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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Torre de Babel - o bom exemplo de Casillas

Pelo que tem transparecido em público Casillas tem tido até agora um comportamento exemplar, merecendo plenos elogios e não podendo estar mais longe de uma imagem arrogante ou de prima dona. Temos todas as razões para estar plenamente satisfeitos com a sua atitude (e da sua esposa), os sinais iniciais são encorajantes.

Gostei em particular da seguinte notícia (mesmo sendo um detalhe), ainda mais tendo em conta que o treinador e metade do plantel falam espanhol:

«O "El País" que o conta, num longo texto em que dá conta de outra preocupação das partes: começar com as aulas de português. Não que seja difícil para os colegas perceberam o que Casillas diz, mas porque o guarda-redes quer integrar-se da melhor forma possível no clube, na cidade e no país»

Para além da vantagem prática ao aprender a língua do país onde se vive, isto demonstra sem dúvida uma boa vontade que só pode granjear simpatia entre os colegas portugueses e brasileiros, dirigentes e adeptos em geral. Veio-me à cabeça o saudoso Bobby Robson, que se via grego com a nossa língua mas que, honra lhe seja feita, ao menos tentava.

Infelizmente muitos outros não fazem o mesmo esforço. É até mesmo a maioria... a mero título de exemplo temos um Jackson, que viveu aqui vários anos, e Lopetegui. E sobre este último (e de forma mais geral sobre os espanhóis) diz o El Pais:

«Julen Lopetegui se pelea con el idioma desde hace un año, aunque, para evitar malentendidos, prefiere hablar en portuñol en sus conferencias de prensa, idioma al que ya se han acostumbrado los portugueses, una vez visto que lo de lo españoles con el portugués no es de mala educación, sino, únicamente, incapacidad para aprender cualquier idioma»

Bem, antes de mais nada não sei o que o El Pais entende por «portunhol», mas para mim uma mistura 98% de espanhol e 2% de português (que é o que eu vejo, uma palavra solta em cada 50) certamente não chega para se poder falar nisso.

Em segundo lugar não deixa de ser irónico que digam isso a propósito de alguém que viveu até aos 19 anos numa região onde metade da população fala uma língua completamente distinta (basco).

De resto é grande «tanga» que os espanhois "tenham incapacidade para aprender qualquer língua" (já agora, será que incluem o espanhol na lista quando dizem isso?). Nota-se que se trata de um jornal de Madrid: duvido que um jornal de Barcelona, Bilbau, Corunha ou Valência afirmasse a mesma coisa... uma parte considerável dos espanhóis (nomeadamente dessas regiões) são no mínimo bilingues.

Mas mesmo excluindo esses bilingues catalães/bascos/galegos, por acaso conheço imensos espanhóis que falam bem outras línguas (ainda que muitos com um sotaque carregado, mas não é isso que está em causa); aliás, hoje em dia há imensos turistas espanhóis que viajam pela Europa fora e vêem-se obrigados a falar outras línguas (principalmente o inglês). Para nao falar dos emigrantes espanhóis (que houve muitos nos ultimos anos).

E certamente não me parece que tenham menos (ou mais) inteligência do que quaisquer outros povos.

O que se passa sim é que têm mais dificuldades iniciais do que outros países (como Portugal, Holanda, etc), principalmente na pronúncia, porque dentro de Espanha praticamente só ouvem espanhol (filmes/programas dobrados na TV, ...). Mas nisso não são nada diferentes dos franceses, italianos, alemães ou ingleses.

E se há língua fácil para eles aprender, é o português. Resumindo e concluindo: um espanhol (ou um argentino, mexicano, colombiano, ...) que viva em Portugal e não o faça é por pura preguiça (ou complexo de superioridade), o El País que não venha com histórias da carochinha. Ainda para mais quando vocabulário para um jogador ou treinador de futebol não é muito extenso, e quando este tipo de imigrantes se pode dar ao luxo de pagar a um professor para se deslocar a sua casa dar lições privadas conforme lhes der mais jeito.

Ninguém espera que comecem a recitar os Lusíadas, ou que falem sem um forte sotaque.

O que lhes vale é que os portugueses são mais simpáticos do que outros povos nestas coisas. Por exemplo, um jogador ou treinador alemão q vá para a Holanda (para pegar noutro exemplo de um tipo de um país grande a ir para um país pequeno em que as línguas são bastante parecidas) e ao fim de um ano fale apenas em alemão está «feito ao bife». Seria crucificado. Já agora, ainda não vi um jogador (ou treinador) português em Espanha a não aprender espanhol.

Como nota final e voltando a Casillas: para já trata-se apenas de declarações de intenções, mas se levar isso por diante espero que o bom exemplo faça escola entre os colegas. Claro que não exigimos isto aos jogadores (o que mais importa de longe é o rendimento, obviamente), mas seria um sinal bem-vindo de boa vontade.

PS - por razões pragmáticas usei o termo «espanhol» para a língua, mas o termo correcto é «castelhano».

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A história que se repete


Estádio José de Alvalade, 7 Maio 1995, Campeonato Nacional da Primeira Divisão

SCP: Costinha; Paulo Torres, Budimir Vujačić, Nélson, Oceano; Carlos Xavier, Krasimir Balakov, Luís Figo (futuro melhor jogador do Mundo); Andrzej Juskowiak, Ivaylo Yordanov, Emmanuel Amuneke

Suplentes: Zoran Lemajić, António Pacheco, Dani, Filipe Ramos, Chiquinho Conde

Treinador: ex-seleccionador nacional das camadas jovens, com grande sucesso, vulgo Carlos Queiroz

FCP: Vítor Baía, João Pinto (em final de carreira), Aloísio, Carlos Secretário, Jorge Costa (imberbe), Rui Jorge (imberbe); Vasili Kulkov, Rui Barros, Emerson, Paulinho Santos (imberbe); Domingos

Suplentes: Cândido, Ljubinko Drulović, Russell Latapy, Folha, Sergei Yuran

Treinador: Bobby Robson


No jogo que decidia o campeão da época 1994/95, Sporting e FC Porto defrontaram-se no Estádio José de Alvalade. Pese embora seguisse no segundo lugar da tabela, atrás dos azuis-e-brancos, o Sporting era o favorito à vitória no jogo: jogava no seu estádio, e contava com um plantel mais rico, onde pontificavam Figo e Balakov, entre outros. Do outro lado, o FC Porto, com muito menos recursos - uns meses antes dera-se o famoso caso da penhora do Estádio das Antas - e um plantel mais limitado, contando até com jogadores emprestados, propunha-se a não "deixar voar o pássaro" que tinha na mão. Como ingrediente extra, havia o facto de Bobby Robson, despedido do comando técnico do Sporting no decorrer da época anterior, orientar agora a equipa rival.

