Caro leitor, há uma semana atrás você conhecia o senhor Nuno Cárcomo Lobo?
Como é que, de repente, este quase desconhecido (talvez 0,01% das pessoas que acompanham o fenómeno desportivo soubessem quem ele era) passou a estrela mediática tendo, em poucos dias, obtido um enorme espaço em jornais, bem como, um tempo de antena nas rádios e nas televisões de fazer inveja a políticos em campanha eleitoral?
Foi fácil, bastou a este “
capuchinho vermelho” transformar-se num “
lobo mau” e, depois de comportamentos provocatórios no camarote presidencial do estádio da Amoreira (que, inclusivamente, mereceram a crítica do seu antecessor no cargo), fazer-se de vítima e atacar violentamente (violência verbal, entenda-se) o presidente e outro dirigente do FC Porto.
Evidentemente, vivendo nós num país de gente amargurada, onde os sucessos dos dragões provocam uma enorme azia, quem escolhe o FC Porto como alvo é sempre bem visto. É uma estratégia por demais conhecida, que outros mais espertos que o Nuninho já seguiram no passado (Santana Lopes, Vale e Azevedo, Rui Rio, etc.) mas, apesar de gasta, continua a dar resultado.
Até aqui nada de novo na lisboalândia. Mas, sem que tenha ficado surpreendido, há duas coisas que não deixaram de me causar alguma impressão.
Conforme se pôde ler no Facebook de Nuno Cárcomo Lobo, em 21 de Fevereiro de 2011, após o final de um jogo entre leões e águias, o Sporting (equipa e clube) foi visado, e de que maneira, por este “capuchinho vermelho”:
“Terminou o jogo-treino para o Estugarda… OH Jesus, podias ter levado os juniores a Alvalade ou então jogares com 8 jogadores. Bastava… Tenho mais respeito pelo Portimonense ou pela Naval do que pelo clube do Bairro de Alvalade!!! CARREGA BENFICA!!!”
“Agora... Calma e concentração, rapazes!!! Agora teremos pela frente equipas de futebol: Estugarda e Marítimo!!! De ballet como a de hoje já não apanharemos muitas mais!!! FORÇA CAMPEÃO!”
Eu não sou sportinguista (cruzes, credo!) mas, tendo estas declarações sido profusamente divulgadas nos últimos dias (entretanto estes posts já foram apagados), gostava de saber o que é que os sócios do Sporting pensam disto.
Quanto a Bruno de Carvalho, que afirmou não admitir faltas de respeito institucionais de ninguém, já se percebeu que a coerência não é o seu forte e continua a agir como se o atual presidente da Associação de Futebol de Lisboa nada tivesse dito de ofensivo para o clube a que preside.
Aliás, prevejo que ainda iremos assistir a um “casamento” entre Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira, apadrinhado pelo homem que classifica o Sporting como o “clube do Bairro de Alvalade” …
Mas pior que este come e cala leonino é o comportamento de dois dos principais dirigentes do futebol português.
Tendo Nuno Lobo proferido (escrito) afirmações reveladoras de um racismo nojento, como é que os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes aceitaram os convites e estiveram presentes no
jantar do 103.º aniversário da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou na passada segunda-feira?
A partir de agora, quero ver com que cara é que Fernando Gomes (presidente da FPF) e Mário Figueiredo (presidente da Liga) irão criticar e combater
declarações, ou manifestações racistas, que ocorram nos campos de futebol. É que, apesar das obrigações institucionais, a hipocrisia tem limites.
E depois, ainda há quem se admire que Adelino Caldeira e Pinto da Costa os deixe ficar de mão estendida…
«UEFA has reinforced its stand against racism and, together with the players' body FIFPro, is now actively supporting campaigns attempting to banish this evil from football and society.
European football's governing body has forged a close partnership with the Football Against Racism in Europe (FARE) network, which comprises groups and bodies working against intolerance and discrimination across the continent.»
Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.