Mostrar mensagens com a etiqueta Corrupção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Corrupção. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ainda se roubam Igrejas

Enquanto há um clube saudita disposto a comprar um jogador que tem problemas crónicos - seja de costas, seja de injeções - e todos assobiam para o ar, mais interessados num jogador do Porto que não foi convocado - e que não fez falta, bem pelo contrário - em mais um título conqusitado, lá apareceram pela calada os do costume. Como é habitual em quem caminha nas sombras do poder, silenciosamente e de forma matreira, chegam noticias sobre um tal de Varandas Fernandes a exigir, através do clube que representa, que todos deviam caminhar nus e expor a sua cor clubistica, seja o órgão ou o cargo que representem, a bem da paz no futebol e da serenidade. A paz e a serenidade. Conceitos que ditos por alguém que trabalha numa instituição com uma claque ilegal que tem o único histório de assassinatos em Portugal, de quem está envolvida em distintos processos judiciais por uma série de possiveis actos de corrupção activa e que, aproveitando um momento de caos do seu rival local (quem sabe se não sendo igualmente instigador do mesmo) simulou um estatuto de grandeza de que carece para tentar dar uma bicada que nem arranha, não deixa de ter a sua piada.

Está claro que a esta altura, depois de tantos emails, há uma série bastante grande de nomes, sejam dirigentes, jornalistas, comentadores, árbitros, auxiliares, delegados e membros de orgãos sociais que não necessitam de enviar a sua resposta a Varandas Fernandes porque todos já sabemos da sua inclinação. Por muito que, apesar de tudo, se tente processar o FC Porto por divulgar os possiveis crimes cometidos, porque numa semana é tudo falso e na outra é tudo invasão da correspondência privada. Como se Al Capone tivesse processado a polícia de Chicago por ter tido acesso ás conversas em que mandava matar mafiosos rivais, no que eram afinal, conversas entre cidadãos privados. Capone, que até acabou por ser preso e condenado por tudo menos por assassinato, estaria orgulhoso, sem dúvida, de que alguém continua a tradição de disparar e culpar todos aqueles á sua volta. O disparo, esse, nunca existiu da mesma forma que exigir a outros aquilo de que se carece - ou ainda pior, daquilo exactamente que se pratica, negando a realidade - vive a meio caminho da Chicago dos anos 20 e das ideias literárias de George Orwell e Aldous Huxley na década seguinte, uma nova lingua que quer apagar o passado para controlar o futuro. O que não aconteceu não aconteceu por muito que tivesse realmente acontecido e daqui a uns anos ainda teremos personagens a dizer que nem sequer sabem o que é um email ou um padre, palavras banidas do vocabulário por incomodar as orelhas, que não os ouvidos, do grande lider. Aliás, tendo em conta o que aprendemos do dominio do idioma português desse personagem, talvez o melhor é mesmo banir todas as palavras e passar-mos a comunicar-nos directamente por grunhidos. 

O curioso no meio disto tudo é que Portugal continua a ser um oásis de loucura num mundo aparentemente são onde vemos diariamente milhares de pessoas a denunciarem loucos como Donaldo Trump ou instigadores de fake news como Boris Johnson ou Nigel Farage. Em Portugal não. Em Portugal reina o silêncio e apesar de estar na rua, disponivel para todos em diferentes formatos, o acesso á informação, desde adeptos com voz a jornalistas com carteira, não há quem pegue em declarações como esta - e tantas outras da cartilha propagada - e não a contraponga com factos e evidências para denunciar que o rei vai nu e há muito tempo que não toma sequer banho pelo cheiro fétido que emana dos esgotos do poder. Esse silêncio, parte de uma politica transversal, tem encontrado uma pequena resistência no FC Porto, resistência que tentam minar seja com suspensões de agentes activos na denúncia, no silenciar institucional do clube ou, pura e simplesmente, no lançamento de noticias cá para fora que entretêm o povo com o seu pão e circo e desviam o olhar do que realmente importa. Afinal, que importa que exista um clube investigado activamente por corrupção que exige limpeza a todos aqueles que gravitam no futebol português, quando o Marega não é convocado porque o treinador considera que tem a cabeça noutro lugar (pasmem-se, em plena época de transferências). Imaginem era se não treinasse porque lhe doía as costas e podia haver alguém á espera dele no fim do jogo para levá-lo a uma sala onde convinha que não entrasse.



Mas afinal, quem diabos é ou pensa que é o Sport Lisboa e Benfica?
Dentro de uma estrutura em que compete, como centenas de outras, nos quadros futebolisticos nacionais (e noutros desportos), o Benfica é ou melhor, vale, o mesmo que o Ronfe, o Infesta, o Campomaiorense ou o Passarinhos da Ribeira, para a Federação Portuguesa de Futebol e que o Moreirense, Famalicão ou Olhanense para a Liga. É um entre muitos. Par entre pares. Não é, não foi e por muito que lhe custe, nunca será, um primus inter pares. E esse é o grande problema estrutural do futebol português, a existência de uma instituição que quer ser - através do controlo, a distintos niveis - o primeiro, o supra-sumo e o líder de uma relação horizontal de instituições onde todos deviam partir do mesmo ponto para chegar á reta final de cada ano pelos seus méritos.

A campanha hooliganesca da cartilha encarnada, a mesma que há quase uma década tenta adoutrinar o pensamento geral utilizando como eco os meios de comunicação que se vergam á sua influência - seja através da aceitação de comentadores ditos independentes mas com ligações directas e controladas á casa mãe, seja através da sua vergonhosa linha editorial - tem um objectivo claro. Calar os dissidentes, impor uma nova-lingua de tipo fascista e manipular os eventos que se passam dentro e fora de campo para dar uma sensação de pureza virginal. Em Itália, um país corrupto como poucos em todos os sentidos da sociedade - recomendo a leitura de livros como Forza Italia do irlandês Paddy Agnew para entender até que ponto essa realidade é transversal - mesmo assim nunca houve medo ou uma ditadura de uma instituição sobre as outras e gigantes como a Juventus ou o AC Milan, entre vários, já conheceram o sabor da despromoção por corrupção sem que isso tivesse barrado a justiça de cumprir com o seu cometido. Essa coragem que sobra aos italianos falta aos portugueses e à medida que se vão publicando mais e mais revelações do que, a principio, parecia apenas uma fuga de informação e que teve o primeiro eco no Universo Porto de Bancada - e todos ficarão a dever um pouco a Francisco J. Marques e a sua equipa pelo trabalho desenvolvido no intuito de varrer o lixo que meandra no futebol nacional - vai-se entendendo o porquê.
Uma vez mais a noticia de um cartilheiro, gente sem espinha, disposta a tudo por orbitar à volta de um rei sol com um passado judicial nas mãos, sobre a perseguição quase stasiesca a membros de distintos orgãos desportivos vem apenas recordar que há um Estado dentro do Estado e um Estado com tintes policiais e fascistas que não olha a meios para obter fins.

