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domingo, 1 de julho de 2012

Pedro e os elefantes orelhudos

No final do último slb x FC Porto, após mais uma vitória dos “dragões” em pleno estádio da luz (algo que, para os benfiquistas, começa a ser dolorosamente habitual), Luís Filipe Vieira fez questão de descer do camarote presidencial e ir falar com os jornalistas para, indignado, dizer o seguinte:

Pedro Proença faz um grande favor ao futebol português e ao Benfica se nunca mais apitar um jogo nosso. Ele, coitado, sente-se condicionado.

Como é óbvio, estas declarações, como muitas outras proferidas por Vieira ao longo dos últimos anos, nada têm a ver com a realidade da arbitragem deste jogo, nem de outros jogos entre encarnados e azuis-e-brancos arbitrados por Pedro Proença. No entanto, servem para justificar uma nova época desastrosa do futebol benfiquista e, quiçá, para consolar alguns espíritos atormentados, ao estilo “nós somos os maiores e só perdemos campeonato após campeonato porque os árbitros estão todos comprados pelo Pinto da Costa”.

Claro que nem todos os adeptos encarnados engolem facilmente estas patranhas e o problema agudiza-se quando um dos principais alvos desta mais recente campanha de “lavagem ao cérebro” é o árbitro Pedro Proença.

Então um árbitro que é assumidamente benfiquista (“Seria uma desonestidade intelectual dizer que não tenho clube. Tenho as minhas preferências políticas, religiosas, clubísticas, sexuais. O meu pai fez-me sócio do Benfica em pequenino”, declarações de Proença, em 2010, ao blogue do Núcleo de Árbitros da Amadora) quer, propositadamente, prejudicar o clube de que é adepto e sócio desde pequeno?

Não sendo de propósito, será que Pedro Proença é incompetente para o desempenho da função de árbitro?
Os responsáveis da arbitragem europeia entendem que não, como o atesta o facto de, desde 2003, quando Proença atingiu o estatuto de internacional, o terem nomeado para 59 jogos europeus!

Numa altura em que tudo isto estava a ser ignorado pela comunicação social e o choradinho benfiquista contra a arbitragem portuguesa a fazer o seu caminho nas televisões e jornais lisboetas, surgiu o primeiro abalo quando, logo após o final do campeonato, Pedro Proença dirigiu (e bem!) a final da Liga dos Campeões (foi o primeiro árbitro português a apitar uma final neste formato da prova). Como se isto não bastasse, e precisamente na véspera de FC Porto, benfica e sporting iniciarem a preparação para a nova época, Proença foi nomeado para arbitrar a final do EURO 2012, a disputar hoje no Estádio Olímpico de Kiev.

Por estes dias, os "cérebros" que engendraram e, com o apoio militante de alguma comunicação social lisboeta, alimentaram a campanha benfiquista contra a arbitragem portuguesa, devem andar com uma azia… É que, neste caso, não se trata de engolir pequenos sapos. Isto é mais parecido com engolir elefantes orelhudos…

P.S. Se a final de hoje correr bem a Pedro Proença, ainda se arriscam a ver um árbitro português a ser eleito o melhor europeu de 2012. E, por aquilo que pude ler, já também está pré-designado para o Mundial de 2014. Isto sim, é um autêntico pesadelo para algumas estratégias de comunicação.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ser ou não ser o melhor do Mundo


Cristiano Ronaldo, em declarações efetuadas na zona mista, após a eliminação da seleção portuguesa do EURO 2012:
Estamos frustrados porque podíamos chegar à final. Rendimento na seleção e no clube? Dou o melhor como sempre. Estou satisfeito pelo que fiz. Temos de estar orgulhosos, merecemos estar na final, mas os penalties são assim. (...) Estou confiante [na atribuição da Bola de Ouro de 2012] como nos outros anos. Mas, como vocês sabem, a eleição depende das outras pessoas.


Levando em conta que CR7 é um jogador extraordinário, indiscutivelmente um dos melhores do Mundo da atualidade, a fasquia de avaliação para ele é, naturalmente, mais elevada do que para avançados medíocres como Postiga ou Hugo Almeida. Ora, na minha opinião, Ronaldo esteve excelente no jogo com a Holanda, muito bem frente à República Checa, mas decepcionante nos desafios com a Alemanha, Espanha e, principalmente, Dinamarca.

Centrando as atenções na meia-final, o que se viu da exibição de Ronaldo?
Muito pouco. Sim, eu sei que não é fácil criar desequilíbrios e oportunidades frente a esta seleção espanhola, mas Cristiano dispôs de 6 ou 7 ocasiões (incluindo lances de bola parada) para alvejar a baliza defendida por Casillas e, embora não se possa dizer que tenham sido ocasiões flagrantes (como, por exemplo, as que desperdiçou frente à Dinamarca), em todas elas a sua execução foi deficiente. Basta atentar no facto de nenhum dos seus remates ter sequer sido enquadrado com o alvo.

