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quarta-feira, 15 de maio de 2019

O rei vai nu

Num ano em que ficou confirmado, para quem ainda tinha dúvidas, que (sempre) existem ofertas a jogadores para perderem contra o slb (Cássio, Marcelo e Lionn) e, ainda, que existem equipas que propositadamente não se apresentam na máxima força contra o mesmo clube (declarações de Petit, treinador do Marítimo), um qualquer portista afirmar que o clube da Luz é um justo vencedor do campeonato é pior do que disparar completamente ao lado: é cometer um erro histórico, com consequências para as próximas temporadas.
Quem afirma que, mesmo perante tamanho grau de vigarice, o FCP tinha a obrigação de ser campeão, desvaloriza as ajudas decisivas ao slb em Tondela (expulsão ridícula de um jogador da casa, num jogo em que os lisboetas ficariam completamente fora da corrida ao título caso não vencessem) e, principalmente, em Santa Maria da Feira (tal como na época de 99/2000, Bruno Paixão volta a ser absolutamente decisivo na atribuição do título), Braga e Vila do Conde (onde as regras do futebol deixaram, pura e simplesmente, de existir). 
Sim, o FCP usufruiu de uma vantagem importante nesta presente temporada e perdeu-a. Mas, se avaliarmos o conjunto de todas as jornadas, verificamos que o FCP perdeu, até ao momento, 17 pontos. Uma performance que, habitualmente, seria suficiente para vencer o campeonato. Para termos uma ideia, o FCP de Mourinho perdeu 20 pontos em 2003/04. Sim, no mesmo ano em que fomos a melhor equipa da Europa.
Poderia o FCP ter feito mais e melhor, apesar de existirem umas regras para o slb e outras diferentes para as restantes equipas? Sim, mas isso é e será sempre verdade. Seja em 2019, seja em 1987 em que perdemos o campeonato, apesar de contarmos com a nossa melhor equipa de todos os tempos.
A anormalidade não estará, pois, na nossa pontuação mas sim no completo absurdo de, desde a sua derrota em Portimão, o slb somar por vitórias todos os encontros efectuados, com a excepção do empate contra o Belenenses. Vão seguramente conseguir 23 vitórias nas últimas 25 partidas para a liga portuguesa. Um feito que até os melhores slb dos últimos 30 e tal anos não conseguiram alcançar, com a excepção daquele record no tempo de JJ. 
No mesmo período de tempo, mesmo o nosso FCP, com muito melhores equipas durante longos períodos, poucas vezes terá andado perto de tamanha proeza.
Ou seja, temos então que Seferovics, Pizzis, Florentinos e Grimaldos estão a conseguir algo que nós, até no tempo de um Gomes, Madjer, Jardel, Deco, Falcao ou Hulk, dificilmente alcançaríamos.

Acredite quem quiser.

Mesmo dando de barato que este se trata, efectivamente, de um slb fortíssimo, a realidade das provas europeias desmente-o por completo. Para tudo isto ter uma qualquer lógica, ou seja, que estamos mesmo perante um slb-vintage, estes teriam também que ter brilhado, nesta actual temporada, nas provas da UEFA. Pelo menos, e no mínimo, chegar à final da Liga Europa.
Ora, tiveram duas oportunidades (não esquecer a sua sofrível participação na Liga dos Campeões), mas ninguém se lembrará do slb, por essa Europa fora, quando se fizer o balanço de 2018/19.

E já para não falar nos 5-jogos-5 de interdição da Luz. Aliás, até poderiam ser 10, que daria no mesmo: numa comédia.

Aceitar a vitória do slb, nestes moldes, é perpetuar este estado de coisas. Qual é, afinal, o limite do suportável?
Qualquer dia, ganharemos ao slb em ambas as voltas e ainda assim não chegará. É que, afinal, eles também conseguem passar por cima do VAR, que era a nossa última linha de defesa para o futuro.

