...e pouco mais se poderia, verdadeiramente, aspirar contra esta Juventus que é, de facto, não na estatística mas em termos de poderio, a melhor defesa da Europa. Durinha, é certo, mas é mesmo assim que tem que ser, como bem sabemos. Os nossos Jorge Costa e o Fernando Couto que o digam...
Mais uma expulsão a marcar decisivamente o desenrolar do encontro.
Desta vez foi Maxi, em desespero de causa. Já antes, permitira um cabeceamento perigoso ao homem que estava a marcar. É aqui, ao mais alto nível, que as limitações deste uruguaio lutador, mas já na fase descendente da sua carreira, ficam bem patentes.
Mas quem esteve, efectivamente, bem? Ninguém, claro está. Não dava para muito mais e ficou sempre a ideia que a Juventus, bem à moda italiana, e felizmente, não é equipa para goleadas. Marcam os golos estritamente necessários e nem um a mais. Julgarão que é um gasto de energia desnecessário. É mesmo uma espécie de tradição transalpina.
Soares, tal como em Arouca, voltou a falhar um golo cantado mas quem esteve muito pior foi André Silva, que passou ao lado de mais uma partida. A pensar já num futuro muito próximo, talvez fosse melhor Otávio ou Jota preencherem o lado direito do nosso ataque no lugar do jovem ponta-de-lança. São fases menos boas que acontecem a todos.
NES não esteve mal nas substituições mas optou por trocar a posição de 3 dos 4 defesas, após a saída de Maxi. Não correu muito mal mas pareceu algo exagerado tamanho risco.
Enfim, saída sem história, nem glória, da edição deste ano da Liga dos Campeões.
Fica apenas o jogo de Roma para mais tarde recordar. Só que, desta vez, e num estádio para 41 mil pessoas que parece ainda maior que o Dragão, a Roma fomos nós.
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terça-feira, 14 de março de 2017
Pedia-se uma saída "limpa"...
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Um FCP à moda da Roma, sai pela esquerda baixa
A Juventus é melhor que o FCP. Ponto final, parágrafo.
Na verdade, parece mesmo estar de regresso aos seus bons velhos tempos de glória europeia.
Pelo menos está a dar passos bem seguros para tal. Tem uma excelente equipa e todos os seus jogadores do "11" inicial são grandes futebolistas. E ainda guarda mais um ou dois no banco. Coisa rara, mesmo entre os chamados "tubarões" da Europa.
Este ponto prévio praticamente esgota qualquer outro tema sobre a partida que teve um resultado certo.
Sim, o Telles teve duas entradas parecidas com aquelas que originaram o hara-kiri da Roma quando nos defrontou no início desta aventura da Liga dos Campeões 2016/17 e foi, assim, bem expulso (e se 11 contra 11 já tínhamos uma tarefa dificílima pela frente, com 10 tornou-se missão impossível).
Sim, o árbitro esteve mal, depois, ao não marcar uma ou outra falta e no "amarelo" ao Maxi.
Sim, o NES fez uma estranha alteração de R.Neves por Corona quando se sabe que um 0-0 pode nem ser assim tão mau resultado em jogos caseiros.
Sim, o Layun que é rei nas assistências, desta vez "assistiu" na baliza errada.
Sim, o Dani Alves estava completamente só, em zona proibida, e outra vez pelo lado esquerdo da nossa defesa.
Mas todos estes "sins" não podem esconder a realidade: esta Juve de Fevereiro de 2017 é de outro campeonato e ganharia sempre esta partida e esta eliminatória, sucedesse o que sucedesse.
Se não fosse assim como foi, seria de uma outra forma qualquer.
Dá-se aliás um prémio ao jogador do FCP que conseguir criar um lance de perigo que seja, na segunda mão, perante uma equipa que defende quase na perfeição como esta Juve e que, ainda assim, consegue ser uma temível equipa ofensiva. Estão de parabéns pelo trabalho que têm feito pós-descida aos infernos da segunda divisão.
Sim, já se assistiu a uma equipa ser esmagada em jogo-jogado, ver o adversário falhar escandalosamente duas, três, n vezes e, ainda assim, marcar e ganhar com um único remate à baliza, com toda a sorte e mais alguma.
Mas, desse tipo, só existe uma única em todo o Mundo.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Os potenciais rivais para o sorteio da Champions
Amanhã vai realizar-se o sorteio dos Quartos-de-Final da Champions League.
