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quinta-feira, 30 de maio de 2019

O Clube do amanhã: apostar nos miudos ou nos bolsos alheios?


É sempre uma alegria especial quando o FC Porto levanta um título mas talvez seja maior ainda quando são títulos dos putos. Os putos da casa. Os que sentem a camisola, muitos deles andam ali desde muito pequenos. São o nosso ADN e seja qual for o futuro que lhes depara, sempre vão ser parte nossa. A formação do FC Porto foi campeã da Europa há um mês e sagrou-se campeã nacional ontem. Uma dobradinha sem paralelo na história do futebol português. O impacto mediático foi quase nulo em ambos casos. O FC Porto forma bem, muito bem, mas vende-se mal, muito mal. Para muitos esse é um problema. Não é. O grande problema é outro. O FC Porto forma bem, muito bem, mas aproveita pouco, muito pouco. Esse é talvez o maior desafio com que nos encontramos para o futuro imediato. Aproveitar uma geração excelente ou deitar fora uma oportunidade histórica para beneficio próprio de uns poucos.

Durante anos ouvimos lenga-lengas sobre a impossibilidade de ser competitivo recorrendo a jogadores da formação. O exemplo claro era o Sporting, um clube que raramente deveria servir de exemplo para o que fosse (formaram o melhor jogador europeu de sempre e deixaram-no sair por tostões), e o discurso apontava à necessidade de experiência, maturidade e que a formação fosse apenas um complemento. Claro que o Barcelona tratou de desmentir isso mas como tinham um génio absoluto como Messi tudo ficou relativizado. Também não ajudou o facto do Porto, entre a era Mourinho e os anos de Conceição, realmente, não ter tido uma grande formação. Geraram-se grandes expectativas com alguns jogadores pontuais mas nunca nenhum deu verdadeiramente o salto. Havia alguns títulos mas zero impacto no plantel e na própria evolução da carreira de muitos jogadores. Atrás tinham ficado os anos 90, onde havia realmente prata da casa de grande nivel. E apostar quando não há qualidade faz pouco sentido apostar forte, ainda que faz menos ainda ter o plantel recheado de jogadores piores vindos de fora para papeis absolutamente secundários quando a prata da casa podía cumprir perfeitamente essa função. As comissões, já sabemos.
O paradigma começou a mudar nos últimos anos, pouco a pouco. Foi-se trabalhando melhor, desde a base, mas esse trabalho leva o seu tempo. Os que hoje são campeões europeus e nacionais levam cinco, seis anos nessa dinâmica. Havia que esperar. Mas entre essa espera e o agora houve 4 casos singulares que explicam bem o que é a formação do FC Porto e como o clube a vive. E aí é onde se pode entender a gigantesca diferença entre o FC Porto e o Benfica. 
Lá em baixo vendem o Seixal como o novo Alcochete, o centro por excelência da formação mundial e talvez europeia. Foi sem dúvida uma jogada acertada terem contratado muitos dos treinadores e olheiros do Sporting e a qualidade subiu exponencialmente nos últimos anos, é impossível discutir. A formação do Benfica é boa, bastante boa. E vende muito porque estamos em Portugal, um país que fez do Mantorras o Eusébio. O minimo é que tivessem feito do Bernardo Silva o novo Cruyff. Mas tem algo que continua a faltar ao FC Porto, uma ideia de clube. Quer queiramos quer não a estrutura actual do FC Porto não existe. Sobrevive um Politburo soviético na pré-reforma, desfasado do tempo e onde primam os intereses pessoais ao mesmo tempo que se afiam facas. Cada decisão é vista sob essa perspectiva, a quem interessa, como, quanto e porquê. O Clube normalmente tem ficado para último plano com regularidade. No Benfica isso não acontece porque o seu Presidente, como o nosso foi durante décadas, não tem contestação e as suas decisões são a base da política de todo o clube. E é por isso que a formação do Benfica tem sido aproveitada e rentável, porque tudo é feito do primeiro ao último dia para ser assim. São vendas fáceis, sem custos, tê-los na primeira equipa é algo mediaticamente popular com os adeptos e permite criar uma liturgia óbvia de rendição ao mercado para beneficio do clube ("nós não queriamos vender, mas...". Por isso, desde há cinco anos para cá, uma formação pior que a nossa tem tido na primeira equipa mais jogadores (e a experiencia, quando se dá o salto, é FUNDAMENTAL) e portanto gerado mais valias superiores às que possamos gerar. No Porto, nesse periodo, há 4 jogadores que realmente tiveram um impacto minimo da formação, um abismo. Desses 4 um deles – Ruben Neves – tem o 60% dos jogos disputados. E não foi uma aposta do clube, foi uma aposta muito pessoal de um treinador que não teve problemas em fazer com que o jogador saltasse escalões porque tinha esse nivel (olá Fábio!!). E tem-o. Já o provou no campeonato mais exigente do mundo, com um treinador que contribuiu também para a sua desvalorização de mercado perante o olhar sereno de quem manda. Não esquecemos!

