André Silva abandona o FC Porto pouco mais de um ano e meio como jogador sénior.
É muito triste que um atleta da casa, portista desde pequeno, um dos nossos melhores produtos da formação em décadas seja empurrado para fora do clube sem sequer poder cumprir dois anos completos de Dragão ao peito. No futebol moderno os jogadores detêm cada vez mais poder e quase sempre decidem se, quando e para onde querem ir. André Silva, como Ruben Neves há duas épocas atrás, não queria sair do seu clube mas acabou vitima de uma gestão tão nefasta que agora o FC Porto nem sequer tem independência na gestão das suas contas. Com a UEFA a observar cada gasto, cada receita, acabaram-se os pretextos para elogiar a "estrutura". Um dos cinco clubes com mais ingressos por vendas de jogadores da última década é hoje um clube forçado a vender ao desbarato, um clube com uma multa em cima que se pode ampliar de ano para a ano e um clube limitado na sua gestão económica e desportiva. O André Silva não merecia ter aparecido como profissional neste FC Porto.
Há muitos críticos do avançado do FC Porto, muitos.
Poucos se lembram seguramente da sua aparição estelar no final do ano passado já, daquela final da Taça de Portugal onde parecia o único a remar contra o desânimo colectivo de um final de época penoso a tal ponto que muitos sonharam com a sua convocatória para o Euro 2016 no lugar de Eder. Ainda bem que não aconteceu. No arranque da nova temporada, com um treinador medíocre e um plantel desequilibrado, sem nenhuma alternativa real para a sua posição - Depoitre não o era - durante meio ano coube-lhe a ele, sozinho, alimentar de golos o Dragão. Nunca um jovem tinha sido tão exposto e nunca um jovem respondeu tão bem. André Silva terminou o ano como o maior estreante goleador numa temporada completa vindo da formação desde os dias do "Bibota" Fernando Gomes. Não é brincadeira falar das suas cifras num primeiro ano que o viu também bater o recorde de precocidade de golos com a camisola da selecção batendo o ratio goleador de estrelas históricas como Eusébio ou Cristiano Ronaldo. Está claro que, dentro da sua faixa etária, André Silva é já um dos melhores do mundo na sua posição e que ia ser um dos activos mais apetecíveis no mercado. Marcou na Champions League, mostrando frieza para anotar penaltis determinantes, e só o desgaste físico de meio ano a correr praticamente só e a falta de arrojo táctico de Nuno, que o preteriu sempre a Soares em vez de encontrar uma forma de os fazer coabitar, passando André demasiados jogos perdidos numa posição que nunca foi a sua, fizeram que as suas cifras fossem baixando à medida que se aproximava Maio. Foi um primeiro ano notável a pedir um segundo ano de máxima confirmação. Um ano que André Silva queria disputar de azul e branco. Quem o conhece sabe do seu portismo, da sua adoração pelo clube, por viver na cidade e por partilhar da aventura com vários amigos de formação e de balneário. Silva quer jogar o Mundial de 2018 e sabe também que sair agora é um risco e ficar um ano mais no FC Porto garantia-lhe a titularidade, os minutos e os golos necessários para manter-se na pole position como parceiro de ataque com Cristiano Ronaldo na equipa das Quinas.
Mas André Silva já não vai estar aqui na próxima época e não por vontade própria.
Fernando Gomes, um homem que trocou a cidade do Porto, o Norte e a luta contra o centralismo por mais um tacho na capital, primeiro no governo e depois numa das empresas para onde saltam os políticos desempregados, surgiu na SAD do Porto de para-quedas, provavelmente como consequência dos muitos favores devidos e por dever. Sem nenhuma preparação, talento ou know-how, passou a ser porta-voz da SAD em muitos assuntos. Quase sempre o que diz é um disparate pegado. Há uns dias acusou NES de ser o responsável das sanções da UEFA. Sim, a Estrutura, aquela que defendia que o FC Porto era um clube gerido como nenhum outro, com um plano cuidado e em que o treinador tinha todas as condições para triunfar (não foi o reeleito Presidente que disse que com Hulks, Falcaos, Jacksons qualquer um é campeão?) deixando a parcela de gestão para quem sabia, agora tem a lata de culpar um homem de um buraco financeiro histórico que obrigou a UEFA a intervir e a castigar com mão pesada o Dragão.
NES pode perfeitamente ter pedido ao clube que não vendesse ninguém no último defeso. Que ia fazer? Pedir que lhe tirassem os únicos bons jogadores que tinha? Que tipo de treinador era capaz de dizer algo assim? E desde quando no FC Porto o treinador tem o poder de negar-se a vender ou jogador ou de impor outro? Adriaanse saiu pela porta fora com um título debaixo do braço porque não podia trazer um avançado do seu gosto. Conceição seguramente queria contar com André Silva. Em ambos casos a SAD disse que essa responsabilidade não era sua. Porque não o fez com NES? Ou então, porque mente?
Talvez os números ajudem a entender.
O buraco actual do FC Porto é histórico. O passivo cresce exponencialmente mas, sobretudo, o que cresce são os gastos em comparação com as receitas. O FC Porto paga cada vez salários mais elevados - ter Maxi Pereira e Casillas custa dinheiro, muito dinheiro - compra cada vez mais caro, vende cada vez menos e com menos percentagem de lucro. Tem uma rede de emprestados que roça as quatro dezenas de atletas, a maioria dos quais com salários pagos pelo clube, tem no Porto Canal um gasto fixo sem sentido e continua a pagar comissões, prémios de final de temporada e "outros gastos" (como gostam de eufemismos os amigos da SAD) muito por cima das suas possibilidades. O buraco, que já vem de 2011, atingiu o fundo e obrigou a UEFA a intervir. Há uma multa a pagar que de 700 mil euros pode chegar quase aos dois milhões (é anualmente ajustada ao cumprimento do acordado), três jogadores menos a inscrever na Champions League quando o clube já nem sequer cumpria o critério de formação local e nunca podia chegar aos 25 o que vai prejudicar o trabalho de Conceição, e ainda a necessidade de vender muito e já para evitar ficar suspenso das provas europeias no final do próximo ciclo de três temporadas. A culpa de tudo isso deve ser sem dúvida de NES. Jamais ninguém entenderia que fosse de Antero Henriques, Fernando Gomes ou, pasme-se, de Jorge Nuno Pinto da Costa, três nomes que tinham em mãos gerir a parcela desportiva e económica neste período desastroso em que o aumento do investimento nem sequer foi acompanhado de um só título desportivo. Livre-nos o senhor e as páginas de Facebook de sequer sugerir algo que não seja a cartilha oficial. NES, maldito sejas!
Nesse cenário, o FC Porto que sempre foi um clube vendedor, não tem outro remédio se não dizer aos seus próprios jogadores que dá exactamente igual o que eles queiram, o que o treinador queira ou o que o adepto sonhe. A debandada vai ser geral. André Silva será o primeiro - e por valor muito abaixo do seu potencial de um mercado inflacionado mas que está condicionado pelo conhecimento geral do buraco nas contas, culpa sua e de NES - mas Conceição sabe que até Agosto o destino do avançado será o mesmo de Brahimi, de Danilo Pereira, de Hector Herrera e provavelmente de Felipe e Miguel Layun estando ainda sobre a mesa o dossier Casillas e o facto do FC Porto não poder pagar a 100% um salário que até agora era, na maioria, suportado pelo Real Madrid. Até Ruben Neves e Corona estão no mercado. Conceição sabe perfeitamente que o seu próximo plantel será composto por jogadores como Marega, Hernani, Soares, André André, Boly, Ricardo Pereira, Rafa Soares, José Sá, Rui Pedro ou Marcano, todos eles futebolistas de grande nível, sem lugar a dúvidas. Se não fosse pelo Dragão e pelo o azul e branco, o técnico poderia até acreditar que tinha regressado ao comando do Vitória de Guimarães ou do Sporting de Braga. A qualidade média do plantel não será muito diferente.
Para um cenário assim contar com elementos diferenciais é fundamental mas o FC Porto de Pinto da Costa já não se pode dar a esses luxos. O cenário é tão dantesco que mesmo a aposta no melhor do que temos na formação agora não garante um ciclo sequer de dois anos. Ruben Neves pode sair e há ofertas pelo imensamente promissor Diogo Dalot que nem sequer a camisola principal vestiu. Os olheiros europeus sabem perfeitamente que é Fernando Fonseca e Rafa também tem mercado. A situação é tão "Sporting" que da mesma forma que o clube de Alvalade teve de vender por tostões a um tal de Cristiano Ronaldo, o FC Porto começa a entrar numa espiral em que por muito boa que seja a sua cantera, ela não vai transformar-se no core de balneário de outros tempos, e o dinheiro das suas vendas a clubes melhor geridos ou com milionários atrás servirá para pagar os desastres de gestão dos últimos anos e os jogadores de comissionistas que vão continuar a entrar. Porque vão continuar a chegar ao clube. Sem qualquer dúvida.
André Silva, no meio disto tudo, foi uma vitima do tempo em que decidiu explodir com a camisola do FC Porto. Há quatro anos atrás talvez a consequência de uma década de gestão acertada no deve e no haver, o clube pudesse bater o pé e guardar para a recordação dos adeptos um ou dois anos mais do jogadores com a camisola do seu clube. Hoje o cenário é impossível. No final do dia, quando os adeptos se perguntam porque é que o FC Porto não ganha, é fácil criar páginas por encomenda para falar dos árbitros e assobiar para o lado. Assobiar para o lado e esconder o buraco financeiro que foi criado desde dentro. Assobiar para o lado e esconder o desmantelamento de uma cultura de balneário que foi propiciada desde dentro. Assobiar para o lado e esconder esta necessidade de vender todos os aneis e algum dedo que foi propiciada por dentro. Nenhum árbitro tem o poder de fazer o rombo nas contas do clube. Nenhum árbitro tem o poder de escorraçar do clube a prata da casa para esconder as misérias da gestão desportiva e económica. Nenhum árbitro tem a força de dizer aos adeptos de um clube tão grande como o FC Porto que têm de voltar a contentar-se com Maregas e Hernanis enquanto André Silva vai andar lá por fora a espalhar portismo e talento. E não vai estar só. Chegará o dia em que, para além dos árbitros - cuja realidade é indesmentível - a alguém se lhe ocorra fazer auto-critica. Pode ser que nesse dia a ponte D. Luis venha abaixo. Afinal de contas, tanto uma coisa como a outra são improváveis.
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segunda-feira, 12 de junho de 2017
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
A brutal ascensão de André Silva
André Silva.
Neste marasmo absoluto de meses de competição, com uma equipa que joga como clube pequeno contra grandes e anões do futebol nacional e internacional, poucas noticias positivas há a celebrar. O defeso foi um desastre, os dois meses de pré-época a trabalhar em 4-3-3 foram atirados ao ar por um 4-4-2 que parte da premissa de que "primeiro não perdemos e depois já vemos se ganhamos" tão fiel ao espirito do seu treinador e salvo as aparições positivas de Otávio e Diogo Jota e as boas sensações, um ano mais, de Danilo e Layun, pouco há que acrescentar a um plantel que dista muito do nível de exigência de um FC Porto. Mas depois há André Silva.
O avançado portuense leva sete golos e três assistências em treze jogos. Não são números de Mário Jardel mas não estão demasiado longe. São apenas dois meses completos de competição (obviando os quatro golos em três jogos que já tem como internacional A) e aos 20 anos, André é já um dos avançados mais determinantes no futebol nacional, um seguro de vida para um clube que decidiu que depois de deixar sair Aboubakar a solução era contratar Depoitre caso André não estivesse a um nível que, francamente, não era supor estar. Estamos a falar do primeiro ano de sénior de um avançado que na época passada apenas começou a contar - e pouco - na segunda metade da época. Lopetegui foi assobiado por não o colocar em campo (blasfémia, e mais para quem não tinha tido medo com Ruben Neves e vinha dos escalões de formação) e Peseiro nunca soube muito bem o que fazer com ele. A brilhante exibição no Jamor, repleta de garra e magia levou-o inclusive a entrar na lista de muitos para o Europeu de França no lugar de Éder. Felizmente Fernando Santos manteve-se fiel a si mesmo. Felizmente para Éder, para Portugal e para o FC Porto que, provavelmente, teria ficado sem o avançado no defeso e hoje estaria a lutar com os Depoitres que por cá aterram. Obviando a lenga-lenga para dormir de que o clube podia ter vendido o avançado se quisesse - claro que sim - e que esse cenário não esteja demasiado distante num futuro próximo face ao estado desastroso das finanças desta gestão, o certo é que é dificil olhar para os números e para os jogos e esquecer-se que André está apenas a dar os primeiros passos. No entanto a sua frieza - o penalti em Bruges foi apenas mais um golpe de autoridade moral - e a sua progressão convidam a sonhar alto. Tem ainda muitos defeitos, sobretudo na recepção e controlo orientado, no jogo ao primeiro toque e no futebol de apoio. É um avançado de presença na área e de progressão vertical á base da potência, não da técnica. Sem os primeiros, dificilmente triunfará na elite mundial mas com vinte anos está muito bem a tempo de limar essas arestas no seu jogo. O que está claro - e que muitos pareciam duvidar no ano passado - é que André tem golo. Tem faro de golo, tem apetite de golo e tem tido a capacidade de desbloquear encontros graças aos seus golos, algo de que o Porto carecia profundamente.
