Mostrar mensagens com a etiqueta Manchester United. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manchester United. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de março de 2013

A Justa Indignação de um Patrioteiro

Pois bem. Confesso estar farto do patrioteirismo dos nossos comentadeiros em relação ao Real Madrid, até porque, como português, embora arraçado, a minha antipatia para com a castelhanada seja superior à improvável simpatia que poderia sentir pelo Zé de Palermo e pelo Tony Carreira do futebol.

Deste modo, e nestes termos - e como tenho o mesmo direito ao "patrioteirismo" - afirmo a minha total e completa indignação pela inacreditável expulsão do nosso compatriota Nani, a qual, provavelmente, decidiu a eliminatória.

E como não tenho tendência para teorias conspirativas, não direi que o facto de um espanhol presidir à comissão de arbitragem da UEFA tenha tido qualquer influência na arbitragem de um turco que, segundo pesquisas genealógicas, será primo de Lucílio Baptista, Inocêncio Calabote e Reinaldo Silva.

Resta-me esperar que o Barcelona ressuscite - ou que Dortmund ou Bayern se afirmem.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A operação Glazer no Manchester United


Malcolm Glazer é o dono do Manchester United (o clube mais valioso do mundo) desde 2005 e está há mais de um ano a tentar colocar no mercado uma IPO (Initial Public Offering), i.e., uma operação pública de venda de acções representativas do capital. O roadshow inicial pressupunha a cotação do “Man United” nas bolsas de Hong-Kong e Singapura. O plano, a Agosto de 2011, seria encaixar um valor próximo de 1 bilião de USD com a colocação de 25% a 30% das acções no mercado. No entanto, Glazer teve de abandonar esses planos devido à escassez na procura dos títulos.

Agora, a família Glazer volta à carga e já se decidiu pelo lançamento de uma IPO, desta vez na NYSE (bolsa de Nova Iorque). O Clube anunciou que pretende colocar 16,7 milhões de acções por um preço unitário entre 16 e 20 USD. Se o preço final se fixar num valor médio do intervalo divulgado a oferta pública poderá render cerca de 300 milhões USD. No final do passado mês de Julho a operação foi adiada devido à “volatilidade do mercado”.

Se a operação for concluída com sucesso, o United pretende usar o valor bruto a encaixar, de cerca 150 milhões de USD, no abate de Dívida Líquida (“Net Debt”), avaliada em 425 milhões GBP no último período reportado. Os restantes 50% ficarão para a família Glazer!

Resta dizer que o sindicato bancário que suporta esta operação é composto por Jefferies, Credit Suisse, JPMorgan Chase, Bank of America e Deutsche Bank entre outros, num total de 13 bancos.


A relação dos donos do United com os fãs nunca foi fácil (para mais detalhes, consulte este blog). Os Glazer eram donos da equipa de futebol americano Tampa Bay Buccaneers e em 2005 atravessaram o Atlântico para, numa operação alavancada (“leveraged buy-out”), adquirirem um dos clubes mais famosos de Inglaterra (para não dizer o mais famoso, não venha o parceiro de blogue Alexandre Burmester desmentir-me!).

Na operação de 2005, diga-se que os Glazer tentaram pagar “com o pêlo do próprio cão”, i.e., endividaram-se para comprar o United e depois meteram a dívida no Balanço do próprio United que, assim, está a amortizar e a pagar juros da dívida contraída pelos novos donos. O dinheiro saído do Clube para este propósito estava, a 31 de Dezembro de 2011, estimado em 500 milhões GBP (números em detalhe, aqui).


Dir-me-ão que a operação de compra pelos Glazer ocorreu num mercado regulado e é perfeitamente legítima. Correcto. No entanto – e simplificando os pressupostos – acredito que os sócios e adeptos do FC Porto não iriam achar muita piada se, por exemplo, o RP criasse uma sociedade Reflexão Portista Finance LLC, se endividasse e posteriormente comprasse a FC Porto SAD para depois passar essa dívida para o Balanço da SAD para ser esta a pagá-la.
[Nota: os estatutos do FC Porto teriam de ser alterados para que acontecesse uma situação semelhante à do clube inglês]

Fonte: Financial Times

sexta-feira, 6 de julho de 2012

£20million formal offer




«Manchester United have tabled a former offer, believed to be about £20million, for Joao Moutinho, the Portugal midfield player. United contacted Porto, the 25-year-old's present club, this week to establish their valuation of the playmaker and they returned with an opening offer yesterday. It is thought that Porto are prepared to sell Moutinho, an £8.5million signing from Sporting Lisbon two years ago, but want as much as £26million. United are likely to face intense competition from Tottenham for the player, who worked with Andre Villas-Boas, Spurs' newly appointed manager, at Porto in 2010. Villas-Boas has earmarked Moutinho as his priority recruit should Luka Modric leave White Hart Lane.»
Rory Smith, The Times


O The Times é um jornal credível, não é propriamente um pasquim. Assim sendo, penso que os portistas devem levar esta notícia ("ameaça") a sério.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Centenas de milhões em jogo

Hoje à noite vai disputar-se o derby mais rico do futebol mundial, o qual, muito provavelmente, irá decidir o futuro campeão inglês.

Neste duelo entre as duas equipas de Manchester que, desde o início, dominaram a Premier League 2011/12, para além das estrelas que irão atuar, uma das coisas que mais impressiona é a quantidade de milhões que irão sentar-se nos bancos de suplentes.


Infografia (clicar para ampliar): record.pt

domingo, 6 de novembro de 2011

Sir Alex Ferguson: uma Efeméride e uma Homenagem


Faz hoje precisamente 25 anos (6 de Novembro de 1986) que o então simplesmente chamado Alex Ferguson, treinador do Aberdeen, assinou contrato com um "gigante adormecido" do futebol inglês, o Manchester United, que não era campeão nacional desde 1967.

Este blogue, como o seu nome indica, dedica-se a assuntos portistas, mas o facto de gostarmos de futebol permite perfeitamente extravazarmos do mundo portista, ainda para mais quando se trata de enaltecer uma figura desse grande desporto.

