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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poucas mexidas, num modelo ganhador


Em equipa que ganha, não se mexe, diz o chavão popular. Porém, no FC Porto, apesar do registo imaculado da primeira metade da temporada com Villas-Boas ao leme, não está descartada a hipótese de se proceder a ajustes pontuais num plantel que, por hora, tem dado garantias ao nosso técnico.

Historicamente, o mês de Janeiro no Dragão costuma ser tranquilo, mas a SAD tem utilizado sempre esta janela de transferências para reforçar o plantel em posições mais carenciadas, ou para “agarrar” atletas que, de uma maneira ou de outra, se destacaram em outras equipas da nossa Liga. Cissokho, Andrés Madrid ou Rúben Micael, são alguns exemplos de operações cirúrgicas que Administração fez avançar nos períodos homólogos de anos anteriores.


Presentemente o plantel azul e branco vive uma situação de aparente equilíbrio, pelo garante de bons resultados desportivos, mesmo com o técnico a impor uma alargada rotatividade do mesmo. Menos espaço, apenas, para os mais jovens da cantera, Castro e Ukra, em que o equacionado empréstimo acabará por ser a solução mais óbvia e… fácil. Digo fácil, porque, independentemente do treinador A, B ou C, os jogadores menos onerosos financeiramente para o Clube, são quase sempre os primeiros a ser preteridos em detrimento de “apostas” do catálogo empresarial sempre tão rico em promessas de além-mar.

James Rodriguez vive uma situação ligeiramente diferente. Apesar do pouco espaço, constata-se que o “miúdo” não tem pés de tijolo, e é perceptível que a equipa técnica quer o ter por perto nesta decisiva fase de maturação enquanto jogador. Já o outro Rodriguez, o Cristian, parece ter, definitivamente, as portas de saída escancaradas. Nem é muito difícil perceber o alívio que a SAD sentirá no dia em que alguma alma caridosa cubra o investimento realizado no Cebolita, e a alivie do encargo mensal que ele comporta.


Não é crível que haja avanços concretos para contratação de jogadores nesta fase. As movimentações trazidas à estampa pela comunicação social por estes dias parecem mais relacionar-se com jogadas de antecipação do que virá em pleno Verão. Há pequenas lacunas que nunca foram devidamente salvaguardadas, como as alternativas a Fernando ou Álvaro Pereira, mas soluções milagrosas não se vislumbram e a margem de manobra pelo limite de inscrições Uefeira é muito curta. Muito provavelmente, o reforço do plantel de Villas-Boas ficar-se-á pela integração do mal fadado Mariano.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Estrelas apenas nos salários


«Rodríguez não é um dos jogadores portistas com rendimento mais destacado na era Villas-Boas, mas notícias vindas de Espanha através da “Marca” dão-lhe créditos no mercado e referem que Quique Flores pensa no uruguaio para o reforço do At. Madrid na próxima temporada.
O Cebola tem saída e o FC Porto não coloca grandes entraves a possíveis negociações do extremo contratado há dois anos. É que Rodríguez foi um investimento avultado (7 milhões de euros por 70 por cento do passe) e é também um dos atletas mais bem pagos do plantel.
Aos 25 anos, e sem conseguir superiorizar-se à forte concorrência de Hulk e Varela, não tem o rótulo de inegociável e pode ver o ciclo na Invicta chegar ao fim em junho. É que o esquerdino tem contrato até 2012 e não há notícias de negociações com vista à revisão do vínculo, o que pode resultar numa abertura ainda maior da SAD a eventuais propostas.»
Jornal Record, 20/11/2010

«A abertura da SAD para a cedência de James, conforme revelou o seu empresário, é mais um indício do regresso de Mariano González, que já está recuperado da lesão sofrida em março, mas que não compete por não ter sido inscrito na Liga, nem na UEFA.
Villas-Boas reservou para janeiro a reintegração competitiva do extremo, que será reforço para o que resta da temporada, mas que encerrará em junho o seu compromisso com os dragões. O internacional argentino é opção para a fase das decisões, mas não está no esboço do futuro.»
Jornal Record, 20/11/2010

Ainda que publicadas num popular pasquim da Capital, não significa que ambas as notícias aqui transcritas não tenham um fundo de verdade. Basta recordar que nas páginas de O Jogo, no último defeso, Cristian Rodriguez constava no lote dos atletas transferíveis.

