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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Competições em Portugal estão viciadas

Ainda relativamente ao jogo SC Braga x FC Porto, os painéis de análise compostos por ex-árbitros dos 3 jornais desportivos diários são unânimes: a arbitragem de Hugo Miguel do último Sábado foi "desastrosa".

capa ABOLA

capa OJOGO 

capa Record

Mas não é tudo. Aos 88 minutos o árbitro expulsou Brahimi, que se encontrava no banco de suplentes depois de ter sido substituído por Otávio. A expulsão aconteceu a pedido do 4º árbitro, Tiago Antunes, que por auricular avisou Hugo Miguel que deveria mostrar o cartão vermelho ao jogador argelino por "gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade". De acordo com o relatório do árbitro: "(...) o jogador dirigiu-se ao quarto árbitro a gritar palavras de forma brusca e agressiva, tendo encostado a sua face à face daquele".

Portanto, gritar palavras (imperceptíveis) de forma brusca e agressiva, encostando a face à face de uma elemento da equipa de arbitragem dá lugar a suspensão de 2 jogos? Não sabia...


O argumentário utilizado pelo CD não poderia ser mais indicador da parcialidade deste órgão. Tratam-se de situações que acontecem em vários jogos mas que, em função do Clube em causa, merecem análises diferentes. Os árbitros decidem de uma forma se se tratar do Benfica e de outra se se tratar do FC Porto, o que causa distorções significativas no desfecho dos jogos. Depois da eliminação do FC Porto da Taça de Portugal com uma arbitragem de João Capela que teve influencia no resultado, temos assistido a uma dualidade de critérios gritante e inaceitável no Campeonato. As competições em Portugal estão viciadas. E sempre a favorecer o mesmo clube.
   

quarta-feira, 29 de março de 2017

A força do SLB

No âmbito de uma pressão despudorada sobre os principais agentes do futebol português, o SLB, no passado dia 20 de Março, emitiu um comunicado em que disse haver “uma inequívoca dualidade de critérios da justiça desportiva, até hoje não contestada, em que só os processos que envolveram o Sport Lisboa e Benfica (Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Rui Vitória) conheceram uma decisão célere e penalizadora, em contraponto com uma total ausência de decisões sobre outros processos, alguns bem mais antigos, que envolvem outras instituições e agentes desportivos”.

Dito e feito. Apenas oito dias depois, a FPF concluiu dois processos antigos (de 2015!) e castigou, de forma pesada, o presidente e o diretor geral da SAD (para a área desportiva) do Sporting.

Benfica queixa-se, FPF castiga Sporting

Como não acredito em coincidências destas, das duas uma:
i) As queixinhas (comunicado) do SLB condicionaram o órgão disciplinar da FPF;
ii) Houve uma fuga de informação de dentro do órgão disciplinar da FPF, o SLB soube que os dirigentes do Sporting iam ser castigados e antecipou-se (para preparar o terreno mediático).

Seja qual for o caso, eu diria, parafraseando e adaptando uma conhecida expressão da política, que…

… assim se vê, a força do SLB.


P.S. Enquanto o “edifício de poder” do futebol português, construído paulatinamente pelo SLB, peça a peça - Cunha Leal, Ricardo Costa, Vítor Pereira, reformulação dos observadores dos árbitros, Ferreira Nunes, mudanças nos delegados da Liga, Mário Figueiredo, árbitros internacionais da "nova geração", etc. -, ao longo dos últimos 15 anos, não for totalmente arrasado, será difícil outro clube ganhar o campeonato. Só por distração do “polvo”.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Circo Cardozonali no Jamor

1. «Momento muito tenso em Dusseldorf, Luisão aproximou-se do árbitro a reclamar da expulsão de Javi, tendo empurrado o juiz alemão. Temeu-se o pior, pois o árbitro esteve durante alguns segundos deitado no chão sem reação. (...) Os jogadores do Benfica estão todos sentados no banco de suplentes ainda sem saber se o encontro irá recomeçar. Jesus e Javi García vão conversando, ao mesmo tempo que se riem da situação, que, diga-se, foi um pouco caricata.»
in record.pt

A época do slb começou com este “belo exemplo de conduta desportiva”, protagonizado pelo capitão dos encarnados, o qual, num jogo particular disputado em Agosto de 2012, deu uma peitaça no árbitro alemão Christian Fischer, que caiu desamparado no relvado.

