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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Unidos, com Sérgio, até ao fim...

Iker Casillas é um dos jogadores mais titulados da História, um jogador que já jogou (e venceu) todas as grandes competições de elite, um dos melhores guarda-redes de sempre - numa lista alargada, é certo - e um homem que sabe liderar, quando quer. Sérgio Conceição não ganhou nem um quinto do que ganhou Casillas, como jogador, mas o seu carácter e liderança sempre foram imagem de marca e desde que passou do relvado ao banco sempre fez da honestidade, do trabalho colectivo e do espírito de grupo, caracteristicas marca da casa da sua filosofia de trabalho. É por isso, sobretudo, que estamos a viver o melhor arranque de temporada dos últimos cinco anos. E é por isso que não nos podemos permitir deixar que um problema interno, de resolução interna, afecte a crença neste projecto, neste grupo e, sobretudo, neste Mister.

Desportivamente Casillas tem tido um papel positivo desde que chegou. Não superlativo - não foi capaz, até agora, de reproduzir o papel de um Mlynarzick ou Schmeichel, por exemplo - mas a sua classe não está nem esteve nunca em discussão. Teve falhos importantes, sobretudo na Champions, mas também momentos de brilhantês que ajudaram a equipa ainda que, no final, por muitos outros factores, os objectivos não fossem alcançados. O melhor exemplo comparativo de Casillas destes últimos três anos seria talvez o do belga Michel PreudHomme, um grande guarda-redes que não foi suficiente para que um mau Benfica fosse competitivo. 
Casillas foi também fundamental no processo de adaptação de vários jogadores jovens e de muitos dos colegas espanhóis - ou com passagem por Espanha - e nesse sentido é uma referência importante no balneário. Sem estar na lista de capitães é um líder, silencioso, como aliás tem sido sempre. Se houve algo que sempre se lhe apontou foi a dificuldade em assumir o papel de máximo líder de grupo. Em Madrid sempre foi ofuscado por perfis superiores, nesse sentido, como eram primeiro Hierro, Raul e até Roberto Carlos ou Guti e mais à frente, já de braçadeira, por Sérgio Ramos ou Alvaro Arbeloa. Na selecção espanhola, da qual foi capitão uma década, também o central de Camas ou jogadores como Puyol ou Xavi, passou o mesmo. Não esperem de ele outra coisa e para alguns treinadores isso é um incómodo porque imaginam que tanta experiência deve vir acompanhado de algo mais, desse plus. O que também sempre faltou a Iker, desde a sua ascensão meteórica, foi o compromisso de dedicação absoluta ao trabalho. Todos os seus treinadores passaram por problemas com a sua implicação com os treinos ou, nalguns casos, nos seus inicios, com a sua vida fora do terreno de jogo. Desde del Bosque a Ancelotti, passando por Capello ou Mourinho, sempre se comentou que a dedicação nos treinos era inferior à exigência do seu posto, que Iker pouco procurava melhorar os seus pontos fracos - jogo de pés ou cruzamentos à área, sobretudo - e que devido ao seu perfil mediático, primeiro com o Real Madrid e com Espanha e logo no Porto, dava demasiadas vezes a sua titularidade por assumida. Esse desleixo custou-lhe vários problemas, a saída do Real Madrid, primeiro, e da selecção espanhola depois. E essa desconexão está agora a provocar um fait-divers que só tem contribuído em ofuscar este brilhante inicio de temporada.



Sérgio Conceição tomou a decisão que se exige a um líder de um vestuário de muitos. Instaurou umas regras e decidiu punir quem entendeu que não as cumpria. Fê-lo sem olhar a nome, apelido, número e salário como corresponde a um líder. O exemplo dá-se precisamente quando se demonstra que ninguém é intocável. 
Desportivamente claro que a equipa sai a perder - José Sá está a anos-luz do pior Casillas, que nem sequer era o que estávamos a ver - mas se Conceição quer manter o grupo unido debaixo de uma ideia, é necessário actuar em consequência. Se este projecto tem sido competitivo é, precisamente, pelo grupo e pelo trabalho de Conceição. Não é pelo talento individual  - que quase não há - não é por nenhuma inovação táctica bestial - o sistema habitual é bastante elementar - e não é seguramente por Casillas. É pelo grupo, pelo espírito restaurado e pela disciplina que nos mantemos altamente competitivos. E isso é o que não se pode perder.
Casillas cometeu um erro. Acontece. Qualquer profissional comete erros. Que seja recorrente na sua carreira é um reflexo do tipo de atleta que é e foi mas não é motivo para criar um drama. Conceição actuou como tem de actuar, como devíamos todos esperar que actue um treinador do FC Porto. Não acredito que tenha feito uma cruz a um jogador importante mas também não quis deixar de marcar posição. Havia uma regra de grupo - reforçada depois do incidente com Aboubakar (que, recordemos, foi apanhado por um telemóvel que não era o seu num directo gravado por um colega, não por ele) e que os jogadores estão a respeitar. O telemóvel em dias de jogo não existe, as redes caladas, a concentração máxima. Desrespeitar uma regra elementar é um erro que deve ser assumido diante do grupo e entre todos passar página. Não é motivo de drama, é motivo de união, ainda mais se for possível, entre todos. Se Iker, com os seus quase vinte anos de carreira e balneários, tiver a humildade de desculpar-se ao grupo e se Sérgio tiver a liderança necessária para saber reforçar essa união, este episódio tem tudo para unir ainda mais o plantel. Se um deles decidir continuar fiel a uma postura inflexível, teremos um problema e José Sá corre o risco de sofrer um dano colateral que não merece. Se for ele o titular este sábado deve ter o apoio de todos. Se não o for deve entender a dificil natureza da sua situação. O que todos esperam é que isto seja um fait-divers e não um ponto de viragem. 