Na verdade, o Uruguaio mesmo tendo sido das “bicadas” mais estrondosas ao clube do capoeiro nos últimos tempos, tem-se revelado muito aquém das expectativas que se criaram em seu redor. Desde a sua chegada, o Cebola tem baixado o seu nível exibicional – que só foi de excelência no primeiro terço da 1ª época de azul e branco – perturbado, também, pelas constantes lesões musculares.

O montante investido na sua aquisição e o alto valor salarial, que já foi matéria de conflitos internos (vide caso Lisandro), não correspondem ao seu rendimento desportivo, que de titular indiscutível, não passa actualmente de um elemento de 2ª linha.


Mariano limita-se seguir a mesma linha de avaliação de Rodriguez; Jogador que gerou esperanças, mas que tem ficado muito longe da performance expectável. As semelhanças no percurso dos 2 atletas no FC Porto coincide quer ao nível dos problemas físicos e lesões, quer na vertente financeira.

Um fardo demasiado pesado para uma SAD deficitária e com necessidades prementes de estabelecer prioridades bem definidas nos seus investimentos. E, na conjuntura actual, todo o dinheiro dispendido com Rodriguez e Mariano é “chorado”, bem “choradinho”, isto quando continuamos a aguardar impacientemente por uma renovação de contrato com Falcao, só para citar um exemplo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma boa dor de cabeça

Na época passada o meu extremo preferido era Varela, e o que vi (todos vimos...) neste último sábado só veio reforçar essa opinião.

Isto porque Varela me parece ser um jogador bastante completo: é bastante maduro (tendo uma noção muito boa de quando deve tentar a iniciativa individual, quando deve passar a bola, e quando deve fazer um compasso de espera), tem bastante técnica, sabe rematar bem e tacticamente é muito competente (colaborando nas manobras defensivas com inteligência). Finalmente, é também um jogador veloz e joga muito bem com os dois pés (melhor do que os restantes extremos).


Olhando para as opções à disposição do treinador para as alas ofensivas jogando em 4-3-3, verifico que será aqui que o treinador terá mais dores de cabeça em escolher pelas boas razões (i.e. a qualidade e quantidade ao seu dispor). Para além de Varela tem ainda muita qualidade em C. Rodriguez e Hulk, mais um jogador que promete (Ukra) e outro que, a julgar pelos muitos milhões que custou, deve ser mesmo bom jogador (pessoalmente desconhecia-o até há 1 mês) - James.


Excluindo James destas contas (para já tenho muitos poucos dados), a minha preferência para acompanhar Falcão lá na frente (estando todos os jogadores em boa forma física) vai para Cristian Rodriguez do lado esquerdo e Varela do lado direito.


Penso que Hulk é um bom jogador; mas - acima de tudo - é muito menos maduro do que qualquer um destes dois, apesar de ter a mesma idade ou quase (24 anos, tantos como "Cebola" e contra 25 de Varela). Além disso não demonstra tanta competência táctica, e para acabar acho que tem também menos técnica do que eles.


Tem no entanto as vantagens do pontapé-canhão e da maior explosividade física (principalmente quando tem espaço e está em boa forma), mas no cômputo geral penso que as vantagens são menos importantes do que as desvantagens, até porque a maioria dos nossos adversários joga muito "fechada". É um bom jogador para eventualmente saltar do banco ou para substituir um dos outros dois caso não estejam disponíveis ou em forma - ou até mesmo eventualmente para jogar em 4-4-2 ao lado de Falcão - mas ou dá um "salto" qualitativo (e aos 24 anos e após 2 épocas a jogar num FCP já era altura...) ou então corre um um sério risco de ser relevado para 2o plano neste FCP.


