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sábado, 10 de novembro de 2018
Ticão!
E que grande vitória a desta noite.
Importantíssima nas contas do título, não só tendo em conta que o adversário era o segundo classificado (sem qualquer derrota) mas também pelo timing da mesma, numa altura que os rivais lisboetas estão ambos a atravessar uma fase de transição.
O Braga é, de facto, uma equipa forte. Apesar de contar, apenas, com 2 ou 3 nomes sonantes, há trabalho muito competente a ser ali executado e tal acontece desde já há alguns anos.
Uma grande aptidão competitiva, de calibre bem acima da média.
O FCP voltou, hoje também, a contar com a estrelinha (de campeão?) que nos tem acompanhado amiúde esta época.
E bem que a merecemos pois, durante vários anos, esta nada quis connosco.
Mas a estrela mais alta (esta cá da Terra) voltou a ser o nosso treinador que, uma vez mais, arriscou tudo para vencer a partida. Novamente Maxi a dar lugar a Otávio, colocando a equipa ainda mais ofensiva, para lá ainda do muito que ela já o é na sua génese e identidade.
Quão raro é vermos um técnico português assim.
Destaque também para Soares, que hoje foi absolutamente decisivo. O cruzamento do talismã Otávio era bem colocado mas, daí até o lance terminar em golo, faltava ainda algum trabalho. Foi obra de Ticão. Não era para qualquer tiquinho colocar aquela bola bem no cantinho e, para mais, ao minuto 87. O brasileiro, recorde-se, já tinha tido papel determinante na reviravolta contra o Varzim e, antes, contra o Tondela.
Estão de parabéns os jogadores e segue-se agora mais uma longa pausa que, esperemos, não estrague esta nossa grande dinâmica de vitória actual.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Golpes de autoridade
Rival directo por um dos títulos mais importantes do ano superado? Check.
Triunfo fora sobre uma das equipas que melhor joga em Portugal e que ainda não tinha caído em casa desde Agosto? Check.
Utilização de vários jogadores habitualmente suplentes descansando titulares? Check.
Demonstração constante de superioridade colectiva e individual? Check.
Em pouco mais de uma semana, depois de um ciclo normal de maior desgaste, dúvidas e alguns tropeções absolutamente naturais, o FC Porto de Sérgio Conceição decidiu dar um par de golpes na mesa nas duas competições que realmente interessam este ano e contra rivais e contextos que exigiram sempre a melhor versão deste projecto.
É certo que Janeiro tinha sido um mês problemático - especialmente tendo em conta o feito nos meses anteriores - tanto no desgaste colectivo da ideia de jogo, no cansaço individual que inevitavelmente produziu uma quebra de produção de jogo e de golos, o que gerou alguns sustos e tropeções. Chegar ao intervalo a perder em Estoril (uma equipa que vai de menos a mais), empatar em Moreira de Cónegos, cair nas meias-finais da Taça da Liga e sofrer na primeira parte contra o Vitória de Guimarães foram sintomas claros de uma realidade absoluta. Ninguém joga bem ou ao mesmo nível dez meses de temporada e tarde ou cedo qualquer equipa sofre uma sequência de maus resultados. Que essa sequência não tenha resultado sequer em nenhuma derrota - o FC Porto continua, 30 jogos depois, invicto em competições nacionais, algo que não se via desde 2003/04 - e que no final da mesma a equipa continue na liderança isolada do campeonato (com menos 45 minutos por disputar, ou 3 pontos a menos do devido, segundo se olhe) e esteja na frente na luta por um lugar da final da Taça de Portugal é elucidativo. Todas as crises fossem assim.
O certo é que as sensações estavam a dar asas aos rivais a anunciar uma crise que, lamentavelmente para eles, não chega. Entre um título caído do céu para um e uma recuperação nada milagrosa tendo em conta as ajudas habituais recebidas de outro, parecia que 2018 estava a ser um inicio de ano para esquecer para o Dragão e era necessário mudar percepções, sobretudo entre os adeptos mais duvidosos porque o grupo de trabalho e o treinador parecem estar bastante convencidos do seu potencial, prova da solidez de discurso e mentalidade oferecida. Tentaram fazer da discussão de Soares com Conceição uma crise, inventando noticias sobre uma venda apressada para a China e um problema de balneário e como respondeu o grupo e os protagonistas? Três golos em dois jogos.