Apesar de claro underdog e de todas as adversidades que enfrentava, o Porto "fez das tripas coração", e venceu mesmo os riquinhos do Sporting - 0-1, golo de Domingos, de grande penalidade - que nem do árbitro se puderam queixar. Podíamos não ter individualidades de igual valia, mas tínhamos espírito e uma equipa de verdade (e mais jogadores portugueses no 11 inicial!).

Há (quase) 20 anos foi assim, uma noite inesquecível, mágica, marcante. Foi um daqueles jogos (e campeonatos) "contra tudo e contra todos", em que até com a morte de um jogador, Rui Filipe, sofremos. O Porto já goleou e venceu campeonatos com distâncias de 10 e mais pontos, mas poucos ou nenhuns se comparam a aquilo que nos foi dado a sentir no final daquele jogo.

Nunca tinha pensado o que teria sido estar do outro lado, viver uma derrota descoroçoante, no próprio estádio, contra uma equipa que a esmagadora maioria dos adeptos considerava inferior.

Salvo as devidas diferenças no que respeita à prova, e a alguns dos intervenientes - só para citar alguns casos: o Marco Silva não é certamente o Bobby Robson (embora pareça também ser capaz de fazer ovos sem omeletes), e o Rui Patrício não é o Vítor Baía, nem pouco mais ou menos - no último sábado, fiquei a conhecer essa sensação. É para mim impossível não traçar um paralelo entre os dois jogos, não inverter as posições, e muito menos não ver em Lopetegui um hipotético clone do Queiroz - um indivíduo pode ser o maior do Mundo no futebol jovem, e não dar uma para a caixa no futebol "a sério". Perder com o Sporting, em casa, não é uma coisa do outro mundo, só que não me parece que esta tenha sido apenas uma derrota mas porventura um sinal de que (se) não aprendemos com os erros (dos outros*), estamos condenados a repeti-los.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Treinador - Mudar ou não mudar, eis a questão!

É a primeira derrota para o campeonato. Quem cresceu com o FC Porto nos anos 80 e 90 sabe perfeitamente que os campeonatos ganham-se com vitórias, empates e também com derrotas. Todos as vivemos. Mas a geração pós-Gelsenkirchen cresceu noutro mundo. Para isso contribuiu, sobretudo, a anemia de qualidade do nosso futebol. Nos últimos anos dois clubes - FC Porto e SL Benfica - quase nunca perdem, raramente empatam e dominam a belo prazer o campeonato decidindo, quase sempre entre si, o título. A péssima situação do Sporting, a incapacidade do Braga de dar o salto e a ausência de uma versão real do Boavista entre 1992-2004 ajuda a explicar essa situação. Mas não só. A diferença de orçamentos exige, praticamente, que FC Porto e SL Benfica não percam. Nunca as diferenças com o resto foram tão grandes na qualidade individual, nos planteis disponíveis, nos ingressos e nos gastos. Por isso hoje, para um adepto do FC Porto, perder um jogo tornou-se num drama. Pode não haver margem de manobra.

Pessoalmente sou contra o despedimento de treinadores durante a temporada.
Acho que quem arranca o barco deve levá-lo até ao fim, passe o que passar. Sobretudo porque a responsabilidade é de muitos, não só sua. Num clube como o FC Porto, onde muitas das decisões são tomadas sem ter em conta (ou em muitos casos, apesar da opinião do) o que pensa o treinador. Mas o futebol é o que é e não sou eu quem o vai mudar e muitas vezes a mudança de um só homem tem o condão de despertar outros 25. No nosso caso com particular sucesso...no ano seguinte!

Remontando-me apenas à era Pinto da Costa, houve apenas 4 treinadores despedidos durante a época (não conto aqui, naturalmente, com Del Neri e Adriaanse porque estavamos no defeso em ambos casos). A primeira vez foi com Quinito. Despedido à 11º jornada em 1988, nesse ano o FC Porto foi treinado brevemente por Murça antes de confirmar-se o regresso do "rei Artur". O FC Porto não foi campeão (o título foi para o Benfica) mas preparou-se para mais um título na temporada seguinte com o nosso primeiro campeão europeu. Depois foi a vez de Ivic, em 1993. O sérvio, voltou ás Antas sem sucesso. Quando saiu o FC Porto era terceiro no campeonato e para o seu lugar chegou Bobby Robson, recém-despedido de um líder Sporting. Com o inglês não só se ultrapassou o Sporting como se desenhou a base do que seria o Penta. A terceira vez sucedeu com Octávio Machado. Conseguiu passar o Natal mas não sobreviveu a Janeiro e com ele vivemos outro ano negro, terminando a época em 3º apenas graças a um grande sprint liderado por...José Mourinho. Não é preciso explicar o resto. Só por uma vez, a última, o homem que substituiu o treinador despedido não funcionou na época seguinte. Porque não estava lá. Victor Fernandez foi campeão do Mundo mas os maus jogos no Dragão e a irregularidade de uma equipa de campeões europeus e contratações de luxo custou-lhe o lugar. José Couceiro não fez melhor, o titulo perdeu-se no último dia e o treinador foi-se embora abrindo caminho a um novo Tetra, conquistado entre Adriaanse e Jesualdo.

Quer isto dizer que mudar de treinador, no FC Porto, além de ser algo raro (Carlos Alberto Silva, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira e Vitor Pereira sofreram contestação dos adeptos, tal como Paulo Fonseca, durante a época mas o presidente não os deixou cair e o resultado foi positivo, salvo com Fernando Santos!) só dá resultados à posteriori. Mudar hoje de treinador não garante, portanto, tendo em base a nossa experiência, um passaporte automático para o sucesso. Claro que há uma primeira vez para tudo.
O último campeão nacional português que chegou com a época a meio foi Augusto Inácio, com o Sporting, em 2000. É preciso recuar décadas para encontrar um exemplo similar. E não é por acaso.