Quanto a C. Rodriguez, tem para além da maturidade (há quem diga "inteligência"), técnica e competência táctica, um bom jogo de cabeça - tudo vantagens sobre Hulk (e a última também sobre Varela). Fica apenas a perder, perante tanto Varela como Hulk, na velocidade (dava jeito que perdesse alguns quilitos...) e em alguma maior acutilância no 1 para 1.



Ukra parece-me uma boa opção para o banco e gostava de ver-lhe serem dadas oportunidades para continuar a evoluir, mas para já parece-me inferior a estes 3 jogadores até prova em contrário. O problema principal dele é que a concorrência é de peso, muito mais do que defeitos pessoais.


Falta apenas falar de James. Como disse, para já conheço-o muitíssimo mal (embora o que tenha visto não tenha dado a impressão de estar na presença de um predestinado ou um génio: o que significa apenas que para já não vejo razões óbvias para que considere que merece tirar a titularidade a um dos outros jogadores de que falei. Para já...). Mas por alguma razão terá custado mais de 5 milhões por 75% do passe (o que chega para entrar no top10 das contratações mais caras de sempre), logo terá certamente alguma qualidade; se suficiente para jogar regularmente, é o que falta ver porque a concorrência é muito forte.


Pessoalmente é a contratação que à partida menos compreendo (bem, para além de Pawel. e eventualmente de Moutinho se Meireles não for vendido) devido à qualidade e quantidade de que já dispunhamos para a posição. Não fariam os muitos milhões mais falta em outras posições que estão menos bem servidas e/ou em ajudar a segurar alguns titulares mais tempo no FCP (alô Fucile?), tendo em conta que temos uma situação financeira bastante apertada?


Aliás, até mesmo financeiramente não me esqueço de que Hulk e Cebola também custaram bastantes milhões e deviam ser para valorizar ou ao menos retirar forte rendimento em campo (para além de estarmos a cortar drasticamente as oportunidades de Ukra poder evoluir e afirmar-se, ele que já hoje é um jogador com qualidade q.b. para estar no FCP, o que não é para todos).


Dizia eu que faltava falar apenas de James? Não, falta também falar de Mariano, que em princípio estará disponível para a 2a metade da época. Bem... quer-me parecer que com as opções de que hoje dispomos (e do treinador que temos), dificilmente algum dia ele voltará a jogar outra vez pelo FCP (pelo menos de forma minimamente regular).

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nova época, erros antigos?


Desportivamente falando, as saídas de B.Alves e Fucile eram o pior que, neste momento, poderia acontecer ao desejado novo Porto de Villas-Boas.

O nosso jovem técnico, que todos desejamos não seja apenas o mero "informático" dos adjuntos de Mourinho (ele próprio jocosamente tratado por "tradutor" durante demasiado tempo), terá uma missão ainda mais difícil caso saiam os dois elementos mais carismáticos do quarteto defensivo da época anterior.

Como defende Sousa Tavares, o defeso é sempre o período de "todos os medos" para o adepto portista. É por esta altura que muita gente consegue jurar que, já no imediato, Sereno, Maicon ou Miguel Lopes são alternativas válidas para o que quer que seja. Não nos enganemos: Alves e Fucile não têm, nem por sombras, substitutos à altura no imediato. Se, com eles, sofremos a bom sofrer, defensivamente falando, na temporada transacta, imaginem agora se só contarmos com "promessas" para estes dois lugares-chave.