O restante 30% dos jogos disputados divide-se por André Silva, Diogo Dalot e Gonçalo Paciência. São 3 casos muito diferentes em si mas que resumen muitas coisas. 
André podia e devia ter ficado um ano mais. Ele era o primeiro a necessitar disso como tem provado a sua lenta evolução no Milan e Sevilla. Promete muito mas custa-lhe dar o salto, essa paciência que faltou num ano mais de etapa formativa na equipa principal do Porto (ele que no ano NES levou o ataque sozinho às costas,lembram-se?). 
Porque foi vendido? Porque uma gestão absolutamente desastrosa do Politburo teve as suas consequências práticas e era uma obrigação da UEFA cumprir com o FFP. Quando um clube é mal gerido, como o FC Porto tem sido, dentro e fora de campo, é o que sucede. Ter jogadores do nivel do André e não os aproveitar por culpa própria é uma pena mas pode passar. O caso Dalot é diferente. Há anos que o Dalot estaba bem referênciado por essa Europa fora, não enganava ninguém. Num clube com uma estrutura sólida dos pés à cabeça, com ideia de clube desde a base, o Dalot teria renovado muito antes do tempo. Quando o dossier chegou às mãos do novo director desportivo, Luis Gonçalves, a sua vontade não bastou, já era tarde. Nestas idades basta um movimiento em falso e tudo se pode perder e foi o que aconteceu (como o Barcelona, quando perdeu Pique e Fabregas para United e Arsenal pelos mesmos motivos, não somos um caso virgem, muito longe disso). O Dalot foi à procura do contrato da vida dele porque durante anos não foi mimado como seria expectável para quem, seguramente, será um lateral de topo europeu na próxima década. O desleixo foi evidente e quando se quis corregir já não havia margem. 
E Gonçalo? Gonçalo não tem perfil para titular do FC Porto, é um jogador muito limitado (no modelo de jogo táctico e na sua fragilidade física) e não vale a pena andar a vender narrativas em que é bom ter 11 titulares da casa se esses não estão à altura. O Gonçalo não está. Mas um plantel tem 23 ou 25 jogadores, o do Porto e o de qualquer outro clube. E as provas da UEFA exigem um minimo de jogadores da casa nos inscritos. E quando há vagas para dois ou três avançados suplentes, convén sempre ver os prós e os contras. Dizer que o Gonçalo não tem nivel de titular Porto não significa que não tenha nivel para ser plantel Porto. Não é inferior nem foi inferior a sua aportação a Adrian Lopez (o último resquicio da entrega do clube nas mãos de Mendes). Muito menos de Waris, uma escolha pessoal de Conceição. Ou de Andrade, outro jogador escolhido a meias entre técnico e estrutura que além de ser um desatre ocupou uma vaga no plantel Champions que podia ter sido de Manafá, por exemplo. Todos esses 3 negócios custaram ao Porto dinheiro, muito mais do necessário e muito mais do que foi recebido em troca. Gonçalo custava 0. Não é pior jogador do que André Pereira (que faz parte dessa política e foi uma escolha pessoal do treinador) e seguramente exemplifica outro dos usos possiveis para a formação. Nunca vai render milhões, não está para ser titular mas pode perfeitamente dar forma ao plantel. E foi repatriado para longe. Sem sentido.