Se acham que cada vitória em campo dos homens de Conceição é um golpe nas ambições deste Polvo, acham bem. Se acham que é suficiente e que o importante é discutir temas internos (que também devem ser discutidos em todos os sentidos) e relegar para um segundo plano tudo aquilo que mexe, e muito, neste jogo de trontos, acham mal. Ganhar desportivamente ajuda mas não resolve nada se a batalha, que é real, não for travada em todas as frentes e se a atitute dos adeptos portugueses - e aos portistas deveriam somar-se o de todos os outros clubes porque todos saem directamente prejudicados por este Polvo - não for de união.
De bloco e de fazer frente a um monstro e aos seus distintos tentáculos, comunicação social incluida. Os resultados em campo só servirão para tapar o sol com a bananeira porque continuará a haver quem se ache com direito a policiar a vida de outros, a condicionar resultados, análises, criterios disciplinares, promoções e traços que só podemos encontrar em estados ditatoriais. O FC Porto não se fez grande por acaso depois do 25 de Abril. Agora que fica claro que o regime de Abril se converteu numa nova versão hiper-centralizadora entregue aos interesses da capital e de quem gravita à sua volta, com o Benfica como um dos eixos principais, urge lutar por outro 25 de Abril. Nunca, como hoje, as palavras do mestre Pedroto fizeram tanto sentido.

"É hora de acabar com os roubos de igreja"

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Polvo, uma pata da cadeira do poder

Foi quase há um ano já que Francisco J. Marques surgiu, pela primeira vez, no Porto Canal com algo que, a principio, muitos incautos trataram com sorna e anedocta mas que, desde então, se tem revelado com algo tão podre e maligno que só mesmo num país como Portugal é que o mensageiro pode ser colocado em dúvida. Os "emails" ou o "emailgate" que a inicio para alguns era só uma forma disparatada de distrair a atenção para mais um erro de casting com consequências nefastas como foi a eleição de NES como treinador acabou por ser o cimento que reacendeu a chama azul-e-branca e, também, o ponto de partida para uma série de escabrosas revelações que colocaram em cheque-mate tudo o que sabemos sobre o futebol português da última década (e não só). No entanto, quase 365 dias depois, o que aconteceu?
Nada. Absolutamente nada. 

Os "presumiveis criminosos" - porque a lista de possiveis crimes divulgada é tão extensa que "presumiveis criminosos" é o mais ligeiro que se pode dizer em casos assim - continuam soltos, tranquilos e a repetir as mesmas práticas de sempre. No terreno de jogo a impunidade segue, este ano com um inesperado aliado em forma de VAR - ou como alguns memes virais têm tentado descrever, a "conexão com Skype directa com o "Primeiro-Ministro " e não há sinal de que a situação se altere. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - de que o Benfica presumivelmente tem informação comprometida e confidencial sobre árbitros. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - que o Benfica tem relação privilegiada com os inspectores anti-doping, com dirigentes de outros clubes, com dirigentes políticos, judiciais e pode mesmo até ter a ver com o facto de que nem o Presidente da Federação escapa a ter a sua vida controlada minuciosamente. Quem sabe.
O certo é que nos últimos meses - depois da divulgação de toda essa informação - algo mais sério e grave veio à tona que demonstra, na prática, porque é que ainda nada aconteceu e porque é que, provavelmente, nada acontecerá. As ligações do Benfica, através do seu presidente e esbirros, não se limitam apenas ao mundo do futebol e ao seu controlo na sombra do mesmo através da compra de árbitros, dirigentes rivais (directamente ou ajudando financeiramente os seus clubes pagando salários, emprestando dinheiro em operações de jogadores adquiridos e emprestados num circuito inumano), jogadores rivais ou figuras dos corredores do poder na Liga ou Federação. Quando saiu para a rua o processo Apito Dourado, o tal processo que era o exemplo máximo da asquerosidade do futebol português - tão limpo e impoluto nas décadas anteriores, seguramente - o máximo que os seus criticos conseguiram foram gravações telefónicas que envolviam a escolha de árbitros ("o João, pode ser o João) e cafés tomados entre dirigentes, árbitros e empresários para solucionar resultados que em campo já o estavam num ano em que, azar dos azares, o alvo a abater também decidiu comprar as altas instâncias do futebol europeu e venceu a Champions League, essa competição que só um clube de um país periférico levantou nos últimos 20 anos. Tudo isso parecia saído de uma novela cómica mas para as virgens ofendidas era apenas e só o principio do fim do Mundo. Que calados que estão agora.

