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quinta-feira, 11 de junho de 2015

O IV Encontro já tem data

O I Encontro da Bluegosfera foi no dia 21 de Julho de 2012.

O II Encontro da Bluegosfera foi no dia 15 de Junho de 2013.

O III Encontro da Bluegosfera foi no dia 7 de Junho de 2014.

O IV Encontro da Bluegosfera será realizado dia 4 de Julho de 2015.

IV Encontro da Bluegosfera - Data, Local e Programa (resumo)

IV Encontro da Bluegosfera - Mapa

Quem quiser participar, pode ir marcando esta data na agenda. Brevemente abrirão as inscrições e daremos mais novidades.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

As contas da SAD na Bluegosfera

Janeiro de 2008. Quando o ‘Reflexão Portista’ viu a luz do dia, houve (e ainda há) quem, por diversas razões, olhasse para este blogue de soslaio.

Ao longo destes anos, um dos aspectos em que o ‘Reflexão Portista’ se distinguiu da generalidade dos outros blogues portistas, foi na publicação, regular, de análises às contas, particularmente da FC Porto SAD.
No feedback recebido, ouvimos (lemos) de tudo.
Os comentários mais “simpáticos” acusavam o blogue de ser elitista; os menos simpáticos apelidavam os autores dos artigos de ignorantes e, pelo caminho, desafiavam esses autores a candidatarem-se às eleições do clube…

Outubro de 2014. Seis anos depois, a análise que os jornais, desportivos e generalistas, fazem às contas dos clubes/SAD’s, continua a ser tecnicamente (muito) pobre e, no essencial, continua a ser uma mera caixa de ressonância dos sound bytes que lhe são transmitidos em comunicados ou conferências de imprensa…

O JOGO, 22-10-2014

JN, 22-10-2014

… mas o panorama da bluegosfera mudou significativamente (para melhor).

O último Relatório e Contas da FC Porto SAD (correspondente ao Exercício 2013/2014), mereceu análises, mais ou menos profundas, em diversos blogues portistas.
Do que li, seleccionei alguns extractos de artigos publicados nos blogues ‘Mística do Dragão’, ‘BiBó Porto, carago!!’, ‘Mística Azul e Branca’ e ‘Tribunal do Dragão’ que, com a devida vénia, reproduzo a seguir.

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«Ao contrário do que Fernando Gomes diz sobre o Mundial ser responsável pelo avultado prejuízo, uma vez que fez atrasar alguns negócios, nomeadamente Mangala e Defour, as alienações dos passes destes dois atletas não chegariam para, sequer cobrir o prejuízo. Aliás, a alienação de Defour, calculo eu, nem sequer terá um efeito significativo nas contas e Mangala nunca na vida irá representar uma mais-valia igual aos 30,5 milhões de euros pelos quais o Porto vendeu a percentagem do passe que detinha, uma vez que o atleta ainda tinha valor nas contas do clube e Jorge Mendes se faz pagar bem;
(…)
O passivo aumentou cerca de 13 milhões, essencialmente à custa do aumento dos financiamentos;
(…)
Daqui é possível concluir que a situação financeira da SAD do Porto é deveras preocupante. Quantos anos poderemos aguentar este registo de gastar mais do que aquilo que temos, não sei. Mas era bom que os sócios e adeptos acordassem antes de levarem com uma bomba dessas em cima.»




«… usando a linguagem do “economês”, diria que assistimos a uma enorme destruição de valor. Para suprir este colapso nos capitais próprios já se conhece a solução encontrada: a passagem de 47% do Estádio do Dragão da esfera do Clube para a esfera da SAD que, de caminho, deu uma enorme ajuda para resolver o bicudo problema que o fair-play financeiro da UEFA veio criar ao não permitir que a média do somatório dos resultados dos três últimos anos não ultrapasse os 5M € de prejuízo.
(…)
Assim, depois de um resultado líquido consolidado negativo (prejuízo) de 35.734M € em 2012, e um igual resultado positivo (lucro) de 20.356M € em 2013, temos agora em 2014 este prejuízo de 40.701M €. Ou seja, a média destes 3 anos é de (-35,734 +20,356 -40,701) /3 = -18,693M €, isto é bem acima do tal máximo de 5M € permitido no regulamento da UEFA (mesmo considerando a possibilidade de abater os gastos com a formação e infra-estruturas), média considerada na avaliação da UEFA para este ano.
(…)
a) A cada ano que passa, cada vez mais se nota a extrema dependência da realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores. Como este ano “apenas” se obteve nesta rubrica o montante de 23.907M €, o que representa uma diminuição de 52.538M € relativamente ao ano anterior, temos aqui a explicação para o descalabro das contas. Por isso falo em extrema dependência, porque uma coisa é depender 10% ou até 20% desta componente dos proveitos e que seria bem acomodada na estrutura dos proveitos, outra coisa totalmente diferente é quando se depende em 50%, ou mais, desta componente.
(…)
c) Os custos e perdas financeiras, fundamentalmente juros pagos dos empréstimos bancários e obrigacionistas, estabilizaram perto dos 13M €/ano (12.734M € contra 12.893M € no ano anterior). É bom que o ciclo ascensional que se vinha verificando tenha terminado, mesmo assim continua a ser um valor demasiado elevado e bem revelador do excessivo grau de endividamento. Para se ter uma ideia da relatividade destes números, basta dizer que estes encargos representam cerca de 15% dos proveitos totais quando, idealmente, não deviam ir muito além dos 5%.»




«Partindo do princípio que os nossos Custos correntes são quase sempre maiores do que os Proveitos, o que acontece? O Passivo sobe e os Capitais Próprios descem. Repare-se que neste último ano tivemos de Custos Operacionais 95,2M€ e de Proveitos Operacionais apenas 72,6M€. O máximo que se tem conseguido é manter o equilíbrio. Faltará depois, como é óbvio, esperar que apareça o milagre das mais-valias nas transações com jogadores, uma das formas de reduzir o Passivo, coisa que cada vez está mais difícil de atingir. Basta reparar nas Sociedades Desportivas que estão em falência técnica (por ex. os 2 circos da Segunda Circular) e aquelas que ainda continuam dependuradas no que resta dos apoios da Banca (por ex. Boavista).»