Nem percebi que jogador foi. Ia mostrar o segundo cartão amarelo a outro jogador e há ainda dois outros jogadores do Benfica que se colocam no meu caminho. Foi como se tivesse ido contra uma parede. Estou chocado. Nunca me acontecera nada do género em 20 anos de arbitragem.
Nem o jogador, nem o clube pediram desculpa. Pelo contrário.
Christian Fischer

De facto, não só não pediram desculpa ao árbitro alemão, como se riram da situação. E mais, com o apoio da comunicação social do regime e dos comentadores talibans do costume (o que terá dito a benfica TV?), desculpabilizaram a atitude de Luisão e fizeram uma triste campanha contra o árbitro alemão.


2. Em Fevereiro, no jogo Nacional x slb para o campeonato, ocorreu mais um caso de indisciplina grosseira, envolvendo um árbitro e um jogador dos encarnados de Lisboa.
Após ser expulso, por ter pontapeado um jogador do Nacional, Cardozo dirigiu-se de forma agressiva ao árbitro do encontro, tendo, inclusivamente puxado a camisola de Pedro Proença.

(Cardozo e Pedro Proença, Nacional x slb)

Mais uma vez, dirigentes, comentadores e a generalidade dos adeptos do clube do regime, que ainda hoje, passados 20 anos, falam e dão como exemplo um célebre caso envolvendo o árbitro José Pratas e jogadores do FC Porto, uniram-se numa campanha de lavagem, desvalorizando o que todo o país viu, de modo a conseguirem uma pena mínima para o ponta-de-lança paraguaio. E conseguiram, não uma pena mínima, mas que o Conselho de (in)Disciplina da FPF lhe atribuísse uma pena verdadeiramente ridícula, equivalente a um castigo para uma expulsão por dois cartões amarelos: 1 jogo de suspensão!


3. Uns instantes após a conclusão da final da Liga Europa, numa altura em que os jogadores do Chelsea faziam a festa no ArenA de Amesterdão, Enzo Pérez dirigiu-se a Jorge Jesus de forma desabrida, apontando para a marca de canto. A “animada conversa” entre jogador e treinador dos encarnados durou alguns segundos, com o internacional argentino, completamente descontrolado, a agarrar a roupa de Jorge Jesus, que respondeu da mesma forma.

O que fizeram os dirigentes benfiquistas?
Nada.
Mais. Enzo Pérez foi titular no jogo seguinte (slb x Moreirense), disputado no estádio da Luz, tendo sido dos jogadores mais aplaudidos pelos adeptos que estavam nas bancadas da “catedral benfiquista”.


4. E se a época tinha começado em grande na Alemanha, terminou ainda melhor no Jamor.
Mal o árbitro deu por terminada a final da Taça de Portugal, Cardozo dirigiu-se ao seu treinador, puxou-o e, de dedo apontado em riste, acusou-o de ser o culpado da derrota.
Não satisfeito, e apesar das tentativas para o acalmarem, Cardozo ainda deu um encontrão no treinador-adjunto e dirigiu-se ao seu companheiro de equipa André Almeida, fazendo dele um outro alvo da sua ira.
Tudo isto se passou em pleno relvado do Jamor, perante milhares de pessoas, mais os milhões que assistiam atónitos via TV.

Evidentemente, num clube a sério, dirigido por pessoas que impusessem o mínimo de respeito, cenas de indisciplina grave como as que se verificaram esta época, protagonizadas por jogadores que ganham milhões, teriam consequências.
Por exemplo, se a coisa tivesse acontecido no FC Porto, não acredito que Cardozo voltasse a vestir a camisola azul-e-branca e, provavelmente, nem teria saído do Jamor na camioneta da equipa.
Mas, conforme disse o treinador Artur Jorge após ter sido dispensado, o slb é um circo e, por isso, tudo é possível.

P.S. Esqueci-me de dizer que a culpa disto tudo é dos árbitros e do Pinto da Costa…

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Castigos à portuguesa

O circo está montado, como o futebol português gosta.
Num dia como hoje em vez de se falar de futebol, os responsáveis pela organização dos torneios que se disputam neste rectângulo voltam a demonstrar o seu apetite pelo polémico e pelo ridículo. Não só confirmam publicamente aquilo que muitos já suspeitavam - a não suspensão do FC Porto da Taça Liga por um vazio legal - como ainda dão um bónus ao SL Benfica inesperado. Porque vale mesmo tudo.

