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sexta-feira, 7 de julho de 2017

O gesto de Iker

Casillas será guarda-redes do FC Porto pelo menos por um ano mais.
Era algo que estava sobre a mesa desde que o guardião espanhol aterrou, há duas temporadas, na Invicta mas ainda que o resultado final seja o mesmo, as formas são bastante distintas e essas apenas honram um jogador que soube, desde cedo, entender a mística deste clube e que aceitou ser capitão na sombra ganhando a pulso o respeito e carinho dos adeptos.

Iker chegou em 2015 com um contrato muito particular. Durante dois anos o Real Madrid comparticipava em 70% do seu salário cujas cifras eram incomportáveis para a realidade do FC Porto que se fazia cargo do restante valor. Era a forma de facilitar a desvinculação do jogador do seu clube de sempre sem criar grandes problemas à instituição. Sob esse pressuposto o contrato incluía a possibilidade de ampliar-se um ano mais de forma automática, tanto por parte do atleta como do clube, tivesse esse disputado 70 jogos oficiais nos dois anos anteriores. O problema? Essa prolongação mantinha a mesma base salarial mas já sem a comparticipação dos merengues o que faria de Casillas o jogador mais bem pago, em exclusividade, da história do futebol português por uma enorme margem. Salários de estrela mundial num clube luso era algo inconcebível de aí que, nos corredores do Dragão, se olhasse para a estância de Iker como um processo de dois anos com uma saída, grátis, para um outro clube, possivelmente norte-americano, neste defeso. Mas Iker não quis avançar para a reforma dourada da MLS e apesar de ser verdade que sondou outros clubes europeus nestes meses, através do seu agente - clubes da Premier, da Serie A e até da liga espanhola - a sua vontade principal era a de ficar nas Antas. Restava saber em que moldes.

O agente de Iker fez saber ao FC Porto no início do ano que o jogador queria ficar ao que o clube respondeu que desejava o mesmo mas na situação actual, mais ainda do que o costume, o seu salário original era inviável e que portanto nunca seria o FC Porto a activar a cláusula de extensão de contrato. Caberia ao jogador mover as peças no tabuleiro das negociações. Podia tentar forçar a situação, activando unilateralmente a sua cláusula - algo que o FC Porto sabia que seria muito dificil que sucedesse - ou simplesmente sair, com um aperto de mãos, como muitos temiam. Casillas fez o mais dificil. Não só recusou clubes que lhe ofereciam mais do que estava a ganhar, já então, como aceitou ficar num novo projecto, depois de dois anos sem ganhar nada - ele que, como atleta, já ganhou absolutamente tudo o que há para ganhar - ganhando substancialmente menos. Continuará a ser o jogador mais bem pago do plantel e ainda que as cifras não transcendam para fora, esse valor dista muito do que iria cobrar originalmente. O vinculo é de um ano e esse sim parece ser o final da sua etapa, entre outras coisas porque o futuro profissional da sua mulher está igualmente em jogo e vai ser prioritário na escolha do futuro destino do atleta, mas será um ano muito especial. Por um lado porque Iker ganhará menos do que nunca ganhou e por outro porque é a sua forma de mandar uma mensagem para dentro e para fora. O espanhol não quer sair de mãos a abanar da sua etapa como Dragão.



Nos últimos meses o internacional espanhol tornou-se uma especie de capitão silencioso e sem braçadeira no balneário. Foi fundamental na integração de vários jogadores jovens - alguns deles falam de Iker como um autêntico pai desportivo - e trouxe esse ADN de competitividade, espirito ganhador e raça que bebeu em Madrid para um balneário sem referências da cultura Porto nos dias que correm. Á medida que o clube prefere vender as suas pérolas com a desculpa que há um problema financeiro com a UEFA - um problema que não lhes impediu de bater o seu próprio recorde de transferências com Oliver Torres, curiosamente num processo gerido pelo mesmo homem que agora gere as saídas dos seus jovens internacionais lusos - contar com o perfil e a grandeza de Iker Casillas vale muito mais do que possa parecer á primeira vista. O FC Porto ganha um ano para preparar a sua alternativa nas redes, Sérgio Conceição ganha um líder dentro e fora de campo e os adeptos mantêm uma referência de respeito e carinho para com o clube numa altura onde muitos daqueles que o deviam defender e acarinhar do mesmo modo fazem precisamente o contrário. 

O gesto de Iker choca com o gesto de muitos assalariados do FC Porto. É preciso vir alguém de fora para mostrar grandeza e sentido de pertença com uma grande instituição. No final do próximo ano será livre mas Casillas do FC Porto já não se livrará nunca. Será sempre um dos nossos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Casillas, o novo líder

Não se pagou a si próprio como muitos alardeavam no momento da sua chegada. Teve um primeiro ano mais parecido - como era lógico - aos seus três anos anteriores do que ao computo geral da sua brilhante e irrepetível carreira. Com erros individuais custou pontos na corrida aos oitavos da Champions. Com momentos de génio individual garantiu pontos importantes - sobretudo na Luz - que mantiveram a chama de uma corrida ao título que cedo se esfumou. Casillas é, provavelmente, a contratação de maior profile mediático da história do futebol português depois de Schmeichel. Ao contrário do "Big Dane", a sua chegada, por si só, não fez a diferença e o Porto não só não foi campeão no seu primeiro ano como no segundo marcha segundo. Mas é preciso ser-se justos com Iker. Porque o merece. Porque o ganhou a pulso quando podia perfeitamente ter vindo ao Dragão para reformar-se. E porque, sobretudo, está a saber marcar o caminho, dentro e fora de campo, do que o FC Porto deve voltar a ser. Um clube com mentalidade de balneário ganhador.

Iker tem tido uma temporada até agora ao seu melhor nível. Não é só no apartado de golos sofridos que os seus números estão á altura dos seus melhores anos. O esquema de Nuno tem permitido, aliás, que toda a defesa se exiba com surpreendente autoridade, algo dificil de imaginar no Verão com a soma dos cromos disponíveis. Maxi - que vai melhorando depois da sua ausência por lesão - Layun (um dos melhores suplentes do futebol europeu), o recém-chegado Felipe e, sobretudo, Marcano, têm jogado com autoridade e contribuído, a par do imenso e enorme Danilo Pereira (e do gémeo que joga ao seu lado e que permite dar a sensação de que está em todas as partes...porque está), para uns excelentes registos defensivos. Mas é da baliza, da segurança e liderança que emana Iker, que se sente a grande diferença face ao ano passado. Na passada temporada, fosse pelas peças disponíveis (onde já havia Layun, Maxi, Marcano...), fosse pela adaptação, Iker não transmitia quase nunca a capacidade de comandar a sua zona recuada. Teve brilhantes momentos individuais sim da mesma forma que teve erros garrafais porque uns e outros são parte do oficio. O que não demonstrou, pelo menos em campo, foi essa liderança que sim exerceu nos seus quinze anos de guarda-redes do Real Madrid. Este ano é diferente. Este ano Iker manda com o olhar mais do que com os gritos. Posiciona, antecipa-se, lê e motiva. Tem exercido como um autêntico capitão sem braçadeira, a mesma autoridade que se viu nos seus melhores anos com a seleção espanhola e com a camisola do clube da sua infância. Mais do que para vender camisolas ou para que se falasse do Porto por esse mundo fora, Iker e o seu perfil de futebolista era importante por isso mesmo. Num projecto desgovernado desde a cúpula á base convinha ao Porto clube ter alguém mentalmente forte e sólido que sirva de rocha no balneário e em campo. Muitos jogadores têm carácter para isso sem ter experiência como tem demonstrado Danilo. Mas Iker Casillas tem ambos e isso nota-se cada vez mais.



