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| Campeões nacionais de Sub-19 / Juniores A (foto: FC Porto) |
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domingo, 17 de maio de 2015
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Caminata e a falta de perspectiva de futuro da nossa formação
O FC Porto sagrou-se campeão de Juniores B mas num dia de celebrações merecidas há sempre o outro lado da moeda. Um dos melhores jogadores da equipa, João Caminata, está previsivelmente a caminho de Londres.
O jogador madeirense que recrutamos ao Marítimo acaba contrato este ano e o seu agente já anunciou ao site inglês The Elastico que no final do ano é muito provável que o jogador assine pelo Chelsea. Renovar-se-ia a ponte área que existe entre os dois clubes - o Chelsea venceu a sua primeira Champions no último sábado com três ex-portistas no plantel - mas desta vez sem a habitual entrada de dinheiro vivo que tem feito dos ingleses um dos nossos melhores parceiros de negócios. Como sucedeu com Nuno Morais, que chegou ao clube no mesmo ano que Mourinho mas onde não teve oportunidades, acabando por actuar no APOEL onde se destacou este ano na Champions, é mais um jogador que decide emigrar antes de sentir o que é vestir a camisola da primeira equipa.
Caminata é uma dessas promessas do nosso sistema de formação que, por um motivo ou outro, nunca chegam à primeira equipa. Ou porque abandonam o clube antes para procurar oportunidades noutras paragens - entre pressões de empresários e promessas não cumpridas pelo clube - ou porque o próprio clube os envolve numa espiral de empréstimos que acabam com a história antes dela mesmo ter começado.
Quem segue o futebol de formação do clube, em especial a equipa treinada por Nuno Capucho que acaba de sagrar-se campeã nacional, diz que este era, claramente, a mais destacada individualidade da equipa. Não é a única promessa da equipa - e o nosso sistema de formação tem gerado bons jogadores que inexplicavelmente desaparecem - mas, como disse Capucho no final do jogo, se não existe por parte do clube a estratégia de lhes dar minutos ao mais alto nível, o mais natural é que os jogadores percam a ilusão e procurem a solução noutras paragens.
O projecto da equipa B na Liga Vitalis podia ter sido um incentivo mais para que estes miúdos de 16, 17 e 18 anos, trabalhem a pensar que terão direito a lutar por um lugar na primeira equipa, em vez de serem emprestados enquanto chegam "contentores" de jogadores estrangeiros que ficam um ou dois anos e depois seguem o seu caminho com pouco lucro para as arcas do clube.
Caminata no Chelsea será um de muitos e talvez nunca chegue a dar o salto e tenha o mesmo destino de Morais. O problema é que o feedback que encontra no FC Porto, ele e tantos outros, não lhe deixa muitas oportunidades de futuro. Numa época onde a situação financeira é preocupante a todos os níveis, o FC Porto deveria apostar de forma mais séria e consciente na sua própria formação. Vencemos títulos para depois deixar escapar as jóias dos dedos e por meia dúzia de tostões.
Gostaria de ver alguns desses miúdos que ontem golearam o Vitória de Guimarães e venceram um titulo sem derrotas na última fase algum dia a vestir a camisola da equipa principal. O problema é que nos últimos anos temos somado vários títulos e depois, na hora de verdade, nenhum jogador passa do estágio de pré-temporada. Nessa situação vivia o Barcelona, como disseram tantas vezes Xavi, Iniesta ou Puyol, antes da chegada de Van Gaal, e agora o clube catalão é um símbolo internacional de aposta na cantera. Talvez mais cedo do que tarde o FC Porto pense em seguir esse caminho e quando os Caminatas do futuro saiam, que seja pela porta grande, com muitos números no livro de cheques e o coração dos adeptos ganho para o resto das suas vidas. Não há muito tempo era assim que o clube trabalhava.