A questão evidente é que este Polvo de proporções épicas tem sido silenciado, não levanta estupor público nem gera o mesmo sentimento de desprezo e asco porque, na base de tudo, o problema não é o Benfica, nem sequer é o futebol português como tal. O problema é Portugal.
O que Luis Filipe Vieira fez vai muito, muito mais além do que tentaram acusar Pinto da Costa e o FC Porto há quinze anos atrás. Se na altura o Apito Dourado parecia ser um caso exclusivamente desportivo, o Polvo encarnado é apenas um tentáculo de um monstro marinho maior, uma pata de uma cadeira de interesses que é a base da actual sociedade portuguesa. Vieira utilizou o seu clube para montar uma teia de interesses que rapidamente se aliou a outros dentro do poder financeiro e económico - não é por caso que é também o maior devedor do país e peça chave no escândalo BES -, do poder político (o caso Centeno, a presença habitual de governantes no palco presidencial da Luz) e, como se tem sabido agora, do poder judicial (toupeiras dentro da PJ, juizes-desembargadores a pedir favores e a pagar os mesmos, advogados em altas instâncias comprados) e também do poder mediático (que tem mantido sobre tudo isto um silêncio ensudecedor face à gravidade dos casos divulgados. 
O Benfica é altamente beneficiado a todos os niveis mas mais beneficiado ainda é o seu Presidente e não é por casualidade que muitos suspeitam já que a fonte original de todos os emails que precipitaram a caída das peças de dominó tenham vindo de dentro do próprio clube por figuras desejosas de ocupar o seu lugar e, com ele, as suas benesses. O que no entanto, a inicio, parecia um esquema criado para beneficiar o clube resulta na práctica ser um esquema para beneficiar uma série de elementos de distintos meios - entidades bancárias, carreiras políticas, judiciais, mediáticas - em que o Benfica é uma parte do esquema e não o seu fim. Uma realidade que vai muito para lá da corrupção desportiva e que, em comparação, faz parecer as acusações do Apito Dourado uma brincadeira inocente de meninos. A quem chamou ao Porto um dia Palermo seguramente olharia agora para Lisboa com vontade de mudar o nome da cidade a Purgatório mas a coragem para atacar uns é quase sempre proporcional à cobardia para atacar outros. 



Neste cenário verdadeiramente dantesco onde o trabalho de divulgação de Francisco J. Marques, a investigação paralela pouco ruidosa - é certo - de outros meios e o trabalho da Policia Judiciária (que já sabe que conta internamente com filtrações, quem sabe se as mesmas que subiram ao YouTube as escutas do AD, um método que na altura escandlizou menos que publicar emails) tem sido mais do que meritório, é dificil acreditar que algo vá suceder na prática. Nem despromoção, nem retirada de títulos - modelo aplicado em Itália regularmente em casos muito menos graves - nem retirada de pontos (o que foi feito, em primeira instância com o FC Porto mas que agora não pode ser aplicado porque, ao contrário desse FC Porto, solvente campeão nacional, isso significaria perder títulos) nem sequer uma reprimenda. Fazer cair o Benfica e o seu presidente era fazer cair o sistema. Era fazer cair o clientelismo dos grandes partidos políticos, os interesses à volta dos grandes bancos e das famílias que os controlam. Era destapar a podridão que grassa no sistema judiciário entre advogados, procuradores e juzies. Era ressaltar, de novo, que a imprensa portuguesa de independente e corajosa tem pouco. Era tocar em demasiadas peças ao mesmo tempo. O mérito de Vieira não foi criar um império de interesses "presumivelmente" criminais à volta do Benfica para beneficiar-se desportivamente e pessoalmente do mesmo. O seu grande mérito é ter feito do seu clube e da sua pessoa peça indispensável nessa engrenagem colectiva a ponto de que a sua queda seria sempre amparada por aqueles à sua volta sob pena de, como uma gangrena, extender-se a outros pontos onde vivem personalidades mais intocáveis do que ele próprio e que nunca o poderiam permitir. 

O silêncio das autoridades políticas, dos arautos da verdade e da moral e sobretudo da indignação fabricada de um país - todo o oposto que vivemos há mais de dez anos - tem uma base muito concreta. O FC Porto nesta guerra não luta só contra o Benfica de Vieira, esbirros e corruptores, dentro e fora de campo. Mais do que no regime do Estado Novo, é nesta podre e caduca república parlamentária, que o FC Porto mais isolado e frágil se encontro e é contra rivais mais poderosos e irredutiveis que se mede nesta batalha. Podemos muitos não ter sequer a menor ideia do tamanho do Polvo, que mais do que um polvo é um monstro marinho, e que a cada novo email, cada nova revelação nos vai surpreendendo. O que sabemos todos é que enfrentar este monstro com vida própria e interesses determinados é e será, sem dúvida, a maior batalha da história do FC Porto. Uma batalha onde a união e o arrojo tem de ser superior a tudo e a todos. Um passo em falso e podemos estar a falar de um final trágico e irreversível. O sistema não vai cair pelo seu próprio peso, não vai cair desde dentro - como em Itália passou, tanto a nível político como desportivo - nem vai cair sem dar luta. Resta saber se o Dragão encontra todas as forças para plantar batalha e não arredar pé. 
 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"Nós Vamos Ganhar"

Não vale a pena dizer muito do jogo de Santa Maria da Feira, um guião repetido e por repetir.

- O FC Porto foi melhor, num campo dificil, com condições dificeis e contra dois rivais complicados de superar, cada qual com as suas armas.

- O caudal ofensivo da equipa continua vivo, a eficácia no jogo aéreo também. Trademarks chave para chegar a Maio no topo e com os objectivos cumpridos.

- O core do plantel está mais unido do que nunca e os pequenos ajustes tácticos de Conceição nunca comprometem o jogo colectivo. A equipa soube jogar bem em distintos momentos do jogo e Conceição continua a acreditar que o seu plano A e o seu plano B são para cenários muito diferentes.

- Soares continua muito distante, física e mentalmente, do ritmo dos titulares, é um verso solto num bloco quase de proporções militares.

- O apoio dos adeptos foi tremendo e se no ano passado já se viveu um fim de ano com um seguimento inesperado e determinante que NES, com a sua inépcia, tratou de destroçar em campo, esperamos uma segunda volta com a chama do Dragão bem acendida. Que jogar fora seja jogar em casa sempre e que quem está de negro no meio do campo sinta que a impunidade tem um preço.

- Os últimos vinte minutos foram testemunha do pânico que vai por outros lados, sabedores de que já tudo se sabe (tudo?) e que não vai haver consequências reais porque isto é Portugal, estão determinados a fazer o possível e o impossível para chegar ao seu objectivo antes de que a casa arda mais. Verissimo voltou a ser ele próprio, um esbirro com a licção bem aprendida, enquanto seguramente os jornalistas que receberam o pagamento mensal habitual já estão com as facas afiadas para atacar esse "animal do Felipe" e o espirito "arruaceiro" dos jogadores do Porto a lembrar os videos de João Pinto e companhia há umas décadas atrás. Para isso cobram 400 euros ao mês a mais, vendendo-se barato porque ao regime todos se vendem abaixo do preço de tabela. Tudo conforme.