Festejaram a lesão de Danilo Pereira, timoneiro fundamental desta equipa e deste modelo de jogo, anunciando uma hecatombe competitiva e o que respondeu o grupo, o treinador e o seu sucessor em campo, Sérgio Oliveira? Com uma versão igual de omnipresencia e garra que ajudou a solucionar dois jogos problemáticos com solvência.
Brahimi estava cansado, Aboubakar estava a meias com uma lesão, Marcano estava lesionado (e uma vez mais, de fora, tentaram transformar um problema físico numa vendetta pela mais do que provável não renovação do espanhol) e, ainda assim, cada qual que ocupou o seu lugar mostrou estar à altura e a equipa nunca deu sinais de ressentir-se. Num grupo manifestamente pequeno - ainda que ampliado com mais três opções que, como era previsivel, vão ter muito trabalho para entrar na dinâmica que já existe - todos deram um passo em frente sem excepção. Maxi Pereira rendeu bem o melhor lateral direito português num campo dificil como o de Chaves. Soares voltou a mostrar porque a sua contratação há um ano manteve durante tanto tempo o incompetente NES na corrida pelo título. Sérgio Oliveira mostrou pela primeira vez na sua carreira uma solvência física, liderança e qualidade que muitos suspeitavam que nunca tinha existido. E ainda que em menor nível, Corona e Otavinho deram oxigénio a um ataque necessitado de outras opções mais além do génio de Brahimi.
Conceição soube fazer uma gestão humana exemplar num periodo complicado - de entradas, saídas e dúvidas - e essa gestão em minutos de jogo ofereceu também variações a um modelo que os rivais já conhecem de memória mas que, em muitos casos, continuam sem saber contrariar. Soares é um jogador diferente de Aboubakar, ataca as jogadas de um modo distinto e isso engana defesas habituadas a procurar o contacto físico com o camaronês e a negar-lhe o espaço para impor o seu jogo. Oliveira é menos físico do que Danilo mas a forma como conectou com Herrera, que está a fazer, depois de tantas dúvidas geradas, um ano excepcional, permitiu ao meio campo recuperar frescura, ideias e alternativas no momento de posse. Mesmo no eixo da defesa, que por falta de opções e lesões tem sofrido mais alterações do que seria de esperar, a coesão mantém-se e o Porto está sem sofrer golos há vários jogos a que ajuda também ao facto de que José Sá estar a ganhar confiança a cada jogo que faz e sai da sombra de Iker Casillas. Tudo apostas arriscadas em cada momento, tudo apostas ganhas por Conceição que até tem visto recompensada a sua insistência em fazer jogar sempre Marega que, por todos os seus mil e um defeitos, sempre acaba por gerar perigo e ocasiões de golo.
O certo é que bater - e superar, outra vez - o Sporting na primeira mão da meia-final da Taça (depois de dois jogos de manifesta superioridade em jogo mas sem golo) foi uma mensagem importante a todos os niveis. Demonstrou que, por muito investimento e discurso, o Sporting de Jesus continua a jogar com medo do Porto de Conceição, e que os azuis-e-brancos são superiores, jogadores por jogadores, linha por linha, aos leões. Depois de cair com manifesto azar na Taça da Liga era importante dar um golpe emocional antes do duplo confronto que ainda falta e, sobretudo, face ao presente barulhento do clube lisboeta destabilizar com mais uma prova de superioridade real. Em Chaves, onde um grande treinador como Luis Castro montou uma excelente equipa que ainda não tinha perdido em casa e aspirava (e aspira) a lugares europeus, com várias mudanças mas uma fome de bola há muito não vista, a equipa soube ser sólida, concisa e fazer aquilo que tinha sido incapaz em Janeiro, atacar e decidir cedo o jogo com golos e superioridade. Duas formas diferentes de mostrar que este Porto não se deixa amedrontar ou assustar por nada e que continua inequivocamente a ser a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Antes de um duelo que apetece, muito, mas que não deve distrair dos objectivos reais e factíveis que são os dois títulos nacionais em disputa, é bom saber que o Porto que muitos davam por cansado e em crise está bem vivo e com a mesma fome e autoridade de sempre.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Vícios de raciocínio?