Por falar em promessas, temo que tenhamos caído, mais uma vez, no nosso erro habitual: a compra de muitos "jovens com grande potencial de crescimento".
Jogadores já com créditos firmados continuam, por norma, a não ser opção. Parece que continuamos sem aprender que Saviolas-dados-como-acabados, podem ainda brilhar numa Liga como a nossa. Moutinho será a excepção a esta política. Ainda assim, e apesar de ficarmos a ganhar com a troca deste por Meireles (será que este tem mesmo mercado?), poderá ter sido uma contratação demasiada cara. É tal e qual o caso de Cristian Rodriguez: são jogadores válidos e capazes mas não valem tanto quanto o preço que por eles pagámos e continuaremos a pagar.

Falando agora de dispensas, a pergunta será: quanto mais tempo continuaremos a perder com jogadores que já provaram, mil e uma vezes, que não têm argumentos para um clube tão grande quanto o nosso?

Já chega de oportunidades para Tomás Costa, Sapunaru e mesmo Mariano. Ou será que este último está a salvo, apenas e só, devido à lesão que contraiu? Seria uma ironia sem a menor graça...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um Dragão de peito cheio


E antes de tudo, o momento Kodak: O ala esquerdo avança, flecte ligeiramente para o espaço interior, acaricia suavemente a bola com o peito do pé, olha a baliza que está posicionada na sua diagonal, inspira-se de confiança, e sai bomba monumental. Não é Zidane. Não é Messi. É Mariano Gonzalez!

Noite a roçar a perfeição por parte do FC Porto. Que domínio, que autoridade, que classe. Um sem numero de soluções que o Dragão explanou no relvado, diante do seu publico, vulgarizando por completo os Calimeros que, perante o vendaval que lhes foi soprado diante dos seus olhos, nem sequer lhes sobra qualquer margem para choramingar sobre factores terceiros.

Os primeiros 45 minutos foram futebol de compêndio. Uma entrada avassaladora da equipa azul e branca, que dominava todos os momentos do jogo. O golo foi inevitável. Apenas um golpe fortuito dos verdinhos, do meio da rua, fez cócegas. Mas estava escrito que o que fora exibido anteriormente, não era obra do acaso. A pressão continuou a ser incessante. A superioridade inquestionável. Falcão, com dois golos de enorme classe, deu expressão a um domínio total.


Na reentrada para o 2º tempo a duvida que se levantava era se este Porto seria capaz de prolongar o “show” da etapa inicial. A resposta saiu quase no imediato, pelos pés de Silvestre Varela. Aos 47 minutos, o Drogba da Caparica subjugou Grimi aos infernos, e fez sorrir de novo estádio do Dragão. Os homens de Jesualdo mantinham a demarcação de território que evidenciaram na 1ª parte. Sob a batuta de uma dupla – Belluschi e Rúben Micael - que até parece jogar há já muito tempo em conjunto, o FC Porto pautou o jogo a seu bel-prazer. Sobrou, ainda assim, espaço para o momento sublime de Mariano.

Pena é que aquilo que vimos Mariano fazer esta noite, se tratar de uma excepção à regra. Exibições destas do avançado argentino são tão raras como um eclipse solar. Por outro lado, a parelha que Rúben Micael e Belluschi parecem estar a conseguir formar, começa a revelar-se muito interessante. A qualidade do madeirense era já reconhecida, mas está integrar-se de forma muito rápida. O médio argentino parece estar a crescer e a ganhar mais confiança ao lado do seu novo companheiro do meio campo. Uma coisa é certa, a dinâmica deste sector está melhor, muito melhor.



Uma vitória saborosa, numa semana difícil. Depois da angústia vieram os “óles”. Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra. Os nossos problemas e defeitos continuam lá. Esta noite apenas os soubemos disfarçar melhor. Oeiras está à vista. Não desperdicem a oportunidade de, mais uma vez, podermos pintar de azul aquela região que nos destila ódio.


