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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O “sargentinho” e o “engenheiro”

Sim, este grupo de apuramento era acessível.

Sim, atendendo aos critérios de apuramento, a seleção portuguesa tinha a obrigação de ser (como foi!) uma das 24 seleções apuradas para a fase final do Europeu 2016 (em França).

Mas, olhando para o "estado comatoso" em que estava a seleção portuguesa há 13 meses atrás, é impossível não ver as diferenças.

Onze inicial do Portugal x Alemanha (0-4), Salvador da Bahia, 16-06-2014

A vergonha do Portugal x Albânia (0-1), 08-09-2014

E a diferença principal foi a substituição de um (in)tranquilo “sargentinho”, com tiques autoritários, por um experiente “engenheiro fazedor de pontes”, que soube (re)unir o grupo e formar uma verdadeira equipa.

Jogadores como Ricardo Carvalho, Tiago, Dani e Quaresma que, por razões diversas, não faziam parte do leque de escolhas de Paulo Bento, foram recuperados por Fernando Santos e tiveram um papel importante neste trajeto vitorioso – 6 jogos oficiais, 6 vitórias.


Uma fase de qualificação difícil, em que começámos mal mas acabámos bem. A vinda de Fernando Santos foi uma mais-valia, recuperou alguns jogadores que faziam falta
Cristiano Ronaldo

O míster [Fernando Santos] foi a pessoa mais importante neste apuramento, conseguiu formar um grupo muito forte, pois seis vitórias seguidas não são fáceis no apuramento. Nós temos a nossa parte mas o míster é sem dúvida a cabeça do sucesso
Tiago



Que isto sirva de lição, não só aos dirigentes da FPF, mas a todos os adeptos de “sargentões” ou “sargentinhos”.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Chicago PD e a seleção do Bentinho

«Não tem nada a ver com o equipamento ser vermelho. A minha cor preferida ser o azul - do céu, do mar, do F. C. Porto - não faz de mim um touro que marra sempre contra o vermelho, da mesma maneira que amar o Porto e odiar o centralismo não me impede de achar Lisboa uma cidade muito bela.

Não tem a ver com o vermelho, mas a Seleção cada vez me diz menos. Quando começou o jogo com a Albânia, eu ia a meio do 2.° episódio do Chicago PD e não interrompi a gravação. Não perdi nada. Mais tarde, aos 52 minutos de jogo, se estivesse no relvado de Aveiro, fazia como o Pepe e dava os parabéns ao Balaj pelo magnífico golo que marcou. Não é de agora. O primeiro responsável pelo meu divórcio da Seleção foi o pateta do Luís Filipe Scolari, que hostilizou a nação portista ao não convocar Vítor Baía e perdeu o jogo inaugural do Euro 2004 por teimar em não usar como espinha dorsal da Seleção o Porto de José Mourinho, que acabara de ganhar a Champions com dez portugueses em campo.

A incompetência de Scolari, evidenciada pela proeza de com um equipa de luxo perder em casa a final do Euro contra a Grécia, foi no entretanto confirmada por um percurso imaculado de organizador de derrotas - foi despedido do Chelsea, atirou com o Palmeiras para a 2.ª divisão, proporcionou ao Brasil a suprema humilhação de levar 7-1 da Alemanha no seu Mundial - com a exceção do título de campeão nacional do Uzbequistão, ao comando do prestigiado Bunyodkor.

Após a tragédia Scolari (que deixou o nome associado a fraudes fiscais e às trafulhices do BPN) e o mal-entendido Carlos Queiroz, esperava-se que Paulo Bento conseguisse duas coisas: o apuramento para o Euro 2012 e reconciliação de toda a nação com a Seleção. Teve êxito na primeira, falhou a segunda.

Bentinho (assim era conhecido quando debutou aos 13 anos no Académico de Alvalade) não conseguiu despir o benfiquismo fanático da adolescência, nem ultrapassar o reconhecimento por o Sporting lhe ter dado os únicos quatro títulos (duas Taças de Portugal e duas Supertaças) do seu currículo como treinador, que não chega a encher uma página A4.

Em vez de fazer mais amigos e gerar consensos, Bentinho está sempre a arranjar inimigos, a fomentar divisões e a armar zaragatas. Divide, em vez de somar. Na gestão dos jogadores, é forte com os fracos e fraco com os fortes, dando a ideia de que quem manda não é ele mas Ronaldo. Na gestão da convocatória, dá a ideia de não ser o selecionador mas tão-só o zelador dos interesses de Jorge Mendes.

No discurso, irrita com frases arrogantes debitadas no irritante ritmo do Espanhol que lhe ficou da passagem por Oviedo. Na hora dos lenços brancos, Bentinho não compreende que é preferível sair pelo seu próprio pé do que ser empurrado - que é muito melhor que as pessoas se interroguem sobre os motivos que nos levaram a sair, do que perguntarem, impacientemente, por que é que que ainda não demos a vaga.

Bentinho não merece ter um salário de 1,5 milhões de euros por ano, o que equivale a receber em três meses e meio mais do que a média dos portugueses ganham em 35 anos de trabalho. Se persistir em não querer perceber que estamos fartos dele, não resta outra solução ao presidente da FPF senão despedi-lo - e pedir-nos desculpa pelo equívoco (que custará três milhões) de lhe renovar o contrato após a tragicomédia brasileira. A ver se daqui em diante todos nós, portugueses, podemos olhar a Seleção como Nacional e uma coisa nossa.»
Jorge Fiel
JN, 10-09-2014


Subscrevo, quase a 100%, esta crónica do jornalista Jorge Fiel (subdiretor do JN).
E só não o faço a 100% porque, à hora em que a “seleção do Bentinho” estava a defrontar os “briosos” albaneses, eu estava entretido a ver outro programa, que não o 2° episódio do Chicago PD…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Obviamente, não me demito

17-06-2014
«A Forbes fez as contas: Paulo Bento ocupa o 12º lugar entre os treinadores mais bem pagos no Mundial do Brasil, com um salário de 2,16 milhões de dólares (cerca de 1,6 milhões de euros). (…)
É o italiano Fabio Capello o treinador que mais recebe nesta competição. O seleccionador da Rússia apresenta um salário de 11,24 milhões de dólares (…)
O pódio encerra com Inglaterra e Itália. O inglês Roy Hodgson leva para casa 5,87 milhões e o italiano Cesare Prandelli outros 4,32 milhões de dólares.»


