O FC Porto vai ser campeão.
Depois de um dos mais inacreditáveis "roubos de Igreja" que a Invicta já viu a convição não podia ser mais forte. Pedroto estaria pouco surpreendido ao descobrir que mais de quatro décadas depois da sua mítica expressão ter dado à luz, tudo continua igual e a impunidade grassa sobre o futebol português. As pistas estavam lá, nos jogos do Benfica e, sobretudo, nos jogos do Porto. Um ano mais uma equipa sem ideias, sem futebol, sem talento e sem treinador, em condições normais, chegaria a Dezembro fora da corrida do título como lhe aconteceu dezenas de vezes (e aos vizinhos do lado) durante os anos noventa e dois mil. Mas estamos na era do Vieirismo, da amizade com os poderes do governo, da justiça e da polícia, dos relatórios secretos sobre os árbitros, dos sms com mensagens comprometedoras, da espionagem sobre o presidente da Federação e afins, a era dos Guerra, dos Marinho e da impunidade absoluta. E por isso mesmo, um ano mais, uma equipa vulgar, colocada no seu devido sítio na Europa, onde tudo isso vale zero, está a três três pontos da liderança e bem dentro da corrida. E vai continuar a estar, por muito mal que joguem. Porque é imperioso que estejam. Porque este Portugal, "pos-democrático", é mais salazarista e centralista que o Portugal contra o qual Pedroto lutou e denunciou. E essa realidade, por muito que se denuncie em prime-time, não se apaga com um sopro de vento. Será preciso outro terramoto para varrer a escumalha que nos meandros do futebol português adultera, ano atrás ano, a competição. Até lá estes "roubos de Igreja" vão continuar a ser frequentes e a sobranceria dos Vitória, jactando-se da sua própria incompetência, agradecendo aos VAR que ficam calados quando devem falar. Dos golos limpos anulados. Das mãos que são peito ou dos peito que são mãos. Dos empurrões, cuspidelas e socos aleivosos. A isso pode agradecer Vitória, que de futebol entende tanto como de matraquilhos, ter saído vivo de uma caldeira que estava preparada para cozer o Polvo mas que se encontrou com tentáculos que ainda são mais fortes do que podemos imaginar. Tentáculos que, ainda assim, serão insuficientes em Maio.
Porque o FC Porto vai ser campeão.
Contra os "roubos de Igreja" e também contra os "roubos de carteira". Ler entrevistas ou declarações inoportunas e oportunistas de Pinto da Costa tornou-se num dos melhores exercícios de stand-up comedy de Portugal. Há uns tempos queixou-se de que Lopetegui, o treinador que tanto elogiou na imprensa internacional e que lhe convenceu até a comprar Ferraris que hoje, vê-se, são Corsas noutras paragens, não era treinador para ganhar, ao contrário de Conceição. Também disse, algures no tempo, porque ao ouvir Pinto da Costa o tempo perde dimensão e lógica, como se fosse uma Matrix, que qualquer treinador seria campeão com os "Falcão, Hulks, James" e companhia, numa bicada seguramente aos Villas-Boas e Vitor Pereiras - os últimos treinadores campeões nacionais, é preciso lembrar - e que ser campeão com um plantel actual é que era. Pois era. Vitor Pereira saiu em 2013 do FC Porto. Há quase cinco épocas. Nesse espaço de tempo essa sumidade elegeu como treinadores nomes distintos, perfis distintos e com mentalidades distintas. Deu-lhes jogadores pedidos, deu-lhes jogadores que não queriam mas que tinham de ter e foi vendendo os anéis. Dos dedos, dos colares, da alma. Foi estripando o FC Porto, abrindo-o por dentro e sacando, gota atrás de gota, o sangue. O FC Porto, o mesmo clube que durante uma década foi considerado um exemplo de gestão, sobretudo como comprava muito barato, vendia muito caro e mantinha uma boa prestação desportiva, hoje está sob a alzada da UEFA. Não pode gastar nem um cêntimo sem avisar, não pode cometer nenhuma loucura, não pode investir sem somar, subtrair e contar com muitos dedos os números. Durante estes quatro anos e meio sem títulos o Porto vendeu tudo e não ficou com nada, salvo Brahimi, que ninguém parece querer, felizmente, e Herrera, que ninguém parece querer, infelizmente. Já vendeu jogadores com um ano de casa, da formação, sem