O slb vai perder apenas 15 pontos. Nos últimos 35 anos, e adaptando as classificações a 3 pontos por vitória, o FCP apenas conseguiu perder menos pontos em 5 dos seus títulos.
O slb tem 99 golos marcados. O FCP, nos mesmos 35 anos, o melhor que conseguiu foram 88. Isto apesar de ter contando com goleadores da classe de um Gomes, Jardel, Falcao ou Jackson.
O slb vai em 7 (s-e-t-e) partidas em que marcou nos primeiros 3 (t-r-ê-s) minutos de jogo. 
O que significará isto em termos de seriedade dos seus adversários?

Desculpem, mas temos que ter o direito a sermos campeões mesmo naquelas épocas em que não somos excepcionais.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Tiros no pé e não para a baliza


"Pediu informação extra ao Loum, que chegou do Moreirense no mercado de inverno?"Só situações de bola parada. Temos informação de tudo, quem pisa a área do penálti, o segundo poste, quem coça a cabeça. Temos acesso a tudo. Só confirmei uma situação com o Loum e ele disse que era verdade."
Sérgio Conceição, sem se perceber bem porquê, sentiu necessidade de partilhar esta história na antevisão a este jogo. Já na semana passada disse que ficava a torcer pela vitória do scp no derby de Lisboa. Duas afirmações que fizeram ricochete. Havia mesmo necessidade? Serão estes "mind games" que jogam a nosso favor ou contra?

Moreira de Cónegos é uma freguesia com menos de 5 mil habitantes e, como dizia Manuel Machado, é praticamente composta por uma única rua. Não obstante, tem uma equipa de futebol que o FCP não consegue vencer há quatro épocas.

Campo de reduzidas dimensões? Sim, mas também uma equipa que hoje correu mais, teve mais garra e que foi mais inteligente do que a nossa.

Sérgio Conceição afirmou, no final, que não estava preocupado pois a equipa teria produzido, mais uma vez, imensas oportunidades de golo, tal como no Domingo em Guimarães.
Ora, do jogo no D.Afonso Henriques a este vai um abismo exibicional e chances reais de golo foram apenas quatro. Praticamente as mesmas que teve o Moreirense, aliás, num empate que se aceita em termos do (pouco) futebol praticado.

O nosso treinador surpreendeu ao voltar ao 4-3-3, talvez porque, com alguma razão, não confia assim tanto em Fernando. Marega é impossível de substituir mas regressar a um meio-campo a três vai contra o ADN deste grupo de jogadores. Foi um 4-3-3 de futebol previsível e mastigado. E, claro, com imensas dificuldades em criar desequilíbrios. Por largos momentos parecia que os tempos de Lopetegui e NES estavam de volta. 
Pior ainda, o actual Danilo não traz algo de novo e não justifica, por enquanto, a titularidade. Certo que, sem Marega, nada nunca seria igual mas este regresso a tempos antigos pode deitar tudo a perder. 
Hernâni, e não Fernando, é quem mais se assemelha ao tipo de futebol do homem do Mali. Ambos gostam de jogar no espaço. Mas o português, desde que apontou dois ou três golos decisivos, como que desapareceu das opções. Isto sim, deveria ser tema de conversa do nosso treinador durante as conferências de imprensa.

Ah, e aquele penalty já depois do 1-1? Falta claríssima. Fica a dúvida se dentro ou se fora da área. Sérgio Conceição saiu-se, depois, com aquele "Não falarei mais de arbitragens até ao fim da época.". Mais um tiro no pé. Sem qualquer necessidade ou proveito. Semana negra, mesmo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Ineficácia?

Eficácia, tão somente. É o que aparentemente nos falta, apesar de, entre todas as oportunidades ontem esbanjadas, o único lance em que os nossos jogadores poderiam ter feito melhor seja, talvez, naquele chapéu demasiado alto de Marega. Em todos os outros casos, existiu mais mérito da defesa do que, propriamente, demérito nosso.

Supostamente o que nos falta em eficácia, tem o slb de sobra. Será mesmo assim? Basta recordar o golo deles em Guimarães há duas semanas. Aquilo não foi eficácia mas sim, e no mínimo, facilitismo dos defesas adversários. Idem para o jogo deles em Alvalade. Mas aquele scp de ontem tem alguma coisa a ver com o scp de há uma semana na Taça da Liga?