24-06-2014
«O selecionador de Itália, Cesare Prandelli, anunciou que pediu a demissão após a eliminação do Mundial 2014.
O presidente da Federação, Giancarlo Abete, diz que ele próprio se vai demitir.
O técnico revelou após a partida com o Uruguai, que ditou a saída da equipa do Campeonato do Mundo: “Falei com Abete após o jogo para assumir a responsabilidade pelo projeto técnico. Decidir renunciar ao cargo.”»
in Maisfutebol


25-06-2014
Sei da minha responsabilidade, sei que em Abril cheguei a um acordo com a federação, que não tinha apenas a ver com os resultados no Mundial, mas também com os objetivos para 2016. Perante estes factos, aconteça o que acontecer no jogo de amanhã [Portugal x Gana], não me demito. Não é a minha intenção, nem da direção, nem é a intenção do presidente da FPF. E com isto tenho tudo dito.
Paulo Bento, em conferência de imprensa no Brasil


Paulo Bento, sem estar a gozar, disse hoje que, aconteça o que acontecer no jogo Portugal x Gana de amanhã, não se demite.
Ou seja, mesmo que a sua equipa perca ou empate, o que significaria o pior desempenho de sempre de uma seleção portuguesa em fases finais de Mundiais (sim, seria ainda pior do que Saltillo em 1986 ou Coreia/Japão em 2002), Paulo Bento afirmou, perentoriamente, que não se demite.
Enfim, se mais preciso fosse, isto mostra bem o carácter do atual seleccionador.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O “azar” de 5 lesões em 135 minutos!

Hugo Almeida, Fábio Coentrão e Rui Patrício sofreram lesões musculares durante o Alemanha x Portugal, com os dois primeiros a terem de ser substituídos durante o desafio.

Seis dias depois, quando se chegou ao intervalo do jogo EUA x Portugal, já duas substituições tinham sido queimadas devido a mais duas lesões musculares: de Hélder Postiga (após uma época cheia de lesões, foi convocado por Paulo Bento e aguentou cerca de 10 minutos neste Mundial!) e de André Almeida (que andou a arrastar-se e a mancar durante uma parte significativa dos primeiros 45 minutos).

Cinco lesões musculares em apenas 135 minutos de competição é algo de inédito, que deveria levar os responsáveis da FPF a uma profunda reflexão e pedirem satisfações, quer ao selecionador, quer à equipa médica ao serviço da Federação (os quais, presumo, não trabalham de borla), acerca da programação, preparação e métodos de treino adoptados para esta fase final de um Mundial.

Mas nada disso vai acontecer. Ao invés, a propaganda já está a fazer o seu caminho e aquilo que se lê e ouve é que “o azar está a perseguir Portugal”…

Não há dúvida, Paulo Bento tem mesmo boa imprensa. E a gente até sabe porquê…



P.S.1 Perante os degradantes níveis físicos exibidos pela generalidade dos jogadores escolhidos por Paulo Bento (há idosos que demoram menos tempo a levantar-se do que Bruno Alves foi capaz de fazer no lance do 2º golo dos EUA…), será que o preparador físico desta seleção, João Aroso, vai continuar a fazer companhia ao chefe (Paulo Bento) e ver, também ele, o seu contrato com a FPF renovado?

P.S.2 Por que razão existe um fisioterapeuta do Real Madrid integrado na equipa técnica da seleção portuguesa de futebol? Foi convidado? Foi imposto por alguém? E, já agora, qual o seu papel na preparação de Cristiano Ronaldo e dos restantes “mancos”, perdão, jogadores da seleção de Paulo Bento?

Varela mantém Selecção ligada à maquina...


No jogo do tudo ou nada a Selecção voltou a falhar em toda a linha. Valeu o golo salvador de Silvestre Varela para levar a decisão para o último jogo. Mesmo assim o apuramento só será possível com uma vitória por 5 golos sem resposta ao Gana.
Mais um jogo com substituições forçadas por lesões na equipa lusa, o que demonstra bem o estado físico da maioria dos atletas. A época nos clubes foi desgastante mas só o caso de Cristiano Ronaldo serve de atenuante para Paulo Bento. Todos os outros foram escolhas que muito espantaram quem esteve atento à convocatória e ao trajecto de vários jogadores nos últimos meses.

Em 19 de Maio, o José Correia chamou a atenção, aqui, para essa situação:
“Nani. De 07-12-2013 até agora participou em três jogos (!!) do Manchester United, num total de 134 minutos! (…)
Vieirinha. Sofreu uma lesão gravíssima em 24-09-2013 e só regressou aos relvados quase sete meses depois, no dia 12-04-2014. (…)
Éder. Teve várias lesões ao longo da época e, de 07-12-2013 até agora, participou em cinco jogos do SC Braga, num total de 246 minutos. (…)
Hélder Postiga. Transferido para a Lazio em Janeiro, participou em cinco jogos da equipa de Roma, num total de 139 minutos e zero golos marcados! (…)
Se a escolha já estava feita (de acordo com um “critério técnico-tático”…), independentemente dos jogadores estarem em boa forma ou não, aliás, independentemente dos jogadores terem sequer jogado regularmente pelos seus clubes nos últimos seis meses, porquê tanto show-off?”

Na altura, a convocatória não estranhou à imprensa lusa, mais preocupada em relatar a "histeria brasileira com a chegada do melhor do mundo". Agora as coisas vão começar a fazer sentido.
Do grupo acima referido, o Nani esteve muito bem a espaços, pelo golo que marcou, pela bola no poste e por ter sido dos poucos que não mostrou medo em tentar o remate à baliza americana. No entanto também fez passes errados e deixou Jones rematar para um grande golo. Vieirinha nem calça pelo que não vamos chegar a saber em que condição física está. Éder é pouco experiente e nada útil no estilo de jogo desta equipa, dado que precisa de vir atrás buscar bolas e de saber jogar de costas para a baliza. Hélder Postiga nem 15 minutos aguentou! A Selecção está presa por arames.

É quase caricato que William Carvalho não seja o titular na sua posição. Apesar de um ou outro erro fez uma óptima e esclarecida exibição no meio da hecatombe. E Ricardo Costa, titular forçado pelo castigo a Pepe, fez também ele uma excelente exibição. Mas lá está: os titulares há muito que estavam definidos, ainda que por um “critério técnico-táctico” de difícil explicação.

O presidente da FPF cometeu um erro enorme ao renovar com Paulo Bento antes do Mundial. Tudo correu mal, desde o planeamento das estadias à escolha dos jogadores. No final o seleccionador terá de ser responsabilizado.

Quanto ao slogan jornalístico luso deste mundial, esse será "E Tudo o Bento levou"...

terça-feira, 17 de junho de 2014

4-0

1-0: A Geração de Ouro já lá vai há muito. Exceptuando Ronaldo, e um ou outro jogador, a melhor selecção de jogadores portugueses da actualidade - não confundir com a trupe que está no Brasil - é pouco mais que mediana. Além disso, o Patrício não é o Baía, o Veloso não é o Costinha, o Nani não é o João V. Pinto. Aquilo que as vitórias em Riad e Lisboa, trouxeram, na maioria dos casos, não foi mais que fornadas e fornadas de pseudo-craques e falhados-natos (alô Dani?) que dão 2 pontapés numa bola, e logo são elevados a craques; não há esforço e muitas vezes nem o mais básico profissionalismo. Muito gabam Ronaldo, mas poucos lhe seguem o exemplo.