sequer garantir o 100% da sua mais valia e já vendeu apostas falhadas e logradas. O que não conseguiu foi investir bem porque o supra-sumo das declarações inoportunas, seguramente com a cabeça e o corpo metido noutro lado, perdeu tudo aquilo que o ligava á sanidade da gestão futebolistica. E a carteira do FC Porto foi sendo "roubada", desde dentro, e o dinheiro ganho, as transferências milionárias, foram desaparecendo num buraco onde já cabe o Dragão e, daqui a nada, o azul e branco se for preciso. Ontem, num jogo decisivo, Sérgio Conceição, um homem que faz milagres mas a quem não se pode pedir sempre o impossível, realmente não podia deixar de olhar com inveja para os que o precederam. Os que tinham na área a jogadores como Derlei, McCarthy, Lisandro, Falcão, Hulk, Jackson ou André Silva e não Moussa Marega. Há uns tempos atrás escrevi que Marega era o exemplo desta equipa e nada pode ser mais certo. Todo o querer do mundo e toda a dificuldade do mundo incluídas num jogador que dá 200% mas que há coisas que não pode dar. A culpa nunca será sua. A culpa é de quem foi sangrando o clube a ponto de que tenha de lutar contra o maior rival de sempre, o Polvo, com Marega, com Otávio, com Aboubakar e com Herrera quando durante uma década teve jogadores de um nível muito superior, cujo dinheiro das vendas foi mal gasto, negócio atrás negócio, para não falar naquele que, misteriosamente, desapareceu e foi parar a outras mãos. Ontem o FC Porto mediu-se nu contra o Polvo. Despido por quem devia ter procurado dar-lhe o melhor traje de batalha e o despojou das armas. Conceição, os seus e os adeptos no Dragão foram à luta na mesma, porque esse é o nosso ADN, e lutou com os punhos e com a alma. E ganharão, ganharemos, esta batalha. Contra tudo e contra todos, inclusive contra aqueles que nos despiram e nos deixaram nus para, mais á frente, virem reclamar os despojos e o traje do imperador.
O FC Porto vai ser campeão.
Contra tudo e contra todos. Dentro e fora. Salvo o plantel - um exemplo de atitude mesmo quando o talento e a capacidade individual não dá para mais - e o treinador, o motor desta recuperação espiritual de uma ideia de Porto perdida desde a época das vacas gordas, contra tudo e contra todos. Contra os interesses da capital, os negócios ocultos da trama e os tentáculos nas esferas do poder. Contra as manobras rasteiras de Alexandre, contra a ressaca do "Anterismo", contra os interesses dos Teixeiras. Contra o vitimismo dos Vieira e dos Carvalho, contra a violência dos Fejsa e os braços de Luisão. Contra os fundos que andam a apropriar-se, pouco a pouco, do futuro do clube, os que hipotecaram o estádio e o negócio com a Altice e os que fizeram com que a UEFA tivesse direito para apresentar-se à porta a pedir contas. Contra o VAR calado do Polvo. Contra o silêncio oportunista de Pinto da Costa. Contra tudo e contra todos. Campeões.
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sábado, 2 de dezembro de 2017
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Roubalheira à distância
Se há algo de característico no Português da Diáspora (ou vulgo emigrante caso preferirem) é o sentimento contraditório de querer ver o seu país melhorar e, ao mesmo tempo, não querer que mude (pelo menos muito). Nada pior do que voltar à terrinha e sentir-se como um peixe fora de água. As referências culturais mudam, ao zeitgeist político é difícil tomar-lhe o pulso, e claro, os amigos crescem, evoluem e um gajo quer voltar a retomar amizades de há 10 ou 15 anos mas as coisas não são tão fáceis assim.
Serve este pequeno preâmbulo para dizer que pelo menos há uma constante no futebol, e essa constante é a impunidade do clube do regime. Não, não me refiro ao regime pré-25 de Abril. O regime é actual, é este. É o regime que desenvergonhadamente permite ao clube do eufemismo amealhar pontos com as ajudas dos árbitros. Não vou estar a enumerá-las jornada a jornada. Isso seria interessante para os mais desatentos há uns 2 ou 3 meses atrás. Agora é por demais evidente que há que manter o clube do regime com uma vantagem confortável.
