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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os salários dos administradores da SAD


«O relatório e contas da FC Porto - Futebol, SAD referente ao exercício de 2008/09 cumpre, pela primeira vez, a recomendação da CMVM prevista no Código de Governo das Sociedades (II.1.5.5) e discrimina em termos individuais as remunerações atribuídas aos membros do conselho de administração da sociedade. De acordo com o texto divulgado na terça-feira, o presidente Pinto da Costa auferiu 700 mil euros, enquanto os restantes administradores receberam entre 375815 euros (Reinaldo Teles) e 420 mil euros (Adelino Caldeira, Fernando Gomes). Ao contrário do que acontece com os relatórios dos outros clubes europeus cotados em bolsa, as contas da SAD não distinguem, no entanto, as diferentes componentes recebidas individualmente. Adiantam, unicamente, que a remuneração global (1,9 milhões) inclui 1.075.815 euros de salários fixos e 840.000 euros de remunerações variáveis. Estes valores, curiosamente, são inferiores aos do exercício de 2007/08 (2,28 milhões, incluindo 700 mil euros de remunerações variáveis).

Os membros do conselho de administração da SAD portista têm direito, desde Agosto de 1997, a uma remuneração fixa e a uma remuneração variável que depende dos lucros registados no final de cada exercício económico (2% dos lucros para o presidente, 1% para os restantes administradores). A partir de 2007/08, essa remuneração variável deixou de atender exclusivamente à performance económica da SAD e passou a depender, igualmente, de objectivos desportivos cumpridos pela equipa principal do FC Porto. Os administradores da sociedade passaram a ter direito a uma bonificação variável "consubstanciada em percentagens sobre o respectivo salário bruto anual: campeão nacional (75%); vencedor da Taça UEFA (100%) e vencedor da Champions League (120%)". Aqueles 840 mil euros discriminados nas contas de 2008/09 correspondem a cerca de 78% dos 1.075.815 euros indicados como remuneração fixa, o que parece indicar que os prémios de performance económica não foram incluídos nesta secção (contactada por O JOGO, a administração da SAD recusou-se a adiantar qualquer esclarecimento).

Tal como se pode ver no quadro que reúne as remunerações anuais dos administradores dos principais clubes de futebol cotados em bolsa, os 700 mil euros auferidos pelo presidente Pinto da Costa em 2008/09 não destoam entre os montantes recebidos pelos pares europeus - sobretudo tendo em conta o impressionante êxito desportivo alcançado pelo clube sob a sua liderança. O presidente portista não entra, sequer, no Top 10 dos administradores mais bem pagos. E esta amostra, recorde-se, diz respeito unicamente a clubes cotados em bolsa e não inclui, portanto, administradores executivos de clubes milionários como Chelsea, AC Milan ou Manchester United, cujos salários concorrem certamente com os mais altos da tabela.

Em termos colectivos, no entanto, o panorama é diferente. A SAD portista está entre as que mais gasta - 2,063 milhões de euros, em 2008/09 - com remunerações totais pagas aos membros do conselho de administração. Este montante não está em linha com o nível de facturação/dimensão económica da sociedade nem com as práticas do mercado nacional em que está inserida. Apenas gigantes económicos como a Juventus ou o Arsenal pagaram mais aos respectivos administradores (o Ajax ainda não publicou as contas de 2008/09; no exercício anterior, o clube holandês despendeu 2,3 milhões de euros porque teve de pagar compensações a dois administradores cessantes). Ao contrário do que acontece na FC Porto - Futebol, SAD, os clubes europeus analisados contam com um número reduzido de administradores executivos - em geral dois, por vezes apenas um. Os restantes membros do conselho recebem subsídios ou salários meramente simbólicos. O conselho de administração do Roma, por exemplo, tem 11 membros, mas apenas as administradoras Rosella e Silvia Sensi tiveram remunerações de relevo. A Juventus tem oito, mas apenas Giovanni Cobolli Gigli e Jean-Claude Blanc receberam salários significativos. No Lyon, os 14 administradores são remunerados unicamente com senhas de presença, num total de 100 mil euros.»
Paulo Anunciação
in O JOGO, 18/10/2009


Interessante este artigo de Paulo Anunciação, o qual é complementado pelos seguintes quadros referentes aos principais clubes de futebol cotados em bolsa.