Tribunal do Dragão, 22-10-2014

«O FC Porto pagou em Junho 2,615 milhões de euros por 85% do passe de Kayembe à Danubio Finanzierungsleistungen und Marketing GMBH (tentem pronunciar isto sem se engasgarem). Kayembe estava emprestado ao FC Porto, ao que tudo indica. O FC Porto decidiu em Junho comprar 85% do passe, com encargos de 61.587€, e aí sim Kayembe assinou por 5 épocas.
(…)
Kayembe já não pode ser apenas um jogador na equipa B. Foi caro. Tem que ser uma aposta com vista ao futuro. Foi contratado em Junho. Pedido de Lopetegui ou intervenção da SAD, pouco interessa. Foi um activo caro, caro demais que ficar limitado a uma equipa B. Kayembe vai ter que evoluir no sentido de ter oportunidades na equipa A. Só o custo de Kayembe pagava uma época inteira do Feirense ou do Freamunde. Diria mais: em Janeiro devia ser emprestado para jogar já na primeira liga.»

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Todos vibramos com as vitórias e conquistas do FC Porto, mas cada vez há mais adeptos portistas com consciência, de que o enorme sucesso desportivo alcançado nas últimas décadas será insustentável se, fora dos relvados, o desequilíbrio estrutural das contas da SAD não for rapidamente corrigido.
Até porque, "balões de oxigénio", como foi a recente operação de passagem de 47% do Estádio do Dragão do Clube para a SAD, não podem ser usados todos os anos.

sábado, 7 de junho de 2014

Portista, tem a palavra

Hoje, novamente em Espinho, realizou-se o III Encontro da Bluegosfera.

Muito há a dizer sobre este terceiro encontro mas, num primeiro curto apontamento, o que gostaria de salientar é a participação de umas dezenas de portistas, alguns presencialmente (durante o dia foram mais de 50 os que passaram pelo auditório da Biblioteca Municipal de Espinho), outros à distância, através do stream do evento.

Pedro Prata (Basculação), Paulo Bizarro (Os Filhos do Dragão), Luís Silva (Somos Porto), Nuno Góis (Mística do Dragão)

Evidentemente, não podemos obrigar ninguém a ir a estes encontros.
E também não podemos obrigar ninguém a falar.
Mas uma coisa podemos fazer. Quem vai e quer intervir, pode fazê-lo e dizer o que pensa, sem ser sujeito a qualquer tipo de condicionamento (a não ser o do tempo disponível ser limitado).

Armando Leitão, José Carvalho Couto, João Nuno Coelho, Bruno Miguel Guedes.

E, mais uma vez, penso que quem foi, ou assistiu à transmissão, não deu o seu tempo por perdido.
Houve um conjunto de intervenções muito interessantes, numa mistura qb de paixão e razão.

Os próximos tempos não serão fáceis, mas saí deste encontro mais optimista.

Foto de conjunto dos Portistas que resistiram até ao fim

Uma palavra final para o Dr. Armando Bouçon (Chefe de Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Espinho) e para o senhor António Coutinho (Presidente da Casa do FC Porto de Espinho), os quais, em representação da Câmara Municipal e da Casa do FC Porto de Espinho, nos honraram com as suas presenças na sessão de Abertura.

António Coutinho e Armando Bouçon

Uma palavra especial de agradecimento à Drª Andrea Magalhães, ao senhor Jorge Afonso e à senhora Mafalda Silva, da Biblioteca Municipal de Espinho, que foram inexcedíveis no apoio prestado e na resolução de todos os problemas logísticos. Bem hajam!

Nota: As fotos do evento podem ser consultadas no sítio do costume: Fotos da Curva.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os desafios que estão pela frente

Conforme já foi divulgado, no próximo Sábado, dia 7 de Junho, entre as 10h30 e as 17h00, vai realizar-se o III Encontro da Bluegosfera, novamente no auditório da Biblioteca Municipal de Espinho.

Uma das sessões prevista para este III Encontro de portistas é a mesa redonda “Como vencer os desafios que estão pela frente?”, a qual irá ter lugar da parte de tarde (sensivelmente entre as 15:00 e as 17:00).

Esta sessão irá contar com três comentadores:
▪ Armando Leitão | Professor (Universidade do Porto)
▪ Bernardino Barros | Jornalista (Porto Canal)
▪ João Nuno Coelho | Investigador, autor e editor na área do futebol


O tema – “Como vencer os desafios que estão pela frente?” – é relativamente aberto e cada um dos comentadores convidados irá fazer uma exposição inicial, em que irá identificar qual o principal desafio que, na sua perspectiva, o FC Porto terá de enfrentar nos próximos anos e como é que esse desafio poderá/deverá ser vencido.

Após as três exposições que, no total, não deverão ultrapassar os 45 minutos, iniciar-se-á um amplo debate alargado aos portistas presentes, os quais terão oportunidade para comentar, bem como, colocar questões dirigidas aos elementos da mesa.

As inscrições ainda estão abertas.
Os portistas interessados podem-se inscrever através deste formulário ou enviando um email para encontro.bluegosfera@gmail.com.

Já só faltam dois dias.

sábado, 24 de maio de 2014

O Programa do III Encontro




É já daqui a duas semanas (no dia 7 de Junho), em Espinho.

Os lugares (no auditório da Biblioteca Municipal de Espinho) são limitados.

A inscrição pode ser feita de duas formas:

- enviar um email para: encontro.bluegosfera@gmail.com
- preencher o formulário de inscrição aqui

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Reações na bluegosfera à derrota na LC


Como seria de esperar, as reações na bluegosfera à derrota caseira de ontem frente ao Atlético Madrid foram, na maior parte dos casos, de desagrado, desilusão e, em muitos casos, de apreensão em relação ao futuro próximo da equipa portista.

Nesse sentido, após uma vista de olhos por diversos blogues portistas, selecionei partes de alguns artigos/comentários sobre o jogo as quais, na minha opinião, tocam em aspetos pertinentes do atual momento da equipa azul-e-branca.


«Havia poucas ideias mas acima de tudo uma desorganização dolorosa de ver, com médios a sobreporem-se uns aos outros, extremos que não o são a tentarem fazer o que não conseguem através de zonas que não dominam. Os passes simples que falhamos em todos os jogos são ainda mais notados quando há pouco espaço e quando a equipa parece desmoronar com o mínimo de pressão contrária, o que resultou num jogo em que Helton esteve muitos mais minutos com a bola nos pés do que qualquer dos avançados da sua própria equipa. (…) A equipa está em desconstrução, com uma mudança de filosofia depois de três anos a jogar fundamentalmente da mesma forma, com níveis diferentes de velocidade entre Villas-Boas e Vitor Pereira. Paulo Fonseca pode estar a tentar mudar a equipa, mas não o conseguirá a curto-prazo e o FC Porto não consegue aguentar este tipo de mutações tão radicais, sem extremos na linha e com dois médios defensivos que ainda não perceberam onde e como jogar.»