Se não conseguem ganhar contra 11, não há crise, arranja-se maneira de jogarem contra 10 ou até 9 se for preciso. Se o adversário marca golo e empata o jogo há que anulá-lo. Penalties a favor do adversário? Qual quê! E o jogo contra o Paços é só a excepção que confirma a regra. Vão defrontar um clube complicado? Amarela-se à grande e à francesa na jornada anterior. Os truques são variados mas o que mais espanta é a regularidade das ajudas ao clube do Andor. Eu vejo futebol há 30 e tal anos e nunca vi nada igual.
Sim, o Porto já foi campeão com erros a favor, mas praí em 2 ou 3 jogos por campeonato. Mas nunca foram os únicos beneficiados. Este campeonato da mentira é algo nunca antes visto. É mais que evidente que o campo inclinado a favor do Benfica é essencial para que sejam campeões. Mesmo com 10, 11 ou 12 jogos (já nem sei) com casos polémicos a beneficiá-los, chegamos à 23ª jornada em que caso o líder tivesse perdido o jogo no Dragão e estaria em segundo lugar.
Posso estar longe mas se cheira mal é porque é merda de certeza.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Factos públicos e notórios
No mundo do Direito, é regra que "quem alega um facto, tem o encargo de o provar".
No entanto, todas as regras têm excepções.
Na verdade, há factos que falam por si. Além de dispensarem qualquer prova, também dispensam a sua alegação. As partes nem sequer carecem de fazer referência aos mesmos, porque podem ser considerados pelo Juiz para a decisão de uma determinada causa.
A estes factos chama a lei de processo, factos notórios.
Por exemplo, ninguém precisa de alegar ou provar que o sol existe, ou que o dia tem 24 horas, porque essas realidades são incontestáveis.
Ora, neste campeonato 2014/2015, o facto de o SLB estar a ser clara e escandalosamente beneficiado tornou-se já num facto público e notório. Ao fim de mais de 20 jornadas, torna-se, por um lado, desnecessário alegar que o SLB tem sido completamente levado ao colo pelas arbitragens (jornada após jornada), e, por outro lado, já os próprios adeptos do SLB se aperceberam da inutilidade de refutar a existência desse favorecimento: seria como negarem a existência do sol (coisa que apenas se espera do Rui Gomes da Silva).
Em abono da verdade, é bom que isso seja invocado. Mas é tão escandaloso, que essa invocação não é, em rigor, necessária.
domingo, 21 de dezembro de 2014
“Eles” [os árbitros] não deixam…
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| Fora-de-jogo (descarado) de Maxi Pereira precede golo do SLB (clicar na imagem para ampliar) |
“Já estivemos a ver [o golo do Benfica]. É um lance irregular e é uma pena perder assim. (…) Eles [encarnados] só marcaram num golo irregular. ”
João Vilela, jogador do Gil Vicente
“(…) mostrámos qualidade e sofremos um golo em fora de jogo (…) Fechámos bem, com a nossa estratégia, e o Benfica só marcou em fora-de-jogo”
Gabriel, jogador do Gil Vicente
“Esse lance [o golo do Benfica, precedido de um claro fora-de-jogo] determina o jogo, é muito evidente. Perdemos o jogo, é claro que condiciona. Não me quero debruçar sobre o lance. Vi as imagens, o auxiliar estava bem posicionado e devia ter assinalado.”
José Mota, treinador do Gil Vicente, durante a conferência de imprensa
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| O JOGO, 22-12-2014 |
Nuno Travassos, Maisfutebol
«Frente ao último classificado da prova, o líder Benfica esteve particularmente desinspirado e acabou por valer um golo irregular para arrecadar o 12.º triunfo da prova e manter a vantagem de seis pontos para o FC Porto no encerramento da Liga em 2014. (…) Numa partida sem grandes motivos de interesse, os mais de 40 mil adeptos que resistiram ao frio nas bancadas da Luz não tiveram direito a uma prenda natalícia mais convincente da sua equipa. Mas tiveram mesmo assim um brinde da arbitragem, que não assinalou um fora-de-jogo no lance do golo de Nico Gaitán, aos 30’.»