O jogador madeirense que recrutamos ao Marítimo acaba contrato este ano e o seu agente já anunciou ao site inglês The Elastico que no final do ano é muito provável que o jogador assine pelo Chelsea. Renovar-se-ia a ponte área que existe entre os dois clubes - o Chelsea venceu a sua primeira Champions no último sábado com três ex-portistas no plantel - mas desta vez sem a habitual entrada de dinheiro vivo que tem feito dos ingleses um dos nossos melhores parceiros de negócios. Como sucedeu com Nuno Morais, que chegou ao clube no mesmo ano que Mourinho mas onde não teve oportunidades, acabando por actuar no APOEL onde se destacou este ano na Champions, é mais um jogador que decide emigrar antes de sentir o que é vestir a camisola da primeira equipa.
Caminata é uma dessas promessas do nosso sistema de formação que, por um motivo ou outro, nunca chegam à primeira equipa. Ou porque abandonam o clube antes para procurar oportunidades noutras paragens - entre pressões de empresários e promessas não cumpridas pelo clube - ou porque o próprio clube os envolve numa espiral de empréstimos que acabam com a história antes dela mesmo ter começado.
Quem segue o futebol de formação do clube, em especial a equipa treinada por Nuno Capucho que acaba de sagrar-se campeã nacional, diz que este era, claramente, a mais destacada individualidade da equipa. Não é a única promessa da equipa - e o nosso sistema de formação tem gerado bons jogadores que inexplicavelmente desaparecem - mas, como disse Capucho no final do jogo, se não existe por parte do clube a estratégia de lhes dar minutos ao mais alto nível, o mais natural é que os jogadores percam a ilusão e procurem a solução noutras paragens.
O projecto da equipa B na Liga Vitalis podia ter sido um incentivo mais para que estes miúdos de 16, 17 e 18 anos, trabalhem a pensar que terão direito a lutar por um lugar na primeira equipa, em vez de serem emprestados enquanto chegam "contentores" de jogadores estrangeiros que ficam um ou dois anos e depois seguem o seu caminho com pouco lucro para as arcas do clube.
Caminata no Chelsea será um de muitos e talvez nunca chegue a dar o salto e tenha o mesmo destino de Morais. O problema é que o feedback que encontra no FC Porto, ele e tantos outros, não lhe deixa muitas oportunidades de futuro. Numa época onde a situação financeira é preocupante a todos os níveis, o FC Porto deveria apostar de forma mais séria e consciente na sua própria formação. Vencemos títulos para depois deixar escapar as jóias dos dedos e por meia dúzia de tostões.
Gostaria de ver alguns desses miúdos que ontem golearam o Vitória de Guimarães e venceram um titulo sem derrotas na última fase algum dia a vestir a camisola da equipa principal. O problema é que nos últimos anos temos somado vários títulos e depois, na hora de verdade, nenhum jogador passa do estágio de pré-temporada. Nessa situação vivia o Barcelona, como disseram tantas vezes Xavi, Iniesta ou Puyol, antes da chegada de Van Gaal, e agora o clube catalão é um símbolo internacional de aposta na cantera. Talvez mais cedo do que tarde o FC Porto pense em seguir esse caminho e quando os Caminatas do futuro saiam, que seja pela porta grande, com muitos números no livro de cheques e o coração dos adeptos ganho para o resto das suas vidas. Não há muito tempo era assim que o clube trabalhava.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Formação e alta competição
O FCP tem condições únicas para os jovens praticarem futebol. Penso que em muitos outros clubes há um trabalho interessante, ainda que não tenham as mesmas estruturas que os três grandes. Somos visitados (por técnicos das mais variadas origens) e as nossas estruturas são consideradas de excelência. Visito com alguma frequência o Vitalis Park e assisto à paciente persistência com que os professores ensinam os miúdos a dar os primeiros pontapés na bola e aos jogos dos mais novos dos jovens, e é um prazer anotar a disponibilidade e alegrias dos miúdos no momento da competição, como já dominam os princípios técnico-tácticos e como alguns parecem tão evoluídos para o tamanho e a idade.