Remunerações anuais dos administradores (euros):
Jean-Claude Blanc, Juventus, 2.696.000
K. J. Friar, Arsenal, 1.541.000
Jean-Michel Aulas, Lyon, 1.408.000 (*)
Martin van Geel, Ajax, 1.136.000 (*)
Rosella Sensi, AS Roma, 1.100.000
Daniel Levy, Tottenham, 1.097.000 (*)
Peter Lawwell, Celtic, 811.000
Maarten Fontein, Ajax, 791.000 (*)
Martin Bain, Glasgow Rangers, 733.000 (*)
Ivan Gazidis, Arsenal, 732.000
Giovanni Cobolli Gigli, Juventus, 723.000
Pinto da Costa, FC Porto, 700.000
Hans-Joachim Watzke, Borússia Dortmund, 616.000
Matthew Collecott, Tottenham, 445.000 (*)
Thomas Treb Borússia, Dortmund, 440.000
Adelino Caldeira, FC Porto, 420.000
Fernando Gomes, FC Porto, 420.000
Karren Brady, Birmingham, 380.000
Reinaldo Teles, FC Porto, 375.815
Jeroen Slop, Ajax, 295.000 (*)
Eric Riley, Celtic, 253.000
Silvia Sensi, AS Roma, 250.000


Remunerações das administrações (milhões de euros):
Juventus, 3,529
Arsenal, 2,459
Ajax, 2,310 (*)
FC Porto, 2,063
Tottenham, 1,553 (*)
Lyon, 1,510 (*)
AS Roma, 1,491
Celtic, 1,261
Rangers, 1,087 (*)
Birmingham, 1,067 (*)
B. Dortmund, 1,056

(*) valores referentes ao exercício de 2007/08

Notas: As remunerações do presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, são pagas pela sociedade ICMI, a holding (de Aulas) que detém uma participação de mais de 34% no capital do clube; os valores referentes à remuneração do conselho de administração do Ajax incluem indemnizações/benefícios pela cessação de funções dos administradores Martin van Geel e Maarten Fontein; em 2006/07, as remunerações dos administradores do Ajax foram inferiores a 1,3 milhões de euros.



Olhando para estes valores, não me impressiona o que ganha o Pinto da Costa, se atendermos a que é o responsável máximo do futebol portista. Contudo, há cinco aspectos que, para mim, suscitam discussão:

1) O valor global que é pago ao conjunto dos administradores executivos da FC Porto SAD o qual, no contexto europeu e comparando com clubes muitíssimo mais ricos que o FC Porto, me parece excessivo.

2) O facto dos administradores com os pelouros financeiro e jurídico terem remunerações como se fossem gestores do futebol. Não são e, particularmente na área jurídica, não me parece que se justifique um administrador com este nível de salários e prémios (!). Penso que um departamento jurídico de apoio seria mais do que suficiente.

3) Para além do presidente da SAD, faz sentido haver um outro administrador com o pelouro do futebol e, adicionalmente, haver também um director geral da SAD com o perfil e raio de acção do Antero Henrique?

4) Durante o período abrangido pelo exercício 2008/09, Reinaldo Teles teve um gravíssimo problema de saúde que o afastou da equipa (e do banco de suplentes) a partir da 6ª ou 7ª jornada. Ora, tendo estado ausente por razões de saúde, faz sentido que a sua remuneração seja praticamente igual à dos outros administradores?

5) Os salários dos administradores executivos da FC Porto SAD foram definidos por uma Comissão de Vencimentos (presidida por Alípio Dias, um ex-administrador do BCP), a qual estipulou que o título nacional é premiado com mais 75 por cento do valor bruto dos ganhos dos administradores, enquanto o segundo ou terceiro lugares merecem mais 50 por cento. Ora, mesmo sabendo que na última assembleia-geral da SAD a Administração rejeitou os prémios caso a equipa de futebol termine em segundo ou terceiro lugares, para quando a revisão desta regra escandalosa?

Imagem: DN

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Caldeira, o craque do defeso

Na manhã do dia 11 de Junho, após seis dias de trabalho intenso (cerca de 100 horas de trabalho), os advogados do FC Porto entregaram na sede da UEFA, em Nyon, o recurso ao castigo que tinha sido imposto pelo Comité de Controlo e Disciplina. O dossier era composto por centenas de páginas e vários pareceres tendo, para a sua elaboração, o FC Porto contratado os serviços de António Rigozzi (especialista suíço em leis de arbitragem internacional e em questões desportivas) e Gonçalo Almeida (advogado português com experiência junto da FIFA).