A importância de Iker depois de um primeiro ano convulso é também cada vez mais notória no balneário. Chegou apadrinhado por um homem que conhecia bem - o homem que, ironicamente, lhe fechou agora as portas da seleção quando tem o melhor registo de um guarda-redes europeu - e talvez por isso mostrou-se menos activo nos primeiros meses do ano passado sofrendo depois, como todos, do desatino Peseiro imposto desde cima. Mas com um treinador que já foi guarda-redes e que sabe fazer balneário encontrou provavelmente a melhor forma de fazer sentir a sua presença. De portas para dentro Iker tornou-se num amigo e confessor dos jogadores mais novos - e há muitos no balneário - oferecendo apoio e conselho. Foi também valedor de alguns jogadores, Brahimi á cabeça, defendendo sempre a importância de que joguem os melhores para o êxito colectivo (algo que lhe custou a cabeça em Madrid quando Mourinho entendia que os melhores eram os que lhe obedeciam e corriam mais e não os mais talentosos) e tem sido um dos grandes mentalizadores do grupo. Na sua recente entrevista ao Porto Canal foi cru, sincero e disse o que pensava porque a estas alturas não deve nada a ninguém. E tem razão. O Porto, por culpa da sua gestão presidencial, perdeu o ADN de vitórias no balneário que hoje ostenta o Benfica. E esse ADN, que foi a primeira base do nosso sucesso nos dias de Pedroto, está a ser recuperado. Lentamente, mas está. Graças a homens como Iker (e como Marcano, e como Layun, e como Danilo, e como Maxi) que entendem como fazer grupo, como criar laços e como inculcar uma mentalidade de morrer pelo colega em campo, morrer pelo emblema ao peito, morrer pelos adeptos. O espirito que teve de aprender num clube de máxima exigência quando era só um adolescente. Também por isso ele sabe, melhor que ninguém, o que aconselhar a Jota, a André Silva, a Rui Pedro, a Ruben Neves, a Oliver e Otávio, a todos esses miúdos que são o pulmão e coração desta equipa mas que vivem só agora a exigência de levar um peso tão grande ás costas praticamente sem ajudas de veteranos de outros tempos, dessa cultura de balneário que se perdeu e que jogadores tão insuspeitos de serem portistas como Sapunaru denunciaram há não muito tempo.

Em campo Casillas tem estado soberbo. Se a defesa sofre poucos golos é, muito também, por culpa sua. Contra o Chaves, antes da reviravolta, evitou o naufrágio. Foi assim também em tantas outras ocasiões. Raramente tem sido mal batido, raramente tem sido apanhado fora de posição. A sua concentração e ambição estão a níveis máximos. Este pode ser o seu último ano no Dragão mas as sementes do seu trabalho podem dar muitos frutos no futuro. Este foi o Iker que merecia ter sido contratado no ano passado, não o das manobras de marketing que tanto fizeram salivar rostos gananciosos na SAD, e apesar do relativo atraso em fazer-se definitivamente sentir, este está a ser também o seu ano. Se o FC Porto chegou a Maio com um título nas mãos, muita da culpa será sua. Não se podia despedir de melhor forma. Esperemos é que o trabalho que está a fazer, sobretudo fora dos focos, não se perca á primeira oportunidade. Recuperar o balneário á Porto e esse ADN são a chave para a sobrevivência competitiva deste clube na elite. Não entender isso é não entender nada. Casillas entendeu-o bem. E por isso agora é um dos nosso líderes.

domingo, 12 de julho de 2015

Analisar o negócio Iker Casillas

Iker Casillas é o novo guarda-redes do FC Porto. 
É também provavelmente um dos dois guarda-redes de maior perfil mediático a actuar em Portugal, em conjunto com Peter Schmeichel. Também é dos futebolistas mais titulados da história. E é o jogador que vai receber o salário mais alto da história do clube. Casillas é tudo isso e portanto este negócio tem muitos pontos para analisar de pontos de vistas radicalmente distintos, do desportivo ao financeiro, do potencial de futuro às necessidades do presente. 

Comecemos pelo desportivo.
Casillas passa a ser o melhor guarda-redes da liga portuguesa. De longe. 
Iker é melhor que Helton - sim, é melhor do que Helton mesmo já não sendo o "San Iker" - e também bastante melhor que Julio César, Artur, Rui Patricio, Jose Sá e afins. Poucos duvidam disso. Não sendo já um guarda-redes de elite mundial, a meu ver, está claramente numa segunda linha. Mais ainda porque os seus últimos anos em Madrid, altamente irregulares, estão intimamente ligados ao clima que se vivia na Castellana, algo que não o vai afectar à distância. Casillas está no Porto porque quer. E isso é um ponto a favor. Podia ter ido para Roma mas entendeu que o FC Porto lhe dava condições melhores para assegurar a titularidade da baliza de Espanha no Euro 2016, o seu grande objectivo. Por isso vai estar altamente motivado, duplamente até. Para garantir a sua titularidade em França e para demonstrar aos que o têm - e são muitos, talvez a maioria - criticado de que estavam errados. Nesse sentido a sua chegada é de louvar. Casillas vai melhorar as opções existentes e tendo em Raul Gudiño um projecto de futuro a amadurecer, pode cumprir com esses dois/três anos necessários para o mexicano dar o salto. Quem vai pagar o preço é Helton com quem o clube renovou há pouco tempo mas antes de saber que Iker estava disponivel. 
Desportivamente Iker terá motivação mas também é verdade que chega sabendo-se intocável. Não terá de trabalhar semanalmente pela titularidade, está garantida verbalmente, sem ela não havia negócio. A eleição do Porto também tem, e muito, a ver com a proximidade com Madrid onde vai continuar a viver a sua familia sendo que Iker tem um acordo não escrito com o clube para poder ir passar alguns dias a Madrid à semana, provavelmente com voos de ida e volta diários. Resta saber até que ponto esse relaxamento competitivo e essas viagens podem ou não afectar o seu rendimento desportivo.