No entanto, uma coisa é certa. Todos os que pediam o "velho Porto", o da cultura de balneário, o de não saltar nada para fora, o do final das vedetas e o de um treinador capaz de fazer grupo, têm de saber que este é o momento para mostrar o verdadeiro apoio ao único homem que tem, dentro da estrutura, lutado pelo regresso a essa realidade. Um Porto onde quem decide é o treinador, nem interesses da SAD ou de agentes externos. Um Porto à Porto. Conceição cumpriu o seu papel - não foi ele que faltou a uma regra de grupo -  e no pior dos casos, se Casillas não demonstrar o arrependimento necessário que a situação exige e o seu afastamento siga, por muito que desportivamente signifique sair a perder, os adeptos devem mostrar o seu apoio incondicional ao homem que tem estado detrás de tudo o bom que tem sucedido desde Julho, desde a recuperação de jogadores ostracizados à recuperação do espírito competitivo e ofensivo de sempre sem esquecer a liderança isolada da liga e a luta pelo apuramento aos oitavos-de-final da Champions (objectivo realista neste contexto presente). Com todo o respeito para Iker - e qualquer jogador que se coloque voluntariamente nessa situação - o orgulho que eu tenho desta equipa, neste momento, tem um responsável principal e não tenho problemas em afirmar, estou com Sérgio, até ao fim.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Charters da Madeira, os nossos novos melhores amigos


Jose Sá. Marega. Dois novos jogadores para serem pagos pelo clube o que não significa, desde logo, que sejam dois novos jogadores para atacar o titulo, a Liga Europa e a Taça como prometeu Peseiro. Chegam (e se calhar já vão) em mais um negócio com um clube assumidamente anti-Porto nos últimos vinte anos e parecem acrescentar pouco, muito pouco, ás necessidades reais do plantel. O fantasma de outros tempos, com uma folha salarial de 60 jogadores dos quais, metade, não servem para nada (Josué foi para Braga por empréstimo, não podia ter servido para trazer Rafa, por exemplo?) é cada vez mais evidente e os negócios deste defeso invernal prometem muito pouco.

Marega estava na terceira divisão francesa há um par de anos. Como Cissokho. 
É um jogador conflituoso, um tanque para bombear as bolas, um jogador habituado ao espaço e ao jogo do contra-ataque (quem viu o Marítimo jogar este ano sabe como é) e que não deu nunca prova de saber jogar em ataque posicional. É um avançado que não encaixa no que o Porto foi ou no que aparenta querer ser (Suk, pelo menos, é um futebolista com mais técnica mas sofre de problemas parecidos). E no entanto, com Aboubakar no mercado, com André Silva á procura do golo ainda e sem avançados goleadores no plantel, foi a opção. Claro que temos duas opções. Ou acreditar em Pinto da Costa ou não. Para os que acreditam nele, Marega foi uma inspiração divina que chegou na noite do jogo com o Maritimo, numa amena cavaqueira com Carlos Pereira, e que depois de uma conversa com o treinador (já saído do balneário, imaginamos) chegaram à conclusão que era "O Homem" a contratar. O jogador (que não simulou sequer querer sair nem nada pelo estilo) foi apanhado totalmente de surpresa porque todos o davam como jogador do Sporting e acabou a noite no Porto a celebrar o momento mais alto da sua vida. Negócios de inspiração divina habitualmente são assim, inesperados. A outra opção é não acreditar em contos da carochinha e entender que o Porto controla bastante quem quer Jesus e tenta antecipar-se sempre que pode e como Marega corria o risco de ser o novo Derley (aquela pérola do Marítimo que Jesus levou para no Benfica esquecer-se dele) havia que minar o negócio e simular inclusive um comportamento do mais vergonhoso - e que tanto criticamos ao Benfica noutros tempos - do jogador que demonstrou ser tudo menos um profissional. Qualquer das versões é válida, cada um acredita no que quer, mas o certo é que nem o presidente do Setúbal falou com Pinto da Costa (ou não sabe quem ele é) nem o negócio Marega parece ter sido cozido ao jantar (sabe-se lá onde jantam). E que Lopetegui, com todos os seus mil e um defeitos, já não pode ser culpado desta aventura como foi, post-mortem, do pobre Suk.