Assim sendo, tenho o maior gosto em aqui render uma singela homenagem a este "monstro" do futebol mundial. Para termos uma perspectiva do tempo que transcorreu desde que Ferguson chegou a Old Trafford, basta dizer que foi na época do nosso épico triunfo em Viena contra o Bayern e na época em que o Everton foi pela última vez campeão de Inglaterra, ao arrecadar o seu 9º título nacional (perdoem-me ter aqui puxado a brasa à minha evertoniana sardinha).

Neste quarto de século, Sir Alex venceu 12 campeonatos de Inglaterra (de um total de 19 do Man. Utd.), 5 Taças de Inglaterra, 4 Taças da Liga Inglesa, 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça das Taças, 1 Supertaça Europeia, 1 Taça Intercontinental e uma Taça Mundial de Clubes da FIFA. De notar que, entre a sua nomeação como treinador do Man. Utd. e o seu primeiro título nacional mediaram 6 épocas, o que, em qualquer outra parte do planeta, há muito o haveria relegado para o obscurantismo.

E isto sem olharmos para o seu espectacular palmarés na Escócia, como treinador do Aberdeen (num campeonato cronicamente dominado por Celtic e Rangers): 3 títulos de campeão da Escócia, 4 Taças da Escócia, 1 Taça da Liga Escocesa, 1 Taça das Taças (em 1983, contra o Real Madrid) e uma Supertaça Europeia.

A grande equipa do F.C. Porto de 1983/84 cruzou-se com Alex Ferguson nas meias-finais da Taça das Taças: duas vitórias por 1-0, tendo sido o F.C. P. o primeiro clube a vencer em Pittodrie, campo do Aberdeen, numa prova europeia (quem não se lembra do famoso golo do Vermelhinho, saído do nevoeiro?).

Numa justa homenagem para assinalar a efeméride, o Manchester United acaba de baptisar uma das bancadas de Old Trafford como a "Bancada Sir Alex Ferguson", e brevemente será inaugurada uma estátua deste grande treinador junto ao estádio (tal como já sucede com outro monstro, Sir Matt Busby, treinador do clube entre 1945 e 1969).

Parafraseando um anúncio da Carlsberg, "provavelmente o melhor treinador do Mundo."

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Uma derrota saborosa

As duas derrotas (e exibições) em Paris não foram agradáveis, mas não são dramáticas. Os jogos a sério começam daqui a 5 dias e a partir daí é que se vai ver quem tem unhas (esta fez-me lembrar o Jorge Gonçalves...).

E às vezes até há derrotas que sabem a vitórias. Foi o caso de um Manchester United x FC Porto, da já extinta Taça das Taças, disputado na época 1977/78.




Grande Seninho! (a forma como o Murça faz o segundo auto-golo é incrível)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Petição "Estátua a José Maria Pedroto"

Como aqui sugeri no artigo comemorativo dos 25 anos do falecimento de José Maria Pedroto, e na sequência dos vários comentários favoráveis à ideia na respectiva caixa, está já lançada a petição online para a colocação de uma estátua do Zé do Boné junto ao Estádio do Dragão.



Parafraseando Sir Winston Churchill "nunca na história do F.C.P. tantos deveram tanto a um só homem".

Este tipo de iniciativa não é inédita. O Ipswich Town homenageia do mesmo modo o saudoso Sir Bobby Robson junto ao seu estádio de Portman Road, o mesmo fazendo o Manchester United em relação a Sir Matt Busby junto a Old Trafford (fotos neste artigo) e o Dínamo de Kiev a Valeriy Lobanovskyi em frente ao seu estádio.



Os interessados em assinarem a petição devem seguir este link:

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1035

sábado, 18 de abril de 2009

Os Outros...


Mais a frio, estamos agora em condições de fazer um pequeno balanço sobre a nossa eliminação aos pés dos campeões da Europa.

Em primeiro lugar, há que salientar que foram 180 minutos que em nada nos devem envergonhar. Longe disso, conseguimos até estar a um nível que poucos, ou mesmo nenhuns, previam aquando do sorteio.
Contudo, existem sempre lições a reter para o futuro.
Na escola, até mesmo o melhor aluno da turma não sabe tudo. Estamos sempre a aprender ao longo da vida.

Eis, pois, alguns "ensinamentos" deixados pelo Professor Manchester United:

1 - Existem várias formas de abrir a defesa contrária. Nem só de correrias e fintas vive o ataque de um grande clube de futebol. Toques de bola executados de forma veloz e de primeira, entre todos os seus avançados, nas imediações da área contrária, podem ser tão ou mais eficazes.
Arrepiante a rapidez e a segurança com que Giggs, Ronaldo, Rooney, Berbatov e Anderson tocavam a bola entre si, em terrenos tão avançados.
Para isso, é claro, são necessários executantes de elevada técnica individual. Uma recepção perfeita de bola é aqui o componente principal.

2 - Não ter receio de apostar em 5-unidades-5 marcadamente ofensivas no "11" inicial. Mesmo actuando fora de portas.
Em Portugal, há quem tenha medo de jogar com mais de 3 elementos de ataque, mesmo em desafios caseiros...

3 - Continuar a apostar, sempre, nos elementos que mais garantias teóricas nos dão. Ferguson, apesar das recentes reprimendas públicas, coloca sempre Ronaldo em campo. Nem sequer tem por hábito substitui-lo, apesar de este ter tido uma sequência, significativa, de jogos de menor rendimento.
Ferguson sabe que apesar das suas crises de individualismo/vedetismo, Ronaldo, bem ou mal, continua a ser a forma mais segura de garantir vitórias.
Aliás, as críticas do treinador só surgiram após uma série demasiado longa de más prestações do Português, de há muito useiro e vezeiro nestes tiques de protagonismo, e não de apenas um ou dois jogos menos brilhantes por parte deste.
Em Manchester sabem ter paciência com jogadores de temperamento mais complicado, ou não fosse George Best um dos maiores ídolos do clube. Ali, sabem bem que apesar de tudo, é dos pés destes jogadores de difícil relacionamento, que saem depois as mais brilhantes jogadas e as consequentes vitórias nos jogos que realmente interessam.