Tudo isso é Iker, o guarda-redes. Mas também há Iker, o mais bem pago do plantel.
Casillas chega a ganhar uma fortuna. Em Madrid recebia cerca de 7 milhões de euros limpos ao ano. Vai continuar a ganhar esse dinheiro mas o pagamento será dividido entre o Real Madrid, o FC Porto e o próprio, que vai perdoar dinheiro ao clube espanhol. O FC Porto pagará cerca de 3,5 milhões de euros, superando, por um milhão de euros, o seu tope salarial. Só não pagamos mais porque o Financial Fair Play nos proibe. O resto é pago pelo Real Madrid nos primeiros dois anos. Isso significa que Iker chega ao Porto a ganhar muito mais do que os colegas o que nunca cria bom ambiente de balneário. Nenhum jogador do clube tem o prestigio e perfil de Casillas, é certo, mas todos sabemos como são os futebolistas. Este precedente não deixa de ser perigoso ainda para mais na ausência de lideres que imponham a cordura dentro do balneário. Iker é também o jogador mais caro de sempre do nosso futebol e essa inversão a curto prazo tem de se traduzir em algo. Titulos, pontos ganhos por si mesmo. Em Portugal sabemos que o papel do guarda-redes é relativo. Estamos habituados a jogar no campo do rival pelo que as defesas milagrosas de Casillas serão pontuais. Mas têm de estar. Iker tem de demonstrar em cada jogo, nem que seja um par de vezes, que merece esse salário caso contrário a sua chegada perde qualquer lógica. O mesmo é aplicável na Champions onde, aí sim, se exige o melhor de Casillas. É onde veremos o seu verdadeiro nivel. Caso não esteja à altura das expectativas, o espanhol pode transformar-se num verdadeiro elefante branco. 



Por fim fica Iker, o simbolo mediático.
Casillas tem milhões de seguidores a nivel mundial. Não nos enganemos, são seguidores da marca Espanha e Real Madrid, não passarão forçosamente a ser seguidores da marca Porto. Casillas é igualmente detentor dos seus direitos de imagem pelo que esqueçam também golpes publicitários que encham os cofres do Dragão. Esse dinheiro vai todo para a sua conta bancária. Depois, relembrem-me que guarda-redes a nivel mundial é uma fonte de riquezas em marketing....pois. Não há.
Os guarda-redes não vendem camisolas, nenhum deles.
Casillas não estava no top 10 dos jogadores que mais camisolas vendiam com o Real Madrid ou com a selecção espanhola. Ninguém, na Ásia ou na América Latina (onde a maior parte do merchandising é pirata) vai perder a cabeça para ter a camisola de guarda-redes do FC Porto com Casillas. Muitos continuarão com a do Real Madrid, outros com a de Espanha. Essa é a realidade. O que Casillas pode trazer está em novos anuncios e sponsors para o clube mas, ainda assim, não estamos a falar de um futebolista que gere emoções a esse nivel. É mediático sim, sobretudo por ter sido o capitão de Espanha, mas tal como sucedia com Xavi ou Iniesta, por exemplo, não é um futebolista que renda muito em termos de marketing. Seguramente o FC Porto terá uma exposição mediática unica a nivel mundial mas é dificil que essa exposição se reflicta em dinheiro.

Haverá charters de adeptos ao Dragão para ver Casillas? Duvido muito.
Serão os jogos da liga portuguesa mais apetecidos lá fora por termos Casillas? Talvez, mas aí quem ganha é quem tem os direitos, a Olivedesportos.
Pode o FC Porto fechar um bom patrocinio ao ter um jogador do perfil de Casillas? Sim, mas salvo seja um patrocinio milionário, cada vez menos o que se paga para estar nas camisolas é redundante dentro do dinheiro ingressado pelos clubes como os relatórios de contas recentes provam em relação à PT.

Casillas dicilmente será uma mina de ouro e pode acabar até por dar prejuizo financeiro. Serão 7 milhões em salários em dois anos, zero em passe. Não é um negócio caro (vide Imbula ou todos aqueles flops para comissionista ver...allo Bolat) mas o que é, sem duvida, é um negócio sem retorno. 

Portanto, que pensar do negócio Casillas?

Financeiramente é um erro atroz ter um futebolista veterano e que não decide jogos a receber mais de 1 milhão de euros do que o nosso recorde e do que o segundo jogador mais bem pago do plantel (agora é Tello).
Pode gerar todo o tipo de problemas de balneário, invejas, criticas se algum jogo correr mal, etc. Desportivamente dependerá do que Casillas for capaz de fazer em comparação a Helton. Sim, essa será a sua vara de medir.

Casillas tem de ser muito melhor, ganhar muitos mais pontos por si mesmo, ser muito mais determinante em jogos da Champions, para que desportivamente faça sentido abdicar de um jogador com o mesmo perfil e idade por outro pagando muitissimo mais. 

A nivel de exposição só o tempo o dirá.
O Porto será mais falado lá fora, seguramente em Espanha e na América Latina, e poderá aproveitar algo dessa exposição mas do mesmo modo que hoje o Sporting não é um clube altamente popular só porque teve a Schmeichel (que chegou a Portugal como campeão europeu em titulo, a mesma idade e a ganhar menos, em proporção, do que Casillas agora, em claro declive de carreira e com um cachet bem menor) também o Porto não se vai tornar numa referência mundial por Casillas. Nem o deve ser. 

Tenho a plena convição de que Iker vai fazer uma óptima temporada. 
Vai ser decisivo em alguns jogos, vai falhar alguma que outra vez, como todos. Vai permitir maior exposição do clube mas não necessariamente maiores ingressos. Se o seu salário fosse de acordo com a realidade do clube, teria sido um negócio que aprovaria, apesar de tudo. Mas não é.

Iker é mais caro do que aquilo que nós devemos - não podemos, que também não, mas devemos - pagar a um futebolista em fim de carreira, em particular para uma posição onde a alternativa, da casa e mais barata a todos os niveis, já nos dava a todos garantias nos próximos dois anos. A Iker desejo-lhe toda a sorte que não teve nos últimos anos em Espanha mas considero o negócio um erro, mais uma fuga para a frente de um grupo de dirigentes desesperados pela ausência de resultados dos últimos dois anos e que já não sabem que politica coerente seguir sempre e quando haja titulos que a justifiquem.

Que ninguém se engane. O FC Porto 2015/16 podia ser campeão e equipa de oitavos de final de Champions - os objectivos reais de cada ano - sem Iker Casillas. Com ele no plantel não muda nada. Ou melhor, não muda nada, desportivamente. Seremos no final do ano um clube mais pobre, com um buraco mais grande para tapar. Mas como alguns pretendem ficar aqui até morrer, esse problema já não será deles. Será nosso. E quando chegar esse momento, todos se lembrarão das boas noites que Casillas nos deu e se perguntarão se essas noites valiam os problemas que vieram depois. 

Suerte Iker!

PS: Os pais do Iker Casillas - que não o próprio, está claro - declararam ao jornal El Mundo que para eles o FC Porto é um clube de "Segunda Divisão B" e que o filho merecia algo muito melhor. Espero que o Porto demonstre ao Casillas que é possivel ser feliz longe de Madrid e que os portistas demonstrem, aos pais do Casillas, quando venham ao estádio do Dragão de Segunda Divisão B ver um jogo, com um enorme coro de aplausos o que um grupo de adeptos de "Segunda Divisão B" são capazes.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Calma lá com Casillas

Iker Casillas quer ser guarda-redes do FC Porto.
O FC Porto quer que Iker Casillas seja o seu guarda-redes.
O Real Madrid - ainda - não quer que o negócio avance.