Mais. Nos três livres frontais de que dispôs (um deles foi repetido uns metros mais à frente, devido à bola ter sido intercetada pelo braço de um jogador da barreira espanhola), nem sombra dos seus célebres e temidos tomahawks.


Falta saber o que vai acontecer na primeira parte da época 2012/13 (meses de Agosto a Dezembro de 2012) e, embora seja perfeitamente normal que, por aquilo que fez no Real Madrid até Maio passado, Ronaldo aspire a ser considerado o melhor jogador do Mundo em 2012, não me parece que o seu desempenho no EURO 2012 tenha servido para reforçar esta aspiração.

O gigante Moutinho



«O melhor jogador de Portugal? Sem dúvida, João dínamo Moutinho.»
Eugénio Queirós, Record, 27/06/2012


Do trio de médios da seleção das quinas, o único que durou até ao fim foi João Moutinho. Contudo, esgotados os 120 minutos, em que correu uma enormidade de quilómetros e encheu o campo com a sua visão tática, posicionamento e capacidade de trabalho em prol da equipa, quando o baixinho de Portugal partiu para a bola e marcou o penalty era um jogador fisicamente nas lonas.

Após a sua portentosa exibição perante a "armada invencível" (na retina fica o sprint que fez perto do fim do prolongamento, recuperando uma desvantagem de vários metros e impedindo que Pedro Rodrigues tivesse sentenciado o jogo antes dos penalties), o melhor jogador português do EURO 2012 não merecia que Iker Casillas tivesse adivinhado o lado e defendido o penalty.

Mas, conforme Pinto da Costa afirmou quando ele ainda envergava a camisola do SCP, Moutinho é um jogador à Porto e, segundo julgo saber, tem contrato com o FC Porto e uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros.

Eu vou repetir: tem contrato com o FC Porto e uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros (e nem menos um euro). É bom que toda a gente interiorize este facto, quer os "abutres", quer a Administração da FC Porto SAD.


«O melhor de Moutinho estava no entanto reservado para o jogo com a Espanha. A colocação foi espantosa, a forma como doseou o esforço, de jogador maduro. Os cortes a meio do campo, preciosos. E depois foi lá e falhou o penalty, o que, já sabemos, acontece aos melhores.
Se tivesse de hierarquizar os melhores de Portugal no Euro-2012, o top 5 ficaria assim:
1. João Moutinho
2. Pepe
3. Cristiano Ronaldo
4. Fábio Coentrão
5. Miguel Veloso»
Luís Sobral, Maisfutebol, 28/06/2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Istvan Vad - o gajo que tramou Platini


Istvan Vad é a prova de que Platini estava errado (mais uma vez) obrigando-o a engolir um sapo (mais uma vez...).

Mais uma vez temos um caso num Europeu ou Mundial com uma bola que entra mas não conta (desta feita no Inglaterra – Ucrânia). Segundo Platini, a introdução de 2 árbitros-assistentes adicionais na linha de fundo seria a garantia de que não mais teríamos casos destes, mas apesar de estar a uns 5 metros da bola e com visibilidade perfeita... o senhor Vad não viu que a bola tinha entrado (e ao contrário de outros, acredito sinceramente que estivesse de boa fé). Ironicamente, dois dias antes Platini tinha afirmado a boca cheia que casos como o golo não sancionado a Lampard 2 anos antes no Mundial não voltaria a repetir-se.

Também - e apesar dos 2 árbitros-assistentes adicionais - tem havido alguns casos polémicos dentro da grande-área mal decididos (por ex agarrar de camisolas); ainda que, diga-se em abono da verdade, a arbitragem neste Euro tem sido em geral boa.

Nunca compreendi direito a aversão de Platini à introdução de tecnologia no que diz respeito à questão da «bola-que-entra-ou-talvez-não», o vulgo «olho de falcão» usado há tanto tempo no ténis (ainda que adaptado para as especificidades do futebol). Para mim é, para usar uma expressão anglófona, um «no brainer». Penso que isto foi a machadada final na resistência de Platini à medida (de assinalar que a FIFA já tinha decidido avançar nessa direção).

Mas para além disso penso que se poderiam justificar mais uma ou outra medida nova. O mundo evolve, as tecnologias também, e o futebol deve saber adaptar-se ainda que sem se descaracterizar. Aliás, o futebol já evoluiu imenso no último século: alguns dos leitores «menos jovens» ainda certamente se lembram dos tempos em que não podiam haver substituições ou em que não existiam cartões (nem amarelos, nem vermelhos, nem rosa às riscas verdes, o que levou por ex a confusão no Mundial de 66). Outros mais jovens lembram-se pelo menos dos tempos em que o GR podia agarrar a bola a passe de um colega.

Duas medidas que julgo merecer consideração:

1)      A possibilidade de revisão de imagens de TV pelo árbitro antes de tomar a decisão final (como no râguebi).