Sérgio Conceição teve uma boa ideia e está a aplicá-la com algum sucesso. Aboubakar e Soares parecem ser mesmo a melhor solução para o novo FCP em versão "e agora sem dinheiro".
O camaronês está a provar que nunca deveria ter saído na época passada e muito menos à custa da entrada de Depoitre. Aliás, poucos se recordarão mas até Adrian Lopez foi escolhido à frente de Aboubakar em 2016/17.
Já Soares voltou, também ele, aos golos nesta pré-temporada e a níveis exibicionais próximos daqueles de quando chegou ao nosso clube.
Destes "2" do novo "4-4-2", pouco há, portanto, a acrescentar.
O busílis da questão reside, de momento, nos "4" do meio.
De repente, e pelo menos a julgar pelos "11" iniciais contra Chivas e Guimarães, parece que Brahimi voltou, pela enésima vez, a não fazer parte dos planos de um treinador do FCP.
E aqui é que poderemos correr o risco habitual nesta altura de pré-época: a de tomar cada jogo amigável como algo de definitivo e esquecer tudo aquilo que ficou para trás no que ao histórico de cada jogador diz respeito.
E no passado de Brahimi, no FCP, lê-se o seguinte: 117 jogos, 29 golos e 24 assistências.
Nenhum médio/extremo, no actual plantel, se aproxima de tais números.
Brahimi consegue uma média de 0.25 golos e 0.2 assistências por jogo.
Corona é quem mais se aproxima, levando em conta ambos os registos: 0.18 por partida tanto em golos como assistências.
Otávio tem um registo significativamente menor em termos do número total de jogos com a camisola do FCP, por isso, juntando a este exercício os números do tempo que actuou pelo Vitória, chegamos a uns 0.14 e 0.25. Ou seja, até assiste ligeiramente mais que o argelino mas perde claramente em termos de golos.
Com funções em campo não tão semelhantes, temos ainda Óliver (0.13 e 0.11), André André (0.1 e 0.14) e Herrera (0.14 e 0.12).
Números bem abaixo de Brahimi, portanto, mas com a efectiva desculpa de não actuarem tão próximo da área adversária.
Obviamente que ainda estamos no início, logo nem todas as escolhas são ainda definitivas.
Apenas se alerta para que, independentemente da opinião conjuntural de cada um em relação a um dado jogador, os números são ainda o meio mais eficaz de tirar dúvidas.
Se a ideia é, como parecia há umas semanas, que o jogador fique mais uma época, então que se aposte a sério nele.
Pelo menos seria bom que, em Maio de 2018, não se volte a escrever o que muitos disseram em Maio passado: "Se Brahimi tivesse jogado nas primeiras partidas, talvez a Liga tivesse tido um desfecho diferente..."
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sábado, 11 de março de 2017
Brahimi e Soares, para uma noite tranquila
A TV anuncia o "Valdispert" como ansiolítico natural para alívio da ansiedade e da tensão. Ora, para os portistas nada disso é necessário quando Brahimi e Soares se apresentam numa forma assim. Para uma noite sem sobressaltos, estes dois são mesmo o melhor remédio.
E como sabem bem estes jogos "sem história". Já chega de emoções escusadas.
Com um estádio, tal como em Guimarães e no Bessa, cheio de nossos adeptos, o FCP entrou bem na partida e aquelas primeiras partes apáticas parecem agora ter passado à história.
Um Brahimi completamente endiabrado, com uma facilidade incrível de passar por dois, às vezes três, adversários e ainda a assistir na perfeição, cedo resolveu a partida. E também um Óliver, muito mais desinibido, ajudou bastante neste aspecto.
E depois, já se sabe, desde Janeiro que está em curso a revolução-Soares no nosso clube. Ontem marcou 2 e não sabe muito bem porque não marcou 4...
O avançado brasileiro, trouxe consigo muito daquilo que nos faltava e, como fenómeno colateral, arrastou André Silva, ontem desastrado, para um papel secundário, no que à decisão das partidas diz respeito.
A confiança subiu, aliás, para patamares tais que NES parece não ter problemas em fazer descansar Maxi e André André na partida contra o Setúbal, no próximo fim-de-semana.