O Benfica vende-se melhor mas também mima mais os seus. O Sporting, no longinquo apogeu da sua formação, vendia-se muito mais do que aproveitava os seus, mas ainda assim as suas grandes pérolas foram somando bastantes minutos. Quando um jogador salta dos juniores ou da equipa B o que precisa é disso. Minutos, confiança, apoio do treinador, paciência dos adeptos. O FC Porto tem tido muita dificuldade nesse processo. O treinador é claramente arisco a apostar na formação. Diz que só responde ao Presidente, o mesmo que diz que há muito jogador a aproveitar. Algo não cuadra. Sabemos que há gente que se move como sombras pela formação à procura da próxima comissão (basta ver o filho-agente ou o homem que se levou parte do negócio Ruben Neves para casa para entender) e talvez isso jogue contra os putos quando quem tem de se decidir por pô-los a jogar ou não é um homem extremamente emocional que sabe que tem inimigos dentro de casa que estão mortinhos por vê-lo sair para continurem a fazer o seu trabalho sujo e a sacar a sua suja recompensa. Sabemos tudo isso. Mas continuamos sem entender porque Fabiano é opção em jogos que podiam ser de Diogo Costa. Porque Diogo Leite desapareceu do mapa, porque Diogo Queirós tem zero minutos com a equipa principal quando está referenciado por olheiros dos maiores clubes da Europa como o futuro De Ligt. Porque nunca houve espaço para o Bruno Costa além dos jogos com o Liverpool ou porque nem mesmo nas Taças (esas obsessões de Conceição) não tivemos a oportunidade de começar a ver as jogadas do Baró ou os golos do Fábio.
 São campeões europeus e nacionais, são jogadores com o ADN da casa e que já mostraram ter o carácter ganador que se procura num futebolista de elite. E são jogadores com talento, é evidente. Não precisam de ser capas de jornais mas precisam que apostem neles. Uns vão ser vendidos por milhões seguramente porque o mercado é o que é e não vale a pena criar ilusões de que os vamos agarrar para todo o sempre. Mas também há outros muitos que poderiam acumular anos no plantel jogando mais ou menos. Quando virem as histórias deste ano futebolistico, muitos vão olhar para o Ajax, semi-finalista da Champions e campeão nacional com jogadores que têm praticamente a sua idade e jogam sem medo porque têm a confiança de quem neles aposta. Ninguém quer um FC Porto com 11 jogadores da casa porque não seria realista mas depois de anos a atravesar o deserto quem pode não querer um 11 – e mais com a hemorragia que o plantel vai sofrer este verão – onde esses putos tenham o seu espaço para crescer de mão dada com os que já estão e com o apoio de todos?

Mais comissões. Mais dinheiro gasto em vão. Mais bolsos cheios de meia dúzia de sanguessugas.
Mais miudos campeões. Mais ADN Porto. Mais negocios futuros de máxima rentabilidade para o Clube e não para quem o rodeia.

Nunca foi tão evidente o dilema e nunca a resposta que o FC Porto der nos próximos tempos vai ser mais exemplificativa de que clube estamos a falar para hoje e para amanhã.    

domingo, 9 de julho de 2017

Ruben, Oliver, Mendes e os interesses reais da SAD

Está definitivamente oficializada a venda de Ruben Neves ao Wolverampton Wanderers, um histórico do futebol inglês dos anos 50 e 60 - é por sua culpa, em parte, que existem competições europeias - mas que milita actualmente na Championship. Sim, o FC Porto vende o que de melhor tem produzido a clubes da segunda divisão inglesa por tuta e meia. Sim, o Wolves é a ponte do esquema Mendes no Reino Unido, mais um clube onde coloca jogadores como bem lhe apetece a modo de ponte para outros voos, sempre a troco de uma apetitosa comissão (ou duas, ou três). No espaço de semanas o FC Porto decidiu vender as suas maiores pérolas da formação por um valor total aproximado de 60 milhões de euros - com objectivos pelo meio. Friamente não são más cifras, na realidade ficam ambas aquém do potencial real de ambos os jogadores e do seu valor de mercado. Consequências da sanção imposta pela UEFA mas não só.