E em relação ao Braga? As equipas adversárias jogam com igual empenho como contra o FCP? Fica, também, a dúvida. O Braga não parece ter a qualidade individual para resolver, semana sim, semana sim, o tipo de dificuldades que todas as equipas sempre colocam ao FCP.

O FCP fez ontem a sua melhor exibição, no Afonso Henriques, desde pelo menos aqueles 5-0 do tempo do Mangala. Isto em termos de produção futebolística pura.
Em 2010/11, por exemplo, aquando da nossa última super-equipa, o FCP nem metade das oportunidades criou em relação às de ontem.
Desengane-se quem achar que se pode fazer muito mais e melhor do que aquilo que ontem produzimos. Dentro das nossas actuais possibilidades, temos vindo a apresentar uma louvável qualidade. Acima de qualquer adversário nacional. Sem factores estranhos, chegaria e sobraria.
Aliás, a pior coisa que agora nos poderia acontecer seria a equipa técnica e os jogadores começarem a desconfiar de si mesmos e acharem que há algo de errado. Não, o caminho é este mesmo. Tirando um ou outro pormenor possível de ser melhorado, as coisas estão certas, em termos gerais, na nossa forma de abordar os jogos.

Infelizmente, porém, este actual campeonato pode muito bem ser decidido por aspectos sobre as quais não temos qualquer controlo.
O que podemos nós fazer se um Boavista passa do 80 (contra o FCP) para o 8 (contra o slb)?
Certo que ninguém pode estar a 100% em todos os jogos e que existem muitas variáveis que ditam um resultado de uma partida de futebol, mas digam-me lá se aquele Renan, que defendia tudo na Taça da Liga (e em Alvalade para o campeonato), é o mesmo que, ontem, até no penalty conseguiu dar um frango?

Resta-nos, pois, esperar (sentados, certamente) que as outras equipas quando defrontam os nossos rivais mais directos, tenham um comportamento minimamente aproximado, em termos profissionais, daquele que em toda e qualquer semana exibem contra o FCP.

P.S.: E qual tal aquele fora-de-jogo “por centímetros” do Pepe no nosso golo anulado? Então a "jurisprudência" não tinha deliberado ser, desde as meias-finais de Taça da Liga, um escândalo nacional anular tais lances, independentemente das linhas desenhadas no ecrã pela SporTV? O que mudou em apenas semana e meia? Dois lances semelhantes. Um deles deu discussão para 5 dias, o outro (o de ontem) morreu ao fim de 5 segundos. Fora de jogo ao Pepe e não se fala mais no assunto.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Vai passar


O nosso maior problema é que o scp não sendo uma equipa pequena joga como tal contra o FCP.
Ou seja, estes encontros são semelhantes àqueles em que ganhámos pela margem mínima a um Rio Ave, Aves ou Santa Clara, com a diferença que, sendo o scp uma equipa com melhores valores individuais, essas vitórias mínimas transformam-se em empates.
O scp, ao contrário de um slb ou Braga, não nos defronta de uma forma aberta e dá-se por satisfeito por criar o mesmo número de jogadas de perigo quantas as de um clube inferior.
Ora, se esta sua táctica tinha resultado aquando do jogo de Alvalade para o campeonato, hoje voltou a acontecer exactamente o mesmo.
Sendo o scp o maior especialista de penáltis em todo o futebol português (e o FCP um dos piores), numa final de Taça da Liga esta atitude de "esperar para ver" ainda mais jeito lhes daria. E deu mesmo.

Não há muito a criticar na exibição do FCP de hoje (que, desta vez, até jogou com o seu equipamento principal). Não nos deixámos, desta feita, adormecer por completo na sonolência crónica do adversário e fizemos um segundo tempo de bom nível que, normalmente, seria recompensado com a conquista do troféu. Só que, bem o sabemos, ao FCP nem sempre basta ser (muito) melhor que o adversário e um penalty (bem assinalado pelos VARes), caído do céu, resultou no empate imerecido do scp.

Depois, no desempate da marca dos 11 metros, aconteceu o fado do costume: um concurso, entre os nossos jogadores, para ver quem marca pior. Com a única excepção de Telles. E, daqui em diante, tem que ser mesmo ele a marcá-los todos.