Cuidado com os excessos. Concentração sempre máxima é o que se pede até ao fim do campeonato.
domingo, 5 de março de 2017
Como nos bons velhos tempos
E eis, finalmente, um jogo em que o FCP transpôs para o terreno de jogo toda a sua superioridade abissal para equipas como este Nacional. Nos anos 80 e 90, jogos como estes aconteciam a uma boa cadência. Hoje em dia, resultados assim, só de uns 5 em 5 anos. Os clubes mais pequenos estão mais fortes? Sim, mas isso não explica tudo.
Foi um FCP com um "11" quase na máxima força e isso ajuda muito. Ainda para mais, um elo em teoria mais fraco, como por exemplo André André, ontem esteve uns furos acima de tempos mais recentes, principalmente na vertente do passe.
Também ajuda, e muito, poder contar com toda a inteligência de Layún no terreno de jogo. Maxi, repetimos, é um jogador que dá tudo o que tem, mas o tudo que ele actualmente tem, muitas vezes já não é o suficiente para uma equipa com as ambições da nossa. Trata-se de um jogador útil ao longo de uma época, quanto mais não seja pela sua vasta experiência, mas a titularidade nas alas da nossa defesa só pode ser mesmo de Telles e Layún.
Com um Brahimi ontem particularmente inspirado, pareceu sempre uma questão de tempo até as coisas se resolverem. Tivemos também a felicidade de ver dois remates deflectidos garantirem um tranquilo 2-0 ao intervalo. Depois, já na segunda parte, a expulsão, justa, de Tobias Figueiredo abriu largas avenidas para a goleada. Foi tudo tão fácil e evidente que até deu para Bruno Paixão fazer-se passar por um árbitro como qualquer outro....
Mas quantos de nós não trocaríamos um destes golos todos por apenas um por parte do Feirense?...
Com esta nova abordagem ao jogo em que a posse de bola deixou de ser uma doentia obsessão e, sem dúvida, com a excelente aquisição de Soares, o FCP não deixa agora qualquer dúvida de ser a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Porém, o nosso adversário directo continua, inacreditavelmente, sem perder qualquer ponto, o que torna tudo muito complexo em termos de previsões a curto prazo. Quem perder os próximos pontos ficará em maus lençóis, no que ao título diz respeito.
Ninguém quer trazer o Kelvin, nem que seja para passar um simples fim-de-semana por Portugal?...
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sábado, 18 de fevereiro de 2017
Passo a passo
Há uns dois meses ou menos, o penalty que abriu caminho à nossa goleada não teria sido assinalado. Talvez, menos ainda, aquela expulsão bem perto do intervalo.
Quem disse que o "status quo" nunca mudaria no futebol português? Bem, pelo menos pode ser suavizado, sem estar sempre a favor dos mesmos.
E que importante foram esses dois lances para que assistíssemos, finalmente, a uma segunda parte tranquila. Quem já não tinha saudades?
Mas este é um FCP diferente. A confirmação aconteceu ontem, após os fortes indícios contra Estoril, scp e Guimarães. Abdicámos daquelas percentagens assustadoras de posse de bola e tendo-a menos, conseguimos explorar agora os buracos deixados na defesa adversária. O ramerrame em que se estava a tornar o nosso mastigado jogo começa a desvanecer-se e os golos e lances de perigo aparecem agora com muita mais facilidade. Durante demasiado tempo, eram muitos aqueles que não compreendiam quem alertava para este problema da posse de bola excessiva. Esta apenas estava a ter como consequência o deixar os nossos adversários bem cómodos na arte de defender sempre do mesmo modo durante os 90 minutos e os empates tornavam-se cada vez mais frequentes.
NES detectou, com perspicácia, este entrave ao fluir do nosso ataque e está agora a ensaiar estas novas soluções. Mas cuidado, esta nova táctica apenas terá que ser mais uma das hipóteses, quando as coisas não resultam, e não se pode tornar na norma. Até porque, não será fácil aos muitos clubes pequenos que defrontamos durante toda uma época aceitarem o nosso convite para assumirem mais a posse de bola.