4 - Muitos desequilibradores, num mesmo plantel, nunca são demais.
Se em Inglaterra foi Tevez que salvou o United, foi Ronaldo que decidiu na segunda mão. Já Rooney foi o melhor avançado nos cômputo geral dos 180 minutos.
E ainda houve Berbatov, se bem que ainda algo debilitado fisicamente.
Por cá, Tarik continua a sua travessia no deserto. Logo ele que é do Magrebe...

5 - Há médios e médios.
Se muitos, por cá, não poupam elogios a Meireles, ficamos a saber que, para semelhante posição no terreno, mais e melhor ainda é possível. E logo por um Anderson, que há apenas dois anos atrás, era tudo menos um jogador "combativo" defensivamente. E muito menos um "ladrão de bolas" do mais fino quilate. E olhem-me só para aquela sua condição física. Durou os 90 minutos...

6 - Por falar na componente física, este Man Utd é possivelmente o clube do mundo com mais jogos disputados até ao momento. Está ainda em 3 provas e com boas possibilidades de êxito em todas elas (já ganhou a Taça da Liga, entretanto). Ah, e em Dezembro passado ainda andaram uns tempitos pelo Japão, onde se sagrariam Campeões de Mundo.
Cansaço? Sim, existe. Mas, para já, sem que os seus oponentes tenham tirado completo aproveitamento disso...


Dir-me-ão que eles apenas conseguem atingir este brilhantismo todo devido ao seu orçamento gigante. Em parte sim, mas outros clubes com igual riqueza (Real Madrid, por exemplo), não conseguem alcançar semelhante patamar de qualidade.
Demos, pois, o mérito a quem o tem.

Saibamos aprender com os melhores, mesmo sendo nós bons também.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sensação

O último CD dos Xutos, tem por lá uma música (Sensação) que reza assim:

Nós ontem sonhámos mais um sonho
Nós ontem sentimos uma sensação
Nós ontem perdemos outra vez em casa
(...)
Nós ontem partimos noutra ida necessária
Nós ontem esperámos a mais longa espera
Nós ontem sorrimos o sorriso deslumbrante
E acenámos o mais bonito adeus
O mais lindo adeus
A mais longa espera
O mais lindo adeus
A mais longa espera
(...)

e outra (Amor com Paixão) que por sua vez reza assim:


Pensei escrever esta canção
Para dizer o quanto te amo agora
Talvez assim esta tristeza
Se vá mais depressa embora

E acho que não encontro melhores palavras para descrever o que me vai na alma. 

Confesso, nunca estive optimista. Antes do início da eliminatória tinha previsto que empatávamos em Manchester e perdíamos cá. É nestas horas que detesto ter razão. E quando ia a caminho e ouvi que o Anderson ia jogar, ainda mais pessimista fiquei.

Para mim há jogadores da bola, artista da bola e palhaços da bola. O Anderson é um artista da bola, o Ronaldo é um palhaço da bola. E tendo sido o palhaço a decidir o jogo, a diferença esteve no artista da bola e seus auxiliares (Giggs, Berbatov). E é esta a nossa diferença, não podemos ter estes artistas, já que os palhaços dispenso-os bem.

E como não os podemos ter, a nossa tarefa será sempre mais complicada, temos sempre de aproveitar os maus dias deles e não falhar. E foi isto que não conseguimos fazer, principalmente a semana passada.

O jogo começou como temia, a equipa a entrar na expectativa, e a sofrer um golo logo no início (sem crucificar o Helton, ainda estou com a ideia que podia ter feito mais qualquer coisa - nomeadamente ter dado um passo para o lado) . E depois a incapacidade de dar a volta ao jogo, num filme já várias vezes visto este ano no Dragão, com a agravante de uma das pedras base da equipa (Lucho) ter de sair lesionado ao fim de meia hora.


Depois este é um daqueles jogos em que o que interessa é ganhar, ou melhor passar a eliminatória, em que nos estamos a marimbar - para não dizer aquilo que o Mariano parece estar a fazer na imagem acima ;-) - para as boas exibições e a gente pode estranhar entrar um Mariano (quando havia uma alternativa se calhar mais lógica - Tomás Costa), pode estranhar que saia um Cebola, quando era o Hulk que não estava dar uma para a caixa. Podemos continuar a lamentar, que o Rolando não tenha cabeceado para baixo, que o Mariano não saiba cabecear, que o Farias que até sabe, não o tenha demonstrado. Que o Lisandro tenha andado tanto pelo meio-campo e que quando entrou na área, tenha rematado à figura. Podemos estranhar isto tudo, mas bastava um destes pormenores ter sido diferente e estávamos eufóricos.

E no fim, achando natural o desfecho, fica a sensação danoninho: "Faltou-te um bocadinho assim!". Mas, para mim, é daqueles casos em que ficando chateado e triste não consigo ficar zangado, e mantenho intacto o orgulho nesta equipa e no empenho colocado em campo.

Obrigado. 
Foi bonito viver o sonho, mas agora voltemos à nossa realidade e vamos mas é ganhar a Coimbra, para ver se esta tristeza vai depressa embora.

Allez! Porto! Allez!
Nós somos a tua voz!
Queremos esta vitória!
Conquista-a por nós!
Imagens gamadas em gettyimagem.com

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Relembrando a Epopeia de 1977/78 contra o Manchester United


A época de 1977/78 marcou, a meu ver, o nascimento do F.C. Porto europeu. Depois de termos eliminado o Colónia (2-2 na Alemanha e 1-0 em Coimbra – por interdição das Antas) calhou-nos na 2ª eliminatória da Taça das Taças nada mais, nada menos, que o Manchester United, jogos ainda aqui recentemente evocados pelo meu estimado confrade José Correia. É pelo facto de novamente estarmos em posição de eliminarmos os “red devils” que me ocorreram estas linhas.

Em contraste com a sua situação actual, em 1977 o Manchester United encontrava-se num interregno e numa longa travessia do deserto. O interregno era entre os longos “reinados” dos treinadores escoceses Sir Matt Busby (1945-1969) e Sir Alex Ferguson (1986- ) e a travessia do deserto entre dois títulos de campeão inglês separados por 26 anos (1967/1993). Pelo meio o clube experimentara uma passagem de uma época pela 2ª divisão (1974/75).