Convém, sobretudo, ao pensar nestes dois primeiros meses de André Silva como titular indiscutível do ataque dos Dragões pensar no que fizeram os outros avançados que saltaram da formação á primeira equipa no passado. Ajuda a ter uma perspectiva real do seu crescimento.
Pensemos, por exemplo, em Hélder Postiga, lançado por Octávio Machado em 2001-02, que disputou um total de 41 jogos em todo o ano anotando 13 golos, nove deles na Liga (praticamente os mesmos que André tem em Outubro, cinco) e dois em Champions (os mesmos que tem André, contando em ambos casos a fase preliminar).
Pensemos, por exemplo, em Hugo Almeida, que em 2003-04 passa a contar finalmente para a primeira equipa depois de marcar, inclusive, na inauguração do Dragão, é emprestado em Janeiro porque nos sete jogos oficiais disputados não marca um só golo, um cenário que repetiria no ano seguinte, sendo que só em 2005/06 consegue o seu primeiro golo como profissional.
Pensemos, por exemplo, em Domingos Paciência, que em 1987/88, ano de todos os títulos menos a Taça dos Campeões Europeus - e portanto, ano de super-equipa - jogou doze jogos oficiais e marcou um só golo. No ano seguinte anotou seis em trinta e três e para superar a cifra que André Silva já tem esta época é preciso esperar á 1990/91, quando marca 31 golos em 44 jogos naquele que foi o seu quarto ano de profissional, tendo já 22 no Bilhete de Identidade.
E claro, pensemos no mito Fernando Gomes, que tal como André Silva se estreou na primeira equipa numa época de profunda crise desportiva, no ano 1975/75 marcou 18 golos na sua primeira temporada como profissional em vinte e oito jogos que disputou em todas as competições. Uma cifra quase triplica a de André com dois meses de competição mas que está perfeitamente ao seu alcance - faltam mais de seis meses para terminar o ano desportivo - e que explica bem, em perspectiva, onde pode chegar o jovem avançado. Aos pés do Bibota, nem mais nem menos.
André Silva não precisa de maior pressão. Já a tem toda. É o nove titular do FC Porto. E no entanto, com 20 anos e toda essa pressão - mais sendo consciente, porque seguramente o é, que a equipa depende dele para marcar porque Adrian e Depoitre não serão nunca alternativas lógicas - André tem sabido responder bem ás expectativas o que demonstra não só espirito goleador como alma de guerreiro. No meio de tanto cinzentismo, a sua brutal ascensão é a grande notícia que nos alegra o corpo e alma de dragões.
Neste marasmo absoluto de meses de competição, com uma equipa que joga como clube pequeno contra grandes e anões do futebol nacional e internacional, poucas noticias positivas há a celebrar. O defeso foi um desastre, os dois meses de pré-época a trabalhar em 4-3-3 foram atirados ao ar por um 4-4-2 que parte da premissa de que "primeiro não perdemos e depois já vemos se ganhamos" tão fiel ao espirito do seu treinador e salvo as aparições positivas de Otávio e Diogo Jota e as boas sensações, um ano mais, de Danilo e Layun, pouco há que acrescentar a um plantel que dista muito do nível de exigência de um FC Porto. Mas depois há André Silva.
O avançado portuense leva sete golos e três assistências em treze jogos. Não são números de Mário Jardel mas não estão demasiado longe. São apenas dois meses completos de competição (obviando os quatro golos em três jogos que já tem como internacional A) e aos 20 anos, André é já um dos avançados mais determinantes no futebol nacional, um seguro de vida para um clube que decidiu que depois de deixar sair Aboubakar a solução era contratar Depoitre caso André não estivesse a um nível que, francamente, não era supor estar. Estamos a falar do primeiro ano de sénior de um avançado que na época passada apenas começou a contar - e pouco - na segunda metade da época. Lopetegui foi assobiado por não o colocar em campo (blasfémia, e mais para quem não tinha tido medo com Ruben Neves e vinha dos escalões de formação) e Peseiro nunca soube muito bem o que fazer com ele. A brilhante exibição no Jamor, repleta de garra e magia levou-o inclusive a entrar na lista de muitos para o Europeu de França no lugar de Éder. Felizmente Fernando Santos manteve-se fiel a si mesmo. Felizmente para Éder, para Portugal e para o FC Porto que, provavelmente, teria ficado sem o avançado no defeso e hoje estaria a lutar com os Depoitres que por cá aterram. Obviando a lenga-lenga para dormir de que o clube podia ter vendido o avançado se quisesse - claro que sim - e que esse cenário não esteja demasiado distante num futuro próximo face ao estado desastroso das finanças desta gestão, o certo é que é dificil olhar para os números e para os jogos e esquecer-se que André está apenas a dar os primeiros passos. No entanto a sua frieza - o penalti em Bruges foi apenas mais um golpe de autoridade moral - e a sua progressão convidam a sonhar alto. Tem ainda muitos defeitos, sobretudo na recepção e controlo orientado, no jogo ao primeiro toque e no futebol de apoio. É um avançado de presença na área e de progressão vertical á base da potência, não da técnica. Sem os primeiros, dificilmente triunfará na elite mundial mas com vinte anos está muito bem a tempo de limar essas arestas no seu jogo. O que está claro - e que muitos pareciam duvidar no ano passado - é que André tem golo. Tem faro de golo, tem apetite de golo e tem tido a capacidade de desbloquear encontros graças aos seus golos, algo de que o Porto carecia profundamente.
Convém, sobretudo, ao pensar nestes dois primeiros meses de André Silva como titular indiscutível do ataque dos Dragões pensar no que fizeram os outros avançados que saltaram da formação á primeira equipa no passado. Ajuda a ter uma perspectiva real do seu crescimento.
Pensemos, por exemplo, em Hélder Postiga, lançado por Octávio Machado em 2001-02, que disputou um total de 41 jogos em todo o ano anotando 13 golos, nove deles na Liga (praticamente os mesmos que André tem em Outubro, cinco) e dois em Champions (os mesmos que tem André, contando em ambos casos a fase preliminar).
Pensemos, por exemplo, em Hugo Almeida, que em 2003-04 passa a contar finalmente para a primeira equipa depois de marcar, inclusive, na inauguração do Dragão, é emprestado em Janeiro porque nos sete jogos oficiais disputados não marca um só golo, um cenário que repetiria no ano seguinte, sendo que só em 2005/06 consegue o seu primeiro golo como profissional.
Pensemos, por exemplo, em Domingos Paciência, que em 1987/88, ano de todos os títulos menos a Taça dos Campeões Europeus - e portanto, ano de super-equipa - jogou doze jogos oficiais e marcou um só golo. No ano seguinte anotou seis em trinta e três e para superar a cifra que André Silva já tem esta época é preciso esperar á 1990/91, quando marca 31 golos em 44 jogos naquele que foi o seu quarto ano de profissional, tendo já 22 no Bilhete de Identidade.
E claro, pensemos no mito Fernando Gomes, que tal como André Silva se estreou na primeira equipa numa época de profunda crise desportiva, no ano 1975/75 marcou 18 golos na sua primeira temporada como profissional em vinte e oito jogos que disputou em todas as competições. Uma cifra quase triplica a de André com dois meses de competição mas que está perfeitamente ao seu alcance - faltam mais de seis meses para terminar o ano desportivo - e que explica bem, em perspectiva, onde pode chegar o jovem avançado. Aos pés do Bibota, nem mais nem menos.
André Silva não precisa de maior pressão. Já a tem toda. É o nove titular do FC Porto. E no entanto, com 20 anos e toda essa pressão - mais sendo consciente, porque seguramente o é, que a equipa depende dele para marcar porque Adrian e Depoitre não serão nunca alternativas lógicas - André tem sabido responder bem ás expectativas o que demonstra não só espirito goleador como alma de guerreiro. No meio de tanto cinzentismo, a sua brutal ascensão é a grande notícia que nos alegra o corpo e alma de dragões.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Sai Angelino, entra Gomes
Na semana passada a SAD anunciou que um dos seus 3 administradores executivos, Angelino Ferreira (o "homem das contas", responsável pela área financeira) vai ser substítuido por Fernando Gomes, o ex-político, sem que tenham sido dadas quaisquer explicações para a troca.
Curiosamente será o 2o Fernando Gomes a ocupar essa função no Conselho de Administração, onde vai fazer companhia a Pinto da Costa, Adelino Caldeira, Reinaldo Teles (e Rui Sá, administrador não-executivo, um cargo totalmente secundário). Assinalo de passagem - para os mais distraídos - que Antero Henrique não faz parte oficialmente da cúpula máxima da SAD, muito embora tenha um papel mais importante do que um ou outro administrador (a propósito, só considerações políticas de PdC explicam a meu ver que um Reinaldo Teles ainda não tenha sido substituído oficialmente por Antero no CA).
Esta mudança apanhou a maior parte dos adeptos de surpresa.
Em primeiro lugar porque Angelino não se aguentou muito tempo nesta 2a passagem pela SAD; tendo ocupado anteriormente o mesmo cargo - e durante vários anos - não se pode dizer que não sabia ao certo no que se estava a meter (nem que PdC não sabia com o que ia contar quando o convidou a regressar).
Em segundo lugar e acima de tudo, pela entrada de F. Gomes. Fernando Gomes é um «paraquedista» no mundo do futebol aos 68 anos, e um político de carreira (onde passou mais de 30 anos) - e embora tenha tirado o curso de Economia nunca exerceu as habilitações (o mais perto que andou disso foi como administrador da Galp nos últimos anos).
Pessoalmente não gostei desta notícia, e por várias razões:
1) antes de mais por achar que Fernando Gomes está mal habilitado para o cargo. Dito isto, ser um «animal político» pode ser útil no cargo, o que já não é mau.
2) por nao gostar da aparente promiscuidade que se promove entre o mundo política e o mundo do futebol (ainda por cima quando ele tinha sido presidente da câmara da cidade onde está o FCP). Aliás, em futuras negociações entre o FCP e a CMP (ou CMG), a suspeita vai ser lançada de que o presidente das dita-cujas estará a fazer favores ao FCP para se «fazer ao tacho na SAD» mais tarde. A Lucrécia Bórgia não basta ser honesta, há que parecê-lo...era escusado dar mais um pretexto aos nossos inimigos para nos atacar.
3) finalmente, pelas eventuais verdadeiras razões q terão levado a) o Angelino a sair, b) a que a PdC/SAD concluir que era bom lá ter o Fernando Gomes e c) Fernando Gomes a aceitar meter-se no FCP. Parece-me que anda muita gente a «jogar xadrez» em várias dimensões...
De qualquer forma o que é claro é que na FCP SAD as funções no papel não correspondem necessariamente ao verdadeiro papel e peso de cada um dos dirigentes, e é uma incógnita que papel ao certo vai Fernando Gomes desempenhar; e que peso é que virá a ter nas grandes decisões de gestão.
Suspeito que passe a ser a principal face pública da SAD (habilidade em relações públicas é um défice claro nos restantes altos dirigentes, com a clara excepção de PdC), fazendo uso dos seus dotes políticos... para além disso, fico na expectativa, todos os cenários são possíveis. A ver vamos.
1) antes de mais por achar que Fernando Gomes está mal habilitado para o cargo. Dito isto, ser um «animal político» pode ser útil no cargo, o que já não é mau.
2) por nao gostar da aparente promiscuidade que se promove entre o mundo política e o mundo do futebol (ainda por cima quando ele tinha sido presidente da câmara da cidade onde está o FCP). Aliás, em futuras negociações entre o FCP e a CMP (ou CMG), a suspeita vai ser lançada de que o presidente das dita-cujas estará a fazer favores ao FCP para se «fazer ao tacho na SAD» mais tarde. A Lucrécia Bórgia não basta ser honesta, há que parecê-lo...era escusado dar mais um pretexto aos nossos inimigos para nos atacar.3) finalmente, pelas eventuais verdadeiras razões q terão levado a) o Angelino a sair, b) a que a PdC/SAD concluir que era bom lá ter o Fernando Gomes e c) Fernando Gomes a aceitar meter-se no FCP. Parece-me que anda muita gente a «jogar xadrez» em várias dimensões...
De qualquer forma o que é claro é que na FCP SAD as funções no papel não correspondem necessariamente ao verdadeiro papel e peso de cada um dos dirigentes, e é uma incógnita que papel ao certo vai Fernando Gomes desempenhar; e que peso é que virá a ter nas grandes decisões de gestão.
Suspeito que passe a ser a principal face pública da SAD (habilidade em relações públicas é um défice claro nos restantes altos dirigentes, com a clara excepção de PdC), fazendo uso dos seus dotes políticos... para além disso, fico na expectativa, todos os cenários são possíveis. A ver vamos.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
A Sucessão: o «Bibota»
Fernando Gomes, carinhosamente conhecido entre os portistas como o "Bibota" (devido a ter conquistado por duas vezes a Bota de Ouro sendo o melhor marcador nos campeonatos europeus), é uma figura incontornável da História do FCP (e um dos melhores avançados portugueses de sempre), tendo despontado no clube ao mesmo tempo que o FCP ressurgiu de um longo período de «seca» (sob o comando de PdC e Pedroto) com o seguimento que se conhece nos 35 anos seguintes.