Pela primeira vez desde 2008/09 o FC Porto marca presença, reflexo de uma brilhante campanha europeia. Na última ocasião que chegamos tão longe na competição, fomos eliminados pelo vigente campeão (e finalista vencido desse ano), o Manchester United. Na anterior, fomos campeões europeus. O certo é que tendo o clube superado as expectativas possíveis, a partir de agora tudo é positivo para o clube. O encaixe financeiro, a exposição mediática, a possibilidade de medir-se com algumas das melhores equipas do planeta. Salvo uma goleada (difícil), não há nada que possa passar que suponha um problema, pelo que o importante será desfrutar da eliminatória, crescer com ela como equipa e clube e, sobretudo, sonhar. É grátis.
Entre os sete possíveis rivais – recordamos que o sorteio é puro e por isso pode haver duelos nacionais – do FC Porto aqui segue uma lista ordenada de forma descendente desde aquele que os portistas parecem considerar o rival mais favorável – apalpando um pouco o ambiente – e aqueles que não queremos ver nem pintados de ouro. Pessoalmente, já o disse aqui depois do jogo com o Basel, a minha escolha seria o Real Madrid. Uma equipa em fase descendente física e animicamente, com um pedigree que justificaria qualquer derrota e imortalizaria qualquer vitória e ainda o facto de ser o campeão em titulo (e todos sabemos que nenhum campeão renovou o titulo na era Champions League).
AS MONACO
Toda a gente quer o Monaco. Pudera. Os franceses são quartos na liga – e é muito provável que para o ano estejam na Europa League – e têm passado os últimos meses a viver de uma boa organização defensiva. Foram piores que o Arsenal colectivamente, mas cometeram menos erros e aproveitaram melhor o hara-kiri ofensivo dos gunners em Londres para marcar em contra-golpes rápidos e incisivos. É a sua arma. Vão defender os 180 minutos e atacar pontualmente. Já sofremos isso em Basileia. É uma equipa que nos vai dar a bola e deixar jogar o nosso jogo até ao último terço, que vai ser dura nas marcações e jogar no nosso erro. Não têm, como nós, nada a perder. O precedente é positivo. Todos temos Gelsenkirchen tatuado na alma.
A Favor: A equipa mais fraca do sorteio
Contra: A velocidade a explorar os espaços na defesa (cuidado Fabiano, Maicon e Alex)
PARIS SAINT-GERMAIN
Quando o PSG jogou contra o FC Porto – há duas temporadas atrás – já era um dos novos-ricos do futebol europeu com jogadores de nivel mundial. Essa mesma equipa melhorou com o tempo. Está mais compacta em defesa, organizada na criação e demonstrou em Londres ter a garra que parecia faltar – e que na Ligue 1 às vezes ainda falta – para triunfar na Europa. Sem Ibrahimovic para a primeira-mão, o PSG conta com um grupo de jogadores talentosos o suficiente para não sentir a falta do sueco. São uma equipa que aposta forte na Europa, é a sua máxima prioridade e desde os anos 90 que não chegam a uma meia-final. Vão disputar a bola a qualquer equipa e só o eventual desgaste de estarem numa luta a três pelo titulo pode supor um problema num conjunto que tem opções válidas em todos os sectores.
A Favor: Já os conhecemos e é uma equipa que joga o jogo pelo jogo, deixando espaços que podemos aproveitar graças à nossa notável capacidade de recuperação de bola.
Contra: Vão apostar tudo este ano na Champions e chegam hiper-motivados. Têm jogadores de sobra para fazer a diferença.
JUVENTUS
A Juve já ganhou praticamente o Scudetto e vai concentrar os próximos dois meses a sonhar com um regresso à ribalta europeia. Não disputam uma final desde 2003 a última vez que chegaram também ás meias. É mais de uma década. Muito tempo. Graças ao génio imortal de Pirlo e ao trabalho incansável de Pogba, possuem um dos melhores meio-campos do mundo. Tevez e Morata parecem ter encaixado e o jogo colectivo da equipa, agora sobre o comando de Allegri, é uns furos superiores ao do ano passado. Ainda assim não é um “papão”, nem de longe nem de perto. Sofrem contra equipas bem organizadas e que sabem medir os tempos de jogo e podem ser encurralados no seu campo com relativa facilidade com uma boa circulação de bola. Apostam forte na Champions mas ao mesmo tempo são claros outsiders.
A Favor: Equipa acessível como colectivo, Pogba estará lesionado provavelmente por alturas da primeira mão e anulando Pirlo a equipa sofre imenso.
Contra: Não tem de se preocupar com o campeonato e sabem que são outsiders.
