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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Coação (a sério) sobre árbitros

A propósito do tema 'coação sobre árbitros', alguns extratos de uma interessante e reveladora entrevista de Jorge Coroado (ao jornalista Rui Miguel Tovar)

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[Jorge Coroado]: No final do jogo [Benfica x Torrense], o Gaspar Ramos convidou-me para ir à sala de imprensa e aceitei. Cheguei lá e não havia nem um jornalista, só sócios do Benfica. (…)

[Rui Miguel Tovar]: E há sempre aquele Benfica-Sporting de 1995 [30 de Abril de 1995].

[Jorge Coroado]: Que processo, esse. Bem kafkiano.

Jorge Coroado e Caniggia (foto: jornal i)

[Rui Miguel Tovar]: O vermelho ao Caniggia, porquê?

[Jorge Coroado]: A ideia é dar um amarelo ao Caniggia e outro ao Sá Pinto, por troca de empurrões na sequência de uma falta perto da área do Benfica. Só que o Caniggia insulta-me. Chama-me ‘filho da puta’ e manda-me para a ‘puta que te pariu’. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho direto. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho direto, porque não aceito insultos de ninguém. Seja em português ou em castelhano.

[Rui Miguel Tovar]: E depois?

[Jorge Coroado]: Na cabina do árbitro, o Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e incontrolável. Pedi-lhe então que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali mas não naquele estado, mas aquele espaço era meu.

Gaspar Ramos no banco de suplentes na década de 90 (foto: SAPO Desporto)

[Rui Miguel Tovar]: A verdade é que a FPF instaurou-lhe um processo?

[Jorge Coroado]: Já lhe disse que foi kafkiano, não já?

[Rui Miguel Tovar]: Então?

Sampaio e Nora (foto de 2010)
[Jorge Coroado]: Mal entrei na sala para depor, o relator do processo [Sampaio e Nora, membro do Conselho de Justiça da FPF, pertencente à lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica uns anos depois] disse-me para estar tranquilo porque não gostava de mim. (…)

[Rui Miguel Tovar]: Arrumado? Sei de uns episódios estranhos por conta do vermelho ao Caniggia.

[Jorge Coroado]: Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola e depois com uma faca, à porta do meu emprego, ali na José Malhoa.

[Rui Miguel Tovar]: O quê?

[Jorge Coroado]: De manhãzinha, ainda antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola só me queria assustar, o da faca do mato tentou atingir-me só que falhou o alvo e estragou-me o casaco. A sorte dele é que conseguiu fugir. O azar é que lhe fiquei com faca.

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Num período em que o “polvo encarnado”, com os seus múltiplos “tentáculos”, controla (quase) tudo e todos, é sempre bom relembrar estes episódios, porque há quem ande um bocado esquecido…

Nota: A entrevista completa do ex-árbitro Jorge Coroado pode ser lida aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Nomeações… sem comentários

FC Porto critica determinadas nomeações (O JOGO, 14-05-2015)

Jorge Coroado salienta a importância das nomeações (O JOGO, 14-05-2015)

Maio de 2015: Vítor Pereira não reage às queixas do FC Porto

Setembro de 2010: Vítor Pereira dá razão às queixas do SLB

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Golo do SLB é irregular?

Jorge Coroado diz que sim, que o golo que deu o empate ao SL Benfica, é precedido de uma irregularidade.

Quando Jonas tocou na bola, Maxi Pereira estava em posição irregular. Movimentou-se, participou na jogada e perturbou a ação de Tobias. Situação que a regra 11 determina como obrigatório o assinalar do fora de jogo”.

Casos do Sporting x SL Benfica (Tribunal de O JOGO)

No mesmo painel – Tribunal de O JOGO – José Leirós discorda da análise de Coroado (acha que Maxi não interfere na jogada), enquanto que Pedro Henriques nem sequer analisa/fala da posição de Maxi Pereira.