No que nos toca, a decisão deixa em mau lugar, sobretudo, a própria Liga de Clubes.
Responsável por uma competição desenhada sobre o joelho, para agradar aos clubes grandes e gerar as receitas que se podiam perder com a redução de equipas da primeira divisão, a Liga meteu o pé pelas mãos uma vez mais com este imbróglio  Já deixei aqui a minha posição e não me vou repetir. Acho que houve um erro de facto, acho que o clube devia ter sido mais frontal e que se as coisas fossem feitas com pés e cabeça, o FC Porto não estava em competição. Mas estamos. Porque a Liga descobriu rapidamente que o vazio nos regulamentos é de tal ordem que não havia fundamentos legais para condenar o clube dessa forma. Curiosamente, deixa cair na imprensa que a decisão é passível de recurso, dando esperanças ao Vitória de Setúbal e ao "amigo" Sporting de Braga, que supostamente esteve por detrás de uma denúncia que nem a própria Liga se dera conta em tempo real. Ou seja, estamos na Taça da Liga mas de um momento para o outro podemos deixar de estar, só porque a alguém lhe apeteça complicar mais as contas. Tipicamente português. Por coisas como esta acho que o FC Porto fazia melhor em utilizar as semanas de competição para uma digressão pela América do Sul. Fazíamos mais dinheiro e não tínhamos de aturar este ridículo. De certa forma, jogar estes dois jogos também é uma hábil forma de nos castigar onde realmente conta.

Por certo, estamos na Taça da Liga mas, olhando para o cenário, melhor não estar.
Temos uma meia-final complicada com um Rio Ave que tem demonstrado ser um osso duro de roer e uma hipotética final com Braga ou Benfica. Jogos que vão ser física e mentalmente exigentes numa altura da temporada em que não nos podemos dar ao luxo, não com o plantel que temos, de estar a máximo gás na Champions League e no mano a mano com o Benfica na Liga. Se não tivéssemos empatado com o Olhanense, podíamos respirar um pouco melhor, assim sendo a tensão é máxima e 180 minutos a mais nas pernas (como mínimo) não são bom sinal. E a troca de quê realmente?



Mas para compensar os 6 milhões de adeptos que não conseguem entender o conceito jurídico de vazio legal, era preciso fazer algo. Sendo assim, Oscar Cardozo, o boxeur paraguaio que joga de vez em quando à bola, foi suspenso com um só jogo. Se pensarem bem, é uma suspensão que faz todo o sentido. Afinal, agredir em campo e ameaçar um árbitro deveria equivaler sempre a ser expulso por duplo amarelo, não vejo onde esteja a diferença. Especialmente se jogam de encarnado, assim sendo até me surpreende que o suspendam um jogo sequer. Se ainda fosse o Lima...

Claro que quem está por detrás destes castigos teve por bem não ter em conta antecedentes, que no caso de Cardozo (e de Matic) são sobejamente conhecidos, nem sequer o regulamento que a FIFA e a UEFA defendem para as suas competições, onde um vermelho directo por agressão é castigado sempre entre dois a quatro jogos, como até o imparcial A Bola adiantou, desesperadamente, depois do jogo. O Record falou em 14 jogos, mas como já sabemos com o é o Record, deixemos as coisas aí. Mas como aqui nem há antecedentes, nem uma agressão captada pelas câmaras de televisão, nem sequer está em causa o continuar de uma série de comportamentos a que outros boxeurs de encarnado como Maxi ou Luisão têm praticado a belo prazer ao longo da época, nada a dizer. Coerência senhora, acima de tudo, coerência!

É possível - mas não provável - que esta suspensão não esteja ligada à agressão, que anunciem que depois vem um processo disciplinário, daqueles que demoram tempo e são para cumprir na época seguinte, ou quando já não for realmente importante para o profeta da Luz contar com o paraguaio. Também me parece bem, afinal não queremos ir aos Aliados em Maio sem saber que, uma vez mais, jogamos contra mais do que onze - como deixou cair, talvez premonitoriamente, Pinto da Costa ainda há dois dias - e que o rival não teve direito a todos os argumentos possíveis e impossíveis para ganhar o terceiro título em 18 anos.

Portanto, para agradar a um clube, ao qual não se podia castigar, dá-se a "benesse" de permitir continuar em prova numa competição que o mesmo clube repetidamente (e bem) ignorou. Para agradar ao outro, ao que se podia e devia castigar exemplarmente, dá-se a benesse, de permitir aos seus jogadores continuarem a comportar-se como hooligans quando as coisas não funcionam em campo. Obrigado futebol português por seres como és, se não fosses assim, ganhar tanto durante tanto tempo não era a mesma coisa!