«Neste jogo ficou evidente a menor atenção que esta época o FC Porto deu ao reforço das alas (algo a que todo o adepto mais atento cedo chamou à atenção). Josué e Licá são bons jogadores mas não têm pedigree para a Champions.»


«Paulo Fonseca está a mostrar, algo surpreendentemente para mim, uma assustadora falta de ambição que apenas encontro nos treinadores “tugas” da velha guarda. Aquele tipo de treinador que prefere um empate contra uma boa equipa como mal menor, do que arriscar para ser feliz. Aquele “mister” que põe um Iturbe a dois minutos do fim. Ou um Ghilas no último minuto em desespero de causa. Um Manuel José ou Jaime Pacheco dos tempos modernos. E isso deixa-me muito apreensivo.»


«O FCP não é o Paços de Ferreira. É preciso estudar o adversário, conhecer-lhe as manhas e ser inteligente na gestão emocional do jogo. E, quando necessário, ser rápido e acutilante a mexer na equipa. Quintero não vai resolver sempre. E se o Paços de Ferreira da época passada tinha o efeito surpresa do seu lado, o FCP não o tem.


«Alguém diz ao treinador do Porto que a 2ª parte que ele viu não é mesma que TODOS vimos: uma miserável 2ª parte, sem dois passes certos seguidos ... Perdas constantes de bola... Falta de ideias e faz entrar um avançado aos 90 minutos?! Outra vez? Brincamos!? E aquele 2º golo (apesar de...) nem nos iniciados...»


«Se os jogos tivessem 25 minutos, teríamos boas hipóteses de ganhar a CL. Infelizmente não têm e temo o pior. O que me impressionou mais neste jogo foi o facto do AM ter ganho sem esforço de maior. A segunda parte foi de domínio total do AM: impôs o ritmo, com pressão alta na primeira fase de construção do FCP, ocasionando muitos erros na nossa saída para o ataque e recuperava com grande facilidade fechando os espaços, nas poucas vezes que conseguimos chegar um pouco mais à frente. O AM sofreu alguns pequenos incómodos, na execução das bolas paradas. Uma derrota em que se percebeu que a nossa equipa está mal física e animicamente, e está a perder a confiança em cada jogo que passa. (…) Não percebo e acho que a falta de Moutinho (Herrera serve para reforçar a equipa B?) não explica tudo.»



Apontamento final: Não sei se havia algum estado de graça de Paulo Fonseca entre a generalidade dos adeptos portistas mas, se algum dia existiu, parece-me evidente que terminou ontem. Contudo, e para que fique claro, a não ser que os resultados piorem bastante e se tornem calamitosos (para aquilo que é o padrão habitual do FC Porto), ou que o divórcio entre treinador e jogadores seja evidente, sou completamente contra mudanças de treinadores a meio da época.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Insustentável Leveza do Sucesso (II)

Artigo anterior: A Insustentável Leveza do Sucesso (I)

No artigo anterior concluímos que o modelo de negócio da FC Porto SAD assenta na obtenção de Proveitos com Bilheteira, TV, UEFA e Publicidade por um lado, e Mais-valias com as vendas de passes de jogadores por outro, numa proporção média de 70%-30%. Vimos também que o nível de endividamento da sociedade tem sido crescente nos últimos anos e que em 2011-2012 o resultado antes da função financeira sofreu uma forte queda, o que leva a concluir que a SAD tem de crescer, no sentido de obter mais Proveitos (ou, em alternativa, diminuir os seus custos de operação).

Pela análise dos dados contidos nos gráficos abaixo constata-se um decréscimo anualizado de 5,5% nas receitas de Bilheteira, de 2006 a 2012. Este terá sido o primeiro ponto onde a SAD entendeu actuar visto ter lançado recentemente uma campanha de redução de preços para a aquisição de lugar anual e uma nova denominação para as bancadas do Estádio (“mais intuitiva”, recuperando os termos Superior e Arquibancada, que eram utilizados no Estádio das Antas). Espera-se que a campanha dê os seus frutos e que as assistências do Dragão voltem aos seus níveis iniciais.



Há um crescimento sustentado nas receitas provenientes da cedência dos Direitos TV. Entre 2006 e 2012 estas receitas cresceram 11,3% em termos anualizados, fruto das sucessivas renegociações com a Olivedesportos/Sporttv. Este crescimento pode significar que o cliente se estava a apropriar de uma parte do valor potencial desses Direitos e que o FC Porto conseguiu equilibrar a repartição de riqueza gerada por este negócio. Pode haver ainda margem para na próxima renegociação aumentar estas Receitas.


As Receitas obtidas a partir da participação nas Provas UEFA são sempre uma incógnita, dependendo da performance desportiva, no entanto a média de € 13m para o período observado equivale praticamente a passar a fase de grupos da UCL todos os anos. Este é, aliás, o objectivo mínimo definido a cada nova época.
A Publicidade e Sponsorização diminuiu no último ano. Resta saber se se confirmará este ano tornando-se uma tendência (normalmente em tempos de crise esta é uma das primeiras rubricas a sofrer cortes pelas empresas) ou se estes proveitos regressam a níveis de 2010-11.

Em suma, das quatro rubricas de proveitos acima referidas, é na Bilheteira, nos Direitos TV e na Publicidade que a FC Porto SAD poderá ter ainda margem para crescer, assumindo que os valores recebidos nas Provas UEFA dependerão dos resultados e que tal só é controlado de forma indirecta pela gestão.

As assistências
Pela inexistência de um Estudo deste tipo aplicado ao Estádio, utilizei dados do Plano Director do Aeroporto Sá Carneiro, elaborado pela ANA, para quantificar o número de potenciais consumidores e utilizadores do Estádio do Dragão. Por esse motivo, a área inicial, a preto, está ligeiramente a Norte, ou seja, devemos pensar o mapa deslocado um pouco para baixo.
Os dados da catchment area são muito interessantes. Os 7 milhões de habitantes a apenas 120 minutos da cidade do Porto permitem pensar que é possível inverter a tendência de queda das assistências do Estádio nos últimos anos. O FC Porto tem de ser mais ambicioso; o Dragão tem de encher mais vezes; as assistências médias têm de aumentar!
Foi lançada recentemente uma campanha de redução de preços na venda de lugares anuais com o objectivo de “oferecer uma política de preços mais justa, mais económica e com maior equilíbrio entre sectores”. Mais do que nunca a gestão acreditará que consegue trazer mais adeptos ao Estádio e esta campanha é o primeiro reflexo do reconhecimento do potencial do Dragão.