Não acho que Paulo Fonseca tenha perfil de treinador para o FC Porto. Acho que é parte do problema, não o todo. E que centrar-nos exclusivamente na sua incompetência - que é evidente - não nos permite ver todo o problema em que estamos envolvidos. Mas isso fica para outro debate que trarei. Até porque o actual treinador do FC Porto é o primeiro em muito tempo que me faz pensar que mudar agora pode ser mais benéfico que prejudicial.

Em primeiro lugar porque não existe uma grande desvantagem com os rivais. Quem quer que chegue começará praticamente do zero em pontuação com Benfica e Sporting. Por outro lado, a paragem do Natal permitirá tempo para aclimatar-se ao clube, ao plantel e preparar os necessários ajustes - porque terá de haver algum ajuste - em Janeiro. E por último, olhando para o plantel - onde carecem figuras que inspiram liderança - não vejo força emocional para dar a volta à situação desde dentro como sucedeu no primeiro ano de Vitor Pereira, por exemplo. Há demasiados jovens, demasiadas caras novas e jogadores sem perfil para pensar que vão ser os jogadores a dar a cara e a salvar um treinador com o qual não estão cómodos. Os sinais da directiva, no final do jogo de Coimbra, também não são positivos. Quando Vitor Pereira esteve com a corda ao pescoço, a presença de Pinto da Costa ao seu lado calou os rumores e mandou uma mensagem ao balneário. Paulo Fonseca saiu sozinho do Municipal de Coimbra. É assim que ele está, apesar de ter sido uma aposta muito pessoal de Antero Henriques, que até há bem pouco tempo lhe deu todo o seu apoio.

Sabemos então que no FC Porto pouco se muda a meio da época e quando sucede os resultados só sucedem à posteriori. Sabemos também que o timing agora é o ideal e que o plantel e a direcção não parecem estar com o treinador. Mas que alternativas podemos manejar?

O FC Porto é um grande clube, mas é um clube dirigido desde dentro. Um clube que nunca se sentiu cómodo com a ideia de um treinador de personalidade forte. Mesmo Mourinho fez-se dentro do clube, não chegou como o "Special One" e Villas-Boas preferiu não ter de descobrir o que ia suceder num segundo ano depois de uma época perfeita. Portanto, toda a Europa sabe como o FC Porto se move e poucos são os treinadores de topo interessados nesse tipo de gestão. Sobram poucas opções, entre portugueses e estrangeiros.

Portugueses:
Marco Silva - Para muitos o homem que devia ter sucedido a Paulo Fonseca. É adepto confesso do Benfica, o que poderia ter jogado contra si, e com o Estoril tem feito um excelente trabalho. Continua a fazer a sua equipa jogar bem, mesmo com várias baixas, mas não parece apresentar nada de novo e há o receio, natural, que seja um Paulo Fonseca II.

Domingos Paciência - É um nome falado há muito tempo, não só pelo seu passado dragão mas pela excelente temporada que fez com o Braga. Desde então a sua carreira tem sido um desastre, tanto com o Sporting como com o Deportivo (onde foi colocado pela pressão de Jorge Mendes e onde se acabou por ir embora por não conseguir lidar com a pressão). Está sem clube.

Pedro Emanuel - Durante dois anos foi considerado por muitos como o próximo André Villas-Boas. Agora está no Arouca. Não é propriamente um grande cartão de visita e não tem demonstrado confirmar as suspeitas positivas que se tinha dele.

Leonardo Jardim - Para alguns adeptos seria a escolha ideal mas está comprometido com o Sporting e tem uma oportunidade histórica de recuperar o prestigio do leão. Não irá sair de Alvalade.

Nuno Capucho - Está a ser preparado pela direcção mas ninguém quer queimar etapas. Desde que tomou controlo das equipas de formação que muitos vêm nele o perfil ideal para liderar a primeira equipa e os resultados dão-lhe razão. Tem um perfil calmo, tranquilo e um conhecimento táctico surpreendente. Será treinador do FC Porto mas não quererá pegar numa equipa "queimada" tão cedo salvo se não existir outra opção.

André Villas-Boas - Tem a corda ao pescoço em Inglaterra mas, ao contrário de Artur Jorge, não acredito que queira voltar tão cedo ao seu clube, mesmo desempregado. Seria a escolha número 1 de todos os adeptos.

Estrangeiros
Marcelo Bielsa - Apenas o cito porque foi alvo de comentários no RP. Não é opção pura e simplesmente porque não é do perfil da direcção e não é o treinador que goste de ser controlado.

Mano Menezes - Paixão antiga da SAD, esteve desempregado até há poucas semanas, depois de uma má época com o Flamengo. Acabou de assinar pelo Corinthians e não vai abandonar o clube.

Muricy Ramalho - Na mesma situação de Menezes. Outra paixão antiga, foi muito questionado pelo São Paulo este ano e está ligeiramente acima da linha de despromoção. Contestado, poderia ser tentado por uma boa oferta.

Tite - Provavelmente o melhor treinador do futebol brasileiro nos últimos quatro anos. Acabou um ciclo memorável no Corinthinas, incluindo o título mundial, e está sem emprego. Hipótese interessante para os que querem uma conexão sul-americana.

Pepe Mel - Um dos melhores treinadores do futebol espanhol. Está com a corda ao pescoço no Real Bétis mas tem perfil para um clube de alto nível.



O cenário é este:
Mudar ou não mudar? 
A história do clube diz-nos que mudar não é habitual a opção da direcção e quando isso sucede o resultado só é visível na época seguinte. A situação actual no entanto dá a sensação de que Paulo Fonseca está só (sem plantel ao seu lado, sem o apoio da direcção e na mira dos adeptos) e que não tem capacidade para dar a volta por cima. O pior que pode suceder (perder o título) pode suceder com ele ou com qualquer outro treinador mas uma cara nova chegará com uma diferença pontual mínima e tempo para lutar pelo título até ao fim.

Se mudamos, quem ocupará o seu lugar?
Artur Jorge, Bobby Robson e José Mourinho foram três opções que tiveram resultados excelentes. José Couceiro a que correu mal. Actualmente só André Villas-Boas teria um perfil similar ao dos três primeiros. Todos os outros nomes despertam dúvidas, ora pela inexperiência e ausência de resultados sonantes (Pedro Emanuel, Marco Silva, Nuno Capucho, o passado recente de Domingos) ou porque despertam receio de uma conexão com o mercado brasileiro, quando muito raramente um treinador canarinho triunfa no futebol europeu.