2-0: Há grandes jogadores, que dão treinadores medíocres; há jogadores medíocres, que dão grandes treinadores, e depois há tipos como o Paulo Bento, que são mediocres, façam o que fizerem. Dá-se ares de indivíduo sério e independente, que pensa pela sua própria cabeça - só que nada que saia dali, tem qualquer aproveitamento. É o pior seleccionador dos últimos 20 (25?) anos. Até o Scolari, tinha a seu favor ser um excelente motivador; a especialidade do Paulo Bento, são as críticas às arbitragens. Também se finge "sargentão", excluíndo do grupo quem não tem a "atitude" certa, mas mantém por perto o Pepe; o mesmo Paulo Bento, que há 14 anos, foi suspenso durante meses por injúrias a um árbitro.



3-0: O "cristão-novo" presidente da FPF, sempre pronto a agradar aos senhores da Metrópole, ofereceu ao seleccionador um contrato que, se calhar, nem o Del Bosque, campeão do Mundo e da Europa, tem - "faça o que fizer, tem emprego garantido até 2016".

  4-0: Mais que a corrupção em geral, os favores, as "garantias", as apostas ilegais e os resultados combinados, a maior ameaça ao futebol europeu (mas não só), dá pelo nome de Jorge Mendes. Controla jogadores, dirigentes, selecções e clubes; monta e desmonta plantéis e equipas técnicas - aquilo que se está a passar com o Valência, é uma vergonha; além disso controla o Real Madrid, e tem o Atlético num bolso - num gritante conflito de interesses, que ninguém parece interessado em questionar; a selecção também é a sua coutada e é óbvio que é ele quem determina que jogadores são chamados.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Algo forçado…

O penalty assinalado contra a seleção de Paulo Bento é algo forçado?

A expulsão do bad boy Pepe é algo forçada?

O que me parece muitíssimo forçado é usar a arbitragem do senhor Milorad Mazic, como desculpa esfarrapada para uma derrota absolutamente indiscutível, naquela que foi a pior exibição de uma equipa das quinas na fase final de um Mundial.

Bastante forçado é meter a cabeça na areia e ignorar…

… a incapacidade de Pepe, numa bola parada (na sequência de um canto), permitindo que Hummels cabeceasse à vontade, obtendo o 2º golo da Alemanha;

… a forma como o outro defesa-central titular, Bruno Alves, ofereceu a Thomas Muller o 3º golo da Alemanha;

… as sucessivas barracadas de Rui Patrício a jogar com os pés, criando situações de muito perigo para a sua própria baliza, incluindo o lance que originou o 4º golo da Alemanha.

Dois anos depois do brilharete no EURO 2012, a equipa de Paulo Bento (esta equipa, mais do que uma selecção dos melhores jogadores nacionais, é uma seleção dos “amigos” de Paulo Bento) está dois anos mais envelhecida, com vários jogadores acima dos 30 anos, incluindo cinco dos titulares de hoje.

João Pereira tem 30 anos;
Pepe tem 31 anos;
Bruno Alves tem 32 anos;
Ricardo Costa tem 33 anos;
Raul Meireles tem 31 anos;
Hugo Almeida tem 30 anos;
Hélder Postiga tem 31 anos.

Perante esta paupérrima exibição da equipa de Paulo Bento, convém lembrar que, por diferentes motivos, Tiago (Atlético Madrid), Ricardo Carvalho (AS Monaco), Danny (Zenit) e Quaresma (FC Porto) ficaram de fora, enquanto vários dos indiscutíveis de Paulo Bento, como são os casos de Nani e Postiga, tiveram uma época 2013/2014 muito fraca, com pouquíssimos minutos de utilização nos seis meses que antecederam este Mundial, quer devido a lesões prolongadas, quer por opção dos treinadores dos respectivos clubes.

E pior ainda, vários jogadores - Pepe, Postiga, Raul Meireles e, principalmente, Cristiano “Abono de Família” Ronaldo - iniciaram o estágio de preparação para este Mundial lesionados, ou em má condição física.

Ignorar tudo isto, ignorar que a montante do jogo de hoje no Arena Fonte Nova estão escolhas e decisões de Paulo Bento, é que me parece um bocadinho forçado…


P.S.1 Há quatro anos atrás, a seleção portuguesa teve a “sorte” de jogar os oitavos de final do Mundial de 2010 frente à melhor seleção espanhola de sempre. O facto de Portugal ter sido derrotado pela margem mínima (0-1), pela equipa que haveria de se sagrar campeã do Mundo, e do golo espanhol ter sido marcado por David Villa, em posição de fora-de-jogo, não serviu de atenuante para a campanha orquestrada anti-Queiroz.

P.S.2 Coentrão sofreu uma lesão muscular e poderá não jogar mais neste Mundial. Se assim for, Paulo Bento terá de fazer adaptações nos restantes jogos que a seleção disputar, porque não há outro lateral-esquerdo no lote dos 23 convocados. Azar? Sim, se Paulo Bento convocou jogadores por moeda ao ar, deve ter sido por “azar” que Eliseu ou Antunes ficaram de fora.

P.S.3 Não terá sido precipitado ou, vá lá, algo forçado, renovar com Paulo Bento antes da avaliação ao desempenho da seleção portuguesa no Mundial do Brasil?

terça-feira, 10 de junho de 2014

CR7, Pepe, Ricardo Carvalho, Quaresma…

Nas últimas duas semanas, a atenção mediática do país (leia-se, da RTP, da SIC, da TVI, da Antena 1, da TSF, da RR, de A BOLA, do Record, do Correio da Manhã, etc.) esteve virada para a seleção portuguesa de futebol, ou melhor, para o joelho esquerdo de Cristiano Ronaldo.

Partes de capas do Correio da Manhã nas últimas duas semanas

A coisa foi (é) de tal maneira que, agora que CR7 voltou aos treinos, o país respirou de alívio e quase passa despercebido à generalidade dos portugueses que Pepe, seu companheiro no Real Madrid, continua em tratamentos.

Já ouvi e li que Pepe está a ser poupado para estar no auge das suas capacidades no jogo de arranque do Mundial, mas isso não é notícia, é o habitual sempre que Pepe tem sido chamado à seleção portuguesa. Isto é, em vez de participar nos treinos, passa os dias em repouso / tratamento / recuperação e depois, quando chega o dia do jogo, é… titular!