Fotos: JN, Lusa, Fernando Veludo/nFactos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mariano de fora


Mariano Gonzalez é um dos jogadores menos apreciado, para não dizer mal amado, por grande parte dos adeptos portistas. Há mesmo quem critique fortemente Jesualdo Ferreira sempre que o coloca em campo, chegando a dizer que o treinador do FC Porto tem um qualquer fetiche em relação a este jogador. Terá?
As últimas semanas contrariam esta ideia. Desde o dia 8 de Novembro, data do jogo com o Marítimo, que Mariano não é opção para Jesualdo.
Com o apuramento para os oitavos-de-final da LC garantido, e depois de Mariano ter cumprido os dois jogos de castigo devidos à expulsão contra o APOEL, cheguei a admitir que iria jogar uns minutos em Madrid, mas a realidade é que Mariano continua a ver os jogos do lado de fora das quatro linhas. Até quando?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Noite de Anti-Heróis


O futebol tem destas coisas. Os mal-amados tornam-se heróis de ocasião, e resolvem verdadeiros bicos-de-obra para os quais já parecia não haver remédio. Ao minuto 58 Jesualdo deixa o Dragão perplexo e à beira de um ataque de nervos. Retira Rodriguez de cena, permanecendo em acção Mariano. Resultado, um golo e uma assistência para o médio Argentino, marcando de forma indelével o desfecho do encontro. A outra figura de ocasião foi Farias, ao bisar na baliza de Nereu.


O volumoso e expressivo resultado final (3-2), faz supor que se esteve perante um jogo atractivo e vivo. Puro engano. Com excepção dos 25 minutos finais, a primeira hora de jogo foi de uma apatia atroz. Tão mau que, para se ter noção da mediocridade, o 1º remate da partida surgiu apenas ao 41º minuto do encontro, pelo pé de Rodriguez. Foi uma agonia ver o FC Porto quase rastejar na 1ª parte. Sem velocidade, sem ritmo, sem dinâmica, a Académica não se sentiu minimamente beliscada.

Os homens de Jesualdo regressaram dos balneários para o 2º tempo um bocadinho mais libertos de movimentos. Ainda assim muito previsíveis. Hulk – que foi um trapalhão quase o jogo todo – fez um 1º aviso de que algo poderia mudar, com um remate ao poste. A confirmação vinha logo aí, com o abrir do marcador por parte do “patinho feio” do Dragão. O mais difícil estava feito. E tudo parecia mais leve quando Farias deu maior expressão ao resultado, pouco depois.


Miguel Pedro e Sougou fizeram questão de dizer que o jogo ainda poderia ter alguns cartuchos para queimar, aproveitando a passividade patenteada pelo meio campo e sector defensivo portista na parte final do encontro. Pelo meio Farias voltou a facturar. Na verdade, não foi a reacção da Briosa do último quarto de hora, expressa em golos, que pôs em causa a vitória azul e branca. A dúvida da conquista dos 3 pontos foi alimentada pelos comandados de Jesualdo, naquela horripilante 1ª parte.

Fotos: A Bola

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Nuvens carregadas


Muito raramente uma vitória teve um sabor tão estranho como esta última do passado Sábado. Isto devido a uma exibição tão pobre, durante 75 minutos, que não pode augurar nada de bom.

Fez lembrar - e de que maneira - aquela outra, no primeiro jogo oficial de Fernandez como nosso técnico, em que também vencemos por 1-0, contra o slb na final da Supertaça. Também na altura, tivemos direito a um grande golo (Quaresma) mas tudo o resto foi confrangedor.
Seria, aliás, a perfeita antevisão do desastre que aconteceu em toda essa época de 2004/05.


Contra o scp, coube a Falcao marcar o golaço. Em tudo o mais, o colombiano esteve pouco menos do que desastrado. Só oportunidades flagrantes de golo teve 3, em todas elas ficou aquém do esperado. Pode ter sido apenas um dia mau (sim, apesar do golo), mas fica a nítida sensação de que se trata de uma avançado muito melhor com a cabeça do que com os pés.
Estaremos na presença de um novo Mike Walsh?