Preparem-se para cinco meses iguais a estes vinte minutos onde as leis se dão a volta do avesso, tudo é permitido, alguém acabará expulso (nem que seja por palavras, sempre a expuslão mais fácil para esta gentinha justificar nos relatórios) e todos com o credo na boca a sofrer o insofrível para seguir com vida. Bem vindos aos anos oitenta. Os anos oitenta deles, do desespero. Os anos oitenta nossos, da garra à Porto.

A todos eles, a todos nós, o Brahimi tem algo que dizer:





quinta-feira, 16 de março de 2017

O Nome da Rosa

No romance de Umberto Eco que dá nome a este artigo, a trama acontece num mosteiro beneditino (ou será numa “Catedral”?) na renascença italiana do século XIV (ou será na “revolução encarnada” do século XXI?). Há um assassino que representa uma ameaça para os monges e é o frade Guilherme de Baskerville que é enviado pelo Papa para investigar a misteriosa morte. À medida que avança a investigação sucedem-se mortes de outros religiosos. Guilherme de Baskerville é descrito como um homem esforçado que faz uso da capacidade de questionar e de duvidar, algo muito raro numa época em que era proibitivo e quase fatal questionar os dogmas e as doutrinas vigentes.

Queira o caro leitor atrever-se a desempenhar por breves instantes o papel de Guilherme de Baskerville, atendendo à mentalidade vigente em pleno século XIV, naturalmente, e analisar criticamente os seguintes factos:

Antecedentes relevantes:

A vitória do Benfica na 25ª Jornada, em jogo realizado na "Catedral" da Luz, começou a ser construída com um erro defensivo de Miguel Rosa, defesa do Belenenses mas formado no SLB (de 2001-02 a 2007-08 e como sénior em 2012-13):



A doutrina vigente na comunicação social fez com que a globalidade dos jornalistas se apressasse a considerar este como um "lance infeliz".

Os "episódios" entre o Benfica e o Miguel Rosa não são de agora, como se pode constatar nos artigos acima referenciados. Assim como os erros "involuntários" cometidos por jogadores do Belenenses em jogos contra o Benfica.

Em Março de 2014 o jogador Miguel Rosa, já desvinculado do clube que o formou, não foi convocado para o jogo Belenenses-Benfica. O mistério adensou-se quando o próprio treinador do Belenenses, Marco Paulo, assegurou publicamente que a razão para a ausência não era técnica e que a questão deveria ser endereçada à SAD. Alguma comunicação social estranhou, questionou os clubes e foi rever os regulamentos. Não havia qualquer razão objectiva que impedisse a utilização do jogador. Ver aqui.

A situação repetiu-se em Dezembro de 2014, na época seguinte. Aqueles que estavam a ser os jogadores mais influentes na equipa do Belenenses, Miguel Rosa e Deyverson, foram impedidos de jogar contra o Benfica.
«Apesar de integrarem a lista de convocados para o jogo com o Benfica, este sábado, Deyverson e Miguel Rosa não vão a jogo, no Estádio da Luz, por indicações expressas da SAD. Segundo noticia A BOLA, o treinador dos azuis, Lito Vidigal, foi informado por um elemento da SAD, antes do final do treino desta sexta-feira, que ambos os jogadores, que já passaram pelas águias, não iriam estar disponíveis para serem utilizados, mas que ainda assim deveriam ser convocados. No meio da surpresa por, a poucas horas do jogo, ter sido informado da indisponibilidade de duas pedras nucleares, o técnico rejeitou incluir Miguel Rosa e Deyverson no seu lote de eleitos, sendo que, por indicação do treinador, nem seguiram para estágio.»

Faixa dirigida a Rui Pedro Soares (Presidente da Belenenses SAD)

Em Abril de 2015, jogo no Restelo e nova vitória para o Benfica, também com um erro de um defesa do Belenenses:



«O minuto seis do Belenenses-Benfica foi muito ingrato para Pelé, jogador que estará já comprometido com os encarnados para a próxima época, segundo pode ler em A BOLA.
O médio foi o autor de um mau passe que quase isolou Lima e obrigou à saída do guarda-redes Ventura de entre os postes, sobrando a bola para Jonas, que acabou por rematar para o fundo das redes. Estava inaugurado o marcador e lançado o Benfica para a vitória (2-0), que acabou por ser confirmada também pelo avançado brasileiro.
O jogo começou mal para Pelé e para o Belenenses. E logo começaram as especulações. Que foram ganhando dimensão, particularmente nas redes sociais, nos dias seguintes. Também devido à proximidade entre as Administrações de Belenenses e Benfica.»
in abola.pt, 22-04-2015

Relativamente à arbitragem do jogo Benfica x Belenenses desta 25ª Jornada, diz a comunicação social doutrinada que Bruno Esteves terá estado bem. Há 2 lances na área "encarnada", contudo, que falam por si:




Poderá, afinal, a dúvida sobrepor-se ao dogma?
   

domingo, 15 de maio de 2016

Prendem as formigas, ignoram o elefante...


São mais de uma dezena os detidos neste sábado pela Polícia Judiciária por suspeita de «manipulação de resultados de jogos da II Liga de Futebol» com recurso ao aliciamento de jogadores, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
«No âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, que corre termos na 9ª Secção do DIAP de Lisboa, realizam-se diligências de investigação em vários pontos do país, tendo sido efetuadas mais de uma dezena de detenções», refere um comunicado da PGR sobre a operação designada «Jogo Duplo».
Sob investigação estão «factos suscetíveis de integrarem crimes de corrupção passiva e ativa na atividade desportiva» envolvendo como suspeitos «dirigentes e jogadores de futebol» e outras com «ligações ao negócio das apostas desportivas», adianta o comunicado citado pela agência Lusa.
Os detidos são suspeitos de «manipulação de resultados de jogos da II Liga de Futebol, com recurso ao aliciamento de jogadores», esclarece a Procuradoria. A investigação é dirigida pelo Ministério Público, o qual tem a coadjuvação da Polícia Judiciária, sendo que o «inquérito encontra-se em segredo de justiça».
Entre os detidos estão quatro jogadores do Oriental. As detenções foram feitas pela Policia Judiciária depois de o clube ter vencido o Atlético por 3-2 no dérbi lisboeta da II Liga.