A ninguém parece estranho que os únicos negócios que o Porto seja capaz de operar estejam nas mãos de Jorge Mendes. O clube está a tentar livrar-se de algumas gorduras desnecessárias entre emprestados - muitos serão repescados porque não há dinheiro para mais, supostamente - e ao mesmo tempo cumprir com os prazos da UEFA. Sabendo que Casillas fica - com um salário muito inferior ao que ganhava mas, ainda assim, como o mais bem pago do plantel - e que há ainda excesso de laterais nas contas - Ricardo, Rafa e Fernando Fonseca juntam-se a Maxi, Layun e Telles quando deveria haver apenas quatro vagas livres - as vendas de André e de Ruben parecem anunciar que tanto Brahimi como Danilo vão ficar no plantel. Até 31 de Agosto no entanto livrem-se de pensar que são realidades concretas. A palavra de Pinto da Costa nunca valeu muito mas agora, que vale zero, nunca permitirá assumir nada por garantido até ao suspiro final do mercado e o FC Porto que já está mais debilitado do que no ano passado - onde não era uma grande equipa em traços gerais - pode ficar ainda mais fraco com o passo das semanas. Disso dependerá também muito Mendes. Afinal de contas nada se mexe no Dragão sem que o super-agente decida como tem sido claro.

O FC Porto entregou-se ao homem que tem alimentado o rival, insultando assim aqueles que tantos esforços estão a fazer para levantar o Polvo. E fê-lo de uma forma tão escandalosa que é capaz de tentar dar a volta aos factos para justificar o injustificável. E é aí onde entramos no circuito Ruben-Mendes-Oliver.
Oliver é um bom jogador, um jogador de classe, com talento e fino recorte que se exibiu bem nas duas épocas de azul e branco, melhor na primeira do que na segunda, é certo. Não é uma super-estrela e dentro da realidade espanhola há jogadores da sua idade muito superiores. É um falso dez, um falso oito, um jogador que se move bem e faz mover mas que nunca tem sido realmente um factor determinante. É um jogador cuja posição em campo podia ser ocupada por Otavio ou até mesmo por...Ruben Neves, noutro esquema de jogo mais vertical e assertivo - curiosamente o esquema que propõe Sérgio Conceição.
Oliver seria uma boa adição ao plantel, de forma definitiva, por uma quantia lógica. Nunca por 20 milhões de euros. Mas são 20 milhões de euros os que o FC Porto terá de pagar ao Atlético de Madrid em Janeiro de 2018. Não 19. Não 18. Não 19,5. Serão 20 milhões de euros, convertendo o jovem espanhol na compra mais cara de sempre do clube.


Nas contas do Financial Fair Play a operação Oliver não entra.
Jorge Mendes sabe fazer bem as coisas. No verão passado foi o intermediário do regresso do espanhol ao Dragão, operando, como sempre faz, em nome do Atlético de Madrid, clube da sua carteira habitual. O Atlético cedia o jogador, sim senhor, e colocava Diogo Jota de extra, mas em troca o FC Porto comprometia-se a comprar o jogador por 20 milhões de euros. Um valor superior ao seu valor de mercado e no entanto o Porto aceitou a proposta. Oliver e Jota foram utilizados por NES - que, como já todos vimos, esteve no Porto a valorizar activos e a valorizar-se a si e não a gritar "Somos Porto" - e tiveram um papel destaco na temporada, de mais a menos. Mas em nenhum caso a operação tinha qualquer lógica para um clube que, já então, sabia estar com a corda na garganta e com a UEFA nos calcanhares. Tanto que nesse mesmo defeso o próprio presidente disse que não havia avançado até haver Liga dos Campeões...o que nem sequer acabou por ser certo, como se viu com a farsa Depoitre (com outro amigo, D´Onofrio, ao barulho claro). Sabendo que não tinha 20 milhões para pagar pelo jogador o FC Porto fez na mesma operação e fê-lo porque essa era uma condição de Mendes e Pinto da Costa a Mendes já não diz que não, como não disse no caso Adrián, por muito que a posteriori goste de vir culpar os treinadores dos erros que ele consente como máximo gestor do clube. Se Mendes diz que se faz o negócio, faz-se o negócio por muito que prejudique o clube. Oliver nunca dará lucro ao clube e a sua operação apenas contribuiu para abrir ainda mais o buraco nas contas. Algo que o Porto sabia que ia passar e que, principalmente, Jorge Mendes sabia que ia passar..