Tudo isto faz-me lembrar o dia 31 de Agosto de 2011 (já lá vão quase três anos…), na véspera de um jogo em Chipre, de qualificação para o Euro2012, quando Ricardo Carvalho abandonou um estágio da selecção.
A razão para tal atitude?
Após uma semana de treinos, Ricardo Carvalho percebeu que ia ser suplente, enquanto Pepe, que tinha passado os dias sem treinar, ia fazer parte do onze inicial de Paulo Bento.

Ricardo Carvalho

Num comunicado enviado à Agência Lusa, o melhor defesa central português da última década, disse o que lhe ia na alma:

«Sinto-me em plena forma física e também mental, como o tem demonstrado a minha prestação no meu clube e na selecção. Se me fazem sentir a mais e não mo dizem, a única possibilidade é a saída. (…) Tendo cumprido 75 internacionalizações e sido profundamente dedicado à defesa do bom-nome da equipa das 'quinas', nunca antes me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade. Entre os meus pares, sou apenas mais um atleta. No entanto, mereço também, como os outros, consideração e respeito (…)».

Com Paulo Bento é assim.
São titulares jogadores que passam os dias / semanas anteriores ao(s) jogo(s) sem treinar.
Mas isso não interessa. O que importa é que os “outros”, os que passam os jogos com o rabinho sentado no banco de suplentes, fiquem caladinhos e não façam ondas.
Em futebolês, são jogadores que “fazem um bom balneário”. Se jogam muito ou pouco, isso é secundário.

E, segundo dizem os entendidos da coisa, foi precisamente por ser emocionalmente instável e por não “fazer um bom balneário”, que outro Ricardo, Quaresma, ficou de fora.

Ao contrário de Pepe, um jogador emocionalmente muito estável, de comportamento irrepreensível…

Pepe em “ação”

… e que na seleção de Paulo Bento não corre o risco de ser suplente (“O problema de Pepe tem nome, chama-se Varane. Não há mais história”, José Mourinho, 08-05-2013).

Siga a rusga.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A lista de Bento

Lista de convocados (fonte: record.pt)

Todas as decisões de deixar jogadores de fora são decisões difíceis. O nosso critério em relação a esse setor [avançados/extremos] e a todos os outros tem a ver com um critério técnico-tático.
Paulo Bento


Nani. De 07-12-2013 até agora participou em três jogos (!!) do Manchester United, num total de 134 minutos!
Faz parte da lista de Paulo Bento.

Vieirinha. Sofreu uma lesão gravíssima em 24-09-2013 e só regressou aos relvados quase sete meses depois, no dia 12-04-2014.
Faz parte da lista de Paulo Bento.

Éder. Teve várias lesões ao longo da época e, de 07-12-2013 até agora, participou em cinco jogos do SC Braga, num total de 246 minutos.
Faz parte da lista de Paulo Bento.

Hélder Postiga. Transferido para a Lazio em Janeiro, participou em cinco jogos da equipa de Roma, num total de 139 minutos e zero golos marcados!
Faz parte da lista de Paulo Bento.


Sejamos sérios. Se a escolha já estava feita (de acordo com um “critério técnico-tático”…), independentemente dos jogadores estarem em boa forma ou não, aliás, independentemente dos jogadores terem sequer jogado regularmente pelos seus clubes nos últimos seis meses, porquê tanto show-off?

Mais. Se mesmo jogadores que passaram a época lesionados e sem jogar foram escolhidos em detrimento de Quaresma, por que razão este último foi incluído na lista dos 30?

Para o FC Porto é melhor que o Quaresma não tenha sido convocado, o qual, deste modo, vai poder apresentar-se no arranque da época 2014/2015 (fresquinho e cheio de vontade...). Mas, não teria sido mais sério (e decente), o selecionador ter desde logo assumido que não contava com ele?

Enfim, se dúvidas tivesse elas hoje ficaram desfeitas. Para mim, esta seleção não é a Seleção de Portugal. Vejo-a, sim, como a seleção dos amigos de Paulo Bento e, como tal, é-me indiferente.

Provavelmente, irei ter mais interesse em ver os jogos do México, Colômbia, França ou Bélgica...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Quaresma no Mundial do Brasil? Obviamente!

No passado dia 25 de Março, no “Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Paulo Bento foi questionado por Carlos Daniel se ia convocar Fernando e Quaresma.
É estranho, ou talvez não, que o benfiquista mais conhecido de Paredes, no papel de moderador de um painel, apenas se preocupe com os nomes de dois jogadores do FC Porto. Atendendo à inquestionável valia dos jogadores portistas, não seria muito mais lógica a dúvida em torno da convocação dos benfiquistas Rúben Amorim ou Ivan Cavaleiro?

Paulo Bento, com muita tranquilidade, respondeu: “Pode ser, está longe. Eu se calhar só faço a convocatória no dia 19 de manhã. Vou dormir no dia 18 a pensar nisso. Depois se vai Quaresma, se vai Fernando, se vai Miguel, se vai William, se vão outros, logo veremos”.

“Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Maia, 25-03-2014


CR7 à parte e com Nani sem jogar (regularmente) há muitos meses, não vejo, atualmente, que haja algum ala/extremo português em melhor forma do que Quaresma.

Contudo, há um “jornalista” da RTP Porto, que há anos vomita anti-portismo por todos os poros, a querer crucificar Ricardo Quaresma por causa dos incidentes no final do Nacional x FC Porto (os quais, saliente-se, não envolveram o trio de arbitragem, nem qualquer tipo de agressão entre jogadores que seja visível nas imagens televisivas).

Ora, apesar dos esforços deste recadeiro e das pressões, mais ou menos óbvias, para Paulo Bento não convocar Quaresma (e Fernando!), eu não acredito que o selecionador nacional, cujo passado disciplinar na Seleção Portuguesa de Futebol é sobejamente conhecido, use este episódio como pretexto para não incluir Quaresma no lote de 23 jogadores que irá convocar para o Mundial do Brasil.

Eu não tenho memória curta e ainda me recordo do que se passou no França x Portugal, do Europeu de 2000…

«A Comissão de Disciplina da UEFA anunciou domingo o castigo aos jogadores portugueses envolvidos nos incidentes que se verificaram no final do jogo contra a França [meia-final do Europeu 2000].
Abel Xavier ficará afastado de toda a actividade internacional por nove meses, Nuno Gomes tem uma suspensão de oito meses e Paulo Bento estará de fora durante seis meses. Além disso, a Federação Portuguesa de Futebol foi castigada com 175 mil francos suíços, pouco mais de 20 mil contos. (…)
Durante o período em causa, os jogadores não poderão defender as camisolas dos seus clubes em jogos internacionais nem a da selecção nacional no Mundial que, sendo uma competição da FIFA, adopta todas as sanções da UEFA por uma questão de delegação. (…)
O relatório do quarto árbitro, o escocês Hugh Dallas, acerca do qual se especulava ter sido agredido com um murro nas costas por um jogador português, não teve qualquer influência na decisão final, já que Dallas não foi capaz de reconhecer o autor dessa alegada agressão. (…)
O comunicado da UEFA, de resto, especifica aquilo que fizeram os jogadores portugueses. Começa por dizer que Benko e o seu primeiro assistente (o eslovaco Sramka, que assinalou o “penalty” de Abel Xavier) foram empurrados e pressionados por jogadores nacionais, “sofrendo contusões e arranhões de monta”. Diz o comunicado: “o quarto árbitro, que tentou proteger os colegas, foi também pressionado, empurrado pelas costas e agarrado pelas roupas”. E, até mesmo a marcação da grande penalidade, refere a UEFA, só foi possível porque Humberto Coelho “interveio para acalmar os seus jogadores”.