Este é o único ponto de situação veraz a dia de hoje no que se passa nesta novela de Verão. Tudo o resto que lerem é pura especulação.

A situação explica-se facilmente.
Casillas está em guerra aberta com Florentino Perez há três anos, desde que José Mourinho o relegou para segundo (e terceiro) guarda-redes do plantel por questões do foro interno do balneário (que não desportivas). O guarda-redes - parte da primeira equipa desde 1999 e capitão desde 2009 - sentiu-se traido por um Perez que nunca gostou dele (durante anos tentou trazer, primeiro Buffon e depois Neuer para Madrid), e tal como sucedeu com outras figuras históricas do clube (Sanchis, Hierro, Guti, Raul), quer sair. Mas não de graça. Casillas tem dois anos de contrato em vigor. Ganharia, pelos dois anos, um valor próximo aos 15 milhões de euros em salários, excluindo prémios de jogo. Esse dinheiro para ele é imperdoável ao clube e já o fez saber. Se o Real Madrid não colaborar - com sim fez com Raul quando saiu para o Schalke 04 - seja através de uma indmenização que lhe permita aceitar uma oferta mais baixa, seja pagando ao clube para onde vá essa percentagem salarial - Casillas fica os próximos dois anos onde está, como uma pedra no sapato do clube.

É nesse cenário que entra em cena o FC Porto.
O agente de Casillas - que não tem nada a ver com o universo Mendes, atenção - leva meses há procura de um destino. Havia 4 opções principais até há bem pouco tempo. A favorita do jogador era a do Arsenal mas o clube londrino fartou-se de esperar e foi atrás de outro veterano, Petr Cech. Sobravam o Liverpool, a Roma e o Bessiktas turco. Mas ninguém mostrou interesse real pelo jogador. No caso dos Reds e do Bessiktas, o próprio Casillas descartou de imediato seja porque uns não jogam a Champions ou porque a Turquia não o atrai. Ambos pagariam sensivelmente o mesmo que ganharia em Madrid mas desportivamente não era uma evolução. A Roma é um caso diferente e houve oferta na mesa. Salário na casa dos 4 milhões anuais e jogar Champions como titular indiscutivel. Muitos já davam por certo que esse era o destino mas Lopetegui apareceu e falou pessoalmente com Casillas, prometendo-lhe o mesmo que lhe dava a Roma salvo alguns matizes no salário. A Casillas a opção Porto parece-lhe melhor que o Roma.
É um clube com prestigio, com presença regular na Champions e é, sobretudo, perto de casa. Está a 45 minutos de avião e a familia poderia continuar a viver a Madrid onde ele voltaria vários dias à semana a dormir, sem que isso afecte a carreira profissional da mulher ou a educação do filho de ano e meio. Foi essa a situação que lhe fez apresentar, via agente, a proposta do Porto ao Real Madrid.
O FC Porto oferece a Casillas um salário entre os 2,5 e os 3,5 milhões de euros anuais (valores a ser ainda negociados e inferiores à Roma), num contrato por dois anos (os que lhe faltavam cumprir pelo Real Madrid) e um terceiro opcional (já sem o colchão financeiro). Titularidade absoluta inquestionável, uma liga relativamente cómoda e jogar, como minimo, a fase de grupos da Champions, condição que lhe foi imposta por Vicente del Bosque para continuar a ser o titular de Espanha no próximo Euro 2016, o seu grande objectivo.

Essa é a proposta do FC Porto. Uma proposta que o Real Madrid, para já, recusou.
O Real só deixará sair Casillas a partir do momento em que tenha atado a David de Gea. O Manchester United está a ser um duro negociante. Envolveu Sérgio Ramos no negócio, pede mais de 35 milhões de euros e De Gea quer um salário na casa dos 8 milhões. No meio de todos esses números o caso Casillas fica em stand by. Se a transferência for adiante, o guarda-redes tem carta branca do clube para ir para o Porto. Caso contrário não.
Entretanto, nesse periodo de tempo - que pode prolongar-se todo o Verão - o Real procura que a parte que tem de pagar se reduza, ora pagando mais o FC Porto a Casillas ou este aceitando receber menos. Casillas quer continuar a ganhar o mesmo que ganha - 8 milhões anuais - e se o FC Porto oferece, como muito, 3,5 milhões, há quase 5 que vêm dos cofres do Real Madrid. Por cada um dos dois anos, um total de 10 milhões. Para Casillas isso é ainda menos do que aquilo que o clube lhe devia pagar - os tais 15 milhões - aos que o Real responde com um claro "se não gostas, ficas aqui a ganhar os 15 mas não jogas". A negociação, nesse aspecto, está tensa e o FC Porto será seguramente forçado a ampliar a sua oferta para reduzir o que o Real Madrid considera como perda. Ou isso ou Casillas aceitará perder dinheiro. A bola está no lado dele porque a realidade do FC Porto é a que é.

Esta novela vai prolongar-se nas próximas semanas e que ninguém duvide de que está pendente de muitos factores para ser já uma certeza. Casillas quer, o FC Porto quer e o Real Madrid, no fundo, também. Mas isso, de momento, não significa absolutamente nada.

Quanto à necessidade desportiva e à valia do guardião espanhol tendo em conta o que vai ganhar, fica para outro episódio!


PS: Vou esperar mais umas semans para falar a fundo do que se está a passar - desportivamente - com a composição do plantel 2015/16. Mas há coisas que, para já, fazem muito pouco sentido.
O FCP acaba de renovar com Varela um jogador que queria sair há mais de dois anos e que não contava para Lopetegui. Este ano - com extremos de presente (Quaresma, Tello) e futuro (Hernani, Ricardo) para não falar de futuriveis da B (Ivo, Frederic) - o clube afinal decide renovar e integrar um jogador que, claramente, não é o mesmo que foi e que, no fundo, nunca foi grande coisa (esforçado mais que talentoso, deixemos assim). Porquê?
Se Carlos Eduardo foi bem vendido - é preciso começar a recortar excedentes - se o caso de Tozé merece voltar a perguntar para que raios serve a equipa B e se Fabiano foi uma óptima venda, há incorporações no plantel que, espero, pela lógica desportiva, durem apenas o tempo que demorem a ser colocados de novo. Mas, preferencialmente, vendidos porque ter mais Varelas emprestados quatro anos não ajuda a ninguém!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Apostar em Helton e Gudiño

Raúl Gudiño (O JOGO, 02-12-2014)

Raúl Gudiño chegou ao Porto por empréstimo do Club Deportivo Guadalajara (a FCP SAD tem opção de compra do seu passe), em Setembro de 2014, para jogar nos juniores mas, em 29 de Novembro de 2014, estreou-se pela equipa B e deu logo nas vistas.