REAL MADRID
São o campeão em título. São o Real Madrid. Parece ser suficiente cada uma das frases por si mesma e juntas mais ainda. Mas este Real nem é o do ano passado – tacticamente muito mais desorganizado, fisicamente muito mais condicionado – nem a equipa tem estado á altura do pedigree desde que começou 2015. Cristiano Ronaldo está uma sombra de si mesmo, a dupla Kroos-Isco está sem fôlego e tanto Bale como Benzema continuam a ser questionados. Tacticamente não necessitam da bola mas exploram os espaços como nenhuma outra equipa, quando estão em forma. No entanto, até nisso têm estado decepcionantes. Foram fracos contra o Schalke, têm um guarda-redes que é um ponto fraco assumido e jogam com toda a pressão nos ombros. Se perderem este domingo em Barcelona, renovar o titulo europeu pode ser o único troféu a que aspiram. E como sabemos, nunca ninguém conseguiu isso.
A Favor: Estão na pior fase física-anima desde que Ancelotti chegou ao banco e o cenário não parece ter-se alterado. Jogam com toda a pressão de favoritos.
Contra: Está em baixo de forma mas, quando está bem, Cristiano Ronaldo é o maior killer do futebol mundial. E tê-lo frente a Maicon naquelas diagonais dá pesadelos.
ATLETICO DE MADRID
Este Atletico é claramente uma equipa mais débil que a do ano passado. Diego Costa, Filipe Luis e Courtois fazem muita falta, nenhum dos seus suplentes parece ter estado ao mesmo nivel. No entanto a chegada de Torres, a consagração definitiva de Koke e a ascensão de Gimenez têm sido boas noticias. Griezzman é um jogador fenomenal e eléctrico e Tiago e Arda continuam a dominar a bola e os tempos de jogo como poucos. São, sobretudo, um rival temível a 180 minutos. Jogam com as falhas do rival como nenhum outro, exploram muito bem as poucas ocasiões que criam e são uma rocha defensiva. Contra o Leverkusen concederam meia dúzia de oportunidades em 210 minutos de futebol. Sofrem mais no capitulo ofensivo mas têm também a consciência de que em casa são intransponíveis. Com a revalidação do titulo quase impossível (o esperado) apostam tudo na Champions. É o único titulo que falta a Simeone.
A Favor: Uma equipa que nos deixará a bola, que conhecemos bem e que tem sofrido para marcar.
Contra: Peritos em bola parada, difíceis de vencer fora e ainda mais em casa, jogam sempre no erro do adversário e aproveitam-no como poucos.
BARCELONA
Não é o Pep Team mas tem o melhor trio de ataque do mundo. Não tem Guardiola mas recuperou o Messi mais estelar. Neste Barcelona não há tanto aquela magia quase inocente dos dias de Pep, mas a forma como Luis Enrique entendeu que o meio-campo se tornou prescindível, quando há três demónios no ataque, tornou o Barcelona uma equipa ainda mais perigosa. Apanhou as virtudes do melhor Real Madrid (jogar em velocidade, transições, bola da defesa directamente ao ataque) mas sem abdicar, quando quer, da cultura de posse e de domínio de jogo no meio-campo, onde ainda conta com Xavi, Iniesta, Mascherano, Busquets e Rakitic. Tem o melhor Messi dos últimos três anos e isso, só por si, pode valer meio titulo.
A Favor: Que o Dragão possa voltar a ver um génio chamado Messi
Contra: Os defesas laterais sofrem muito – Dani Alves sobretudo ainda que Alba esteja a uns furos do que foi – e o meio-campo já não é tão protagonista. Se conseguimos pressionar a saída de bola e recuperá-la, são frágeis na recuperação posicional.
BAYERN MUNCHEN
Favoritos absolutos a tudo. São a melhor equipa da Europa. Possuem o melhor jogo colectivo, algumas das melhores individualidades posicionais, de longe o melhor treinador e a melhor estrutura. Atípica foi a sua eliminação em 2014, o normal seria que este Bayern fosse campeão europeu perene enquanto os astros continuem a manter viva a conexão do clube com Guardiola. O técnico tem tudo para conquistar o seu terceiro titulo europeu (outro que pode ultrapassar pela direita o Special One depois de Ancelloti) e salvo um surto de lesões (que tem sido habitual) é muito difícil defrontar o Bayern e sair vivo para contar a história. A melhor opção até agora que algumas equipas conseguiram foi defender bem uma das mãos para acabar trucidada na segunda.