Na época de 1977/78 o treinador era Dave Sexton, um londrino cujo currículo incluía uma Taça das Taças com o Chelsea (frente ao Real Madrid em 1971, numa final que teve desempate) e um fantástico 2º lugar com o Queen’s Park Rangers no campeonato inglês em 1975/76, a apenas 1 ponto do Liverpool. Curiosamente, tanto no Chelsea como no Manchester United, Sexton sucedera ao nosso conhecido Tommy Docherty, treinador do F.C. Porto aquando dos famosos 4 golos do Lemos ao Benfica (1970/71). O seu estilo era, contudo, considerado demasiado cauteloso para os pergaminhos de futebol atacante da agremiação de Old Trafford. Estaria no clube até 1981.

Naquela equipa do Manchester United não havia propriamente grandes vedetas, mas mesmo assim salientavam-se os extremos Steve Coppell (actualmente treinador do Reading) e Gordon Hill, ambos internacionais ingleses, o defesa-central e capitão Martin Buchan, internacional escocês, e o guarda-redes Alex Stepney, o único dos campeões europeus de 1968 ainda no clube.

Quanto ao F.C. Porto, estava no último ano da sua própria travessia do deserto, já que viria a sagrar-se campeão nacional no fim daquela época, após 19 anos de jejum. O treinador era, como todos sabemos, o inigualável José Maria Pedroto (ia a escrever “carismático”, e não é que o Zé do Boné o não fosse, mas a palavra está um bocado desvalorizada de tanto usada), o qual, entre os seus inúmeros atributos, possuía uma certa arte e manha a jogar contra equipas inglesas. Tal fora amplamente demonstrado quando, ao serviço do Vitória de Setúbal, o Zé do Boné conseguira a eliminação na mesma época de dois conjuntos ingleses de topo na Taça UEFA – o Leeds e o Liverpool. E todos se recordavam ainda de um famoso empate em Wembley em 1974 (0-0) da selecção nacional, na altura por ele orientada, dia em que o saudoso Vítor Damas terá feito, possivelmente, a exibição mais memorável da sua carreira.

Para o F.C. Porto esta eliminatória centrou-se essencialmente em torno de dois jogadores: o brasileiro Duda (que Pedroto trouxera consigo de Setúbal), autor de 3 golos nas Antas (vitória por 4-0) e o velocíssimo extremo Seninho, marcador de dois golos “salvadores” em Old Trafford, onde perdemos por 5-2 (pela negativa salientou-se o lateral Murça, que em Old Trafford teve o infortúnio de marcar duas vezes na própria baliza, mas convém referir que fora o autor do golo da vitória contra o Colónia em Coimbra).

Depois da fantástica vitória nas Antas poucas dúvidas havia acerca da passagem da eliminatória, mas o jogo de Old Trafford não correu nada bem. O primeiro golo do United aconteceu bem cedo (se a memória me não atraiçoa, resultou de um deficiente pontapé-de-baliza do Fonseca que o ponta-de-lança Stuart Pearson aproveitou, passando a bola ao autor do golo, Steve Coppell) mas o Seninho sossegou-nos, quando, servido em profundidade pelo Octávio (vocês sabem de quem eu estou a falar) se esgueirou por ali fora e empatou o jogo. O Manchester United chegaria aos 4-1 ainda com mais de vinte minutos para jogar, mas de novo o Seninho nos tranquilizaria; o 5-2 foi um dos auto-golos do saudoso Alfredo Murça.

Enfim, no Porto fizemos um dos nossos melhores jogos de sempre na Europa e em Old Trafford levámos um banho essencialmente no resultado, já que três dos golos que sofremos eram evitáveis.

Para a história: nos quartos-de-final haveríamos de defrontar o, na altura, poderoso Anderlecht e por aí ficaríamos (1-0 nas Antas e 0-3 em Bruxelas).

Nesta 2ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões 2008/09 o que se pede aos nossos jogadores é que estejam à altura dos seus precursores de 1977/78 e 2003/04. Não há duas sem três.

E, já agora: que é feito do Seninho e do Duda?

(nas fotos: estátua de Sir Matt Busby em Old Trafford, Dave Sexton, e retrato de José Maria Pedroto)

terça-feira, 14 de abril de 2009

The day after

Para o FCP permanecer na CL tem “apenas” de conseguir, com muito menos recursos e num mercado (interno) bastante pobre em termos de receitas, concorrer com os tubarões da indústria e os patrões do negócio.

Não dispõe o FCP – em princípio – de condições favoráveis para a superação dos constrangimentos referidos. Na época actual de (re)construção do plantel, achei que tínhamos poucas possibilidades de passar a fase de grupos, nomeadamente após o desaire com o Arsenal, em Londres.

Mas pode acontecer, em condições extraordinárias e se todos os factores que formatam o sucesso se conjugarem harmoniosamente, ser possível, no tempo certo, uma combinação de resultados e de exibições notáveis lá fora, muito superiores ao nível que vínhamos mostrando cá dentro. Esse caminho que se foi percorrendo caminhando, não obstante alguns revezes domésticos, foi possível porque se optimizaram as nossa forças e minimizaram as nossas fragilidades. E quando assim é, o limite fica adiado e passa a morar junto da esperança. Então, o sonho renova-se.

A equipa chegou a um nível competitivo excepcional, graças a um corpo técnico mais audaz que afinou as qualidades dos jogadores e passou a contar com mais alguns outros que a opinião geral tinha descartado. Este factor foi extremamente relevante, a meu ver, porque instalou uma confiança mais forte entre as partes. A confiança gera solidariedade, cimenta a coesão e sustenta o optimismo.

Estar nos quartos de final e discutir com o MU, taco a taco, a passagem às meias finais é um feito, seja qual for o resultado da 2ª. mão. Mas, o sonho comanda a vida. Acreditar que podemos passar não é uma utopia. Os jogadores devem acreditar e saber que se não forem bem sucedidos continuarão a merecer o nosso apoio, para o que resta – e não é pouco – possa ser ultrapassado com sucesso. Só pedimos que não tenham medo e que deixem a pele no campo.

Não quero os jogadores receosos. Saber desfrutar, como disse, o Lucho este confronto é importante. Indiscutivelmente que este FCP-MU transformou-se no jogo mais importante dos quartos de final e o mundo vai estar com os olhos pregados em nós.

