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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A equipa "C"



Crise. Uma palavra que mergulhou a fundo no léxico mundial e entranhou no quotidiano europeu, com particular incidência para todos nós, portugueses. As vidas reconfiguram-se a um padrão até há bem pouco tempo impensável, as empresas escrutinam os seus custos ao mais ínfimo pormenor. Em todos os sectores de atividade! Todos? Bom, ainda se constatam alguns exemplos onde esse aperto não chega.

A indústria do futebol sempre demonstrou viver desfasada da sociedade e em contraciclo perante a realidade económica. As contratações sumptuosas, os ordenados principescos, o excesso de jogadores nas equipas, toda gente que gravilha em volta dos clubes e o clientelismo inerente. É certo que denotam-se alguns sinais de mudança, uma espécie de contenção envergonhada, mais por imposição de quem tudo isto financia do que consciencialização própria, e o FC Porto não é exceção.

Vem isto a propósito da notícia lida algures por aí que Sapunaru, Belluschi e Ukra treinam-se à parte no Olival. Do jogador português já era previsível de antemão a sua pouca possibilidade de ascensão no clube desde que saiu há dois, porém a situação em que se veem relegados os internacionais romeno e argentino tem tanto de surpreendente como de incompreensível. O defesa direito foi quase sempre peça de utilização regular que, mesmo perdendo margem de manobra com a chegada de Danilo, não justifica a sua inusitada exclusão definitiva. E no meio campo portista as soluções não abundam, isto num cenário onde a cobiça estrangeira por Moutinho pode decapitar o nível de qualidade deste setor.

Se por razões estratégicas contratuais e de balneário a SAD pretenda livrar-se destes jogadores até se compreende. Contudo não me parece que relegar atletas à condição de proscritos a uma equipa “C” de milhões, onde tão caros foram aos nossos cofres, os fará valorizar convenientemente. Isto quando o plantel principal joga particulares com jogadores adaptados a estas posições ou em manifesta inferioridade qualitativa. Não seria a pré-época uma boa montra para estes jogadores na antecâmara das competições?

E por falar em estrelas da equipa “C”; Será que este é próximo a juntar-se ao grupo?

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O estranho caso do regresso de Sapunaru


Gostaria de saudar o regresso de Sapunaru ao onze titular, ainda por cima coroado com uma excelente exibição.

Mas esta longa ausência e este inopinado regresso colocam-me esta dúvida: será que Vítor Pereira se aborreceu agora com Maicon ou terá o nosso treinador porventura lido o Reflexão Portista, conhecido blogue de curiosos, intriguistas e jornalistas amadores?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O estranho caso de Sapunaru

Na época passada, Sapunaru foi a principal escolha de André Villas-Boas para a posição de lateral direito. 19 jogos no campeonato, 13 na Liga Europa e 7 na Taça de Portugal.

Esta época, sob o comando de Vítor Pereira, não joga desde 28 de Outubro de 2011. Contudo, não foi uma das "ervas daninhas" que saiu no período de transferências de Janeiro, apesar de durante muito tempo nem sequer ter feito parte da lista dos 18 convocados.

Com Fucile no Santos, Danilo lesionado e indisponível durante o próximo mês e meio (pelo menos) e Mangala também lesionado, é desta que teremos Sapunaru de regresso aos eleitos de Vítor Pereira, mantendo-se Maicon na posição em que iniciou os últimos jogos (defesa-central)?
É que se assim não for, fico sem perceber o que é que o internacional romeno está a fazer no plantel portista.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fucinaru ou Sapucile…


Olhando para o plantel do FC Porto, qual a melhor opção para lateral-direito?

Nas últimas três épocas (2008/09 a 2010/11), os treinadores do FC Porto tiveram perspectivas algo diferentes.