Esta medida deixa-me dúvidas, mas penso que poderia ser tomada desde que de forma bastanta circumscrita e limitada. Por exemplo: apenas no caso de penaltis ou limitando a possibilidade a apenas 2 vezes por jogo para cada equipa (a seu pedido). Nada invalida que os árbitros tomem decisões polémicas na mesma (e isto iria expor melhor os arbitros de má fé), mas estou certo que os erros mais flagrantes seriam em geral eliminados.

2)      Limitar o número de jogadores na barreira a partir de «x» faltas.

Esta medida é inspirada pelo básquete (lances-livres) e penso que iria combater um pouco o anti-jogo (em que equipas sem argumentos recorrem sistematicamente a faltas e faltinhas para quebrar o ritmo do adversário), tal como aumentar ligeiramente o número de golos por jogo. Porque não limitar o número de jogadores na barreira a (por ex) 3 a partir da (por ex) décima falta?

domingo, 24 de junho de 2012

Gosto do gajo

Concordo com tudo o que o gajo diz? Não.

Tem ideias absurdas? Tem.

É politicamente correcto? Não. E ainda bem. E é por isso que gosto dele - apesar daquela Juventus e daquela França ainda estarem atravessadas na garganta.

- Ai que ele é o presidente da UEFA e não pode dizer aquilo.

O tanas é que não pode!


O problema não é quando eles dizem o que pensam.
O problema é quando dizem o que não pensam e depois nos bastidores fazem o que pensam.
De quem tenho "medo" é daqueles que se dizem muito neutrais. Quando leio um Jorge Coroado a criticar o Platini, abençoado seja o Platini.
O que me irrita são as frases feitas, as conferências de imprensa em que estão ali a debitar o mesmo paleio vezes e vezes sem conta.

Tá bom de ver que ontem a França só perdeu porque o homem quer a Espanha na final. Isto é claro como a água. 
(Como era claro como a água, que se fosse ao contrário a França só tinha ganho porque o presidente da UEFA é Francês.)

Ele gostava que a Holanda estivesse nos quartos de final. Mas não esteve.
Em termos teórico eu também gostava, preferia ter tido uma Holanda nos quartos que uma Grécia, uma R. Checa, ... mas o certo é que apesar de ele ser presidente da UEFA isso não aconteceu.
Como não passou nenhum dos organizadores - e a Ucrânia até teve aquela bola lá dentro. Interessante que agora ninguém fala do interesse, passe o pleonasmo, da UEFA em ter pelo menos um organizador nos quartos e nas meias.
O Francês gostava de uma final da liga dos campeões entre o Barça e o Real e nenhuma equipa lá chegou, a UEFA queria um organizador a passar as eliminatórias e nenhum passou.
Estão mesmo a perder qualidades. 

E esta é a realidade, o futebol é um jogo que qualquer interveniente pode ajudar a decidir, como o árbitro do Ucrânia-Inglaterra, como o treinador da Holanda, como o Varela, como o Ricardo da Grécia, como o Xabi (e até o Torres já ajudou a decidir), como o Jorginho já decidiu um Sporting-Porto, e até pode ser a própria sorte a decidi-lo. Mas não me venham com histórias, 89% são decididos pelos jogadores e 10% pelos treinadores.

O dia em que eu acreditar que o futebol não é assim, e como não sou masoquista, dedico-me ao Curling.  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A vitória do Futebol




O resultado justo teria sido uma vitória da Seleção portuguesa por 3 ou 4 golos de diferença e os checos bem que o mereciam. Nem a Grécia do EURO 2004 apresentou um futebol tão negativo, tão de contenção como esta miserável equipa da República Checa. Contudo, durante longos minutos, os deuses do futebol (com a ajuda de Petr Cech) parecia que queriam punir a única equipa que hoje, no estádio nacional de Varsóvia, fez alguma coisa para tentar ganhar o jogo.

No final ganhou Portugal. Foi uma vitória do futebol!

P.S.1 O Rui Patrício tocou na bola?

P.S.2 Por "culpa" de Ronaldo (e, já agora, também de Moutinho), hoje terminou o sonho de Pedro Proença apitar uma das meias-finais ou a final deste Europeu.

A Cabra-Cega



Os mais recentes vaticínios de Michel Platini sobre as Seleções que irão disputar a final do Euro 2012 para além de terem sido, uma vez mais, um verdadeiro chuto na atmosfera, tiveram o condão de universalizar a ideia de que o dirigente máximo da UEFA é mesmo um desbocado. Aos adeptos do FC Porto essa característica do ex-internacional francês já é quase uma redundância desde as considerações que teceu ao nosso clube no processo que foi alvo na instância que dirige. Mas a uma personalidade tão cheia de frases feitas e ideias pré-concebidas, não seria difícil de prever o tropeçar nas próprias palavras até à desconsideração geral da nação futebolística - mesmo a mais inquinada (como é o caso da imprensa lisboeta).