O Benfica B partia para a última jornada da II Liga em grandes dificuldades e a precisar de uma vitória para não descer de divisão. O presidente da Comissão de Arbitragem, um canalha que dá pelo nome de Vítor Pereira, logo nomeou Bruno Paixão para apitar a recepção do Benfica B ao Freamunde, uma equipa que está na parte superior da tabela e que, à entrada para a última jornada, ainda acalentava a esperança da subida. Começado o jogo, de uma falta fora da área Paixão inventa um penalty que dá o primeiro golo aos da casa. Antes do intervalo marcou outro penalty a favor dos seus e deu o segundo amarelo a Ivan Perez do Freamunde, na segunda falta que este cometeu...

Já se sabia que Paixão é bem mandado e que nunca tem dúvidas quando é para beneficiar os seus e prejudicar os outros. E assim lá conseguiu o Benfica B ficar na II Liga, à custa deste e de outros jogos onde há muito por explicar.


Ao longo desta época na II Liga, e principalmente na sua fase final, o Benfica B está intimamente ligado a situações muito suspeitas:
  • -No jogo da visita ao Farense, clube a quem emprestou diversos jogadores e ao qual comprou os direitos televisivos, o clube algarvio utilizou um jogador emprestado pelo SLB sabendo que não o podia fazer e que perderia o jogo na secretaria. E assim foi, perdeu 2 pontos que hoje dariam para não descer;

  • -No jogo contra o Oriental em 6 de Abril, um dos jogadores ontem detidos (João Pedro) fez um auto-golo num lance "infeliz";

  • -A arbitragem de Tiago Antunes no jogo Famalicão x Benfica B em 10 de Abril.



Ontem a PJ deteve o presidente e o secretário do Leixões, 4 jogadores do Oriental e vários jogadores da Oliveirense numa operação a que chamou Jogo Duplo.
Curiosamente ninguém do Benfica ou do Farense foi detido ou sequer ouvido. Nem sobre eles devem recair suspeitas da Polícia Judiciária e do Ministério Público. Por que será que há um clube de futebol em Portugal que está sempre acima de qualquer suspeita, quer o assunto seja a Porta 18, o telefonema ao Major, os casos de doping, as máfias russas ou as nomeações nas arbitragens?

Já agora, a PJ e o MP podiam analisar também os jogos da I Liga. É que todos os jogos são difíceis mas alguns são mais difíceis do que outros...
   

sábado, 12 de março de 2016

Atitude competitiva dos adversários "amigos" do SLB

As abordagens do União da Madeira ao jogo na Luz e ao jogo do Dragão têm diferenças óbvias.
O União e os seus atletas e dirigentes têm expectativas muito diferentes, o que demonstra o clima de "parceria" que é promovido pelo SLB com alguns dos seus adversários, o que atenta de forma grave contra a seriedade da própria competição (Liga NOS).


"Não existe a obrigatoriedade de pontuar neste jogo, mas existe a obrigatoriedade de dar uma boa imagem, trabalhando o máximo possível"


O clima (demasiado) amigável que antecedeu o jogo na Luz incluiu uma deslocação do União ao centro de treinos do Benfica no Seixal.
No decorrer desse jogo, que o SLB venceu por 2-0, apreciei a passividade da defesa madeirense no lance do primeiro golo, principalmente de Soares, e da forma perdulária e displicente com que os avançados do União encararam dois lances frente a frente com o guarda-redes benfiquista.


"A expectativa é ganhar ao FC Porto no Dragão"
Shehu, médio nigeriano do União da Madeira, com um discurso muito ambicioso para a deslocação do União ao Estádio do Dragão para defrontar o FC Porto

Já para o jogo de hoje, no Dragão, os jogadores madeirenses apresentam uma atitude bem diferente, parece que vêm jogar para ganhar...

PS - estas imagens e estas afirmações deveriam ser afixadas hoje no balneário do FC Porto.
   

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A moralidade do FCP e a France2

Quando os jornais e as televisões portuguesas publicam artigos e reportagens sobre o FC Porto, o adepto azul-e-branco raramente espera algo positivo. É uma marca que vem de há muitos anos. A Bola, o Record e até O Jogo têm sido veículos predilectos para muitos interesses que estão por detrás de alguns dos capítulos mais desagradáveis do nosso futebol. A juntar a isso a tendência centralista e especulativa de alguma imprensa mainstream - e a falta de uma resposta à altura da imprensa regional e local, PortoCanal incluído - permitiu criar esse ambiente. Ou seja, para o adepto do FCP, uma má imagem do clube destas fontes vale pouco. Mas e se essa má imagem vem de fora, pensará o mesmo?

O canal francês France2 emitiu uma reportagem fabulosa sobre os podres do futebol mundial.
Uma dessas reportagens de investigação ao nível de programas como o Panorama da BBC - responsável por desmontar a corrupção da FIFA e do COI, por exemplo - e que analiss em detalhe a partir de uma perspectiva local para o espaço global como o futebol é hoje um negócio gerido por figuras perversas e que actuam nas sombras enquanto os adeptos se distraem com os jogos, os títulos, as desilusões. O trabalho jornalístico é de primeiro nível e a reportagem está a ser citada na imprensa de todo o Mundo como mais um exemplo de jornalismo de alto nível. Lamentavelmente para o FC Porto. Depois da emissão desta reportagem a nossa imagem pública internacional está bastante mais afectada.