A primeira opção de Jesualdo Ferreira para lateral direito foi sempre Jorge Fucile (jogador que descobriu enquanto fazia um “zapping” numa madrugada de 2006) e, em Junho de 2009, o professor fez mesmo as seguintes afirmações públicas:

«O Miguel Lopes é um jogador com grande intensidade de jogo, com espírito ofensivo muito marcado, com algumas dificuldades no plano defensivo. Um lateral no futebol moderno toda a gente observa apenas pela forma como ataca, quando eu penso que, fundamentalmente, tem de se observar pela forma como defende. Creio que terá muito trabalho a fazer a este nível para que possa vir a jogar no FC Porto.»
Jesualdo Ferreira, LUSA, 03/06/2009

«O Sapunaru veio da Roménia, teve dificuldades defensivas no início, mas reequilibrou-se. Foi sempre um jogador que não conseguiu uma estabilidade definitiva. Terá ficado aquém, esse sim, do que eu esperava.»
Jesualdo Ferreira, PUBLICO, 05/06/2009


Já André Villas-Boas, na época passada, optou mais vezes por Cristian Sapunaru, em detrimento de um Fucile que começou a época algo deslumbrado pelo que tinha feito no Mundial da África do Sul (foi eleito pela Gazzetta dello Sport para o onze ideal do Mundial 2010).

Esta época, Vítor Pereira voltou a apostar no internacional uruguaio, até porque Sapunaru tem tido muitas pequenas lesões, inclusivamente em treinos.

Repito a pergunta, qual dos dois é melhor opção para lateral-direito?

Se tivesse de responder há um ano e meio atrás, não tinha dúvidas, mas actualmente…

De forma simplista, eu sintetizaria da seguinte forma os principais aspectos positivos e negativos de Fucile e Sapunaru:

Fucile (+): garra, espírito à Porto, polivalência;
Fucile (-): instabilidade emocional, atitudes intempestivas em prejuízo da equipa, elevada percentagem de perdas de bolas.

Sapunaru (+): alto, bom jogo de cabeça, posicionamento defensivo, concentração competitiva;
Sapunaru (-): alguma lentidão, dificuldade em recuperar no terreno, capacidade limitada em cruzamentos.


Fucile não é um portento de técnica e muito menos um predestinado para o futebol mas, quando está em boa forma física e com a cabeça no lugar, cumpre e faz bem a posição de lateral-direito, com a vantagem adicional de “comer a relva”. Nestas circunstâncias, seria a minha primeira opção para a maior parte dos jogos.

Contudo, convém lembrar que à frente do lateral-direito do FC Porto joga Hulk, um jogador que arrisca, perde muitas bolas e praticamente não defende. Ora, levando em conta este aspecto e as características dos dois defesas direitos do plantel, a opção Sapunaru passa a fazer mais sentido.

Mas o que realmente dava jeito era termos no plantel um Fucinaru ou um Sapucile…

P.S. A ficha clínica de hoje inclui os nomes de Fucile e Sapunaru (ambos em tratamento).

sábado, 1 de outubro de 2011

O que se passa com Sapunaru?

«Com Sapunaru recuperado e em condições de ser utilizado, tudo aponta, todavia, para que o FC Porto se coloque do lado de Fucile, concedendo-lhe nova oportunidade e permitindo-lhe apagar a imagem que ficou depois dos jogos com o Benfica e com o Zenit. Em vésperas de uma paragem longa, entende-se que seria negativo passar a mensagem de que Fucile pagaria o preço pelos erros cometidos
in O Jogo, 01/10/2011


«Sapunaru repete a ausência da lista de convocados mas devido a uma mialgia de esforço. Sapunaru e Alex Sandro fizeram treino integrado condicionado»
in Maisfutebol, 2011-10-01 13:11


Sapunaru voltou a aparecer no boletim clínico do FC Porto? Muito bem.
Oficialmente está indisponível devido a mialgia de esforço.
Mialgia de esforço?!! Onde é que ele fez o esforço? Nos treinos? Mas então estava a treinar normalmente há mais de uma semana ou estava lesionado?
Esta história está mal contada...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sem nota artística, mas com eficácia


A primeira jornada já tinha deixado o aviso. Este Gil Vicente sabe tratar bem a bola e é uma equipa com um nível de agressividade positiva, capaz de desconstruir conjuntos organizados. Não demorou muito a prová-lo uma vez mais no Dragão. Só não foi capaz de suster o fulgor de Hulk e a reacção rápida do FC Porto ao golo sofrido. A vitória acabou por ser tranquila, mas a qualidade artística, como dirá Vítor Pereira, está bem longe da nota máxima.

