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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Partilha de risco

O futebol é uma atividade de (elevado) risco, em que o sucesso de um futebolista num clube de topo, como é o caso do FC Porto, depende de variadíssimos factores.
Um desses factores, que é crítico, são as lesões.

Esta época, tivemos três exemplos de jogadores jovens que, à partida, pareciam ter tudo para darem o grande salto nas suas carreiras e, afinal, têm passado o tempo quase todo lesionados ou a recuperar de lesões.

Gonçalo Paciência (fonte: O JOGO, 09-09-2014)

Mikel (fonte: O JOGO, 05-01-2015)

Otávio (fonte: O JOGO, 06-01-2015)

Sou dos que penso que o recurso aos Fundos foi (é) fundamental para a competitividade das equipas portuguesas a nível europeu (o caso do SC Braga é o exemplo mais flagrante).

E uma das razões que me levam a ser favorável ao recurso aos Fundos (mediante regras claras) é precisamente a partilha do risco.

Porque investir, à cabeça, 8, 10 ou 15 milhões de euros no passe de um jogador, além de ser um investimento muito grande para uma SAD de um clube português, tem de ter retorno e não pode ficar demasiado sujeito a fatores imponderáveis, como é o caso das lesões.

domingo, 5 de outubro de 2014

Equipa Ab “esmaga” Olhanense

Recorrendo, de novo, a sete (7) jogadores do plantel principal – Ricardo (GR), Diego Reyes, José Campaña, Tiago Rodrigues, Otávio, Ricardo Pereira e Kelvin – a equipa do FC Porto que disputa a II Liga, recebeu e venceu o Olhanense por 7-0!

E, tal como aconteceu das anteriores vezes em que a equipa B foi reforçada com vários jogadores da equipa A, André Silva, Francisco Ramos, Rafa e Tomás Podstawski ficaram no banco de suplentes, ou nem sequer foram convocados, e apenas Ivo (que hoje marcou 3 golos!) fez parte do onze inicial.
Falo destes cinco jogadores, porque todos eles se sagraram vice-campeões europeus de Sub-19 em Julho passado e, supostamente, são do melhor que a formação portista produziu nos últimos anos.

Relativamente ao que vi no jogo de hoje, duas confirmações:

José Campaña é um Nº 6 de muito boa qualidade. Tem um estilo parecido ao de Javi Garcia (ironicamente, tão assobiado no regresso ao estádio da Luz com a camisola do Zenit…), mas é muito menos caceteiro que o ex-benfiquista.
Por aquilo que vi dele, neste e noutros jogos, surpreende-me que, para o FC Porto x SC Braga de hoje, na ausência de Casemiro, Lopetegui prefira adaptar Iván Marcano à posição de médio defensivo.

Otávio é mesmo craque.
Parece-me que este ex-jogador do Internacional de Porto Alegre está a ser trabalhado para ser uma alternativa a Óliver (que deverá regressar a Madrid na próxima época) e, talvez por isso, hoje jogou uns metros mais atrás.
Mas, tal como o jogador emprestado pelo Atletico Madrid, este menino, de apenas 19 anos, tem muito futebol nos pés (na cabeça!) e joga como um Senhor!

Após os primeiros 10 jogos do campeonato da II Liga, já se podem tirar algumas ilações.

Em termos de resultados, o FCP B tem 4 vitórias, 1 empate e 5 derrotas. Contudo, das quatro vitórias, apenas uma foi obtida sem recorrer a jogadores do plantel principal (contra o Feirense, último classificado, que em 9 jogos disputados tem 0 vitórias…).

Mais. Dos 15 golos que a equipa B marcou nos 10 jogos já disputados, 10 desses golos foram apontados nos três jogos em que jogaram 6 ou 7 jogadores do plantel principal. Ou seja, nos outros sete jogos, o FCP B marcou apenas cinco golos…

Na próxima jornada, o FCP B vai jogar à Vila das Aves. Para preparar convenientemente esse jogo, o treinador do Desportivo das Aves terá de telefonar a Luís Castro (ou será a Lopetegui?) e perguntar que FCP B irá enfrentar…

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A irrelevante contratação de Otávio

O JOGO, 13-09-2014
As SAD’s são obrigadas a comunicar ao mercado todos os factos relevantes mas, o que é um “facto relevante”?

Na realidade, não há uma regra minimamente objectiva que defina o que são “factos relevantes”, ficando ao critério das sociedades desportivas decidir o que entendem como sendo “relevante” para a vida da empresa.

Peguemos no exemplo de Otávio. Através de notícias que chegaram do Brasil, soube-se que a FC Porto SAD investiu 3,25 milhões de euros em 50% do passe de Otávio, ficando os restantes 50% na posse do próprio Otávio (15%), dos seus representantes (20%) e de um grupo de empresários japoneses (15%).

3,25 milhões de euros por 50% do passe (significa que a totalidade do passe de Otávio foi avaliada em 6,5 milhões de euros), não parece ser irrelevante, mas a FC Porto SAD entendeu o contrário e, por isso, não efectuou qualquer comunicado.

Qual é o critério da FC Porto SAD para comunicar a contratação de jogadores?

Vejamos. Neste defeso, a FC Porto SAD elaborou comunicados, que enviou à CMVM, acerca das seguintes contratações:

12/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Adrián López

15/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Martins Indi

16/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre empréstimo do jogador Cristian Tello

19/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre o empréstimo do jogador Casemiro

23/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre aquisição dos direitos desportivos do jogador Brahimi

24/08/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Aboubakar


Por que razão é comunicada a contratação de 30% do passe de Aboubakar e não é comunicada a contratação de 50% do passe de Otávio?

Por que razão são comunicados os empréstimos de Cristian Tello e de Casemiro e não foram comunicados os empréstimos de Óliver Torres e de José Campaña?

Alguém consegue descortinar um critério minimamente coerente, seguido pela FC Porto SAD, para comunicar ou não-comunicar contratações de jogadores?

Evidentemente, a CMVM tem coisas mais importantes com que se preocupar, mas é, também, por causa deste tipo de (in)coerências que, no mercado de capitais, ninguém leva a sério as sociedades anónimas desportivas e os respectivos grupos empresariais.