Durante meia-hora o FC Porto é utilizado como exemplo para explicar como os fundos de investimento controlam hoje jogadores em todo o Mundo e, com eles, aumentam os seus interesses no desenrolar da temporada futebolística. O pretexto é o caso Mangala, internacional francês.
Podiam ter escolhido vários clubes na Europa. O FC Porto não é, de longe, o único que trabalha com fundos. Mas tem-no feito com regularidade e com sucesso nas vendas (aumentando as receitas de rentabilidade dos mesmos fundos e alguma inveja alheia, convenhamos) e o facto de contar com um internacional francês e ser presença regular na Champions League (e no vocabulário habitual do adepto do futebol) torna-o um alvo perfeito.
A reportagem analisa a forma como Mangala chegou ao FC Porto e o seu passe foi, meses depois, vendido a um fundo (33,3%, o mesmo valor de Defour que não entra nestas contas) o Doyen Group. Um fundo que ninguém sabe de quem é e que se dedica a tudo menos ao futebol. Os relvados servem, sobretudo, para a lavagem de dinheiro. Mais ainda, o programa destapa que o FC Porto deu - repito, DEU - 10% da receita de uma futura venda do francês a um grupo também desconhecido que, resulta, pertence a Luciano D´Onofrio, um empresário belga muito conhecido cá no burgo e tão exemplar que a própria FIFA - que não é propriamente flor que se cheire - o baniu de ser um agente oficial. Ora é fácil fazer as contas. Se Mangala sair por 30 milhões do FC Porto, 3 milhões são de Onofrio. Seja essa percentagem uma comissão que não podia ser paga legalmente (o que nos leva à pergunta, porque negoceia o FCP com agentes ilegais e sabendo-o não pode ser isso um eventual delito?), um favor antigo retribuído ou, pura e simplesmente, porque Luciano é um velho amigo de alguns membros da cúpula directiva do clube, o facto é que há 10% de um dos nossos melhores jogadores que não é nosso não porque tenha sido vendido mas sim dado. A um homem que, curiosamente, era o director-desportivo do Liege quando o mesmo jogador foi vendido. A palavra "suborno" poderia ser utilizada? Algum advogado seguramente não teria problemas em demonstra-lo!  Parece-me um dado suficientemente preocupante para alguém, de forma oficial, o venha a esclarecer.

Claro que a reportagem não fica só aqui.
Com imagens do Porto, do Dragão, do Olival, o FC Porto transmite também uma imagem de inflexibilidade que soa claramente a receio de que se descubram coisas que alguém não quer que sejam públicas. A meio de uma entrevista com o próprio jogador - que confessa que nem sequer sabia que 10% seus pertenciam a D´Onofrio e 33% à Doyen - a responsável de comunicação do clube proíbe-o de falar do seu próprio passe e contrato com o jornalista. Ante a sua estupefacção - a do jornalista, claro, porque o Mangala mostra-se obediente como não se esperaria outra coisa - a desculpa é que no FC Porto só os dirigentes falam de negócios. Algo entendível se o jornalista estivesse a pedir ao seu compatriota que comentasse a política de contratações do clube, o salário de um colega ou o valor de um negócio realizado no defeso. Mas a conversa com Mangala era sobre Mangala. E o jogador do FC Porto descobre que está proibido pelo clube para falar de si mesmo. Jogadores como gado podia dizer-se, jogadores como mercadoria como o próprio Mangala confessa. Nada mais.



No decorrer do trabalho fica claro que o FC Porto não comete nenhuma ilegalidade.
O próprio secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke, confessa-o. Há demasiados buracos na legislação para poder castigar o clube ou o jogador. É a Doyen e, em maior medida, o próprio D´Onofrio, quem se movem em águas turvas neste negócio (como em tantos outros). Mas basta um pequeno ajuste legal e, de repente, negócios como este (e como tantos outros que fazemos) podem cair num buraco legal perigoso que homens como Platini (que também aparece em cena) poderiam aproveitar para aplicar uma jeitosa suspensão como a que já está a ser colocada em prática com clubes turcos ou em casos que envolvem o Financial Fair Play. Sem cometer nenhum crime legal parece-me evidente que, ao longo de trinta minutos, qualquer espectador deste documentário ficará com uma imagem do FC Porto como um clube que ultrapassa todos os códigos morais e éticos.

Comercializar com fundos, em vez de clubes. Oferecer percentagens de jogadores grátis a empresários que estão banidos pela própria FIFA. Proibir os jogadores de falarem do seu próprio contrato e da sua situação contratual com a imprensa do seu país. Comprar jogadores por inteiro para vendê-los às fatias. Tudo atitudes da SAD que tenho criticado habitualmente aqui e que agora são reflectidas na imprensa internacional com a isenção que sabemos que nunca vamos encontrar em Portugal. O clube que por um lado impressiona pela qualidade das suas vendas - protagonista de duas séries especiais com a Marca - é agora também o clube que desilude pelos seus métodos de compra, venda e as suas amizades perigosas.

Entendo que o FC Porto SAD deva realizar uma operação de charme na imprensa europeia porque reportagens como esta valem tanto para o público europeu como uma vitória contra o Paris Saint-Germain. Vender esta imagem, lá fora, onde se tomam as decisões importantes, é algo que devemos evitar. Que em Lisboa digam o que quiserem, isso já nem nos afecta (nem devia afectar). Que o digam em Paris ou, eventualmente, em Londres, Berlim ou Roma é outra história. Não somos o único clube do Mundo que se move em areias movediças, longe disso. Não somos nem os mais podres, nem os piores, nem os mais "mafiosos", nem os que manobramos amizades mais perigosas e muito menos os que temos o hábito de anunciar que vendemos jogadores que afinal continuam a ser nossos. Nem de longe nem de perto. Temos comunicados relativamente transparentes, temos o hábito de revelar que percentagens temos e a quem (e por quanto) vendemos o que não temos e isso é de louvar. Mas talvez não seja a transparência ou não o problema.

Tal como defende a reportagem - e eu subscrevo - o problema não é legal. É moral. A partir de aí entra a percepção de cada adepto. Pode haver os que entendam que é normal que o FCP tenha esta atitude. Pode haver até os que achem que não só é normal como desejável. Entendo também que exista gente que não gosta mas se resigna. O clube é de todos e a imagem manchada de um clube mancha a todos os seus adeptos. E tudo pela nossa forma de fazer (muitos) negócios. Para mim, a moralidade da gestão do FC Porto em muitos negócios deixa muito que desejar. E não é essa a imagem que eu quero que o Mundo tenha do meu clube quando há tantas coisas boas que podemos reivindicar como a nossa verdadeira imagem de marca.


