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terça-feira, 21 de maio de 2013

Campeões com um plantel curto


Toda a gente sabe qual foi o onze base do FC Porto na época 2012/2013:
Helton (2684 minutos)
Danilo (2469), Otamendi (2610), Mangala (2016), Alex Sandro (2137)
Fernando (1926), Moutinho (2384), Lucho (2306)
James (1740), Jackson (2684), Varela (1623)

Destes onze jogadores, apenas três têm menos de 2000 minutos de utilização no campeonato e, no caso do Fernando e do James, não é especulação dizer que os minutos a menos se devem, essencialmente, às lesões que tiveram.

De notar que, para além do onze titular, há apenas mais dois jogadores com uma utilização significativa, na casa dos 1000 minutos: Defour, o 12º jogador, com 1308 minutos distribuídos por 25 jogos; Maicon, com 986 minutos em 15 jogos.

(Utilização no campeonato, jornal O JOGO)

Evidentemente, houve outros jogadores que deram o seu contributo em diversos jogos (por exemplo, Atsu e Castro participaram em 17 jogos) e alguns foram mesmo “heróis” (Kelvin marcou 3 golos decisivos em apenas 162 minutos de utilização), mas penso que não será um grande exagero dizer que o FC Porto foi campeão com um “plantel de 13 dragões”.

Penso que isto reflecte uma tendência para os próximos anos: um plantel qualitativamente mais curto (jogadores como Lucho, Moutinho, James ou Jackson terão sempre ordenados muito elevados para a realidade do futebol português), com jogadores polivalentes (ex: Mangala e Defour), o qual será completado com a “prata da casa” (ex: Castro, Abdoulaye, Atsu) e da equipa B (ex: Kelvin, Quinones, Sebá, Tozé).

Veja-se o que aconteceu esta época. Se é verdade que para o meio-campo havia várias soluções de qualidade - Fernando, Moutinho, Lucho, Defour, Izmaylov (a partir de Janeiro) -, na defesa não havia alternativas directas para os dois laterais titulares (Danilo e Alex Sandro) e, pior ainda, o plantel tinha apenas três soluções óbvias para constituir o trio de ataque.

De facto, Atsu, entre lesões e um mês e meio na CAN, destacou-se mais pelas muitas noticias de que irá sair para Inglaterra e por não ter aceite a proposta de renovação que a SAD lhe fez, do que pelas exibições dentro do campo.
Kelvin e Sebá são extremos que poderão ter futuro no futebol de alta competição mas, obviamente, ainda não reúnem o binómio qualidade + maturidade suficiente para serem titulares num clube com as exigências do FC Porto.
E dos pontas-de-lança alternativos a Jackson (Kléber e Liedson) é melhor nem falar.

Mas isto não é uma equação fácil. De um lado iremos ter as restrições financeiras da SAD e do outro a vontade de dirigentes e adeptos em manter uma equipa competitiva, a nível nacional e europeu (há adeptos portistas que já não se contentam em ser campeões nacionais sem derrotas e chegar aos oitavos final da Liga dos Campeões!), o que exige um plantel de qualidade e sem as lacunas óbvias que tinha o desta época.

Tenho poucas dúvidas que, na melhor das hipóteses, o orçamento das próximas épocas irá manter-se no valor actual (penso que a tendência será diminuir) mas, para elevar a qualidade global do plantel, será necessário ser mais criterioso na escolha dos titulares (por exemplo, em vez de gastar 18 milhões de euros numa estrela como Danilo, faz mais sentido investir esse dinheiro na contratação de dois ou três bons jogadores) e das alternativas aos habitualmente titulares (pelo mesmo dinheiro é bem mais segura a aposta num Lima do que num Kléber).

quarta-feira, 15 de junho de 2011

FCP Futebol SAD: orçamento recorde de 95M€

"O exercício financeiro do FC Porto está quase a terminar, o que acontecerá no final deste mês, e já está planificado o próximo orçamento, que vai suportar as despesas para a época que se avizinha. Trata-se, na linha do anterior, de mais um orçamento recorde no futebol português, a rondar os 95 milhões de euros. [...] "Será um orçamento da mesma ordem de grandeza do anterior. Diria que é um orçamento que está em linha com o do último ano, algo como 95 milhões de Euros. É um orçamento maior do que o do Benfica", disse Angelino Ferreira, para se ter uma ideia comparativa. " in "O Jogo"

Serve este artigo acima de tudo para assinalar que há duas coisas que muita gente confunde e convém ter em consideração:

1) confundir orçamento com receitas

O orçamento diz respeito às despesas; ainda mais importante do que isso é as receitas (proveitos). No caso do FCP as duas coisas são mais ou menos equivalentes, em média, desde que se vá vendendo em média 2 titulares por época (como aliás temos feito): as nossas receitas anuais excluindo vendas de jogadores andam um pouco acima dos 60M€ (presumindo que chegamos aos 1/8s final da LC).

Sobre o orçamento anunciado, é normal que varie pouco de ano para ano, já que os custos das contratações é amortizado ao longo de vários anos (i.e. durante a duração dos contratos) e o resto das despesas é pouco flexível (a não ser que numa dada época se substituta pelo menos metade do plantel por jogadores com salários muito mais altos ou muito mais baixos, o que nunca aconteceu e esperamos não venha nunca a acontecer). Ou seja, não há qualquer novidade no que o A. Ferreira anunciou.

Assinalo também que a diferença para os clubes mais ricos se esbateu nos últimos anos, felizmente, em termos de múltiplos. Quero com isto dizer q se há uns 5 anos o orçamento de um dos clubes mais ricos da Europa era para aí 10x mais alto do q o nosso, agora é "apenas" 5x mais alto.