O debate, na caixa de comentários!

PS: Não acredito que, actualmente, existam muitos adeptos do lado de Paulo Fonseca. O que não se admite é que uns meninos mal educados e que deviam ter passado uma noite nos calabouços recebam a equipa como receberam. Não sei se a manobra foi, oficialmente, dos SD ou iniciativa individual de quase 300 "adeptos". Nem me interessa. Há uma cultura de adeptos que só aceita a vitória. Que não entendo que o amor a um clube deve ser unidirecional. Se o clube devolve alegrias, tanto melhor. Se não, não se troca o amor por um soco só porque as coisas correm mal. Viveremos dias muito piores que estes, mais tarde ou mais cedo. Espero que muitos dos portistas de hoje sejam portistas então. Provavelmente os que receberam a equipa desta forma não estejam entre eles!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Os mal amados

Com excepção de Pedroto (que foi bem mais que um treinador no FCP) todos os restantes, uns mais do que outros, foram sujeitos a contestação por parte dos adeptos, do balneário ou de ambos.
Nem Robson escapou. Uma das críticas que lhe era dirigida frequentemente era sua incapacidade de ser mais interventivo no banco e, nessa perspectiva, gerir melhor “quem substitui quem” e o timing mais adequado para produzir essas mudanças. Rui Barros passou, a partir de certa altura, a ser o sacrificado da ordem e acho que o foi numa grande parte dos jogos. Também não foi muito bem entendido que tivesse recebido os “russos” do SLB e os tenha colocado a jogar de imediato e posto no banco o Domingos. Também não foi muito bem aceite, que tivesse sido eliminado da taça com o Marítimo e, pior, que tivesse levado 3-0 e um banho de bola do SCP de Octávio, na Supertaça em Paris. Estava no aeroporto quando a comitiva do FCP chegou de Paris e fiquei revoltado com a forma como foi recebida, tendo havido confrontos entre alguns dos palermas que lá se encontravam e alguns jogadores. Recordo que Vítor Baía e João Manuel Pinto eram dos mais inconformados com aquela estúpida recepção, depois de terem sido campeões com inteiro mérito.

Artur Jorge foi sempre muito contestado, e toda essa contestação começou no balneário e tinha como principal protagonista o Fernando Gomes, que queria a continuidade do António Morais no comando da equipa. Aliás, na época que vencemos a Taça dos Campeões perdemos o campeonato para o SLB e fomos eliminados da Taça pelo SCP, nas Antas. Artur Jorge trouxe modernidade ao futebol português e alguns conceitos novos, nomeadamente a “concentração” competitiva que exigia aos seus jogadores em todos os momentos de jogo. Octávio foi mais que um treinador adjunto, porque foi capaz de ser e fazer aquilo que Artur Jorge não era capaz, ou seja, assumir o lado desagradável do comando e ser duro e intransigente relativamente à disciplina dentro e fora do campo, ao que consta. Desse tempo vem as desavenças com Fernando Gomes e os Oliveira.

Ivic ganhou tudo no FCP, menos a Taça dos Campeões. Os sócios detestavam-no ainda mais que ao actual treinador e não foi por acaso que foi embora e substituído pelo Quinito, que fez haraquiri quando disse que o FCP era Gomes mais dez: ficou refém do balneário e sem mão na rapaziada. Depois foi o que se viu: uma equipa sem rumo do pior que tivemos nestes longos anos em que PdC comandou o clube.

Quanto ao actual treinador não alinho em muitas críticas que lhe são feitas, onde entra tudo, particularmente o que é suposto faltar-lhe: carácter, competência e experiência, um murcão como, de forma sucinta, alguns adeptos o qualificam. Estou em desacordo frequentemente com o treinador porque não “faz” como acho melhor, mas estaria com qualquer outro desde que não cumprisse o que eu acho melhor. No jogo com o SC Braga (para o campeonato) benzi-me quando meteu Kléber no fecho do jogo e não é que fomos ganhar por 2-0. No segundo, também não fez o que esperava que fizesse: meter mais gente no meio campo para equilibrar o jogo naquela zona, mas o brinde quem o deu foi Danilo, como antes Fernando tinha provocado uma grande penalidade com um claro erro individual. Quem ganha os jogos são os jogadores quem os perde é sempre o treinador, e nessa não alinho porque não é justo. A responsabilidade tem de ser partilhada, nomeadamente quando há erros individuais que influenciam o resultado final, por muito que se se especule que a desgraça já vinha a caminho. Acho que alguma coisa mudou desde o primeiro jogo com o SC Braga: Vítor Pereira apareceu muito tenso na entrevista após o jogo, pelo que – tendo em conta a cara muito zangada de Lucho quando saiu – se deva ter passado algo de desagradável no banco. Espero que se ajustem, se deixem de amuos e saibam dialogar.

Uma das criticas que têm feito ao nosso treinador é a eventual desvalorização dos activos do FCP, desde que VP tomou posse como treinador principal. Afinal, assim parece não acontecer a atentar na seguinte notícia:

“O plantel do FC Porto é o 18º mais valioso do mundo num ranking com 200 equipas, de acordo com um estudo efetuado pela empresa brasileira Pluri Consultoria, especializada em marketing desportivo, que lhe atribui um valor de mercado de 180 milhões de euros (ME) e 6,9 milhões (valor médio) a cada um dos 26 futebolistas”.

Por fim, considero que o Vítor Pereira se excedeu na rotação do jogo da Taça de Portugal, reagiu tarde quando Castro foi expulso e deixou James tempo demais em campo, já que era tempo de rodar os que haveria a proteger. Dito isto, considero que há jogadores que têm de “merecer tratamento especial”. Danilo e Alex porque estiveram nos Jogos Olímpicos, Moutinho, Varela, James e Martinez por causa das horas extra nas selecções, o Fernando porque saiu de uma lesão, voltou e teve uma recaída, logo no momento em que anunciou que gostava de sair, o Lucho porque é dos que corre mais e é quase um veterano. Nesse particular, dou o benefício da dúvida ao treinador, embora considere, insisto, que decidiu a rotação num laivo de deslumbramento que não é nada aconselhável.