Seis meses depois e após ter visto este jovem guarda-redes mexicano atuar diversas vezes, quer em jogos da equipa B, quer na fase final do campeonato de juniores, penso que Raúl Gudiño deveria ser a grande aposta do FC Porto para a baliza da equipa principal… daqui a um ou dois anos. Até lá, se nada de anormal acontecer, Helton demonstrou que é perfeitamente capaz de assegurar a baliza do FC Porto sem comprometer.

Helton? Mas, então, o FC Porto não precisa de um guarda-redes de topo?

Onde estão os guarda-redes de topo (que sejam claramente melhores do que o Helton) interessados em virem para o campeonato português? Existem? Quanto custa o respectivo passe?

Gerir implica fazer escolhas e decidir onde investir os (escassos) recursos financeiros existentes. Ora, mesmo que houvesse guarda-redes de topo disponíveis para virem para o Porto e cujo passe custasse menos de 15M, a pergunta seguinte é: uma opção dessas faz sentido?

Faz sentido a FCP SAD gastar 10M, 12M ou 15M no passe de um “guarda-redes de topo”, tendo no plantel Helton e Gudiño? (já para não falar em Fabiano, Ricardo Nunes ou Andrés Fernández)

Penso que não. Há outras posições (ponta-de-lança para substituir Jackson e/ou defesa-central com um perfil semelhante ao Otamendi) em que me parece muito mais necessário investir o limitado dinheiro existente.

E mais. Queremos, ou não, criar condições, para que os jogadores mais promissores, que se destacam na equipa B possam, num horizonte de um ou dois anos, integrar o plantel principal?
É que se queremos isso, não podemos gastar 10, 12 ou 15M num “guarda-redes de topo”, que irá tapar e impedir esse cenário. Até porque, no caso dos guarda-redes, os suplentes só jogam em caso de lesão ou castigo do titular.

Helton tem 37 anos (feitos a 18 de Maio) e, embora esteja na fase descendente da sua carreira, ainda é um bom guarda-redes de equipa grande podendo, perfeitamente, jogar mais uma ou duas épocas (para quando a renovação?).

Raúl Gudiño tem 19 anos (feitos a 22 de Abril), ainda não completou a sua formação, mas tem características que podem fazer dele, a médio prazo, um guarda-redes de topo internacional.

Raul Gudiño (O JOGO, 07-06-2015)

Assim sendo, na minha opinião, a época 2015/2016 deveria ser aproveitada para:

– Colocar o Gudiño a treinar com a equipa principal, para se integrar no plantel, beneficiando da presença do compatriota Herrera e tendo o Helton como “professor”;

– Experimentar o Gudiño em alguns jogos particulares da equipa principal (logo na pré-temporada), bem como, em jogos da Taça da Liga;

– Dar continuidade à titularidade de Gudiño na equipa B;

– Iniciar/acelerar o processo de correção de algumas deficiências do Gudiño – melhorar o jogo de pés; melhorar o timing de saídas da baliza; melhorar a colocação das barreiras nos livres.

No final da época 2015/2016, far-se-ia uma análise e das duas uma:
a) Gudiño “cresceu”, melhorou nos aspectos que precisa de corrigir e está em condições de discutir, com Helton, a titularidade da baliza do FC Porto;
b) Gudiño não evoluiu e é preciso ir ao mercado arranjar um bom guarda-redes para suceder a Helton.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Helton, um ano depois


«Um ano menos um dia depois, Helton voltava a jogar para o campeonato (desde 16 de março de 2014, dia em que se lesionou com gravidade no tendão d'Aquiles, frente ao Sporting). Não foram 12 meses de paragem, porque pelo meio Helton atuou por três vezes para a Taça da Liga (numa delas, em Braga, com fantástica exibição). O brasileiro, líder, entrou da melhor forma: confiante, a dar segurança aos colegas, no momento difícil. Assinou defesa assombrosa, a evitar 1-1, em remate de André Claro, nos primeiros minutos da segunda parte. Teve que sair uma vez da área, mas fê-lo bem. Será titular na Madeira, no reduto do Nacional, no castigo que Fabiano terá pelo vermelho. E depois disso… quem sabe?»
Germano Almeida, Maisfutebol, 15-03-2015


Na conferência de imprensa após o FC Porto x Arouca, questionado acerca da exibição de Helton, Julen Lopetegui respondeu assim:

[Helton] Esteve muito bem, concentrado. Demonstrou que é um fantástico guarda-redes, sem dúvida nenhuma

E, acerca das saídas de Fabiano fora da baliza, Lopetegui, também ele um ex-guarda-redes, disse o óbvio:

Os guarda-redes devem saber explorar o espaço. São momentos que o jogo, por vezes, exige


Ora, a recorrente má leitura de jogo e um timing de reacção desadequado são, precisamente, duas das piores características do Fabiano, que fazem com que o gigante guarda-redes brasileiro seja medíocre na cobertura do espaço à frente da área.

Pode mesmo dizer-se, que as hesitações e saídas intempestivas de Fabiano tornaram-se uma imagem de marca e já custaram muitos dissabores: o derrube a Tozé e consequente penálti no Estoril (que o jogador emprestado pelo FC Porto não falhou…); o choque com Casemiro em Braga, deixando a baliza escancarada; e a “colisão aérea” com Danilo frente ao Basileia; são três exemplos, três situações que deixam poucas dúvidas acerca desta sua evidente limitação.

Aliás, há três meses atrás, no dia seguinte ao FC Porto x SL Benfica, já tinha chamado à atenção para esta grave limitação:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar.»



Aos 36 anos (faz 37 daqui a dois meses), após uma lesão gravíssima e quase um ano sem competir regularmente, é natural que Helton não esteja no top das suas capacidades. Contudo, o que mostrou ontem e aquilo que já tinha mostrado num “cósmico” jogo disputado em Braga, é mais do que suficiente para, salvo qualquer recaída, a titularidade da baliza do FC Porto lhe ser entregue até ao final desta época (pelo menos).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Guarda-redes de equipa grande

A seguir ao FC Porto x SL Benfica, jogo em que Fabiano teve responsabilidades directas no 2º golo dos encarnados, escrevi o seguinte:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar. Por aquilo que já mostrou, Andrés Fernandez também não parece ser guarda-redes para uma equipa de top (Lopetegui identificou cedo o problema e, por alguma razão, queria que a SAD tivesse contratado Keylor Navas… antes do Mundial). Se Helton estiver fisicamente recuperado a 100%, não tenho dúvidas que é a melhor solução existente no plantel atual.»


O JOGO, 11-01-2015
No último jogo (FC Porto x CF Belenenses), Fabiano voltou a defender uma bola para a frente e a quase oferecer um golo à equipa adversária (valeu um corte, in extremis, de Maicon).

Mas, para além das limitações técnicas que são conhecidas – dificuldades a jogar com os pés, lentidão e hesitações a sair da baliza – parece-me que Fabiano tem outro problema, que é crítico quando se é guarda-redes de uma equipa grande: “congela” e fica com as suas capacidades diminuídas, quando está muito tempo sem intervir no jogo.