Também é claro que esta "geringonça" tem resultado melhor que o esperado devido à entrada, absolutamente à matador, de Soares, que além de nos dar uma profundidade até aqui impossível, tem revelado uma classe mesmo acima daquilo que terá exibido na sua passagem por Guimarães e Nacional. Parece estar a superar-se. Coisa, aliás, que era habitual nos jogadores quando assinavam pelo nosso clube, até há poucos anos. O peso da nossa camisola fê-los ainda melhores futebolistas. Infelizmente, ultimamente parecia que estávamos a assistir, demasiadas vezes, ao inverso de tal tradição. Ainda bem que voltámos ao caminho certo com este brasileiro, que ontem voltou a ser o melhor em campo pela terceira vez consecutiva. Três em três. Melhor era difícil.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Soares, a emenda ao "erro Lima"
Em dois jogos "Tiquinho" Soares já demonstrou que é um jogador que vale a pena desfrutar. O seu impacto imediato na equipa, uma equipa a quem faltava uma alternativa goleadora a André Silva desde o arranque da temporada, já valeu seis pontos e excelentes sensações. Depois de meio ano a bom nível a Guimarães nesta ocasião a direcção do clube esteve certeira e decidiu fazer aquilo que podia ter feito e não fez há anos atrás quando a trajectória de um outro avançado brasileiro soava familiar. Chamava-se Lima.
Lima despontou no Belenenses, em 2009. Rapidamente se percebeu que era um avançado com várias qualidades, faro de golo, velocidade e bom sentido posicional. Em Belém - depois de cinco anos de idas e voltas pelo futebol brasileiro e uma passagem curta pelo Vizela - causou um impacto imediato e transformou-se numa das pérolas do mercado local. Na altura o FC Porto deixou-se adormecer e o jogador acabou por assinar pelo Braga onde, em dois anos, confirmou todo o seu potencial permitindo aos arsenalistas viver as suas melhores épocas, com um vice-campeonato e uma final europeia pelo meio. Quando em 2012 surgiu o Benfica em equação, as boas relações entre os dois clubes - algum dia alguém explicará aos adeptos do Porto porque é que o clube dá tanto e recebe tão pouco a António Salvador - fizeram o resto e Lima tornou-se figura fundamental nos títulos conquistados por Jorge Jesus nas temporadas seguintes. Todos os adeptos do Porto se lembram perfeitamente a cada projecto de avançado falhado - nesse período pós-2011, com a saída de Radamel Falcao, o clube teve apenas em Jackson Martinez um goleador de nível - do nome do brasileiro. E o que podia ter sido um negócio de tostões na primeira temporada de Lima em Portugal (o Belenenses foi despromovido) ou um investimento controlado no final da sua primeira temporada em Braga (que coincidiu com a saída do "Tigre" e a entrada de Kleber para um ataque que acabou entregue a Hulk) acabou por ser uma dor de cabeça em forma de títulos para o rival. Soares ameaçava ser um take II da mesma história. Felizmente Pinto da Costa e a sua equipa anteciparam-se e bem.
"Tiquinho" não é necessariamente um jogador como Lima mas o impacto que tem causado evidencia bem o quão esquecido ás vezes é o mercado nacional num clube sempre habituado a virar-se para a América Latina á procura de negócios. A sua história tem tudo para funcionar. É um jogador com ética de trabalho evidente, que não só dá golos á equipa como trabalha para o colectivo. Tem um perfil complementar ao de André Silva e portanto não se atrapalham - como sucedia com Depoitre - e sim encontram formas diferentes de atacar o espaço e a jogada como o golo em Guimarães demonstrou.
Até à sua chegada a opção de Diogo Jota oferecia um perfil totalmente distinto com um jogador mais tecnicamente vistoso mas menos killer que podia ajudar André Silva mas que raramente o substituía como ameaça goleadora. Com Soares esse cenário mudou e não é de estranhar que depois de meia época nas pernas agora o jovem avançado da formação seja regularmente substituído à hora de jogo. NES pode finalmente prescindir de um futebolista na sua primeira época sénior completa e que, portanto, não tem ainda a capacidade física para aguentar um ano completo sem ser dosificado, fisica e mentalmente. Até nisso Soares é o reforço perfeito. Não só marca, luta e descoloca o rival como potencia André Silva e permite-lhe também ter os seus dias maus. Ninguém se esquece que a sequência de jogos sem vitórias e golos se deveram e muito á falta de acerto de Silva nesses encontros a tal ponto que até teve de ser Rui Pedro a salvar a honra frente ao Braga, numa noite épica, e Depoitre a marcar o único golo do ano num encontro angustiante contra o Chaves, ambos em casa.