Há que tirar partido da importância do evento, e há que demonstrar no terreno que estamos por direito próprio entre os melhores. E é esse reconhecimento o capital mais relevante a preservar, apesar dos disparates que a arrogância de Ferguson tende a desdenhar.

Os jogadores do FCP tem a palavra. Os adeptos não podem permitir que os adversários vençam no apoio à equipa. Temos de colaborar. Declaro os assobios à equipa definitivamente proibidos.


O FCP conseguiu notoriedade europeia – com extrema competência – embora o clube dependa demasiado (financeiramente) da venda dos seus mais valiosos activos. Apesar desse constrangimento e desse handicap, temos conseguido, até ao momento, refazer o plantel e continuar a lutar, olhos nos olhos, com os mais fortes.

Obviamente que a situação financeira é preocupante, se atendermos que a crise dificilmente deixará de nos tocar. Já vivemos no passado situações semelhantes e temos sabido ultrapassar os problemas. Temos que ser mais eficazes e temos de errar menos que os nossos concorrentes directos. As contas e a consolidação orçamental são importantes. Mas, temos de ousar encontrar os caminhos da conciliação entre esse equilíbrio e o investimento que produz riqueza. Mas, não é obra fácil, nem coisa pouca.

O futuro está complicado no plano interno e externo. O reforço da nossa continuidade entre os maiores da Europa vai ser tarefa árdua. Apesar das dificuldades, acho que o FCP tem futuro e que vai sobreviver e crescer, ainda que tenha de vender mais algumas jóias do coroa.


A Europa é uma miragem e um destino. Vamos ter de continuar a saber esconder as fraquezas e delas fazer a nossa força. Precisamos das receitas da CL, por isso temos que lá estar. E para lá estar temos de ganhar. E para ganhar temos de ter uma equipa competitiva. E para a constituir temos de formar jogadores e contratar outros tantos – a preços compatíveis - capazes de se envolver num processo evolutivo que lhes permita competir com as equipas de topo.

Complicado? muito! Mas é esse o caminho, como foi no passado. Seja qual for o resultado de amanhã, estarei sempre muito orgulhoso do meu FCP!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Em Manchester, no Pub e pela T.V.


A viagem já estava marcada antes de o sorteio destinar ao F.C. Porto uma visita a Old Trafford, Manchester. O roteiro não incluía a cidade de Manchester, apenas passagem pelo aeroporto, mas a perspectiva de assistir ao jogo logo fez mudar os planos. “Não há problema”, garantiu-me o Arthur, herdeiro de uma longa linhagem de adeptos do Manchester…City, “eu arranjo um convite para o jogo”.

Arthur Wright, 57 anos, natural de Hazel Grove, arredores de Manchester, vive actualmente em Macclesfield, a uns 30 km daquela cidade e uns 20 a 30 minutos de carro. E é um optimista por natureza: acredita que o Manchester City será campeão europeu nos próximos 5 anos, agora que é propriedade do Abu Dhabi United Group (aquele “United” ali no meio causa-lhe algum desagrado, diga-se) e está certo que os convitezinhos para Old Trafford chegarão. “Vou a Old Trafford uma vez por ano, claro, e este ano esse número vai passar para o dobro. A minha visita lá de que guardo melhores recordações foi na última jornada em 1974: ganhámos 4-3, o Denis Law marcou o quarto golo e os gajos desceram de divisão! (o lendário Denis Law jogara no Manchester City antes de, mais tarde, representar o United, tendo acabado por regressar ao City no fim da carreira).

No que ao optimismo europeu do Arthur diz respeito, a ver vamos. Mas, a crer no que aconteceu aos convites para o jogo Manchester United – F.C. Porto, nada de bom é de prever. De facto os ditos cujos nunca chegaram a aparecer, o que deixou o Arthur algo taciturno. Eu já o entusiasmara com os prospectivos estragos que “o temível Hulk” (“O gajo chama-se mesmo assim??”) e o “Cebola” Rodriguez iriam causar à defesa dos “red devils”, e os recentes desempenhos destes últimos enchiam-no de esperança. Mas a perspectiva de ficar em casa a ver o jogo definitivamente deprimia-o. Até que teve uma brilhante ideia: “Vamos a Manchester a um pub com televisão. Vai ser em grande!”

E assim, por volta das 18.30 fizemo-nos à estrada em direcção a Manchester e a John Dalton Street, artéria onde se situa o pub preferido do Arthur. Lá chegados o Arthur encontrou logo alguns conhecidos e amigos que se aprestavam a ver o jogo, todos, diga-se, adeptos do Manchester City, dois dos quais partiriam no dia seguinte para Hamburgo, a fim de aí assistirem ao jogo da Taça UEFA com o clube local.

Começaram as rodadas, servidas ao balcão por um empregado que era a cara chapada do Mantorras, embora um Mantorras a falar inglês e com sotaque de Manchester, uma coisa bastante incongruente, diga-se. E pouco depois começou o jogo. Pela reacção dos clientes às primeiras jogadas atacantes do Porto facilmente concluí que encontrar ali um adepto do Manchester United seria tão improvável como deparar com pinguins na Flórida. Os “azuis” imperavam, tanto no ecran como na sala. E o golo do Rodriguez aos 4 minutos mais veio reforçar a minha convicção: a clientela irrompeu em fartos aplausos e gritos de “Come on, Porto!” Por meu lado, não queria acreditar no que via, não na sala mas na televisão. Lembrava-me da triste e despersonalizada exibição da nossa equipa nos Emirates uns meses antes e aquela manifestação de autoridade, personalidade e categoria fazia o maior contraste possível. Mas aquela súbita “paragem cerebral” do Bruno Alves (por que será que nos acontece tantas vezes isto, ou frangos do guarda-redes, nestas grandes ocasiões? E em quanto se desvalorizou o Alves com aquele passe ao Rooney?) fez-me temer o pior: um baixar de braços de nossa parte e uma galvanização dos “red devils”. Nada disso, como sabemos.