O seu nome está também associado aos primeiros feitos internacionais do FCP: contributo decisivo para chegarmos à final de Basileia, campeão europeu em '87 (tendo falhado a final por lesão), Supertaça europeia e Taça Intercontinental em '88. A nível individual, marcou 527 golos (!) na totalidade da carreira (a esmagadora maioria ao serviço do FCP).
O seu ascendente coincidiu também com o meu «acordar» para questões futebolísticas, já que eu tinha 6 anos quando o FCP ganhou o campeonato de 77/78 sendo Gomes e Frasco os meus primeiros ídolos; tendo ficado portanto inconsolável quando Gomes foi vendido (por uma soma recorde para esses tempos) para o S. Gijon 2 anos depois, e em êxtase quando regressou ao FCP 2 anos mais tarde (em '82).
O maior atributo de Gomes como jogador era o «faro» pelo golo, sabia «ler» muito bem as jogadas e as movimentações dos defesas adversários estando quase sempre no sítio certo, parecendo muitas vezes que tal acontecia por mera sorte ou acaso - erradamente. Nesse aspecto Jardel foi o «herdeiro» de Gomes.
A sua saída (como jogador) do FCP não se fez da forma mais pacífica: saiu em conflito - primeiro com Ivic (que teve a famosa tirada de «Gomes é finito») e depois com Artur Jorge - com a fama de ser um vaidoso e má influência no balneário, tendo ido parar ao SCP de forma amigável (já com 33 anos)... pendurando as botas 2 anos mais tarde, em '91.
O seu percurso desde então (e já lá vão 22 anos...) foi bastante modesto para alguém com os seus pergaminhos, tendo andado durante muitos anos de voltas avessas com PdC, tendo-se associado com um péssimo timing a «inimigos» do FCP , como José Veiga, tendo mesmo a reputação de ter tido «dedo» em alguns negócios com jogadores que foram prejudiciais aos interesses do FCP.
No entanto como diz PdC «largos dias têm 100 anos» e nos últimos anos testemunhámos a reconciliação - com o Bibota (finalmente) a assumir recentemente um cargo na SAD portista (ainda que secundário, pouco mais que uma espécie de «Eusébio» do FCP).
Pela sua carga histórica, o Bibota será sempre alguém a ter em conta caso apresente uma candidatura a presidente do FCP. Suspeito no entanto que isso só iria acontecer num cenário em que se fazia acompanhar por várias figuras de «dentro», como num cenário de presidencia-dualista com a equipa de A. Henrique, A. Caldeira e A. Ferreira.
Penso que F. Gomes seria uma enorme incógnita: a favor, tem o «investimento» emocional de muitos adeptos, o portismo e ser um homem do mundo do futebol. É também ainda relativamente jovem para o cargo (56 anos).
No entanto não se lhe conhecem atributos de liderança ou carisma muito fortes (mesmo como jogador penso que nunca o demonstrou ao nível do que se viu num «Broas», V. Baía ou J. Costa), não se faz a mínima ideia se terá «olho» para jogadores ou treinadores, não se lhe conhecem dotes de gestão (os rumores sobre a sua experiência pessoal parece mesmo apontar o contrário tendo alegadamente feito investimentos ruinosos), e deixa algumas dúvidas ao nível da capacidade de julgamento das «companhias» que escolhe (para não falar da fama que granjeou como jogador nos anos finais de ser demasiado vaidoso e interesseiro).
Concluindo, penso que haverá lugar para o Bibota na estrutura portista mas duvido imenso que faça sentido num cargo de liderança. Penso também que a probabilidade de avançar com uma candidatura (a presidente ou pelo menos como mão direita do presidente) é remota, mais do que no caso de um V. Baía (ou quem sabe um J. Costa daqui a uns anos).
De qualquer forma como jogador ficará sempre no meu coração por tudo o que deu ao clube ao campo.
Outros artigos nesta série:
sábado, 29 de janeiro de 2011
Em lados opostos da barricada
“Foi a vitória do bom senso sobre o não bom senso, venceu de modo claro e inequívoco a razão contra a emoção e a legalidade e o direito contra a ilegalidade e o abuso de direito. Ficou claramente demonstrado que havia uma intromissão abusiva do secretário de Estado no movimento associativo português”
Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto
“Que todos raciocinem sobre o que está em cima da mesa e decidam livremente. Apenas fiz o que o comité dos presidentes me pediu para fazer. Eu não tenho medo de perder, com 70 por cento eu já ganhei. Mas, o que estamos a falar aqui não é o futuro do futebol português. O meu objetivo era tentar encontrar uma plataforma de entendimento, que fizesse ajustar os estatutos. De outra forma, não consigo vislumbrar a saída da situação em que vivemos”
Fernando Gomes, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Nesta guerra de poder (novos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol), estes dois portistas lideraram os dois blocos que se opuseram na Assembleia Geral extraordinária de hoje. Longe vão os tempos em que ambos se sentavam no camarote presidencial do Estádio do Dragão.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O grande negócio das transmissões televisivas
A questão relacionada com as receitas decorrentes dos direitos de transmissão dos jogos de futebol em Portugal já foi abordada várias vezes no Reflexão Portista:
Em Julho de 2008 o FC Porto renovou o contrato para a venda dos direitos de transmissão televisiva dos seus jogos em casa, por um período de 5 anos, recebendo cerca de 10,5 milhões de euros por ano (contra os 8 mulhões/ano anteriores). Quanto aos 2 outros grandes clubes diz-se que o slb recebe algo mais e o Sporting deverá receber o mesmo que o FC Porto.
Há muitas vozes que defendem uma negociação colectiva entre os clubes da I Liga ou entre todos os clubes das Ligas profissionais (I e II Ligas), sendo o principal argumento o de fortalecer a posição negocial dos clubes e permitir uma distribuição mais equitativa das receitas. É o que acontece, por exemplo, na Premier League em Inglaterra. Parece-me que em Portugal tal modelo não será viável, pelo menos enquanto um dos principais clubes, o slb, for liderado pelo elenco de trogloditas actual que se acha capaz, per si, de manipular as suas e as receitas de todos os outros clubes da I Liga como, aliás, recentemente se viu no apelo dos seus órgãos sociais dirigido aos adeptos para o boicote aos jogos fora como forma de chantagem para melhor acomodar os seus interesses (quaisquer que sejam).É pública a relação de confiança há longos anos entre o patrão da Olivedesportos (empresa que controla a 100% o negócio em Portugal) Joaquim Oliveira e o actual Presidente da Liga de Clubes Dr. Fernando Gomes. Logo à partida temos um conflito de interesses que não é casual - a candidatura de Fernando Gomes à presidência da Liga foi cuidadosamente preparada. A "campanha eleitoral" incluiu um périplo por todos os clubes das Ligas profissionais tendo o agora presidente prometido mais receitas provenientes dos direitos televisivos. Enquanto este desequilíbrio de forças se mantiver não será possível a nenhum dos clubes alavancar as suas receitas e colocá-las na justa medida da sua capacidade para as gerar.
No que toca ao FC Porto resta-nos negociar a sós os direitos televisivos sendo que isso não proporcionará melhorias significativas. Uma alternativa que lanço para reflexão seria o FC Porto reunir em torno de si os interesses de um conjunto mais alargado de clubes que tenham forte presença no campeonato nacional e nas suas receitas de bilheteira e formarem um grupo de elite para negociar as transmissões em conjunto. Por exemplo FC Porto, Braga, Guimarães, Paços de Ferreira, Académica e eventualmente um ou dois clubes insulares formariam um primeiro grupo de elite seguido de outro onde poderiam entrar outros clube da I ou II Ligas como Rio Ave, Beira-Mar, Gil Vicente e Leixões. Isto permitiria que a parceria garantisse à partida cerca de 30 jogos por época onde jogassem clubes grandes e outros tantos onde entrassem clubes "quasi-grandes".
As contas da Olivedesportos não são reveladas publicamente, provavelmente por a isso não estar obrigada a sociedade. Desconheço os montantes de Activo, Passivo e Capital Próprio presentes ou passados da Olivedesportos. No entanto não pude deixar de notar que no passado exercício, segundo a Revista Exame, a Olivedesportos foi 3ª classificada a nível nacional no que respeita à Rentabilidade dos Capitais Próprios. A empresa de Joaquim Oliveira obteve uma percentagem de 517,48% (este rácio mede a relação entre o Resultado Líquido e os Capitais Próprios), o que significa que o "lucro" do último ano foi 5 vezes superior aos Capitais investidos. Sem outro tipo de informação não é possível tirar grandes conclusões a partir destes dados mas pode, contudo, inferir-se que é um negócio altamente lucrativo para a Olivedesportos e para Joaquim Oliveira.
Os clubes têm de acordar para esta situação, mais cedo que tarde, ou no futuro irão ver a Olivedesportos a aumentar o seu poder e reforçar o desvio de valor dos clubes para si.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Fernando Gomes e o não-convite a Ricardo Costa
"Passámos um período conturbado, muito mais na disciplina do que na arbitragem, foi essa a minha percepção relativamente ao convite ou não convite às pessoas que presidiam a esses conselhos. Não me parece que devamos colocar ao mesmo nível o Vítor Pereira e o Ricardo Costa e por isso mesmo convidámos o Vítor Pereira e não convidámos o Ricardo Costa.
Aquilo que desejamos é que as respectivas comissões funcionem adequadamente, sem grande protagonismo, exercendo as suas competências e as suas atribuições de uma forma equilibrada, imparcial, isenta e que, acima de tudo, não sejam factores de geração de polémica numa competição equilibrada e equidistante relativamente aos regulamentos e a todos os clubes.
Ao longo dos diversos contactos que tive com todos os clubes, aquando do processo da minha candidatura, havia a ideia generalizada que efectivamente o tempo do Dr. Ricardo Costa à frente da Comissão Disciplinar não foi um tempo positivo em termos daquilo que tem de ser a justiça do ponto de vista factual, concreto e objectivo de equidistância e de não grande exposição. A justiça deve ser célere, deve ser competente, deve ser rápida, e nesse aspecto creio que se deram passos significativos, mas também deve ser equilibrada e recatada. Nessa perspectiva, o sentimento que fui tendo dos próprios clubes é que havia a ideia generalizada de que essa comissão não teria competência e que não deveria continuar".
Estas declarações de Fernando Gomes, numa entrevista à agência LUSA, não devem ter agradado nada à comunicação social lisboeta e muito menos aos dirigentes do SLB. Será o fim do estado de graça do ex-administrador da SAD portista?
domingo, 13 de junho de 2010
Fernando Gomes e Angelino Ferreira
Poucos dias após a FC Porto SAD ter apresentado as contas do 3º trimestre 2009/10 e de Fernando Gomes ter sido eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, parece-me oportuno recordar um interessante artigo de Rui Frias, publicado no DN de 06/02/2010, a propósito da passagem de testemunho entre Fernando Gomes e Angelino Ferreira na SAD portista. Neste artigo é traçado o perfil destes dois homens, que vale a pena conhecer melhor, até porque há quem veja neles potenciais candidatos à sucessão de Pinto da Costa, daqui a três ou seis anos.
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Não é propriamente um cinéfilo, mas quando a filha Soraia acabou o curso de Gestão, na Universidade Católica, e foi para Nova Iorque e Los Angeles aprender a gerir produção de cinema, Angelino Ferreira mergulhou no mundo da sétima arte. Ou melhor, no universo empresarial que rodeia as produções de filmes, lançando, em 2005, com a filha, a produtora Yellow Entertainment, que estreou o seu primeiro filme no ano passado - Star Crossed, com cenas filmadas no próprio Estádio do Dragão, completando assim a tríade das grandes paixões de Angelino: empresarialização, família e o FC Porto. O "criador" da SAD portista, diz quem o conhece, é mesmo assim: um homem que se atira de cabeça a tudo o que faz, capaz de encher a casa de livros sobre o assunto que o atrai a cada momento.
A determinação com que se entrega às causas é, apontam, um ponto em comum com o homem de quem recupera agora a pasta financeira da administração da SAD do FC Porto. Principal figura do lançamento da Sociedade Anónima Desportiva, em 1997, Angelino Ferreira passou o cargo, em 2000, a Fernando Gomes, um ex-jogador de basquetebol do clube que na última década foi então o rosto financeiro da SAD do futebol. Agora, inverte-se o caminho: Fernando Gomes abandona todos os cargos no grupo empresarial do FC Porto, alegadamente por divergências quanto ao rumo financeiro da sociedade após as contratações de Rúben Micael e Kléber (esta falhada), e devolve a bola ao "criador".
Fernando Gomes, "o outro Fernando Gomes do FC Porto" - como ficou conhecido desde os tempos de atleta devido à coexistência com o ex-futebolista "bibota de ouro" - deixa o interior do universo portista após quase 40 anos de ligação. Teve um percurso parecido com o de Pinto da Costa, subindo na hierarquia sempre por dentro do clube. Era, aliás, além do presidente, de Reinaldo Teles e de Ilídio Pinto (vice-presidente ligado ao hóquei em patins) um dos dirigentes com mais tempo de FC Porto. Foi no basquetebol que começou, ainda nas camadas jovens. E tornou-se numa referência do basquetebol portista. Fez parte da famosa equipa que tinha o norte-americano Dale Dover, nos anos 70, e acabou a carreira no final dessa década, como capitão da equipa que ganhou dois campeonatos consecutivos na viragem para os anos 80, sob comando do treinador Jorge Araújo, com quem mais tarde se reencontraria, então já como director da modalidade, nos anos 90. "Já era sintomático que fosse o capitão de equipa. Era um atleta muito determinado e enérgico em campo, com uma forma de jogar muito 'nortenha' e uma paixão enorme. E já com uma visível capacidade de liderança, que lhe advinha até da posição em que jogava (no basquetebol, o base é quem lidera todo o jogo da equipa)", recorda o ex-treinador.