O encontro começou logo tremido. E azedo para Sapunaru. Uma perda de bola infantil do lateral romeno abriu uma auto-estrada a Hugo Vieira, “obrigando” Otamendi a recorrer ao penálti. A nossa equipa entrava no jogo a perder e só não ficou com menos um elemento em campo por má avaliação da equipa de arbitragem. Há que assumi-lo; o central argentino deveria ter sido expulso, não pela impetuosidade do lance, mas pela iminência de golo.


A equipa sentiu o abalo e teve dificuldade em reagir à adversidade. Felizmente a ingenuidade de Sapunaru foi retribuída com gentileza por parte de João Vilela. Carga sobre Hulk que o mesmo tratou de converter e restabelecer o empate. Sem deixar respirar, e apenas 5 minutinhos depois, Sapunaru já estava a fazer a cambalhota no marcador, correspondendo a um canto preciso do Incrível.

Longe de se exibir a um nível a preceito, com um enorme susto logo a abrir, o facto é que o campeão nacional foi capaz de inverter a marcha no marcador com relativa facilidade. A equipa serenou e foi tentando ser contundente na iniciativa. Varela esteve muito interventivo, mas nem sempre decidiu bem. Os homens de Barcelos ainda não se tinham eclipsado. Criaram até alguns momentos de aperto para as redes de Helton. Felizmente não foram capazes aproveitar.


Mais ponderada e equilibrada, a nossa equipa na 2ª metade foi mais fiel à sua doutrina. Na posse, na gestão e no controlo do jogo. O Gil Vicente perdeu margem de manobra e a bomba de Hulk retirou-lhes as esperanças. A tranquilidade reinou, num triunfo que terminou fácil, mas muito longe de ser brilhante. Enalteça-se Souza, com uma prestimosa actuação e o inevitável Hulk, que já vai disparado na lista dos melhores marcadores.

Vítor Pereira aventou na antevisão deste encontro para a maior importância da vitória em detrimento de uma possível menor qualidade de jogo neste prólogo da época. Compreende-se. Assim como também é compreensível todo este entra e sai que vem agitando o plantel por estes dias. Mas, no próximo jogo não haverá espaço para ressalvas e paninhos quentes, porque é o melhor dos melhores que vamos ter pela frente e está também mais um caneco em disputa!

sábado, 16 de outubro de 2010

Falemos de futebol

Apesar do prometedor início de época, convém reflectirmos um pouco sobre os pontos menos bons de molde a minorarmos possíveis amarguras futuras. Qualquer equipa, seja ela qual for, tem sempre margem para melhorar, mesmo quando muita coisa parece já bem feita.

Começando pela baliza, mesmo mal batido aqui e ali (e o mais evidente terá sido o primeiro golo do Braga no Dragão), Hélton continua a ser digno da confiança da esmagadora maioria dos adeptos. Não será por aqui que não reconquistaremos o título. Porém, é mesmo verdade que ter um guarda-redes como capitão de equipa pode trazer os seus riscos, nomeadamente quando este necessita de se afastar vários metros da sua baliza para dialogar com os árbitros. Cuidado com este aspecto.

A defesa é o sector em que mais interrogações se levantam. Ainda com um genuíno sentimento de orfandade em relação a Bruno Alves, convém não nos deixarmos enganar pelo (ainda) escasso número de golos consentidos. As falhas foram já bem visíveis em diversas partidas, esperando apenas por confrontos com adversários mais complicados para eventualmente se traduzirem em pontos desperdiçados.
Maicon está ainda uns furos abaixo de Rolando, sendo que mesmo este último continua longe de dar garantias plenas para poder ser considerado um indispensável naquela defesa.

Muitas esperanças estão depositadas em Otamendi mas ainda é demasiado cedo para uma verdadeira avaliação deste. Deverá, ainda assim, ser atribuída a titularidade ao argentino? Desta vez, e por excepção, seria mesmo necessário observar os treinos para poder dar uma resposta minimamente honesta, tal o pouco tempo de jogo do atleta com as nossas cores. Confiemos pois em Villas-Boas, que já acumulou crédito suficiente para que acreditemos que fará mesmo alinhar a melhor dupla disponível, sem olhar a nomes.

