Toda a gente sabe qual foi o onze base do FC Porto na época 2012/2013:
Helton (2684 minutos)
Danilo (2469), Otamendi (2610), Mangala (2016), Alex Sandro (2137)
Fernando (1926), Moutinho (2384), Lucho (2306)
James (1740), Jackson (2684), Varela (1623)
Destes onze jogadores, apenas três têm menos de 2000 minutos de utilização no campeonato e, no caso do Fernando e do James, não é especulação dizer que os minutos a menos se devem, essencialmente, às lesões que tiveram.
De notar que, para além do onze titular, há apenas mais dois jogadores com uma utilização significativa, na casa dos 1000 minutos: Defour, o 12º jogador, com 1308 minutos distribuídos por 25 jogos; Maicon, com 986 minutos em 15 jogos.
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| (Utilização no campeonato, jornal O JOGO) |
Evidentemente, houve outros jogadores que deram o seu contributo em diversos jogos (por exemplo, Atsu e Castro participaram em 17 jogos) e alguns foram mesmo “heróis” (Kelvin marcou 3 golos decisivos em apenas 162 minutos de utilização), mas penso que não será um grande exagero dizer que o FC Porto foi campeão com um “plantel de 13 dragões”.
Veja-se o que aconteceu esta época. Se é verdade que para o meio-campo havia várias soluções de qualidade - Fernando, Moutinho, Lucho, Defour, Izmaylov (a partir de Janeiro) -, na defesa não havia alternativas directas para os dois laterais titulares (Danilo e Alex Sandro) e, pior ainda, o plantel tinha apenas três soluções óbvias para constituir o trio de ataque.
De facto, Atsu, entre lesões e um mês e meio na CAN, destacou-se mais pelas muitas noticias de que irá sair para Inglaterra e por não ter aceite a proposta de renovação que a SAD lhe fez, do que pelas exibições dentro do campo.
Kelvin e Sebá são extremos que poderão ter futuro no futebol de alta competição mas, obviamente, ainda não reúnem o binómio qualidade + maturidade suficiente para serem titulares num clube com as exigências do FC Porto.
E dos pontas-de-lança alternativos a Jackson (Kléber e Liedson) é melhor nem falar.
Mas isto não é uma equação fácil. De um lado iremos ter as restrições financeiras da SAD e do outro a vontade de dirigentes e adeptos em manter uma equipa competitiva, a nível nacional e europeu (há adeptos portistas que já não se contentam em ser campeões nacionais sem derrotas e chegar aos oitavos final da Liga dos Campeões!), o que exige um plantel de qualidade e sem as lacunas óbvias que tinha o desta época.
Tenho poucas dúvidas que, na melhor das hipóteses, o orçamento das próximas épocas irá manter-se no valor actual (penso que a tendência será diminuir) mas, para elevar a qualidade global do plantel, será necessário ser mais criterioso na escolha dos titulares (por exemplo, em vez de gastar 18 milhões de euros numa estrela como Danilo, faz mais sentido investir esse dinheiro na contratação de dois ou três bons jogadores) e das alternativas aos habitualmente titulares (pelo mesmo dinheiro é bem mais segura a aposta num Lima do que num Kléber).