Paulo Bento no EURO 2000

Continuando a seguir o comunicado da UEFA, os incidentes ter-se-ão prolongado depois do golo marcado por Zidane. “Quase todos os jogadores portugueses correram em direcção ao árbitro assistente, que foi empurrado e insultado”, lê-se. E depois vêm as referências concretas aos três punidos: “Nuno Gomes deu ao árbitro um violento empurrão no peito e Abel Xavier agarrou-lhe o braço. O árbitro mostrou então o cartão vermelho a Nuno Gomes e Paulo Bento tentou tirar-lhe o cartão, segurando-lhe o braço.” E termina: “Nuno Gomes despiu então a camisola e mandou-a ao árbitro assistente.”
Da leitura do comunicado, que refere ainda que “um jogador não identificado cuspiu no árbitro assistente” (…)»
in record.pt, 3 julho de 2000 | 02:26

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

“O Porto fica lá longe…”


Um FC Porto x Sporting desperta sempre muito interesse, não só em Portugal, mas também noutros países. Assim sendo, não surpreende que, no último domingo, tenham estado no Estádio do Dragão, a assistir a este clássico do futebol português, elementos (“olheiros”) de 24 clubes europeus: Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund, Colónia, Eintracht Frankfurt, Werder Bremen, Wolfsburg, Anderlecht, Paphos, Copenhaga, Atlético Madrid, Celta Vigo, Elche, Levante, Recreativo Huelva, Montpelier, Nice, Saint-Étienne, Everton, Queens Park Rangers, Manchester City, Manchester United, West Bromwich Albion, Inter Milão e Sampdoria.

O que surpreende (ou talvez não) é o facto do seleccionador nacional, o “frontal” Paulo Bento, empregado da FPF, não se ter deslocado ao Porto e tenha optado por ficar em Lisboa, para assistir, confortavelmente instalado no camarote presidencial do estádio da Luz, ao “importantíssimo” slb x Nacional.

E esta atitude é ainda mais surpreendente, se atendermos a que no relvado do Estádio do Dragão jogaram sete prováveis/potenciais convocáveis para a Selecção de Paulo Bento - Josué, Varela, Licá, Rui Patrício, Cedric, William Carvalho, André Martins.
Quantos potenciais convocáveis jogaram no slb x Nacional?

Esta cómoda opção de Paulo Bento fez-me lembrar uma célebre frase de Scolari, quando justificou uma sua não vinda ao Estádio do Dragão dizendo que “o Porto fica lá longe…”.

De facto, o Porto fica muito longe do centralismo lisboeta e das mordomias da capital.

Quanto a Paulo Bento, está cada vez mais parecido com o seu amigo “sargentão”. Talvez devêssemos passar a chamá-lo de sargentinho...

sábado, 12 de outubro de 2013

O estertor da nossa selecção !


Foi um jogo fraquinho, fraquinho, o que se tem repetido nesta fase de qualificação para o mundial, de forma preocupante. Há problemas de recrutamento óbvios, mas o Paulo Bento continua fechado no seu labirinto, alimentando guerras, convocando os do costume e ostracizando uns quantos com punições severas e que poderiam ser muito úteis “nesta fase do campeonato”.
Há jogadores que pensam que são bons e alguns são de uma confrangedora mediocridade como é o caso do Nelson Oliveira, outros apenas razoáveis e que representam a larga maioria dos jogadores seleccionáveis. Numa mão cheia, cabem os que são mesmo bons: dois deles gozam de um estatuto que não ajuda a reforçar o espírito de grupo. Os amarelos a CR e a  Pepe foram claramente a pedido dos artistas, que assim se autoexcluíram do próximo jogo com o Luxemburgo. Era uma chatice para vedetas de tal gabarito. O Real Madrid agradece e o Paulo Bento compreende.

Eduardo foi retirado e reconheça-se que não tem estado feliz na defesa das balizas do SCB, mas o Rui Patrício tem revelado nesta fase alguma irregularidade e tremedeira, nomeadamente na saída dos postes.
Corremos sérios riscos de não estar no mundial do Brasil e a perda dessa receita deverá constituir um enorme prejuízo para a FPF e para o futebol português. Em devido tempo, deveríamos ter recrutado dois ou três jogadores, de preferência brasileiros, para aumentar as opções e/ou compor alguns lugares em que estamos claramente deficitários. Obviamente,  que o caminho seguro para alimentar a equipa nacional deve vir dos escalões de formação e parece que estamos no bom caminho para o poder vir a fazer, mas neste ínterim dever-se-ia ter assumido as nossas fraquezas e, consequentemente, a assumpção  de medidas de curto prazo para combater as actuais debilidades,  com determinação.

Pode ser que o modelo português por excelência prevaleça no play off e o desenrascanço tuga consiga mais um milagre. Preferia que não fosse assim, mas é esse o nosso destino.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Lesões e Seleções

«João Moutinho, Varela e Defour já estiveram esta quinta-feira no Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, no Olival, onde Vítor Pereira dirigiu mais um treino do FC Porto, que prepara a deslocação ao terreno da Académica (24.ª jornada, sábado, 18h15). Porém, os internacionais portugueses não estiveram no relvado: o primeiro [Moutinho] efectuou trabalho de recuperação no ginásio, enquanto Varela apresentou uma mialgia no adutor direito e limitou-se a tratamento. (...) Jackson Martínez e James, que estiveram ao serviço da Colômbia e tiveram o desgaste acrescido de uma viagem intercontinental, ainda não estiveram no Olival»
in www.fcporto.pt, 28-03-2013


Pelos vistos, Moutinho chegou da Seleção todo "roto", Varela com uma mialgia e os internacionais colombianos ainda nem sequer tinham chegado à hora do treino de quinta-feira.

O caso do Moutinho é mesmo paradigmático. A 23 de Fevereiro jogou contra o Rio Ave; depois sofreu uma lesão muscular num treino e falhou o jogo contra o Sporting (em 02-03-2013) e a recepção ao Estoril (em 08-03-2013). Dado como apto pelo departamento médico do FC Porto, no dia 13 de Março foi titular em Málaga mas, por volta dos 30 minutos, ressentiu-se da lesão na mesma perna e Vítor Pereira teve de o substituir ao intervalo.