O intervalo serviu para encomendarmos umas sanduíches e calhou a minha vez de ir buscar uma rodada. O Mantorras estava entretido à conversa com uns clientes em vez de me atender com prontidão e apeteceu-me bradar aos que com ele conversavam: “deixem jogar o Mantorras!” Mas por fim lá me serviu as Carlings e as Bodingtons que lhe pedira.

E lá fomos acompanhando a segunda parte, Porto menos afoito mas sempre com cabeça fria, até que, de um toque subtil do Rooney, o Tevez marcou o segundo golo do United. A cinco minutos do fim o sentimento de injustiça e frustração era ainda maior. Isso sentiu-se na sala, onde ecoou um “ah” de desilusão. Mas tal seria não contar com um mágico saído do banco, aquilo a que os ingleses chamam um “super-sub”, e a um minuto dos 90’ Mariano González entrou na história do F.C.P., onde, até agora, ameaçava não vir a passar de nota de rodapé. Também é verdade que se deve ter sentido bastante solitário, tal o espaço que a generosa defesa do United lhe deu, mas que importa! Como diria o grande Gomes Amaro “Está lá dentro! E agora não adianta chorar!” A meu lado um dos amigos do Arthur comentou com ar interrogativo: “Pensei que os vossos treinadores faziam sempre um sprint ao longo da lateral quando empatam em Old Trafford no último minuto!”

Depois foi aguentar uns descontos intermináveis, coroados com um livre inventado por um árbitro “à portuguesa” num desarme limpíssimo do Fernando ao inoperante (ainda bem!) Cristiano Ronaldo (o qual, sempre que tocava na bola, era alvo do sarcasmo da sala). E finalmente o luso-austríaco lá apitou, a sala festejou e lá do canto um grupo mais animado de adeptos do City desatou a cantar o tema favorito dos seguidores do clube de Eastlands: Blue Moon!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Porto Vintage

O FC Porto fez ontem em Old Trafford um jogo de grande classe e toda a equipa técnica e jogadores merecem os nossos Parabéns. Jesualdo Ferreira fez um excelente trabalho de preparação para este jogo e conseguiu fazer entrar em campo uma equipa com muita personalidade, coesa, solidária e com extrema disciplina táctica.
Com uma entrada fulgurante o FC Porto criou de imediato ocasiões de golo e aos 4 minutos, através de uma recuperação de bola de Lucho, a bola sobrou para Rodriguez após ressalto em Evans, o uruguaio tirou um defesa da frente e rematou para o lado mais distante da baliza de Van der Sar, fazendo um belíssimo golo e silenciando Old Trafford durante largos minutos. Ferguson corrigiu de pronto a organização da sua equipa e coloca Carrick e Scholes no meio campo defensivo. Aos dezasseis minutos, no entanto, Bruno Alves tem uma falha muito grave fazendo um atraso para Helton sem ver que Rooney estava entre ele e o guarda-redes. O inglês aproveitou a oferta e fez o golo do empate sem dificuldades. Foi um lance muito infeliz.

Mesmo assim o FC Porto continuou a jogar com grande disciplina táctica, tendo Lucho e Meireles a fechar as alas para que os defesas laterais nunca ficassem em desvantagem numérica face aos atacantes do Manchester. Essa força defensiva, funcionando a equipa como um bloco compacto, foi a base da grande exibição do FC Porto.

Na segunda parte o Manchester entrou forte e com vontade de virar o resultado mas as suas iniciativas iam esbarrando invariavelmente na solidez defensiva da equipa do FC Porto que, no entanto, agora não conseguia sair para o ataque de forma tão organizada como na primeira parte. Os passes errados iam surgindo com mais frequência e o individualismo em que se perdeu inúmeras vezes Hulk, ignorando as presenças de Rodriguez e Lisandro, fizeram com que a equipa do FC Porto fosse perdendo força no ataque. A partir dos 60 minutos de jogo começou a notar-se o meio campo a ceder dado estar Raul Meireles em dificuldades físicas devido à elevada intensidade do jogo (para quando um treino específico para que este jogador ganhe massa muscular e resistência?). Por outro lado a entrada de Giggs fez com que o United encostasse o FC Porto às cordas. Helton fez então duas defesas espectaculares a remate de Rooney e cabeceamento de Vidic, segurando o resultado. Passados alguns minutos entrou Tevez e finalmente aos 79 minutos Jesualdo faz entrar Tomás Costa e Mariano para os lugares de Meireles e Rodriguez.

Fernando foi um Gigante, fez uma exibição soberba e foi ganhando confiança à medida que o jogo decorria. Cortou linhas de passe ao Manchester, “varreu” toda a sua zona de acção e compensou os colegas quando foi necessário. Fez algumas intercepções praticamente impossíveis. Esteve em todo o campo, de tal forma que quando começou a sair para o ataque só se ouvia o José Gomes aos berros: “fica Fernando, fica!”. Toda a equipa esteve obviamente muito bem mas parece-me que individualmente se possam também destacar o Rodríguez, o Cissokho, o Heltón e o Mariano.


Quando já se pensava que o jogo iria acabar com um empate a um o Manchester consegue aos 85 minutos o segundo golo através de um lance muito simples: Neville lança para a grande área, Rooney amortece de calcanhar para surgir Tevez em antecipação a Rolando a marcar o 2-1. Uma enorme injustiça no marcador para um jogo tão bem jogado pelo FC Porto. Foi a reacção que tivemos depois deste golo que torna as grandes equipas distintas. Os jogadores acreditaram, Lisandro avançou pelo lado esquerdo do ataque e centrou para o segundo poste onde apareceu Mariano a receber, com o seu estilo trapalhão, mas a conseguir ainda rematar com êxito ante a saída de Van der Sar. Estava feito o 2-2 final e os últimos minutos foram ainda de algum sofrimento com os ingleses a tentarem novo golo através de um livre directo à entrada da área, mas cujo remate saiu por cima da baliza de Heltón. O golo de Mariano trouxe justiça ao resultado e permite agora ao FC Porto tentar a passagem às meias-finais no Estádio do Dragão com um empate sem golos. Mas esse será um jogo para ganhar!

PORTO, PORTO, PORTO, PORTO! POOOOORTO!
imagens: gettyimages.com

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais portistas e menos portugueses, s.f.f.