Depois de Vercauteren e de avaliar a forma como tem dirigido o SCP, acho que devo continuar a conceder o benefício da dúvida a VP.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

53 jogos sem perder

No sábado, em Alvalade, o FC Porto atingiu o 53º jogo consecutivo sem perder no campeonato, igualando o recorde do clube que, sob o comando de Bobby Robson, já tinha alcançado idêntica marca entre 14 de Outubro de 1994 e 23 Março de 1996.




Os treinadores, datas, adversários e resultados do actual ciclo de 53 jogos consecutivos sem perder, são os seguintes:

Época 2009/10 (Jesualdo Ferreira)
06/03 Olhanense (C) E 2-2
13/03 Académica (F) V 2-1
28/03 Belenenses (F) V 3-0
03/04 Marítimo (C) V 4-1
10/04 Rio Ave (F) V 1-0
18/04 V. Guimarães (C) V 3-0
24/04 V. Setúbal (F) V 5-2
02/05 slb (C) V 3-1
08/05 U. Leiria (F) V 4-1

Época 2010/11 (André Villas-Boas)
14/08 Naval (F) V 1-0
22/08 Beira-Mar (C) V 3-0
29/08 Rio Ave (F) V 2-0
11/09 SC Braga (C) V 3-2
20/09 Nacional (F) V 2-0
25/09 Olhanense (C) V 2-0
04/10 V. Guimarães (F) E 1-1
25/10 U. Leiria (C) V 5-1
30/10 Académica (F) V 1-0
07/11 slb (C) V 5-0
14/11 Portimonense (C) V 2-0
27/11 SCP (F) E 1-1
06/12 V. Setúbal (C) V 1-0
19/12 Paços Ferreira (F) V 3-0
08/01 Marítimo (C) V 4-1
16/01 Naval (C) V 3-1
22/01 Beira-Mar (F) V 1-0
26/01 Nacional (C) V 3-0
06/02 Rio Ave (C) V 1-0
13/02 SC Braga (F) V 2-0
26/02 Olhanense (F) V 3-0
05/03 V. Guimarães (C) V 2-0
14/03 U. Leiria (F) V 2-0
20/03 Académica (C) V 3-1
03/04 slb (F) V 2-1
10/04 Portimonense (F) V 3-2
27/04 SCP (C) V 3-2
01/05 V. Setúbal (F) V 4-0
08/05 Paços Ferreira (C) E 3-3
14/05 Marítimo (F) V 2-0

Época 2011/12 (Vítor Pereira)
14/08 V. Guimarães (F) V 1-0
19/08 Gil Vicente (C) V 3-1
06/09 U. Leiria (F) V 5-2
09/09 V. Setúbal (C) V 3-0
18/09 Feirense (F) E 0-0
23/09 slb (C) E 2-2
02/10 Académica (F) V 3-0
23/10 Nacional (C) V 5-0
28/10 Paços Ferreira (C) V 3-0
05/11 Olhanense (F) E 0-0
27/11 SC Braga (C) V 3-2
11/12 Beira-Mar (F) V 2-1
18/12 Marítimo (C) V 2-0
07/01 SCP (F) E 0-0

Resumo:
Época J V E D GOLOS
2009/10 9 8 1 0 27-8
2010/11 30 27 3 0 73-16
2011/12 14 10 4 0 32-8
Total: 53 45 8 0 132-32


Nota: As imagens são do Suplemento JN Desporto "Penta Campeões" e foram obtidas no blogue 'Pobo do Norte'.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Um Clássico de que Domingos guarda grandes recordações



O jogo de hoje trará decerto à memória do nosso antigo grande jogador Domingos Paciência alguns dos mais inolvidáveis momentos da sua carreira. De facto, a par do seu companheiro de ataque Emil Kostadinov, Domingos assinou em Alvalade (no antigo) umas gloriosas páginas da epopeia azul-branca.

Recordo aqui algumas:

1. 1993/94 - Poucos dias depois de um heróico empate na "banheira" de Roterdão contra o Feyenoord, que garantiu ao F.C. Porto a passagem à fase seguinte da Liga dos Campeões, a equipa deslocou-se a Alvalade. Pois bem, logo aos seis minutos, Domingos inaugurou o marcador. Seguiu-se mais uma exemplar exibição defensiva sob a batuta do maestro Tomislav Ivic. O resultado não sofreria alteração. Foi de tal modo a exibição defensiva do F.C.P., contra um adversário que, além de ter uma grande equipa, era orientado por Bobby Robson, que no final, o então Vice-Presidente do clube José Guilherme Aguiar exclamou: "Temos a melhor defesa da Europa!".

2. 1994/95 - A poucas jornadas do termo do campeonato, o F.C. Porto deslocou-se a Alvalade, sabendo que uma vitória lhe daria o título no próprio covil do leão. Pois bem, depois de ter tido um golo limpo mal anulado na primeira parte, Domingos inauguraria o marcador, de penalty, no início da segunda parte. Seria esse o resultado final, e os dragões, sob o comando do atrás referido Bobby Robson, festejaram mesmo o título em Alvalade.

3. 1995/96 - Em Janeiro de 1996 o F.C. Porto entrou em Alvalade (à época mais pelado que relvado) com 5 pontos de avanço. Na segunda parte, o já temidíssimo Domingos Paciência, facturou por duas vezes. Bobby Robson dançava em frente à bancada central de Alvalade. Os Super-Dragões, virados para o camarote onde se sentava o Presidente do clube anfitrião, clamavam: "Santana, ca--ão, o Porto é campeão!" Ainda não era - era cedo - mas viria a sê-lo.

Obrigado, Domingos, por tantas e tão inolvidáveis proezas em Alvalade. Hoje, como comprenderás, espero que de novo o azul-branco triunfe, como tantas vezes fez com o teu fantástico contributo!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Herdeiro de Robson

Por Miguel Lourenço Pereira


Quando foi apresentado, André Villas-Boas fez questão de reforçar que não era um “clone” de José Mourinho. Recuou no tempo e reclamou a sua sentida afinidade com Bobby Robson, por ter “ascendência inglesa, nariz grande e gostar de vinho”. Dois meses depois do arranque da época Villas-Boas continua a parecer-se mais ao treinador britânico. Até no relvado.