Ter um futebolista do perfil de Soares permite encarar a segunda volta e esses momentos de outra forma. Não significa que marcará sempre, que a taxa de eficácia seja tão alta mas garante sim opções, tanto em campo como fora dele. Com Tiquinho á disposição NES poderá jogar cada vez mais entre o 4-2-3-1 que tinha vindo a utilizar com Jota como eixo de conexão como o meio-campo como com um claro 4-4-2 em que Soares e André se movem em parceria no ataque desde o arranque do encontro para potenciar o modelo de jogo do técnico, mais defensivo e apostado no trabalho de contenção do meio-campo e na amplitude ofensiva dos laterais. Com Brahimi como único elemento criativo fixo, o jogo de Telles e Maxi revela-se fundamental na construção ofensiva, e ter duas referências na área ajuda a potenciar esse modelo muito mais do que quando André Silva era engolido pelos centrais contrários.
Lembrando Artur e Derlei, outros jogadores brasileiros que partiram de um clube menor para brilhar no Porto nas últimas décadas - ainda com perfis radicalmente diferentes, o primeiro por ser um nome consagrado no Boavista e o segundo por chegar como petição expressa de Mourinho - Soares tem tudo para revelar-se uma figura extremamente importante neste suspiro final de campeonato. Mistura em campo de Hulk, Derlei e Lima, Soares é o perfil de futebolista ofensivo que habitualmente encaixa com a exigência dos adeptos portistas e talvez por isso, mais do que pelos três golos em dois jogos, deixa a ideia que os 3,5 milhões de euros pagos ao Vitória - uma cifra importante para o mercado nacional - poderão num futuro não muito distante, soar a bagatela. Não é uma jovem promessa - tem 26 anos - nem sequer um jogador que vá demonstrar ser muito mais do que aquilo que já é. A questão é precisamente essa. O Porto precisava de um perfil assim para complementar um plantel que tem recursos para lutar pelo título até ao fim. E agora que o tem o ponto de atraso contra o Benfica parece cada vez mais pequeno. Se em Maio esse ponto tiver sido engolido e cuspido com os seus golos, Deco - o agente - e o staff de Pinto da Costa merecerá um aplauso sonoro. Soares pode fazer pelo Porto este ano o que Lima e Jonas fizeram pelo Benfica no passado. Sem serem estrelas ou foras de série, acabarem por ser decisivos. Acabarem por valer um título!
Lima despontou no Belenenses, em 2009. Rapidamente se percebeu que era um avançado com várias qualidades, faro de golo, velocidade e bom sentido posicional. Em Belém - depois de cinco anos de idas e voltas pelo futebol brasileiro e uma passagem curta pelo Vizela - causou um impacto imediato e transformou-se numa das pérolas do mercado local. Na altura o FC Porto deixou-se adormecer e o jogador acabou por assinar pelo Braga onde, em dois anos, confirmou todo o seu potencial permitindo aos arsenalistas viver as suas melhores épocas, com um vice-campeonato e uma final europeia pelo meio. Quando em 2012 surgiu o Benfica em equação, as boas relações entre os dois clubes - algum dia alguém explicará aos adeptos do Porto porque é que o clube dá tanto e recebe tão pouco a António Salvador - fizeram o resto e Lima tornou-se figura fundamental nos títulos conquistados por Jorge Jesus nas temporadas seguintes. Todos os adeptos do Porto se lembram perfeitamente a cada projecto de avançado falhado - nesse período pós-2011, com a saída de Radamel Falcao, o clube teve apenas em Jackson Martinez um goleador de nível - do nome do brasileiro. E o que podia ter sido um negócio de tostões na primeira temporada de Lima em Portugal (o Belenenses foi despromovido) ou um investimento controlado no final da sua primeira temporada em Braga (que coincidiu com a saída do "Tigre" e a entrada de Kleber para um ataque que acabou entregue a Hulk) acabou por ser uma dor de cabeça em forma de títulos para o rival. Soares ameaçava ser um take II da mesma história. Felizmente Pinto da Costa e a sua equipa anteciparam-se e bem.