E agora, o tema da moda: Fucile ou Sapunaru?
Apetecia responder que, neste momento, nem um nem outro... mas o mercado só reabre em Janeiro.
Fucile é um jogador de garra e esforço, o que é louvável e raro. Obviamente que nunca foi, nem será, um fora-de-série e tem ainda o handicap da altura mas era alguém que dava gosto ver pela forma com se entregava ao jogo, mesmo com alguns erros aqui e acolá. Temo é que o sucesso do Mundial e a perspectiva de uma eventual transferência milionária lhe tenha feito mal. A rever.
Já Sapunaru continua o que sempre foi: um atleta cujas mais-valias não são suficientes para ser titular numa equipa tão ambiciosa como a nossa.

Chegados ao meio-campo, é evidente que a troca de Meireles por Moutinho nos foi benéfica. Finalmente a bola rola mais no nosso pé do que no do adversário. Porém, daí até consagrarmos o antigo capitão de Alvalade como um grandíssimo jogador, ainda vai uma certa distância. É um jogador útil e regular, porém deve melhorar no aspecto do remate, arriscando mais, e também no do último-passe que tem sido, ainda, coisa rara. Titular sim, mas não por uma qualquer obrigatoriedade apenas por ter vindo de um rival lisboeta.

Chegamos assim, à maior questão de momento: Belluschi ou Micael?


Todos nós desejamos muito que o argentino engrene definitivamente de uma vez por todas, e o seu início de época parecia promissor nesse campo. Contudo, com o avolumar das partidas, voltamos a ter o "velho" Belluschi: boa visão de jogo mas demasiado tempo alheado da partida. Será apenas feitio ou pura incapacidade daquele físico de render mais? Como está, infelizmente não chega. Convém também que deixe de acertar tantas vezes na trave. Há que exercitar o remate mais e mais. A qualidade está lá, requer é mais trabalho.

Micael: mesmo que a qualidade do passe não esteja ainda calibrada, após uma ausência demasiado longa, trata-se de um jogador em que vale a pena continuar a apostar. Nomeadamente porque, em termos de golos e assistências, ainda acaba por ser o nosso médio de maior rendimento.

Por último, o ataque: Varela parece oscilar demasiado entre o muito bom e noites em que pouca coisa resulta. Necessita de um rendimento mais homogéneo para que se confirme definitivamente com um bom jogador.


Já o sub-rendimento de Cristian Rodriguez, seu mais óbvio substituto, parece ser algo mais complexo do que apenas uma debilidade física que origina lesões em série. O seu elevado vencimento e as grandes expectativas que sempre origina, exigem que este seja o ano em que faça definitivamente a diferença.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CJ reduz castigos de Hulk e Sapunaru


«O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) reduziu o castigo de Hulk para três jogos e o de Sapunaru para quatro jogos, disse à Lusa fonte do FC Porto. (...)
Os argumentos do Conselho de Justiça ainda não são conhecidos e este órgão limitou-se anunciar que foi “convolada a condenação”. Isto quer, dizer que o castigo de quatro meses a Hulk e seis meses a Sapunaru foi alterado. (...)
A CD da Liga enquadrou o comportamento de Hulk e Sapunaru num artigo que previa uma suspensão entre seis meses e três anos, tendo encontrado atenuantes no caso do avançado brasileiro, que reduzia os castigos previstos para um período entre três meses e um ano e meio.
O enquadramento disciplinar defendido pelo FC Porto no recurso era de dois a seis jogos de suspensão. E foi precisamente isso que o CJ entendeu.»
24.03.2010 - Lusa, PÚBLICO

A notícia completa pode ser lida aqui.


Quem irá indemnizar os jogadores e o FC Porto pelos elevadíssimos prejuízos (desportivos e financeiros) causados?

Será que agora, finalmente, a Administração da FC Porto SAD irá reagir à Porto, e ir até às últimas consequências, exigindo responsabilidades ao Dr. Ricardo Costa e à Liga de Clubes?


Actualização (17:55): A Administração da FC Porto – Futebol, SAD já reagiu em comunicado.

Foto: A Bola

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os culpados


Hulk (23 anos) e Sapunaru (25 anos) foram suspensos por quatro e seis meses respectivamente pelo Conselho Disciplinar da Liga de Clubes. Não adianta muito vir debater a decisão, já que Ricardo Costa tem tanto de supreendente como tem de humilde. Este seu cargo é uma plataforma para outros voos e o presidente do CD sabe bem que há hábitos que não se mudam nem com cravos, embora no seu caso exista uma enorme dificuldade em disfarçar a vaidade, o ego e o narcisismo.