(Málaga x FC Porto, O JOGO)

Lesionado, Moutinho voltou a falhar um jogo do campeonato, desta vez na Madeira, contra o Marítimo (em 17-03-2013) e, tal como na deslocação a Alvalade, o FC Porto voltou a empatar, perdendo mais dois pontos na corrida para o título.
Ao contrário do que é habitual com outros jogadores, todo este historial recente de lesões musculares não impediram Paulo Bento de convocar João Moutinho para dois jogos em países longínquos (Israel e Azerbaijão), nos quais o médio do FC Porto "apenas" jogou 180 minutos!
No treino de quinta-feira Moutinho efectuou trabalho de recuperação no ginásio. Veremos se já estará em condições de treinar na sexta-feira, o último treino antes da deslocação a Coimbra para defrontar a Académica.

O mesmo se passa com os dois internacionais colombianos que, na melhor das hipóteses, também apenas poderão participar num único treino de preparação para o Académica x FC Porto do próximo sábado. Espero é que as consequências de mais esta chamada à seleção da Colômbia não se façam sentir no próximo jogo do FC Porto. E digo isto porque ainda tenho bem presente o desempenho de Jackson Martinez no FC Porto x Olhanense. Para quem já não se lembra, eu recordo.
Guatemala e Colômbia disputaram um jogo particular em Miami, no dia 7 de Fevereiro, com início às 02h00 (hora de Portugal continental). Imagino o bem que deve fazer ao organismo de um jogador que vive na Europa, disputar um jogo neste horário.
De regresso a Portugal, após mais uma viagem intercontinental (e não sei quantos fusos horários), Jackson fez treino de recuperação na véspera do FC Porto x Olhanense e, no dia 10 de Fevereiro, teve um dos seus piores jogos com a camisola azul-e-branca, falhando um penalty e dois golos aparentemente fáceis, um em cada parte.

(FC Porto x Olhanense, O JOGO)

Lesões, seleções, limitações para treinar e/ou jogar, esta tem sido uma das sinas do FC Porto esta época.

P.S. Devido à entrada dura de Roberge (penalty por assinalar no Marítimo x FC Porto), a qual lhe provocou uma entorse no tornozelo direito, duas semanas depois Atsu continua lesionado e ficou de fora dos convocados para o Académica x FC Porto de amanhã. Regressado lesionado da seleção de Paulo Bento, Varela fica a fazer companhia a Atsu. E assim, Vítor Pereira vai para Coimbra sem extremos.

terça-feira, 26 de março de 2013

O Paulo herói

«A seleção tentou sempre fazer um jogo redondinho, afinado, daqueles que ficam bem na televisão. Não compreendeu a natureza do adversário [Israel] que enfrentava, nem o relvado onde estava, nem o momento. Em linha com aquilo que Pepe tinha dito antes: este jogo não era decisivo. Por acaso acho que era e os jogadores não compreenderam a exata dimensão da partida, o que se lamenta. Com uma fase de qualificação miserável, este era o instante correto para dar a volta a um texto mal escrito. Não conseguiram.»
Luís Sobral
in Maisfutebol, 22-03-2013


A seleçãozinha de Paulo Bento não joga nada, os resultados são maus (nos últimos cinco jogos nem uma única vitória para amostra!), mas o seleccionador continua com boa imprensa e em alta. E porquê?

Basicamente, porque Paulo Bento é um tipo esperto e percebeu rapidamente que, para se ser "herói" no futebol português, lhe bastava arranjar umas guerras com o FC Porto e, preferencialmente, com o Pinto da Costa.

Vejamos, em dia de jogo no Azerbaijão, de que é que se fala na imprensa desportiva?
Da miserável campanha da seleção nacional de futebol nesta fase de apuramento?
Do modo como Cristiano Ronaldo viu o cartão amarelo em Israel e que o afasta do jogo de hoje?
Não. A BOLA fez uma 1ª página elucidativa, em que escreve: "Reação dura de Paulo Bento aos recados de Pinto da Costa".
E mais abaixo: "Em véspera de jogo decisivo de Portugal no Azerbaijão, selecionador mostra pulso firme no caso Moutinho".
Só faltou dizer: Renove-se já o contrato do Paulo herói!
Resultados da Seleção?
Mundial do Brasil em 2014?
O que é que isso interessa?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Bento cala a desgraça ......


“Não me meto no trabalho dos dirigentes e, por isso, não admito ingerências no meu trabalho nem dos meus próprios dirigentes, quanto mais de um presidente que não trabalha comigo”

“Houve jogadores com a mesma importância [de João Moutinho] que jogaram, um 90 minutos [James Rodríguez], outro 80 [Jackson Martínez], um pouco mais longe, com uma diferença horária maior”

“Ou alguém tem algo contra a FPF e terá de resolver esse problema ou gostará mais da federação colombiana”.

(declarações de Paulo Bento)

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Durante o Europeu, Paulo Bento apareceu frequentemente tenso e pouco receptivo às críticas. É frontal e admiro essa qualidade. Falta-me saber se é uma espécie de Octávio ou se é inteligente e não cede a seguir caminhos fáceis, sabendo que os alvos ou são frágeis (Bosingwa, como muito bem explicou Jaime Pacheco) ou representam figuras com poder, mas cuja “oposição ou ataque” merece créditos garantidos a quem os pratica, como Scolari tão sabiamente explorou.

PdC fez o que lhe competia. Talvez, repito talvez, não devesse ser tão minucioso nos detalhes e ser mais certeiro no tiro, paras que não nos ficássemos pela possibilidade do contraditório e permitir que se passasse a discutir o acessório e não o mais importante: o objectivo desportivo e a calendarização deste jogo, a escolha do adversário, a convocatória e as opções de Paulo Bento, a degradante exibição de Portugal e o caminho desta selecção, sem norte e sem bússola, nos últimos jogos que efectuou.

Várias vezes Paulo Bento utilizou a frase “… vocês sabem do que estou a falar …” defendendo-se para iludir falar no problema principal e Humberto Coelho seguiu o mesmo caminho: como costume falou sem dizer nada.

Espero que o FCP saiba responder, porque a questão principal não é saber se PdC gosta ou não da FPF, mas se a FPF gosta desta selecção e se a está a "usar" e promover da melhor forma.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vocês sabem do que estou a falar...