PS: Para os que sabem francês, aqui podem ver o documentário completo. A parte afecta ao FC Porto arranca ao minuto 33 e prolonga-se até à hora e dois minutos de exibição.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O apito encalhado

I. Os factos…
… de acordo com o relatado na comunicação social.

Paulo Pereira Cristóvão nasceu em Lisboa. Em 1991 entrou para os quadros da Polícia Judiciária de onde saiu no início de 2007, tendo fundado uma empresa de Business Intelligence.

Em 2009 candidatou-se à presidência do Sporting, mas perdeu para José Eduardo Bettencourt.

Há um ano atrás, Paulo Pereira Cristóvão integrou a lista de Godinho Lopes para as eleições do Sporting, após as quais passou a ser vice-presidente do clube leonino.


José Cardinal tem 45 anos, é árbitro desde 1990/91, e está filiado na Associação de Futebol do Porto. É também árbitro assistente internacional, tendo estado na fase final do Euro 2004 e do Mundial 2010.

O árbitro auxiliar José Cardinal era um dos elementos da equipa de arbitragem nomeada para o Sporting x Marítimo, dos quartos-de-final da Taça de Portugal 2011/12.

Uns dias antes dos leões receberem os madeirenses em Alvalade, foram depositados dois mil euros em notas numa conta bancária de José Cardinal, numa agência da Madeira (de acordo com o referido na comunicação social, o depósito foi efetuado por um funcionário de uma das empresas do vice-presidente do Sporting – a Primuslex - o qual terá sido filmado por câmaras de vigilância dos aeroportos de Lisboa e do Funchal e da agência bancária).

José Cardinal foi substituído pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, tendo sido invocadas razões de ordem pessoal para a ausência do árbitro assistente.

O jogo decorreu a 22 de Dezembro de 2011 e o SCP venceu por 3-0.
Ao intervalo, quando o árbitro Artur Soares Dias se dirigia para o balneário, foi abordado pelo vice-presidente do Sporting à entrada para o túnel. O árbitro apontou para Pereira Cristóvão, o qual foi identificado por um agente da PSP que se encontrava no local.


No final do encontro, o treinador do Marítimo, queixando-se da atuação da equipa de arbitragem dirigida por Artur Soares Dias, fez o seguinte comentário: “Se calhar, o melhor é fazer como o senhor Cardinal e ficar em casa”.

No dia 12/04/2012, três dias depois do SCP ter derrotado o slb em Alvalade (num jogo dirigido por… Artur Soares Dias!), inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ realizaram buscas em vários locais, entre os quais instalações da SAD do Sporting e do Sporting Clube de Portugal (segundo a comunicação social, as buscas também abrangeram as empresas, a casa e residências de familiares de Paulo Pereira Cristóvão e de Rui Martins, ex-líder de uma das claques do Sporting, e o funcionário que fez o depósito de dois mil euros na conta bancária de José Cardinal).

Em resultado das diligências efetuadas, a PJ recolheu prova suficiente que permitiu a constituição de vários arguidos, um dos quais o vice-presidente do Sporting.


«O Sporting Clube de Portugal informa que o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão solicitou, ao presidente do conselho diretivo, a suspensão do seu mandato, a qual foi aceite com efeitos imediatos»
Comunicado, 12/04/2012

A edição desta sexta-feira do Correio da Manhã revela que o vice-presidente do Sporting aproveitava os serviços das suas empresas de segurança e investigação para recolher informações – algumas alegadamente através de escutas ilegais – e depois fazer chantagem sobre os árbitros.


Rogério Alves, ex-presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Sporting e da SAD leonina, confirmou será o advogado do vice-presidente do Sporting neste caso.


II. A história…
… da “carochinha” que está a ser contada.

Conforme se percebe da descrição dos factos já conhecidos, o Sporting não tem rigorosamente nada a ver com o caso.

A situação é muito simples de explicar. Através de uma denúncia anónima, o presidente do Sporting recebeu um dossier (dossier? onde é que eu já ouvi isto?), com uma carta e um talão correspondente a um depósito de dois mil euros na conta bancária do árbitro assistente José Cardinal, depósito esse efetuado dias antes do jogo entre o Sporting e o Marítimo para a Taça de Portugal. Como não tinha nada a ver com o caso, a direção do Sporting comunicou esta denúncia a-n-ó-n-i-m-a ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol que, por sua vez, deu conhecimento à Procuradoria-Geral da República e Polícia Judiciária.

Entretanto, veio-se a saber que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristovão estava envolvido na marosca, mas era "apenas" suspeito de ter montado uma armadilha ao árbitro assistente José Cardinal (não de o querer corromper), depositando-lhe a módica quantia de dois mil euros na conta bancária, no que terá agido em colaboração com um funcionário da sua empresa e um outro colaborador. Conforme é óbvio, mas convém repetir, o Sporting não tem nada a ver com o caso.

Godinho Lopes, Luís Duque e todos os restantes dirigentes leoninos nada sabiam desta "generosidade" do ex-inspetor da PJ para com os árbitros e foram apanhados completamente de surpresa. O Sporting reafirma que não tem nada a ver com o caso.


O que está em causa é uma ação do individuo Paulo Pereira Cristóvão.
Só aparentemente é que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristóvão e o vice-presidente do Sporting Paulo Pereira Cristóvão são a mesma pessoa.
O Sporting não pretendia retirar qualquer benefício, seja desportivo ou outro, decorrente desta situação.
Em causa não está o presidente Godinho Lopes e muito menos a instituição Sporting.
Em causa não está a justa luta do Sporting contra o “Sistema”, a qual irá continuar... pelo menos até o Sporting voltar a ser campeão à moda de Campo Maior.