Em muitos jogos do campeonato português, um guarda-redes do FC Porto é quase um espectador. Contudo, tem de ter a capacidade de se manter concentrado e “quente” para, quando for chamado a intervir, não complicar e, pelo contrário, conseguir evitar “golos feitos” na sua baliza.

Neste aspecto (e não só) um Helton a 100% dá (daria) mais garantias do que Fabiano.

Evidentemente, após 10 meses sem jogar, Helton não pode estar a 100%. Contudo, talvez esteja em condições para voltar à baliza do FC Porto num jogo da Taça da Liga, contra uma equipa da II Liga (União da Madeira) que, ainda por cima, vai ser disputado no Estádio do Dragão (na próxima terça-feira).

Será desta, que Lopetegui vai dar uma oportunidade a Helton?

sábado, 2 de agosto de 2014

O quinto guarda-redes

Tendo no plantel Fabiano (26 anos), Ricardo (32 anos), Kadú (19 anos) e Helton (36 anos), que sentido faz contratar um quinto guarda-redes para a época 2014/2015?

Sabendo-se que o brasileiro Helton (vai iniciar a sua 10ª época no FC Porto) só deverá estar em condições de voltar a competir em Novembro ou Dezembro e que, em princípio, o angolano Kadú será o guarda-redes da equipa B (foi titular em 24 jogos da II Liga 2013/2014), a contratação do espanhol Andrés Fernández só pode significar que o espanhol Lopetegui não confiava numa solução em que o brasileiro Fabiano (titular nos últimos 13 jogos oficiais da época passada) fosse o “dono” da baliza portista e o português Ricardo (ex-Académica, não falhou um único minuto nos últimos dois campeonatos) fosse a sua “sombra”.

Mas, Fabiano parece querer complicar a vida a Lopetegui…

O JOGO, 28-07-2014

Fabiano, O JOGO, 28-07-2014

A única explicação que eu vejo para a contratação de Andrés Fernández, é se o ex-Osasuna se distinguir, pela positiva, naquelas que são as duas principais lacunas de Fabiano: sair da baliza e jogar com os pés. E, claro, se estes dois aspectos forem considerados fundamentais por Lopetegui (numa lógica da equipa jogar subida e do guarda-redes encurtar espaços nas costas da defesa).

Andrés Fernández, O JOGO, 26-07-2014

De outro modo, parece-me incompreensível “obrigar” a FC Porto SAD a gastar 2 milhões de euros no passe Andrés Fernández, mais salários e as habituais comissões.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Bateu no fundo

Sobre o jogo de ontem em Guimarães, não há muito de novo a dizer. Assim sendo, aqui vão meia dúzia de reflexões curtas.

i) Guarda-redes, defesas e médios defensivos do FC Porto
Helton, Fabiano, Danilo, Otamendi, Mangala, Maicon, Abdoulaye Ba, Alex Sandro, Fernando e Defour.
10 jogadores. Todos eles faziam parte do plantel 2012/2013, que esteve à disposição do treinador bi-campeão Vítor Pereira, o qual, convém lembrar, terminou o campeonato sem derrotas.
Um ano depois, era suposto que estes jogadores (a maior parte Sub-25) tivessem evoluído em termos de cultura táctica e que, fruto de um conhecimento mutuo maior, as rotinas entre eles estivessem ainda mais consolidadas.
Qual é a realidade?
Em termos defensivos, o FC Porto 2013/2014 é um autêntico passador e estes mesmos jogadores, que na época passada formavam uma defesa de betão (14 golos sofridos nos 30 jogos do campeonato), parecem baratas tontas dentro do campo.

ii) O mito do plantel fraquinho
Ainda ontem voltei a ouvir na televisão, como desculpa para esta época horribilis do FC Porto, que o treinador atual não tem à sua disposição Falcao, Hulk, James e Moutinho.
É um facto.
Como também é um facto que na época passada já não houve Falcao e Hulk.
Como também é um facto que nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2013 não houve James (lesionado) e Atsu (na CAN) e, em vários jogos, Vítor Pereira teve mesmo de recorrer a jogadores da equipa B (Sebá e Tozé).
Como também é um facto que na época passada não havia Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Quintero, Quaresma ou Ghilas, de modo a que o treinador pudesse ter alternativas para o onze inicial ou para situações de castigos, lesões ou abaixamentos de forma dos habituais titulares.

iii) Ghilas
Depois do que já tinha mostrado nos 40 minutos que jogou em Frankfurt, Ghilas voltou a mostrar que pode ser muito útil (se entrar mais vezes antes do minuto 85…) e que no tal plantel fraquinho existem soluções alternativas de qualidade.

P.S. O jornal O JOGO diz que a coisa bateu no fundo. Não estou certo que assim seja e, vendo o que a equipa (não) joga, receio bem do que possa acontecer até ao final desta época.

P.S.2 Não sei assobiar, nunca levei lenços brancos para o estádio e acho lamentável que se insulte o treinador do FC Porto, seja ele quem for.

P.S.3 Se os sócios e adeptos portistas estão descontentes, irritados e querem pedir satisfações a alguém, não é com certeza ao treinador atual do FC Porto que se devem dirigir. Que eu saiba, o clube tem presidente e a SAD tem uma administração, que é quem toma as decisões.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mourinho e os guarda-redes simbólicos

José Mourinho está a fazer de tudo para ser despedido do Real Madrid.
Cada vez se parece mais aquele tipo de trabalhadores que querem ser despedidos para receber uma indemnização e decidem desafiar o patrão por tudo e por nada para forçar a situação. Ele sabe que naquele balneário ninguém o suporta, que lhe será impossível voltar a vencer a liga e a Champions League parece uma utopia cada vez mais evidente. Para preparar o futuro, com 12 milhões de euros no bolso, o melhor é sair quanto antes. Por isso decidiu pisar o último símbolo do clube espanhol que faltava: Iker Casillas.

As discussões de Mourinho com Casillas não são nada novas.
Remontam ao dia em que o capitão do Real Madrid ligou ao seu melhor amigo, Xavi Hernandez, em plena sequência de Clásicos, em 2011, e da troca de insultos e acusações entre ambos os clubes. Mourinho não lhe perdoou ao madrileno que pensara pela sua própria cabeça e como faz sempre, desenhou uma cruz no seu nome e manteve-a até hoje. Mas Casillas não é um jogador qualquer.
Capitão, herdeiro único da última equipa a vencer a Champions League com o clube, símbolo máximo do futebol espanhol e da sua geração mais brilhante, casado e amigo de jornalistas influentes, era a peça com quem não se podia meter livremente sem saber que acabaria por perder. Até agora.
Ao relegá-lo ao banco de suplentes num jogo decisivo em Málaga, Mourinho condenou-se e voltou a demonstrar a sua particular veia por discutir com guarda-redes que também são símbolos e lideres de balneário. Viajemos até 2003.