Relembro que esta não é a primeira vez que, precedendo um golo decisivo do SL Benfica, Maxi Pereira surge adiantado numa bola metida nas costas da defesa adversária…

Fora-de-jogo claro de Maxi Pereira precedeu o golo da vitória do SLB frente ao Gil Vicente

E, já agora, sobre a possível mão de Jonas, ninguém fala?

Jonas domina a bola com o braço? (fonte: Record)

domingo, 2 de novembro de 2014

Há uma linha que separa…

Lance do golo anulado ao Rio Ave


Há uma linha que separa uma televisão séria de uma televisão facciosa (Benfica TV).

Há uma linha que separa informação de manipulação.

Há uma linha que separa o espírito da lei (um jogador em linha não está fora de jogo), de um pretenso “fora de jogo milimétrico”.

Há uma linha que separa as indicações da FIFA em caso de dúvida, da impossibilidade de certeza de um árbitro assistente (José Gomes) muito mal colocado.

Há uma linha que separa um trio de arbitragem competente, de um trio de arbitragem liderado pelo senhor Manuel Mota (o conhecido benfiquista com vários talhos espalhados pelo Minho).

Há uma linha que separa a verdade (desportiva) da mentira (desportiva).

Há uma linha que separa comentadores televisivos com um mínimo de seriedade, da desfaçatez de “bitaiteiros” encartados.


Tribunal de O JOGO do SL Benfica x Rio Ave

E nem a linha imaginária, desenhada por TV que tanto contesta outras na mesma situação, afere a decisão da equipa de arbitragem.”
Jorge Coroado

sábado, 22 de março de 2014

A “fruta” de Lisboa

A BOLA, 28-12-1995
No dia 28 de Dezembro de 1995, o jornal “A Bola” reproduziu uma entrevista dada ao News of the World pelo ex-árbitro internacional inglês Howard King, onde o mesmo revelou ter recebido favores sexuais em Lisboa, oferecidos por Sporting e Benfica nos dias que antecederam jogos destas equipas para as competições europeias.

O primeiro caso passou-se em 1984, num jogo entre o Sporting e o Dínamo de Minsk. Na noite anterior, afirmou King, foi levado a um clube, em Lisboa onde, segundo o próprio, “se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas”, tendo-lhe sido dada a possibilidade de escolher a que ele desejasse (o que veio a suceder).

O segundo caso ocorreu em 1992, para um jogo entre o Benfica e o Sparta de Praga. Segundo o próprio Howard King, dessa vez, para além da rapariga que esteve com ele, “o valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras a que estamos autorizados”.



António Boronha, 1991
«a propósito da partida desta noite [11-03-2010] entre o ‘benfica’ e o ‘marselha’ estou farto de ouvir gente, alguns nem nascidos eram, falar de uma outra, entre os mesmos intervenientes realizada na primavera de 1990.
ora acontece que eu, na altura ‘presidente’ de um clube que (já) liderava isolado a ‘zona sul’ da 2ª. divisão, o ‘farense’, acabei por ter tido uma relação um pouco estranha e absolutamente casual com tudo o que se passou nessa noite, no velho ‘estádio da luz’.
várias peças soltas e desirmanadas que se juntaram, num espaço de horas entre o início da noite e as 4 da manhã, acabando por formar um mosaico, para mim, inesquecível.

primeiros os elementos isolados:
Marcel Van Langenhove
- por intermédio de álvaro braga júnior, hoje presidente do ‘boavista’ e à época ‘director desportivo’ do ‘farense’ - sim! a partir de finais de ‘80’ o ‘farense’ tinha na sua orgânica o cargo de ‘dd’! - eu era talvez uma das poucas pessoas no país que já tinha chegado à fala com o árbitro indicado para a partida, o belga marcel langenhove;
- fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, luís baptista mais tarde presidente da ‘arbitragem’, no camarote presidencial do ‘benfica’. remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do ‘sporting’, josé de sousa cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao ‘marselha’, elementos da embaixada de ‘frança’, julgo;
- festejei, moderadamente, o golo de vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos ‘franciús’ e...ao zé sousa cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se, ‘como é que tinha sido possível tamanha injustiça?...a do ‘benfica’ ir à final da ‘champions’!!!;
- terminado o jogo, eu e o luís, resolvemos ir à ‘baixa’ comer qualquer coisa tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do ‘benfica’ tinha sido marcado com a mão, como, diziam, as imagens televisivas mostravam. foi a primeira vez que tomámos conhecimento de tal possibilidade!
- a euforia encarnada - e o paraíso cavaquista que então se vivia à custa dos dinheiros de bruxelas - tinham enchido por completo a maioria dos restaurantes da ‘baixa’ lisboeta. arrajámos lugar na ‘lagosta real’ onde quem lá estava(?) era sousa cintra (de novo) em animado convívio com o autarca mor de ‘aljezur’, na costa vicentina. (sousa cintra nunca brincava em serviço!);