Dois dias depois, à saída das instalações da UEFA, e após a decisão do Comité de Apelo da UEFA, que anulou a sentença de primeira instância da Comissão de Controlo e Disciplina, o líder da equipa jurídica do FC Porto – Adelino Caldeira – afirmou:


Foto: Record

«Confirmo que a decisão de 4 de Junho foi anulada. O FC Porto está na Liga dos Campeões. (...) Não considero um sucesso. O processo vai continuar, vai demorar mais tempo, mas para todos os efeitos, o campeão nacional está na Liga dos Campeões, é o normal

Quem é Adelino Sá e Melo Caldeira?

Apesar de ser dirigente do FC Porto há mais de 15 anos, Adelino Caldeira é quase um desconhecido, mesmo para os adeptos portistas. De facto, não é homem de muitas entrevistas (não me lembro de ter dado alguma entrevista desde que é dirigente do FC Porto) mas, recentemente, o jornal ‘O Jogo’ fez um retrato rápido deste administrador da FCP SAD e vice-presidente do FC Porto, responsável pelo sector jurídico do clube e da sociedade desportiva portista.

«Visto à distância, Adelino Caldeira tem o seu quê de bloco de gelo. Inacessível, algo rude até, e ar de antipático. Os amigos assinam a fotografia, mas garantem que é só ar, típico de um menino da Foz, que, entre amigos, se derrete em simpatias.
Aliás, se o quiserem ver de sorriso bem esticado, o melhor mesmo é procurá-lo num campo de golfe, no da Estela ou em Ponte de Lima. (...)
Ganhou a alcunha de Conde Redondo. Foi Joaquim Oliveira, de quem foi advogado na Olivedesportos e de quem é amigo, o primeiro a lembrar-se de o apelidar assim, numa sugestão fácil de entender, à medida de um físico imponente, alimentado, sempre que possível, à base de uma perdição: a comida japonesa.

Dá nas vistas pelo físico, mas é do mais invisível que há nos contactos. Fecha-se no seu ciclo, construído à moda antiga. Traduzindo: não tem paciência para amizades instantâneas. Cultiva-as, mas só depois de bem adubadas. O grupo inclui diversas sensibilidades: Miguel Ribeiro Telles, do Sporting; Luís Seara Cardoso ou Manuel Violas, ambos benfiquistas, Manuel Almeida, do Guimarães, Antero Carvalho, Alberto Novais, Almeida Ribeiro, Miguel Vilaça, o médico José Carlos Esteves ou Pôncio Monteiro, citando só alguns, estão entre os que lhe são mais próximos.

Filho de um jurista, José Saraiva Caldeira, seguiu as pisadas do pai. No Direito e no dirigismo desportivo. Iniciou o curso em Portugal, envolvendo-se em animadas lutas políticas com o MRPP, a quem sabotou uma fotocopiadora, mas concluiu-o no Rio de Janeiro, para onde emigrou em 1975.
Foi no Brasil que piscou o olho ao futebol, solidificando, aí, uma amizade com António Calçada, ligado ao Vasco da Gama.»
in O JOGO, 14/06/2008


A primeira vez que Adelino Caldeira surgiu ligado ao FC Porto foi em 1988, quando fez parte da lista do seu amigo Martins Soares, concorrendo contra Pinto da Costa, mas a derrota foi grande: 10196-535 a favor de Pinto da Costa.
Três anos depois, Martins Soares voltou a disputar a liderança a Pinto da Costa, à frente de uma lista cujo lema era “Pela decência”. Dessa vez, talvez por já ser conhecido e ter contado com a ajuda de uns panfletos lançados de avião sobre o estádio das Antas, a derrota foi mais honrosa – 20,14% dos votos.

Nas eleições de 1991 Adelino Caldeira já se tinha separado de Martins Soares e estava ao lado de Pinto Costa. A partir daí nunca mais saiu dos órgãos dirigentes do FC Porto. Ao contrário, Martins Soares, hoje com 58 anos (sócio 2020), depois da dupla derrota eleitoral, deixou de se envolver na vida do FC Porto e numa entrevista ao Record de 01/05/2007 afirmou:
Enquanto Pinto da Costa for candidato não me candidatarei, no dia em que for uma certeza que não o fará serei novamente candidato a presidente da direcção do FC Porto. Pinto da Costa será presidente enquanto quiser e não será ninguém que o convencerá do contrário, mas quando ele sair, ao contrário do que diz, não será o vazio, disso só se convence quem gravita à sua volta”.