Houve quem referisse por estes dias que a inteligência de Platini ostentadora de um perfume único nos relvados por onde passou, não se coaduna com o seu discurso de praça enquanto Presidente do organismo supremo do futebol europeu. Porém, há 30 atrás, um artista da bola tinha tempo e espaço para pensar dentro da quadra, e atualmente isso não acontece. Nem lá dentro, nem cá fora. Está visto que o homem ainda não se adaptou aos novos tempos.



De uma forma peculiar, o dirigente francês está ser vítima da própria estratégia que o levou ao topo da hierarquia da UEFA. Foi com uma boa dose de demagogia e um discurso populista junto das Federações mais pequenas (com promessas de entrada direta das equipas de países com rankings mais baixos na Liga dos Campeões, por exemplo) que juntou votos para chegar ao cargo que por hora ocupa. Um principio válido e útil para quem se quer erguer à ribalta rapidamente, mas perigoso quando se está no topo.

Se como atleta Platini terá sido uma figura aglutinadora de massas, como responsável desportivo tornou-se um repelente. Da boca do Presidente da UEFA não interessa ouvir apostas – que ele tanto odeia – sobre uma final, dissertar sermões e opiniões sobre jogadores, ou tecer considerações acerca de dossiês que não domina e para os quais está manifestamente mal preparado. Um dirigente com sentido de Estado abstêm-se gravilhar no acessório para se dedicar ao essencial, não ficando a fazer de Cabra-Cega perante um golo “fantasma” não validado num torneio em que é organizador e onde previamente já ditou o seu desfecho.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

PIGS continuam no Euro


Jogos dos quartos-de-final:
Portugal x República Checa
Itália x Inglaterra
Grécia x Alemanha
Espanha x França

E, embora não me pareça provável, até podemos ter umas meias-finais do EURO 2012 só com PIGS. No momento atual da "construção europeia", confesso que me dava um certo gozo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O amigo Wolfgang

Ontem vi parte do Espanha x Croácia e à noite revi os lances mais relevantes do jogo, num resumo apresentado pela RTP.
O jogo foi muito tático, com os espanhóis a sentirem muitas dificuldades em chegar perto da baliza croata, e teve apenas um golo, marcado por Jesus Navas ao minuto 88.
Contudo, a história deste jogo poderia ter sido diferente. Um minuto antes do único golo do desafio, o árbitro alemão Wolfgang Stark não viu (ou não quis ver) um penalty claríssimo contra a Espanha quando, numa disputa de bola, Busquets quase que arrancou a camisola ao croata Corluka.
E ainda mais escandaloso foi outro penalty não assinalado contra nuestros hermanos, ao minuto 27, numa entrada duríssima de Sérgio Ramos sobre Mandzukic. Eu admito que o árbitro pudesse ter dúvidas acerca do local em que o defesa espanhol atingiu o avançado croata (dentro ou fora da área?) mas, num lance para penalty e cartão (seria um amarelo avermelhado), o amigo Wolfgang nem sequer falta marcou!

Eu sei que a Espanha é a atual campeã da Europa e do Mundo.
Eu sei que esta seleção espanhola é formada por um misto de jogadores de dois dos principais clubes mundiais (FC Barcelona e Real Madrid).
Eu sei que, no caso da Espanha revalidar o seu título europeu, alguns destes jogadores serão candidatos à Bola de ouro.
Eu sei que Angel María Villar Llona, presidente da Real Federación Española de Fútbol, é também terceiro vice-presidente da UEFA, bem como, presidente dos Comités de Arbitragem da UEFA e da FIFA.
Eu sei que há árbitros que gostam de agradar a quem manda.
Eu sei que Michel Platini previu uma final entre a Alemanha e a Espanha.
Eu sei tudo isto, mas convinha que houvesse um bocadinho de decência...

domingo, 17 de junho de 2012

A vergonha de Gijon

«São vários os cenários em cima da mesa. Para Portugal o caminho mais simples será ganhar à Holanda e torcer por uma vitória da Alemanha sobre a Dinamarca (o empate entre estas duas equipas também serve). A selecção portuguesa também pode empatar com a Holanda, desde que a equipa de Joachim Löw se imponha aos dinamarqueses.
Porém, uma vitória da Dinamarca sobre a Alemanha, por 3-2 (ou 4-3, 5-4, etc), colocaria imediatamente as duas selecções na próxima fase, em detrimento da portuguesa. É que, neste cenário, Portugal seria eliminado, mesmo vencendo a Holanda.
As três equipas somariam seis pontos e seria necessário recorrer aos outros critérios de desempate definidos pela UEFA. Os pontos conquistados nos jogos entre as três equipas (seis) não desfariam o nó. A diferença de golos (zero) também não. Seria então necessário recorrer à alínea c) (golos marcados nos jogos entre as equipas empatadas), o que ditaria a eliminação de Portugal.»
in PUBLICO.pt


Embora já tenham ocorrido dois resultados de 3-2 (no Portugal x Dinamarca e no Inglaterra x Suécia), não acredito que este resultado se repita hoje e muito menos que os vikings sejam capazes de marcar três ou mais golos à Alemanha.