juntemos agora estes elementos soltos, num só.
terminado o repasto e tendo jsc tratado dos ‘negócios’ que tinha a tratar zarpámos, os três, para ‘lavar a vista’ e beber um ‘whisquinho’ no, onde é que poderia ser?, ‘elefante branco’.
Alder Dante
quem lá estava, para além de uma enorme multidão? a equipa de arbitragem chefiada por langenhove, césar correia e alder dante
, que os acompanhavam, e dois funcionários do ‘benfica’, sendo um deles...loura e bonitinha...
quando me dirigi à mesa para os cumprimentar, marcel puxou-me de lado e perguntou-me:
- oiça lá, o golo foi com a mão?...
- tentando meter água na fervura, respondi-lhe que estivesse tranquilo, pois só muito depois de ter saído do estádio e ter tido conhecimento do que as imagens revelavam é que eu próprio me apercebera de tal possibilidade. daí ele poder ficar sem qualquer peso na consciência pois se algo de irregular houvera tinha sido algo que humanamente lhe escapara, como a milhares que assistiam ao jogo no estádio.
aproveitei ainda o momento para lhe apresentar o presidente do ‘sporting’, pessoa com quem se poderia vir a cruzar no futuro, o qual não perdeu a oportunidade para enquanto lhe apertava a mão dizer em português: ' vocês (árbitros) são todos iguais! sempre a gamar para o lado do ‘benfica’!
depois desta tirada resolvi sair pela esquerda baixa e...ir para a cama. sozinho.»
Antonio Boronha, 11-03-2010



O Benfica, à semelhança daquilo que faziam a maioria, a generalidade dos clubes, ao receber as equipas de arbitragem, naquele tempo, cá em Lisboa, as equipas de Lisboa levavam as equipas de arbitragem para um estabelecimento nocturno muito conhecido. E uma equipa de arbitragem, chefiada por um árbitro francês muito conhecido, foi para esse estabelecimento e quando estava lá dentro o árbitro tinha umas senhoras na mesa, a acompanhar a equipa de arbitragem...

Estas afirmações de Jorge Coroado (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), feitas esta semana no programa “Liga Futre” da CM TV, só vieram surpreender quem, nos últimos anos, andou muito distraído, ou então entretido com a propaganda anti-Porto, que pretendeu (pretende!) convencer os papalvos de que “fruta” só existia no Norte.

Gaspar Ramos
Pois apesar de nunca ter sido feita qualquer investigação aos clubes de Lisboa (porquê?), foi possível tudo isto ser conhecido através do testemunho directo de vários intervenientes (ex-árbitros e ex-dirigentes).

Agora, imaginem por um instante, que indivíduos como Alder Dante, César Correia, Porfírio Alves, António Rola, Gaspar Ramos, João Rodrigues, Luís Filipe Vieira, José Veiga, etc., etc., tivessem sido colocados sob escuta durante uns meses...