E que grande importância vão ter as nossas duas próximas partidas, para a Liga Portuguesa, na quarta-feira e, principalmente, em Guimarães no próximo Domingo. Neste último, não contem com aquela mesma equipa que, tendo dominado o slb, se revelou incapaz de traduzir em golos esse mesmo domínio. Esperem mais depressa pelo inverso, aliás.
E, quanto aos jogos do nosso mais directo adversário na luta pelo título, não esquecer que, desde terça-feira passada, entrou em vigor a "lei", não escrita, que diz que é expressamente proibido, em lances de dúvida, apitar algo que os prejudique.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Ainda há quem não conheça o nosso equipamento principal

...e, talvez por isso mesmo, e reeditando tempos já julgados ultrapassados e erradicados para todo o sempre, estranhamente o nosso clube apresentou-se hoje em Alvalade com o equipamento alternativo. Por que razão? Ninguém saberá ao certo. Para vender camisolas? Mas afinal é o departamento de marketing quem mais manda dentro do FCP?
Um desrespeito completo pelo adversário e principalmente pela nossa própria história.



Da última vez que tínhamos feito esta mesma gracinha saímos derrotados deste mesmo estádio, hoje demos "apenas" por terminado a maior série de vitórias consecutivas de sempre em Portugal.

Em comparação com estes dois aspectos, o jogo em si mesmo quase que é secundário.
Os jogos recentes, em Lisboa, contra este adversário são praticamente cópias uns dos outros: um FCP que se deixa adormecer por um scp sempre abaixo do que se espera e a quem o empate parece não desagradar. Mesmo quando, como acontecia hoje, a desvantagem pontual tornava obrigatória uma vitória ou, pelo menos um futebol mais virado para a frente.
O nosso clube, e já lá vão 11 épocas, deixa-se levar neste enredo sonolento, e os jogos são quase sempre desinteressantes e muito raramente ficam na memória.

A equipa não esteve mal defensivamente mas, tal como na Luz, pouco fez em termos atacantes.
Soares poderia ter decidido mas também Bas Dost não marcou num daqueles lances que raramente falha. Na verdade, tal como Keizer, Sérgio Conceição parecia, no fundo, contente com um empate. Por que outra razão optaria, em primeiro lugar, por um desadaptado Fernando em vez do um Hernâni em muito melhor forma?

Olhando para o conjunto da primeira volta que agora termina, o balanço é, porém, bem positivo.
A nossa actual diferença pontual para os rivais representa uma almofada já com algum significado. Temos é que nos manter em alerta para o futuro e deixarmo-nos destes azuis-"cinzentos" da camisola desta tarde.

sábado, 10 de novembro de 2018

Ticão!


E que grande vitória a desta noite.
Importantíssima nas contas do título, não só tendo em conta que o adversário era o segundo classificado (sem qualquer derrota) mas também pelo timing da mesma, numa altura que os rivais lisboetas estão ambos a atravessar uma fase de transição.

O Braga é, de facto, uma equipa forte. Apesar de contar, apenas, com 2 ou 3 nomes sonantes, há trabalho muito competente a ser ali executado e tal acontece desde já há alguns anos.
Uma grande aptidão competitiva, de calibre bem acima da média.

O FCP voltou, hoje também, a contar com a estrelinha (de campeão?) que nos tem acompanhado amiúde esta época.
E bem que a merecemos pois, durante vários anos, esta nada quis connosco.

Mas a estrela mais alta (esta cá da Terra) voltou a ser o nosso treinador que, uma vez mais, arriscou tudo para vencer a partida. Novamente Maxi a dar lugar a Otávio, colocando a equipa ainda mais ofensiva, para lá ainda do muito que ela já o é na sua génese e identidade.
Quão raro é vermos um técnico português assim.

Destaque também para Soares, que hoje foi absolutamente decisivo. O cruzamento do talismã Otávio era bem colocado mas, daí até o lance terminar em golo, faltava ainda algum trabalho. Foi obra de Ticão. Não era para qualquer tiquinho colocar aquela bola bem no cantinho e, para mais, ao minuto 87. O brasileiro, recorde-se, já tinha tido papel determinante na reviravolta contra o Varzim e, antes, contra o Tondela.