Contudo, sempre que há um resultado que serve os interesses de duas equipas em confronto em detrimento de uma terceira, lembro-me da vergonha de Gijon, um pseudo-desafio entre alemães e austríacos do Mundial 1982 e que até obrigou a FIFA, a partir desse Mundial, a mexer nos horários dos últimos jogos da fase de grupos.

(Mundial 1982 - o alemão Paul Breitner observa passivamente o austríaco Bruno Pezzey)

E, infelizmente, estes “arranjos” não acontecem só no futebol:

«O FC Porto venceu hoje o Genéve por 10-4, na sexta e última jornada do Grupo C, mas foi afastado da “final a 8” da Liga Europeia, passando os dois primeiros do grupo, Valdagno e Liceo da Corunha. Os portistas foram vítimas do triunfo por um golo dos espanhóis no reduto dos italianos, que era precisamente o único resultado que afastava os “dragões”, vítimas de desvantagem no confronto a três (-1, contra zero do italianos e +1 dos espanhóis).»
in SAPO Desporto, 14/04/2012


Esperemos que Portugal consiga "espremer" esta laranja, que neste EURO 2012 tem estado pouco mecânica e, já agora, que a Dinamarca derrote a Alemanha, mas apenas por 1-0 ou 2-1.

P.S. Se a Dinamarca vencer hoje por uns inesperados 3-2, 4-3, 5-4, ..., nem tudo se perde. Eu, por exemplo, ganho um jantar de borla oferecido por um companheiro do ‘Reflexão Portista’...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Luxuria, Varela e o Direito à Indignação


Ao contrário do que esperava Portugal venceu a Dinamarca, num jogo sofrido ao jeito do nosso fado. De qualquer forma, aumentou o espaço para a esperança. Quero tanto que Portugal se apure para a fase seguinte quanto se apure, qualquer que seja o resultado final, os desmandos e as mordomias de uma selecção que se apresentou como a mais gastadora neste Euro 2012. Não basta vir o Sr. Humberto Coelho dizer que a FPF é a única entidade financiadora da selecção, pois que saiba a FPF não deixou de receber do orçamento geral do Estado as verbas que anualmente lhe são atribuídas e que visam o investimento nas competições não profissionais, nomeadamente para a formação. Ainda que não o fosse, esse despesismo dos dirigentes deve ser contido, pois é ofensivo. O Sr. Humberto Coelho e outros mamões que por lá pululam deveriam ter vergonha, mas não têm. Não isento o Dr. Fernando Gomes, pelo contrário, acho que é o primeiro responsável por este desvario, feito de compromissos para agradar os clubes que dominam o panorama do futebol nacional e, nesse particular, o preço que lhe terá sido exigido para merecer o apoio dos clubes da capital. É tempo de alguém de direito puxar as orelhas a estes senhores. Fico à espera, Dr. Miguel Relvas.


Varela que foi quase cilindrado no jogo com a Alemanha por ter falhado um golo – em que fez quase tudo bem, mas o guarde redes e os defesas alemães ainda melhor – foi agora levado aos píncaros depois de ter marcado o golo da vitória num excelente remate com o pé direito, depois de ter falhado a primeira tentativa com o pé esquerdo. Faço ideia do que diriam, se não tivesse marcado o golo. Gostei desse golo por beneficiar Portugal e por premiar Varela, que também nem sempre “tratei” de forma equilibrada, quando as suas prestações ao serviço do FCP foram menos assertivas. Boa Varela!

Entretanto, enquanto o Euro domina as conversas, li que a claque do FCP iria ser impedida de entrar em Lisboa, aquando do SLB-FCP para o campeonato nacional de hóquei em patins. Já aconteceu uma vez e fico sem saber se foi ameaça, se ocorreu ou não, há dias. Indigna-me que não hajam indignados. Prevejo que serão os superiores interesses dos cidadãos e da sua segurança que virão à colação para justificar a ilicitude da polícia e do seu ministério. Não me contento com esta explicação. Quem souber que me conte o que se passou. Acho que temos matéria para uma boa luta. Gostaria de não desistir na denúncia deste abuso de poder. O FCP ficou mudo e quedo. A claque comeu e calou. Basta!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cozinhem o polvo!


Após ter “previsto” a vitória dos germânicos no Alemanha x Portugal, o polvo Paulo, que vive nos aquários do Sealife Porto, voltou a “prever” a derrota da seleção portuguesa no jogo de hoje.

Não sei se o molusco terá sido influenciado pelo histórico recente dos confrontos entre portugueses e dinamarqueses mas, em vez das “previsões” do polvo, que tal umas receitas de polvo?

Foto: record.pt

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Joguem à bola!


Podemos olhar para o futebol de várias formas, uma delas são as vitórias. O que interessa é ganhar, ganhou-se e é-se o maior. Ponto final parágrafo.

Eu percebo que um Grego olhe para o Euro 2004 e pense assim.  

