
Mais a frio, estamos agora em condições de fazer um pequeno balanço sobre a nossa eliminação aos pés dos campeões da Europa.
Em primeiro lugar, há que salientar que foram 180 minutos que em nada nos devem envergonhar. Longe disso, conseguimos até estar a um nível que poucos, ou mesmo nenhuns, previam aquando do sorteio.
Contudo, existem sempre lições a reter para o futuro.
Na escola, até mesmo o melhor aluno da turma não sabe tudo. Estamos sempre a aprender ao longo da vida.
Eis, pois, alguns "ensinamentos" deixados pelo Professor Manchester United:
1 - Existem várias formas de abrir a defesa contrária. Nem só de correrias e fintas vive o ataque de um grande clube de futebol. Toques de bola executados de forma veloz e de primeira, entre todos os seus avançados, nas imediações da área contrária, podem ser tão ou mais eficazes.
Arrepiante a rapidez e a segurança com que Giggs, Ronaldo, Rooney, Berbatov e Anderson tocavam a bola entre si, em terrenos tão avançados.
Para isso, é claro, são necessários executantes de elevada técnica individual. Uma recepção perfeita de bola é aqui o componente principal.
2 - Não ter receio de apostar em 5-unidades-5 marcadamente ofensivas no "11" inicial. Mesmo actuando fora de portas.
Em Portugal, há quem tenha medo de jogar com mais de 3 elementos de ataque, mesmo em desafios caseiros...
3 - Continuar a apostar, sempre, nos elementos que mais garantias teóricas nos dão. Ferguson, apesar das recentes reprimendas públicas, coloca sempre Ronaldo em campo. Nem sequer tem por hábito substitui-lo, apesar de este ter tido uma sequência, significativa, de jogos de menor rendimento.
Ferguson sabe que apesar das suas crises de individualismo/vedetismo, Ronaldo, bem ou mal, continua a ser a forma mais segura de garantir vitórias.
Aliás, as críticas do treinador só surgiram após uma série demasiado longa de más prestações do Português, de há muito useiro e vezeiro nestes tiques de protagonismo, e não de apenas um ou dois jogos menos brilhantes por parte deste.
Em Manchester sabem ter paciência com jogadores de temperamento mais complicado, ou não fosse George Best um dos maiores ídolos do clube. Ali, sabem bem que apesar de tudo, é dos pés destes jogadores de difícil relacionamento, que saem depois as mais brilhantes jogadas e as consequentes vitórias nos jogos que realmente interessam.

4 - Muitos desequilibradores, num mesmo plantel, nunca são demais.
Se em Inglaterra foi Tevez que salvou o United, foi Ronaldo que decidiu na segunda mão. Já Rooney foi o melhor avançado nos cômputo geral dos 180 minutos.
E ainda houve Berbatov, se bem que ainda algo debilitado fisicamente.
Por cá, Tarik continua a sua travessia no deserto. Logo ele que é do Magrebe...
5 - Há médios e médios.
Se muitos, por cá, não poupam elogios a Meireles, ficamos a saber que, para semelhante posição no terreno, mais e melhor ainda é possível. E logo por um Anderson, que há apenas dois anos atrás, era tudo menos um jogador "combativo" defensivamente. E muito menos um "ladrão de bolas" do mais fino quilate. E olhem-me só para aquela sua condição física. Durou os 90 minutos...
6 - Por falar na componente física, este Man Utd é possivelmente o clube do mundo com mais jogos disputados até ao momento. Está ainda em 3 provas e com boas possibilidades de êxito em todas elas (já ganhou a Taça da Liga, entretanto). Ah, e em Dezembro passado ainda andaram uns tempitos pelo Japão, onde se sagrariam Campeões de Mundo.
Cansaço? Sim, existe. Mas, para já, sem que os seus oponentes tenham tirado completo aproveitamento disso...

Dir-me-ão que eles apenas conseguem atingir este brilhantismo todo devido ao seu orçamento gigante. Em parte sim, mas outros clubes com igual riqueza (Real Madrid, por exemplo), não conseguem alcançar semelhante patamar de qualidade.
Demos, pois, o mérito a quem o tem.
Saibamos aprender com os melhores, mesmo sendo nós bons também.