Fazemos fast-forward para o seguinte defeso. Como esperado o Porto tem de vender mais do que nunca, agora principalmente pela sanção da UEFA - teria de vender de todos modos - e nem sequer contabilizou ainda os 20 milhões de gastos em Oliver (que o obrigará a vender, também, no defeso que vem, mas já lá vamos) e na mesa aparecem ofertas...sim, ofertas precisamente pelos jogadores de Mendes.
André Silva e Ruben Neves saem do Dragão - Mendes cobra comissão pelos três...jogadores, clube vendedor e clube comprador, esperem pelo relatório de contas - e o dinheiro do seu império continua a mexer-se mas havia realmente essa necessidade de vender dessa forma quando meses antes o clube parecia não ter problemas em pagar 20 milhões por um jogador da carteira Mendes - e há ainda o negócio Boly, outro que entra já na rotação de NES e Wolves, com um empréstimo com opção de compra para entrar no próximo exercicio financeiro - em lugar de procurar ficar com Ruben Neves no plantel?
O mesmo Ruben a quem Pinto da Costa pressagiou um futuro à João Pinto. A sua palavra, como sabemos, vale tanto como os seus dotes adivinatórios. Curiosamente o mesmo Ruben que foi afastado praticamente por Nuno Espirito Santo - que agora, pasmem-se, o reclama em vez de pedir um Herrera ou um André André, bem mais utilizados, bem mais baratos mas nenhum da carteira Mendes - e portanto passou um ano a desvalorizar-se para agorar surgir uma oferta baixa para o seu potencial real. Que teria sido do negócio de Ruben se este tivesse jogado mais vezes? Uma suspeita que não faria sentido salvo que quando quem o pede agora é quem não o quis antes a coisa começa a cheirar muito mal.

No próximo defeso - já lá chegamos - Boly provavelmente sairá para o mesmo clube a título definitivo numa operação que ajudará a maquilhar os números de Oliver, depois do empréstimo agora acordado. Outro jogador "pedido por NES", "gestionado por Mendes" e que não se valorizou porque o mesmo NES que agora o pede não o utilizou quase nunca.
Uma vez mais Mendes cobrará por todos e manterá a sua máquina activa e o Porto, desportivamente, ganhará pouco e estará nas mãos do super-agente para mover-se no mercado. Ainda assim terá de vender. De momento não há jogadores Mendes no plantel, salvo José Sá, mas até 31 de Agosto tudo é possível e não surpreenderá ninguém se voltemos a ver uma operação similar à de Oliver com futebolistas da sua carteira. Se ao largo do ano algum outro jogador da formação - Fonseca, Dalot, Rui Pedro - entretanto mudarem de agente, a sua saída em Junho torna-se óbvia e nem vale sequer a pena discutir a sua inviabilidade. Uma vez mais estamos a falar das máximas operações no mercado do clube nos últimos meses e todas com o mesmo agente, todas com a mesma filosofia. No final quem perde é sempre o clube. Algo que já deveria saber de experiências prévias sobretudo quando se destapou a rede do Polvo e como o super-agente em questão tem servido para salvar o pescoço de Luis Filipe Vieira. Ruben Neves não é mais que um novo Helder Costa (que por 14 milhões foi o recorde histórico anterior do Wolves) ou João Cancelo por quem o Valência pagou 15 milhões que na altura o Benfica gastou em outros jogadores da fábrica Mendes para seguir com a cadeia de montagem. O FC Porto não está a vender para apaziguar a UEFA - o negócio Ruben ultrapassou o deadline da UEFA, para os mais distraídos - mas sim para manter a máquina Mendes a funcionar. O clube decidiu que prescindir do seu mais jovem capitão, desvalorizado por um infiltrado do super-agente, é mais importante que bater com o pé na mesa e negar-se a negociar com essa personagem sinistra que tanto tem prejudicado o clube.

É em momentos assim, momentos como o da chegada de Oliver e a saída de Ruben que fica claro que quem dirige o FC Porto, hoje, o faz a pensar primeiro em si mesmo e nos seus interesses e só muito mais à frente nos interesses do Clube.  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

sábado, 24 de outubro de 2015

Rúben Neves não é “património do Estado”

Espero que ele [Rúben Neves] fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto
Pinto da Costa, 21-10-2015


Eu não duvido da sinceridade destas declarações do Presidente do FC Porto, MAS…


E, além disso, …

«[Rúben Neves] Já foi apontado, entre outros, a Liverpool, Chelsea e Arsenal (Inglaterra), Real Madrid e Barcelona (Espanha), mas agora chegou também ao radar do vice-campeão europeu, os italianos da Juventus. Pese o facto de estar em fase embrionária da sua carreira, a cumprir aquela que é a sua segunda época no principal plantel portista, Rúben Neves já seduz os mais conceituados emblemas dos principais campeonatos europeus, ao ponto de a Vecchia Signora ter enviado, na terça-feira, um seu emissário ao Dragão para se centrar exclusivamente na performance do camisola número 6 dos azuis e brancos.»
in record.pt, 24-10-2015