Por essa altura, a única ligação de Angelino Ferreira ao FC Porto era apenas a de um jovem adepto entusiasmado com as mudanças em curso no seu clube, nos tempos em que a dupla Pinto da Costa/José Maria Pedroto lançavam as sementes para a hegemonia no futebol português. Angelino formava-se em Economia na Universidade de Coimbra e desde cedo mostrou o seu carácter empreendedor nos negócios. Em 1981, com 26 anos, reabriu a Bolsa do Porto, fechada após o 25 de Abril. E passou lá toda a década de 80, grande parte dela como corretor em nome individual - até 1988 foi, com Maria Cândida, da Carregosa, e Adolfo Brito, um dos três "reis" da bolsa portuense, os únicos corretores em actividade. Foi nesses tempos também que foi construindo a imagem de seriedade e rigor que mantém ainda hoje junto das instituições financeiras, junto das quais teve um papel decisivo na altura da transformação do FC Porto em SAD e, posteriormente, nas negociações para a construção do estádio do Dragão e do centro de treinos em Gaia.
Nuns anos de crescimento selvagem da bolsa portuguesa, que levaria ao grande crash de Outubro de 1987, quando "toda a gente ganhava dinheiro na Bolsa" e Miguel Esteves Cardoso escrevia que "agora já não saímos com a Isabel, a Marina ou a Helena, em vez disso apaixonamo-nos pela Sofinloc, Locapor, Transbel... Em qualquer restaurante só se ouve falar de Sofinloc, Marconi... Está tudo Portloc!", nessa conjuntura desregrada, Angelino Ferreira distinguia-se "pelo seu carácter sempre muito certinho e honesto", conta quem com ele lidou nesses tempos. Numa frase, "o dr. Angelino faz sempre tudo 'by the book'". Esteve depois envolvido na criação das empresas Socifa & Beta e PARS (ligada à Salvador Caetano, Soares da Costa e Tertir), até que na década de 90 chegou então ao FC Porto, primeiro para o Conselho Fiscal e mais tarde para a direcção.
Tal como Angelino, Fernando Gomes também se formou em economia, enquanto jogava basquetebol. Fez o curso na Universidade do Porto e, depois da carreira de atleta, fez um interregno no seu percurso dentro do clube. São-lhe conhecidas passagens pelos grupos SONAE e Amorim, a aposta numa empresa de informática, mas voltou a ser o basquetebol a promovê-lo de novo para dentro do FC Porto, nos finais de 80, quando a secção estava para fechar.
Fernando Gomes "trouxe uma nova dinâmica empresarial para a estrutura do basquetebol", lembra Jorge Araújo. E não só no FC Porto. Foi ele também quem esteve na origem da criação da liga profissional de basquetebol, em 1995, da qual foi de resto o primeiro presidente. Para Jorge Araújo, esse foi "o momento alto do percurso dele". Foram três anos de grande desenvolvimento do basquetebol nacional, que depois disso "nunca mais foi igual" - a liga profissional acabaria mesmo, mais tarde. Isso e o título ganho no primeiro ano da liga profissional, quando o dragão quebrou sete anos de hegemonia daquele Benfica de Carlos Lisboa, em pleno pavilhão da Luz. "Lembro-me de no final do jogo me abraçar a ele e dizer-lhe que ele merecia aquele título", recupera Jorge Araújo.
Discretos e reservados no contacto para o exterior, Fernando Gomes e Angelino Ferreira tentam preservar a vida pessoal. Sabe-se que são da mesma geração - o ex-administrador tem 57 anos e o regressado 56 - e moram até perto um do outro, separados pela rua da Constituição: Fernando Gomes na Praça Francisco Sá Carneiro (popularmente conhecida por Praça Velasquez), bem pertinho do estádio do Dragão, e Angelino Ferreira próximo da praça rainha Dona Amélia. Ambos são também habituais frequentadores do Algarve nas férias e não se lhes conhecem grandes vícios - não fumam nem bebem. "Aliciado" por Adelino Caldeira, administrador jurídico da SAD, Angelino Ferreira ainda tentou umas tacadas no golfe, mas o hobby não terá durado muito.
A nível familiar, ambos são casados com as respectivas mulheres de longa data. Fernando Gomes tem três filhos, dois gémeos e uma filha mais nova. Os rapazes também praticaram basquetebol no FC Porto e um deles, Sérgio, chegou mesmo a jogar nos seniores. A filha mais nova trabalha em Londres, num hospital de crianças, cidade de resto onde também vive o filho mais novo de Angelino Ferreira, Bruno, licenciado em design de comunicação, enquanto a outra filha, Soraia, é então produtora de cinema, tendo estudado alguns anos em Nova Iorque e Los Angeles.
De resto, segundo quem com eles trabalhou de perto no FC Porto durante anos, se no rigor e determinação a SAD azul e branca não deverá registar diferenças nesta nova passagem de testemunho, há traços de personalidade que os distinguem. Angelino Ferreira é "um homem de compromissos, embora inflexível nos princípios" - em 2000, sem que nunca tenha sido confirmado pelo próprio, falou-se que teria saído da SAD por discordância com algumas opções. Tal como agora foi noticiado em relação a Fernando Gomes, um homem de riso até mais fácil do que Angelino Ferreira quando entre amigos, mas mais inflexível nas relações profissionais. "É muito exigente e, às vezes, consegue ser muito duro", contam sobre o ex-administrador, que tem "uma memória de elefante": "Lembra-se do mais pequeno detalhe passado há não sei quanto tempo e joga isso na altura certa". Angelino tem um registo mais tranquilo, "muito reservado, low profile", unanimemente visto como "uma ave rara no meio da tribo do futebol".
No FC Porto, Angelino Ferreira será sempre o homem que "lançou as bases da empresarialização do clube", permitindo o caminho que levou ao grande grupo empresarial que hoje constitui o FC Porto. Por isso, considera um elemento da estrutura portista, "a constituição da SAD será sempre a sua grande marca, mais até do que o estádio ou o centro de treinos, porque foi mais estruturante para o clube. Sem a SAD não haveria depois o estádio".
Já a Fernando Gomes é atribuído um papel decisivo na valorização do plantel em termos patrimoniais e "na consolidação do FC Porto enquanto projecto internacional, com um trabalho de rede muito importante ao nível das relações internacionais, quer ao nível de organismos da UEFA, quer no G-14, por exemplo".
Essa teia de relacionamentos internacionais foi importante, garantem, junto da UEFA na altura em que as obras do novo estádio estiveram paradas devido ao conflito com a Câmara do Porto de Rui Rio, e também no recente período conturbado do Apito Final, perante a ameaça de exclusão das provas europeias. É também por isso que agora se lhe prevê um alto cargo num organismo internacional do futebol, havendo ainda quem o veja a trabalhar com um importante agente mundial de futebolistas e, a médio prazo, como um nome a ter em conta na sucessão de Pinto da Costa. "Corrida" para a qual não se conhece a tendência de Angelino Ferreira, mas da qual também não poderá ser excluído: o regressado administrador é, pelo menos, um favorito junto do importante sector bancário. Para já, neste seu retorno à SAD, retoma o objectivo inicial - garantir o trapézio financeiro que permita manter um FC Porto ganhador.
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Não é propriamente um cinéfilo, mas quando a filha Soraia acabou o curso de Gestão, na Universidade Católica, e foi para Nova Iorque e Los Angeles aprender a gerir produção de cinema, Angelino Ferreira mergulhou no mundo da sétima arte. Ou melhor, no universo empresarial que rodeia as produções de filmes, lançando, em 2005, com a filha, a produtora Yellow Entertainment, que estreou o seu primeiro filme no ano passado - Star Crossed, com cenas filmadas no próprio Estádio do Dragão, completando assim a tríade das grandes paixões de Angelino: empresarialização, família e o FC Porto. O "criador" da SAD portista, diz quem o conhece, é mesmo assim: um homem que se atira de cabeça a tudo o que faz, capaz de encher a casa de livros sobre o assunto que o atrai a cada momento.A determinação com que se entrega às causas é, apontam, um ponto em comum com o homem de quem recupera agora a pasta financeira da administração da SAD do FC Porto. Principal figura do lançamento da Sociedade Anónima Desportiva, em 1997, Angelino Ferreira passou o cargo, em 2000, a Fernando Gomes, um ex-jogador de basquetebol do clube que na última década foi então o rosto financeiro da SAD do futebol. Agora, inverte-se o caminho: Fernando Gomes abandona todos os cargos no grupo empresarial do FC Porto, alegadamente por divergências quanto ao rumo financeiro da sociedade após as contratações de Rúben Micael e Kléber (esta falhada), e devolve a bola ao "criador".
Nuns anos de crescimento selvagem da bolsa portuguesa, que levaria ao grande crash de Outubro de 1987, quando "toda a gente ganhava dinheiro na Bolsa" e Miguel Esteves Cardoso escrevia que "agora já não saímos com a Isabel, a Marina ou a Helena, em vez disso apaixonamo-nos pela Sofinloc, Locapor, Transbel... Em qualquer restaurante só se ouve falar de Sofinloc, Marconi... Está tudo Portloc!", nessa conjuntura desregrada, Angelino Ferreira distinguia-se "pelo seu carácter sempre muito certinho e honesto", conta quem com ele lidou nesses tempos. Numa frase, "o dr. Angelino faz sempre tudo 'by the book'". Esteve depois envolvido na criação das empresas Socifa & Beta e PARS (ligada à Salvador Caetano, Soares da Costa e Tertir), até que na década de 90 chegou então ao FC Porto, primeiro para o Conselho Fiscal e mais tarde para a direcção.
Tal como Angelino, Fernando Gomes também se formou em economia, enquanto jogava basquetebol. Fez o curso na Universidade do Porto e, depois da carreira de atleta, fez um interregno no seu percurso dentro do clube. São-lhe conhecidas passagens pelos grupos SONAE e Amorim, a aposta numa empresa de informática, mas voltou a ser o basquetebol a promovê-lo de novo para dentro do FC Porto, nos finais de 80, quando a secção estava para fechar.Fernando Gomes "trouxe uma nova dinâmica empresarial para a estrutura do basquetebol", lembra Jorge Araújo. E não só no FC Porto. Foi ele também quem esteve na origem da criação da liga profissional de basquetebol, em 1995, da qual foi de resto o primeiro presidente. Para Jorge Araújo, esse foi "o momento alto do percurso dele". Foram três anos de grande desenvolvimento do basquetebol nacional, que depois disso "nunca mais foi igual" - a liga profissional acabaria mesmo, mais tarde. Isso e o título ganho no primeiro ano da liga profissional, quando o dragão quebrou sete anos de hegemonia daquele Benfica de Carlos Lisboa, em pleno pavilhão da Luz. "Lembro-me de no final do jogo me abraçar a ele e dizer-lhe que ele merecia aquele título", recupera Jorge Araújo.
Discretos e reservados no contacto para o exterior, Fernando Gomes e Angelino Ferreira tentam preservar a vida pessoal. Sabe-se que são da mesma geração - o ex-administrador tem 57 anos e o regressado 56 - e moram até perto um do outro, separados pela rua da Constituição: Fernando Gomes na Praça Francisco Sá Carneiro (popularmente conhecida por Praça Velasquez), bem pertinho do estádio do Dragão, e Angelino Ferreira próximo da praça rainha Dona Amélia. Ambos são também habituais frequentadores do Algarve nas férias e não se lhes conhecem grandes vícios - não fumam nem bebem. "Aliciado" por Adelino Caldeira, administrador jurídico da SAD, Angelino Ferreira ainda tentou umas tacadas no golfe, mas o hobby não terá durado muito.
A nível familiar, ambos são casados com as respectivas mulheres de longa data. Fernando Gomes tem três filhos, dois gémeos e uma filha mais nova. Os rapazes também praticaram basquetebol no FC Porto e um deles, Sérgio, chegou mesmo a jogar nos seniores. A filha mais nova trabalha em Londres, num hospital de crianças, cidade de resto onde também vive o filho mais novo de Angelino Ferreira, Bruno, licenciado em design de comunicação, enquanto a outra filha, Soraia, é então produtora de cinema, tendo estudado alguns anos em Nova Iorque e Los Angeles.
De resto, segundo quem com eles trabalhou de perto no FC Porto durante anos, se no rigor e determinação a SAD azul e branca não deverá registar diferenças nesta nova passagem de testemunho, há traços de personalidade que os distinguem. Angelino Ferreira é "um homem de compromissos, embora inflexível nos princípios" - em 2000, sem que nunca tenha sido confirmado pelo próprio, falou-se que teria saído da SAD por discordância com algumas opções. Tal como agora foi noticiado em relação a Fernando Gomes, um homem de riso até mais fácil do que Angelino Ferreira quando entre amigos, mas mais inflexível nas relações profissionais. "É muito exigente e, às vezes, consegue ser muito duro", contam sobre o ex-administrador, que tem "uma memória de elefante": "Lembra-se do mais pequeno detalhe passado há não sei quanto tempo e joga isso na altura certa". Angelino tem um registo mais tranquilo, "muito reservado, low profile", unanimemente visto como "uma ave rara no meio da tribo do futebol".
