Reabriu a oficina do Olival, com esperanças e objectivos renovados, os jogadores vão regressando ao trabalho a conta gotas, consoante os periodos de férias previamente estipulados, ou conforme a situação de cada atleta é definida, seja no sentido sua da permanência ou da sua exclusão. E é precisamente na definição do futuro de muitos dos jogadores riscados da lista de Jesualdo Ferreira que pairam as maiores dúvidas, onde se encaixam neste lote algumas surpresas, com Pitbull à cabeça. A grande temporada realizada pelo avançado brasileiro que esteve ao serviço do V. Setúbal, pelos vistos não foi suficiente para convencer os responsaveis azuis e brancos a leva-lo para estágio e mostrar todo o seu potencial.
Adriano e Marek Cech, que contavam já com algum capital de confiança dentro da equipa, estão igualmente fora dos planos do treinador. Se a situação do ponta de lança não surpreende, pela nítida perda de espaço verificada no ano transacto, o mesmo não se pode dizer sobre o eslovaco, que era peça regularmente utilizada, seja na defesa ou no meio campo. Ibson, Bruno Moraes e Kaz confirmam-se como elementos que não merecem a confiança de Jesualdo, enquanto Paulo Machado, Barbosa, Castro, Rui Pedro ou Vieirinha, tardam a encontrar um espaço no grupo de trabalho Portista. Leandro Lima, mercê dos problemas que o acercaram e por demais conhecidos, viu naturalmente a sua margem de manobra reduzida, sendo o empréstimo a opção mais provável.
Se a colocação dos excedentários é uma questão longe de estar resolvida, a constituição do plantel para atacar o “Tetra” é outro assunto que de igual modo ainda dá algumas dores de cabeça à estrutura Portista, a começar pela defesa, onde nas laterais existe um defice de qualidade, agora agravado com a perda de Bosingwa (para o qual ainda não foi encontrada uma alternativa). As opções do lado esquerdo suscitam duvidas, pois Lino foi quase sempre 3ª opção na época passada e Benitez é um ilustre desconhecido que no seu clube de origem nem sempre era titular.
No meio campo foi desfeito o trio que tão bem conta de si deu. A rescisão de Assunção criou um vazio dificil de colmatar, onde só a possivel vinda de Pelé envolvido no negocio de Quaresma poderá atenuar estragos. Tomás Costa e possivelmente Guarín são sobretudo médios de transição, que se perfilam como alternativas a Lucho e Meireles. No ataque, a mais que provável perda de Quaresma é nota que vem dominando as conversas do defeso, que apesar de não ser um elemento consensual entre a massa adepta, teve um resgisto nos dados estatisticos notável, que só a troca por vários milhões de euros e o ingresso de Rodriguez poderá minimizar a perda.
A frente de ataque continuará entregue a Lisandro e Farias, com Renteria à espreita de uma vaga no estágio. Mariano, que saiu caro aos cofres da SAD, é uma clara aposta pessoal do treinador, que terá a companhia de Tarik nas laterais.
Faltando ainda cerca de mês e meio até ao primeiro jogo oficial, e com o mercado de transferências ainda em grande agitação, há margem suficiente para colmatar posições desguarnecidas do plantel, resultante das saídas até ao momento confirmadas ou em vias de confirmação. Porem não é de excluír a perda de mais um ou outro elemento fundamental da equipa (Lucho/Bruno Alves). Os cheques gordos podem falar mais alto, mas os danos desportivos poderão ser irreparáveis. Com a transferência de Bosingwa e a quase certa saida do Cigano, as necessidades financeiras ficam salvaguardadas (apesar da perda de Assunção a custo zero), é expectável que partir daqui a SAD saiba de igual modo acautelar os interesses dos adeptos do FC Porto, que anseiam ter uma equipa capaz de atacar o título.
