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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os jogadores emprestados pelo FC Porto (I)


"Recebo por inteiro do FC Porto, mas lido todos os dias com os problemas dos meus colegas [do Vitória de Setúbal] no balneário. E garanto que não tem sido fácil..."
Bruno Gama, 05/05/2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jornalismo de sarjeta no PUBLICO


O estranho caso do minuto 58
por Luís Octávio Costa, PÚBLICO, 26/04/2009

«Minuto 58 do FC Porto-Vitória de Setúbal. De uma assentada, Leandro Lima e Bruno Gama foram substituídos por dois colegas de equipa. Coincidência ou não, Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Setúbal, estavam a ser os dois jogadores mais perigosos dos sadinos. Coincidência ou não, o jogo que estava empatado ganhou outra vida quatro minutos depois com o primeiro de dois golos de Lisandro (2-0). O tiro no pé de Carlos Cardoso deu uma segunda vida ao campeão nacional.

Alguém quer explicar a substituição? Pontaria de Carlos Cardoso, que na véspera até vaticinara uma “gracinha”? Sorte de Jesualdo Ferreira, que via o placard a andar para trás? “Com a saída dos dois jogadores, o FC Porto passou a ter mais espaço e mais linhas”, respondeu Jesualdo. “Já não atacavam com a mesma intensidade”, justificou Carlos Cardoso.

Antes de o jogo começar, os portistas aplaudiram a entrega a Bruno Alves do troféu A Bola/BES, que premeia o melhor dos três grandes no campeonato nacional. No final, aplaudiram Lisandro, autor de dois golos à ponta-de-lança que deixam o FC Porto com o avanço do costume. Pelo meio, aos 58’, fez-se silêncio no Estádio do Dragão, estupefacto com a sorte que lhes calhara na rifa.

Houve claramente um antes e um depois “minuto 58”. Antes, o ataque do FC Porto resumia-se a dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’). Antes, o FC Porto tinha tido dois bons períodos de pressão, mas inconsequente. Antes, falava-se da falta que fazia uma cabeça (de Lucho) no meio-campo e músculo (de Hulk) na frente de ataque. Antes, o Setúbal era uma equipa modesta e humilde, mas concentrada e com Auri a varrer tudo lá atrás. Antes, Leandro Lima e Bruno Gama tinham tido a ousadia de invadir a área portista (e aos 40’, o português, com o consentimento de Tomás Costa, até podia ter marcado). (...)»

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Os meus parabéns ao senhor Luís Octávio Costa (LOC), que mostrou uma coragem assinalável ao escrever um artigo digno de um qualquer Querido Manha, José Manuel Delgado, Rui Cartaxana ou Leonor Pinhão. Não é para qualquer um. Aliás, não me surpreenderia que, a curto prazo, este novo “craque do jornalismo desportivo” estivesse a assinar pela ‘A Bola’ ou por um dos jornais da Cofina.

Mas para além do “estranho caso do minuto 58” e das insinuações e suspeições octavianas subjacentes (vocês sabem do que eu estou a falar...), há outras estranhezas que talvez o senhor LOC nos possa ajudar a esclarecer.

1º) Sendo Leandro Lima e Bruno Gama jogadores emprestados pelo FC Porto, porque razão os dirigentes azuis-e-brancos permitiram que eles jogassem um minuto sequer contra o clube que lhes paga os salários? Se não quisessem que eles jogassem, não teria sido facílimo arranjar uma mialgia ou uma qualquer indisposição gástrica?
Provavelmente o Pinto da Costa esteve a dormir a semana toda e só acordou ao minuto 58...
Terá sido isso senhor LOC?

2º) Na 2ª parte o FC Porto entrou em campo com outra atitude e rapidez, o que foi visível para todos aqueles que viram o jogo com os olhos abertos (terá sido o caso do senhor LOC?). A prova disso é que nos primeiros sete minutos a seguir ao intervalo houve três lances perigosos para a baliza do Setúbal - segundo o próprio LOC, “dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’)”.
Nessa altura o Leandro Lima e o Bruno Gama ainda estavam em campo? Ah estavam, e não conseguiram “esticar o jogo” evitando que o FC Porto criasse estas três situações de golo?
E, já agora, quantas jogadas de perigo é que esta dupla maravilha criou na 2ª parte até serem substituídos? Zero? Hum, não será estranho senhor LOC?...