Paulo Curado, PÚBLICO
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Perante o que se passou no SL Benfica x Gil Vicente de hoje (e de mais 2 pontos que o clube do regime ficou a dever a um erro grosseiro de arbitragem), vou concluir com o mesmo texto que utilizei na passada sexta-feira (na sequência da eliminação do SL Benfica da Taça de Portugal), num artigo – Um campeão banal – que terminei da seguinte maneira:
E é por estas e por outras, que eu considero que será muito, muito, muito difícil o SLB perder a liderança do campeonato porque, parafraseando novamente Jorge Jesus (da vez em que foi ao estádio da Luz como treinador do SC Braga), “eles” (os árbitros) não deixam…
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
O Vitaliy russo e o Duarte lisboeta
Ao minuto 90’+2 do recente Schalke 04 x Sporting, numa altura em que o jogo estava empatado (3-3), o árbitro assinalou um penalty inexistente a favor da equipa alemã, por pretensa mão do defesa sportinguista Jonathan Silva (a bola bateu-lhe na cara).
O Schalke ganhou o jogo por 4-3 e, como seria de esperar, entre os calimeros caiu o Carmo e a Trindade, a começar pelo treinador que diz que não fala de arbitragens, mas que, pelos vistos, protesta (e de que maneira!) com os árbitros, mesmo que seja preciso comunicar por gestos…
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| Marco Silva e os árbitros russos, no final do Schalke 04 x Sporting |
Como seria de esperar, sempre que o prejudicado é um dos clubes da 2ª circular, não foi só o universo sportinguista a decretar o “luto desportivo”. A comunicação social lisboeta não ficou atrás e, qual Auto de Fé, “crucificou” a equipa de arbitragem russa na praça pública.
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| A BOLA, 22-10-2014 |
Entretanto, com o clima de contestação a crescer hora a hora, soube-se ontem (através do Schalke 04) que os leões terão solicitado à UEFA a repetição do jogo ou, em alternativa, o pagamento do prémio referente ao empate (500 mil euros).
Tudo isto faz-me sorrir, até porque lembro-me, perfeitamente, de um erro de arbitragem muito parecido, que também ocorreu nos instantes finais de um jogo disputado na Amadora, em 26 de Setembro de 2007, para a 3ª Eliminatória da Taça da Liga 2007/2008.
Quando esse Estrela Amadora x SL Benfica entrou no período de descontos, a equipa encarnada, na altura treinada por José António Camacho, estava a perder por 0-1 e na iminência de ser eliminada.
Contudo, tal como em Gelsenkirchen na passada terça-feira, ao minuto 90’+2, o árbitro, um tal de Duarte Gomes (conhecem?), assinalou um penalty fantasma a favor da sua equipa do coração, por pretensa mão de Maurício, num lance em que o defesa da equipa da Amadora cortou a bola com… a cabeça.
Evidentemente, quer o treinador, quer os jogadores do SL Benfica não se importaram com esse clamoroso erro da equipa de arbitragem e, chamado à conversão do penalty, o norte-americano Freddy Adu não se fez rogado, marcou o golo que deu o empate (1-1) e levou a decisão da eliminatória para a marcação de grandes penalidades (tendo o Benfica eliminado o Estrela, por 5-4 nas gp).
No dia seguinte (27-09-2007), o árbitro Duarte Gomes, em declarações ao site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, veio a público fazer o mea culpa, pelo penalty assinalado a favor do SL Benfica, em tempo de descontos, e que permitiu aos encarnados seguir em frente na Taça da Liga:
“Perante as evidências que resultam do visionamento das imagens televisivas reconheço que houve um claro erro de arbitragem”
“Pelo momento do jogo em que aconteceu e pelas características da competição, [a decisão] teve consequências que fazem com que pese ainda mais sobre a equipa de arbitragem”
“… é tempo de todos os intervenientes do jogo perceberem que os árbitros não são seres infalíveis e estão em campo durante 90 minutos a tomar dezenas de decisões em fracções de segundo”
Sabem o que é que aconteceu ao árbitro Duarte Gomes?
Nada!
Ninguém, desde jornalistas a dirigentes da arbitragem, passando por jogadores e treinadores o “crucificou” publicamente (até houve quem o elogiasse, por ter tido a coragem de assumir o erro da equipa de arbitragem).
E, após este caso, o senhor Duarte Gomes continuou tranquilamente a roub…, perdão, a arbitrar como muito bem sabe nos relvados portugueses e, claro, manteve o estatuto de árbitro internacional e as respectivas mordomias.