Mourinho tinha acabado de chegar e reencontrou-se com Vitor Baía, com quem tinha vivido épocas douradas no FC Porto e em Barcelona como adjunto de Bobby Robson.
Os dois eram amigos e rapidamente o treinador tentou afastar-se do jogador para não dar a imagem errada ao balneário. Mas Baía era o líder indiscutível, particularmente depois do afastamento de Jorge Costa, e o capitão dessa equipa. E não queria abdicar facilmente do poder que tinha para um homem que tinha começado a carreira há meio ano. Houve discussões, houve fricção e houve problemas quando Mourinho devolveu a braçadeira ao regressado "Bicho", passando por cima do historial de Baía e da sua maior longevidade com o clube.
O choque aconteceu depois de Mourinho não ter convocado Baía para uma viagem a Guimarães, entregando a titularidade a Nuno Espírito Santo. Baía pediu explicações a Mourinho, lembrou-o do seu passado como "traductor" e Mourinho queixou-se à directiva que ficou do seu lado e suspendeu Baía de todas as actividades. Nesse dia o guarda-redes deu igualmente uma polémica entrevista ao Record em que deixava antever que havia movimentos no clube para o substituírem  Uma linha de raciocínio que vem de encontro com as declarações, à posteriori, de Scolari e com o pensamento de Mourinho, que gosta de eleger um guarda-redes sempre com o mesmo tipo de características  algo que Baía não tem. O 99 vinha também de um período complicado, depois de várias lesões e do Mundial 2002, e essa discussão podia ter colocado um ponto final na sua carreira.

Só um posterior pedido de desculpas do 99 - quase um mês depois dos incidentes - o permitiu voltar a ocupar o seu lugar natural, nas redes, a caminho do biénio mais bem sucedido da história do clube. A partir de aí não voltou a haver um conflito aberto, apesar de já Mourinho ter recomendado ao clube a contratação de Helton, que anos mais tarde seria o substituto definitivo do capitão azul e branco.

Nesse mano a mano, Mourinho saiu vencedor e a sua posição no balneário reforçada, apoiada directamente por uma SAD que não sabia bem como lidar com os pesos pesados do balneário (veja-se caso Jorge Costa). Neste duelo concreto é fácil perceber que o português já perdeu. Perdeu a credibilidade que lhe restava, o apoio da directiva, da pouca imprensa que ainda o aguentava e do adepto comum, habituado a ver em Casillas um símbolo do madridismo. Dois guarda-redes históricos, duas histórias paralelos e um mesmo protagonista. O homem que não lidava bem com os guarda-redes!


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os capitães da Final


Na época passada, quando Helton deixou de ser o capitão da equipa do FC Porto e a braçadeira foi entregue a Hulk, o argumento apresentado, em termos públicos, é que não convinha que o capitão fosse o guarda-redes.

Ora, Gianluigi Buffon e Iker Casillas são os capitães das duas seleções finalistas do EURO 2012. E são... guarda-redes. Não me parece que este facto tenha, de algum modo, prejudicado as seleções italiana ou espanhola.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Nuno a titular?



"O Nuno tem três grandes qualidades: é um guarda-redes muito experiente; conhece muito bem o FC Porto e transmite a mística e o sentimento daquele clube; depois, é um jogador respeitado dentro do grupo, ouvido pelos companheiros, o que por vezes facilita, inclusive, a explicação das ideias técnicas. Funciona como extensão do treinador no balneário e é muito importante ter jogadores desses em qualquer equipa"
Carlos Azenha
in O JOGO, 07/10/2008


A exibição do Nuno no último Sporting x FC Porto, transmitindo segurança à equipa (e aos adeptos) e com três ou quatro intervenções decisivas, em que se destacam a saída aos pés de Postiga e a defesa a um cabeceamento do Derlei, só surpreende quem tem andado distraído. Já na época passada, sempre que foi chamado à titularidade, o Nuno correspondeu a 100%, nunca comprometeu a equipa (ao contrário do que aconteceu com o Helton) e na final da Taça de Portugal foi mesmo o melhor jogador do FC Porto, tendo feito várias defesas de grau de dificuldade elevado.

Mas para além do nível exibicional que tem demonstrado dentro das quatro linhas, o Nuno é um dos poucos jogadores sobreviventes do período de ouro 2002-2004 (o outro é o Pedro Emanuel), é uma voz de comando dentro de campo (na linha do Baía) e sabe o que é a mística do FC Porto, algo que é fundamental numa altura em que a equipa está a sofrer profundas alterações.

Contudo, li esta semana num jornaleco de Lisboa (Record) que, independentemente da forma evidenciada por Helton e Nuno nos jogos disputados, Helton irá continuar a ser intocável no campeonato e na Champions e que ao Nuno restam os jogos da Taça da Liga e da Taça de Portugal.

Eu não dou muita credibilidade a escribas de jornais anti-Porto e muito menos acredito (não quero acreditar!) que haja intocáveis na equipa do FC Porto. Aliás, da mesma maneira que na 2ª volta da época 2005/06 o Helton conquistou a titularidade ao Baía com todo o mérito, também agora o Nuno demonstrou que é o guarda-redes em melhor forma e, por isso, deve ser ele o titular.
Se assim não fosse, para além de estar a prejudicar a equipa, o treinador estaria a passar uma mensagem errada para o balneário, ou seja, que há jogadores de 1ª e de 2ª no plantel, e que a uns está reservado o estatuto de titulares independentemente dos treinos e dos jogos.


Mais. Sabendo (como tenho a certeza que sabe) do sentimento e opinião da esmagadora maioria dos adeptos portistas sobre este assunto, se colocar o Helton a titular nos próximos jogos Jesualdo irá estar a correr um enorme risco, porque à menor falha é muito provável que o internacional brasileiro seja ruidosamente assobiado em pleno Estádio do Dragão. Também por isso, e para além de tudo o resto já referido, seria uma enorme estupidez por parte do Jesualdo correr o risco de queimar um guarda-redes com a categoria do Helton.

O Jesualdo, como treinador de uma equipa de topo, pode ter muitos defeitos (e tem alguns), mas não é estúpido e não acredito que enverede por este caminho. Acredito, isso sim, que irá manter o internacional português como titular (para quando uma nova chamada à Selecção Nacional?) e que no próximo jogo oficial, contra o Sertanense, irá dar uma oportunidade ao Ventura, para que o promissor guarda-redes some alguns minutos em competição.



Em resumo e respondendo à questão que serve de título a este artigo: Nuno a titular?

Evidentemente que sim, nem admito outra possibilidade para os próximos jogos (Dínamo de Kiev e Leixões), com ou sem torcicolos.
A mesma opinião têm a esmagadora maioria (92%) dos participantes num inquérito que O JOGO promoveu sobre este assunto. Dos mais de 1000 participantes no inquérito, apenas 108 são favoráveis à titularidade de Helton.