O FC Porto poderá tentar alavancar as suas Receitas através da venda de Direitos TV para países onde os jogadores são uma referência. Exemplo: a Colômbia, onde recentemente a comitiva do nosso Presidente da República foi recebida pelo homólogo colombiano que ostentava um cachecol do FC Porto (!). Poderá, por outro lado, tentar explorar o mercado asiático, embora esta possibilidade seja, compreensivelmente, menos exequível porque o FC Porto ainda não tem a dimensão internacional nem a projecção de um Real Madrid ou Manchester United. E pode, também, fazer estágios ou torneios em países que queiram promover o futebol e ver algumas estrelas internacionais em acção para, assim, projectar o seu nome e obter um acréscimo de receita (recordo-me que a participação na Peace Cup em 2009 rendeu bom dinheiro).

A Sustentabilidade
A consultora AT Kearney elaborou um estudo sobre a sustentabilidade das 5 principais Ligas europeias (Inglaterra, Alemanha, França, Espanha e Itália) à luz das normais técnicas de análise económica e financeira de empresas. As conclusões são muito interessantes: 3 dessas 5 Ligas entrariam em bancarrota no espaço de 2 anos (excepto Alemanha e França). Acontece que a indústria do futebol tem características muito particulares e a sua sustentabilidade não deve ser aferida apenas através de normas de análise económica e financeira tradicionais, mas também socioeconómicos e ambientais.
O quadro abaixo pretende relacionar performance desportiva com performance económica e… não há qualquer correlação entre ambas. As Ligas alemã e francesa são as que apresentam melhores indicadores económicos mas são as Ligas inglesa e espanhola as que têm melhores performances desportivas. Uma coisa é certa: são as Ligas com melhores indicadores, não apenas desportivos, mas também económicos, sociais e ambientais que têm maior probabilidade de crescer a longo prazo de forma sustentável.



Nota: inseri uma circunferência com a bandeira portuguesa onde tudo indica estar localizado Portugal – em termos de ranking desportivo (ranking UEFA) está entre a Itália e a França e em termos de ranking económico estará seguramente entre zero e os valores alcançados por Espanha e Itália.

O Fair-play financeiro da UEFA


O Comité Executivo da UEFA aprovou, em Setembro de 2009, por unanimidade, o conceito de "fair play" financeiro para o bem-estar da modalidade. O conceito também recebeu o apoio de toda a “família do futebol”, tendo como principais objectivos os seguintes:
  • introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol;
  • diminuir a pressão sobre salários e verbas de transferências e limitar o efeito inflacionário;
  • encorajar os clubes a competir apenas com valores das suas receitas;
  • encorajar investimentos a longo prazo no futebol juvenil e em infra-estruturas;
  • proteger a viabilidade a longo prazo do futebol europeu;
  • assegurar que os clubes resolvem os seus problemas financeiros a tempo e horas.


Estes objectivos entretanto aprovados reflectem a visão de que a UEFA tem o dever de ter em consideração o ambiente sistémico do futebol europeu de clubes, no qual os emblemas competem e, em particular, o impacto inflacionário alargado dos gastos dos clubes em salários e verbas de transferências.

Em épocas recentes, muitos clubes reportaram perdas financeiras, e, em alguns casos, maiores de ano para ano. O panorama económico global criou difíceis condições de mercado para os clubes europeus e isto pode ter impacto negativo na geração de receitas e cria desafios adicionais para os clubes, no que diz respeito à disponibilidade do financiamento e para operações do dia-a-dia. Muitos clubes sentiram problemas de liquidez, levando, por exemplo, ao atraso no pagamento a outros clubes, empregados e autoridades sociais e dos impostos.



Os Regulamentos de Licenciamento de Clubes e Fair Play Financeiro da UEFA, aprovados em Maio de 2010 após um período de consultas e actualizados em 2012, estão a ser implementados durante um período de três anos, com os clubes que participam nas competições da UEFA a verem os seus pagamentos (ex.: de transferências e a empregados) monitorizados desde o Verão de 2011. A avaliação do equilíbrio cobrindo os exercícios financeiros que terminam em 2012 e 2013 será efectuada durante a época de 2013/14.

Estas medidas podem afectar sobremaneira a actividade do FC Porto SAD. Não serão admitidos, nas competições europeias, clubes ou sociedades com capital próprio negativo, só para dar um exemplo.

Conclusões


A Sustentabilidade a longo prazo da FC Porto SAD estará dependente de todos os factores mencionados anteriormente e sistematizados na figura acima, sendo de destacar: o crescimento desejável dos proveitos, quer obtidos a nível interno quer internacional; a diminuição da dependência dos financiamentos para a prossecução da actividade (financiamentos bancários, obrigacionistas ou outras formas de injecção de capital alheio); as condições restritivas previstas nas regras do Fair-play financeiro da UEFA e o próprio Modelo de Negócio da sociedade, com a dependência dos negócios de passes de jogadores e as parceiras com Fundos. A Sustentabilidade do negócio dependerá em grande medida da forma como a gestão conseguir gerir e articular todas estas variáveis. Como portistas desejamos que o faça mantendo a performance desportiva e melhorando a performance financeira.
   

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Insustentável Leveza do Sucesso (I)

(a partir da esq.: José Lima, Jorge Bertocchini, Rodrigo Martins, Nuno Nunes, Prof. Armando Leitão)

O presente artigo tem por base uma apresentação recente que fiz no II Encontro da Bluegosfera, em Espinho. Essa apresentação, que é parte integrante de um painel que deu o nome a este artigo, teve por objectivo abordar, entre outros, os temas Internacionalização, Crescimento, Competitividade e Sustentabilidade do FC Porto e em particular da sua Sociedade Anónima Desportiva (SAD) e contou com outras duas apresentações (José Lima do Mística Azul e Branca e Rodrigo Martins do Bibó Porto), com a moderação de Jorge Bertocchini do Porta19 e com o comentário final do Prof. Armando Leitão da FEUP.

