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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Quem quer casar com a carochinha?

«Os canais generalistas continuam a sofrer um corte profundo nas suas receitas publicitárias. Nos primeiros seis meses deste ano, a SIC e a TVI receberam menos 18,5 milhões de euros do que em igual período do ano passado.
Analisando o relatório e contas semestral da Media Capital, é possível verificar que a TVI facturou 49,6 milhões de euros em publicidade, uma diminuição de 13,3 milhões face aos mesmos meses de 2011 (descida de 21%). Ou seja, o corte é superior a dois milhões de euros mensais.
No caso da SIC, e de acordo com as contas do grupo Impresa, a diminuição foi de 5,2 milhões de euros (menos 10%), para um total de 46,3 milhões de euros. Ou seja, a perda é de quase um milhão de euros por mês.
De referir que nos dois casos, os valores apresentados já reflectem as receitas de publicidade dos canais temáticos como a SIC Notícias e a TVI 24. Se a tendência se mantiver até ao final de 2012, a TVI e a SIC vão voltar a fechar o ano com receitas publicitárias em quebra, o que sucede desde o arranque da crise económica. Em 2008, por exemplo, a empresa de Queluz facturou nesta área 151,4 milhões de euros, um valor que caiu para os 120,5 milhões em 2011 (descida de 30,9 milhões). Já a SIC passou, no mesmo período, de 109,2 milhões de euros para os 96,9 milhões, uma quebra de 12,3 milhões.»
in Correio da Manhã


Estando as receitas publicitárias a cair a pique, SIC e TVI têm vindo a cortar cada vez mais nos custos, numa luta pela sobrevivência que inclui deixar de investir no futebol e... pressionar o governo a não privatizar a RTP!

Com Paes do Amaral fora da corrida (de boas intenções está o inferno cheio...), quem tem dinheiro para comprar os direitos televisivos do slb pelos anunciados 30 milhões de euros (inicialmente a fasquia estava nos 40 milhões!) e, depois, uma plataforma tecnológica para os transmitir?
Há uns zuns-zuns de que a "salvação" benfiquista virá de Zeinal Abedin Mohamed Bava, via MEO, ou através de um dos novos canais a criar até ao início de 2013.
Vamos ver... Até ao final do ano deve haver novidades.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Da Revigrés à MEO

Em Agosto de 1983, o FC Porto tornou-se o primeiro clube português a ter publicidade nas camisolas. A eleita foi uma empresa de Águeda quase desconhecida, a Revigrés, cujo fundador (em 1977) e presidente era um grande portista - o Eng. Adolfo Roque. O "casamento" entre o FC Porto e a Revigrés durou 20 anos e, para além da componente comercial, foi pautado por uma relação de confiança e amizade inexcedível, conforme Pinto da Costa relata na sua autobiografia:

"Corria o ano de 1992, confraternizávamos com o pretexto dos meus dez anos de Presidência e, em cinco minutos, com um aperto de mão "selámos" o acordo. Passados dois anos, rigorosamente cumprido que fora o contrato por ambas as partes, resolvemos renová-lo. Só então demos conta que o aperto de mão era tudo (e bastava) o que havia como contrato!"

"Noutra ocasião, durante o "reinado" de Eduardo Catroga como Ministro das Finanças, é-nos hipotecado o Estádio e a sanita do balneário do árbitro. O Eng.º Roque, sem qualquer obrigação, e no mais completo anonimato, envia-nos um cheque de cinco mil contos para ajudar a resolver o problema. Talvez isto ajude a compreender que, ao fim de mais de vinte anos, o azul do Porto se confunda com a Revigrés."

Em 2003, a Revigrés passou a figurar apenas nas camisolas usadas pelo FC Porto nas competições internacionais, tendo sido substituída pelo logótipo da PT nas competições internas.

Numa lógica de maximização das receitas, é para mim indiscutível que o FC Porto deve ter publicidade nas camisolas, nos calções, nas meias, ... e percebo perfeitamente o interesse económico em termos como parceiro comercial uma empresa da dimensão da Portugal Telecom. Contudo, como portista custa-me ver uma das marcas da PT - a MEO - no naming de uma das bancadas do Estádio do Dragão e, mais ainda, a conspurcar as nossas camisolas.

Eu sei que o dinheiro não tem cor, nem tem pátria, mas em futuros contratos (com a Portugal Telecom ou outras empresas), não seria possível incluir uma clausula, que nos salvaguardasse de ter de fazer publicidade a marcas cujo rosto(s) sejam pessoas que usam a sua notoriedade para, publicamente, denegrir o FC Porto?

Evidentemente, não está em causa a liberdade de expressão. O que está em causa é se faz sentido associarmos a nossa imagem, os nossos símbolos (emblema, camisola), a marcas que são promovidas por indivíduos que, de forma pensada e sistemática, usam a comunicação social para atacar o FC Porto, o seu presidente e até comentadores portistas!

Por isso, Revigrés, Super Bock, Coca-cola, BPI, BES, CGD, PT, TMN, tudo bem, mas MEO não!

P.S. Sou cliente da ZON e enquanto a publicidade da MEO for fedorenta, os comerciais da PT nem sequer têm oportunidade de me explicar as "magnificas vantagens" que eu teria em mudar de operador de TV/telefone/Net. Antes de começarem a falar, a resposta que levam à cabeça é: Não estou interessado.