Não está em causa a categoria do Helton, que é, sem dúvida, um guarda-redes de top (não foi por acaso que "destronou" o Baía e que chegou a titular da Selecção do Brasil). Contudo, nesta altura, o Nuno está em melhor forma e não há dúvida que dá mais garantias. Por outro lado, estou convencido que se o Helton sentir que o lugar está em perigo, irá ter uma atitude diferente, com mais concentração, de modo a justificar o regresso à titularidade.


Nome completo: Nuno Herlander Simões Espírito Santo
Data de nascimento: 25 de Janeiro de 1974 (34 anos)
Naturalidade: São Tomé, São Tomé e Príncipe
Altura 1.88m

Destaques:

Contratado pelo FC Porto em Julho de 2002, integrado na venda de Jorge Andrade ao Deportivo da Corunha (na altura o seu passe foi avaliado em 3 milhões de euros).

Substituiu Vítor Baía durante a Taça Intercontinental contra o Once Caldas, em Dezembro de 2004.

Foi transferido para o Dínamo de Moscovo em Janeiro de 2004 e regressou ao FC Porto em 2007/08.

Ao longo de cinco épocas - 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2007/08 e 2008/09 - defendeu a baliza do FC Porto em 37 partidas, repartidas por todas as competições oficiais.

Fotos: Record, Maisfutebol

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A duas semanas do 1º jogo oficial, que sectores precisam de ser reforçados?


A maioria dos votantes nesta sondagem consideram que o sector que mais precisa de ser reforçada é o de "Defesas laterais" com 41 votos (37%).

O "Meio campo defensivo" foi o segundo sector mais votado com 30% dos votos (33). Muito próximos nas escolhas dos participantes desta sondagem, ficaram as opções "Pontas de lança" e "Meio campo ofensivo" com 22% (24) e 21% (23) dos votos respectivamente. No outro extremo a nível de resultados ficaram os "Defesas centrais" e os "Guarda-redes" com apenas 5 (4%) e 3 (2%) votos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Nuno Espírito Santo

Foto: Record

Nem somente o futebol vive das grandes estrelas e figuras mais ou menos proeminentes, que entusiasmam os adeptos e fazem as delicias das capas dos jornais. Existem jogadores que por circunstancias varias, se tornam importantes nas equipas onde actuam, ainda que “sobrevivam” à sombra dos “eternos” titulares. Nuno Espírito Santo é um dos melhores exemplos que conhecemos actualmente.


E bem se pode dizer que a carreira de Nuno foi construída e cimentada fora das luzes da ribalta, ofuscado por grandes senhores das balizas do futebol Mundial, como Songo, Vítor Baía e mais recentemente Helton. Ainda assim, tal facto não foi impeditivo de que o redes Portista tenha já um percurso assinalável no futebol Português, repleto de títulos importantes.


Foi em 1992 que Nuno se estreou no escalão principal do futebol Português, mais concretamente em Guimarães onde permaneceria até ao final da época 95/96. Seguiu-se uma incursão por Espanha durante seis anos, onde representou o Deportivo da Corunha, Osasuna e Mérida. Regressou a Portugal em 2002, envolvido na transferência de Jorge Andrade rumo ao Riazor, para vestir a camisola que mais tempo envergou na sua carreira, a do FC Porto.


E foi no Dragão que Nuno viveu as maiores alegrias como desportista. Fez parte da “tropa de elite” de Mourinho, que arrebatou a Europa por dois anos consecutivos. Pelo meio foi fazer uma “perninha” à Rússia a troco de largos petrodolares, antes de rumar novamente à Invicta para conquistar mais um campeonato sob a batuta de Jesualdo Ferreira.


Ainda que a carreira de Nuno tenha tido o banco de suplentes como mais fiel amigo, nunca tal designio limitou a sua preponderância no seio das equipas onde passou, sendo aliás uma das vozes mais importantes e respeitadas no actual balneário do FC Porto. Os anos que tem de casa permitem-lhe esse estatuto, bem como a lealdade e respeito que sempre demonstrou, mesmo quando muitas vezes foi relegado para 2ª escolha injustamente.


Foto: FC Porto.pt

Melhor exemplo disso mesmo verificou-se na temporada passada, quando Helton aqui ou ali deslizava, contrapondo com as actuações sóbrias e seguras de Nuno sempre era chamado à equipa (como facilmente se comprova no seu percurso da Taça de Portugal, onde a final do campo de Oeiras foi o expoente máximo). A sua chamada à Selecção Nacional só constituiu surpresa para os menos atentos ao percurso do guarda-redes Portista, e só não fez parte desse grupo logo de inicio mercê da confiança cega do ex Seleccionador Nacional no “Capão voador” do Montijo.


Com 34 anos e a cumprir o seu ultimo ano de contrato, Nuno Espírito Santo partiu para o estágio de pré-temporada do FC Porto que recentemente terminou na Alemanha, com o intuito de ganhar pontos à concorrência. E a verdade é que o conseguiu, quer no discurso apaziguador e unificador, quer no campo (especialmente frente ao PAOK), fazendo questão de demonstrar a Jesualdo Ferreira que na baliza Portista esta época não haverá lugar para “vacas sagradas”.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Análise do plantel 2007/2008: Guarda-Redes

O plantel do FCP da época 2007/2008 conta com os guarda-redes Helton, Nuno e Ventura.



Até ao dia da publicação deste artigo, este três jogadores tinham participado no seguinte número de jogos:


CP

LC

TP

TL

ST

LI

Helton

22

07

00

00

01

00

Nuno

03

01

01

01

00

04

Ventura

00

00

00

00

00

10



Esta época o Helton sofreu uma lesão que o impediu de participar em alguns jogos do Campeonato e da Liga dos Campeões (3+1), tendo sido substituído pelo Nuno que conseguiu sempre fazer exibições seguras e dar tranquilidade à equipa. O Ventura, uma aposta no futuro, foi sempre considerado o terceiro guarda-redes tendo participado (até ao momento) apenas na Liga Intercalar de modo a ganhar experiência e ritmo.

Apesar de algumas críticas de que tem sido alvo nas últimas épocas, sendo-lhe imputadas responsabilidades em várias derrotas da equipa (Chelsea em 2006/2007, Shalke04 e Sporting em 2007/2008), vejo no Helton valor suficiente para ser o titular da baliza do FC Porto. É seguro entre os postes, é bom a sair dos postes a "fazer a mancha", joga bem com os pés (apesar de ser conhecido por provocar uns enfartes nos adeptos quando decide fintar um avançado), sendo o seu único ponto a rever o jogo aéreo quando precisa de sair dos postes a cruzamentos.

O Nuno é um guarda-redes com grande experiência. Já tinha estado anteriormente no FC Porto e regressou para ser uma alternativa credível a Helton (tal como o tinha sido a Vitor Baia). É um guarda-redes que, sem ser exuberante, consegue ser eficaz.

Ventura é ainda um miúdo do qual a maioria dos adeptos não tem praticamente qualquer informação. Veio das camadas jovens do clube, e até ao momento vai ocupando o posto de 3º guarda-redes.

De um modo geral acho que os guarda-redes estiveram bem esta época, e que se os pudermos manter para a época vindoura, estaremos bem servidos nesta posição.