Pouco tempo depois de ter assumido o lugar de dirigente, Adelino Caldeira viu-se envolvido numa polémica pública nada habitual no FC Porto. Foi na última jornada da época 1991/92, no final de um Gil Vicente – FC Porto.
O Gil Vicente era treinado por António Oliveira e precisava de ganhar o jogo para ficar a salvo da descida de divisão. Por sua vez, o treinador do FC Porto era Carlos Alberto Silva, tendo como nº 2 o “super-adjunto” Octávio Machado, que era uma espécie de treinador-adjunto da casa (já tinha sido adjunto de Artur Jorge, por duas vezes, e de Tomislav Ivic).
O FC Porto já era campeão e acabou por perder o jogo. No final, Octávio bateu com a porta, tendo proferido uma célebre frase: “Estou farto de caldeiradas e de azeitonas podres”.

A frase tinha destinatários óbvios: os irmãos Oliveira – Joaquim e António – e Adelino Caldeira, mas para o adepto comum não ficou claro o porquê e o sentido da mesma.
É verdade que Adelino Caldeira era amigo de Joaquim Oliveira e que este vinha assumindo um protagonismo cada vez maior nos meandros do futebol português, fruto dos contratos televisivos e de publicidade estática nos estádios que estabeleceu com a generalidade dos clubes. Contudo, o alcance da frase e as razões que levaram o seu autor (um símbolo do portismo à época) a proferi-la nunca ficaram claras.


O que é certo é que Octávio Machado saiu do FC Porto em Maio de 1992, enquanto que Adelino Caldeira ganhou influência junto de Pinto da Costa, mas mantendo uma grande proximidade a Joaquim Oliveira, de quem era advogado na Olivedesportos tendo, também, sido nomeado administrador da agência de viagens Cosmos numa altura em que Joaquim Oliveira possuía apenas 50 por cento das acções (em 1998, na sequência do “caso Calheiros”, haveria de comprar os restantes 50% ao fundador da agência, António Laranjeira).

Adelino Caldeira haveria de voltar a cruzar-se com Octávio Machado em 2001/02, quando Pinto da Costa convidou o “palmelão” para treinador principal. O objectivo era pôr ordem no balneário e repor a célebre disciplina portista num plantel “mal habituado”, após três anos do “demasiado educado” Fernando Santos.

É preciso ver o condicionalismo em que Octávio veio: toda a gente dizia que havia uma certa indisciplina, em que havia um departamento, até a nível técnico, onde tudo estava um bocado não direi à balda, mas relaxado, e entendi que o Octávio, na circunstância, podia ser uma boa solução.”
Pinto da Costa, O JOGO, 23/04/2002

Record, 1ª página, 17/01/2002

Contudo, as coisas correram mal e, segundo O JOGO, Adelino Caldeira “esteve para sair, em ruptura, nos tempos de Octávio Machado. A carta de demissão estava pronta.”

Mas não foi só com Octávio que Adelino Caldeira se viu envolvido em polémicas.

O facto do seu irmão José Caldeira ser um Agente FIFA e de ter intermediado várias contratações / transferências de jogadores do FC Porto é algo que, no mínimo, causou e causa sempre algum desconforto.
Aliás, para evitar problemas semelhantes e moralizar o negócio do agenciamento de jogadores, a Federação Inglesa de Futebol aprovou um novo regulamento, que entrou em vigor em 01/09/2007, o qual passou a proibir expressamente a participação dos agentes em transferências que envolvam clubes onde trabalham seus familiares próximos.
Se esta norma/regulamento fosse transporta para Portugal, a UNIFOOT – Gestão e Eventos de Carreiras de Profissionais Desportivos, SA, liderada por José Caldeira, não poderia gerir a carreira de vários jogadores e ex-jogadores portistas (Raul Meireles, Rui Pedro, Castro, Ricardo Costa, Marek Cech, etc.).

Um outro aspecto que tem suscitado, não diria polémica, mas alguns comentários é o facto de Adelino Caldeira ser sócio da sociedade de advogados ‘Gil Moreira dos Santos, Caldeira, Cernadas & Associados’, a qual foi contratada pela FCP SAD para defender os interesses da sociedade portista e do seu presidente em todos os processos que decorrem do 'Apito Dourado'.