3º) Ao ver o FC Porto criar mais perigo nos primeiros minutos da 2ª parte do que em toda a 1ª parte, a intenção de Carlos Cardoso não terá sido reforçar a equipa com jogadores frescos e de perfil mais defensivo, de modo a evitar que os dragões fizessem aquilo que estavam a ameaçar, isto é, quebrassem a muralha sadina?
Terá sido por isso que, no final do jogo, Carlos Cardoso afirmou: "O F.C. Porto estava a atacar muito pelos laterais, e eles [Leandro Lima e Bruno Gama] tinham de os acompanhar. Por isso já não conseguiam atacar como deviam. Pensei que com as alterações pudessem travar essas subidas dos laterais do F.C. Porto e poderia dar hipótese a um jogador do centro para entrar mais pelo meio no apoio ao Carrijo".
Correu mal? Pois correu, como acontece à esmagadora maioria das estratégias dos treinadores do campeonato português quando jogam contra o Tri-campeão nacional.
Ou, na opinião do senhor LOC, o melhor teria sido o treinador do Setúbal aproveitar o balanceamento ofensivo do FC Porto e reforçar o ataque (com que jogadores não se sabe, mas para as suspeições subjacentes isso também não interessa...), jogando taco-a-taco no Estádio do Dragão?

4º) Terão sido as substituições ao minuto 58 que, quatro minutos depois, impediram Auri de continuar “a varrer tudo lá atrás”? Às tantas as substituições afectaram psicologicamente o Auri e só por isso é que o Lisandro lhe deu um nó cego e marcou espectacularmente o 1º golo. Terá sido isto senhor LOC? Aposto que sim...

5º) A possibilidade de haver alguma marosca por trás do “estranho caso do minuto 58” pressupõe, entre outras coisas, a conivência e colaboração activa do treinador sadino, um homem de 64 anos, com um enorme passado no futebol português e, particularmente, no seu Vitória de Setúbal (onde é uma espécie de faz tudo e treinador de recurso para as situações mais aflitivas).
Será que o senhor LOC se lembrou disto, antes de escrever a crónica vergonhosa e rasteira do FC Porto x Vitória de Setúbal, publicada no jornal PÚBLICO de hoje?

6º) Em Janeiro passado, o Vitória de Setúbal veio jogar ao Estádio do Dragão para a Taça da Liga, tendo perdido por 1-2. Nesse jogo os sadinos beneficiaram de duas grandes penalidades, tendo Leandro Lima concretizado a primeira e falhado a segunda o que, claro está, motivou as habituais insinuações e suspeições.
Isto é assim: se os jogadores emprestados jogarem contra o FC Porto, isso é suspeito; se não jogarem é ainda mais suspeito; se jogarem de início e forem substituídos isso é altamente suspeito.
Perceberam ou querem que eu faça um desenho?
Bem fez o SLB na semana passada, não permitindo que o Zoro jogasse contra eles (ah, pois, estava lesionado...)


Se, contra tudo e contra todos, o FC Porto revalidar o seu titulo de Campeão Nacional, é desta que os Rennies vão esgotar...

domingo, 14 de setembro de 2008

Os Sub-21 do FC Porto

Ao perder com a Inglaterra em Wembley, por 0-2, a Selecção Nacional de Sub-21 hipotecou desde logo as possibilidades de se apurar para o play-off de qualificação do Europeu de Sub-21 que se vai disputar no próximo ano.
Na passada terça-feira veio a confirmação dessa ausência, na sequência de mais uma má exibição e do empate em casa (2-2, depois de estar a ganhar por 2-0) contra a Irlanda.

Apesar destes dois jogos, em que desiludiu e ficou muito abaixo das expectativas, a Selecção de Sub-21 reúne um conjunto de jogadores promissores (alguns são quase certezas), entre os quais se destaca um lote alargado com vinculo contratual à FCP SAD.
Quem são?

Nuno André Coelho
Nome completo: Nuno André da Silva Coelho
Data de nascimento: 07/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,90m
Posição: Defesa-central
Formação: Penafiel (concluída no FC Porto)
Clubes: FC Porto B, Maia, Standard de Liége, Portimonense, Estrela da Amadora

Castro
Nome completo: André Castro Pereira
Data de nascimento: 02/04/1988 (20 anos)
Posição: Médio Centro (médio defensivo)
Formação: no FC Porto desde os Infantis
Curiosidades: Sócio do FC Porto desde os 3 anos de idade
Clubes: FC Porto, Sporting Clube Olhanense


Pelé
Nome Completo: Vítor Hugo Gomes Passos
Data de Nascimento: 14-09-1987 (21 anos)
Altura: 1,87m
Posição: Médio defensivo
Formação: Salgueiros, Benfica, V. Guimarães
Clubes: V. Guimarães, Inter Milão, FC Porto
Contrato: 2011/12

Paulo Machado
Nome completo: Paulo Ricardo Ribeiro Jesus Machado
Data de nascimento: 31/03/1986 (22 anos)
Posição: Médio Centro
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Estrela da Amadora, União de Leiria, Leixões, Saint-Etienne
Contrato: 2009/10