Enquadramento da actividade no contexto de Crise


Em primeiro lugar é necessário enquadrar a actividade da SAD no contexto da actual crise socioeconómica que se vive em Portugal. Os números do Desemprego, Dívida Pública, (queda do) Produto Interno Bruto e Défice Orçamental são por demais conhecidos, sendo objecto de escrutínio quase diário na comunicação social, redes sociais, pelos partidos e por outros comentadores políticos. Interessa sobretudo reforçar o descontrolo no crescimento do desemprego e do défice e na queda do PIB, com influência directa na qualidade de vida dos cidadãos. Estes factores condicionam e impactam, directa ou indirectamente, a actividade da SAD. Em termos económicos será previsível (mas não obrigatório) a ocorrência de diminuições nas receitas ‘core’ da sociedade como sejam Bilheteira, Merchandising, Sponsorização, Media e, inclusive, potencial desvalorização dos passes dos jogadores. Em termos financeiros os impactos são reais e já estão a ser sentidos há mais tempo: escassez de liquidez no mercado, aumento dos spreads bancários, dificuldades de acesso ao crédito (acrescidas, no negócio Futebol) e dificuldade de cobrança (e pagamento) de dívidas.

O Modelo de Negócio da FC Porto SAD


As receitas da sociedade assentam num conjunto de proveitos ‘core’ (que como já foi referido são compostos por Bilheteira, UEFA, Merchandising, Sponsorização e Media) e numa componente vital que são os encaixes com as transferências de jogadores, que no gráfico são descritos como “vendas de jogadores” e dizem apenas respeito às mais-valias obtidas (grosso modo, o valor pelo qual vendemos deduzido do valor pelo qual comprámos). O método ou a prática a que temos vindo a assistir na vertente “jogadores” caracteriza-se essencialmente por adquirir o passe – só o FC Porto ou em associação com Fundos – de jogadores jovens, internacionais pelo seu país, com grande potencial de crescimento e valorização, fazer o aproveitamento desportivo e vendê-los numa fase mais madura e de preferência para campeonatos mais competitivos (ou aos petrodólares), com um grande encaixe financeiro. Faze-lo da forma como a SAD o tem feito significa estar um passo à frente da concorrência. No entanto esta estratégia comporta riscos consideráveis. Por exemplo, num ano em que o clube não consiga encaixar um montante da ordem dos €30m em mais-valias com vendas de passes de jogadores, isso representará um défice operacional se os custos não forem reduzidos em conformidade (e normalmente a SAD não reduz custos).


Nos 2 últimos períodos com Relatórios e Contas publicados (2010-11 e 2011-12) os custos cresceram a um ritmo superior ao do crescimento dos Proveitos. No primeiro valeu o encaixe de €15m com o recebimento da cláusula de rescisão de AVB. No segundo (2011-12) houve um crescimento das rubricas Fornecimentos e Serviços Externos e Gastos com Pessoal do lado dos custos e um decréscimo dos proveitos, o que contribuiu decisivamente para o resultado líquido negativo de -€35m. O crescimento dos custos associado a um ligeiro decréscimo nos proveitos implicou uma queda considerável no Resultado Operacional Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, vulgarmente conhecido por EBITDA. Este indicador vinha a apresentar-se estável num intervalo entre €30m e €35m e, em 2011-12 caiu para €12m. Há que inverter com urgência esta situação. Espera-se que os resultados operacionais 2012-13, a serem divulgados em Setembro, voltem para os níveis de 2010-11.


Paralelamente ao desempenho operacional é importante uma observação atenta à evolução da Dívida total da FC Porto SAD (em termos consolidados). De facto, o endividamento tem crescido para níveis elevados tendo já ultrapassado a barreira dos €100m (não inclui Dívida da Euroantas no Project Finance do Dragão). Face às crescentes dificuldades de obtenção de liquidez e renovação das linhas de financiamento no mercado bancário, a SAD tem optado por uma progressiva substituição deste tipo de endividamento pela emissão de títulos de dívida (Empréstimos Obrigacionistas). A procura tem superado a oferta nas sucessivas emissões de títulos nos últimos anos e por isso torna-se mais fácil e cómoda esta opção, com o inconveniente de o custo do capital ser superior: a última emissão, de €30m em Dezembro de 2012, ofereceu uma taxa de juro anual bruta de 8,25%.


Ao indicador Dívida total acrescentamos um outro, a Dívida líquida (“Net Debt”, obtida pela subtracção à Dívida total dos montantes em Caixa, Depósitos bancários e outros títulos imediatamente mobilizáveis). Este indicador teve um crescimento superior a 35% no último ano, fruto das dificuldades de tesouraria vividas nesse período. Se dividirmos este indicador pelo EBITDA (grosso modo, um resultado operacional bruto), temos o número de anos necessários à liquidação total do endividamento (medido no eixo vertical, do lado direito do gráfico), que passou de 2 a 3 para um valor superior a 8 no último ano. Para que o negócio e a actividade da SAD sejam sustentáveis no longo prazo, face a estes níveis de endividamento, seria prudente conseguir recuperar os níveis anteriores de EBITDA o mais rapidamente possível.

Com um modelo de gestão que (i) obtém uma parte considerável (30 a 40%) dos proveitos totais com as mais-valias geradas na alienação de passes de jogadores e que (ii) mantém elevados níveis de endividamento, uma das questões que se colocam é: como manter simultaneamente o negócio sustentável e uma equipa de futebol competitiva?

A discussão continuará na segunda parte deste artigo: A Insustentável Leveza do Sucesso (II)
   

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ideias fortes acerca do “Tal Canal”

No passado sábado, durante o II Encontro da Bluegosfera, houve uma animada discussão em torno de três temas relacionados com o FC Porto.

(II Encontro da Bluegosfera - Painel 1)

No âmbito do Painel 1, cujo tema era o Porto Canal (“O Tal Canal”), três bloggers portistas expuseram as suas opiniões, a partir de perspectivas distintas, mas todas elas muito interessantes.
Para que aquilo que foi dito não fique confinado às quatro paredes do Auditório da Biblioteca Municipal de Espinho, fiz um apanhado de algumas das ideias fortes que foram transmitidas por estes bloggers.