É que quando as nossas cores estão em causa, tendemos a pensar assim. Naquele dia em Feyenoord eu quis lá saber se o Porto de Ivic jogou com 4 centrais + 4 laterais - tudo muito fechadinho e o Kosta sozinho lá na frente. Passámos a eliminatória e isso é que interessou. Hoje não me orgulho daquele Porto.

O problema é que esta forma de jogar futebol, pode resultar num jogo, em meia dúzia, e às vezes até dar títulos, mas não pode ser isto o futebol. Ou melhor dizendo, não é este o futebol de que eu gosto. Um dia Pedroto disse: "Quem quiser Ópera que vá ao S.Carlos" e não deixa de ser verdade, mas quando eu vejo um jogo de futebol não quero ver / ouvir Ópera, quero ver Futebol. É bom ganhar, mas quero ver F-U-T-E-B-O-L. Pode ser?

Além disto não gosto de vitórias morais, irritam-me louvores em derrotas e acima de tudo irritam-me auto-louvores em derrotas. É certo que o futebol é um jogo - não é nenhuma ciência - e que por vezes a sorte e o azar decidem jogos. Há jogos que se perdem por azar, há jogos em que a atitude não chega, há jogos que se perdem e em que se deve aplaudir os nossos - os que perderam. Relembro o Porto - Panathinaikos na caminhada para Sevilha. Um gajo tem consciência que jogámos mal, mas sabe que aquilo não é a norma, sabe que a mentalidade é outra e por isso apoia, acredita. Mas é preciso que haja atitude e mentalidade.

Curiosamente (ou talvez não) após esse jogo de Feyenoord o Ivic foi embora e veio um Senhor que pensava assim:

Desenvolvemos bem o conceito de Killer Instinct. Tentámos manter um ascendente permanente. Procuramos estar sempre em boa posição durante todo o jogo. Não nos interessa iniciar o desafio com calma porque ainda está nos primeiros minutos e é preciso primeiro aguentar e assentar o jogo. É claro que isso é importante, mas não é suficiente para o FCPorto, já que pretendemos dar pelo menos a ideia de que vamos ganhar. É evidente que nem sempre resulta mas a intenção está lá e é só uma: ganhar. Então, se marcamos um golo está bem, é óptimo, mas vamos lá tentar outro. E se obtivermos outro, excelente, mas o jogo continua e vamos procurar ainda outro golo. Temos de continuar a atacar e atacar, para obtermos tantos golos quanto pudermos. 

E porque é que o público começou a regressar ao estádio? Porque gostam do que veêm. É um divertimento. Se se pretende ter o público de volta ao futebol é preciso entretê-lo, dar-lhe espectáculo. Porque é que se vai ver um filme? Porque é um bom filme. Se for mau as pessoas não vão. Com o futebol passa-se o mesmo. Se a equipa estiver a jogar mal, as pessoas não vão ver. Logo, o futebol é uma forma de espectáculo.

Desde então que isto faz parte da minha cartilha, quem tiver esta mentalidade tem o meu apoio até à exaustão e até celebro vitórias morais. 

O ideal do futebol bonito nem sempre ganha, mas o dia em que eu acreditar que não é o melhor caminho para se ganhar, de certeza que deixo de ver futebol. O dia em que eu preferir o Brasil do Penta de Scolari ao Brasil de 82 de Telê Santana, o dia em que eu preferir o Chelsea campeão europeu ou o Real campeão Espanhol, ao Barça de Guardiola que este ano só ganhou a taça de Espanha, internem-me sff. 

E quando a coisa não envolve a camisola azul e branca do Porto, quero é mesmo ver futebol. Como tal - está bom de ver - estou com pouca pachorra para os nacionalismos bacocos que por aí andam, e para os que acham que apoiar é só bater nas costas e passar o tempo a dizer: "és o maior". Que o provem em campo.

Às vezes apetece tanto cantar o "Joguem à bola! Palhaços! Joguem à bola!"

domingo, 10 de junho de 2012

Crise?! Qual crise?...


O governo espanhol decidiu, finalmente, solicitar a inevitável ajuda financeira (não quer chamar resgate a um "pequeno" empréstimo de 100 mil milhões de euros), que há muito era anunciada, mas que Mariano Rajoy jurava a pés juntos não ser necessária. E fê-lo quando? No mesmo fim-de-semana em que a seleção espanhola, atual campeã da Europa e do Mundo, iniciou a sua participação no EURO 2012. Coincidências...

Lá como cá, o mediatismo e as paixões que o futebol desperta dão um jeitaço a quem está no poder.

Pão e circo para entreter o povo, diziam os romanos há mais de dois mil anos. De facto, para alguns dos atuais políticos europeus, é uma pena que não haja campeonatos da Europa ou do Mundo todos os meses...

(Rajoy a celebrar o golo da Espanha frente à Itália)

As chagas das Quinas


Finalizar, a nossa cruz

A derrota de Portugal com a Alemanha deixou no ar um vislumbre de sentimentos diversos. A organização lusitana superou largamente a dislexia patenteada nos encontros de preparação. Mas fatalmente a Seleção voltou a vacilar nos momentos decisivos e contra um adversário poderoso. Porventura haverá mais esperança no seio da pátria numa exibição que não deslustrou. Mas os sintomas da doença continuam lá morar e provavelmente vão abafar Portugal bem antes que a sua esperança acabe.