2) Confundir demonstrações de resultados com necessidades de tesouraria

Muita gente tomou as declarações recentes de Angelino Ferreira como sinónimo da ausência de necessidade de vender jogadores neste Verão.

No entanto ele estava a falar da demonstração de resultados (i.e se vamos fazer lucro ou não; daí ter mencionado "mais valias", uma coisa irrelevante para a tesouraria), enquanto o que mais determina - e de longe - se é preciso vender ou não a curto prazo, é a situação da tesouraria (i.e. a capacidade para ir pagando, mês a mês, os compromissos assumidos); e essas já são contas substancialmente diferentes.

Pelo que vi no R&C do 3o trimestre teremos um "buraco" de tesouraria superior a 15M€ nos próximos 9 meses, caso não se venda ninguém ou não se negoceie novos empréstimos (é impossível dizer em que meses ao certo o buraco será mais agudo, para isso seria preciso ter detalhes que não são públicos). A situação com a banca não está boa, mas quero acreditar que novos empréstimos é uma possibilidade; a outra é vender jogadores, claro (e atenção que não costumam ser pagos por inteiro a pronto, longe disso; por outras palavras, a vender um jogador no Verão por digamos 20M€ o mais provável é que só entre em caixa um máximo de 10M€ nos próximos 9 meses).

Concluindo, a coisa está mais ou menos controlada, o que é agradável, apesar de também não ser exactamente positiva - e penso que o mais provável é que venhamos a assistir a uma mistura das duas coisas nos próximos meses (i.e. pelo menos um jogador titular vendido *e* renegociação de novos empréstimos, ainda que com juros altos como ainda agora aconteceu no empréstimo obrigacionista).

Para terminar, cresci habituado a que o FCP ganhasse mais títulos do que o slb enquanto gastava menos (i.e. tendo orçamentos mais baixos), algo que se inverteu nos últimos anos; gostava de voltar a essa situação (i.e. fazendo mais do que eles mas com menos dinheiro), porque isso ajudaria a consolidar por um longo prazo a nossa hegemonia, dando por exemplo mais flexibilidade para investir a sério e sem preocupações numa ou noutra época em que tal seja mais necessário.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Liga Milionária: novo formato, novos prémios

A Liga dos Campeões é de facto importantí$$ima!

Como forma de agradar a gregos e a troianos (sem tomar eu também qualquer partido entre ambos) a UEFA decidiu renovar a sua maior competição tanto no formato como nos prémios a distribuir.

Quem são os gregos?
Os gregos são os ricos e poderosos do futebol europeu, nomeadamente os clubes pertencentes às ligas inglesa, espanhola, italiana e alemã, por quem a UEFA reformou a tabela de prémios. Como desincentivo à criação de uma Super Liga Europeia? Qui ça?, como diria o nosso "amigo" gaulês.

Não tendo conseguido encontrar uma fonte oficial para as alterações, apenas consegui encontrar alguns trechos com informação relevante, sendo por isso os dados abaixo incompletos:
  • €0,2m por qualificação como campeão da competição doméstica;
  • €0,13m por qualificação para a segunda ronda da pré-eliminatória;
  • €0,13m adicionais se o clube atingir a terceira pré-eliminatória;
  • Qualificando-se para a quarta e última pré-eliminatória, os clubes recebem €2.1m;
  • A qualificação para a fase de grupos permite aos clubes juntarem um total de €7.1m (contra os €5,4m atribuidos na época passada).
Durante a fase de grupos, cada vitória passa a valer €0,8m e cada empate €0,4m, enquanto na época passada eram distribuidos €0,6m e €0,3m respectivamente (creio que teria sido mais interessante se a UEFA tivesse aumentado um pouco mais o prémio da vitória e mantido/reduzido o prémio pelo empate).

No total, houve um aumento de cerca de 30% nos prémios distribuídos pela competição.


Quem são os troianos?
Os troianos são os clubes com menos argumentos financeiros e mediáticos que perdiam cada vez mais a relevância no acesso à principal prova do "velho continente". Para eles a UEFA remodelou o sistema de qualificação para a fase de grupos, criando assim mais possibilidades para que os campeões de ligas teoricamente inferiores tenham mais hipóteses de se apurar.

Para tornar isto possível, a UEFA criou dois caminhos que não se cruzam nas pré-eliminatórias:
  • O caminho dos campeões, onde apenas se defrontam os campeões de todas as federações que não se qualificam automaticamente para a fase de grupos (12 campeões têm qualificação automática); e
  • O caminho dos não-campeões, disputado pelos segundos, terceiros e quartos classificados das mais fortes federações (são 15 as que têm este privilégio).


O que tem o nosso "grego" a ganhar (sim, porque o FCP inclui-se no grupo dos mais influentes, apesar de ser um dos parentes pobres)?

É cedo para dizer, mas creio que o FC Porto tem a hipótese de se afastar mais dos clubes portugueses (financeiramente falando, claro), sendo provável também que perca influência relativamente aos seus mais directos competidores na Liga dos Campeões. Tendo o pote dos prémios aumentado cerca de 30%, é mais provável que a distribuição dos prémios continue a premiar os mercados mais vantajosos e o FC Porto seja penalizado com isso...


Fontes:
http://www.uefa.com/competitions/ucl/format/index.html
http://www.mirosport.net/2009/soccer/4801/uefa-increases-prize-money-partizan-prepare-for-e7m-hunt/

http://en.wikipedia.org/wiki/UEFA_Champions_League