Parece que esse potencial não cresce na escala do que aqueles miúdos prometem. E, então lembro-me do Feliciano a treinar os juniores, num campo pelado, sem as condições de hoje, sempre muito exigente, rigoroso e duro. Não brincava e mostrou serviço, embora não fosse um pedagogo. Era um profissional, puro e duro, excelente treinador de campo e suficientemente forte para comandar a rapaziada, fazendo da exigência um instrumento de formação que os atletas respeitavam. Certo é que saíram das suas mãos uma plêiade de atletas que bem alto levantaram o nome do FCP.
Hoje, os treinadores são mais actualizados e dominam as metodologias de treino, que antes eram suportadas empiricamente. Apesar disso, acho que as camadas jovens atingiram a sua bitola mais baixa, nestes últimos anos. E isso remete-nos para o seguinte: não basta juntar um conjunto de nomes e provar que foram (provavelmente) desaproveitados dois ou três oriundos das escolas que poderiam fazer jeito nesta altura do campeonato, para concluir que não se aproveitam os jogadores jovens porque gostamos de esbanjar dinheiro. De certeza que o investimento na formação tem crescido, quer em meios materiais quer humanos. O problema principal tem de ser outro, até porque não há nenhuma incompatibilidade (nem conflito de interesses) em juntar gente da casa com recrutamento vindo de fora, e ganhar dinheiro através de ambas as fontes.
Não faltam condições estruturais, não falta motivação, o futebol tem muita procura por parte dos jovens porque a carreira é aliciante, os técnicos estão actualizados. Falta perceber o que é que está a falhar, pois nas faixas etárias mais baixas fomos superados por muitos países que antes nos eram claramente inferiores.
Provavelmente há um modelo competitivo que não ajuda. Provavelmente vive-se mais para a ideia de ganhar campeonatos que para uma verdadeira formação que não queime etapas com a pressa de vencer a todo o custo.
Vi o jogo do FCP com o SCB dos juniores de sábado passado e fiquei mal impressionado com o que vi. Joga-se segundo os piores modelos, com uma equipa na retranca e a bater em tudo o que mexe e outra a jogar em posse na sua zona defensiva e com muito baixa intensidade. Não dinamitámos o muro que nos acabou por soterrar. O SCB ganhou por 2-1 e todos os golos saíram de bolas paradas.
Foi um jogo feio e parece que a ninguém importa jogar bem, bonito, rápido, com jogadores que evitam as rotas de colisão e procuram o golo como fim último do futebol, e não apenas um mero detalhe, saído da transformação das ditas bolas paradas que os treinadores preparam até à exaustão. Nas camadas jovens o prazer lúdico da prática desportiva deveria prevalecer sobre qualquer outro. O prazer de jogar e de praticar um futebol atraente deveriam estar no topo da pirâmide no processo formativo, o que nada tem de incompatível com a formação táctica e o apetrechamento físico indispensáveis para a prática desportiva de alta competição.
Mas, esta matéria é complexa e deveria ser bem analisada a razão porque, hoje, estamos mais pobres de valores, e minguam (de forma estranha) atletas em várias posições fundamentais. Têm a palavra os técnicos.
Parece que esse potencial não cresce na escala do que aqueles miúdos prometem. E, então lembro-me do Feliciano a treinar os juniores, num campo pelado, sem as condições de hoje, sempre muito exigente, rigoroso e duro. Não brincava e mostrou serviço, embora não fosse um pedagogo. Era um profissional, puro e duro, excelente treinador de campo e suficientemente forte para comandar a rapaziada, fazendo da exigência um instrumento de formação que os atletas respeitavam. Certo é que saíram das suas mãos uma plêiade de atletas que bem alto levantaram o nome do FCP.