Estão de parabéns os jogadores e segue-se agora mais uma longa pausa que, esperemos, não estrague esta nossa grande dinâmica de vitória actual.

sábado, 3 de novembro de 2018

Siga!


67 foi o minuto-chave desta partida. Sérgio Conceição foi, hoje, ainda mais valente que o seu habitual e não hesitou em trocar um lateral-direito por mais um elemento ofensivo (Otávio) que, apenas três minutos depois, marcaria o golo que desbloquearia uma partida onde pairava um intenso odor a empate.
E, dadas as circunstâncias (derrota escandalosa do slb, em sua casa, na noite anterior), talvez um qualquer outro treinador não se incomodasse assim tanto com uma eventual igualdade, num campo historicamente complicado para as nossas cores. Sérgio Conceição, no entanto, tinha outros planos e, como na última quarta-feira para a Taça da Liga, virou tudo ao contrário com alterações vindas do banco.

E tudo tinha começado mal para o FCP. Um primeiro tempo completamente desinspirado da nossa parte. Quando Brahimi não está nos seus dias, a máquina emperra sempre. Aqui e ali, Corona lá continuou na sua actual onda de sentar primeiro os adversários e, depois, centrar com precisão. Contudo, a frequência com que o faz não se aproxima sequer do habitual caudal atacante do argelino e, por isso, o FCP não criou qualquer lance de perigo nos primeiros 45 minutos.

Foi assim recebido como uma dádiva dos céus o penalty assinalado por Xistra, já na segunda metade. Lance duvidoso, mesmo após inúmeras repetições. Mas Marega falhou. Ainda não parece que seja ele quem deva ser o habitual marcador. Há que treinar mais este tipo de lances. São já muitos os falhanços da marca dos 11 metros.
Após este lance, parecia mesmo que a maldição dos Barreiros estava de volta, até Otávio ter dado a melhor sequência a dois toques de calcanhar consecutivos (de Soares e Marega), num golo fabuloso para mais tarde recordar.
Três minutos depois, Óliver, de novo titular (e bem) no lugar de Herrera, rouba uma bola à defesa do Marítimo e segue completamente isolado para a baliza contrária. Como sabe que a finalização não é o seu ponto forte, olhou para todos os lados até encontrar um companheiro solto. Otávio e Marega completaram a obra.
O brasileiro ainda conseguiria fazer expulsar Danny e o FCP acabaria, assim, um jogo teoricamente difícil de uma forma inesperadamente tranquila.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Venham mais como este


Bom jogo este de ontem no Dragão. As duas equipas estiveram bem, na
globalidade, e a arbitragem também.
O Feirense a juntar-se a equipas como um Chaves, Rio Ave ou Tondela
que, hoje em dia, são um osso duro de roer sempre que jogam na nossa
casa. Os bons velhos tempos, de vitória garantida neste tipo de partidas, já
deixaram de existir.

O VAR foi novamente protagonista mas desta vez pelas melhores razões:
três decisões difíceis, três decisões acertadas.
Num primeiro olhar, o lance (magnífico) do primeiro golo parecia,
de facto, fora-de-jogo, contudo o pormenor do pé do último defensor
contrário foi muito bem observado pelo VAR. É milimétrico? É, sim
senhor, mas é exactamente para isso que serve o VAR. Para além
do mais, em caso de dúvida, favorece-se o ataque. Recomendação muitas
vezes esquecida.
É o nosso melhor golo da temporada, até ao momento. Muito trabalho de
laboratório por ali andou. Estão de parabéns os executantes e, claro,
Sérgio Conceição.

O “onze” inicial apresentou a surpresa de Herrera ter ficado de fora,
pela primeira vez desde há cerca de um ano.
Compreende-se. Apesar do bom golo em Moscovo, o mexicano não tem
justificado a titularidade. E Óliver voltou a estar bem. Porém, tal
como sucede com Otávio, o problema é sempre o mesmo: quantos jogos
aguentará a este nível? O historial de ambos, neste aspecto, não
autoriza que se deitem, para já, muitos foguetes.