Não conheço um único adepto portista, que não subscreva as declarações de Pinto da Costa e que não desejasse manter Rúben Neves muitos e bons anos no FC Porto. Contudo, apesar de Rúben Neves ter contrato com o FC Porto até Junho de 2019 e estar “protegido” por uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros, são poucos os que acreditam nessa (im)possibilidade.

De facto, e realisticamente falando, é muito pouco provável que, já na próxima época (2016/2017), Rúben Neves ainda seja jogador do FC Porto.

40 milhões? E depois?
Por acaso, é este valor que vai impedir clubes milionários, como o Chelsea, Liverpool, Real Madrid, FC Barcelona, entre outros, de contratar Rúben Neves?

Para os adeptos, é triste verem sair jogadores da casa, como é o caso do Rúben Neves. Mas felizmente (infelizmente para alguns saudosistas), há muito que acabou o tempo político-desportivo em que os clubes eram donos dos jogadores. E em que, segundo governantes portugueses, determinados jogadores-símbolo não podiam sair para o estrangeiro porque eram “património do Estado”

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Que bom é resolver cedo

No papel seria este o jogo mais desinteressante desta fase de grupos e a prática confirmou-o.
Não sem antes o Maccabi ter causado alguns calafrios, ainda o nulo subsistia no marcador.
Continua, pois, muito por fazer nos acertos defensivos.


Mas o que tem que ser tem mesmo muita força e tanto Aboubakar teimou que acabou por ver a sorte sorrir-lhe, após muito ter ele tentado antes.
E tratou-se mesmo de sorte, sem aspas, pois o guarda-redes sérvio foi mal batido.
E como quem tem o camaronês, tem muito mais que um mero "matador", eis que, logo após, Aboubakar decidiu acabar definitivamente com a partida ao assistir Brahimi na perfeição. O argelino, mesmo que muito abaixo daquilo que produziu contra o Chelsea, não perdoou e sentenciou a partida.

E como é raro ver um 2-0, antes do intervalo, nos tempos que correm.

Como é bom de ver, seguiu-se um tranquilo segundo tempo, apenas à espera que o tempo passasse.
Deu até para fazer descansar algumas unidades. Um luxo, portanto.

O facto mais marcante desta nossa jornada europeia acabou por ser mesmo a promoção de Ruben Neves a capitão aos 18 anos. Record absoluto na Liga dos Campeões. Excelente para ele mas o que, efectivamente, diz isto de nós? Será mesmo inevitável apresentar um "11" em que ninguém tem mais de ano e meio no nosso plantel?

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O melhor sub19 do Mundo

Olhem para qualquer lista das maiores promessas do futebol mundial. Coloquem a fasquia na idade onde a etapa de formação júnior habitualmente termina, os sub19. A partir de aí começa o salto definitivo ao futebol profissional. Alguns demoram mais do que outros a chegar lá. Outros, génios precoces, chegam antes. São predestinados para o jogo. Aqui está uma lista de 100 jogadores que cumprem em 2015 os 20 anos de idade. Com menos um ou dois anos é ainda mais dificil encontrar futebolistas que possam já ser consideradas primeiras figuras. Entre eles está Ruben Neves, o filho do Dragão que é o melhor do Mundo na sua faixa etária.

Não é fácil encontrar na formação do Porto casos como o de Ruben.
Houve grandes jogadores formados na casa mas alguns foram de afirmação tardia (caso de Ricardo Carvalho) e outros, apesar de terem agarrado a titularidade cedo, não eram nos seus primeiros anos primeiras figuras mundiais (casos de Baía ou Gomes, por exemplo). Ruben Neves tem tudo. Não só se afirmou antes do tempo e de toda a lógica - "gracias Lopetegui" - como é claramente o mais completo futebolistica a nivel mundial com a sua idade. Há muitos bons jogadores com menos de 19 anos mas custa-me encontrar alguém que seja tão adulto, tão profissional numa etapa que ainda é, a todos os efeitos, de formação.