É só uma curiosidade repleta de ironia mas foi precisamente na Madeira que o discípulo igualou o mestre. Villas-Boas confirmou a sua quinta vitória consecutiva no arranque da Liga Sagres, emulando o feito do técnico inglês em 1994/1995. Precisamente o arranque que começou a definir o Pentacampeonato. E se o português está a só dois triunfos de igualar o recorde de Jesualdo Ferreira, as diferenças com o seu antecessor começam a ser mais do que evidentes. E as similaridades com o passado, uma realidade.

Villas-Boas entrou no mundo do futebol pela mão do ex-seleccionador inglês. Vizinho de Robson, um dia o jovem interpelou-o sobre a suplência de Domingos Paciência. Um encontro para a posteridade. De analista de Robson, o jovem técnico passou a ser uma presença regular nas Antas. Forjou-se a amizade com José Mourinho, então também um jovem flamante aprendiz, que permitiu a Villas-Boas regressar pela porta grande ao clube dos seus sonhos. Enquanto Robson, também ele, voltava tranquilamente a casa. Se o aspecto pessoal da relação entre ambos passou à esfera privada, os ensinamentos tácticos do técnico inglês mais bem sucedido no estrangeiro são visíveis no modelo de jogo aplicado por AVB.

Robson, que antes de chegar ao FC Porto tinha sido já bicampeão holandês com o PSV (de um tal Romário) e o mais bem sucedido seleccionador inglês pós-Ramsey, teve, tal como José Mourinho, um laboratório de meio ano para preparar a sua equipa. O seu despedimento abrupto em Alvalade abriu-lhe as portas das Antas e no final da época 1993/1994 montou uma verdadeira máquina de ataque, bem oleada, que garantiu uma recuperação histórica, suplantando no final do ano o flamante Sporting. Durante esses meses (como Mourinho) o técnico aprendeu a conhecer o plantel e a cultura desportiva do FC Porto. Ambos encaixavam como uma luva. O seu 4-4-2, com Kostadinov e Domingos primeiro e logo com Drulovic e Edmilson, funcionava como um relógio nas rápidas transições ofensivas, um conceito que AVB tanto aprecia, apesar de apostar preferir o 4-3-3 ao 4-4-2, então a táctica de voga no futebol europeu.

Tal como o inglês, também Villas-Boas parece gostar de apostar em jogadores capazes de imprimir dinâmica a um meio-campo equilibrado. Emerson ressuscitou em Fernando, fulcral no sentido posicional este ano, enquanto que Paulinho Santos e Semedo imprimem o trabalho que hoje cabe a Moutinho e Belluschi realizar. Ao contrário de muitos técnicos britânicos, a defesa era pedra essencial na estratégia de Robson. Com Vítor Baía na máxima forma acompanhado por um quarteto composto por João Pinto, Jorge Costa (no lugar de Couto), Aloísio e Rui Jorge, o trabalho do sector defensivo era peça nuclear na estratégia ofensiva dos dragões. Tal como Villas-Boas, que apesar de se encontrar com um sector mais recuado sem os nomes que tinha então o inglês e órfão de um líder da casa, se tem esforçado em demonstrar o quão fulcral é manter uma linha defensiva imaculada. O resultado, até agora, é espelho dessa aprendizagem. Uma defesa pouco batida, um ataque extremamente eficaz. A cartilha de Robson posta em prática por outro apreciador de bom vinho do Porto.


Porque nisto do futebol a subjectividade é muita, os números contam. E os números de Robson não mentem. Em 1994/1995, a época do primeiro título nacional, a máquina de ataque do FC Porto apontou 73 golos (num campeonato com 34 jornadas) e sofreu apenas 15. No ano seguinte, já com Inácio muitas vezes ao leme, a equipa superou-se na concretização (80 golos, uma média de 2,3 por jogo) e sofreu apenas 20 tentos. Números que incluem várias goleadas por 6-0 e 5-0 nas Antas, então um recinto inexpugnável, espelho de uma equipa com tracção dianteira. A única assinatura pendente do ainda curto mandato de AVB, o de concretizar as muitas ocasiões criadas. Mas com registos que para lá caminham.

Mas se nem tudo na vida são rosas, também há elementos onde Robson e Villas-Boas se distanciam. O técnico portuense é fruto de outros tempos, aprendiz atento de José Mourinho, o mestre do mediatismo desportivo, e não um gentleman à escola antiga. Sabe como lidar com as “guerras” que pautam o futebol português e é hoje a principal voz do clube.


Robson, técnico fleumático mas sempre correcto, chegou ao Porto na época áurea de Pinto da Costa como voz e rosto do clube e da região. O que não correu tão bem ao britânico, e que é um ponto em que AVB também se distancia, é nas prestações europeias do clube. Robson deixou a sua marca no historial europeu do clube com a mítica vitória por 0-5 frente ao Werder Bremen. Mas a derrota frente ao Barcelona (num jogo em que Aloísio jogou a defesa-esquerdo) abriu uma série negativa que duraria os dois anos seguintes. Primeiro eliminado pela Sampdoria na Taça das Taças por penalties (em 1994/1995) e depois ficando em terceiro na fase de Grupos da Champions League, atrás dos modestos Panatinaikhos e Nantes. Nesse aspecto, uma vez mais, o novo técnico portista tem as suas próprias ideias e prioridades. Bebeu o ADN competitivo de Mourinho, velha raposa, e sabe que no Dragão os objectivos são altos e é preciso corresponder. Misturar o melhor de dois dos mais influentes técnicos na história do clube, é uma missão difícil mas não impossível. AVB, companheiro de batalha de ambos, é o homem certo para fazê-lo.

Muito mudou desde as tardes em que Robson era brindado com os aplausos de um público que sempre engraçou com o técnico. Mas à parte do copo de vinho, do nariz grande e dessa ascendência britânica que tanto o orgulho, André Villas Boas sabe também que tem todas as condições para emular e quiçá superar os méritos do seu velho mentor e amigo. A história e o tempo estão do seu lado. O Dragão espera, relembrando nostalgicamente esses dias inesquecíveis.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Petição "Estátua a José Maria Pedroto"

Como aqui sugeri no artigo comemorativo dos 25 anos do falecimento de José Maria Pedroto, e na sequência dos vários comentários favoráveis à ideia na respectiva caixa, está já lançada a petição online para a colocação de uma estátua do Zé do Boné junto ao Estádio do Dragão.