Vieirinha
Nome completo: Adelino André Vieira Freitas
Data de Nascimento: 24/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,71m
Posição: Extremo direito/esquerdo
Formação: Vitória de Guimarães, FC Porto (foi contratado pelo FC Porto ainda com idade de júnior)
Clubes: FC Porto B, FC Marco, FC Porto, Leixões, PAOK Salónica
Contrato: 2009/10

Bruno Gama
Nome completo: Bruno Alexandre Vilela Gama
Data de nascimento: 15/11/1986 (22 anos)
Posição: Extremo (mas na formação jogava como ponta-de-lança ou como "número dez")
Formação: Sporting de Braga (a FCP SAD contratou-o por 750 mil euros mais o passe do Cândido Costa)
Curiosidades: No dia 10 de Abril de 2004, com apenas 16 anos, estreou-se no campeonato português, substituindo Castanheira a 26 minutos do final da partida. O treinador do Braga era Jesualdo Ferreira.
Clubes: Braga, FC Porto B, Braga, Setúbal


Hélder Barbosa
Nome completo: Hélder Jorge Leal Rodrigues Barbosa
Data de nascimento: 25/05/1987 (21 anos)
Posição: Extremo Esquerdo
Formação: FC Porto
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Académica, FC Porto, Trofense

Candeias
Nome completo: Daniel João Santos Candeias
Data de Nascimento: 25/02/1988 (20 anos)
Altura: 1,77m
Posição: Extremo
Clubes: Varzim, FC Porto
Contrato: 2012/13


Nuno Coelho
Nome completo: Nuno Miguel Prata Coelho
Data de nascimento: 23/11/1987 (20 anos)
Altura: 1,83m
Posição: Médio-centro (médio-defensivo)
Formação: Sporting da Covilhã (contratado pela FCP SAD em Janeiro de 2005
Curiosidades: Com idade de juvenil (16 anos) era titular do Sporting da Covilhã, que disputava então a Segunda Divisão B
Clubes: Sporting da Covilhã, FC Porto B, União de Leiria, Portimonense

Ventura
Nome completo: Hugo Ventura Ferreira Moura Guedes
Data de nascimento: 14/01/1988 (20 Anos)
Altura: 1,88m
Posição: Guarda-Redes
Clubes: FC Porto
Curiosidades: No FC Porto desde os 10 anos, Ventura acumulou vários prémios em torneios, entre os quais se destaca o de melhor guarda-redes da Nike Cup 2003, em Sub-15. O guardião viu também ser-lhe atribuído o Dragão de Ouro para Atleta Revelação do Ano de 2006.



Todos estes jogadores são (foram) presença assídua nas selecções nacionais ao longo dos escalões jovens (Sub-16, Sub-17, ..., Sub-21), o que significa que foram considerados os melhores jogadores portugueses em diferentes ocasiões e por diversos seleccionadores nacionais.
Contudo, com a previsivel excepção de Pelé, que chegou ao FC Porto no âmbito do negócio Quaresma (veio do Inter, carago!) avaliado em 6 milhões de euros e, por isso, tem outro estatuto, quantos destes jovens promissores terão uma verdadeira oportunidade para se imporem no FC Porto?

Ao contrário do que acontecia nos anos 80 e início dos anos 90 (relembro os casos de João Pinto, Jaime Magalhães, Bandeirinha, Quinito, Semedo, Fernando Couto, Baía, Domingos, Jorge Couto, Folha, Secretário, Jorge Costa, Rui Filipe), parece que no século XXI ser da "prata da casa" é um ónus que prejudica a afirmação de jovens jogadores na equipa principal. Alguns até já fizeram parte do plantel - Paulo Machado, Bruno Gama, Vieirinha, Castro e Hélder Barbosa - mas não se pode dizer que jogar meia-dúzia de minutos em dois ou três jogos seja uma verdadeira oportunidade.
Parece-me óbvio que não há para estes jogadores a mesma paciência e benevolência de avaliação que existe para jogadores vindos do outro lado do Atlântico, para quem os responsáveis não se cansam de dizer que é preciso dar-lhes tempo para eles se adaptarem...

Naturalmente, nem todos terão espaço e a qualidade necessária para se imporem num clube com as exigências do FC Porto, mas a ideia que fica do que se viu nos últimos anos é que estes jovens jogadores da formação portista, apesar de serem dos melhores de Portugal, estão "condenados" a não convencerem o(s) treinador(es) do FC Porto e, ano após ano, a continuarem a ser emprestados. Para além de ser uma pena, é um enorme desperdício.