Fernando Costa (Kosta de Alhabaite)

“Portugal ainda não se libertou da asserção queiroziana de que o país é Lisboa e o resto é paisagem”

“Subsiste uma visão centralista afunilada nos media portugueses”

“Um canal de clube não oferece nenhum conteúdo de interesse geral e de nada serve para aumentar o prestígio desse mesmo clube”

“A inclusão de espaços dedicados ao Clube num canal com programação generalista e independente é a opção correta e mais agregadora”

“A regionalização faz-se com boas instituições, não só a nível económico-financeiro, mas a nível da televisão, do jornalismo, dos jornais e das rádios locais”

“O FC Porto tem de ser capaz de se defender publicamente e de afirmar a nossa versão de uma forma mais abrangente e eficaz do que com comunicados no site oficial ou alfinetadas do Labaredas”

“A grelha do Porto Canal poderia conter um programa reunindo bloggers da bluegosfera”

“Não quero um Porto Canal trauliteiro, populista e demagogo, mas também não quero este Porto Canal mansinho, na onda da atual comunicação do Clube”

“O futuro terá de ser feito com agregação de interesses, iniciativas, realizações e objetivos de outras instituições locais e regionais aos mais diversos níveis”


Miguel Souto (Tribuna Portista)

“O Porto Canal é um bastião da região, sendo um canal de intervenção social, politica e económica”

“O Porto Canal é o nosso canal, contendo programação desportiva e relatando o dia-a-dia do clube”

“O Porto Canal deve assumir a defesa do clube, quer do ponto de vista institucional, quer do desportivo (em relação aos “capelas” do nosso futebol)”

“O Porto Canal deve envolver os adeptos e as casas do FC Porto, numa programação de promoção do clube”


Nelson Carvalho (Reflexão Portista)

“A comunicação do FC Porto está fora do centro de decisão nacional”

“As plataformas de comunicação do clube estão obsoletas”

“O Porto Canal deve ser um elemento de distinção do clube e aglutinador do universo portista”

“Não é possível dissociar a comunicação do clube da comunicação do canal”

“A comunicação do FC Porto deveria agregar uma plataforma conjunta online do FC Porto e Porto Canal”

“O Porto Canal deveria ser uma plataforma de contrapoder em relação ao centralismo desportivo e institucional do País”

“Porque não um espaço para os blogs do FC Porto para dar voz e força ao adepto?”

“Ao nível do merchandising, deveria ser aproveitada a agregação da estrutura de comunicação para apresentação/promoção de produtos da Loja Azul”

“Criar passatempos atrativos que promovam a procura dos canais de comunicação do FC Porto”

“O Porto Canal deve reforçar os conteúdos exclusivos e de qualidade relacionados com o FC Porto”

“O Porto Canal deve pautar-se por uma linha editorial credível”


P.S. No caso de ter deturpado (de forma involuntária) a opinião que foi transmitida, pedia ao Fernando Costa, ao Miguel Souto e ao Nelson Carvalho o favor de me corrigirem.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Notas curtas sobre o II Encontro

Há cerca de um ano atrás, no dia 21 de Julho de 2012, realizou-se o I Encontro da Bluegosfera. Em resultado dessa primeira experiência e dos comentários que recebemos, a "troika organizadora" (que este ano recebeu um reforço valioso - o Nuno Góis do 'Somos Porto'), decidiu:
 
i) Antecipar a realização do Encontro da Bluegosfera em cerca de um mês, de modo a afastar a data do evento do habitual período de férias e, também, para não coincidir com jogos de preparação da equipa de futebol;
 
ii) Aumentar o período de tempo destinado aos três Painéis. Em vez de 3 horas (1 hora para cada Painel), passamos para 4 horas e meia (1h30 para cada Painel);
 
iii) Em vez de concentrar os Painéis numa tarde, distribuímos os três Painéis por manhã e tarde, introduzindo no Programa um almoço de convívio (para quem quisesse);
 
iv) Tentar proceder à transmissão do evento através da Internet e, em paralelo, receber comentários e perguntas via facebook.
 
(II Encontro da Bluegosfera - Espinho)
 
As melhores pessoas para opinarem acerca da forma como decorreu este II Encontro da Bluegosfera são os portistas que estiveram presentes mas, como membro da organização, gostaria de salientar a qualidade das apresentações efetuadas nos três Painéis. Foram todas muito boas, com algumas a roçar a excelência, e é uma pena que não tenha estado presente ninguém da estrutura do FC Porto para ouvir o que foi dito. Estou convencido que a forma quase profissional como os intervenientes nos Painéis prepararam e fizeram as respetivas apresentações iria surpreender algumas pessoas.
 
(II Encontro da Bluegosfera - Espinho)
 
E que dizer dos períodos de debate de cada um dos Painéis?
Comentários, críticas, sugestões e ideias interessantes não faltaram. O que faltou foi tempo, tantas foram as pessoas a querer intervir, inclusive via facebook.
 
Contudo, houve coisas que não correram tão bem como gostaríamos. A transmissão através da Internet teve falhas, não conseguimos cumprir com o horário que constava do Programa e o tempo previsto para debate em cada um dos Painéis voltou a revelar-se insuficiente.
 
(II Encontro da Bluegosfera - Espinho)
 
Fica prometido, no próximo ano, se houver III Encontro da Bluegosfera, iremos tentar melhorar e corrigir as falhas que existiram neste II Encontro.
 
Finalmente, quero, mais uma vez, agradecer o apoio que tivemos por parte do Senhor António Coutinho, Presidente da Casa do FC Porto de Espinho, e da Câmara Municipal de Espinho, representada no evento pelo seu Vice-Presidente, Dr. Vicente Pinto. Um bem haja a ambos.
 
E VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!
 
P.S. Como habitualmente, o pEdRo bLuE fez uma magnifica cobertura fotográfica. As mais de 100 fotos que tirou podem ser vistas no sítio do costume (WWW.FOTOSDACURVA.COM)
 

sábado, 15 de junho de 2013

O II Encontro da Bluegosfera é hoje!

O II Encontro da Bluegosfera é hoje!

Quem está interessado, mas não tem possibilidade de assistir ao vivo, vai poder assistir e participar à distância.
Como?
Dispondo de um computador ou tablet com ligação à rede porque, se não houver problemas técnicos que o impeçam, o evento vai ser transmitido em directo via Internet.

O endereço da emissão será disponibilizado no sítio do costume - a página oficial dos Encontros da Bluegosfera no facebook.

Quem, para além de assistir, quiser participar, também poderá fazê-lo, através da página oficial no facebook.