Parafraseando Sir Winston Churchill "nunca na história do F.C.P. tantos deveram tanto a um só homem".

Este tipo de iniciativa não é inédita. O Ipswich Town homenageia do mesmo modo o saudoso Sir Bobby Robson junto ao seu estádio de Portman Road, o mesmo fazendo o Manchester United em relação a Sir Matt Busby junto a Old Trafford (fotos neste artigo) e o Dínamo de Kiev a Valeriy Lobanovskyi em frente ao seu estádio.



Os interessados em assinarem a petição devem seguir este link:

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1035

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Adeus Sir Bobby Robson

De acordo com um comunicado da família, Bobby Robson «perdeu a sua longa e corajosa batalha contra o cancro e morreu, em paz, na manhã de hoje, na sua casa do condado de Durham, com a mulher e a família ao seu lado».
Bobby Robson, que enquanto futebolista representou a selecção inglesa nos Mundiais de 1958 e 1962, sofria de uma doença cancerígena e já tinha sido submetido a cinco operações.
Em Portugal, Bobby Robson orientou o Sporting, transferindo-se, depois, para o FC Porto, clube ao serviço do qual conquistou dois campeonatos e um taça de Portugal.

Robson orientou ainda o PSV Eindhoven, o Ipswich Town e o FC Barcelona, e desempenhou o cargo de seleccionador inglês entre 1982 e 1990.
Terminou a carreia de treinador em 2004, quando orientava o Newcastle United.
Lusa/SOL


Sir Bobby Robson, aqui lhe deixamos o nosso Obrigado pelo seu exemplo de perseverança, de paixão pela vida e de paixão pelo futebol.

Neste momento faço nossas as palavras do José Correia, aqui no Reflexão Portista, em 4 de Fevereiro de 2009:

Bobby Robson era (é) de facto um senhor, um gentleman do futebol, embora nos dois anos e meio em que foi treinador do FC Porto tenha sido brindado com os impropérios do costume da comunicação social lisboeta (são todos óptimos, mas só quando saem do FC Porto...).

(…), lembro-me de um fantástico Werder Bremen x FC Porto, em que vencemos uma das melhores equipas da Alemanha, no seu terreno, por 5-0.

Entre outras coisas, Bobby Robson foi o "pai" da equipa que haveria de conquistar o Penta, três anos após a sua saída.

Como portista, embora tenha consciência que o FC Porto representa apenas uma pequena parte da sua carreira, estou-lhe grato pela herança que nos deixou como treinador dos Dragões.

domingo, 15 de março de 2009

Tenho saudades de uma goleada

Daquelas à moda antiga, assim a coisa de 7, e ainda falhar mais uns 5.

Daquelas em que se humilha mesmo o adversário.

Daquelas em que a gente chega ao fim e até tem pena dos homens e ainda os aplaude.

Daquelas para as quais a palavra massacre foi criada.

Tenho mesmo saudades.

Daquelas em que, durante a semana, a discussão passa a ser a falta de competitividade do futebol português.

Daquelas que materializam o killer-instinct de Sir Bobby Robson, mesmo daquelas de 5-0 contra o Tirsense em que o homem ficava fulo da vida por só terem sido 5.

Como aquela com que o Porto de Ivic abriu a época de 1987/88, 7-1 ao Belenenses, jogo do qual guardo na memória uma frase ao 5º golo: "Eh pá! vou lá fora comprar outro bilhete que um jogo destes merece".

Ou os 0-5 ao Werder Bremen.
Ou os 0-5 no galinheiro.

Ou como o "bater em ceguinhos" com Juv. Évora em que o Jardel marcou 7 em 45 minutos.

Se não me quiserem fazer a vontade, já me contento com uma goleada moderna, que aqui que ninguém nos lê, nos dias de hoje - no Dragão - quer dizer: ganhar o jogo.

É que já demos baldas suficientes.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sir Bobby Robson

Para abrir e fechar* as hostilidades: nunca lhe perdoarei aquela de colocar o Aloísio a defesa-esquerdo em Camp Nou.

Tínhamos saído da gloriosa jornada de Feyenoord, em que o Ivic colocou o maior autocarro do mundo à frente da baliza, e como não resistiu ao apelo da Federação Croata FIFA lá tivemos de abrir mão do homem. Por mero acaso José Mourinho tinha sido despedido de tradutor da lagartagem, e PdC usando a sua enorme perspicácia decidiu contratá-lo, no pacote veio um tal de Bobby Robson.

Qual Desejado, foi num dia de nevoeiro que chegou às Antas onde ainda não tinha chegado a moda dos centros de estágio e dos treinos à porta fechada, e foi o último treinador de quem acompanhei de quando em vez os treinos. E se sentado no banco de suplente, naqueles 90 minutos, sempre o achei uma "nódoa", o mesmo já não digo dos seus treinos. O homem tinha paixão pelo jogo e transmitia isso a todos que o rodeavam. Era um prazer ver aqueles treinos e aqueles jogos e ver que o seu grau de exigência era sempre elevado.

Lembro-me numa semana que antecedeu um Porto - ben7fica, de o ver nos treinos dessa semana a insistir com uma jogada entre o Secretário e o Drulovic. O Secretário avançava pela direita, centrava para o segundo poste onde aparecia o Drulo a rematar, e ele a insistir para o Drulo rematar para o second post. E vai mais uma vez, e outra, e outra e sempre: "DRULOVIC, SECOND POST". No dia do jogo, lá vai o Secretário pela direita, centra e aparece a bola à frente do Drulo, este remata ao 1º poste e permite a defesa ao guarda-redes. Só me lembro de olhar para o banco e vê-lo quase a arrancar cabelos. Na semana seguinte lá estava a sua boa disposição novamente nos treinos e a insistir mais uma vez com o Drulo.

Hoje foi a doença que lhe arrancou os cabelos, depois de ter insistido, uma e outra e outra e outra e outra vez sempre com o mesmo sorriso. Um dia destes vamos abrir o browser, o jornal, ligar a rádio ou receberemos um mail e lá vai estar a notícia a anunciar-nos o inevitável.

Nesse dia vou recordar o homem do killer instinct, que num dia de goleada 5-0 ao Tirsense (com 5-0 ao intervalo), mandou uma rabecada valente aos jogadores por terem relaxado na 2ª parte - e fez questão de o dizer na conferência de imprensa.