A eventual falta de ousadia de Paulo Bento até ao minuto 72 pode muito bem ser explicada na tração mais dianteira do seu conjunto diante da Turquia. O sistema e os protagonistas eram os mesmos em ambas as contendas, mas a assunção do risco no controlo do jogo e no passe pôs em xeque o seu sucesso no último particular. Antevendo esse desacerto com os alemães o selecionador apostou numa construção sem riscos, com os seus jogadores a não se permitirem a exposições desnecessárias, limitando-se a fazer circular a bola por caminhos óbvios.

E a verdade é que a coisa decorreu quase sempre de forma organizada e planeada. Miguel Veloso não se perdeu nos seus habituais passes transviados e o grupo foi bastante solidário entre si. Claro que tamanha preocupação em deixar tudo tão aprumado desviou a atenção aos jogadores lusos em agarrar-se ao jogo de quando em vez, não apenas quando o prejuízo já lá morava. Isso, e a eterna nulidade na finalização da raia lusitana.

Paulo Bento não foi pouco ousado com uma Alemanha que se revelou ser um pequeno monstro. O selecionador legitimamente preocupou-se em disfarçar as diversas lacunas que Portugal ostenta. Do trinco, ao puro 10. Do ponta-de-lança ao lateral direito.

Algumas dessas chagas ficaram remetidas ao esquecimento durante os 90 minutos, mas seria impossível escamoteá-las todas de uma só assentada. Aqui não dita a regra do mercado global dos clubes. Cada Seleção tenta sobreviver com aquilo que a sua terra lhe dá. E nossa, para além de ter desperdiçado bom fruto em colheitas recentes, poucas vezes deu uma “máquina de golos” como a que resolveu o jogo da noite passada.

Para se ganhar uma competição como esta não basta muita ambição e cagança de todo um povo. Só com um conjunto homogéneo e equilibrado é possível reverter as adversidades com outras opções tão ou mais válidas. Portugal é uma equipa sem resposta a algumas necessidades, não por culpa de Paulo Bento, mas sim por inépcia do seu campo de recrutamento.

sábado, 9 de junho de 2012

Um 69 problemático


Com Miguel Veloso na posição 6 e Hugo Almeida ou Hélder Postiga na posição 9, não vai ser fácil à seleção portuguesa brilhar neste EURO 2012. Mas, por vezes ocorrem surpresas e até pode ser que o desempenho dos companheiros dê para compensar...

As “tribos” do futebol europeu

Ontem começou o EURO 2012 e hoje entra em campo a seleção das quinas. Parece-me uma boa altura para recordar alguns extratos de uma entrevista do engenheiro do Penta e atual selecionador da Grécia, feita numa esplanada de Atenas há cerca de um mês atrás.

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A entrada da Troika no país mudou a atitude das pessoas?

[Fernando Santos]: Na primeira fase as pessoas foram surpreendidas. De repente, as contas estavam mascaradas. Estou cá desde 2000 e, até 2006, a Grécia era um dos países com melhor crescimento e de repente dizem que foi tudo uma grande aldrabice. As pessoas pensaram: onde está o dinheiro? Foi a fase da indignação. Depois esperava-se que a Troika viesse pôr tudo em ordem, resolver o problema, mandar prender estes tipos todos e pôr aqui o dinheiro outra vez. Nada disso aconteceu, antes pelo contrário. Foi muito pior e passou-se então por uma fase muito conflituosa e nos últimos cinco meses entrámos numa fase de apatia geral. Antigamente, discutia-se continuar no euro ou sair. Agora parece que é igual. Faz lembrar o que se vivia em Portugal antes do 25 de Abril.

Pode descambar numa revolta social?

[Fernando Santos]: Alguma coisa vai ter de acontecer. Aqui nasceu a civilização e depois estiveram 500 anos dominados pelos turcos. O grego reage muito mal quando alguém o quer controlar. Por isso reagem muito mal aos alemães, sobretudo à senhora Merkel.

É só a Alemanha ou também a toda a Europa?

[Fernando Santos]: Em relação à Europa há uma desilusão. Face à Alemanha há uma crispação, para não dizer raiva. Em Fevereiro íamos fazer lá um jogo particular e a federação alemã não deixou. As pessoas na rua diziam-me: "quando jogares com os alemães, tens de os comer". Há muito ressentimento por causa da questão histórica. Não só pelas vidas que tiraram aos gregos [na II guerra mundial], aquilo que levaram do país, sobretudo da Acrópole para os museus deles, e depois o que tinham ficado de pagar [as compensações do pós-guerra] e não pagaram. Tudo isto está muito presente. E depois os casos mais recentes com os submarinos. Em Portugal foram só dois, aqui foram muito mais.

Isso vai-se sentir no Europeu de futebol?