Conflito de interesses? Talvez, mas a vitória obtida na dura batalha judicial pelo direito em participar na Liga dos Campeões 2008/09 fez, obviamente, passar tudo isto para segundo plano e transformou Adelino Caldeira num dos grandes vencedores deste defeso, com direito a uma primeira página de O JOGO e vários artigos altamente elogiosos no jornal que há mais tempo é detido por Joaquim Oliveira.


«Encontrou um buraco na lei à medida do despedimento de Del Neri; contribuiu para um desfalque chorudo na conta bancária de Adriaanse, que foi obrigado a pagar uma indemnização quando o FC Porto já estava com ele pelos cabelos e, agora, junta ao currículo uma decisão favorável no Júri de Apelo. Além de favorável, convém acrescentar que, não sendo ainda um capítulo encerrado, é uma decisão histórica. As duas primeiras, também.»
in O JOGO, ‘Adelino e o sucesso nas tacadas decisivas’, 14/06/2008


«As vitórias jurídicas da equipa de advogados do FC Porto, liderada por Adelino Caldeira, têm-se sucedido nas várias instâncias. O caso da presença na Liga dos Campeões é, claramente, o mais importante e mais mediático, mas há outros que constam do currículo dos causídicos portistas.
A decisão do Juiz Único do Comité do Estatuto do Jogador da FIFA de condenar Co Adriaanse a uma choruda indemnização é histórica, e a justa causa evocada para despedir Del Neri, usando como trunfo a existência de um período experimental em todos os contratos, foi considerada revolucionária no meio futebolístico. Outra vitória foi conseguida com Leandro do Bonfim, quando a FIFA acabou por permitir que o médio fosse utilizado, apesar de ter saído em litígio com o PSV. Em breve, o mesmo organismo vai decidir o valor a pagar por Paulo Assunção pela rescisão de contrato. Nas instâncias locais, os advogados portistas ganharam recentemente a batalha à família Ramalho pelos terrenos da Quinta de Salgueiral.»
in O JOGO, ‘Departamento jurídico goleia nos tribunais’, 23/07/2008


É caso para dizer: ainda bem que O JOGO publicou estes artigos. É bem melhor ler estas coisas, do que ver primeiras páginas da BOLA, com Luís Filipe Vieira ou Rui Costa a sorrirem no sorteio da Liga dos Campeões 2008/09...

P.S. Procurei recorrer a fontes fidedignas para escrever este artigo. Contudo, no caso de existir alguma incorrecção ou imprecisão agradeço que me reportem.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A actuação da FCP SAD nos processos jurídicos foi...


37% leitores do Reflexão Portista (63 dos 166 participantes nesta sondagem) consideraram que a actuação da FCP SAD nos processos jurídicos foi "competente e profissional".

A segunda hipótese mais votada (com 48 votos, 28%) foi a de que a actuação foi "Incompetente, foram salvos por um advogado suíço". 38 participantes (22%) consideram que a prestação foi "Razoável, é para isso que eles são pagos". "Brilhante e digna dos maiores encómios" reuniu a preferência de apenas 10%, com apenas 17 votos.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os hábitos e as promessas


O FCP, como quase todos os clubes, segue o regime presidencialista. PC pelos seus méritos levou o sistema ao limite: todos os elementos que gravitam à sua volta são da sua escolha exclusiva e da sua total confiança – na SAD e no FCP.
Ocorreram alguns “sismos de pequena escala” no percurso, nomeadamente com as saídas de Alexandre Magalhães, Pôncio Monteiro, Guilherme Aguiar, Óscar Cruz, Raul Peixoto, Domingos Matos e, até, de Angelino Ferreira. Mas das suas causas pouco se sabe e das suas consequência não se notaram quaisquer “réplicas”.

Outra particularidade da presidência de PdC tem sido a forma como faz de amigos inimigos e vice-versa, a lembrar: Valentim Loureiro & filho, José Veiga, Alexandre Pinto da Costa, José Roquette, Dias da Cunha, Manuel Damásio, Luís Filipe Vieira, Pimenta Machado, Rui Alves, Jorge Mendes etc., etc., cujas motivações ou razões nunca percebi bem, mas essa é uma prerrogativa de quem tem a legitimidade democrática de nos representar.
Se há (houve) queixas dos sócios, elas foram sempre ditas em surdina. O hábito da vitória e a sucessão de êxitos, deixou-nos órfãos de qualquer oposição ou movimentos contestatários. Em equipa directiva (tão) ganhadora não se mexe!