Ai se as paredes do ‘Elefante Branco’ falassem...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A agenda dos “especialistas” de arbitragem

A minha equipa está triste e o sentimento é de revolta. Culpados pela derrota? Jorge Sousa não esteve à altura! Não se trata só da expulsão, lance no qual não há contacto do Olberdam, mas o Maxi Pereira inteligentemente tira proveito. Antes, porém, já tinha havido outras decisões infelizes de Jorge Sousa, com a balança sempre a pender para o mesmo lado.
Pedro Martins, treinador do Marítimo

[o árbitro] Passou o tempo todo a ameaçar-me que à mínima coisa me expulsava e conseguiu.
Olberdam, jogador do Marítimo

Analisem o vermelho! No lance anterior ao golo, há falta sobre o Peçanha e o árbitro nada assinalou.
Briguel, jogador do Marítimo


1. Olberdam foi erradamente expulso, deixando o Marítimo a jogar com menos um logo no início da 2ª parte. Isto é um facto e só um cego, um faccioso doentio ou alguém com uma agenda e interesses próprios pode negar aquilo que as imagens demonstram de forma clara.

Eu admito que o árbitro Jorge Sousa possa ter sido induzido em erro pela simulação magistral de Maxi Pereira, mas não compreendo, nem aceito, que três “especialistas” de arbitragem, após terem visto as imagens deste lance N vezes, emitam as seguintes opiniões:

«Olberdam foi imprudente no modo de abordar o lance. Varreu autenticamente Maxi Pereira, justificando a exibição do amarelo, que foi o segundo.»
Jorge Coroado

«Olberdam entra em “tackle” lateral deslizando de forma imprudente sobre Maxi Pereira, sendo desta forma correctamente advertido e expulso.»
Pedro Henriques

«Entendendo o “tackle” imprudente, apesar de alguma dúvida no contacto, que me parece existir, Jorge Sousa não tem outra opção que não seja exibir o segundo cartão amarelo.»
Paulo Paraty

Estes três ex-árbitros internacionais (dois de Lisboa e um do Porto) não são cegos e suponho que também não sejam facciosos doentios. Assim sendo…


2. «A entrada de Cardozo (Benfica) passou despercebida ao árbitro Jorge Sousa, mas deixou o lateral do Marítimo Rúben Ferreira fora de jogo, sendo substituído por Igor Rossi. Agora, as suspeitas do pior cenário confirmaram-se. O departamento clínico maritimista informou que o internacional sub-21 sofreu uma fractura do terceiro metatarso do pé direito, o que vai afastá-lo pelo menos seis semanas

O que disseram os mesmos três “especialistas” de arbitragem sobre este lance (ocorrido aos 66 minutos)?

«O lance foi casual e fortuito, exactamente pelo movimento da rotação de Cardozo. O árbitro nada assinalou, e bem.»
Jorge Coroado

«Rúben lesionou-se na sequência desse lance, mas com acesso à repetição vê-se que Cardozo tocou na bola, não cometendo qualquer infracção.»
Pedro Henriques

«Há um tropeção de Rúben Ferreira, Cardozo procura a mesma bola e a mesma posição. O resto é circunstancial e acidental.»
Paulo Paraty

Lendo o que os membros do ‘Tribunal de O JOGO’ escreveram, a primeira dúvida que tive é se estavam a falar do mesmo lance, tal é a disparidade dos seus comentários.
E acreditando no que estes senhores escreveram, conclui-se que o jogador do Marítimo fracturou o terceiro metatarso do pé direito sem ninguém lhe tocar. Fantástico!


3. Perto do final do jogo (aos 84 minutos), no lance que precede o único golo do desafio e que deu a vitória ao slb, Aimar toca com as mãos na cara de Peçanha e carrega irregularmente o guarda-redes do Marítimo tendo este os dois pés no ar, tudo isto de forma ostensiva, deliberada e intencional.

Conforme as imagens televisivas demonstram, o árbitro Jorge Sousa está de frente para o lance, sem nenhum jogador a cortar-lhe a visão, mas mandou seguir (ele lá saberá porquê).

Neste caso, Jorge Coroado e Pedro Henriques não negaram o que as imagens mostram de forma inequívoca mas, como dizia o poeta benfiquista Manuel Alegre, “há sempre alguém que resiste”… às evidências, acrescento eu.

«Não consigo visualizar, pela televisão, que exista alguma falta sobre Peçanha»
Paulo Paraty

É sempre uma delicia ver o contorcionismo argumentativo nas opiniões deste ex-árbitro do Porto, algo só semelhante à habilidade inata que demonstrava dentro do campo quando era chamado a arbitrar o slb.

