Mostrar mensagens com a etiqueta Hernâni. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hernâni. Mostrar todas as mensagens

sábado, 18 de abril de 2015

3 pontos a pensar em Munique

15 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do FC Porto x Bayern Munique
21 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do Bayern Munique x FC Porto

No interesse do FC Porto, mas também do futebol português (quantas vezes é que as meias-finais da UEFA Champions League tiveram a participação de um clube português?), o FC Porto x Académica não devia ter sido disputado hoje.

Contudo, como a Liga não aceitou o adiamento do jogo e, ainda por cima, o presidente dos árbitros, o senhor Vítor "Sistema" Pereira, teve o descaramento de nomear o "artista" Duarte Gomes, Julen Lopetegui fez o que tinha de fazer e escalou um onze inicial a pensar no jogo mais difícil e, talvez, mais importante que os dragões irão disputar esta época: o Bayern München x FC Porto da próxima terça-feira, no Allianz Arena.

Assim, fora do onze inicial, ficaram Maicon, Marcano, Indi, Casemiro, Herrera, Óliver, Brahimi, Quaresma e Jackson, que se prevê irem ser titulares em... Munique.

Pensei que Ricardo também ia ser poupado e que Danilo (que não poderá jogar em Munique) iria jogar. MAS, atendendo a que Danilo está no limiar dos cartões amarelos (o árbitro era Duarte Gomes!!) e que Ricardo precisa de ganhar algum ritmo de jogo, Lopetegui fez bem em o ter escolhido para o onze inicial.

Ricardo

Perante estas escolhas, suponho que ninguém estaria à espera de uma exibição de luxo. Isto não é pegar em 11 jogadores, por melhor que eles sejam, mandá-los lá para dentro e agora, olhem, entendam-se...
O futebol é um jogo colectivo e, para as coisas saírem bem, é preciso entrosamento, rotinas, mecanização, movimentações treinadas, jogadas estudadas, etc. e ritmo de jogo.

Mesmo assim, o jogo poderia ter ido para intervalo com o FC Porto a ganhar por 4-1 e podia ter terminado 7-2.
Não foi assim. Apesar das oportunidades flagrantes, para os dois lados, só houve um golo, marcado por Hernâni, que me pareceu um dos mais empenhados, no tal jogo que não deveria ter sido disputado hoje.

Quaresma e Brahimi, de fora, dão os parabéns a Hernâni

Em sentido contrário esteve Quintero, que voltou a desperdiçar a n-ésima oportunidade que Lopetegui lhe concedeu.
O que se passa com este rapaz? Quer seguir as pisadas dos seus compatriotas Falcao, Guarín e James?
OK, mas primeiro tem de mostrar o que vale, porque ter um talento inato não chega.

Quem também esteve abaixo do que seria expectável foi Aboubakar, ao ponto de obrigar Lopetegui a substituí-lo por Jackson, a cerca de 10 minutos do fim. Aliás, o ponta-de-lança camaronês deve ter consciência que fez um jogo muito fraco, porque me pareceu ter saído chateado consigo próprio.
Se Aboubakar continuar a jogar a este nível e confirmando-se a pré-anunciada saída de Jackson no final da época, a SAD terá de ponderar uma ida ao mercado.

Em resumo, este jogo valeu pelos 3 pontos, por mais ninguém se ter lesionado e por não haver castigados para o jogo da Luz.

E agora, Munique...

Os adeptos também a pensar em Munique

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Hernâni, Ramin e um célebre FC Porto - Académica

Hernâni estava lançado em voo de glória. Goleador de auréola cada vez mais refulgente. Nascera em Águeda e mal começara a dar os primeiros passos seu pai levava-o garboso a assistir aos seus treinos de basquetebolista no Recreio. E entranhara-lhe já paixão pelo Benfica, de tal forma o catraio não parava de dizer, ufano, que era «benfiquista até à medula». Mas para o basquetebol não mostrava muita inclinação. Para o futebol, sim – e só pensava imitar os seus ídolos, o Albino, o Francisco Ferreira, o Pinga (cujo único defeito era, cria, não ser do... Benfica).

A sua fama de futebolista no Futebol Clube de Águeda (outro desgosto ter de jogar de azul e branco...) depressa alastrou e um dia Soares dos Reis chegou a Águeda para o levar para o F. C. Porto. Dona Aurora ouviu a «trágica» notícia e impediu o filho de sair de casa durante dois dias. Tinha 16 anos. Pouco depois, dois emissários do Benfica procuraram seu pai, tudo ficou mais ou menos combinado, o senhor Manuel Ferreira Barreira até ficou com o dinheiro para as passagens de comboio, em primeira classe, de Águeda para Lisboa. Ao sabê-lo, a mãe entrou em depressão, Hernâni, vendo-a assim, desistiu da aventura...

Até que em 1949, mal acabara de fazer 18 anos, Alberto Augusto, o célebre «Batatinha», que jogara no Benfica e, de parceria com Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira e de seu irmão Artur Augusto (o primeiro «internacional» do F. C. Porto), fizera parte da primeira Selecção que defrontou a Espanha, era, nesse comenos, treinador portista. Foi a Águeda ele próprio falar com D. Aurora, pedindo-lhe que não permitisse que o seu desvelo de mãe destruísse o destino do filho fadado para altos voos. A senhora impressionou-se e com poalha de orgulho acedeu – que sim, que fosse jogar a bola para o F. C. Porto, mas com uma condição: continuar a viver em casa, em Águeda.