A Favor: Que o Dragão veja pela primeira vez o baile de Guardiola desde o banco. Ou que se reencarne o espírito de 1987.
Contra: Tudo. São o máximo favorito e quase não possuem pontos fracos. Exigem a posse – o que faz sofrer equipas habituadas a ela como a nossa – e quando perdem a bola são ainda melhores que nós na recuperação, muitas vezes com Neuer a jogar na linha do meio-campo.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Prokop, o Special Stasi Officer
Quase 31 anos depois da Final da Taça das Taças, da época 1983/84, no dia em que os dragões regressam a Basileia…
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| Adolf Prokop |
António Morais (adjunto de Pedroto, o qual, muito doente, ficou no Porto), em declarações no final do jogo
“Fomos espoliados por um árbitro da RDA, país onde se procuram divisas desesperadamente. Por isso, melhor era impossível…”
Fernando Gomes (capitão da equipa do FC Porto), em declarações no final do jogo
“É duplamente injusto [a UEFA suspendeu Zé Beto por um ano]. Depois do que aconteceu em Basileia, o FC Porto espoliado de forma vergonhosa, mais isto… É mentira que tenha dado pontapés ao fiscal de linha, que lhe tenha tentado dar com a bandeirola na cabeça, a ele e ao árbitro, foi disso que me acusaram. Se quisesse agredir um ou outro, ninguém me conseguiria deter, agredia mesmo.”
Zé Beto (guarda-redes do FC Porto), declarações feitas em 1984
“Fomos melhores. Esse lance [falta de Boniek que precedeu o 2-1] fez toda a diferença. O João [João Pinto] é carregado e fica fora da jogada. Fomos para o intervalo revoltados, a pensar no senhor Pedroto e nesse erro do árbitro”
Mike Walsh (avançado irlandês que, aos 64’, substituiu Jaime Magalhães), declarações feitas em 2015
«East-German Secret Police (Stasi) leader Erich Mielke made the Berlin team BFC Dynamo his personal toy and took care it won 10 Championships. He managed it by for instance securing a Stasi affiliated referee to take charge of its matches. It is documented that as a referee, Prokop helped BFC win a match in at least four instances. Prokop went on to become an OibE (Special Stasi Officer).»
Fonte: http://worldreferee.com/referee/prokop/bio
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| 16 de Maio de 1984, Final da Taça das Taças (foto: 'Filhos do Dragão') De pé (da esquerda para a direita): Eurico, Lima Pereira, Eduardo Luís, Jaime Magalhães, João Pinto, Zé Beto Em baixo (da esquerda para a direita): Vermelhinho, Jaime Pacheco, Sousa, Gomes, Frasco |
P.S. Arbitragem à parte, o FC Porto fez um grande jogo. A perder por 1-2, na segunda parte adiantou as linhas (como se diz agora), foi para cima da Juventus (expondo-se a alguns contra-ataques perigosos) e, durante largos períodos, os jogadores da equipa italiana nem passaram do meio-campo. O próprio treinador da Juventus, Giovanni Trapattoni, em declarações feitas no final do jogo, reconheceu isso mesmo: “Para nós [Juventus] foi muito difícil, nunca imaginamos que pudesse sê-lo tanto. O pressing do FC Porto, durante a segunda parte, exigiu-nos muito esforço e não menor atenção. Caíam em cima de nós e, quando tinham a bola, era muito difícil tirar-lha. Cheguei a sentir medo, muito medo…”
P.S.2 A equipa da Juventus era a base da selecção italiana que, dois anos antes, se tinha sagrado campeã do Mundo. Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli e Paolo Rossi foram titulares indiscutíveis dessa fantástica squadra azzurra a qual, no percurso para o título mundial de 1982, deixou pelo caminho a Argentina de Maradona, o Brasil de Zico, a Polónia de Boniek e a Alemanha de Rummenigge. A juntar a este lote de campeões do Mundo, o colosso de Turim tinha dois estrangeiros de top mundial: Zbigniew Boniek (o melhor jogador polaco de sempre) e Michel Platini (triplo vencedor do Ballon d'Or entre 1983 e 1985). Foi esta constelação de estrelas que, a 16 de Maio de 1984, o desconhecido FC Porto defrontou em Basileia e, como se não bastasse, os dragões ainda tiveram de enfrentar mais dois obstáculos de monta: a Juventus praticamente jogou em casa (pelo menos 4/5 dos espectadores eram adeptos italianos) e a UEFA nomeou um árbitro da antiga Alemanha de Leste que, pelos vistos, era um apaixonado por automobilismo…
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