Paulo Paraty, o preferido de Luís Filipe Vieira, o árbitro que tantas saudades deixou no estádio da Luz quando atingiu o limite de idade.

sábado, 1 de maio de 2010

"Fui ameaçado de morte"

«(...) o Caniggia insulta-me. Chama-me 'filho da puta' e manda-me para a 'puta que te pariu'. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho directo. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho directo, porque não aceito insultos de ninguém. Nem em português nem em castelhano."

E depois? "Na cabina do árbitro, o sr. Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e descontrolado. Pedi-lhe que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali, mas não naquele estado, que aquele espaço era meu."

A FPF reagiu e instaurou um processo ao árbitro, aos jogadores, ao jogo. A expulsão de Caniggia não ficou por ali. O avançado argentino garantiu nada ter dito e as imagens televisivas confirmavam-no, embora Caniggia aparecesse tapado pela cabeça de Isaías por uns segundos. O processo avançou e quem foi o relator? Sampaio Nora, do Conselho de Justiça da FPF, que esteve, anos depois, na lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica. "Mal entrei na sala para depor, ele disse-me que estivesse tranquilo porque não gostava de mim." Entrada a pés juntos? "É como lhe digo: já se passaram tantos anos e ainda nem sei se hei-de rir se hei-de chorar. Foi um processo kafkiano." (...)

"A FPF anulou esse jogo e promoveu um outro, de repetição, no Restelo, que a FIFA desvalorizou. Nas contas finais desse campeonato 1994-95, o jogo que conta é o meu. Que isso fique claro." (...)

Só mais uma pergunta: sofreu muito com esse episódio? "Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola na cabeça e depois com uma faca, à porta do meu emprego [de bancário na Rua José Malhoa], de manhãzinha, antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola apontou-me a arma à cabeça mas não me assustou. O da faca falhou o alvo mas estragou-me o casaco. A sorte dele foi que conseguiu fugir. O azar foi que lhe fiquei com a faca."»


A entrevista completa de Jorge Coroado ao jornal i pode ser lida aqui.

De facto, comparado com isto, a estratégia dos túneis é uma brincadeira de crianças.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Coroado e os casos da 1ª jornada

De acordo com Jorge Coroado, o caso da jornada foi a expulsão errada de Hulk, deixando o FC Porto a jogar com menos um durante os últimos 36 minutos de jogo.

«Lançado em velocidade na perseguição da bola, já próximo da linha de baliza dos visitados, tendo um adversário pela frente, Hulk, em gesto comumente considerado de "tesoura", projectou-se com ambos os pés ladeando o atleta pacense e, sem neste tocar, com o esquerdo conseguiu jogar o esférico não evitando, no entanto, que o mesmo saísse do terreno pela linha de cabeceira. Sabedor que o portista já tinha sido advertido com cartão amarelo, o atleta da casa teatralizou a queda simulando ter sido atingido e derrubado pelo poço de força azul e branco, deixando-se cair no solo contorcendo-se com dores. Porque compreensivelmente atrasado relativamente à jogada, o árbitro entendeu como passível de comportamento antidesportivo a atitude do jogador portista exibindo-lhe pela segunda vez o cartão amarelo e correspondente cartão vermelho. Errou. Hulk não havia feito fosse o que fosse que justificasse intervenção do árbitro senão para assinalar pontapé de baliza.»


Para além deste caso, na opinião de Jorge Coroado os maiores erros 1ª jornada foram a grande penalidade favorável ao FC Porto cometida por Filipe Anunciação aos 51', que não foi assinalada, e as não expulsões de Aimar e David Luiz no Benfica x Marítimo.

Sobre o jogo da Luz, Coroado escreveu:
«David Luiz mais parecia ter carta-branca para fazer o que bem lhe apetecesse (...). O defesa central encarnado deu uma cotovelada, entrou de pés na frente, rasteirou e derrubou como lhe apeteceu e não foi sancionado. Aimar teve conduta violenta e passou impune.»