Hoje, os treinadores são mais actualizados e dominam as metodologias de treino, que antes eram suportadas empiricamente. Apesar disso, acho que as camadas jovens atingiram a sua bitola mais baixa, nestes últimos anos. E isso remete-nos para o seguinte: não basta juntar um conjunto de nomes e provar que foram (provavelmente) desaproveitados dois ou três oriundos das escolas que poderiam fazer jeito nesta altura do campeonato, para concluir que não se aproveitam os jogadores jovens porque gostamos de esbanjar dinheiro. De certeza que o investimento na formação tem crescido, quer em meios materiais quer humanos. O problema principal tem de ser outro, até porque não há nenhuma incompatibilidade (nem conflito de interesses) em juntar gente da casa com recrutamento vindo de fora, e ganhar dinheiro através de ambas as fontes.
Não faltam condições estruturais, não falta motivação, o futebol tem muita procura por parte dos jovens porque a carreira é aliciante, os técnicos estão actualizados. Falta perceber o que é que está a falhar, pois nas faixas etárias mais baixas fomos superados por muitos países que antes nos eram claramente inferiores.
Provavelmente há um modelo competitivo que não ajuda. Provavelmente vive-se mais para a ideia de ganhar campeonatos que para uma verdadeira formação que não queime etapas com a pressa de vencer a todo o custo.
Vi o jogo do FCP com o SCB dos juniores de sábado passado e fiquei mal impressionado com o que vi. Joga-se segundo os piores modelos, com uma equipa na retranca e a bater em tudo o que mexe e outra a jogar em posse na sua zona defensiva e com muito baixa intensidade. Não dinamitámos o muro que nos acabou por soterrar. O SCB ganhou por 2-1 e todos os golos saíram de bolas paradas.
Foi um jogo feio e parece que a ninguém importa jogar bem, bonito, rápido, com jogadores que evitam as rotas de colisão e procuram o golo como fim último do futebol, e não apenas um mero detalhe, saído da transformação das ditas bolas paradas que os treinadores preparam até à exaustão. Nas camadas jovens o prazer lúdico da prática desportiva deveria prevalecer sobre qualquer outro. O prazer de jogar e de praticar um futebol atraente deveriam estar no topo da pirâmide no processo formativo, o que nada tem de incompatível com a formação táctica e o apetrechamento físico indispensáveis para a prática desportiva de alta competição.
Mas, esta matéria é complexa e deveria ser bem analisada a razão porque, hoje, estamos mais pobres de valores, e minguam (de forma estranha) atletas em várias posições fundamentais. Têm a palavra os técnicos.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Que fazemos aos nossos míudos?
Bruno Vale, Rui Sacramento, Ventura, Tiago Maia, Kadu, Ricardo Dias, Bruno Alves, André Pinto, João Pedro, Rui Pedro, Nuno Coelho, Tengarrinha, Ivo Pinto, Tiago Ferreira, Paulo Machado, Josué, Nuno André Coelho, Castro, Helder Barbosa, Sérgio Oliveira, Ivanildo, Bruno Gama, Vieirinha, Diogo Viana, Ukra, Atsu, Rabiola, Abdollaye, Yero, Vion, Hugo Almeida...
Em 8 anos o FC Porto fez estrear, em jogos mais ou menos relevantes, 31 filhos do sistema de formação. Uma média de quase quatro “canteranos” por temporada, que não seria má de todo. Mas olhem para a lista outra vez. Com atenção. De todos esses jogadores, só 4 foram internacionais neste período e apenas dois deles, Bruno Alves e Bruno Vale, ao serviço do FC Porto. De todos os 31 só dois (Yero e Vion) estão no plantel desta época e ambos para fazer número, pondo as coisas no seu sitio. A maior parte destes jogadores foi forçada a embarcar numa espiral de empréstimos que esgotaria a paciência a um santo. E hipóteses na primeira equipa, nem vê-las. Muitas promessas, muito dinheiro invertido na requalificação da antiga Constituição e como resultado, um clube nu e destirpado da sua essência, os jogadores da casa. E um clube sem jogadores formados in loco é um clube sem chama interna, sem identidade e, sobretudo, com um excessivo gasto em contratações, comissões e salários que seriam paliados seguramente por uma aposta no producto made in Porto.