Mas o que verdadeiramente assustou foi a nossa total incapacidade para trocarmos 4 ou 5 bolas que fossem, consecutivamente, entre os nossos jogadores. Uma posse de bola aterradora, de tão baixa. E nós que até já estamos habituados a pouco neste campo...
E como jogamos, muito tempo, contra 10 homens apenas, então só pode ser mesmo incompetência de base.
Mesmo naqueles escassos instantes em que chegaram a ser 10 contra 9, onde ainda seria - teoricamente - mais evidente a nossa superioridade numérica (com "hectares" de relva livres para se jogar), ainda assim eram sempre os de verde que tinham a bola.
Bem, também não deixa de ser verdade que, para muita gente, ter Mariano e este Meireles, em simultâneo em campo, equivale a jogar com menos 2...

Como foi possível chegar a um ponto destes, pergunta-se?


E tudo tinha começado tão bem. Foram 15 minutos de luxo, cortesia única e exclusiva de Hulk, o tal que muita boa gente (e O JOGO...) queria ver, de castigo, no banco de suplentes.
A partir daí, foram uns longos 75 minutos de súplica para que aquilo acabasse o mais rapidamente possível, dada a pobreza reinante.
Impossível usufruir de qualquer prazer intelectual, perante um futebol de submissão daqueles.

O resto - as duas expulsões e quejandos - são o folclore habitual e não nos dizem minimamente respeito. Que ninguém perca um segundo que seja a debate-los. Isso são problemas "deles" e só deles.

Nós, por cá, já os temos que chegue.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O regresso ao activo de um plantel em "obras"


Reabriu a oficina do Olival, com esperanças e objectivos renovados, os jogadores vão regressando ao trabalho a conta gotas, consoante os periodos de férias previamente estipulados, ou conforme a situação de cada atleta é definida, seja no sentido sua da permanência ou da sua exclusão. E é precisamente na definição do futuro de muitos dos jogadores riscados da lista de Jesualdo Ferreira que pairam as maiores dúvidas, onde se encaixam neste lote algumas surpresas, com Pitbull à cabeça. A grande temporada realizada pelo avançado brasileiro que esteve ao serviço do V. Setúbal, pelos vistos não foi suficiente para convencer os responsaveis azuis e brancos a leva-lo para estágio e mostrar todo o seu potencial.

Adriano e Marek Cech, que contavam já com algum capital de confiança dentro da equipa, estão igualmente fora dos planos do treinador. Se a situação do ponta de lança não surpreende, pela nítida perda de espaço verificada no ano transacto, o mesmo não se pode dizer sobre o eslovaco, que era peça regularmente utilizada, seja na defesa ou no meio campo. Ibson, Bruno Moraes e Kaz confirmam-se como elementos que não merecem a confiança de Jesualdo, enquanto Paulo Machado, Barbosa, Castro, Rui Pedro ou Vieirinha, tardam a encontrar um espaço no grupo de trabalho Portista. Leandro Lima, mercê dos problemas que o acercaram e por demais conhecidos, viu naturalmente a sua margem de manobra reduzida, sendo o empréstimo a opção mais provável.

foto: Record

Se a colocação dos excedentários é uma questão longe de estar resolvida, a constituição do plantel para atacar o “Tetra” é outro assunto que de igual modo ainda dá algumas dores de cabeça à estrutura Portista, a começar pela defesa, onde nas laterais existe um defice de qualidade, agora agravado com a perda de Bosingwa (para o qual ainda não foi encontrada uma alternativa). As opções do lado esquerdo suscitam duvidas, pois Lino foi quase sempre 3ª opção na época passada e Benitez é um ilustre desconhecido que no seu clube de origem nem sempre era titular.

No meio campo foi desfeito o trio que tão bem conta de si deu. A rescisão de Assunção criou um vazio dificil de colmatar, onde só a possivel vinda de Pelé envolvido no negocio de Quaresma poderá atenuar estragos. Tomás Costa e possivelmente Guarín são sobretudo médios de transição, que se perfilam como alternativas a Lucho e Meireles. No ataque, a mais que provável perda de Quaresma é nota que vem dominando as conversas do defeso, que apesar de não ser um elemento consensual entre a massa adepta, teve um resgisto nos dados estatisticos notável, que só a troca por vários milhões de euros e o ingresso de Rodriguez poderá minimizar a perda.