E temos, ainda, três jogadores em grande forma: Casillas (três
boas defesas, todas elas naqueles tipos de lance que muitos golos
originaram num passado não muito longínquo), Militão (de regresso
ao que de muito bom nos tinha habituado, após algum engasganço contra
o Lokomotiv) e Brahimi que está bem fisicamente e, assim sendo, passa
pelos adversários ainda com mais facilidade do que antes.
Aproveitemos enquanto ele ainda cá está e deliciemo-nos a vê-lo controlar aquele
esférico como mais ninguém.

Por fim, os dois casos mais complexos da nossa equipa: Corona e
Marega, claro está.
O mexicano tem, ultimamente, estado nos golos e nas assistências.
Quando ele consegue chegar à linha, é do melhor que existe: senta o
adversário e cruza, normalmente, com qualidade. O único senão é a
(baixa) frequência com que o faz. Tem que ser mais interventivo.
Contudo, após uma época de 2017-18 em que ele esteve pouco menos do
que péssimo, não nos podemos queixar muito do seu rendimento na
actual.
E o homem do Mali? Pois bem, foi mais uma exibição à Marega: perdeu
quase todos os lances (mesmo aqueles corpo-a-corpo em que é
especialista) até surgir aquele momento-chave em que decidiu a partida
por completo. E quem, senão ele?
Alguém teria coragem de o tirar da equipa? Nunca. Para a coisa
funcionar em pleno, o FCP necessita de ter sempre Marega em campo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Luz - Portas abertas a um mau jogo

Não é que não seja normal o nosso maior adversário vencer-nos, na sua própria casa, de quando em vez. Afinal de contas, já íamos em quatro partidas consecutivas sem perder na Luz.
Aliás, parece que a tendência é fazermos bons resultados na casa do nosso maior rival quando a partida se disputa na segunda volta. Quando ela acontece na primeira, sentimos habitualmente mais dificuldades. Talvez se deva mesmo ao facto de não ser tão decisivo quando ainda há muito campeonato pela frente.

O que é anormal, é o facto de, num jogo globalmente aquém das expectativas, ao slb, uma vez mais, bastar-lhe uma meia-dúzia de minutos de boa qualidade para marcar imediatamente. Já no nosso caso, quando defrontamos o nosso maior rival no Dragão, jogar praticamente 90 minutos em grande nível só tem resultado em empates.

O clássico foi fraco e não teve mais de umas quatro ou cinco oportunidades para ambos os lados. Das três do slb, duas foram em fora-de-jogo não assinalados (sê-lo-iam pelo VAR, caso estas resultassem em golo?).
O FCP com Soares ainda com falta de ritmo e com Marega bem marcado, não conseguiu esticar o jogo como gosta. Otávio, por outro lado, esteve sempre mais interessado nas faltas do que a produzir jogo e com Danilo a léguas do que pode e sabe e Herrera a ser outra vez Herrera, sobrava apenas Brahimi. Pouco, portanto.

Mas vejamos também o lado positivo: Militão, apesar de (talvez) poder ter esticado mais a perna no único golo da partida, foi o nosso melhor jogador. E andavam uns quantos preocupados com a saída de Marcano (suplente da Roma)...
Não há comparação possível. Ficamos claramente a ganhar e, com esta nossa actual dupla de "centrais", mais a indiscutível categoria de Telles e ainda toda a experiencia de Maxi, tudo leva a crer que sofreremos poucos golos esta época, para a Liga Portuguesa.
E isso pode ser decisivo nas contas finais.
Temos, porém, que solucionar o problema da falta de golo da maioria dos jogadores do nosso plantel.
Não basta Marega, Brahimi e Soares, de quando em vez. Têm que aparecer outros e rapidamente.

sábado, 29 de setembro de 2018

Espectáculo há 125 anos em cena



Se o Tondela jogasse sempre assim, o seu lugar natural seria nos lugares que dão acesso à Liga Europa e não, como presentemente acontece, num banal meio da tabela classificativa.
Pelo segundo ano consecutivo, este adversário colocou-nos as maiores dificuldades possíveis e imaginárias. Se nos lembrarmos da sua vitória na Luz, em Maio passado, parece mesmo que Pepa nasceu para este tipo de jogos.