No FC Porto, Angelino Ferreira será sempre o homem que "lançou as bases da empresarialização do clube", permitindo o caminho que levou ao grande grupo empresarial que hoje constitui o FC Porto. Por isso, considera um elemento da estrutura portista, "a constituição da SAD será sempre a sua grande marca, mais até do que o estádio ou o centro de treinos, porque foi mais estruturante para o clube. Sem a SAD não haveria depois o estádio".
Já a Fernando Gomes é atribuído um papel decisivo na valorização do plantel em termos patrimoniais e "na consolidação do FC Porto enquanto projecto internacional, com um trabalho de rede muito importante ao nível das relações internacionais, quer ao nível de organismos da UEFA, quer no G-14, por exemplo".
Essa teia de relacionamentos internacionais foi importante, garantem, junto da UEFA na altura em que as obras do novo estádio estiveram paradas devido ao conflito com a Câmara do Porto de Rui Rio, e também no recente período conturbado do Apito Final, perante a ameaça de exclusão das provas europeias. É também por isso que agora se lhe prevê um alto cargo num organismo internacional do futebol, havendo ainda quem o veja a trabalhar com um importante agente mundial de futebolistas e, a médio prazo, como um nome a ter em conta na sucessão de Pinto da Costa. "Corrida" para a qual não se conhece a tendência de Angelino Ferreira, mas da qual também não poderá ser excluído: o regressado administrador é, pelo menos, um favorito junto do importante sector bancário. Para já, neste seu retorno à SAD, retoma o objectivo inicial - garantir o trapézio financeiro que permita manter um FC Porto ganhador.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Wait and see
«Conhecendo o projecto e olhando para os nomes escolhidos manifesto a minha confiança no projecto do Dr. Fernando Gomes. (...)
Tem excelentes relações com a comunidade empresarial onde é respeitado, bem como com os organismos que regulam o futebol no plano nacional e internacional. (...)
O Dr. Fernando Gomes é também o garante de um relacionamento cordial, educado e civilizado com todos os agentes desportivos bem como com as autarquias e Governo.»
Hermínio Loureiro, no seu blogue
«É um homem [Fernando Gomes] de clube, de SAD. Para liderar a Liga, tem a vantagem de nunca ter estado, no F. C. Porto, no futebol profissional. É um homem da administração, do marketing, e vai, de certeza, fazer um bom trabalho. Mais do que organizar campeonatos e discutir disciplina e arbitragem, o futebol precisa de dinheiro e, nessa área, que ele bem conhece, vai ter êxito. (...)
O novo presidente vai ter êxito na vertente económica-financeira. É uma pessoa com experiência, que tem ideias e que está bem relacionado com aqueles que têm a ver com essas áreas e com os que detêm o poder de ajudar nessas matérias.»
Valentim Loureiro, no JN
O ex-presidente da Direcção e o ex-presidente da Assembleia Geral da Liga não têm, propriamente, a mesma visão do fenómeno futebolístico e muito menos do desempenho da Liga nos últimos quatro anos, mas ambos tecem rasgados elogios ao Dr. Fernando Gomes.
Sabendo dos anti-corpos que tudo o que "cheire" a Futebol Clube do Porto gera na sociedade portuguesa, confesso que tanta unanimidade, de diferentes quadrantes, em torno de uma pessoa que até Janeiro deste ano foi vice-presidente do FC Porto e Administrador da FCP SAD me surpreende. Mas, se bem me lembro, há quatro anos atrás também Hermínio Loureiro teve o apoio de quase todos os clubes e depois foi o que se viu.
P.S. Fernando Gomes foi hoje eleito com 38 votos a favor e três abstenções, num acto eleitoral no qual não participaram FC Porto, Sp. Braga, Nacional da Madeira e Carregado.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Que amigos nós fomos!
Fernando Gomes recebeu o apoio do SCP e do SLB para as próximas eleições da Liga. FG saiu da SAD do FCP em rota de colisão com PdC (com quem havia de ser?) que parece, no quadro da proclamada independência da SAD do FCP relativamente a essas eleições, mais próximo da candidatura de Rui Alves, que já confirmou a apoio do FCP.
Agrada-me um candidato para a Liga, made in FCP, com uma experiência diversificada no plano desportivo e um portista acima de qualquer suspeita. Recordo as AG’s da SAD em que participei e a sintonia que presenciei entre o Presidente e FG parecia desafiar qualquer dúvida. Havia, aparentemente, uma cumplicidade genuína entre ambos.
Mas, não estou espantado com este divórcio que não foi, até à data, assumido por qualquer das partes. É normal nas organizações acontecer coisas semelhantes. Quantas vezes a harmonia sai ferida de morte, ao primeiro conflito de interesses. Engolir sapos é muito indigesto e, às vezes, para que fique uma réstia de dignidade, apenas sobra o grito do Ipiranga.
Consumada a saída de FG, quis acreditar que a sua candidatura para a LPFP constava de um plano do FCP para intervir activamente no órgão que representa os interesses dos clubes. Era pertinente essa possibilidade, pois creio que FG mantém os cargos que exerce no FCP e na SAD do Basquetebol, pelo menos até às próximas eleições. Ou seja: FG mantém uma ligação institucional com o FCP que faz toda a diferença, relativamente ao outro candidato. Enganei-me e não gosto do que me é dado assistir. O Brilhantina Man, que fareja e tem raiva a tudo que vista de azul e branco, acha que PdC está a fazer bluff. Disse mais: que FG terá saído da SAD por divergências insanáveis com Adelino Caldeira.
Faz-me uma grande confusão o FCP apoiar Rui Alves e não FG e, desta forma, perder a oportunidade de isolar o SLB que teria de se sujeitar aos despojos ou arranjar uma lista alternativa. Por outro lado, assistir ao apoio do SLB à candidatura de FG, com o LFV presente a mandar bocas é de estarrecer. Como é possível a FG esquecer o papel que o rei dos pneus desempenhou em todo o processo dos Apitos e tomá-lo como parceiro credível, para participar nas negociações para a partilha da LPFP.
O SLB e o SCP não vão dar de borla este apoio e causa-me arrepios como as gentes do FCP, em rota de colisão com PdC, vão terminar no colinho do LFV. As estrelas do dirigismo no FCP estão a perder brilho. Estrelas cadentes e carentes. É uma pena!
sábado, 3 de abril de 2010
Um vencedor pré-anunciado?
"Fui dirigente do FC Porto mas serei na Liga o presidente de todos os clubes", esta foi uma das frases de Fernando Gomes na passada quarta-feira, quando se apresentou como candidato à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).
Para além da Comissão de Clubes da Liga de Honra e do presidente da Académica, o ex-administrador da SAD portista já recebeu o apoio público de diversas personalidades directa e indirectamente ligadas ao futebol, entre as quais: Gilberto Madaíl, Filipe Soares Franco, José Luís Arnaut e António Pires de Lima (presidente da Comissão Executiva da Unicer, um dos principais patrocinadores da LPFP).
Além disso, e por aquilo que se vai lendo e ouvindo, poderá também contar com o apoio do Sporting e até com a anuência (não oposição) de Luís Filipe Vieira.
Somando todos estes apoios, tudo indica estarmos perante um vencedor anunciado, cujas principais ideias para a LPFP são as seguintes:
a) a definição de um modelo estratégico para Liga;
b) a existência de uma estrutura organizativa profissionalizada na Liga;
c) um maior envolvimento dos clubes e SAD's nos processos de decisão;
d) rever os regulamentos ao nível da disciplina, arbitragem e competições;
e) criar uma central de compras em nome dos clubes;
f) distribuir "dividendos" pelos clubes e SAD's;
g) participar no projecto de regulamentação das apostas desportivas em Portugal;
h) promover auditorias nos clubes e SAD's;
i) garantir a sustentabilidade e viabilidade da Liga e dos seus associados;
j) aumentar a competitividade.
Para além deste conjunto de ideias e propostas há algo muito importante de que Fernando Gomes não falou: uma negociação global dos direitos televisivos.
Não mexer nos direitos televisivos garante uma boa relação com Joaquim Oliveira e evita guerras com os três grandes, nomeadamente com o SLB (que sonha poder aumentar muito o valor do seu contrato), mas sem isso duvido que se consiga aumentar a competitividade e garantir a viabilidade da maior parte dos clubes, nomeadamente dos que disputam a Liga Vitalis.
De resto, sobra uma dúvida existencial: será que esta candidatura à presidência da Liga é o segundo passo para Fernando Gomes se posicionar como candidato à presidência do FC Porto, daqui a três ou seis anos?
Foto: Record
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O que é que se passa FC Porto?

O FC Porto não está bem. Estou preocupado com o estado de coisas no clube e a sensação que tenho é que a maioria dos sócios tem seguido com grande preocupação os últimos desenvolvimentos.
O Administrador para a Área Financeira demitiu-se porque não concordava há muito com a “política despesista”. No entanto nunca se coibiu de a defender em público (pelo menos nas AG’s) em diversas ocasiões. Com a notícia da sua saída revelou-se também que a cisão entre os pares na Administração já vinha de longe.
Veio do Brasil um jogador para assinar contrato mas chegado a Portugal “não houve entendimento” e regressou novamente ao Brasil. Normalmente estas coisas acontecem nos clubes da 2ª Circular, não no FC Porto. O intermediário na operação foi António Araújo, também conhecido como “o gajo da fruta”. Porque razão é que a SAD ainda mantém relações profissionais com este tipo?
O capitão Bruno Alves deu 2 estaladas no Tomás Costa e não foi convocado para um jogo decisivo na Taça. Para além de revelar cisões dentro do balneário (das piores coisas que pode acontecer a uma equipa de futebol), isto foi tornado público à velocidade “2ª Circular”.
O mais interessante é que tudo está bem nos flash-interviews para o nosso paleógrafo doutorado que nos vem sempre acalmar com os “processos”, as “transições” e a “ocupação de espaços”. Estamos todos fartos disto. Tudo o que queremos é um modelo de jogo decente e uma equipa sem debilidades estruturais com motivação e agressividade positiva. É pedir muito?
O Administrador para a Área Financeira demitiu-se porque não concordava há muito com a “política despesista”. No entanto nunca se coibiu de a defender em público (pelo menos nas AG’s) em diversas ocasiões. Com a notícia da sua saída revelou-se também que a cisão entre os pares na Administração já vinha de longe.
Veio do Brasil um jogador para assinar contrato mas chegado a Portugal “não houve entendimento” e regressou novamente ao Brasil. Normalmente estas coisas acontecem nos clubes da 2ª Circular, não no FC Porto. O intermediário na operação foi António Araújo, também conhecido como “o gajo da fruta”. Porque razão é que a SAD ainda mantém relações profissionais com este tipo?
O capitão Bruno Alves deu 2 estaladas no Tomás Costa e não foi convocado para um jogo decisivo na Taça. Para além de revelar cisões dentro do balneário (das piores coisas que pode acontecer a uma equipa de futebol), isto foi tornado público à velocidade “2ª Circular”.
O mais interessante é que tudo está bem nos flash-interviews para o nosso paleógrafo doutorado que nos vem sempre acalmar com os “processos”, as “transições” e a “ocupação de espaços”. Estamos todos fartos disto. Tudo o que queremos é um modelo de jogo decente e uma equipa sem debilidades estruturais com motivação e agressividade positiva. É pedir muito?
Demissão de Fernando Gomes
A demissão de Fernando Gomes da administração da SAD colheu os portistas de surpresa.Não admira, já que para além de Pinto da Costa tem sido o dirigente que mais tem dado a cara em público (muito mais do que os restantes administradores executivos, R Teles e A Caldeira); já é administrador há 9 anos; não se lhe conheciam publicamente quaisquer divergências internas; e finalmente, a demissão vem numa altura muito delicada, num contexto muito conturbado (e para "compôr o ramalhete", através de um comunicado à CMVM na madrugada de um domingo).
Há diversas interpretações dadas pelos adeptos (e não só) a esta demissão, mas ao certo ao certo pouco sabemos, já que descortinar os processos internos na nossa direcção é uma arte tão ou mais sofisticada que a famosa "Kremlinologia" da Guerra Fria, em que os Aliados tentavam descortinar que diabo se passava no Politburo "por detrás das cortinas" (de Ferro, neste caso)... diz-se que "o segredo é a alma do negócio", e compreendo que assim seja; bem, pelo menos até certo ponto.
No entanto para mim há 2 ou 3 coisas que posso desde já concluir.
A primeira é que no sítio onde verdadeiramente importa haver "união" (um slogan muito apregoado por alguns quando saem críticas de adeptos a isto ou aquilo no FCP, apesar de incongruentemente não se incomodarem nada que portistas sejam alvos de ataques em editoriais na revista Dragões), essa notoriamente não existe. E isso deixa-me algo preocupado, já que se os nossos decisores-mor não se entendem, é mais difícil "levar o barco a bom porto". Muito ao contrário do que se passa com os adeptos comuns (que detêm zero poder de decisão e um poder infinitesimal de influência), já agora.