A frente de ataque continuará entregue a Lisandro e Farias, com Renteria à espreita de uma vaga no estágio. Mariano, que saiu caro aos cofres da SAD, é uma clara aposta pessoal do treinador, que terá a companhia de Tarik nas laterais.

foto: Record

Faltando ainda cerca de mês e meio até ao primeiro jogo oficial, e com o mercado de transferências ainda em grande agitação, há margem suficiente para colmatar posições desguarnecidas do plantel, resultante das saídas até ao momento confirmadas ou em vias de confirmação. Porem não é de excluír a perda de mais um ou outro elemento fundamental da equipa (Lucho/Bruno Alves). Os cheques gordos podem falar mais alto, mas os danos desportivos poderão ser irreparáveis. Com a transferência de Bosingwa e a quase certa saida do Cigano, as necessidades financeiras ficam salvaguardadas (apesar da perda de Assunção a custo zero), é expectável que partir daqui a SAD saiba de igual modo acautelar os interesses dos adeptos do FC Porto, que anseiam ter uma equipa capaz de atacar o título.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Por 3,2 M€, o Mariano é...


Os leitores do Reflexão Portista acharam que Mariano Gonzalez foi "contratado ao justo valor".

A opção "subavaliado, por isso barato" foi a menos votada com apenas um voto (1 (1%) em 93). Vinte (ou 21% dos) participantes acharam que a SAD fez "um péssimo negócio". Mais equilibrados foram as opções que consideram que Mariano foi "sobreavaliado e por isso caro" e "contratado ao justo valor" com os respectivos 31 (33%) e 41 (44%) votos.

sábado, 14 de junho de 2008

Análise do plantel 2007/2008: Médios Alas

O FC Porto contou com Ricardo Quaresma, Tarik Sektioui e Mariano Gonzalez para ocuparem a posição de médio ala no seu plantel de 2007/8. Durante a temporada estes três jogadores tinham participado no seguinte número de jogos:


CP

LC

TP

TL

ST

LI

Quaresma

27

08

03

00

01

00

Tarik Sektioui

23

07

04

00

00

01

Mariano

21

06

03

01

01

03


Os jogadores que ocupam a posição de ala têm sido alvo de uma relação amor/ódio com os adeptos. Tanto ouvem ovações de pé, como têm sido alvo dos mais variados impropérios. Todos os jogadores que ocuparam esta posição durante esta época já foram alvo dos desabafos dos adeptos num momento ou noutro. Ricardo Quaresma é o titular incontestável, fazendo parte da equipa mesmo quando o modelo de jogo é alterado. Tarik Sektioui foi o principal escolhido para fazer a ala contrária, interrompendo apenas as suas presenças na equipa quando foi chamado pela sua selecção para disputar a CAN. Apesar de ter desempenhado poucas vezes essa posição, Mariano é um ala de raiz (apesar de ter sido claramente a 3ª opção), sendo notório que é junto à linha que se sente mais à vontade.


Ricardo Quaresma é a estrela da companhia. Amado por uns e odiado por outros, não é um jogador para deixar alguém indiferente. Extremamente dotado tecnicamente, com facilidade de remate e boa qualidade no passe, é um ala que gosta de fazer a linha ou descair para o centro para rematar. De temperamento difícil, é um jogador demasiado individualista que teria muito a ganhar se conseguisse jogar mais para a equipa. Apesar de tudo realizou a sua melhor temporada a nível estatístico, pecando pela irregularidade das suas exibições. Poderia tornar-se num jogador mais interventivo se soubesse procurar o interior da área quando a bola não está no seu raio de acção.