Em 8 anos o FC Porto fez estrear, em jogos mais ou menos relevantes, 31 filhos do sistema de formação. Uma média de quase quatro “canteranos” por temporada, que não seria má de todo. Mas olhem para a lista outra vez. Com atenção. De todos esses jogadores, só 4 foram internacionais neste período e apenas dois deles, Bruno Alves e Bruno Vale, ao serviço do FC Porto. De todos os 31 só dois (Yero e Vion) estão no plantel desta época e ambos para fazer número, pondo as coisas no seu sitio. A maior parte destes jogadores foi forçada a embarcar numa espiral de empréstimos que esgotaria a paciência a um santo. E hipóteses na primeira equipa, nem vê-las. Muitas promessas, muito dinheiro invertido na requalificação da antiga Constituição e como resultado, um clube nu e destirpado da sua essência, os jogadores da casa. E um clube sem jogadores formados in loco é um clube sem chama interna, sem identidade e, sobretudo, com um excessivo gasto em contratações, comissões e salários que seriam paliados seguramente por uma aposta no producto made in Porto.
Antes que alguns dos leitores habituais venham com a reflexão sobre o pragmatismo da aposta do clube em jogadores nacionais, falando mais na vontade de ganhar já com compras com potencial de venda na América do Sul do que em estar a perder tempo e dinheiro em formar ou até mesmo com o argumento da “xenofobia” com jogadores estrangeiros, que fique claro que a mim importa-me pouco que os miúdos venham do Burkina Faso, da Nova Caledónia ou da Sé. Pessoalmente preferiria que fossem portistas, e hoje em dia para ser-se do Porto já não faz falta ser da Ribeira. A demografia da Invicta também já não permite esses sonhos e muitos dos heróis dos últimos 30 anos vieram do Grande Porto (Leça, Maia, Gaia, Amarante, Vila do Conde, Espinho, Matosinhos) mais do que das próprias ruas da cidade.
A questão é mais importante do que muitos adeptos imaginavam e está na altura de que a direcção do clube e a administração da SAD tomem medidas práticas e não persistam em politicas para tapar os olhos. Não sou seguramente o membro deste painel mais apto para falar de economia mas não é preciso ser um “expert” para analisar a diferença entre comprar um jogador a outro clube (com comissões), formá-lo, vender percentagens a fundos, pagar os seus salários (incluindo comissões por renovar contratos) e depois vender e formar um jogador do zero, pagar um salário evidentemente inferior e vendê-lo com lucro a 100%. Há muito tempo que o FCP abdicou de lucrar a 100% com um negócio por interesses externos ao clube que têm causado sérios problemas nas nossas contas. Por cada Anderson, Pepe, Hulk, Lucho, Lisandro ou Falcao sucedem-se dezenas de erros de casting. Souza, Walter foram os últimos enganos sérios da SAD mas nos últimos anos representam apenas uma gota no oceano.
Durante este período de tempo o FC Porto venceu 2 campeonatos de Juniores, 2 campeonatos de juvenis e 3 campeonatos de iniciados. Isso diz mal do futebol de formação português em geral mas também não explica porque é que uma equipa capaz de coleccionar tantos títulos é incapaz de exportar para a primeira equipa jogadores de nível.
Sou a favor da aplicação da lei 6+5 da UEFA e para adaptar-se a estes tempos e na circunstância actual os Dragões teriam muitos problemas em cumprir a normativa. Como adepto romântico do jogo gosto de sentir alguma identificação com as equipas. Como adepto racional do meu clube gosto de transparência e contas saneadas. Uma aposta clara na formação permite-me desfrutar de ambas. Ninguém me convence que um plantel com Souza, Bracalli, Cebolla Rodriguez, Djalma ou Walter é melhor que um que tenha Castro, Atsu, Ventura, Helder Barbosa, Bruno Gama, Vieirinha ou Palmo Machado, jogadores da casa que pertencem ou já pertencerem aos quadros do clube. Jogadores mais baratos, que sentiriam a “Mistica” do clube provavelmente mais do que as aquisições citadas e, sobretudo, em número suficiente para cumprir qualquer normativa europeia. O clube poupava dinheiro, reforçava o papel do produto da casa e, sobretudo, devolvia a imagem de um clube involucrado com o futebol local.