Estando o centro de decisão muito dependente do presidente, e com o grupo dirigente estabilizado há muitos anos (em equipa que ganha não se mexe), é pouco curial que o modelo de gestão e o ciclo de procedimentos sofra significativas mudanças. A gestão da vida interna fica, assim, exclusivamente não mãos dos dirigentes, aliás a quem compete. Seria muito estranho (e nada desejável) que pudesse ser de outra maneira.

Os sócios mais ou menos organizados formam as claques e o grupo dos 300, todos eles muito activos no apoio da Direcção. Portanto, é normal vermos repetido os caminhos trilhados na gestão desportiva (em procedimentos ganhadores não se mexe), embora nos pareçam alguns caminhos demasiado sinuosos, de quando em vez.

Para além disso, com tantos “inimigos externos” os associados ficam – faz parte da nossa história sermos alvos privilegiados dos rivais de costume – demasiado ocupados com as tarefas de defesa e contra-ataque. A blogosfera criou um meio de comunicação privilegiado, também entre sócios e adeptos, mas até aí, a grande maioria está sobretudo posicionada para ser uma voz activa na defesa dos valores culturais, históricos e desportivos do FCP. Sobretudo, uma voz activa contra os poderes constituídos e fácticos do futebol em Portugal.

Vai longo este prefácio para abordar duas questões que estão na ordem do dia.


Uma que diz respeito a Adelino Caldeira, muito elogiado ultimamente, pelos serviços prestados do Gabinete Jurídico que preside. Alguns portistas de mérito, não foram meigos, e pediram a cabeça do homem, pelo facto do FCP não ter recorrido da sanção que lhe foi aplicada pelo CD da Liga. Não estou de acordo. A decisão foi colegial e toda a SAD deve responder por ela, tanto quanto a gestão desportiva e financeira. Não me acredito que não tenham sido apresentadas à SAD as várias alternativas a seguir relativamente aos recursos, com informação detalhada das vantagens e dos riscos de cada uma, no plano nacional e internacional. Se não foram – o que não quero crer – houve mau trabalho e a incúria foi geral. Não se percebe que aquela “máquina” – como a organização do FCP é reconhecida – tivesse errado de forma tão grosseira num “lance” em que não se podia falhar. Quer o castigo quer o prémio devem ser partilhados por igual por todos os dirigentes da SAD. Solidariamente. Tal como aquando da participação (extraordinária) nos lucros de 2003/4.

A outra diz respeito à nova jóia da coroa, que dá pelo nome de guerra HULK. Um dos maiores investimentos do FCP, por um jogador que brilhou na 2ª. Divisão japonesa.
Uma jogada de risco, tal como Anderson que nos rendeu bom dinheiro, embora este tivesse ganho enorme notoriedade, ao serviço das selecções brasileiras dos escalões mais jovens.

Vamos lá ver se o Hulk vai entrar na equipa, ou se vai rodar para a Académica, a quem “devemos” um jogador, que tinha sido “prometido” e foi desviado, no último momento, para o Vitória de Setúbal.

Desagrada-me este tipo de negociação, feito charada. O FCP já atingiu um nível e uma grandeza que não combinam com estas práticas que apelam à especulação e servem de isco à atracção dos sócios e adeptos que aguardavam por outro tipo de surpresa, porque a entenderam como válida e pronta a apresentar. O Presidente quando fala não mente nem engana, e o que é uma (vaga) promessa, anunciada pela sua voz, passa a ser uma certeza. Esperavam que isso acontecesse no último sábado. A exibição, o resultado e a ausência do “prometido”, cavaram a desilusão que as palmas no final não disfarçaram.

As compras e vendas devem ser realizadas de forma silenciosa e com toda a confidencialidade (tal como aconteceu com Cebola) e apresentadas sem espalhafato (tal como aconteceu com Cebola).