A divisão é ainda mais notória quando a demissão acontece no contexto actual (se fosse aquando das próximas eleições no clube em Abril, ou no fim da época, seria muito mais "suave") e sem que seja anunciado um "convite irrecusável" ou "motivos familiares", como aconteceu por muitas vezes na altura de cortar (de forma cordata) laços com um treinador.
A segunda é que na principal área alegadamente da responsabilidade de F Gomes (a Financeira) os resultados dos últimos anos são fracos: desde 02/03 os custos com jogadores (excluindo passes) aumentaram 30%, as remunerações dos dirigentes e restantes funcionários 70%, e os FSE (Fornecimentos e Serviços Externos) 90% - e isto sem que as receitas tenham aumentado ao mesmo ritmo (nem sequer - e isto já é uma opinião subjectiva, admito - a competividade desportiva da equipa). Ora ao constatar que estes factos colidem com o que o F Gomes várias vezes defendeu em público ou nos Relatórios & Contas, só posso concluir que das duas, uma: ou o F Gomes não sabia o que andava a fazer, ou então tem sido sistematicamente desautorizado por Pinto da Costa, R Teles e A Caldeira em decisões de impacto económico a todos os níveis (tanto nas contratações, como nos salários dos jogadores, dirigentes e restantes funcionários, ou contratos para serviços externos).Tendo em conta algumas notícias de jornais ao longo dos anos e factos avulsos que me chegaram ao conhecimento também ao longo de vários anos, parece-me que há uma forte componente da 2a hipótese. Mas a ser verdade resta a pergunta: se o descontrolo progressivo dos custos já vem de há bastantes anos e os colegas não mudaram, porque diabo é que F Gomes esperou por este momento específico para se demitir? Não terá sido certamente apenas uma questão de se sentir desautorizado na decisão sobre mais uma contratação (uma mera gota de água no oceano), mas a pergunta ficará quase certamente sem uma resposta cabal.
Para além disto, falta saber se F Gomes irá abandonar o cargo que detém na SAD para o Basquetebol e a vice-presidência do FCP.
Para terminar, deixo como não podia deixar de ser os meus votos de maior sucesso possível ao seu sucessor, Angelino Ferreira (que curiosamente foi predecessor de F Gomes na administração da SAD, de onde saiu há 9 anos alegadamente por... não concordar com uma política que lhe parecia despesista).
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
SMS do dia - LXXXVI
Depois do Fernando Gomes, saúdam-se as relações normais com a Aurora Cunha.
Ainda não perdi a esperança de um dia destes, os ver no Passeio da Fama, juntamente com a Fernanda Ribeiro.
Ainda não perdi a esperança de um dia destes, os ver no Passeio da Fama, juntamente com a Fernanda Ribeiro.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A palestra de Fernando Gomes na EGP
Na passada sexta-feira, dia 13 de Novembro, Fernando Gomes foi convidado para uma palestra inserida na pós-graduação do curso de "Gestão do desporto profissional" da EGP - University Business School. Num ambiente diferente das assembleias gerais da SAD ou do clube, o administrador do FC Porto respondeu a várias perguntas e fez um conjunto de afirmações interessantes.
"[o sucesso desportivo continuado do FC Porto, sobretudo a nível internacional] é um autêntico milagre".
Para concretizar o fosso que separa Portugal de países como a Inglaterra e a Espanha, Fernando Gomes serviu-se de um quadro comparativo das receitas: Manchester United (324 milhões de euros), Barcelona (308), Bayern Munique (295), Chelsea (268), Arsenal (264), Liverpool (210), Villarreal (68) e FC Porto (54).
"O FC Porto está num mercado parco. Tem apenas 10 ou 12 por cento da capacidade de gerar receitas nos mercados em que está envolvido. Mas, ao mesmo tempo, compete ao mesmo nível em aspectos como a aquisição de jogadores."
"O Keirrison [agora com 20 anos] foi referenciado há dois anos, mas os valores eram incomportáveis. Acabou por ir para o Barcelona, por 14 milhões de euros, com encargos de um milhão de euros por ano. Não tivemos capacidade financeira para competir com o Barcelona."
"Lisandro foi ganhar três mihões de euros para o Lyon".
Na resposta a perguntas da plateia, Fernando Gomes considerou interessantes, mas quase inviáveis uma liga ibérica ou uma liga europeia de clubes.
"[a integração do FC Porto, Benfica e Sporting num potencial campeonato ibérico] Seria aliciante, do ponto de vista de receitas, mas há regras extremamente restritivas a esse respeito no futebol europeu. Ainda recentemente não foi permitida a entrada dos escoceses do Celtic e do Rangers na Premier League."
"O Real Madrid recebe, por ano, 135 milhões de euros, só de direitos televisivos. O Barcelona 125 milhões e o FC Porto nove. Do ponto de vista de mercado, seria muito interessante, mas isso provocaria a diminuição da competição em Portugal".
Quanto à possibilidade de o FC Porto competir numa Liga europeia, foi descrita como "inviável", até porque a UEFA respondeu com o reforço de prémios da Champions. "A oportunidade surgiu em 1998, mas esse tempo já passou. A melhoria das receitas por parte da UEFA tornou quase impeditivo os grandes clubes de darem esse passo".
"Apesar das inúmeras presenças na Liga dos Campeões, o FC Porto tem direito a fatias do market pool muito inferiores a clubes holandeses ou turcos, por exemplo."
"O nosso sucesso passa por antecipar e conquistar os jogadores através da projecção que os atletas ganham no FC Porto"
"O FC Porto é um case study europeu", estatuto granjeado à custa de vários factores: "cuidadosa gestão, boa observação de jogadores e equipas competitivas". O fortalecimento da marca também conta. "Somos muito procurados".
A estratégia do FC Porto para o sucesso, segundo Fernando Gomes, é a seguinte: "profissionalização dos quadros; aposta no centro de treinos e no estádio novo; estratégia agressiva de investimento no plantel e planeamento a longo prazo". Boa parte do sucesso tem que ver com a "prospecção de jogadores e recolocação posterior com negócios altamente vantajosos".
Com um "passivo de 155 milhões de euros, sem contar com outro de 50 milhões relativos à EuroAntas" (detentora do estádio), Fernando Gomes referiu não ser importante o montante. "Os passivos não interessam para nada. Temos é de ter capacidade para gerar fluxos de maneira a pagar esses passivos".
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Os salários dos administradores da SAD
«O relatório e contas da FC Porto - Futebol, SAD referente ao exercício de 2008/09 cumpre, pela primeira vez, a recomendação da CMVM prevista no Código de Governo das Sociedades (II.1.5.5) e discrimina em termos individuais as remunerações atribuídas aos membros do conselho de administração da sociedade. De acordo com o texto divulgado na terça-feira, o presidente Pinto da Costa auferiu 700 mil euros, enquanto os restantes administradores receberam entre 375815 euros (Reinaldo Teles) e 420 mil euros (Adelino Caldeira, Fernando Gomes). Ao contrário do que acontece com os relatórios dos outros clubes europeus cotados em bolsa, as contas da SAD não distinguem, no entanto, as diferentes componentes recebidas individualmente. Adiantam, unicamente, que a remuneração global (1,9 milhões) inclui 1.075.815 euros de salários fixos e 840.000 euros de remunerações variáveis. Estes valores, curiosamente, são inferiores aos do exercício de 2007/08 (2,28 milhões, incluindo 700 mil euros de remunerações variáveis).
Os membros do conselho de administração da SAD portista têm direito, desde Agosto de 1997, a uma remuneração fixa e a uma remuneração variável que depende dos lucros registados no final de cada exercício económico (2% dos lucros para o presidente, 1% para os restantes administradores). A partir de 2007/08, essa remuneração variável deixou de atender exclusivamente à performance económica da SAD e passou a depender, igualmente, de objectivos desportivos cumpridos pela equipa principal do FC Porto. Os administradores da sociedade passaram a ter direito a uma bonificação variável "consubstanciada em percentagens sobre o respectivo salário bruto anual: campeão nacional (75%); vencedor da Taça UEFA (100%) e vencedor da Champions League (120%)". Aqueles 840 mil euros discriminados nas contas de 2008/09 correspondem a cerca de 78% dos 1.075.815 euros indicados como remuneração fixa, o que parece indicar que os prémios de performance económica não foram incluídos nesta secção (contactada por O JOGO, a administração da SAD recusou-se a adiantar qualquer esclarecimento).
Tal como se pode ver no quadro que reúne as remunerações anuais dos administradores dos principais clubes de futebol cotados em bolsa, os 700 mil euros auferidos pelo presidente Pinto da Costa em 2008/09 não destoam entre os montantes recebidos pelos pares europeus - sobretudo tendo em conta o impressionante êxito desportivo alcançado pelo clube sob a sua liderança. O presidente portista não entra, sequer, no Top 10 dos administradores mais bem pagos. E esta amostra, recorde-se, diz respeito unicamente a clubes cotados em bolsa e não inclui, portanto, administradores executivos de clubes milionários como Chelsea, AC Milan ou Manchester United, cujos salários concorrem certamente com os mais altos da tabela.
Em termos colectivos, no entanto, o panorama é diferente. A SAD portista está entre as que mais gasta - 2,063 milhões de euros, em 2008/09 - com remunerações totais pagas aos membros do conselho de administração. Este montante não está em linha com o nível de facturação/dimensão económica da sociedade nem com as práticas do mercado nacional em que está inserida. Apenas gigantes económicos como a Juventus ou o Arsenal pagaram mais aos respectivos administradores (o Ajax ainda não publicou as contas de 2008/09; no exercício anterior, o clube holandês despendeu 2,3 milhões de euros porque teve de pagar compensações a dois administradores cessantes). Ao contrário do que acontece na FC Porto - Futebol, SAD, os clubes europeus analisados contam com um número reduzido de administradores executivos - em geral dois, por vezes apenas um. Os restantes membros do conselho recebem subsídios ou salários meramente simbólicos. O conselho de administração do Roma, por exemplo, tem 11 membros, mas apenas as administradoras Rosella e Silvia Sensi tiveram remunerações de relevo. A Juventus tem oito, mas apenas Giovanni Cobolli Gigli e Jean-Claude Blanc receberam salários significativos. No Lyon, os 14 administradores são remunerados unicamente com senhas de presença, num total de 100 mil euros.»
Paulo Anunciação
in O JOGO, 18/10/2009
Interessante este artigo de Paulo Anunciação, o qual é complementado pelos seguintes quadros referentes aos principais clubes de futebol cotados em bolsa.
Remunerações anuais dos administradores (euros):
Jean-Claude Blanc, Juventus, 2.696.000
K. J. Friar, Arsenal, 1.541.000
Jean-Michel Aulas, Lyon, 1.408.000 (*)
Martin van Geel, Ajax, 1.136.000 (*)
Rosella Sensi, AS Roma, 1.100.000
Daniel Levy, Tottenham, 1.097.000 (*)
Peter Lawwell, Celtic, 811.000
Maarten Fontein, Ajax, 791.000 (*)
Martin Bain, Glasgow Rangers, 733.000 (*)
Ivan Gazidis, Arsenal, 732.000
Giovanni Cobolli Gigli, Juventus, 723.000
Pinto da Costa, FC Porto, 700.000
Hans-Joachim Watzke, Borússia Dortmund, 616.000
Matthew Collecott, Tottenham, 445.000 (*)
Thomas Treb Borússia, Dortmund, 440.000
Adelino Caldeira, FC Porto, 420.000
Fernando Gomes, FC Porto, 420.000
Karren Brady, Birmingham, 380.000
Reinaldo Teles, FC Porto, 375.815
Jeroen Slop, Ajax, 295.000 (*)
Eric Riley, Celtic, 253.000
Silvia Sensi, AS Roma, 250.000
Remunerações das administrações (milhões de euros):
Juventus, 3,529
Arsenal, 2,459
Ajax, 2,310 (*)
FC Porto, 2,063
Tottenham, 1,553 (*)
Lyon, 1,510 (*)
AS Roma, 1,491
Celtic, 1,261
Rangers, 1,087 (*)
Birmingham, 1,067 (*)
B. Dortmund, 1,056
(*) valores referentes ao exercício de 2007/08
Notas: As remunerações do presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, são pagas pela sociedade ICMI, a holding (de Aulas) que detém uma participação de mais de 34% no capital do clube; os valores referentes à remuneração do conselho de administração do Ajax incluem indemnizações/benefícios pela cessação de funções dos administradores Martin van Geel e Maarten Fontein; em 2006/07, as remunerações dos administradores do Ajax foram inferiores a 1,3 milhões de euros.
Olhando para estes valores, não me impressiona o que ganha o Pinto da Costa, se atendermos a que é o responsável máximo do futebol portista. Contudo, há cinco aspectos que, para mim, suscitam discussão:
1) O valor global que é pago ao conjunto dos administradores executivos da FC Porto SAD o qual, no contexto europeu e comparando com clubes muitíssimo mais ricos que o FC Porto, me parece excessivo.
2) O facto dos administradores com os pelouros financeiro e jurídico terem remunerações como se fossem gestores do futebol. Não são e, particularmente na área jurídica, não me parece que se justifique um administrador com este nível de salários e prémios (!). Penso que um departamento jurídico de apoio seria mais do que suficiente.