As apreciações de Jorge Coroado feitas em O JOGO podem ser lidas aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Eles não desistem, a pouca vergonha continua

Como é de todos conhecido, Lisandro não pode jogar amanhã contra o Estrela da Amadora porque o Dr. Ricardo Costa assim decidiu.
Já muita gente se pronunciou sobre esta decisão escandalosa (mais uma) do fanático benfiquista que preside ao CD da Liga e que irá marcar o campeonato 2008/09, mas vale a pena ler o que Jorge Coroado escreveu em O JOGO de 07/04/2009:

«Incompreensível é, no mínimo, o que pode dizer-se da decisão anacrónica, apesar de estribada em norma regulamentar, da Comissão Disciplinar da Liga em punir Lisandro, do FC Porto, com um jogo de suspensão por simulação no encontro disputado com o SL Benfica no estádio do Dragão. Com tanta fobia na presunção de defesa da verdade desportiva torna-se legítimo questionar o que pretendem os doutores no, não do, futebol? Com a decisão tomada rectificaram, repuseram ou deram mais verdade ao resultado do jogo? Não! Que verdade defendem? Nas anteriores vinte jornadas não existiram simulações, não aconteceram resultados forjados por lances menos lícitos? Só os jogos televisionados possuem jogadas enganosas? Quantos árbitros se equivocaram e ao fazê-lo influenciaram o resultado? Os jogos não transmitidos pela televisão não são susceptíveis de ludíbrios? A Liga de Honra não tem simuladores? (…) Que critério e igualdade na aplicação dos regulamentos existe?»


Quem também não poderá dar o seu contributo à equipa no jogo contra o Estrela é Tomás Costa, o qual foi punido por Xistra no último V. Guimarães x FC Porto com o 5º cartão amarelo.
Sobre este lance, ocorrido ao minuto 61 de um jogo em que o árbitro foi mais do que complacente com o festival de pancadaria de que Hulk foi vítima, o mesmo Jorge Coroado escreveu o seguinte:

«Tomás Costa acorreu à linha lateral para inviabilizar jogada de ataque contrária, ganhou o lance ao adversário fazendo que a bola ultrapassasse a linha delimitadora do terreno para acto contínuo a pontapear forte. Em manifesta falta de sensibilidade na análise da situação o árbitro exibiu o cartão amarelo ao portista. Porquê? Não viu que o jogador foi rápido no gesto convicto que o esférico estava sobre a linha lateral?»


Estes factos mostram que os adversários do FC Porto ainda não desistiram e se semana após semana continuam as arbitragens vergonhosas, também fora do campo, quer nas nomeações, quer nas (não)decisões do CD da Liga, as manobras de secretaria não param.

P.S. Para o jogo FC Porto x E. Amadora, o sportinguista Vítor Pereira nomeou mais um árbitro do eixo Lisboa-Setúbal. Desta vez a “honra” coube ao lisboeta João Capela, o mesmo senhor que mostrou, de forma absolutamente inacreditável, o 5º cartão amarelo a Fucile no Belenenses x FC Porto, de modo a pô-lo fora do FC Porto x SLB da jornada seguinte.
Lembram-se? Pois é, Jesualdo Ferreira também não se esqueceu deste artista, conforme ficou claro na conferência de imprensa de hoje:
Antes dos jogos as escolhas [dos árbitros] obedecem a critérios que não conheço. O árbitro vai ter uma tarefa fácil amanhã, desde que não a dificulte. Felizmente não temos o Fucile em risco de ver o quinto amarelo, por isso…”

terça-feira, 13 de maio de 2008

Coroado responde a Cartaxana


«Não tenho, nunca tive, qualquer ligação aos assuntos disciplinares ora decididos pela CD da Liga. Infelizmente, um ou outro anquilosado cérebro, pervertido pelo fluxo encarnado (do sangue?) no cérebro (será nos olhos?), ignorante de factos, seguramente armado em carteiro denominado Rui carreando recados, qual Carta a Xana, não se eximiu de efectuar considerandos como se algumas atenuantes anunciadas pelo presidente daquela entidade disciplinar fossem estribadas em opiniões por mim expandidas.»
Jorge Coroado, O JOGO, 13/05/2008

“Rui carreando recados”?
“ignorante de factos”?
“anquilosado cérebro”??
“fluxo encarnado no cérebro”???