Cada um dos três painéis tem um espaço de debate e a ideia é nesses períodos serem lidas algumas das observações/perguntas enviadas, como se as mesmas tivessem sido colocadas por uma das pessoas que vai estar no auditório da Biblioteca Municipal de Espinho. Evidentemente, terá de haver moderação dos comentários.

Veremos como vai correr esta experiência.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O fanatismo cego e doentio da benfica TV

«Estive a ver no YouTube o que se disse na Benfica TV sobre, por exemplo, o lance do Benfica-Estoril em que há um claro penálti de Artur sobre Luís Leal. Para quem não sabe, o que faz a Benfica TV durante os jogos do seu clube é filmar dois comentadores/relatadores, vendo-se ao lado um pequeno monitor de televisão que está a passar o jogo. Neste caso, a primeira exclamação é: “O árbitro tem que mostrar cartão amarelo a Luís Leal”; a segunda é: “O árbitro Paulo Baptista aproxima-se e fica-se pela reprimenda”; a terceira é, vendo-se o lance através do monitor e o pé do guarda-redes em cima do pé do avançado: “Não há absolutamente nada, nem sequer há protestos”.
O mesmo foi defendido por Rui Gomes da Silva, no programa da SIC ‘O dia seguinte’. Mas, neste caso eu desculpo, porque Rui Gomes da Silva não é jornalista, nem tem que responder perante um código deontológico que pede verdade. Está lá como comentador do Benfica, para defender o Benfica. Que o faça de forma a que se torne ridículo, porque desonesto, só diz respeito a ele e, eventualmente, a quem o lá pôs.
Mas na Benfica TV é diferente. É um órgão de comunicação social e quem está a relatar, creio, tem carteira de jornalista. E, nesse caso, não pode fazer isto de forma sistemática. O Sindicato, a comissão da carteira, não têm nada a dizer sobre esta deontologia?
Não acho que se possa proibir uma televisão de ter os direitos de jogos, mas acho que aquilo que é agressão ao espectador, aquilo que é lavagem ao cérebro, aquilo que é desonestidade pura deve ser denunciado e a Entidade Reguladora da Comunicação deve ser chamada a pronunciar-se.
A democracia também se faz da sanidade mental do nosso sistema audiovisual. A Benfica TV não contribui para isso. Pelo contrário. Já lá ouvi dizer: “Este árbitro devia ter um acidente quando sair daqui”.
Há coisas inadmissiveis!
Felizmente o Porto Canal tem outra génese. E outra prática! Espero que continue assim.»
Manuel Queiroz
semanário 'Grande Porto', 10-05-2013


A benfica TV é um canal de televisão dominado por um fanatismo cego, associado a um tal ódio ao Porto, que chegam ao ponto de convidar para comentadores dos seus programas indivíduos com o “perfil” de António Pragal Colaço e Sérgio Luís Bordalo.

Aliás, a propósito de umas tristemente célebres declarações de Sérgio Luís Bordalo feitas na benfica TV, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), emitiu uma Deliberação em que chamou à atenção que “a natureza do serviço de programas não o isenta, ao contrário do que a Benfica TV parece indicar na defesa, do cumprimento das normas aplicáveis à actividade de comunicação social” e que “a Benfica TV não está desonerada de zelar pela conformidade dos conteúdos transmitidos”.

Só que, tal como na história do escorpião e do sapo, a natureza da benfica TV é o que é e as recomendações e deliberações da ERC caíram sempre em saco roto.

É neste contexto e sabendo-se que, a partir da época 2013/14, a benfica TV vai passar a transmitir os jogos que o slb vai disputar em casa, não é difícil prever o que vai acontecer.

A propósito, em 29 de Outubro de 2012, num artigo de opinião publicado no site Maisfutebol, Luís Sobral escrevia o seguinte:

«A hipótese de passar jogos na Benfica TV, a concretizar-se, obrigará também a rever a utilização que é feita das imagens televisivas em diferentes instâncias do futebol, da disciplina à arbitragem. Digo eu.
O Maisfutebol levantou o tema na última sexta-feira. Do meu ponto de vista, a Liga e a Federação estão obrigadas a olhar com lupa para os regulamentos de competições e disciplinar. Deixará de ser legítimo utilizar as imagens de jogos para tomar decisões, pelo simples facto de que o olhar deixará de ser neutro, distante, frio, igual para todos.
Eu sei que a minha opinião não será partilhada por muitos leitores. Mas também sei que já fiz mais transmissões de futebol do que a esmagadora maioria de quem me lê. E sei como se faz e conheço quem faz. Também sei que nada na prática atual dos clubes portugueses me leva a acreditar que algum dia poderão ser fontes justas e isentas. É contra a sua natureza, viciados em colocar o emblema antes do futebol. Valia a pena começar a pensar sobre isto. É impensável que uma televisão de clube transmita jogos de uma liga profissional e os regulamentos e práticas não se alterem


Aparentemente, a Liga de Clubes não está minimamente preocupada, mas gostava de saber o que tem a dizer o seu presidente (Mário Figueiredo), ele que, ainda por cima, faz da centralização dos direitos televisivos uma espécie de cruzada (contra Joaquim Oliveira).

E também gostava de ouvir a opinião do responsável do sector de arbitragem (Vítor Pereira) porque, segundo julgo saber, uma das componentes da avaliação dos árbitros e dos observadores é baseada nas imagens televisivas.

Já quanto à ERC, não tenho qualquer tipo de expectativa. Todas as recomendações e deliberações dirigidas à "Ódio TV" continuarão a ser ignoradas e a irem direitinhas para o caixote do lixo.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.


P.S. Conforme referiu o jornalista Manuel Queiroz, o Porto Canal tem outra génese e outra prática. Ora, o Porto Canal vai ser o tema do Painel 1 do II Encontro da Bluegosfera e, após três interessantes apresentações, questões como “qual a utilidade para o FC Porto e para os seus adeptos do clube ser dono do Porto Canal?” ou “por que razão é que a programação desportiva do Porto Canal não é mais agressiva?”, poderão ser debatidas durante 45 minutos à Porto, na presença do Diretor-Geral do Porto Canal, Júlio Magalhães.

sábado, 8 de junho de 2013

O II Encontro é já no próximo Sábado

Há um ano, o I Encontro da Bluegosfera foi assim...

(I Encontro da Bluegosfera)

Daqui a uma semana, o II Encontro da Bluegosfera vai ser em Espinho, aqui...


