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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Os auxiliares do andor

"Fomos prejudicados! O que aconteceu hoje começou no último domingo, pois foi mais um lance claro [o golo anulado a Falcao] em que o FC Porto faria um golo com o qual ganharia o jogo. (...) o FC Porto tem de começar a ter cuidado, os jogadores têm de estar dois metros atrás da linha de defesa. Em caso de dúvida não é a favor do FC Porto, em linha também não, por isso temos de rever os processos de trabalho. Os nossos atacantes jogam perto das linhas, no limite, e começam a ter desconfiança do que fazem, porque marcam golo e ele não é validado. (...) As regras dizem que, na dúvida, beneficia-se quem ataca, mas, neste caso, tem-se beneficiado sempre quem defende."
Jesualdo Ferreira, 16/01/2010

Ainda mais escandaloso que o golo anulado ao Falcao, foi o fora-de-jogo assinalado a Varela aos 77 minutos. Sobre este lance, Jorge Coroado disse o seguinte em O JOGO: «Precipitação do árbitro assistente, que deveria estar completamente distraído. Varela tinha entre ele e a linha de baliza contrária não dois, mas três adversários

Mas qual precipitação? Eles (árbitros auxiliares) estão é muito bem instruídos. Mal vêem um jogador do FC Porto isolado e em boa posição para marcar, zás, bandeirinha ao alto e pára o baile.

Dir-me-ão que ser prejudicado pela arbitragem acontece, são contingências do próprio jogo e é algo para o qual as equipas têm de estar preparadas. Certo, mas quando os "erros" são recorrentes e obedecem a um mesmo padrão...
Convém lembrar o seguinte. O FC Porto chegou à Luz a um ponto da liderança no campeonato, depois de ter recuperado quatro pontos nas jornadas anteriores. Contudo, em três jogos seguidos - SLB, Leiria, Paços Ferreira - viu-lhe subtraídos cinco pontos, com a preciosa ajuda dos árbitros auxiliares. De facto, eles têm-se fartado de auxiliar os adversários do FC Porto...

Na Luz perdemos por 0-1, com a jogada do golo dos encarnados a ter início num fora-de-jogo descarado (à frente do árbitro auxiliar).


Já na recepção ao União de Leiria, os critérios dos árbitros auxiliares variaram consoante a equipa que marcou os golos, anulando (mal) dois golos ao FC Porto e validando um golo aos leirienses.
O sentido e espírito da lei para estas situações é claro, tendo os árbitros recomendações para em jogadas no limite do fora-de-jogo beneficiar quem ataca. Contudo, o que se viu neste jogo foi uma interpretação da lei sui generis: em caso de dúvida, prejudicar o FC Porto (como, aliás, até foi reconhecido por adversários, caso de Rui Oliveira e Costa no programa 'Trio de Ataque').

Como não há duas sem três, os homens que andam de bandeirinha na mão voltaram a destacar-se no jogo com o Paços de Ferreira, quer no golo anulado ao Falcao, quer no referido lance do Varela.

E a esta lista de decisões de árbitros auxiliares com influência nos resultados, ainda podia acrescentar o golo anulado a Ernesto Farias no FC Porto x Belenenses (1-1), conforme pode ser (re)visto no resumo desse jogo.

A conversa e as explicações bondosas acerca dos erros dos árbitros são conhecidas, mas só com muita ingenuidade se pode pensar que esta sucessão de lances, todos ajuizados no mesmo sentido (sempre contra o FC Porto!), são coincidência.
Como é óbvio, esta série de roub..., perdão, erros não tem nada a ver com acasos ou coincidências. Todos sabemos que é habitual haver algum colinho para o clube do regime, mas desde o início do campeonato é notório que esta época há algo de diferente no ar. A pressão para que o SLB seja campeão é maior do que nunca e, evidentemente, o condicionamento sobre os árbitros faz o seu caminho e acaba por resultar no efeito pretendido, traduzindo-se em erros graves, com influência clara nos resultados, conforme foi visível nas últimas três jornadas.

Aliás, a importância dos árbitros auxiliares na decisão de campeonatos não é nova. Quando estava a ouvir as declarações do treinador do FC Porto após o jogo com o Paços de Ferreira, recuei 20 anos e lembrei-me de um célebre FC Porto x Benfica, disputado na época 1990/91, em que até o ponderado Artur Jorge não conseguiu manter a calma.
A propósito desse jogo (disputado em Abril de 1991), numa recente entrevista ao jornal i, Artur Jorge afirmou:
"Por mais calmos que estejamos, acabamos por perder a cabeça. Vi um cartão amarelo [de Carlos Valente] porque estava nervoso com o fiscal-de-linha, mas ele portou-se mal durante todo o jogo, assinalando foras-de-jogo indevidamente. Mas são já situações antigas que não vale a pena esmiuçar agora. Tudo isso pertence à história e nem vale a pena falar, porque é uma porcaria."

É sabido que os árbitros auxiliares assumiram uma importância crescente nos jogos de futebol e não é certamente por acaso que auxiliares como Devesa Neto, José Luís Melo (o benfiquista de Valongo), ou o "Ferrari" ficaram famosos.
Mas o mais impressionante de tudo isto é o sentimento de impunidade. Na próxima jornada lá estarão eles outra vez, nomeados pelo Vítor "Sistema" Pereira, e a desempenharem o seu papel nesse desígnio nacional que é levar o SLB ao colo até ao título.
E o Pinto da Costa escusa de pedir/exigir ao Ministério Público para investigar. Investigar o quê? É tudo feito à descarada, à vista de toda a gente.

Nota: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.