Sobre o processo disciplinar pouco haverá para discutir: a partir do momento em que os seguranças privados são considerados agentes desportivos do futebol até foi muita sorte que Hulk e Sapunaru só tenham sido suspensos por uns meses pelos crimes hediondos que cometeram às suas vítimas indefesas e para isso há que agradecer a "benevolência" de um Conselho Disciplinar "amarrado" à "profunda injustiça" das leis e regulamentos.

Evidentemente que não está em causa que não tenham havido provocações nem agressões, isso parece-me ser um dado adquirido. O que está em causa é que se atropelem leis e regulamentos com o objectivo de condenar pela vontade popular. Hulk e Sapunaru cometeram um erro grave, o erro de a determinado momento das suas carreiras terem escolhido vir jogar para o Futebol Clube Porto num país cuja inveja pelo sucesso está patente de forma transversal na sociedade portuguesa e atinge níveis de elevado masoquismo.

O castigo de 4 jogos por agressão a um segurança privado pode parecer pouco aos olhos da vontade popular que clama por meios Inquisitivos a todo e qualquer momento, mas o castigo por 6 meses é ilegal, ponto. E bem sei que o afamado interesse público é grande, atinge proporções bíblicas nos dias que correm e provoca cegueira e paralisia celebral, mas a mim preocupa-me mais outros interesses que também são meus, que também deveriam ser de Hulk e Sapunaru e que deveriam prevalecer num Estado de direito.

Fosse Ricardo Costa original e estaria menos preocupado, mas o presidente do CD da Liga é mais um lambe-botas da comunicação social, da ignorância popular, dos morgados, dos procuradores, do poder chupista e de muitos e muitos anos de asfixia mental.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SMS do dia - XCIV


Oliveirense
Leixões
U. Leiria
Académica
P. Ferreira
Belenenses

Estes são os jogos que Sapunaru e Hulk já falharam desde que foram sumariamente suspensos. Veremos quantos conseguimos contar até ao fim desta "brincadeira". Do processo não se conhecem avanços...

Alguém arrisca?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Jesualdo e os laterais direitos

«O Sapunaru veio da Roménia, teve dificuldades defensivas no início, mas reequilibrou-se. Foi sempre um jogador que não conseguiu uma estabilidade definitiva. Terá ficado aquém, esse sim, do que eu esperava
Jesualdo Ferreira, PUBLICO, 05/06/2009


«O Miguel Lopes é um jogador com grande intensidade de jogo, com espírito ofensivo muito marcado, com algumas dificuldades no plano defensivo. Um lateral no futebol moderno toda a gente observa apenas pela forma como ataca, quando eu penso que, fundamentalmente, tem de se observar pela forma como defende. Creio que terá muito trabalho a fazer a este nível para que possa vir a jogar no FC Porto»
Jesualdo Ferreira, LUSA, 03/06/2009


Do Miguel Lopes espera-se que a sua evolução possa ser semelhante à do Rolando, Fernando ou Cissokho (não estou a pedir pouco...), para citar três exemplos de jogadores que vieram de "clubes pequenos" do campeonato português e, trabalhados por "mestre" Jesualdo, pegaram de estaca e atingiram patamares de alto rendimento.

Quanto ao Sapunaru, a confirmar-se o interesse de outros clubes (Bayern Munique?), não parece que Jesualdo ficasse muito triste com a sua saída.

Seja como for, tudo indica que a primeira opção do treinador do FC Porto para lateral direito continuará a ser Fucile. O problema são as frequentes lesões e as muitas viagens para jogar pela Selecção uruguaia.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Qual o melhor reforço da época 2008/09?


Para os participantes da sondagem efectuada pelo Reflexão Portista, "Rodríguez" é o melhor reforço para a época que se está a iniciar, com 44% dos votos (33 de um total de 74).

A segunda e terceira opção foram Hulk (17 votos, 22%) e Rolando (15 votos, 20%), que se destacaram dos demais reforços, apesar de em conjunto terem menos do que os votos de Rodríguez.
Muito atrás ficaram Benítez e Tomás Costa com 3 e 2 votos respectivamente. Com um voto cada ficaram os restantes reforços: Sapunaru, Fernando, Pelé e Guarin.