E depois, é claro, o nosso desperdício ajuda muito pouco ou nada.
Como é que Marega e Aboubakar falham lances de golo feito, como aqueles de ontem, ainda se está por entender.
O camaronês lesionou-se e, provavelmente, ficará fora dos próximos encontros. Todavia, na realidade, já há muito que justificava uma saída do "11" titular. Tirando aquele golo em Setúbal, praticamente mais nada fez nos últimos largos tempos. Raramente, sequer, ganhava um único lance de um-para-um, quanto mais o resto.
Valeu-nos ontem Soares, que era o tal que ia ficar "seguramente" fora dos nossos três primeiros encontros da Liga dos Campeões e que, por isso, não valia a pena inscrever.
Afinal, estaria apenas de fora num único. Erro de cálculo.
Venha, pois, a hora de André Pereira. Ele que entrou muito bem no jogo contra os sadinos. Procurou jogo e "furar" entre os defesas. Tudo aquilo que Aboubakar (já) não faz.

O Teatro Sá da Bandeira está velho e precisa de obras. A Gala dos Dragões de Ouro, no Coliseu, é só por convite. Por isso, caro Sérgio Conceição, a malta quer mesmo é ver grandes espectáculos no Estádio do Dragão.
Tem, aliás, sempre sido assim. E já lá vão 125 anos, Mister.

Muitos Parabéns, FC Porto.

sábado, 15 de setembro de 2018

Jogo sujo mas não só


Sim, existem um ou dois penalties a favor do FCP mas, muito possivelmente, também existem um ou dois que ficaram por marcar a favor do Chaves (agarrão de Herrera e possível braço de João Pedro).
Sim, existiram duas ou três lesões completamente inventadas pelo nosso adversário (ninguém toca no guarda-redes para este ficar ali estendido durante uns largos minutos) mas já se viram casos destes bem piores no Dragão...

Existe, isso sim e acima de tudo, algum exagero pois, no fundo, tratava-se apenas de um jogo para a Taça da Liga. Se Conceição reage assim numa competição sem peso, como reagirá naquelas outras realmente a doer?

E a verdade é que o FCP voltou a fazer uma primeira parte vergonhosa, em que praticamente não existiram oportunidades de golo.
E alguém consegue ainda encontrar uma única razão válida para Adrian Lopez continuar a ter oportunidades destas de 2 em 2 anos?
Sim, os nossos adversários usam frequentemente destes truques sujos que não os vemos fazer, de um modo tão "brilhante", numa Luz ou Alvalade, mas reparemos também, e ao invés, que em jogos contra equipas inferiores, um Braga, por exemplo, raramente falha nos dias de hoje.
Estamos a fazer algo de muito errado na forma sistemática como damos tantas abébias defensivas a este tipo de equipas menores. E já lá vão tantos golos sofridos e ainda não defrontamos as grandes equipas na presente época...

Convinha, também e já agora, que jogadores como Corona fizessem algo mais do que apenas uma única finta em todo aquele tempo em que estão em campo. E Otávio, se estava tão revoltado com o comportamento anti-desportivo do flavienses, deveria era caprichar no seu futebol, em termos de golos e assistências, em vez de levar cartões amarelos sem sentido.

domingo, 26 de agosto de 2018

Atitude, ou a falta dela


O essencial, antes do mais: poderíamos estar já com dois pontos de vantagem sobre slb e scp mas, pelo contrário, com a derrota de hoje, ficamos a um ponto de ambos.
E não há muito a apontar a este triunfo do Vitória, que alinhou com alguns ex-portistas. Para André André e Tozé (ambos a facturarem na partida), este 3-2 poderá até ter um certo sabor a "vingança".
Pena que o filho do grande António André não tenha mostrado nada próximo à sua exibição de hoje na maioria das vezes em que vestiu a nossa camisola…

E o FCP lá continua mal e não se recomenda.

Aboubakar e André Pereira, ambos à boca da baliza, falharam, cada um deles, um golo certo, pura e simplesmente porque foram muito mais lentos que o (mesmo) defensor vimaranense. 
Mais atitude e garra, exige-se.