Não se enganem. Ruben vai ser, daqui a quatro anos - quando cumprir os 22 e se assume definitivamente na etapa adulta de um profissional de futebol - um jogador diferente. O seu processo evolutivo, como o de qualquer jogador, será forçosamente progressivo. Quem viu jogar Xavi, Iniesta ou Pirlo com 18 anos e com 22 sabe perfeitamente que eram diferentes. Mas aos 18 nenhum estava ao nivel onde hoje está Ruben, estrela em jogos da Champions League por mérito próprio, futebolista determinante nos processo defensivos e ofensivos de uma equipa que pertence à eltie do futebol continental. Não. Habitualmente, a essa idade, brilham os jogadores tacticamente anárquicos, os que triunfam pelo instinto da grandeza. Os extremos endiabrados, os avançados oportunistas. Jogadores que chamam à atenção precisamente porque quebram a ordem com a sua irreverência juvenil. O tempo e a formação tratará de determinar se assimilam ou não os processos colectivos de jogo. A maioria fica pelo caminho. Alguns chegam á elite mundial. Mas quando médios organizadores ou pivots defensivos - e aqui pivot é mais no sentido de regista do que de trinco - começam a dar cartas a essa idade? Muito, muito poucos. Ruben é um deles.

O jovem que foi 6 e 8, que sabe patrulhar bem a linha interior ou varrer a bola à frente da defesa com igual frieza, tem uma maturidade sobrehumana. Fisicamente tem crescido muito (há dois anos disputava jogos de 80 minutos de duração contra miudos da sua idade, hoje joga contra os melhores do mundo e quem nota realmente a diferença?) e ainda aprenderá a gerir melhor o seu esforço. Sabe ler o campo como quem joga xadrez, abrindo e fechando espaços com aberturas largas ou passes curtos. Também domina a progressão com o esférico, recorrendo a um truque aqui ou ali que nos seus pés soa quase a exótico mas que é o mais normal num jogador da sua idade, procurar sempre a estética antes do pragmático. Ruben podia estar perdido na equipa sub19. Podia estar perdido na equipa B. Podia até estar emprestado a um Paços de Ferreira. Graças a Lopetegui - e daqui a 10 anos Lopetegui talvez seja mais conhecido por ser o homem que lançou Ruben que por outra coisa qualquer - temos a sorte de poder viver a ascensão de uma carreira que promete ser impar. A importância de Ruben para o futuro do futebol português (tanto na selecção como mediaticamente) é imensa mas o que realmente importa é não estragar o menino.

Ruben já mostrou ter muita cabeça ao rejeitar uma oferta do Chelsea no ano passado. Sabe que precisa de crescer e muito e que não há sitio melhor para o fazer do que em casa, com alguém que confia nele e sabe medir os minutos e os jogos onde deve ser protagonista. A SAD deve entender o mesmo e não olhar para o Ruben como um próximo James, um próximo negócio da china. Por uma vez é preciso tentar guardar os trunfos até ao fim, deixar passar o máximo de tempo possível. Não só porque Ruben precisa desse tempo, como futebolista, como também o Porto precisa, cada vez mais, de um "Ruben" como referência emocional e um sinal de que, quando queremos, podemos fazer as coisas bem na formação (talvez o problema esteja cada vez mais na prospeção ou no salto aos seniores do que no trabalho feito nas primeiras faixas etárias). E claro, Ruben valerá amanhã (e depois) muito mais do que pode valer hoje. É desse tipo de jogadores. A situação financeira do clube convida à decisão fácil, a de aceitar os primeiros 40 ou 50 milhões que alguém ponha na mesa mas Ruben e o "portismo" merece um pouco mais de paciência. Daqui a 4 anos - são 4 anos - Ruben Neves terá apenas 22 anos de idade. Aqueles que querem vender William Carvalho ou Bernardo Silva como "the next big thing" farão bem em lembrar-se de que a grande promessa do futebol português nem sequer pertence a essa geração. Poder ver ao nosso "menino" três ou quatro anos mais de Dragão ao peito seria importante a todos os sentidos. Não há dinheiro que pague, agora mesmo, tudo aquilo que Ruben pode ainda dar ao clube. Resta desfrutar de um jogador que é, actualmente, o melhor futebolista do mundo da sua geração.