«Ando doente com o Manchester United - FC Porto. Sempre que jogam em Old Trafford lembro-me da carga de pancada que levei no dia 2 de Novembro de 1977 quando o Seninho marcou o segundo golo pelo FC Porto e eu me pus aos saltos em pleno Stretford End. Se bem se lembram, o resultado final foi 5-2 mas, como o FC Porto tinha tido a previdência, nas Antas, de enfiar 4 golos sem resposta na baliza dos macunianos, o FC Porto passou e o United foi deliciosamente eliminado, apesar daquele esforço gigantesco.

Lembro-me que até levar porrada, eu até era simpatizante do United, por estudar em Manchester e por ser o clube do meu tio e dos meus primos ingleses. Já aqui escrevi sobre este incidente fulcral da minha breve vida futebolística, mas nunca é demais lembrá-lo, para dar sorte, sempre que se aproxima um United-FCP.

Fui para a bancada da claque porque fui com colegas da universidade que eram fãs do United e jurei não aplaudir quando o FC Porto marcasse. Mas não me contive. Eram tão chocantemente racistas e sanguinárias as bocas dos adeptos do United que ouvi que eu fiquei anti-United e pró-FC Porto para o resto da vida. Para mais, tornavam-se mais violentas ainda quando o Duda apanhava a bola - que era muitas vezes, com grande fulgor e uma aristocrática indiferença aos selvagens mancunianos.

Sir Alex Fergusson, está mais do que provado, gosta de portugueses. Talvez ele veja Portugal como uma das duas Escócias da Península Ibérica (sendo a outra a Catalunha), comparando a açambarcadora e dominante Espanha à Inglaterra.
No entanto, há limites até para a lusofilia. Há uns dias Fergusson disse ao ‘The Sun’ que contava com os portugueses Cristiano Ronaldo e Nani para dar a volta aos portugueses do Futebol Clube do Porto. Ora, diga-se lá como se disser, os portistas não são sinónimos exactos de portugueses. Para mim e para os portistas, por exemplo, só os nortenhos são portugueses a 100 por cento. O resto são mouros e neutros.
Para os lisboetas ou algarvios de olhos igualmente vendados, o Norte é só o Norte e portuguesa a 100 por cento só é a Selecção Nacional - e mesmo assim, com muita boa vontade. Seja como for, é bichoso dizer que o futebol do FC Porto é representativo do futebol português. Seria bom se assim fosse mas, infelizmente, não é verdade.
(…)
A confusão, pelos vistos, não só continua como cresce. Num país como a Inglaterra em que a rivalidade entre o Norte e o Sul (ou entre Manchester e Londres) é bastante mais violenta do que em Portugal, é espantoso que achem que Portugal é mais ou menos todo igual e que quem viu dois ou três portugueses já viu todos. Melhor para o Futebol Clube do Porto!
Rapaziada: na terça-feira sejam o menos portugueses que é possível ser! E os mais portistas! Força!»

Miguel Esteves Cardoso
in revista J, Nº 135
O JOGO, 05/04/2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Qual o clube preferido para adversário nos quartos de final?


O clube preferido dos nosso participantes para próximo adversário na Liga dos Campeões era o "Villareal" com 123 votos (50%).

Nesta mais participada votação até à data presente, em segundo lugar ficou o Bayern Munique (67 votos, ou 27%), seguido ao longe por Arsenal e Chelsea com 6% (16 e 15 votos respectivamente). Mais longe um pouco, ficaram Man. United com 12 votos (4%) e Barcelona 7 votos (2%).
Na última posição, possivelmente como adversário mais temido, ficou o Liverpool com 4 votos (1% das participações).

sábado, 21 de março de 2009

Man United, recordações de duelos anteriores

Em 1976, no regresso de Pedroto ao FC Porto pela mão de Pinto da Costa, os azuis-e-brancos (ainda não eram “dragões”...) venceram a Taça de Portugal de 1976/77.

Equipa do FC Porto, época 1977/78 (fonte: Paixão pelo Porto)


Qualificados para a extinta Taça das Taças, a má sorte nos sorteios haveria de perseguir o FC Porto na época 1977/78. Na 1ª eliminatória calhou-nos o representante alemão – FC Colónia – uma das melhores equipas alemãs da altura. Ultrapassado este obstáculo (2-2 fora e 1-0 em casa), saiu-nos o representante inglês.

Era a primeira vez que o FC Porto ia defrontar o Manchester United para as competições europeias e, tal como agora, na antevisão da eliminatória as probabilidades de sucesso atribuídas ao FC Porto eram mínimas.

O primeiro jogo foi nas Antas, a 19 de Outubro de 1977, e a Europa abriu a boca de espanto porque o FC Porto goleou os "red devils" por 4-0.
Nesse jogo destacou-se um avançado brasileiro de 30 anos, de seu nome José Francisco Leandro Filho, nascido a 4 de Agosto de 1947, em Maceió, Alagoas.
Duda, era assim que ele era conhecido, fez um “hat-trick”, marcando aos 8, 24 e 54 minutos. António Oliveira haveria de completar a goleada aos 60 minutos.

Na 2ª mão, disputada em Old Traford a 2 de Novembro de 1977, no meio de um dilúvio e de uma arbitragem que tudo permitiu aos ingleses, o FC Porto seria derrotado por 5-2, num jogo em que se destacaram dois jogadores portistas, um pela positiva e outro pela negativa.

Pela negativa o infeliz Alfredo Murça, que tinha sido decisivo ao marcar o golo da vitória (1-0) na eliminatória anterior, mas que neste jogo bisou marcando dois golos na própria baliza!
Pela positiva brilhou um extremo-direito – Seninho – que, marcando dois golos na baliza certa, garantiu a passagem do FC Porto à eliminatória seguinte e, para si próprio, garantiu um contrato milionário para a época seguinte com o Cosmos de Nova York.