(Auditório da Biblioteca Municipal de Espinho)

Novidades e algumas surpresas podem ser acompanhadas diariamente na página do facebook Encontros da Bluegosfera.

As inscrições estão abertas e, nesta altura (08-06-2013, 12:00), ainda há vagas.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Olhar o presente recuando a 1999/2000

Por José Lima (*)

Caros amigos,

Tenho andado a analisar a situação do nosso FCP que, posso dizer-vos desde já, é bastante complicada. Atrasos constantes nos pagamentos a atletas e fornecedores no Clube, e falta de liquidez na SAD, estão a começar a transpirar cá para fora.

A articulação entre o Clube a SAD não é a melhor, embora se trate das mesmas pessoas.

Para os vários aspectos da vida do clube, não se pode partir do último Relatório e Contas, pelo que resolvi recuar até 2000, voltar a ler o relatório da época 1999/2000, pelo que me permito salientar alguns pontos que acho relevantes para tentar compreender como se chegou ao atual estado de coisas.

(Apresentação da equipa na época 1999/2000, foto Record)

1 – Já no Relatório e Contas da época 1999/2000 se podia ler (pág. 5):
“No entanto, e considerando a deliberação última da Assembleia-geral da F.P.F. que continua a impedir o acesso das equipas B à Divisão de Honra, o F.C.Porto está a reequacionar o seu projecto de formação desportiva que poderá passar pela extinção da equipa B.”

2 – Mais à frente (pág. 6)
“Esta tendência inflacionista (dos mercados cambiais) contagiou os mercados europeus obrigando o Banco Central Europeu a subir as suas taxas directoras. Os bancos comerciais nacionais seguiram a tendência definida pelo B.C.E. Nas empresas nacionais e em particular no F.C.Porto - Futebol, SAD estas medidas tiveram como consequência o crescimento dos seus custos financeiros, induzido pelo investimento concretizado na aquisição de direitos desportivos sobre novos jogadores”.

3 – Sobre as cotações das Acções (pág. 7)
“Tudo isto (a propósito da bolsa nacional apresentar níveis de liquidez cada vez menores), contribuiu para uma queda gradual dos principais índices nacionais e europeus, com consequências nos títulos do F.C.Porto – Futebol, SAD, que conheceram no final deste exercício a cotação de 4,95 EURO.

4 – Analisando os proveitos (pág. 8)
“Conclui-se que, como tem acontecido nos últimos exercícios, os proveitos com maior expressão são as mais valias liquidas resultantes da venda de passes de atletas, representando no exercício em análise 29% dos proveitos totais. Considera-se que é importante procurar continuar a diminuir o peso destas mais-valias e acreditamos que existe um importante espaço de crescimento dos proveitos comerciais, que incluem os contratos televisivos e para outros meios de difusão e sobretudo todo o tipo de parcerias comerciais com empresas”

E mais adiante:

“O quadro 3 expressa o enorme peso dos custos com pessoal, sobretudo aqueles relacionados com o plantel sénior”.

Comentário: Importam-se de repetir? Isto foi há 12 anos. Não aprenderam?

5 – A propósito dos Custos (pág. 9)
“Os custos financeiros, apesar de apenas representarem 4% do total, têm crescido de forma acentuada, por via de vários factores, entre os quais estão as oscilações cambiais do Dólar Americano (grande parte das transferências são realizadas utilizando o Dólar como moeda de pagamento) e sobretudo do facto de parte das despesas correntes ser financiada por empréstimos bancários”.

Comentário: Esta está boa. Há 10 anos eram as “oscilações do Dólar”. Agora devem ser as do Euro! Mas, se já naquela altura reconheciam que compravam tudo a crédito, porque raio não inverteram a situação?


E a referência à “tal” relação Clube/SAD tão falada no final do I Encontro da Bluegosfera (pág. 14):
“Em relação à estrutura de custos, constata-se que o peso relativo de cada uma das rubricas identificadas no quadro 9, não tem sofrido grandes alterações nestes três exercícios, embora os custos com pessoal e os custos decorrentes do protocolo entre a Sociedade Desportiva e o F.C.Porto terem conhecido um andamento diverso. Os valores que ainda se mantêm nesta rubrica (Protocolo F.C.Porto) e que estão no âmbito do protocolo celebrado, respeitam ao aluguer do Estádio das Antas e das diversas instalações do clube que são postas à disposição da Sociedade Desportiva para jogos e treinos e a montantes pagos com vista a financiar o Departamento de futebol juvenil, valores estes bastante estáveis.”

Resumindo, caros amigos: No final do exercício 1999/2000, a situação era estável embora já houvesse indícios de onde poderiam aparecer problemas, aliado ao facto de estarmos a pensar na construção do novo estádio (não no local que está hoje, mas no mesmo sítio do Estádio das Antas).

1 – Já se falava em extinguir a equipa B, embora com um “pretexto técnico”.
2 – Custos Financeiros a crescerem
3 – Os proveitos mais significativos provinham da venda dos passes.
4 – Custos Operacionais a aumentarem

Comentário: que se poderia fazer hoje: “Onde é que eu já ouvi (li) isto”?

Se formos analisar os Relatórios e Contas dos anos seguintes, a conversa é mais ou menos a mesma, com os Custos a subir, e os Proveitos Operacionais, semelhantes. O que tem salvo “a honra do convento” foram os Proveitos Extraordinários (venda de passes), mas já todos percebemos que foi chão que deu uvas.

O Passivo Financeiro, embora não seja dramático, é motivo de preocupação, sobretudo pela enorme quantidade de compromissos a curto-prazo combinado com a falta de liquidez que se reflete também no Clube.

Poderemos desenvolver estes assuntos em futuras análises, reflexões e comentários.


Nota: Os sublinhados e destaques no texto a negrito são da responsabilidade do autor do artigo (José Lima).

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao José Lima o envio deste artigo e autorização para publicação do mesmo.

(*) José Lima é um portista da “velha guarda”, sócio do Futebol Clube do Porto, colaborador regular dos blogues ‘Mística Azul e Branca’ e ‘O Mundo Azul e Branco’, ex-colaborador no extinto blogue ‘Futebolar’ (onde travava “violentos combates verbais” com elementos que ainda hoje aparecem em blogues benfiquistas) é, por paixão mas também por formação profissional, um observador atento das contas da FC Porto Futebol SAD.