"Tiquinho" não é necessariamente um jogador como Lima mas o impacto que tem causado evidencia bem o quão esquecido ás vezes é o mercado nacional num clube sempre habituado a virar-se para a América Latina á procura de negócios. A sua história tem tudo para funcionar. É um jogador com ética de trabalho evidente, que não só dá golos á equipa como trabalha para o colectivo. Tem um perfil complementar ao de André Silva e portanto não se atrapalham - como sucedia com Depoitre - e sim encontram formas diferentes de atacar o espaço e a jogada como o golo em Guimarães demonstrou.
Até à sua chegada a opção de Diogo Jota oferecia um perfil totalmente distinto com um jogador mais tecnicamente vistoso mas menos killer que podia ajudar André Silva mas que raramente o substituía como ameaça goleadora. Com Soares esse cenário mudou e não é de estranhar que depois de meia época nas pernas agora o jovem avançado da formação seja regularmente substituído à hora de jogo. NES pode finalmente prescindir de um futebolista na sua primeira época sénior completa e que, portanto, não tem ainda a capacidade física para aguentar um ano completo sem ser dosificado, fisica e mentalmente. Até nisso Soares é o reforço perfeito. Não só marca, luta e descoloca o rival como potencia André Silva e permite-lhe também ter os seus dias maus. Ninguém se esquece que a sequência de jogos sem vitórias e golos se deveram e muito á falta de acerto de Silva nesses encontros a tal ponto que até teve de ser Rui Pedro a salvar a honra frente ao Braga, numa noite épica, e Depoitre a marcar o único golo do ano num encontro angustiante contra o Chaves, ambos em casa.
Ter um futebolista do perfil de Soares permite encarar a segunda volta e esses momentos de outra forma. Não significa que marcará sempre, que a taxa de eficácia seja tão alta mas garante sim opções, tanto em campo como fora dele. Com Tiquinho á disposição NES poderá jogar cada vez mais entre o 4-2-3-1 que tinha vindo a utilizar com Jota como eixo de conexão como o meio-campo como com um claro 4-4-2 em que Soares e André se movem em parceria no ataque desde o arranque do encontro para potenciar o modelo de jogo do técnico, mais defensivo e apostado no trabalho de contenção do meio-campo e na amplitude ofensiva dos laterais. Com Brahimi como único elemento criativo fixo, o jogo de Telles e Maxi revela-se fundamental na construção ofensiva, e ter duas referências na área ajuda a potenciar esse modelo muito mais do que quando André Silva era engolido pelos centrais contrários.
Lembrando Artur e Derlei, outros jogadores brasileiros que partiram de um clube menor para brilhar no Porto nas últimas décadas - ainda com perfis radicalmente diferentes, o primeiro por ser um nome consagrado no Boavista e o segundo por chegar como petição expressa de Mourinho - Soares tem tudo para revelar-se uma figura extremamente importante neste suspiro final de campeonato. Mistura em campo de Hulk, Derlei e Lima, Soares é o perfil de futebolista ofensivo que habitualmente encaixa com a exigência dos adeptos portistas e talvez por isso, mais do que pelos três golos em dois jogos, deixa a ideia que os 3,5 milhões de euros pagos ao Vitória - uma cifra importante para o mercado nacional - poderão num futuro não muito distante, soar a bagatela. Não é uma jovem promessa - tem 26 anos - nem sequer um jogador que vá demonstrar ser muito mais do que aquilo que já é. A questão é precisamente essa. O Porto precisava de um perfil assim para complementar um plantel que tem recursos para lutar pelo título até ao fim. E agora que o tem o ponto de atraso contra o Benfica parece cada vez mais pequeno. Se em Maio esse ponto tiver sido engolido e cuspido com os seus golos, Deco - o agente - e o staff de Pinto da Costa merecerá um aplauso sonoro. Soares pode fazer pelo Porto este ano o que Lima e Jonas fizeram pelo Benfica no passado. Sem serem estrelas ou foras de série, acabarem por ser decisivos. Acabarem por valer um título!
domingo, 12 de fevereiro de 2017
À primeira
Ainda até há pouco tempo, os nossos adversários facturavam na primeira (e muitas vezes única) vez que se aproximavam da nossa área, agora, e pelo menos nestes últimos dois jogos, sucede quase o oposto.
