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terça-feira, 29 de outubro de 2013

O pirómano, o manhoso e os homens de preto

Cerca de duas horas antes do início do último FC Porto x Sporting, um grupo de 94 indivíduos, maioritariamente vestidos de preto, juntaram-se na Avenida Fernão Magalhães, a partir de onde iniciaram uma onda de provocações e violência tendo como alvo adeptos do FC Porto que apanharam pela frente.
Este grupo dirigiu-se ao Estádio do Dragão, irrompendo pela Alameda das Antas, provocando o pânico e arremessando garrafas de cerveja e pedras, que atingiram, pelo menos, quatro pessoas.
Perante a natural reação de adeptos do FC Porto, incluindo alguns elementos das claques portistas, os “corajosos” indivíduos vestidos de preto correram em direção ao perímetro de segurança, saltaram os torniquetes (na zona da Entrada 25 do Estádio do Dragão) e fugiram para dentro do estádio.

Estes são os factos que foram vistos por muita gente, relatados pelos jornalistas presentes, confirmados pela polícia e dos quais há imensas fotos, filmagens e testemunhas.

Sobre estes tristes acontecimentos, a PSP emitiu no domingo à noite um comunicado com o seguinte teor:

«A PSP faz saber que um grupo com 100 indivíduos, vestidos de negro e sem qualquer identificação clubística, de forma organizada e muito coesa, provocou desacatos e forçou a entrada junto da porta 25 do Estádio. O referido grupo envolveu-se em agressões com adeptos do FC Porto, situação que foi prontamente sanada através de intervenção policial, que repôs a ordem pública.
Os indivíduos que provocaram os desacatos, foram intercetados no interior do Estádio, tendo sido dali retirados e conduzidos junto de departamento policial de forma a serem devidamente identificados (100 indivíduos) e averiguadas as circunstâncias em que cometeram aqueles factos.
São suspeitos da prática dos crimes de participação em rixa, assim como introdução em local vedado ao público, dando-se assim cumprimento aos procedimentos policiais adequados».


Mais tarde, soube-se, através de fontes policiais, que estes indivíduos fazem parte de um grupo denominado Sporting Casuals (estão referenciados pela Unidade Metropolitana de Informações Desportivas), não utilizam cachecóis, camisolas ou quaisquer adereços do seu clube (embora vários deles tenham tatuagens e outros símbolos do Sporting), não acompanham as tradicionais claques leoninas e vão ao futebol, sem bilhete, com um único objetivo: causar distúrbios.

Perante todos estes factos, a maior parte dos quais devidamente comprovados e outros sustentados em evidências, seria de esperar alguma contenção dos dirigentes, particularmente dos dirigentes do clube de que estes indivíduos são adeptos. Mas não, com a arrogância que caracteriza os “viscondes de Alvalade”, na segunda-feira à noite, a Direção do Sporting, liderada por um individuo provocador, que nas semanas que antecederam o clássico tudo fez para incendiar os ânimos, teve a desfaçatez de emitir um comunicado onde consta o seguinte:

«Vários Sportinguistas foram agredidos nas imediações do estádio do dragão. Ao invés do clube da casa repudiar totalmente estas atitudes, como esta Direcção já o fez em situações similares, começou a circular um rumor de que um grupo de Sportinguistas teria provocado desacatos, facto ainda não confirmado, que “justificaria” tais atitudes bárbaras e inqualificáveis. Até ao momento, ao serem vistas as imagens televisivas e fotográficas disponibilizadas, verificou tratar-se de um conjunto de pessoas onde as únicas que se conseguem identificar são do clube da casa.»

Mas nesta estratégia de “lavagem” e sacudir a água do capote, Bruno Carvalho e seus muchachos não estão sozinhos.

Nos dois dias seguintes a estes graves incidentes, o jornal dirigido pelo Querido Manha, fez duas capas (na 2ª e 3ª feira) que dizem quase tudo acerca da pouca vergonha e ética profissional que o caracteriza.

No meio disto tudo, não posso deixar de elogiar o comportamento que a Direção do FC Porto assumiu até agora. Primeiro deixou o Bruno a falar sozinho e, perante as cenas de violência provocadas pelo grupo Sporting Casuals, adoptou uma postura de contenção para não deitar mais achas para a fogueira. Impecável!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Acabar com as condutas manhosas

«Em 35 anos, esta é a quinta vez que inicio funções na redação do Record. Em 1978, com Monteiro Poças, fui estagiário. Em 1986, com Rui Cartaxana, desenvolvi o primeiro espaço regular sobre futebol internacional. Em 1994, com João Marcelino, regressei para participar na grande transformação em jornal diário e integrei as direções até 2003, também com José Manuel Delgado. Em 2004, com Alexandre Pais, iniciei um ciclo como colunista que durou até há poucas semanas.»
João Querido Manha
in Record, 19-07-2013


O diretor do Record deixou de ser Alexandre Pais (um assumido adepto do Belenenses com uma certa simpatia pelo slb) e o lugar passou a ser ocupado por um homem da casa, que também era cronista do Correio da Manhã e comentador da CM TV.

Acho bem. Detesto fingimentos e, com “talibans encarnados”, como são os casos de Octávio Ribeiro e João Querido Manha, na direção do Correio da Manhã e Record respectivamente, a estratégia e politica comunicacional do grupo Cofina fica muito mais clara.

Esta clarificação no Record, junta-se à transferência do ano nos media portugueses, anunciada há umas semanas atrás: Hélder Conduto, coordenador do Desporto da RTP, vai sair da estação pública para passar a chefiar a redação da benfica TV.
É sempre positivo quando as pessoas deixam de ter vergonha e assumem aquilo que realmente são. Desse modo, pelo menos evitam ser criticadas por condutas manhosas

Neste período das trevas, em que grande parte da comunicação social portuguesa (lisboeta!) é “comandada no terreno” por fundamentalistas encarnados (José Manuel Delgado, Octávio Ribeiro, João Querido Manha, ...), com uma visão do futebol português toldada pelo ódio ao FC Porto, é reconfortante constatar que o Porto Canal é um projeto diferente, que caminha em sentido contrário, numa lógica de abrangência e que desperta simpatias em pessoas e zonas do país onde isso parecia pouco provável.