[Fernando Santos]: Se a Grécia jogar com a Alemanha era bom sinal, porque significava que tinha passado a primeira fase do europeu. Para os gregos vai ser um jogo muito importante. Vai puxar ao sentimento.

No futebol também se sente a crise?

[Fernando Santos]: Pela paixão que se sente pelo país, sim. Aumentou a obsessão pela soberania. Os gregos preferem morrer do que abdicar de uma ilha que seja. Isso vê-se na relação com a Turquia, por isso é que o orçamento de defesa é o maior da Europa. Jogar pela seleção já é motivador, nesta fase basta dar aqui um cheirinho...

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Nota: A entrevista completa, feita pelo jornalista Luís Rego, foi publicada no Diário Económico (na edição de 4 de Maio) e pode ser lida aqui.


O futebol atual, que de desporto já tem muito pouco, está cada vez mais distante do espírito dos jogos olímpicos da antiga Grécia (interrompiam-se guerras para disputar os jogos!) e está a transformar-se num instrumento de “guerras” entre diferentes “tribos”.
Durante décadas, as principais “guerras” foram entre “tribos” da mesma cidade ou país, mas estas declarações de Fernando Santos que, acredito, traduzem o sentimento generalizado do povo grego, mostram que chegamos à era das “guerras” entre “tribos” de uma eurolândia esfrangalhada e a cair de podre.

Já agora, um árbitro grego estará em condições de arbitrar um jogo da seleção alemã?

sábado, 19 de maio de 2012

Um Euro sem expectativas de negócio

Todos sabemos que em ano de Europeu os grandes negócios para quem compra fazem-se antes do torneio terminar e para quem vende, depois. À medida que a prova se vai desenvolvendo alguns passes de jogadores sobem ou baixam com a velocidade de um dia de caos em Wall Street.

Está claro que os grandes clubes sabem que jogadores valem o quê e não é uma prova de quatro meses que vai dizer se este é bom ou mau jogador. O problema está nos clubes que vendem e sobretudo nos empresários que procuram as suas comissões e que usam estes torneios como pretexto para fazer mais uns cobres.

Em 2004 lembro-me que o FC Porto já tinha contratado o Seitaridis antes da Grécia se sagrar campeã da Europa, uma jogada que podia ter sido magistral se o lateral tivesse jogado no Dragão tão bem como fez pelos helénicos. Mas muitos se lembram que no final do torneio o Real Madrid, como sempre, já nos queria pagar bem mais por ele do que realmente depois conseguimos sacar ao Atlético de Madrid quando o vendemos.

O FC Porto tem 5 jogadores em prova e nenhum deles, talvez com a excepção de João Moutinho, com o cartel de indispensável para o projecto do próximo ano. Rolando, Varela, Miguel Lopes e Beto são jogadores com os quais a SAD pode procurar fazer encaixe e esta seria uma boa oportunidade para lográ-lo não fosse por dois pequenos problemas: não se prevê que nenhum deles realmente jogue, especialmente se Portugal se ficar pela Fase de Grupos. E porque, está claro, temos actualmente um deficit de jogadores portugueses para inscrever nas provas da UEFA, como se viu este ano, e não interessa muito ao clube desprender-se de jogadores que podem ser úteis a preencher o plantel do próximo ano.

Sendo assim, exceptuando o caso Moutinho, este Europeu serve-nos de muito pouco porque nem o mercado preferencial da SAD é o europeu - como se tem visto nos últimos oito anos - nem nos convém esperar pelo final da prova para contratar ucranianos, polacos, russos, checos, suecos, irlandeses ou croatas com os preços inflacionados (e isso que há por lá muitos jogadores interessantes).



terça-feira, 15 de maio de 2012

Os cinco do FC Porto


Nesta altura, são cinco e não três os convocados da seleção portuguesa para o EURO 2012 que estão contratualmente ligados à FC Porto SAD – Beto, Miguel Lopes, Rolando, João Moutinho e Varela –, o que faz do bicampeão nacional o clube mais representado entre os 23 escolhidos por Paulo Bento. Seguem-se, com três jogadores, o Real Madrid (Pepe, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo) e o slb (Eduardo, Carlos Martins, Nélson Oliveira).

Contudo, dos cinco seleccionados com ligação ao FC Porto, o único que deverá ser titular é João Moutinho, algo que, se conjugado com um bom nível exibicional no Europeu, poderá levá-lo a juntar-se a Rolando na porta de saída.

Em sentido contrário, penso que a SAD deveria ponderar seriamente os regressos de Beto e Miguel Lopes. Para além de ajudar a colmatar o défice de portugueses no plantel dos dragões, esse eventual regresso teria duas vantagens adicionais:
– Possibilitar a venda do passe de Cristian Sapunaru, jogador que está no limite de idade (tem 28 anos) para uma transferência;
– Atenuar os problemas causados pelo excesso de estrangeiros, nomeadamente ao nível da lista de jogadores que serão inscritos nas provas da UEFA em 2012/13.