De uma entrevista à revista Dragões:
Desenvolvemos bem o conceito de Killer Instinct. Tentámos manter um ascendente permanente. Procuramos estar sempre em boa posição durante todo o jogo. Não nos interessa iniciar o desafio com calma porque ainda está nos primeiros minutos e é preciso primeiro aguentar e assentar o jogo. É claro que isso é importante, mas não é suficiente para o FCPorto, já que pretendemos dar pelo menos a ideia de que vamos ganhar. É evidente que nem sempre resulta mas a intenção está lá e é só uma: ganhar. Então, se marcamos um golo está bem, é óptimo, mas vamos lá tentar outro. E se obtivermos outro, excelente, mas o jogo continua e vamos procurar ainda outro golo. Temos de continuar a atacar e atacar, para obtermos tantos golos quanto pudermos.

Tenho pena que esta filosofia de futebol (e de vida) esteja arredada de algumas cabeças que por aí andam, e que muitas pessoas se contentem só com vitórias. Que não se procure a excelência, dia após dia.

E porque é que o público começou a regressar ao estádio? Porque gostam do que veêm. É um divertimento. Se se pretende ter o público de volta ao futebol é preciso entretê-lo, dar-lhe espectáculo. Porque é que se vai ver um filme? Porque é um bom filme. Se for mau as pessoas não vão. Com o futebol passa-se o mesmo. Se a equipa estiver a jogar mal, as pessoas não vão ver. Logo, o futebol é uma forma de espectáculo.


Espectáculo é também a forma como tem lutado contra os cancros, e hoje que é o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o seu exemplo deve ser devidamente realçado.

Sir Bobby Robson, aqui lhe deixo o meu Obrigado pelo seu exemplo de perseverança, de paixão pela vida e de paixão pelo futebol.



* Fechar é como quem diz. Também não me esqueço do Mogrovejo, Walter Paz, N'Tsunda e Mandla Zwane ou o ostracismo a que chegou a votar o Domingos. O que verdadeiramente o safa foi o seu empenhamento em que o relvado das Antas fosse trocado e termos tido nos últimos anos do Estádio das Antas o melhor relvado que alguma vez se viu num estádio de futebol.

domingo, 31 de agosto de 2008

ben7ica 1 - FC Porto 1

Um dia, já lá vão quase 13 anos, após um FC Porto - Tirsense que ficou 5-0, Bobby Robson aparece na conferência de imprensa com cara de poucos amigos e diz mais coisa menos coisa - mas antes convém dizer que ao intervalo já estava 5-0 (vou fazer de Mourinho e traduzo):

Os jogadores estão ali no balneário contentes porque ganhámos 5-0, eu estou aqui furioso porque só ganhámos 5-0, temos de ter killer instinct.


Mais tarde diria em entrevista à revista Dragões: Procuramos estar sempre em boa posição durante todo o jogo. (...) É claro que isso é importante, mas não é suficiente para o FCPorto, já que pretendemos dar pelo menos a ideia de que vamos ganhar. É evidente que nem sempre resulta mas a intenção está lá e é só uma: ganhar. Então, se marcamos um golo está bem, é óptimo, mas vamos lá tentar outro. E se obtivermos outro, excelente, mas o jogo continua e vamos procurar ainda outro golo. Temos de continuar a atacar e atacar, para obtermos tantos golos quanto pudermos.

Hoje, 1-1 na casa de um dos tradicionais candidatos ao título parece ser um bom resultado, se virmos o historial até o é, se virmos que estamos no início da uma maratona até o pode ser. Eu próprio até tinha prognosticado que o resultado ia ser um empate, mas ...

Mas um jogo de futebol são 90 minutos, e após estes 90 minutos sinto que falta qualquer coisa - a vitória, e que esta estava mesmo ali à mão, faltou o tal killer instinct.


foto: Record

Podia falar nas alterações na equipa inicial, que pela primeira vez até "resultaram", muito por culpa da introdução de um trinco. Esta época, se queremos fazer alguma coisa na europa temos de resolver rapidamente esta posição, a jogar com adaptados podemos safar-nos por cá, mas não nos safamos lá fora.

Podia falar no regresso do Fucile, por mais voltas que se dê e por mais jogadores que se contratem, voltamos sempre ao mesmo.

Podia falar nos agarrões, e na constante protecção aos defesas. Se o árbitro e bem marcou a grande penalidade, irritam-me as constantes chamadas de atenção antes da marcação de livres e cantos, marca-se o canto e se o defesa estiver a agarrar o avançado marca-se grande penalidade. Simples! não? É só cumprir as leis de jogo.

Mas vem-me sempre à cabeça o Killer Instinct. Tenho a certeza que hoje Sir Bobby Robson estaria furioso.

Destaque positivo:

Lucho - Quase que diria: aumentem-lhe o ordenado. E vamos rezando para que o Basile o continue a preservar de viagens à Argentina.

Destaque negativo:

Lisandro - O 2º jogo consecutivo que falha golos de brandar aos céus. O 2º jogo consecutivo que vê um amarelo por protestos. Continua com a mesma vontade e com a mesma garra, mas as coisas não estão a sair como saíram o ano passado. Anda a precisar de voltar a beber Leite?

ps: Nos últimos anos almocei regularmente num café em Gaia, gente simpática, comida barata e uma francesinha bem aceitável, que tinha por lá um fornecedor de tabaco e ao mesmo tempo cliente benfiquista, a quem muitas vezes me apeteceu mandá-lo à merda. Por respeito aos donos do café e por nunca ter sido gajo de me meter em confusões, nunca respondi a provocações que ele ia fazendo.
Hoje revi-o. Foi "cumprimentar" o bandeirinha. O que eu gostava de ser bófia naquele momento.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pontapé de saída

Quem não se lembra dos pontapés de saída nas épocas do Robson? E dos lançamentos laterais, com o Rui Barros a servir de pivot? E dos cantos ao primeiro poste com o Jaime Magalhães a dar um toque para trás?

Eram simples e eficazes, mas havia ali muito treino. Hoje não sei se há treino, mas os lances de bola parada não são, nem simples, nem sequer eficazes. A rever urgentemente, podem ser a diferença numa liga dos campeões.

E está dado o pontapé de saída aqui no novo estaminé.