A questão é mais importante do que muitos adeptos imaginavam e está na altura de que a direcção do clube e a administração da SAD tomem medidas práticas e não persistam em politicas para tapar os olhos. Não sou seguramente o membro deste painel mais apto para falar de economia mas não é preciso ser um “expert” para analisar a diferença entre comprar um jogador a outro clube (com comissões), formá-lo, vender percentagens a fundos, pagar os seus salários (incluindo comissões por renovar contratos) e depois vender e formar um jogador do zero, pagar um salário evidentemente inferior e vendê-lo com lucro a 100%. Há muito tempo que o FCP abdicou de lucrar a 100% com um negócio por interesses externos ao clube que têm causado sérios problemas nas nossas contas. Por cada Anderson, Pepe, Hulk, Lucho, Lisandro ou Falcao sucedem-se dezenas de erros de casting. Souza, Walter foram os últimos enganos sérios da SAD mas nos últimos anos representam apenas uma gota no oceano.
Durante este período de tempo o FC Porto venceu 2 campeonatos de Juniores, 2 campeonatos de juvenis e 3 campeonatos de iniciados. Isso diz mal do futebol de formação português em geral mas também não explica porque é que uma equipa capaz de coleccionar tantos títulos é incapaz de exportar para a primeira equipa jogadores de nível.
Sou a favor da aplicação da lei 6+5 da UEFA e para adaptar-se a estes tempos e na circunstância actual os Dragões teriam muitos problemas em cumprir a normativa. Como adepto romântico do jogo gosto de sentir alguma identificação com as equipas. Como adepto racional do meu clube gosto de transparência e contas saneadas. Uma aposta clara na formação permite-me desfrutar de ambas. Ninguém me convence que um plantel com Souza, Bracalli, Cebolla Rodriguez, Djalma ou Walter é melhor que um que tenha Castro, Atsu, Ventura, Helder Barbosa, Bruno Gama, Vieirinha ou Palmo Machado, jogadores da casa que pertencem ou já pertencerem aos quadros do clube. Jogadores mais baratos, que sentiriam a “Mistica” do clube provavelmente mais do que as aquisições citadas e, sobretudo, em número suficiente para cumprir qualquer normativa europeia. O clube poupava dinheiro, reforçava o papel do produto da casa e, sobretudo, devolvia a imagem de um clube involucrado com o futebol local.
O FC Porto sempre foi berço de grandes jogadores que chegaram de outras paradas e sempre o será. Mas todos tinham detrás um núcleo duro da casa que desapareceu totalmente como espelho da politica auto-destructiva desta SAD. Começa a ser necessário, especialmente depois dos evidentes problemas de liquidez que o Standard Liège e o Santos fizeram públicos, pensar com mais cabeça no futuro desportivo e económico do clube e menos nos negócios paralelos que têm deixado muita gente na SAD feliz e nos círculos que a rodeiam mas que diminuem consideravelmente o potencial de crescimento e consolidação do clube para a próxima década. Não pode ser um cenário a repetir que o FC Porto arranque para uma nova época sem um único jogador formado em casa ao mesmo tempo que gasta milhões em contratar jogadores que depois nem se revelam opções tácticas regulares.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Campeões também em Juniores A
O FC Porto venceu hoje à tarde a Naval na Figueira da Foz (0-3) e, quando ainda faltam duas jornadas para o final do campeonato, os dragões já são matematicamente campeões nacionais de Juniores A, recuperando um título que não conquistavam desde 2006/07 (o SCP venceu os últimos três campeonatos).
É o 20.º título do FC Porto em juniores (sub-19), tendo sido ganho com enorme brilhantismo - 11 vitórias nos 12 jogos da fase final já disputados.
Em declarações ao site do FC Porto, o treinador Rui Gomes chamou à atenção para o facto desta geração de jogadores, nascidos em 1992, ser tricampeã, porque repete os títulos obtidos nos escalões sub-15 e sub-17.