Por isso, tenho um recado para todos, principalmente jornalistas, que estão indignados com estes árbitros russos: deixem de ser hipócritas!
P.S. Li, algures, um idiota a explicar o penalty mal assinalado na Alemanha, como sendo consequência da interferência da máfia russa. Seguindo o mesmo raciocínio, em Portugal, os roub..., perdão, os erros clamorosos de arbitragem serão consequência da máfia do Seixal?
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Em memória de Pedroto
Há 37 anos atrás, em 1977/78, uma dupla carismática, constituída pelo chefe do Departamento de Futebol e pelo treinador do Futebol Clube do Porto, tiveram de lutar muito fora do campo para que, dentro das quatro linhas, fosse possível a uma grande equipa azul-e-branca interromper um longo jejum de 19 anos.
“FC Porto campeão? Depende dos árbitros”, afirmou José Maria Pedroto de forma desassombrada, e Pinto da Costa (na altura chefe do Departamento de Futebol) acrescentava: “O critério de nomeação dos árbitros, se não é uma palhaçada, o que é que é?”
Estávamos no pós 25 de Abril e, no final da década de 70, Pedroto proferiu um conjunto de frases históricas contra o “polvo” que dominava o futebol português, denunciando o sistema herdado do antigamente, frases essas que haveriam de perdurar por muitos anos:
“É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes em Lisboa”
“Um campeonato ganho pelo FC Porto vale por dois ou mais dos clubes de Lisboa”
“Verifica-se um estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica”
“Temos de lutar contra os roubos de igreja!”
Era assim, sem papas na língua, que o grande Zé do Boné colocava os nomes aos “bois”. Sem falinhas mansas, sem se preocupar com o politicamente correcto, na defesa do Norte e do seu muito amado Futebol Clube do Porto.
Se, quase 40 anos depois, a maior parte das frases de Pedroto continuam a ser perfeitamente actuais, há uma que está mais actual do que nunca:
“Quanto a árbitros, em casa serve qualquer um. Fora convém que seja um bom árbitro”
Vejamos o que se está a passar neste campeonato, com as deslocações do SLB e do FC Porto…
24-08-2014, 2ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bessa (Porto)
Aos 83’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o boavisteiro Brito marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor Marco Ferreira.
12-09-2014, 4ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bonfim (Setúbal)
Aos 19’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o jogador sadino Giovani marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor João Capela.
14-09-2014, 4ª jornada, deslocação do FC Porto ao Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães)
Os “roubos”…, perdão, os erros do trio de arbitragem liderado pelo senhor Paulo Baptista, que prejudicaram, de forma clamorosa, o FC Porto, são claros e estão perfeitamente documentados.
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| Vitória Guimarães x FC Porto, Tribunal O JOGO |
Perante todos estes casos, perante este reiterado “estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica”, o que disseram os responsáveis do FC Porto?
Nada!
Vejo com muita preocupação este silêncio de Pinto da Costa, de Antero Henrique e da estrutura do FC Porto.
O que ganhamos em ser bem comportados e compreensivos com os sucessivos “erros” das arbitragens?
Há quem tenha memória curta, mas eu lembro-me bem de quatro deslocações na época passada – Estoril, Benfica, Sporting, Nacional – em que, com a influência de “roubos”…, perdão, erros de arbitragem, foram subtraídos ao FC Porto 9 a 11 pontos!
E chamo à atenção que a próxima deslocação do FC Porto para o campeonato é já daqui a 11 dias, ao estádio de… Alvalade.
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domingo, 14 de setembro de 2014
Os homens de vermelho
Há 40 anos atrás, o grande José Maria Pedroto, que nunca teve medo nem papas na língua, denunciava, e muitíssimo bem, os roubos de igreja de que o FC Porto era alvo.
Hoje, no final de uma autêntica roubalheira em Guimarães..., perdão, de um "jogo muito bem disputado" em Guimarães, os jogadores do FC Porto foram, amistosamente, cumprimentar os senhores de vermelho e, quer na flash interview, quer na conferência de imprensa que se seguiu, o treinador do FC Porto, muito compreensivo, disse que os árbitros se equivocaram, mas que ele também se equivoca todos os dias.
