Quem afirma que, mesmo perante tamanho grau de
vigarice, o FCP tinha a obrigação de ser campeão, desvaloriza as ajudas
decisivas ao slb em Tondela (expulsão ridícula de um jogador da casa, num jogo
em que os lisboetas ficariam completamente fora da corrida ao título caso não
vencessem) e, principalmente, em Santa Maria da Feira (tal como na época de 99/2000, Bruno
Paixão volta a ser absolutamente decisivo na atribuição do título), Braga e Vila do Conde (onde as regras do futebol deixaram, pura e simplesmente, de existir).
Sim, o FCP usufruiu de uma vantagem importante nesta presente
temporada e perdeu-a. Mas, se avaliarmos o conjunto de todas as jornadas,
verificamos que o FCP perdeu, até ao momento, 17 pontos. Uma performance que,
habitualmente, seria suficiente para vencer o campeonato. Para termos uma
ideia, o FCP de Mourinho perdeu 20 pontos em 2003/04. Sim, no mesmo ano em que fomos
a melhor equipa da Europa.
Poderia o FCP ter feito mais e melhor, apesar de
existirem umas regras para o slb e outras diferentes para as restantes equipas?
Sim, mas isso é e será sempre verdade. Seja em 2019, seja em 1987 em que
perdemos o campeonato, apesar de contarmos com a nossa melhor equipa de todos
os tempos.
A anormalidade não estará, pois, na nossa
pontuação mas sim no completo absurdo de, desde a sua derrota em Portimão, o
slb somar por vitórias todos os encontros efectuados, com a excepção do empate
contra o Belenenses. Vão seguramente conseguir 23 vitórias nas últimas 25 partidas para a liga portuguesa. Um feito que até os melhores slb
dos últimos 30 e tal anos não conseguiram alcançar, com a excepção daquele
record no tempo de JJ.
No mesmo período de tempo, mesmo o nosso FCP, com muito melhores equipas durante longos períodos, poucas vezes terá andado perto de tamanha proeza.
No mesmo período de tempo, mesmo o nosso FCP, com muito melhores equipas durante longos períodos, poucas vezes terá andado perto de tamanha proeza.
Ou seja, temos
então que Seferovics, Pizzis, Florentinos e Grimaldos estão a conseguir algo que nós,
até no tempo de um Gomes, Madjer, Jardel, Deco, Falcao ou Hulk, dificilmente alcançaríamos.
Acredite quem
quiser.
Mesmo dando de
barato que este se trata, efectivamente, de um slb fortíssimo, a realidade das
provas europeias desmente-o por completo. Para tudo isto ter uma qualquer lógica, ou seja,
que estamos mesmo perante um slb-vintage, estes teriam também que ter brilhado,
nesta actual temporada, nas provas da UEFA. Pelo menos, e no mínimo, chegar à
final da Liga Europa.
Ora, tiveram duas oportunidades (não esquecer a sua sofrível participação na Liga dos Campeões), mas ninguém se lembrará do slb, por essa Europa fora, quando se fizer o balanço de 2018/19.
E já para não falar nos 5-jogos-5 de interdição da Luz. Aliás, até poderiam ser 10, que daria no mesmo: numa
comédia.
Aceitar a vitória do slb, nestes moldes, é perpetuar este estado de coisas. Qual é, afinal, o limite do suportável?
Qualquer dia, ganharemos ao slb em ambas as voltas e ainda assim não chegará. É que, afinal, eles também conseguem passar por cima do VAR, que era a nossa última linha de defesa para o futuro.
O slb vai perder apenas 15 pontos. Nos últimos 35 anos, e adaptando as classificações a 3 pontos por vitória, o FCP apenas conseguiu perder menos pontos em 5 dos seus títulos.
O slb tem 99 golos marcados. O FCP, nos mesmos 35 anos, o melhor que conseguiu foram 88. Isto apesar de ter contando com goleadores da classe de um Gomes, Jardel, Falcao ou Jackson.
O slb vai em 7 (s-e-t-e) partidas em que marcou nos primeiros 3 (t-r-ê-s) minutos de jogo.
O que significará isto em termos de seriedade dos seus adversários?
Desculpem, mas temos que ter o direito a sermos campeões mesmo naquelas épocas em que não somos excepcionais.