Ao contrário do habitual, o próximo jogo em casa (domingo, frente ao Gondomar) irá ser no Estádio do Dragão e não no Olival.
Parabéns aos novos campeões e espero que, até por uma questão de estímulo, um deles possa fazer parte do plantel principal da próxima época.
Foto: record.pt
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Liderança também nos Juniores
Não é só nos seniores que o futebol portista se tem destacado esta época. Após alguns anos de resultados medíocres, a equipa de Juniores A (Sub19), orientada por Rui Gomes, tem vindo a fazer um trajecto recheado de vitórias e ontem foi a Braga obter mais um triunfo (0-1, golo de Bacar), numa partida da 10ª jornada da fase final do Campeonato Nacional.
O FC Porto alinhou com: Maia, David, Romário, Hugo Sousa, Tiago Ferreira, Paulo Jorge, Christian, Bacar, Pipo (Flávio, 82m), Tozé (Rafael, 75m) e Fábio Nunes (Amorim, 65m).
Será que André Villas-Boas irá dar uma oportunidade a algum destes jogadores, integrando-o no plantel sénior da próxima época?
Após esta vitória no Campo da Ponte, em Braga, os Dragões mantêm a liderança, com mais quatro pontos do que o Sporting, que se desloca ao Olival na próxima ronda (Sábado, 16 de Abril), num jogo que, em caso de vitória azul-e-branca, representará uma passagem de testemunho dos actuais para os novos campeões.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Estrangeiros nos juniores
«Sou um adepto incondicional da Selecção Nacional. Sou dos que ainda acreditam numa presença honrosa neste Mundial de futebol. Sou, contudo, dos que lamentam que, face à irresponsabilidade da maioria dos dirigentes do nosso futebol, estejamos na iminência de já não ter Selecção digna desse nome para jogar o próximo Europeu - veja-se a panóplia ridícula de dezenas de jovens estrangeiros com que Benfica, F. C. Porto e Sporting entram em campo no campeonato nacional de juniores que agora está a terminar!
Como é que este tipo de opções é compreensível num país que com as suas gentes gerou nos últimos 25 anos atletas que nos conduziram a dois quartos-de-final de Europeus - 1996 e 2008, quatro meias-finais de campeonatos da Europa e do Mundo - 1984, 2000, 2004, 2006, a uma final do Campeonato Europeu - 2004, à final de três taças UEFA, à final e à vitória em duas Ligas dos Campeões Europeus. Um país que na última década gerou dois jogadores considerados os melhores do Mundo pela FIFA - Luís Figo e Cristiano Ronaldo, que conduziu um treinador ao patamar de ser considerado o melhor do continente africano - Manuel José, e outro, José Mourinho, ao estrelato de ser reconhecido como o "Especial" e único à escala planetária. O que se pode dizer de uma geração de dirigentes que está a delapidar na maior das impunidades este legado?»
Luís Filipe Meneses, JN, 20/06/2010
O artigo de opinião completo pode ser lido aqui.
Não sei se é possível impor alguma limitação ao número de estrangeiros que integram os planteis das equipas juniores mas, sem qualquer tipo de xenofobia, penso que é algo que deveria ser pensado.
Foto: Campeões nacionais de juniores 2006/07 (fonte: blogue 'Jorge Nuno Pinto da Costa')
domingo, 20 de junho de 2010
A política de formação azul-e-branca
Concluiu-se ontem o campeonato nacional de juniores, com o Sporting a vencer o FC Porto em Alvalade e a revalidar o título de Campeão Nacional.
