o domínio da posse de bola e a melhor qualidade de jogo não se traduziu em oportunidades de golo. O tento de Jackson Martinez - que continua a marcar, a marcar e a marcar - surgiu num lance pouco habitual, um livre bem estudado que apanhou desprevenida a defesa rival. Era um golo mais do que justo e que premiava uma excelente exibição colectiva.

O segundo tempo começou com outra dinâmica. E apareceram os erros que custaram a vitória.
Simeone abdicou do seu único avançado e lançou o Cebolla Rodriguez para povoar ainda mais o meio-campo. Com esse sopro de ar fresco o Atlético conseguiu, por minutos, o controlo do jogo e soltou-se da pressão de um FC Porto que entrou meio a dormir. Nesses dez minutos a equipa espanhola aplicou aos homens de Fonseca o mesmo remédio, empurrou-os para a área e começou a criar perigo.
Num lance igualmente estudado, como se esperava aliás, empatou o jogo. Josué cometeu uma falta infantil (e livrou-se do segundo amarelo) e Godin desviou o centro para as redes de um Helton que tinha salvado duas ocasiões saindo da área mas que, desta vez, não foi ajudado pelos centrais que deixaram o uruguaio cabecear. Era um golo que premiava o esforço dos espanhóis nesses escassos minutos mas injusto no computo global do encontro onde o FCP continuava a ser claramente a melhor equipa. Demonstrou-o reagindo muito bem. Voltou a tomar conta da bola, do ritmo de jogo e empurrou os espanhóis para trás, conseguindo algumas combinações interessantes, ainda que, como sempre, inconsequentes. A saída de Lucho - quando saiu o jogo perdeu-se - permitiu a entrada de Quintero que, com Licá, também ele lançado para o lugar de Josué (o mais apagado talvez), outro sopro de ar fresco. Mas as oportunidades escasseavam e era o Atlético - cada vez mais duro nas entradas (Juanfran podia ter sido perfeitamente expulso) quem era capaz de criar os lances de maior perigo em contra-ataques rápidos. E foi num desses lances que surgiu o segundo erro infantil.
Uma falta de Mangala numa zona proibida, e um posicionamento defensivo do livre que ignora por completamente a cartilha de Diego Simeone, um treinador que procura sempre a originalidade. Gabi enganou toda a gente, isolou Arda à frente de Helton e o turco disparou o tiro de morte. Com ele caiu o Dragão, por culpa própria!

O empate do Zenit em casa com o FK Austria foi a melhor noticia possível num dia histórico, pela negativa. É com os russos que se vai decidir o apuramento, algo que já se suspeitava nas últimas semanas. Ninguém pensaria que, jogando como jogou, o FC Porto fosse perder em casa um encontro controlado. É um aviso sério para os jogos em São Petersburgo e Madrid. E sobretudo, para a visita do Zenit, o jogo do tudo ou nada. Nos últimos anos, com qualquer treinador, o estádio do Dragão tinha sido um forte. Foi assim com Vitor Pereira contra os milhões do PSG, Málaga, Zenit e Shaktar. Foi assim com Jesualdo Ferreira na esmagadora maioria dos seus anos (para não falar na etapa AVB, numa competição menor). Esta derrota doi, emocionalmente, mas, lamentavelmente, não surpreende. Pelos motivos contrários, é certo. Mas não surpreende. Infantilidades como as de hoje repetidas podem ser fatais. Injustas, mas determinantes.

PS: Hoje estavam 34 mil adeptos no Dragão. Era o segundo jogo mais importante do ano em casa, depois do duelo com o Benfica. Lembro-me quando nos jogos da Champions não se baixavam dos 40 mil. Há a crise, é certo, mas também há um desencanto com esta equipa. A exibição de hoje podia dar um balão de oxigénio ao crédito de Paulo Fonseca porque, apesar do resultado, não se jogou tão mal. Mas os erros dos jogadores e a falta de capacidade do banco em mudar a situação não auguram um mês fácil.