Para quem estava a trabalhar na reformulação do plantel, desde a época transacta, parece estranho que certas posições não tenham sido aparentemente bem resolvidas (defesa esquerdo e a posição 6), enquanto Hulk parece como um “pagador de promessas” excessivamente caro para a condição, enquanto Quaresma se mantém no clube, mais fora que dentro, quando a sua integração no plantel deveria ser de facto. Caso contrário, arriscamo-nos a perder o dinheiro e o jogador. Para além disso, o efeito da anunciada “surpresa” pode ser sempre assumida – pelos maldizentes internos do costume - como uma forma de apaziguamento do povo mais exaltado, se o SLB+VG tivessem ganho o recurso no TAS.

A bola já rola e isso é bom. Que o futebol viva do jogo e do público, e menos dos tribunais e de todos os Diogos deste país. Assim podemos falar e tratar das nossas coisas, ver os jogos, fazer palpites e mandar os nossos bitaites. Como treinador de bancada, com um curriculum que fala por si, não dispenso o meu lugar no sítio do costume e à hora habitual, para exercer as funções que me competem. O futebol com este circo à volta funciona melhor, mas dispensa o acessório e o inconsequente, quando ele parte de quem tem os mais altos cargos dentro do clube.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Uma equipa de luxo

«A UEFA excluiu o F. C. Porto da Liga dos Campeões, mas o clube já tem uma equipa de juristas na Suíça, onde prepara o recurso no Comité de Apelo. (...) o gabinete jurídico do F. C. Porto já prepara o recurso no Comité de Apelo da UEFA, órgão constituído por oito juristas, entre eles o português António Mortágua (que não se poderá pronunciar). Neste momento, o administrador Adelino Caldeira já está na Suíça, onde foram contratados especialistas para esgrimir a estratégia de defesa, pois os responsáveis continuam a acreditar no princípio da não retroactividade da lei. (...) Em última instância, o clube poderá, ainda, recorrer para o TAS (Tribunal Arbitral do Desporto), a mais alta instância jurídica desportiva internacional.»
in JN, 05/06/2008

Desde Dezembro de 2004, que o FC Porto tem uma equipa de juristas a trabalhar nos diversos processos decorrentes do ‘Apito Dourado’, e que envolvem a FCP SAD e o seu presidente.

Três anos e meio depois, a ideia que passa para o exterior é que essa equipa tem vindo a ser reforçada com especialistas externos, aos quais são solicitados diversos pareceres sobre aspectos específicos do Direito.

Agora, que o caso chegou à UEFA, temos também juristas na Suiça, que foram contratados para apoiar gabinete jurídico do FC Porto nesta dura batalha pelo direito de permanência na Liga dos Campeões (que, recorde-se, foi conquistado dentro de campo com inquestionável mérito).

A batalha jurídica promete ser longa, podendo durar meses na Justiça desportiva, e anos na Justiça civil. Contudo, a esperança de todos os portistas é que mesmo perdendo algumas batalhas, no final o FC Porto acabe por ganhar esta guerra.


Pelo caminho haverá “baixas” e custos.
Nesta altura fala-se muito dos custos que terá para a FCP SAD o afastamento da Liga dos Campeões 2008/09. Os números mais credíveis variam entre os 13 e os 18 milhões de euros. É muita massa!

Contudo, há outros custos de que não se tem falado nomeadamente, quanto já custou (e ainda irá custar) à FCP SAD a “equipa de luxo” que foi contratada para apoiar gabinete jurídico do FC Porto em todas estas frentes de batalha.
Por exemplo, quanto é que a FCP SAD já gastou nos pareceres jurídicos que solicitou, por causa de todos os processos que decorrem do 'Apito Dourado'?
Quanto é que vão custar os advogados suíços?
Quanto é que a FCP SAD já pagou à sociedade de advogados ‘Gil Moreira dos Santos, Caldeira, Cernadas & Associados’?


Analisando as contas referentes ao terceiro trimestre da época 2007/08, a única coisa que é possível concluir é que os custos com Fornecimentos e Serviços Externos aumentaram 32% e são, actualmente, 7 milhões de euros por ano mais altos do que há dois anos (aumento de 60%).

Deste modo, por uma questão de transparência e para evitar especulações, seria importante a divulgação nas contas da FCP SAD dos custos com esta “equipa de luxo” jurídica, até porque, num dos casos, a mesma pessoa – Adelino Caldeira – está dos dois lados.
Do lado de quem contrata o serviço, como administrador da FCP SAD responsável pelo pelouro jurídico, e do lado de quem é contratado, como sócio da GMSCC & Associados.