Até à entrada Jota (ao minuto 74, note-se), o FCP não tinha ido mais do que 2 ou 3 vezes à grande área adversária. Aliás, quase se poderia dizer que Soares marcou na única oportunidade real do FCP até à entrada do jovem português em campo.
Com alguma ironia, poder-se-ia afirmar que o grande mérito do FCP nesta vitória deu-se antes sequer do pontapé de saída, ao conseguir "desfalcar" os vitorianos dos seus melhores jogadores (Hernâni, Marega, e claro, Soares). Ter Tiquinho do nosso lado, foi de facto uma grande ajuda. O ex-Guimarães foi, mais uma vez, decisivo e terá sido o melhor jogador em campo.
Verdade se diga que a maioria dos seus novos companheiros realizou uma exibição cinzenta, num jogo pobre de ambos os lados.
Para além do nosso mais recente reforço, apenas os "centrais"e Danilo estiveram num plano aceitável.
O caso mais agudo teria sido mesmo André Silva que passou completamente ao lado desta partida.
No fundo, um jogo com muito pouco para contar, ao contrário daquilo que era de prever.
Mas de jogos com pouca história também se faz a corrida para o título.
Seis pontos em dois jogos que se anteviam de grau de dificuldade elevado (scp e Guimarães), não pode senão ser considerado algo de positivo.
Pena que o slb tenha tido, neste mesmo calendário, dois jogos extremamente fáceis.
A verdadeira luta entre os dois continua já dentro de momentos...
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domingo, 5 de fevereiro de 2017
Com merecida estrelinha
Se no encontro com o slb nos queixámos, e com toda a razão, da falta dela, hoje não poderemos ter muita razão de queixa em relação à "estrelinha". Dizem que esta, habitualmente, protege os futuros campeões. Então que seja esse, novamente, o caso na presente época.
NES deu a mão à palmatória e apresentou (quase) o nosso melhor "11" de início. Só faltou lá Layun, do lado direito da defesa, e jogaríamos na máxima força. As únicas dúvidas pairavam sobre o estreante Soares mas este cedo as desfez. Dois grandes golos (principalmente o segundo, que é enorme) e já não está aqui quem falou.
Que tenha continuação e que não se repita a história de um outro herói de jogos contra o scp. Tello celebrou um hat-trick em 2015 mas, em boa verdade, pouco mais fez do que isso no resto do tempo em que pelo Dragão passou.
Que a Soares também não aconteça o que sucedeu a André André, que foi a nossa grande estrela, na vitória contra o slb na época transacta, mas que não mais actuou a esse mesmo grande nível.
Foi um jogo em sofremos, a bom sofrer, até à defesa final de Casillas (finalmente decisivo). E nada o faria prever quando chegámos ao 2-0. A táctica que NES utilizou, durante a primeira parte, foi atípica mas resultou, ao menos durante esse período: a posse de bola deixou de ser fulcral e a ideia era colocar rapidamente a bola na frente. Daí que até o nosso próprio guarda-redes tinha ordens para despachar a bola, com lançamentos longos com o pé, mal a recuperasse. Não foi, por isso, estranho termos perdido, em termos de percentagem de posse de bola, para o nosso adversário, ainda durante o primeiro tempo.
Ora, na segunda parte, e dada a melhoria gigantesca do nosso oponente, estes números agravaram-se de tal forma que a própria vitória (importantíssima para as contas finais) chegou a estar mesmo em causa. Aí valeu-nos o nosso poste e também algumas estrelas (outras) cá da terra.
As substituições, ainda que talvez defensivas em demasia, acabaram por equilibrar a nossa equipa em termos defensivos, apesar de que Óliver deveria ter sido um dos eleitos, de tal forma andou desaparecido desta partida.
Nota positiva, uma vez mais, para a entrada de João Carlos Teixeira. A ideia tem que ser esta mesma: para segurar resultados devem entrar jogadores que sabem guardar a bola e não um Rubén Neves ou um Herrera, que não passam, ambos, de um convite ao adversário para estes terem ainda mais posse e, como consequência, mais lances de possível perigo.
Ah, e não jogámos de amarelo desta vez...
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