Retornando à equipa para fazer a pré-época, Tarik Sektioui cedo se impôs na equipa. Mostrou ser um jogador interessante, capaz de ser titular desta equipa. Bons pés, bom jogo de cabeça, qualidade de passe e capacidade de aparecer bem na área a finalizar, são características que Tarik usa bem. Sou um fã de Tarik (como se pode ver neste artigo). Creio que no futuro próximo, pode ser um jogador importante pela sua experiência e qualidade.

Mariano Gonzalez é um jogador em recuperação depois de uma época falhada no Inter de Milão. É um jogador esforçado e com boas capacidades físicas e técnicas, apesar de não conseguir colocar essas capacidades em campo. Sempre que foi chamado mostrou-se trapalhão e inconsequente, provavelmente devido à ansiedade causada pela necessidade de "mostrar trabalho". Parecendo certa a sua continuidade, esperemos que se encontre a serenidade necessário para maximizar o rendimento.

Ricardo Quaresma tem sido noticiado como provável reforço do Inter de José Mourinho. A sua saída pode originar a contratação de mais um ala, a afirmação de Mariano, ou a aposta em Hélder Barbosa ou Vieirinha. A confirmar mais tarde...

Nota: Hélder Barbosa não foi aqui referido, apesar de ser um ala que faz parte do plantel. O Hélder Barbosa participou em poucos minutos de jogo, invalidando qualquer análise.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Um tango à moda do Porto

Partiu ontem do Estádio do Dragão a expedição "Dragões em África", que vai ligar Luanda a Maputo numa viagem solitária de mota. Coincidentemente, também no relvado do Dragão se viu mais um episódio de uma caminhada solitária: mais concretamente, a caminhada do FCP para o título.

Da mesma forma que Mark Twain afirmou "As notícias da minha morte são francamente exageradas", o relançamento da corrida pelo título tão estridentemente apregoado na última semana em função da estocada que o FCP levou em Alvalade teve um não-sei-quê de ficção científica.

Se é verdade que o Leiria é uma equipa muito acessível, também é verdade que vinha da sua primeira vitória no campeonato e que é em campo que se demonstra que a lógica não é uma batata: ora o FCP demonstrou-o de forma convincente, ao contrário de outros que 300km mais a sul se viram incapazes para o fazer. Quase que dá vontade de dizer que enquanto uns competem na maratona do campeonato num bólide de Fórmula 1, outros fazem-no de bicicleta...

Ontem viu-se um FCP sério, determinado e competente e em crescimento de produção ofensiva - pela 2a vez consecutiva marcou 4 golos em casa (e se não os marcou em Alvalade não foi por falta de oportunidades). Nota-se que tem havido um aumento progressivo de maturidade, tanto individual como colectiva: Lisandro está como o aço; Meireles, Lucho e Bosingwa integram-se cada vez melhor nas manobras ofensivas; "last but not least", Farías começa a confirmar em pleno os galões de "matador" com que chegou há 6 meses - aliás, se há alguém que pode rever-se em pleno nas palavras acima citadas de Mark Twain, esse alguém é certamente Ernesto Farías.

Neste jogo, saliente-se também a forma como Quaresma arrumou (positivamente) com as dúvidas sobre como seria o reencontro com o público do Dragão; e a estreia auspiciosa de Castro no campeonato.

Concluindo: não há razões para entrar em euforias desmesuradas, até mesmo porque algumas dúvidas permanecem no ar (alternativas no meio-campo a Lucho e Meireles, ainda mais com o "desaparecimento" de Leandro Lima e o ocaso de Kaz; confirmação - ou não - de Mariano como uma alternativa credível). Mas como Jesualdo Ferreira diz, há que "encarar o futuro jogo-a-jogo" - e com toda a confiança, apetece-me acrescentar.

PS - Apenas 32mil espectadores num fim de tarde de sábado, quando o FCP tem 1 milhão de adeptos a menos de 30 minutos do Dragão e quando a equipa liderava o campeonato com 8 pontos de avanço: penso que são números que merecem uma forte reflexão da parte da SAD.