Já tinha ouvido chamar muita coisa ao Rui Cartaxana (histórico ex-Director do Record), agora isto...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O perito do Apito Dourado

Na rubrica “O árbitro d’O JOGO”, assinada por Jorge Coroado no jornal O JOGO de 19/02/2008, este ex-árbitro de Lisboa e actual comentador de arbitragem em vários órgãos de comunicação social, analisou em detalhe a arbitragem de Pedro Henriques no Marítimo – FC Porto, tendo seleccionado os seguintes quatro lances duvidosos:

- um vermelho que terá ficado por mostrar a Lisandro, por suposta conduta violenta sobre Mossoró;

- em vez de um lançamento lateral, deveria ter sido assinalado um livre directo contra o FC Porto (no mesmo local do lançamento), por o Quaresma ter dado um pequeno toque em Djalma;

- uma mão na bola de Raul Meireles, que o árbitro não viu, no início de um contra ataque do FC Porto;

- rigor a mais do árbitro na mostragem do 2º cartão amarelo a Djalma, porque o “remate/cruzamento feito pelo portista foi potente, desferido praticamente à queima-roupa”.

Na opinião de Jorge Coroado, foram estes os quatro erros mais relevantes de Pedro Henriques e, conforme se constata, não há um único em que o árbitro de Lisboa tenha ajuizado em prejuízo do FC Porto.

Assim, ao contrário da opinião dos dois elementos da SportTV (Rui Orlando e José Gomes, os quais, seguramente, não podem ser acusados de serem portistas) e da generalidade dos comentadores desportivos (entre os quais destaco a opinião de Rui Santos no ‘Tempo Extra’ e de Rui Oliveira e Costa no ‘Trio d’Ataque’), Jorge Coroado não viu que, com o resultado ainda em branco, Bruno fez uma falta por trás sobre Ernesto Farias, a qual deveria ter dado origem a um penalty a favor do FC Porto e cartão amarelo para o jogador do Marítimo.

Jorge Coroado também não terá visto, ou pelo menos não considerou um erro grave, que uns instantes antes de Tarik ter concretizado o segundo golo do FC Porto, Evaldo comete um penalty claríssimo sobre Lisandro, quando este estava isolado, o que, para além de penalty a favor do FC Porto, deveria ter motivado a expulsão do defesa do Marítimo.

Mas há mais.

Na 1ª parte, num lance de ataque rápido, o Raul Meireles é completamente ceifado por um jogador do Marítimo, o árbitro deu a lei da vantagem (e bem), mas quando o jogo parou deveria ter mostrado o cartão amarelo a jogador do Marítimo. Não o fez, ao contrário do que posteriormente faria em lances semelhantes, mostrando cartões amarelos aos portistas Raul Meireles e ao Kaz.
Jorge Coroado terá visto?

Ainda na 1ª parte, o Djalma teve uma entrada por trás sobre o Fucile, perto da área do Marítimo. O árbitro viu, marcou a falta, mas deixou o cartão amarelo no bolso (seria o 2º cartão amarelo para o Djalma, que acabaria por ver, mas na 2ª parte, quando cortou um cruzamento com o braço).
Mais um lance que Jorge Coroado ignorou.

Ou seja, quem não viu o jogo e se limitou a ler as análises de Jorge Coroado, ficou convencido que o lisboeta Pedro Henriques apenas errou a favor do FC Porto, quando a realidade dos factos é bem diferente.

Mas porque razão pretendeu Jorge Coroado transmitir a ideia de que o árbitro errou muito e sempre a favor do FC Porto?

É este tipo de “isenção” que poderemos esperar de Jorge Coroado quando, no âmbito do processo Apito Dourado, for chamado a prestar declarações em tribunal, como perito de arbitragem?