Apesar do resultado pesado, a eliminatória nunca esteve em sério perigo. O Manchester abriu o activo logo aos 8’, por Coppell, mas Seninho haveria de empatar o jogo aos 29’ (a partir daí os ingleses tinham uma hora para marcar cinco golos e não sofrer mais nenhum, se quisessem seguir em frente). Até ao intervalo o United ainda marcou mais dois golos, aos 39' por Murça (p.b.) e aos 44' por Nicholl. Aos 65’ Coppel marcou o 4-1 e, com 25 minutos por jogar, parecia que os ingleses poderiam dar a volta à eliminatória. O sofrimento dos portistas terminou aos 85’, quando Seninho reduziu para 4-2 e, apesar dos ingleses terem feito o 5-2 ao minuto 90 (novamente Murça na p.b.), a passagem aos quartos-de-final estava garantida.

Postal comemorativo do Manchester United x FC Porto da época 1977/78 (fonte: Paixão pelo Porto)


Quase 20 anos depois, em 1996/97, o FC Porto era orientado por um discípulo de José Maria Pedroto – António Oliveira. Depois de uma fase de grupos da Liga dos Campeões notável (5 vitórias e 1 empate, incluindo uma espectacular vitória por 3-2 sobre o AC Milan em San Siro), nos quartos-de-final o FC Porto foi a Manchester e, num jogo cheio de equívocos (Hilário era o guarda-redes e António Oliveira decidiu apostar num jovem centro-campista chamado Costa) saiu de lá vergado a uma pesada derrota por 4-0. Na 2ª mão, nas Antas, um empate a zero selou a eliminação dos “dragões”.

Finalmente, o duelo mais recente e que ainda está presente na memória e nas conversas dos adeptos dos dois clubes.


Em 2003/04, o FC Porto recebeu o Manchester United no primeiro jogo europeu disputado no Estádio do Dragão. Quinton Fortune inaugurou o marcador, aos 14 minutos, mas o FC Porto de Mourinho nunca desistia (lembram-se da eliminatória do ano anterior contra o Panathinaikos?).
Aos 29 minutos, numa jogada de envolvência pela direita, Alenitchev centra e Benny McCarthy, com um remate seco de primeira, iguala a partida.
Na 2ª parte, já no quarto de hora final, o FC Porto haveria de marcar novamente. Aos 78 minutos, centro largo de Nuno Valente e McCarthy, no meio de dois defesas dos red devils, elevou-se como um gigante e cabeceou de forma fulminante, fazendo a bola entrar no ângulo da baliza do United. Que golo! Que golos espectaculares marcou o sul-africano nesse jogo!

Apesar da derrota, os ingleses saíram confiantes do Estádio do Dragão e parecia terem razão para isso, pois aos 32 minutos do 2º jogo Paul Scholes marcou e colocou o Manchester United em vantagem na eliminatória. Contudo, o golpe de misericórdia nas aspirações do clube mais rico do Mundo chegaria ao minuto 90. Na sequência de um livre de McCarthy, Costinha silenciou Old Trafford, fazendo o 1-1 que colocou os campeões portugueses nos quartos-de-final, num trajecto que nos haveria de levar à vitória em Gelsenkirchen.





Actualização:
Ao vídeos do José Correia, acrescento o que se segue. Arrepiante. js


Fontes: Paixão pelo Porto
Fotos: uefa.com, Paixão pelo Porto, Record

sexta-feira, 20 de março de 2009

SMS do dia - XLII

9 de Março de 2004

No dia anterior naquelas conversas banais do vamos ganhar por quantos?, tinha ditado a minha sentença: 1-1 marca o Deco no último minuto.

Por isso quando vi a falta sabia que ia ser golo, não podia falhar.

Mas que raio está o Benny a fazer com a bola na mão? Deixa o Deco marcar! Deixa o Deco marcar! F***-se! Deixa o Deco marcar!

Quando vejo o Benny a marcar o livre e a bola a direccionar-se para o guarda-redes, já só penso: f***-se! Tinha de ser o Deco a marcar! PQP, porque é que não marcou o Deco?

Mas eis que a bola não quer nada com o guarda-redes e fica ali mesmo à mão de semear, nesta altura já estou de pé, acompanho o pontapé do Costinha e a mesa que está à minha frente também leva um biqueiro, depois foi saltar, gritar, correr, gritar, saltar, ...

E o adversário é...


... Manchester United.

O sorteio ditou que o FC Porto defronta o Manchester United nos quartos-de-final da Champions League, no reencontro após a época 2003/04 em que o FC Porto se sagrou campeão europeu. O Villarreal era o mais apetecido para a maiorias dos portistas, mas logo no início do sorteio essa possibilidade esvaneceu-se. Devo confessar que quando vi sair o Manchester United fiquei convencido que seguiria-se o FC Porto. Nesta fase não há equipas fáceis, mas convinhamos que o actual campeão europeu, bi-campeão inglês e actual líder da Premier League e após ter eliminado o Inter, é a priori o mais poderoso dos clubes em prova.

O FC Porto viaja primeiro a Inglaterra, onde tem um saldo muito negativo (10 derrotas, 1 empate, 8 golos marcados e 32 sofridos), sendo que no embate com o Manchester, o saldo já não é desfavorável (2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, 9 golos contra 11). O facto da primeira mão ser em Old Trafford também não abona muito a favor do FC Porto As equipas inglesas fecham-se muito quando jogam fora mas são muito fortes nos seus estádios. Ao jogar a primeira mão fora, o FC Porto terá de conseguir uma grande exibição e um bom resultado que lhe permita discutir a passagem no Dragão.

Uma eliminatória cheia de aspectos interessantes: o FC Porto com Mourinho eliminou o Manchester Utd sagrando-se depois campeão europeu. O Manchester United é actualmente o campeão europeu e já eliminou a actual equipa de José Mourinho. Se para uns, a memória leva-nos para 2003/04, para outros ainda estão atravessados os 4 a 0 em Old Trafford em 96/97. O Manchester united e o FC Porto são ambos líderes com 4 pontos de avanço nos respectivos campeonatos. Ou seja, muitas contas para ajustar de ambos os lados, sendo que uma coisa é certa, FC Porto e Manchester United já se encontraram diversas vezes na prova máxima da Europa, algo só acessível a grandes clubes europeus.

Concluíndo, uma eliminatória de campeões para campeões.


Sorteio da Champions League

Villarreal - Arsenal / Manchester United - FC Porto (7 e 15 Abril 2009)
Liverpool - Chelsea / Barcelona - Bayern (8 e 14 Abril 2009