Com uma emoção confusa, feita de medo e de ilusão de fastígio, Hernâni estreou-se, pelo F. C. Porto, contra o Estoril, substituindo Araújo. Como se houvesse nisso, simbolicamente, passagem de testemunho. Marcou um golo e ficou lançado. Com pátulo para a glória. E prazer no sofrimento de ter de fazer, duas vezes por semana, 150 quilómetros para se ir treinar à Constituição.

Numa manhã de 1952, o carteiro deixou na sua casinha do Bairro da Venda Nova uma carta que sobressaltou toda a família – estava convocado para o Regimento de Cavalaria 7, em Lisboa. Teve de partir. E foi jogar para o Estoril. No final da época transferiram-no para Santa Margarida e... regressou, naturalmente, ao F. C. Porto. Apenas se poderia treinar uma vez por semana na Constituição, estando obrigado a entrar no quartel logo após os jogos para que fosse dispensado, mesmo que madrugada dentro. Era um pequenino privilégio, que agradecia muito...

Em 1953, o Sporting chamou-o a integrar a sua equipa, em digressão ao Brasil. Convidado foi, também, Mário Wilson. Ficou quente a amizade. Mas, por vezes, no calor da luta há sentimentos que se apagam. Foi o que aconteceu naquela tarde em que os deuses pareciam querer evitar que Hernâni ganhasse o seu primeiro título de Campeão Nacional da I Divisão, durante o dramático jogo com a Académica...

«Ramin defendia tudo, quando o árbitro assinalou a grande penalidade a nosso favor, os meus companheiros já perturbados pelo teimoso nulo viraram as costas, não quiseram, sequer, ver-me apontar a falta. Mas esse foi o penalty mais fácil de marcar da minha vida. Estávamos havia mais de uma hora sem marcar, a Académica não podia perder, era uma dificuldade tremenda para nós, Mário Wilson e Torres mandavam na defesa, Ramin defendia tudo. Quando o penalty surgiu apoderou-se imediatamente de mim a ideia de que tinha chegado a hora de fazer o que não conseguíramos durante uma hora, quando já muita gente descria. Tive concentração, bati a bola, foi uma enorme explosão no estádio, uma alegria extraordinária. Sempre tive o melhor relacionamento com Mário Wilson, amizade que tinha ficado consolidada nessa famosa digressão que o Sporting fez ao Brasil. Quando o árbitro assinalou a grande penalidade, gerou-se a habitual confusão, eu fugi do barulho, com o intuito de não me enervar e não perder a concentração. O Mário Wilson, com aquela habitual calma, veio junto de mim e, em tom de chalaça, tratando-me por... Ferreira da Silva, disse-me que iria deitar a bola para fora! Repetiu a frase e quando se preparava para a lançar pela terceira vez, respondi-lhe com meia dúzia de asneiras, agastado com ele. Retirou-se. No final do jogo, naquele momento emocionante da festa indescritível do título, abeirou-se de mim, abraçou-me e ainda comovido disse-me que não sabia que era tão malcriado

Glória e Vida de Três Gigantes
in A BOLA


Quando eu era miúdo, o meu pai contou-me a história deste FC Porto - Académica, da época 1955/56.

Quatro anos antes, em 1952, os portistas tinham concretizado um sonho, com a inauguração do Estádio das Antas, mas desportivamente o FC Porto já não era campeão há 16 anos.
Em 1955/56 o treinador era Yustrich (o homão), um disciplinador que impôs maior profissionalismo e, dispondo de jogadores como Miguel Arcanjo, Virgílio, Monteiro da Costa, Pedroto, Hernâni, Perdigão e Jaburu, entre outros, conseguiu formar uma equipa fantástica e encher de esperança os adeptos portistas.

Contudo, naquela tarde, o destino parecia mais uma vez estar contra nós. Na baliza da Académica estava um guarda-redes, de seu nome Ramin, que defendia tudo. Os minutos passavam, o FC Porto não conseguia marcar e o Estádio das Antas, cheio como um ovo, parecia uma chaminé, com milhares de adeptos, de nervos em franja, a fumar cigarros atrás de cigarros.

Até que ocorreu o tal lance do penalty, convertido por Hernâni, transformando o Estádio das Antas num vulcão e abrindo caminho a uma vitória por 3-0 e ao titulo de campeão nacional, que nos fugia desde 1939/40.

Hernâni Ferreira da Silva e Orlando de Carvalho Ramin, nunca os vi jogar, mas de tantas vezes obrigar o meu pai a contar-me as ocorrências deste jogo, é como se tivesse estado lá.

Nota final: Ao recordar este jogo queria, em primeiro lugar, lembrar o meu pai, mas também toda uma geração de adeptos portistas que, ano após ano, sofriam com as "calabotices" do sistema e, é justo reconhecê-lo, também com alguma incompetência própria.

P.S. As fotos inseridas no texto de A BOLA são da minha responsabilidade.