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sábado, 14 de março de 2009

Rui Jorge

Rui Jorge começou a jogar futebol no Futebol Clube do Porto aos 9 anos, onde ficou até à época de 1990/91. Jogou uma época no Rio Ave Futebol Clube, na qualidade de emprestado, voltando para o Futebol Clube do Porto no ano seguinte. Acompanhou Inácio, seu treinador no Rio Ave, que veio ocupar o lugar de treinador adjunto do FCP, na 2ª. época de Carlos Alberto Silva, para colmatar a saída de Octávio Machado. Após 6 épocas, mudou-se para o Sporting Clube de Portugal, onde jogou durante 7 épocas. Terminou a sua carreira no Belenenses.

Actualmente, é treinador principal da equipa de juniores do Belenenses.

Rui Jorge foi 44 vezes internacional pela Selecção Portuguesa de Futebol e sete vezes campeão: 5 pelo FCP, 2 SCP.

Sempre admirei Rui Jorge. Sem ser uma fora de série, preenchia todos os quesitos de um atleta que joga à Porto. Para além disso, tinha um discurso diferente do futebolês habitual: respondia de forma escorreita, sem subterfúgios e ia directamente ao cerne da questão. Sem medo ou hesitações e raramente remetendo-se ao código dialéctico da tribo do futebol. Um espírito livre, diria eu.

Recordo que depois do SCP (de Octávio) ter vindo ganhar às Antas e reduzido a diferença para 4 pontos, o FCP foi ao Bessa fazer um jogo decisivo. António Oliveira não foi de modas e chamou o João Pinto, o Rui Jorge (que jogou a médio), o Rui Barros, o Sérgio Conceição e formou uma equipa de antes quebrar que torcer. Uma equipa à Porto e que tanto detestavam os nossos detractores. Vencemos 2-0 e voltamos ao trilho que nos levou a campeões. Rui Jorge preterido por Bobby Robson, que preferiu colocar Paulinho Santos a defesa-esquerdo, e por António Oliveira que optou por Fernando Mendes para aquele posto, acabou por entrar numa permuta com o SCP: recebemos Costinha e Peixe, saíram Rui Jorge e Bino.

Nunca percebi este negócio, nem os motivos que levaram a direcção a entrar em rota de colisão com Rui Jorge, uma vez que PdC foi sempre muito pertinaz na defesa e manutenção dos atletas que tinham o espírito e o carisma de Rui Jorge, que tanto se identificavam com a cultura do FCP.

Esteve na segunda-feira passada no programa da SportTv e falou do FCP, de uma forma algo dúbia. Por um lado relevando os valores dos jogadores que na altura pautavam no FCP e por outro lado mostrando grande alheamento (e indiferença) pela carreira do FCP no campeonato.

Por acaso, apanhei uma entrevista que em tempos deu ao DN e que transcrevo parcialmente em baixo e que confirma o distanciamento de Rui Jorge relativamente ao FCP, apesar da valorização e da cultura que releva do “balneário” de que fazia parte.

“O que mais guardo (do FCP) foi tudo o que lá aprendi. Joguei no FC Porto desde a formação, contactei com pessoas fundamentais, desde muito cedo - João Pinto, Jaime Magalhães, Semedo, etc. Aprendi muito nessa altura, pessoal e profissionalmente. No FC Porto, o treino é fundamental e a atitude perante o treino, também.

É verdade que no FC Porto lida-se com a derrota de uma maneira muito especial. No início até ficava confuso. Uma viagem de regresso ao Porto, após uma derrota era um autêntico pesadelo. Pior ainda se tivéssemos perdido com um clube de Lisboa. Eram três horas de autocarro, num ambiente muito pesado, todos com um sentimento negativo, como se começasse ali o castigo pela derrota. Ninguém tinha coragem de esboçar um sorriso, por exemplo. Cultivava-se esse luto.

É claro que se deve sentir a derrota. Mas não é só isso que é importante transmitir. Desses primeiros anos, no FC Porto aprendi que o exemplo deve vir dos mais velhos, que estes devem ir à frente para mostrar como se faz, que devem ser os primeiros a obedecer e a cumprir as regras. Era assim no FC Porto. Já jogava há dois ou três anos no Sporting e ainda era o Rui Jorge do FC Porto. Actualmente, talvez esteja mais relacionado com o Sporting.

Esta época, ainda não vi jogar o FC Porto. Mas, como disse, por uma questão de amizade, espero que o Sporting faça um jogo melhor do que o FC Porto.”


Seja qual for o posicionamento Rui Jorge, actual treinador de juniores do Belenenses, ou o significado e a influência dos incidentes com a camisola rasgada por JM num controverso FCP-SCP, não consigo deixar de pensar que Rui Jorge era um dos jogadores, à semelhança de João Pinto, Jaime Magalhães, Vítor Baia, Jorge Costa, Fernando Couto, Domingos, Paulinho Santos, Fernando Gomes e outros que não gostaria de ver jogar em Portugal, senão com a camisola do FCP.

Infelizmente, digo eu, não aconteceu assim, e noto um grande ressentimento por parte do Rui Jorge relativamente ao FCP, ainda que disfarçado de alheamento. Que pena!