3) Para além do presidente da SAD, faz sentido haver um outro administrador com o pelouro do futebol e, adicionalmente, haver também um director geral da SAD com o perfil e raio de acção do Antero Henrique?
4) Durante o período abrangido pelo exercício 2008/09, Reinaldo Teles teve um gravíssimo problema de saúde que o afastou da equipa (e do banco de suplentes) a partir da 6ª ou 7ª jornada. Ora, tendo estado ausente por razões de saúde, faz sentido que a sua remuneração seja praticamente igual à dos outros administradores?
5) Os salários dos administradores executivos da FC Porto SAD foram definidos por uma Comissão de Vencimentos (presidida por Alípio Dias, um ex-administrador do BCP), a qual estipulou que o título nacional é premiado com mais 75 por cento do valor bruto dos ganhos dos administradores, enquanto o segundo ou terceiro lugares merecem mais 50 por cento. Ora, mesmo sabendo que na última assembleia-geral da SAD a Administração rejeitou os prémios caso a equipa de futebol termine em segundo ou terceiro lugares, para quando a revisão desta regra escandalosa?
Imagem: DN
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domingo, 6 de setembro de 2009
Aposta forte no basket azul-e-branco
Depois do ano horribilis do basquetebol portista, logo em Maio passado, quando foi contratado o ex-seleccionador de Espanha e actual seleccionador de Portugal, Pinto da Costa afirmou:
“Sinto falta dos títulos do basquetebol, há quatro anos que não vencemos e isso para o FC Porto é muito tempo”
Perante esta afirmação, era de prever uma revolução no plantel portista e uma aposta forte para a época 2009/10.

E, de facto, saíram Daniel Monteiro, Augusto Sobrinho e os três americanos – Kevin Martin, Christian Burns e Marcus Watts – tendo sido promovidos os regressos de Rui Mota, Carlos Andrade, Julian Terrell e Jorge Coelho, os quais, juntamente com as contratações de Brice Fantazia, Gregory Stempin e David Gomes, perfazem um total de sete caras novas.
Bases: João Figueiredo, Brice Fantazia (ex-Culver Stockton, EUA), Rui Mota (ex-Ovarense), André Bessa e Pedro Catarino
Extremos: Paulo Cunha, Nuno Marçal, José Almeida, Carlos Andrade (ex-Bruesa, Esp), Gregory Stempin (ex-Ovarense) e João Gaspar
Postes: Julian Terrell (ex-Köln 99ers, Ale), Jorge Coelho (ex-Gijon Basket, Esp), David Gomes (ex-CAB Madeira), André Boavida e André Pereira
Na teoria, este plantel é bastante melhor e mais profundo que o da época passada, com alternativas de qualidade idêntica para as diversas posições.
Também é esta a opinião do responsável máximo do basquetebol azul-e-branco – Fernando Gomes – o qual, na apresentação de Carlos Andrade, afirmou:
"Realisticamente, é óbvio que, em função do plantel que foi possível concretizar, esta equipa dá-nos garantias de ser melhor da que a do ano passado. Objectivamente, estão criadas as condições para ombrear na disputa de todas as competições que estivermos envolvidos".
Só tenho pena que em vez do regresso do Julian Terrell, não tenha sido possível (se é que isso era desejável pelos dirigentes portistas) manter o Christian Burns que é, claramente, um jogador de outro nível.
P.S. O que se passa com Fernando Assunção, que desde Maio passado tem andado discreto (para não dizer invisível) nas mudanças que foram operadas no basquetebol do FC Porto?
“Sinto falta dos títulos do basquetebol, há quatro anos que não vencemos e isso para o FC Porto é muito tempo”
Perante esta afirmação, era de prever uma revolução no plantel portista e uma aposta forte para a época 2009/10.

E, de facto, saíram Daniel Monteiro, Augusto Sobrinho e os três americanos – Kevin Martin, Christian Burns e Marcus Watts – tendo sido promovidos os regressos de Rui Mota, Carlos Andrade, Julian Terrell e Jorge Coelho, os quais, juntamente com as contratações de Brice Fantazia, Gregory Stempin e David Gomes, perfazem um total de sete caras novas.
Bases: João Figueiredo, Brice Fantazia (ex-Culver Stockton, EUA), Rui Mota (ex-Ovarense), André Bessa e Pedro Catarino
Extremos: Paulo Cunha, Nuno Marçal, José Almeida, Carlos Andrade (ex-Bruesa, Esp), Gregory Stempin (ex-Ovarense) e João Gaspar
Postes: Julian Terrell (ex-Köln 99ers, Ale), Jorge Coelho (ex-Gijon Basket, Esp), David Gomes (ex-CAB Madeira), André Boavida e André Pereira
Na teoria, este plantel é bastante melhor e mais profundo que o da época passada, com alternativas de qualidade idêntica para as diversas posições.
Também é esta a opinião do responsável máximo do basquetebol azul-e-branco – Fernando Gomes – o qual, na apresentação de Carlos Andrade, afirmou:
"Realisticamente, é óbvio que, em função do plantel que foi possível concretizar, esta equipa dá-nos garantias de ser melhor da que a do ano passado. Objectivamente, estão criadas as condições para ombrear na disputa de todas as competições que estivermos envolvidos".
Só tenho pena que em vez do regresso do Julian Terrell, não tenha sido possível (se é que isso era desejável pelos dirigentes portistas) manter o Christian Burns que é, claramente, um jogador de outro nível.
P.S. O que se passa com Fernando Assunção, que desde Maio passado tem andado discreto (para não dizer invisível) nas mudanças que foram operadas no basquetebol do FC Porto?
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Moncho Lopez
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Resultado do sorteio da LC




Calendário dos jogos do FC Porto:
15 Setembro: Chelsea-FC Porto
30 Setembro: FC Porto-Atlético Madrid
21 Outubro: FC Porto-APOEL
3 Novembro: APOEL-FC Porto
25 Novembro: FC Porto-Chelsea
8 Dezembro: Atlético Madrid-FC Porto
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terça-feira, 17 de março de 2009
Fernando Gomes em entrevista ao JN
O JN publicou hoje uma entrevista de Fernando Gomes, 57 anos, administrador da FCP SAD há nove anos, responsável pelo pelouro financeiro. Seleccionei algumas frases que me pareceram mais relevantes e que reproduzo a seguir.
Sobre a qualificação para os quartos-de-final da Liga dos Campeões:
«(...) este apuramento tem um enorme valor desportivo. (...) O valor de uma equipa que não vai à Champions, que fica na primeira fase ou de uma que é afastada da Taça UEFA é completamente diferente do de uma equipa que atinge os "quartos" ou as meias-finais de uma competição europeia de elite como a Champions League. A passagem tem um valor intrínseco muito elevado do ponto de vista da valorização dos activos da SAD.»
Sobre Cunha Leal (ex-Director executivo da Liga de Clubes):
«(...) foi responsável por dois grandes escândalos do futebol português - a inscrição de Ricardo Rocha pelo Benfica e a permissão da realização do jogo Estoril-Benfica no Algarve»
Sobre a equipa de futebol:
«(...) hoje podemos dizer, passados nove meses da época se ter iniciado, que estamos praticamente em todas as frentes: nos "quartos" da Champions, no primeiro lugar da Liga e nas meias-finais da Taça de Portugal. Estamos satisfeitos.»
Sobre o processo Apito Dourado:
«Tudo o que foi dito neste processo tem impacto negativo sobre a sociedade. Não posso esconder que afectou a credibilidade, mas o que temos feito tem atenuado isso.»
Sobre Pinto da Costa:
«Ele é um factor de coesão e de agregação.»
Sobre o capital da SAD e o artigo 35:
«O facto de, pontualmente, a sociedade ter um capital inferior a 50% pode não ser o factor decisivo, pois nas sociedades anónimas desportivas não são permitidas as valorizações dos activos, existindo uma reserva oculta ao nível do plantel que não sendo expressa contabilistamente, poderá criar uma distorção em relação ao valor intrínseco da sociedade.»
Sobre o endividamento do grupo FC Porto:
«No grupo do F. C. Porto, não só a SAD, estamos relativamente confortáveis. Temos um endividamento elevado, da ordem dos 90 milhões de euros, a EuroAntas tem um endividamento de 30 milhões de euros no âmbito da construção do estádio, o F. C. Porto clube tem um endividamento sem expressão.»
Sobre a estratégia da SAD para o futebol:
«Com a liderança de Pinto da Costa, a sociedade assumiu a filosofia de estar neste negócio com alguma dose de risco, para criar equipas competitivas, eventualmente com custos maiores do que outras, para estar a um nível elevado nos mercados nacional e europeu. Isto é impossível de conseguir com custos reduzidos, sabendo que estar sempre na alta roda do futebol europeu vai permitir gerar as mais-valias para colmatar os défices de exploração.
(...) através da montra que é a Champions, poderíamos valorizar os jogadores com mais-valia e reequilibrar as contas. Mas temos consciência de que as condições de mercado se alteraram de forma significativa. Alguns passos já foram dados, com a aposta no projecto Visão 611, para criar condições internas para desenvolver uma política de formação que nos últimos anos tem andado arredada do F. C. Porto e de fazer uma maior procura de valores portugueses e jovens, para reforçar a capacidade competitiva da equipa com um eventual menor custo.»
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A crise e o modelo de gestão portista (III)
O impacto da crise no futebol português (I)
A crise vista da 2ª circular (II)
O Decreto-Lei n.º 67/97, de 3 de Abril, no seu artigo 45º determinou que as suas normas entravam em vigor no dia 1 de Agosto de 1997. Assim, até ao início da época desportiva seguinte (1997/98) deveriam os clubes optar por um de dois regimes:
- sociedade desportiva;
- clube desportivo sujeito a regime especial de gestão.
Analisando o desempenho das sociedades desportivas de FC Porto, Sporting e Benfica neste período – últimas 11 épocas, de 1997/98 a 2007/08 – é evidente que, quer em termos desportivos, quer em termos financeiros, a gestão portista demonstrou ser a melhor do futebol português. Isto para mim é claro e não há ‘Apito Final’ que o consiga disfarçar.
E se em termos desportivos – a essência e objectivo primordial das SAD’s – a diferença é abissal (7 campeonatos, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Taça Intercontinental, contra apenas 3 campeonatos ganhos por Sporting e Benfica em conjunto), em termos financeiros também parece não haver grandes dúvidas, bastando olhar para os passivos globais dos três clubes grandes.

O modelo de gestão portista, particularmente nas últimas cinco épocas (2004/05 a 2008/09) tem sido, no essencial, baseado nos seguintes princípios orientadores:
i) prospecção de jogadores (privilegiando o mercado sul-americano) feita pela própria SAD ou por empresários;
ii) investimento anual significativo em passes de jogadores (a maioria com idade inferior a 24 anos);
iii) crescimento e rentabilização desportiva dos jogadores durante três ou quatro épocas, com o desempenho na Liga dos Campeões a ser fundamental, visto servir de montra privilegiada para os "tubarões" europeus;
iv) venda de pelo menos dois dos melhores (e mais valorizados) jogadores todos os anos, de modo a gerarem mais-valias que permitam equilibrar as contas e realimentar o modelo.
É um facto que tem havido um elevado desperdício associado a muitos falhanços nas compras e ao número excessivo de jogadores sob contrato (com dezenas a terem de ser emprestados), mas a SAD portista tem tido o inegável mérito de conseguir vender muito bem as suas “pérolas” a alguns dos clubes mais endinheirados da Europa (Chelsea, Barcelona, Dínamo Moscovo, Manchester United, Real Madrid, Inter Milão), o que lhe permitiu fazer encaixes impensáveis, particularmente no pós-Gelsenkirchen.
Contudo, é óbvio que este é um modelo de risco elevado.
Por exemplo, o que acontecerá se, por falta de liquidez dos compradores, a FCP SAD não conseguir vender as suas “pérolas” durante duas épocas seguidas?
Ou, pior ainda (do ponto de vista desportivo), se tiver de vender dois ou três dos seus melhores jogadores, para encaixar o mesmo dinheiro que nos últimos anos recebia por apenas um?
Em 10 de Outubro passado, em declarações ao PÚBLICO, Fernando Gomes afirmou o seguinte:
“Esta ausência de liquidez vai tornar muito mais difícil o acesso ao crédito, que terá uma selecção muito mais rigorosa, ainda mais quando os clubes portugueses estão altamente endividados e necessitados de fundos de terceiros, nomeadamente da banca.”
Mais recentemente, em declarações que fez à Agência Lusa, Fernando Gomes reafirmou e reforçou as suas preocupações com o impacto que a crise poderá ter no futebol e, particularmente, no FC Porto.
----------
Fernando Gomes, Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD

O administrador da sociedade desportiva do FC Porto, afirmou à Lusa que a actual situação económica e financeira, tendo em consideração o nível de endividamento dos cubes, vai "ter reflexos nos clubes e SAD, que vão ter maiores dificuldades de acesso ao crédito devido à falta de liquidez e terão condições de crédito muito mais gravosas", o que terá efeitos na conta de exploração.