Eu não sei o que a estrutura do FC Porto disse ao senhor Lopetegui, mas se vamos fazer o papel de bons rapazes, se vamos levar e dar a outra face, digo já que podem esquecer o campeonato porque, assim, não vamos lá.
E não vamos fazer de conta (eu, pelo menos, não vou). Esta tarde, em Guimarães não houve "apenas" um golo mal anulado ao FC Porto, como já ouvi para aí dizer.
Comecemos pela 1ª parte. Ao minuto 31, houve uma falta clara sobre Brahimi, que deveria ter dado origem a um penalty a favor dos dragões e, em simultâneo, o Vitoria de Guimarães deveria ter passado a jogar com menos um jogador (Defendi deveria ter sido expulso).
No insuspeito website do Record, no acompanhamento do jogo ao minuto, escreveram o seguinte:
«31': Yacine Brahimi (FC Porto) apareceu sozinho, na cara de Douglas, e atirou-lhe a bola para os braços. Defendi puxou o extremo portista que se se deixasse cair dentro da área, seria certamente grande penalidade...»
Convém lembrar que neste tipo de lances, nos lances para grande penalidade, não se aplica a lei da vantagem.
Ainda na 1ª parte, após a paragem originada por distúrbios provocados pelos adeptos vitorianos nas bancadas, Cafu desvia a bola com o braço dentro da área vimaranense.
Penalty a favor do FC Porto? Não, o senhor Paulo Baptista (a camisola vermelha que vestiu hoje fica-lhe tão bem...) mandou seguir.
Finalmente, na terceira situação para penalty a favor do FC Porto, o senhor Paulo Baptista achou que já era demais e lá teve de apontar para a marca dos 11 metros (era muito complicado deixar passar um lance em que Brahimi é agarrado durante uns 5 ou 6 metros...). Contudo, 8 minutos depois, quiçá para "equilibrar as contas", o senhor Baptista assinalou um penalty contra o FC Porto, por uma pretensa falta de Jackson Martinez.
Já vi este lance varias vezes e não consigo descortinar qualquer falta.
Talvez por isso, no Maisfutebol, na crónica do jogo, acerca deste lance escreveram o seguinte:
«Pénalti, gritou-se no estádio. Paulo Batista hesitou, mas apontou para o marca de grande penalidade, vendo, talvez, um toque no calcanhar do médio vitoriano. Bernard empatou.»
Pois, talvez tenha sido mais um lapso, mais um equivoco do benfiquista..., perdão, do senhor árbitro de Portalegre no jogo de hoje, sempre, sempre, sempre em prejuízo do FC Porto.
Para fechar em beleza a sua actuação, três minutos depois do penalty inventado... perdão, assinalado contra o FC Porto, os senhores de vermelho decidiram anular um golo limpo a Brahimi.
Já não via uma arbitragem destas, num jogo do FC Porto, desde um célebre Gil Vicente x FC Porto, arbitrado pelo nosso conhecido Bruno Paixão.
Por isso, por tudo isto, recuso-me a dizer uma única palavra sobre as escolhas de Lopetegui ou a actuação dos jogadores portistas no jogo de hoje.
Hoje, o FC Porto perdeu dois pontos em Guimarães, mas não os perdeu de forma natural. O FC Porto foi espoliado de dois pontos em Guimarães, porque o trio vestido de vermelho assim quis. Ponto final.
P.S.1 O árbitro auxiliar que anulou o golo a Brahimi (como se chama este senhor?), não se limitou a "errar" nesse lance. Ele foi "coerente" e, durante a 2ª parte, quando os dragões ameaçavam marcar a qualquer instante, este senhor, qual libero do Vitória, levantou (erradamente) a bandeirola três vezes, interrompendo esses lances de ataque do FC Porto.
P.S.2 É muito mais penalty um lance de Traoré sobre Quintero (obstrução com contacto), que Paulo Baptista não assinalou, do que o penalty que foi assinalado contra o FC Porto e que resultou no empate final.
P.S.3 Numa 2ª parte que teve 6 substituições (a última já em tempo de descontos), um sururu provocado por um encosto de cabeça entre Tomané e Maicon, 9 cartões amarelos (e as consequentes paragens) e duas "lesões" do guarda-redes vimaranense, o vermelhusco... perdão, o árbitro Paulo Baptista deu 3 minutos de desconto...
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