Uma primeira parte muito próxima da apagada exibição no Jamor, apesar do enganador resultado ao intervalo, já adivinhava uma possível derrocada para o segundo tempo. Sérgio Conceição e Felipe assim o reconheceram no final do jogo. O caudal ofensivo é insuficiente e na componente defensiva estamos muito leves e permissivos.
As substituições (se bem que duas delas forçadas) não funcionaram. Óliver, mais uma vez, volta a não acrescentar qualquer valor. Pelo contrário, a equipa piora sempre que o espanhol entra em campo.
O nosso treinador também reconheceu que esperava muito mais daqueles que vieram do banco. Corona pouco ou nada tinha feito antes de se lesionar.
Para rever o caso particular de Marega. Voltará a ser o que era, após o seu afastamento forçado?

Ah, sim: o nosso segundo golo é fora-de-jogo, sem a mínima dúvida. O VAR estava em "black-out", tal e qual como aconteceu no Aves X slb da época passada. Só falha em jogos dos "três grandes"?
O penalty de Sérgio Oliveira, aceita-se. Mas ficou também claro que Fábio Veríssimo tentaria compensar o golo em fora-de-jogo à primeira (meia) oportunidade.
O FCP, de tão desabituado que está a ser beneficiado pelo factor-arbitragem, fez ele mesmo justiça por mão próprias, com um hara-kiri que não se via desde 1972. Foi nesse ano a última vez que, para o campeonato, perdemos uma partida após nos apanharmos com uma vantagem de dois golos. E também não éramos derrotados em casa contra o Vitória desde 1996.

Tempo para reflexão haverá de sobra: segue-se, em breve, uma estúpida longa paragem na Liga para irmos todos brincar às Selecções. Com todos estes actuais jogadores e mais um ou outro eventual reforço? Fica a grande dúvida...

domingo, 19 de agosto de 2018

Como ele hesitou...


Curioso seria perceber se Carlos Xistra marcaria aquele penalty caso não tivesse apitado aquele outro a favor do Belenenses. Trata-se, contudo, de uma pergunta retórica. Todos os portistas saberão a resposta...

E lá foi ele ver o monitor, ao minuto 92. Viu uma, duas, três, quatro, dez, quinze vezes e, muito a custo, lá apitou para a marca dos 11 metros.
Alex Telles - quem mais, para um momento como aquele? - com toda a sua categoria e sangue frio, recolocou justiça no marcador.

E tudo parecia fácil quando, poucos segundos na segunda parte, Otavio fez o 2-0, num lance em que, com um misto de inteligência e rapidez, aproveitou da melhor maneira um arriscado atraso do um jogador contrário.
Na altura, dois golos de vantagem pareciam almofada mais que suficiente para conquistar a segunda vitória em outras tantas partidas, mesmo após um primeiro tempo sem grande brilhantismo da nossa parte, onde apenas duas acções dos nossos mais jovens jogadores em campo, causaram mossa na defensiva lisboeta: um bom cabeceamento de André Pereira com a bola a embater na trave e outro, ainda melhor, de Diogo Leite, a facturar após canto de...nem é preciso dizer quem.

Só que, em Portugal, existe sempre o factor-A. O factor-arbitragem.
Do nada, apareceu um penalty a favor dos de Belém (ou melhor, dos do Jamor). Parece que por "posição natural dos braços", os árbitros entendem "braços junto ao tronco". Só mesmo de quem nunca jogou futebol. Ou melhor, só de quem, no fundo, não gosta assim tanto de futebol e não o entende.
A nossa equipa tremeu, claro. O que já não estava fácil, pior ficou e não mais passaríamos do nosso meio-campo (sim, a relva prendia e estava muito calor, mas não só...).
Ninguém ficou, pois, muito surpreendido quando surgiu aquele 2-2, que parecia final para as nossas aspirações.

Só que, ironia do destino, o que o "dream-team" Xistra/Capela não contaria era com aquele penalty nos descontos e, por uma vez, não dava mesmo para não marcar. Não o fazer, após aquele outro oferecido ao Belenenses, até no país dos "padres", toupeiras e "vouchers" seria por demais.