Aquele responsável observou que, "tendo em linha de conta que Portugal é um país exportador de jogadores e que essas exportações são necessárias para equilibrar as SAD, com as mais valias geradas", a área das transferências vai ter "reflexos negativos sobre a vida financeira dos clubes" nacionais.
Fernando Gomes realçou que os clubes estrangeiros, nomeadamente do mercado inglês, terão menos liquidez para fazer compras e "os valores das transferências de jogadores deverão baixar, devido à menor capacidade de investimento dos clubes importadores, o que se traduz numa diminuição" de aquisições de jogadores.
O dirigente da SAD do FC Porto recordou que os custos com publicidade são dos primeiros a ser cortados pelas empresas, o que se irá fazer sentir nos patrocínios.
Fernando Gomes afirmou que o FC Porto tem um número significativo de lugares vendidos para todo o ano no início da época desportiva, mas garantiu que a SAD estará atenta para quando se iniciar a venda de lugares anuais para a próxima época tentar manter o seu número, não excluindo uma redução de preços.
"No futuro, se houver maior condicionamento, o FC Porto é, dos três, aquele que terá de ter maior atenção relativamente ao facto de ver diminuída essa parte da sua conta de exploração. Se já é uma preocupação este ano, nos anos subsequentes será uma preocupação acrescida", assinalou Fernando Gomes.
Para o administrador da SAD "é um dado objectivo que o FC Porto necessitará de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar" as suas contas, apesar de a venda de Quaresma para o Inter de Milão já ter aliviado o exercício de 2008/09.
Fernando Gomes considerou preocupante a "estagnação do mercado" por parte dos clubes europeus mais gastadores, que terá "reflexos ao nível dos clubes de países periféricos e exportadores, que necessitam dessas transacções para equilibrarem as suas contas".
"De alguma forma, o FC Porto pode ressentir-se mais (do que o Benfica e o Sporting), pois, tendo em conta o passado recente, tem conseguido equilibrar as suas contas de exploração com a geração de mais-valias" provenientes da transferência de futebolistas para o estrangeiro, observou.
----------
Quando o Dr. Fernando Gomes diz que a FCP SAD precisa de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar as suas contas, é um número que assusta. Contudo, se olharmos atentamente para os relatórios e contas da SAD, a dúvida que fica é se 25 milhões por época será suficiente.
Vale a pena recordar o valor (em milhões de euros) e peso que as mais-valias das transferências de jogadores têm tido nas contas da SAD:
Exercício de 2003/04: 58.290 (equivalente a 97,7% das receitas operacionais)
Exercício de 2004/05: 48.579 (110,2%)
Exercício de 2005/06: 14.205 (32,2%)
Exercício de 2006/07: 33.365 (60,7%)
Exercício de 2007/08: 42.964 (78,2%)
Ou seja, no pós-Gelsenkirchen (últimas cinco épocas), a FCP SAD encaixou, em média, 39.4 milhões de euros por época em mais-valias de transferências.
Deste modo, se 25 milhões anuais de mais-valias fossem suficientes, estes quase 40 milhões de euros anuais (valor médio), deveriam ter permitido que a SAD tivesse acumulado 75 milhões de euros (15 milhões por época) de resultados líquidos positivos nos últimos cinco anos. Ora, não foi isso que aconteceu.

Nota: Conforme se pode constatar no quadro anterior, em Junho de 2008 os capitais próprios da SAD estavam ao mesmo nível de Junho de 2003.
Mais. O orçamento para 2008/09 prevê 35.213 milhões de euros de mais-valias (76,2% das Receitas Operacionais), 10 milhões de euros acima dos 25 referidos como necessários pelo Dr. Fernando Gomes. Em que ficamos?
A venda de Quaresma, concretizada em 1 de Setembro de 2008, irá gerar uma mais-valia na ordem dos 17 milhões de euros, mas para cumprir o orçamento desta época é necessário que até 30 de Junho de 2009 haja outra(s) transferência(s) que gere(m) 18 milhões de euros em mais-valias.
É neste cenário que a saída de Bruno Alves, de Lucho, ou de ambos, se afigura como altamente provável.
Importa sublinhar o seguinte: O Dr. Fernando Gomes é um homem da confiança do presidente Pinto da Costa, sendo o administrador da FCP SAD com o pelouro financeiro e o representante nas relações com o Mercado. Pelo seu passado no clube e na SAD e por aquilo que conhecemos dele, não me parece que seja o tipo de pessoa que diz coisas gratuitas e sem fundamento.

Estas suas declarações não são bocas de café ou feitas de forma ligeira em fóruns na Internet. São afirmações claras, feitas à Agência Lusa de forma institucional, e demonstram que a preocupação com a gestão económico-financeira da SAD não é infundada e muito menos uma especulação resultante dos "críticos", de "bloguistas ignorantes", ou de mentes maquiavélicas anti-SAD.
(continua, Transferências, publicidade e patrocínios no futebol português)
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
A crise vista da 2ª circular (II)
O Decreto-Lei n.º 67/97, de 3 de Abril, no seu artigo 45º determinou que as suas normas entravam em vigor no dia 1 de Agosto de 1997. Assim, até ao início da época desportiva seguinte (1997/98) deveriam os clubes optar por um de dois regimes:
- sociedade desportiva;
- clube desportivo sujeito a regime especial de gestão.
Analisando o desempenho das sociedades desportivas de FC Porto, Sporting e Benfica neste período – últimas 11 épocas, de 1997/98 a 2007/08 – é evidente que, quer em termos desportivos, quer em termos financeiros, a gestão portista demonstrou ser a melhor do futebol português. Isto para mim é claro e não há ‘Apito Final’ que o consiga disfarçar.
E se em termos desportivos – a essência e objectivo primordial das SAD’s – a diferença é abissal (7 campeonatos, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Taça Intercontinental, contra apenas 3 campeonatos ganhos por Sporting e Benfica em conjunto), em termos financeiros também parece não haver grandes dúvidas, bastando olhar para os passivos globais dos três clubes grandes.
O modelo de gestão portista, particularmente nas últimas cinco épocas (2004/05 a 2008/09) tem sido, no essencial, baseado nos seguintes princípios orientadores:
i) prospecção de jogadores (privilegiando o mercado sul-americano) feita pela própria SAD ou por empresários;
ii) investimento anual significativo em passes de jogadores (a maioria com idade inferior a 24 anos);
iii) crescimento e rentabilização desportiva dos jogadores durante três ou quatro épocas, com o desempenho na Liga dos Campeões a ser fundamental, visto servir de montra privilegiada para os "tubarões" europeus;
iv) venda de pelo menos dois dos melhores (e mais valorizados) jogadores todos os anos, de modo a gerarem mais-valias que permitam equilibrar as contas e realimentar o modelo.
É um facto que tem havido um elevado desperdício associado a muitos falhanços nas compras e ao número excessivo de jogadores sob contrato (com dezenas a terem de ser emprestados), mas a SAD portista tem tido o inegável mérito de conseguir vender muito bem as suas “pérolas” a alguns dos clubes mais endinheirados da Europa (Chelsea, Barcelona, Dínamo Moscovo, Manchester United, Real Madrid, Inter Milão), o que lhe permitiu fazer encaixes impensáveis, particularmente no pós-Gelsenkirchen.
Contudo, é óbvio que este é um modelo de risco elevado.
Por exemplo, o que acontecerá se, por falta de liquidez dos compradores, a FCP SAD não conseguir vender as suas “pérolas” durante duas épocas seguidas?
Ou, pior ainda (do ponto de vista desportivo), se tiver de vender dois ou três dos seus melhores jogadores, para encaixar o mesmo dinheiro que nos últimos anos recebia por apenas um?
Em 10 de Outubro passado, em declarações ao PÚBLICO, Fernando Gomes afirmou o seguinte:
“Esta ausência de liquidez vai tornar muito mais difícil o acesso ao crédito, que terá uma selecção muito mais rigorosa, ainda mais quando os clubes portugueses estão altamente endividados e necessitados de fundos de terceiros, nomeadamente da banca.”
Mais recentemente, em declarações que fez à Agência Lusa, Fernando Gomes reafirmou e reforçou as suas preocupações com o impacto que a crise poderá ter no futebol e, particularmente, no FC Porto.
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Fernando Gomes, Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD
O administrador da sociedade desportiva do FC Porto, afirmou à Lusa que a actual situação económica e financeira, tendo em consideração o nível de endividamento dos cubes, vai "ter reflexos nos clubes e SAD, que vão ter maiores dificuldades de acesso ao crédito devido à falta de liquidez e terão condições de crédito muito mais gravosas", o que terá efeitos na conta de exploração.
Aquele responsável observou que, "tendo em linha de conta que Portugal é um país exportador de jogadores e que essas exportações são necessárias para equilibrar as SAD, com as mais valias geradas", a área das transferências vai ter "reflexos negativos sobre a vida financeira dos clubes" nacionais.
Fernando Gomes realçou que os clubes estrangeiros, nomeadamente do mercado inglês, terão menos liquidez para fazer compras e "os valores das transferências de jogadores deverão baixar, devido à menor capacidade de investimento dos clubes importadores, o que se traduz numa diminuição" de aquisições de jogadores.
Fernando Gomes afirmou que o FC Porto tem um número significativo de lugares vendidos para todo o ano no início da época desportiva, mas garantiu que a SAD estará atenta para quando se iniciar a venda de lugares anuais para a próxima época tentar manter o seu número, não excluindo uma redução de preços.
"No futuro, se houver maior condicionamento, o FC Porto é, dos três, aquele que terá de ter maior atenção relativamente ao facto de ver diminuída essa parte da sua conta de exploração. Se já é uma preocupação este ano, nos anos subsequentes será uma preocupação acrescida", assinalou Fernando Gomes.
Para o administrador da SAD "é um dado objectivo que o FC Porto necessitará de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar" as suas contas, apesar de a venda de Quaresma para o Inter de Milão já ter aliviado o exercício de 2008/09.Fernando Gomes considerou preocupante a "estagnação do mercado" por parte dos clubes europeus mais gastadores, que terá "reflexos ao nível dos clubes de países periféricos e exportadores, que necessitam dessas transacções para equilibrarem as suas contas".
"De alguma forma, o FC Porto pode ressentir-se mais (do que o Benfica e o Sporting), pois, tendo em conta o passado recente, tem conseguido equilibrar as suas contas de exploração com a geração de mais-valias" provenientes da transferência de futebolistas para o estrangeiro, observou.
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Quando o Dr. Fernando Gomes diz que a FCP SAD precisa de 25 milhões de euros (anuais) de mais-valias para equilibrar as suas contas, é um número que assusta. Contudo, se olharmos atentamente para os relatórios e contas da SAD, a dúvida que fica é se 25 milhões por época será suficiente.
Vale a pena recordar o valor (em milhões de euros) e peso que as mais-valias das transferências de jogadores têm tido nas contas da SAD:
Exercício de 2003/04: 58.290 (equivalente a 97,7% das receitas operacionais)
Exercício de 2004/05: 48.579 (110,2%)
Exercício de 2005/06: 14.205 (32,2%)
Exercício de 2006/07: 33.365 (60,7%)
Exercício de 2007/08: 42.964 (78,2%)
Ou seja, no pós-Gelsenkirchen (últimas cinco épocas), a FCP SAD encaixou, em média, 39.4 milhões de euros por época em mais-valias de transferências.
Deste modo, se 25 milhões anuais de mais-valias fossem suficientes, estes quase 40 milhões de euros anuais (valor médio), deveriam ter permitido que a SAD tivesse acumulado 75 milhões de euros (15 milhões por época) de resultados líquidos positivos nos últimos cinco anos. Ora, não foi isso que aconteceu.

Balanços da FCP SAD do período 2001-2008 (clique na imagem para ampliar)
Nota: Conforme se pode constatar no quadro anterior, em Junho de 2008 os capitais próprios da SAD estavam ao mesmo nível de Junho de 2003.
Mais. O orçamento para 2008/09 prevê 35.213 milhões de euros de mais-valias (76,2% das Receitas Operacionais), 10 milhões de euros acima dos 25 referidos como necessários pelo Dr. Fernando Gomes. Em que ficamos?
A venda de Quaresma, concretizada em 1 de Setembro de 2008, irá gerar uma mais-valia na ordem dos 17 milhões de euros, mas para cumprir o orçamento desta época é necessário que até 30 de Junho de 2009 haja outra(s) transferência(s) que gere(m) 18 milhões de euros em mais-valias.
É neste cenário que a saída de Bruno Alves, de Lucho, ou de ambos, se afigura como altamente provável.
Importa sublinhar o seguinte: O Dr. Fernando Gomes é um homem da confiança do presidente Pinto da Costa, sendo o administrador da FCP SAD com o pelouro financeiro e o representante nas relações com o Mercado. Pelo seu passado no clube e na SAD e por aquilo que conhecemos dele, não me parece que seja o tipo de pessoa que diz coisas gratuitas e sem fundamento.
Estas suas declarações não são bocas de café ou feitas de forma ligeira em fóruns na Internet. São afirmações claras, feitas à Agência Lusa de forma institucional, e demonstram que a preocupação com a gestão económico-financeira da SAD não é infundada e muito menos uma especulação resultante dos "críticos", de "bloguistas ignorantes", ou de mentes maquiavélicas anti-SAD.
(continua, Transferências, publicidade e patrocínios no futebol português)
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
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