«O ponto mais alto da minha carreira ainda está para chegar, tenho uma carreira muito curta. Houve um senhor que disse que era preciso dez anos e dez mil horas de treino. Ainda me falta trajeto e aprender muita coisa. (...) Depois dá a sensação que somos uma cambada de incompetentes. Temos de aprender, mas já não temos de aprender tudo. (...)
A promessa continua de pé, falarei de tudo quando acabar a nossa caminhada. Ela não acabou. Sei que alguns estavam desejosos que acabasse hoje. Foi assim com a Alemanha, foi assim com a Dinamarca, porque foram buscar tudo o que podia ser crítico em relação aos jogadores. Deixem-nos em paz, critiquem o treinador. Mas isto vai continuar. A grande maioria estará com uma felicidade imensa, outros estarão tristes. Mas já estarão outra vez a afiar as facas e a comprar cachecóis da República Checa para ver se nós saímos.»
Paulo Bento, 17/06/2012


Ouvindo/lendo este discurso azedo e cheio de recados nas entrelinhas, mas sem nomear os destinatários, por momentos pensei que o selecionador nacional era o Octávio Machado.
Não sei de que é que o Paulo Bento estava à espera, mas ele, que é dos selecionadores das últimas décadas que tem melhor imprensa, queixa-se de quê?
De não haver unanimidade em relação a algumas das suas escolhas?
Da FPF lhe ter dado um extraordinário voto de confiança e ter prolongado o contrato por mais dois anos, mesmo antes do EURO 2012 se iniciar?
Ó homem, relaxe e desfrute do momento.

domingo, 10 de junho de 2012

As chagas das Quinas


Finalizar, a nossa cruz

A derrota de Portugal com a Alemanha deixou no ar um vislumbre de sentimentos diversos. A organização lusitana superou largamente a dislexia patenteada nos encontros de preparação. Mas fatalmente a Seleção voltou a vacilar nos momentos decisivos e contra um adversário poderoso. Porventura haverá mais esperança no seio da pátria numa exibição que não deslustrou. Mas os sintomas da doença continuam lá morar e provavelmente vão abafar Portugal bem antes que a sua esperança acabe.

A eventual falta de ousadia de Paulo Bento até ao minuto 72 pode muito bem ser explicada na tração mais dianteira do seu conjunto diante da Turquia. O sistema e os protagonistas eram os mesmos em ambas as contendas, mas a assunção do risco no controlo do jogo e no passe pôs em xeque o seu sucesso no último particular. Antevendo esse desacerto com os alemães o selecionador apostou numa construção sem riscos, com os seus jogadores a não se permitirem a exposições desnecessárias, limitando-se a fazer circular a bola por caminhos óbvios.

E a verdade é que a coisa decorreu quase sempre de forma organizada e planeada. Miguel Veloso não se perdeu nos seus habituais passes transviados e o grupo foi bastante solidário entre si. Claro que tamanha preocupação em deixar tudo tão aprumado desviou a atenção aos jogadores lusos em agarrar-se ao jogo de quando em vez, não apenas quando o prejuízo já lá morava. Isso, e a eterna nulidade na finalização da raia lusitana.

Paulo Bento não foi pouco ousado com uma Alemanha que se revelou ser um pequeno monstro. O selecionador legitimamente preocupou-se em disfarçar as diversas lacunas que Portugal ostenta. Do trinco, ao puro 10. Do ponta-de-lança ao lateral direito.

Algumas dessas chagas ficaram remetidas ao esquecimento durante os 90 minutos, mas seria impossível escamoteá-las todas de uma só assentada. Aqui não dita a regra do mercado global dos clubes. Cada Seleção tenta sobreviver com aquilo que a sua terra lhe dá. E nossa, para além de ter desperdiçado bom fruto em colheitas recentes, poucas vezes deu uma “máquina de golos” como a que resolveu o jogo da noite passada.

Para se ganhar uma competição como esta não basta muita ambição e cagança de todo um povo. Só com um conjunto homogéneo e equilibrado é possível reverter as adversidades com outras opções tão ou mais válidas. Portugal é uma equipa sem resposta a algumas necessidades, não por culpa de Paulo Bento, mas sim por inépcia do seu campo de recrutamento.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O senhor que se segue para a cadeira de sonho

Ultimamente o tempo de vida estimado das cadeiras de sonho no Dragão tem sido bastante curto. Depois de Villas-Boas preferir o couro britânico antes de cumprir um ano de azul ao peito agora parece claro que Vítor Pereira não passará outro Verão como treinador principal do FC Porto. Nenhum adepto, nem os mais ferrenhos do técnico (ainda existem?) perspectivam uma sequela, mesmo que uma reviravolta surpreendente permita ao FCP revalidar o titulo de campeão nacional ou a própria Europe League.

Como SAD, treinador, jogador e adeptos já sabem que este filme tem data de caducidade marcada para Maio, é normal que arranque a especulação sobre qual será o próximo capitulo. Pinto da Costa tem sido um presidente bastante condescendente com os seus treinadores, especialmente os mais obedientes. Mesmo quando o público portista se mostrou farto de Jesualdo Ferreira ou Fernando Santos, por exemplo, estes mantiveram-se no seu lugar. Essencialmente porque a SAD – e o presidente – parece ter um especial apreço por treinadores que dão o corpo à bala, que se transformam no foco de contestação das massas e da imprensa e, por conseguinte, mantêm os focos distantes da gestão presidencial que nos casos de Fernando Santos (a partir de 2000), Jesualdo (o caso Apito Dourado) e Vítor Pereira (a péssima preparação da temporada) tem sido bastante criticável.


Mas até Pinto da Costa sabe que os seus homens de confiança e apostas pessoais (e os três foram-no) têm um limite e quando os resultados e as sensações deixam de acompanhá-los, tarde ou cedo a hora chega. Vítor Pereira sabe-o desde o principio, sente-o desde o empate com o Benfica e tem-no por garantido desde a eliminação da Champions. O despedimento de Domingos pode potenciar um cenário similar ao que ocorreu na troca de Octávio (outro adjunto que Pinto da Costa quis transformar em técnico ganhador) por José Mourinho (que esperava em Leiria pelo primeiro poiso livre). Mas apesar da velha glória do ataque portista ser um nome querido pelos adeptos, o seu péssimo ano em Alvalade, onde foi incapaz de produzir futebol e resultados, é um sério handicaap para quem quer dar um murro na mesa. Despedir um treinador que segue em segundo por um que é incapaz de saltar do quarto posto, por debaixo das expectativas do próprio clube, não parece ser o melhor dos sinais.

Quando Vítor Pereira foi eleito sucessor de Villas-Boas muitos adeptos torceram o nariz e pensaram em três nomes que, passado um ano, estão aí, disponíveis, mas com um historial distinto.

Á parte do tema Domingos, que promete levantar muitas suspeitas nas próximas semanas, estão na lista o seu herdeiro em Braga, Leonardo Jardim, há muito um protegido de Pinto da Costa e um técnico que tem feito um bom trabalho num clube que se tornou em viveiro dos grandes. Mas Jardim, é certo, ainda não deixou um destelho de genialidade que permita sentir que é “um treinador à Porto”.