Os resultados da fase final foram os seguintes:
1.ª jornada (15 Maio)
Vitória de Guimarães x FC Porto, 2-0
Benfica x Sporting, 3-3
2.ª jornada (22 e 23 Maio)
Sporting x Vitória de Guimarães, 1-0
FC Porto x Benfica, 2-2
3.ª jornada (3 Junho)
FC Porto x Sporting, 0-1
Vitória de Guimarães x Benfica, 1-1
4.ª jornada (6 Junho)
FC Porto x Vitória de Guimarães, 1-0
Sporting x Benfica, 0-2
5.ª jornada (12 Junho)
Benfica x FC Porto, 2-2
Vitória de Guimarães x Sporting, 0-1
6.ª jornada (19 Junho)
Sporting x FC Porto, 1-0
Benfica x Vitória de Guimarães, 1-1
O FC Porto ficou em último lugar (com os mesmos pontos do Vitória de Guimarães), a três pontos do SLB e a oito (!) do Sporting. Nos seis jogos disputados, o FC Porto obteve uma vitória e em metade dos desafios não marcou qualquer golo.
Alguém irá analisar estes factos e tirar consequências?
Quanto ao plantel júnior do FC Porto, de acordo com o site zerozero (não sei se está actualizado) tem "apenas" 12 jogadores estrangeiros, das seguintes nacionalidades:
Brasil, 4
Senegal, 2
Turquia, 1
Espanha, 1
Cabo Verde, 1
Rep. Checa, 1
Guiné-Bissau, 1
Estados Unidos, 1
Para que serve uma equipa de juniores? Não é suposto ser para "alimentar" a equipa sénior com jogadores de qualidade, de mentalidade ganhadora, totalmente identificados com a cultura do clube e com um determinado perfil de formação?
Na sequência do que já aqui escrevi acerca dos alicerces frágeis da Visão 611, a questão que se coloca é a seguinte: Olhando para este plantel e para o desempenho que a equipa mostrou (e este ano muita gente pôde ver porque a televisão transmitiu vários jogos), alguém pensa que está a ser feito um bom trabalho e que estamos no bom caminho?
E, finalmente, será que na próxima época vamos continuar com a mesma política para a formação, os mesmos dirigentes (que a conceberam) e o mesmo treinador (Patrick Greveraars)?
Foto: 'Academia de Talentos'
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Os alicerces frágeis da Visão 611
No último domingo, o FC Porto recebeu o SLB para a segunda jornada da Fase Final do Campeonato Nacional da I Divisão de Juniores A, tendo empatado 2-2.
O FC Porto alinhou com os seguintes jogadores: Tiago Maia; David Bruno, Ricardo Ferreira, Abdoulaye, Katalin; Renato Alves (João Amorim 75'), Christian (Filipe Barros "Pipo" 62'), Ricardo Dias (C); André Claro, Sérgio Oliveira e Alexandre Freitas "Alex" (Ramón Cardenas 78').
Suplentes não utilizados: Rafa, Bacar, Gilmar dos Santos e Flávio Moreno.
Não pude ir ao estádio, mas vi a transmissão televisiva feita pela TVI24 e é de enaltecer terem estado quase 10 mil pessoas a assistirem a um jogo de juniores, mesmo sabendo que os sócios do FC Porto tinham entrada grátis.
Quanto ao jogo em si, a exibição da equipa do FC Porto foi pobre e serviu para confirmar a ideia que eu já tinha, isto é, nenhum destes jogadores tem qualidade suficiente para, daqui a pouco mais de um mês, integrar o plantel principal do FC Porto no arranque da época 2010/11. E neste lote estou a incluir os jogadores a quem Jesualdo tentou dar oportunidades, como são os casos do capitão Dias e do "senhor 30 milhões" - Sérgio Oliveira. Pura e simplesmente não há ninguém que apresente um nível comparável ao que, por exemplo, permitiu a Domingos e Vítor Baía a transição directa dos juniores para os seniores.
Que saudades dos tempos de António Feliciano e Costa Soares, em que não havia milhões para desbaratar, nem projectos com "visão", mas havia dedicação e um trabalho de base que produzia juniores como Gomes, João Pinto, Quinito, Jaime Magalhães, Rui Barros, Fernando Couto, Baía, Domingos, Sérgio Conceição e tantos outros jogadores com uma qualidade acima da média e cultura portista garantida.
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