De José Sá basta ler o que foi escrito no Mais Futebol, a opinião do seu descobridor e principal mentor. Aos 23 anos, o jogador que ainda não cumpriu uma só época como titular - e que fez um excelente Euro sub21 como Bruno Vale há uns anos atrás - foi, na palavra do seu técnico, suplantado na formação do Benfica porque Ederson (suplente de Júlio César) e Bruno Varela (terceira opção, emprestado ao Valladolid) eram melhores e mais consistentes do que ele. Como aliás tem sido o francês Salin nos últimos dois anos na Madeira. Em que é que ficamos afinal?
O FC Porto passa de ter o melhor guarda-redes da liga - Hélton - para ir buscar um dos melhores do Mundo - Casillas - ao mesmo tempo que investe como nunca investiu numa das maiores promessas mundiais - Gudiño - e afinal a grande revelação para a baliza é um jogador que, com 23 anos, nunca foi primeira aposta de ninguém porque havia sempre alguém melhor?
É este o nível que se quer da baliza que foi de Zé Beto, Mlynarzick, Vitor Baía ou Helton antes de Casillas? Porque para esse nível não valia a pena ter incomodado o Marítimo. Basta olhar para os guarda-redes que o FC Porto já tem em sua posse e a quem paga os salários, de Fabiano a Bolat sem esquecer Kadu, Andrés Fernandez, Ricardo Nunes e as promessas da equipa B e dos juniores. A lista de guarda-redes que vieram fazer corpo presente, essa, é antiga. E as das jovens promessas à espera também. Desde Hilário que nenhuma agarrou a titularidade e isso que Bruno Vale e Ventura prometiam muito como agora parecem prometer Andorinha e Caio, os suplentes de Gudiño. 
Precisa o FC Porto realmente de Sá ou dava assim tanto receio que um guarda-redes que pode crescer muito mas não é, no presente, uma referência, acabasse nas mãos de Jesus em Alvalade? É Jesus quem dita as politicas de contratação do clube ou é a direcção desportiva? Cada vez temos menos a certeza.
José Sá pode até dar o salto - e sinceramente espero que seja assim - mas para isso vai precisar de acumular minutos e experiência e não vai ser no Dragão. A sua chegada agora ou em Junho é irrelevante mas já Pinto da Costa o disse, o importante é que "já tinha acordo com outro clube". E nós não podemos permitir isso pois não?

Quanto a Carlos Pereira, de quem já tanto aqui se falou, acabará por ser Dragão de Ouro.
Houve poucos dirigentes que fizeram tanto por prejudicar o FC Porto como o madeirense mas agora, subitamente, Pereira parece um velho amigo da alma. Senta-se no gabinete presidencial como se estivesse em casa e tem até direito a elogios de Pinto da Costa. Tempo ao tempo. De momento já tem preferência por Maurício (que anda no Portimonense a pagar favores) e André Silva (pobre André). Entretanto o Marítimo continua a facturar com os desvios de jogadores da ilha para o Dragão - ainda com ponte aérea em Portimão - e a juntar ao dinheiro dado pelo Porto ao que já recebe do governo regional. Assim é fácil gerir um clube sem grandes aspirações e que seguramente merecia mais e melhor.

Terminado o artigo  - e a cinco dias do fecho do mercado - continuamos à espera. 
De reforços digo. De reforços no sentido de reforçar, tal como diz a palavra, o plantel que já existe. Continuamos à espera daquele central a sério que não temos desde Otamendi (e com a saída de Lichnovsky, na prática, não temos nem sequer quatro centrais no plantel). Continuamos à espera do número 10 que ocupe o vértice mais adiantado do novo 4-2-3-1 que Peseiro que implementar e para o qual não há um só jogador no plantel - talvez salvo Evandro - que possa cumprir com essa função ao melhor nível (Quintero está renovado mas longe e com Fonseca não se saiu demasiado bem aí). Continuamos à espera de um extremo rápido e desequilibrante que saiba abrir o campo e ao mesmo tempo explorar o jogo diagonal uma vez que Tello saiu e Hernâni e Ricardo (bem como Ivo, cada vez mais decepcionante) continuam longe e o treinador tem apenas Corona, Brahimi (extremo adaptado) e Varela para essas funções. Continuamos à espera de um matador, um jogador que garante golo e que seja titular no próximo ano uma vez que Aboubakar está à venda segundo todos os indícios e quem chegou não está talhado para a função. 

Portanto, quando houver REFORÇOS avisem porque isso de pagar favores ou desviar jogadores para rivais está muito bem mas em nada beneficia o Futebol Clube do Porto e a sua equipa principal que, recordo, está a disputar ainda três títulos!