Pedro Emanuel, filho adoptado da casa, passou o teste do ano de estreia com boa nota mas nem todos os treinadores que começam bem a sua carreira acabam por confirmar todo o potencial imaginado.


Depois há que manejar a opção Paulo Bento. Sempre se especulou sobre o seu futuro como treinador do FC Porto e tendo em perspectiva o fraco futuro de Portugal no “grupo da morte” do próximo Europeu, é bastante provável que o actual seleccionador esteja livre em Julho. Não será uma escolha consensual entre os adeptos face ao seu passado nos dois grandes da capital e o seu carácter conflictivo, mas analisando apenas o espectro de treinadores nacionais (pelos problemas de liquidez da SAD não os imagino a aventurar-se no caro mercado internacional) é dos técnicos que eventualmente estarão livres, o que mais curriculum tem.

Para o fim deixo a solução mais óbvia e, no entanto, mais complexa.
A péssima época de Villas-Boas com o Chelsea (a pior dos últimos dez anos a esta altura da temporada) parece deixar claro que os milhões de Abramovich vão procurar outro sucessor espiritual a Mourinho. Só uma inesperada vitória na Champions League salvaria a cabeça do técnico portuense que, provavelmente, em Junho procurará emprego. Desta vez nenhum grande da Europa vai obcecar-se com o seu talento e entre optar por um clube médio em Itália, Espanha e Inglaterra, e voltar ao Dragão, talvez AVB sinta saudade de um café nas esplanadas da Foz. Seria o regresso mais lógico, mas também o que provavelmente levantaria mais questões.

Com Pinto da Costa ao leme só dois treinadores voltaram a orientar o FC Porto. Tomislav Ivic foi um sucesso tremendo no seu primeiro ano, onde só faltou renovar a Taça dos Campeões, e um desastre no mandato de meio-ano em 1993/94. O outro nome é o de Artur Jorge. Com a subtil diferença de que o “rei Artur” saiu depois de três anos como treinador principal (e um par deles como homem de confiança de Pedroto), dois campeonatos, uma Taça dos Campeões europeus e que depois de fracassar no projecto Matra Racing, encontrou no regresso a casa uma forma de paliar o sofrimento do falecimento da sua esposa de então. Um regresso bem sucedido (mais um bicampeonato) e curto, antes que Portugal batesse à porta.


Villas-Boas seguramente iria ser bem recebido pelos adeptos mais saudosistas e mesmo aqueles que o tratam por “Libras Boas” são conscientes de que seria um técnico “right for the job”. Mas como reagiria o clube e, sobretudo os jogadores. Villas-Boas converteu-se em ídolo porque rompeu com os prognósticos e criou à sua volta uma aura de infalibilidade que o ano em Inglaterra ameaça destroçar. Voltaria como um técnico derrotado, incapaz de se impor numa liga mais exigente e isso pode deixar a sua marca como líder de um balneário que, já de por si, não anda propriamente de boa saúde. Tecnicamente seria uma opção desejável, psicologicamente é um enigma complexo de resolver.

Qualquer que suceda a Vítor Pereira terá um acolhimento caloroso, isso parece claro. Mas será isso suficiente para inverter a tendência suicida desta temporada?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pepe, what an idiot


Foi esta a reação de Wayne Rooney, no Twitter, perante mais uma atitude inacreditável e inqualificável de Pepe.


«Pepe volvió a ser protagonista negativo en un Clásico. En la primera parte vio la tarjeta amarilla por una dura entrada a Busquets pero en la segunda amplió su repertorio. Simuló una agresión en la cara de Cesc cuando el azulgrana no le llegó a tocar en el rostro y posteriormente pisó a propósito la mano de Messi cuando el argentino se encontraba en el suelo tras una entrada de Callejón.»
in marca.com


«El comportamiento de Pepe en el Clásico, y en otros muchos partidos que constituyen para él un auténtico historial delictivo, es intolerable. Sólo la providencia evita que cada uno de estos encuentros se convierta en una carnicería.
El Real Madrid, en la persona de Florentino Pérez, debe valorar muy seriamente la posibilidad de deshacerse de un jugador que es una vergüenza para el Real Madrid, que no está ni a la altura de la historia del club, ni a la altura de sus compañeros ni de la profesión de futbolista. El mercado de invierno sería una buena oportunidad para sacar algún dinerillo y evitar que Pepe vuelva a vestir la camiseta blanca. Si queda un mínimo de cordura en el club, éste ha debido ser su último encuentro.
Hubo un caso, el de Juanito, en el que el jugador tomó la decisión voluntariamente. Juanito pisoteó la cabeza de Matthaus y, a los pocos días, decidió que abandonaría la disciplina del club por decisión propia tras lo vergonzoso de su acción. Pero estamos hablando de Juanito, tras cuyo corazón caliente se escondía un tipo de una pieza.
No parece que Pepe vaya a tomar la misma decisión de Juanito tras la exhibición de salvajadas ofrecida ante el Barcelona. Seguramente, optará por quedarse en el club, a la sopa boba, escondido tras la falsa identidad de ser el abanderado de la causa madridista y protegido por el clan que parece ha tomado las riendas de la entidad, traicionando cualquier vinculo con la tradición del equipo tanto en lo futbolístico como en el comportamiento deportivo.»
in marca.com



Propositadamente, retirei estes textos e imagens do jornal a Marca (versão online), o qual, como é sabido, é um jornal que está para o Real Madrid como A Bola está para o slb.

Ora, se perante o historial de atitudes lamentáveis de Pepe, neste e noutros jogos, no jornal semi-oficial do Real Madrid já se publicam textos com termos como “carnicería”, “vergüenza”, “intolerable” e se discute se Pepe deve voltar a vestir a camisola branca, a pergunta que me apetece fazer é: qual vai ser a atitude de Paulo Bento?
Para o atual selecionador português, que faz da disciplina a sua imagem de marca, e que se mostrou absolutamente intransigente nos casos Bosingwa e Ricardo Carvalho, Pepe continua a reunir todas as condições para ser convocado para a seleção das quinas?


P.S. Até o subdiretor da Marca entende que já não há mais espaço para contemplações...


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nacionalismo bacoco

Que haja quem considere o CR7 melhor que o Messi, eu dou de barato, encolho os ombros e digo que não gostamos do mesmo futebol.

Que haja quem considere que em 2011 CR7 foi melhor que o Messi, eu dou de barato, encolho os ombros e digo que não gostamos do mesmo futebol.

Que o seleccionador do meu país e o suposto capitão (ver http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1528308) considerem que além do CR7, o Nani foi melhor que o Messi, e que o suposto capitão - um tal de Nuno Ribeiro (não é digno de usar o nome Gomes) não considere o Messi um dos 3 melhores em 2011, já não dou de barato e já não encolho os ombros.

Envergonham-me como Português. Detesto nacionalismos bacocos.