III. As consequências…
… criminais, desportivas, morais e de imagem.

“Os factos pelos quais é indiciado e constituído arguido o vice-presidente do Sporting, a meu ver, não consubstanciam nenhuma das infrações disciplinares previstas no regulamento disciplinar da FPF e não poderão levar à imputação ou à aplicação de qualquer sanção disciplinar ao Sporting”
José Manuel Meirim, TVI


O crime de denúncia caluniosa qualificada está previsto no artigo 365.º Código Penal e é punido com prisão até três anos ou pena de multa.


«Os sportinguistas sempre sentiram particular orgulho pelo facto de o seu clube nunca ter estado envolvido em escutas e apitos dourados. Ontem [12/04/2012], esse sentimento sofreu profundo abalo com a notícia de que um vice-presidente do Sporting foi constituído arguido no âmbito de um processo de investigação relacionado com um árbitro. Independentemente do que acontecer no futuro, há um anátema que fica pela presença da Polícia Judiciária em Alvalade. A situação é irreversível»
Antonio Magalhaes, Record, 13/04/2012


«O "caso Cardinal" é uma facada profunda na direção do Sporting.
Vai fazer sangrar o coração do leão. Pode estar aqui em causa uma sanção desportiva pesada mas pior é mesmo a sanção moral.
O Sporting foi até aqui o clube paladino da verdade desportivo e não precisou de constituir assistentes fantasmas ou de recorrer ao YouTube.
Um vice-presidente operativo e ativo está no centro da fogueira. Tudo indica também que foi ele o pirómano. Não atuou certamente por conta própria, tal como as primeiras provas reunidas indicam.
Só resta um caminho a esta direção do Sporting eleita por um punhado de votos: demitir-se.»
Eugénio Queirós, Record, 13/04/2012


P.S. O título deste artigo não tem nada a ver o processo de corrupção “Paquetes da Expo” (fretamento pela Parque Expo SA de navios-hotel para alojar supostos visitantes da EXPO-98).

Armadilha do "clube diferente"?


Vice-presidente do Sporting e um funcionário da sua empresa constituídos arguidos no caso do árbitro do Porto [edit: árbitro auxiliar José Cardinal].

A Polícia Judiciária efetuou esta quinta-feira buscas às instalações do Sporting no âmbito de uma investigação de crime de denúncia caluniosa qualificada, informou hoje o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

"Houve hoje buscas às instalações da SAD do Sporting e às instalações do Sporting Clube de Portugal, no âmbito de uma investigação de crime de denúncia caluniosa qualificada", de acordo com uma informação prestada pela 9.ª secção do DIAP de Lisboa.

De acordo com a mesma fonte, "foram constituídos dois arguidos, um dos quais é vice-presidente do Sporting", ou seja, Paulo Pereira Cristóvão, sendo que o outro será um funcionário da sua empresa. Os inspetores da PJ suspeitam que Paulo Pereira Cristóvão terá concebido uma "armadilha" ao árbitro assistente.

O crime de denúncia caluniosa qualificada está previsto no artigo 365.º Código Penal e é punido com prisão até três anos ou pena de multa.

A investigação começou por ser a um possível caso de corrupção do auxiliar José Cardinal, noticiado na quarta-feira pelo DN em primeira mão, depois de o árbitro ter recebido na sua conta bancária 2000 euros em notas a poucos dias do encontro entre Sporting e Marítimo, dos quartos de final da Taça de Portugal.

DN, 12/04/2012

Entretanto, e também segundo o DN, Paulo Pereira Cristóvão pediu a suspensão do mandato, na sequência do “caso José Cardinal”, justificando a sua decisão com os “superiores interesses” do Sporting.

Estou pasmado. Como é que se pode sequer aventar a hipótese do Sporting, um "clube diferente", ter preparado uma armadilha a um árbitro? Isso é impensável!

domingo, 9 de agosto de 2009

SMS do dia: LXXIII

Curioso que o clube da transparência e da verdade tenha decidido convidar para participar na prestigiante Eusébio Cup um clube que há 3 anos foi condenado por corrupção. Não deve ter sido bem assim, até porque nessa altura jogava lá o grande Rui Manuel, o outro detentor da verdade dos túneis de futebol (uns com a fama e outros com o proveito).

Pelos vistos só se é corrupto no futebol se for ilibado nos tribunais e vestir de azul e branco.

O que diria agora aquele senhor que se travestia de "virgem escandalizada" cada vez que o presidente do FC Porto aparecia sentado ao lado de Filipe Soares Franco.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Até onde vai uma atenção, onde começa a corrupção?

A paranoia de corrupção, parece ter assolado definitivamente este País. Ao que se quer fazer constar, todo e qualquer favor, se pode tornar passivel num acto de corromper.

Quero aqui chamar atenção para uma evidência; Prendinhas, ofertas e atençõeszinhas, são gestos que estão instituídos em qualquer sociedade, especialmente no Mundo empresarial, mas não só. É frequente ver empresas a convidar gestores a viagens e ofertar jantares e respectivas companhias. A própria UEFA baliza determinados valores, caso os Clubes pretendam ofertar lembranças aos arbitros ( o que apesar de estabelecer limites, pode ser apenas um pequeno passo para uma coisa maior).

Para mim não me causa assim tanta perplexidade que o Pinto da Costa tenha ofertado uma frutinha, ou tenha recebido em sua casa uns arbitros. O que não tenho a mais pequena duvida é de que estamos perante pratica corrente em qualquer outro Clube, não só cá em Portugal, bem como por esse Mundo fora. O que prefigura em todo este caso é uma clara perseguição a uns fogachos de tiros de pólvora seca, que toda gente sabe que é comum neste meio, mas que encontraram na figura de Pinto da Costa a imagem de um salvar a face da decadente Justiça Portuguesa.

Todo este processo do “Apito Dourado” só poderia ter sido sério e coerente, se tivesse havido investigação equalitária em actos identicos, o que manifestamente não sucedeu. Enquanto uns por umas conversas de telefone e declarações de uma senhora que nem sequer se lembra das coisas à 1º tentativa, estão a chegar à barra do Tribunal, outros que afirmaram “fazer as coisas por outro lado...”, nem sequer tiveram direito ao desencadear de uma investigação.