Mais certinho do que um relógio, saiu mais um comunicado da SAD em reação a uma crítica pública de portistas mediáticos (desta vez foi em reação a um comentário de Rui Moreira no Facebook).
Serve esse comunicado (alegadamente...) para fazer «esclarecimentos» a propósito do projecto «Visão 611» (que Rui Moreira abordou nesse tal comentário no Facebook). Ora dizem eles o seguinte, entre outras coisas:
«O Visão 611 foi um projeto do FC Porto que reestruturou transversalmente o futebol do clube. O conceito foi implementado durante cinco anos [...] A consulta do palmarés desportivo do FC Porto permite facilmente aferir qual o grau de sucesso nesse ciclo e nos anos que se seguiram, merecendo destaque a conquista da UEFA Europa League [...]».
Tendo em conta que o projecto em causa tinha como objectivo «alimentar» a equipa A com boa «prata da casa», temos que concluir logicamente que, para o Conselho de Administração da SAD [Pinto da Costa, Antero Henrique & Cia], o contributo da «prata da casa» foi importantíssimo na conquista da Liga Europa em 2010/11.
....nomeadamente, que os 51mins acumulados pela «prata da casa» nessa competição nessa época (45mins de Ukra e 5mins de Castro), com zero golos e zero assistências, num total teoricamente possível de quase 15000 mins (15 jogos x 90 mins x 11 jogadores em campo)...foram 51mins importantíssimos nessa conquista. Ficamos «esclarecidíssimos»!
Sinceramente: mas será que eles pensam que somos assim tão lorpas?
Recordo que o Projecto 611, que começou em 2006 com grande fanfarra sob "a batuta" de Antero Henrique, tinha como meta objectiva colocar 6 jogadores no núcleo duro do plantel A em 2011 - e de forma sustentada, ano após ano. Tendo em conta que em 2011/12 tínhamos apenas um (e quase nada mudou desde então), foi portanto um enorme falhanço.
...falhanço ainda mais retumbante quando se constata que quando o projecto foi lançado tínhamos 5 ou mais jogadores «da casa» no plantel A (para não falar dos anos anteriores, em que conquistámos a Taça UEFA e a Liga dos Campeões). Quase que dá vontade de dizer: «Para isso, mais valia estarem quietos».
Bem, porque falhou? Penso que por várias razões: tanto na captação de jovens talentos, como na sua formação e finalmente na integração dos mais promissores na equipa A. A título de mero exemplo, eu diria que o problema passa certamente (também) por isto:
«Porque é que não fiquei no FCP? Bem, porque para assinar para a equipa B tinha de assinar antes um contrato de representação com a Gestifute, e eu já tenho o meu agente americano e não preciso disso"
Declarações de Pusilic em entrevista recente, a propósito da sua passagem-relâmpago pelo FCP em 2015 (isto é, há apenas um ano), onde esteve duas semanas a fazer testes.
Christian Pusilic é o capitão dos sub21 dos EUA e já leva 11 jogos esta temporada ao serviço do Borussia Dortmund, apesar de ter apenas 17 anos. É um talentoso médio ofensivo, considerado por muitos como a maior promessa americana dos últimos anos.
Sou portuense e portista, a ordem certa que venha o diabo e escolha porque nem eu sei ao certo mas tenho profundo orgulho de ambas. Tudo aquilo de positivo que acontece à minha cidade e ao meu clube é sempre motivo de regozijo. E poucas coisas têm sido tão positivas nos últimos tempos como Rui Moreira. O Presidente da Câmara Municipal do Porto - portuense e portista, seguramente numa ordem que ele também não saberá ao certo precisar - é uma lufada de ar fresco e um sinal de esperança para todos aqueles que sobreviveram ao cinzentismo dos últimos quinze anos na Invicta. É também um sinal de esperança para todos os portistas.
Há uns largos tempos atrás o RP publicou uma série de textos opinativos em que se abordavam os perfis dos futuros presidenciáveis do clube. Nenhum parecia ser tão consensual como o de Rui Moreira, ainda que já na altura se mencionasse a sua ambição política (confirmada) e a sua presença como cronista no jornal A Bola (se podem atacar Vitor Baía por colaborar com o Correio, que diriam de quem colaborou com A Bola?). Era um perfil que gerava as dúvidas naturais de quem não era particularmente distante da SAD vigente mas que, ao mesmo tempo, nunca se posicionou abertamente como presidenciável por ter outra frente aberta. O facto é que ele podia ter sido - nas palavras de um grande portista - o Joan Laporta que o clube necessitava depois de décadas de um perfil radicalmente distinto que ajudou a elevar o clube aos píncaros da glória mas parecia desgastado. Laporta fez isso com o Barcelona e foi chave para cimentar o êxito actual. Moreira é, seguramente, uma pessoa muito mais séria e de fiar do que um Laporta rodeado de polémicas por todos os lados, mas a ideia de regeneração (a todos os níveis) desde dentro era o plano. Infelizmente para o FC Porto e felizmente para a cidade do Porto, Rui Moreira deu um murro na mesa e apresentou uma candidatura independente à Câmara para acabar com o compadrio partidário que representava Luís Filipe Menezes, o candidato "salta-pontinhas". Moreira ganhou, ganhou bem e ganhou de forma tão surpreendente que foi noticia um pouco por todo o Mundo. Poucos tinham defendido tanto a cidade como ele durante o seu mandato à frente da ACP. Os que nele acreditaram esperavam o mesmo perfil agora à frente da Câmara Municipal e não se enganaram. Desde o momento em que foi eleito Rui Moreira não lutou apenas para melhorar a vida quotidiana dos portuenses - depois de década e meia de cinzentismo orçamental - mas também se ergueu como o grande defensor da cidade e região contra o asfixiante centralismo da capital. Fê-lo como sempre, com elegância, classe, valores mas uma autoridade moral que ninguém podia questionar (e quem não se lembra do seu abandono no programa Trio de Ataque, um ataque de portismo do mais exemplar que se viu em Portugal). Fê-lo, sobretudo, por convicção e por amor à sua cidade.
Olhando para as últimas batalhas ganhas por Moreira ficamos sempre, nós, os portuenses, nós os nortenhos, orgulhosos de um homem assim. Para os que também somos, naturalmente, portistas, fica também a pontinha de inveja. Como queríamos um líder deste nível à frente dos destinos do nosso clube. Hoje o FC Porto precisa mais de Rui Moreira do que nunca precisou.
Quando todos calam, ele levanta a voz. Quando todos tentam desviar as atenções, ele enfrenta as balas. Quando uns misturam alhos e bugalhos para ir pelas costas, ele vai de frente. Rui Moreira tem demonstrado ser um líder exemplar e espero, sinceramente, para o bem da cidade, que cumpra todos os mandatos a que legalmente se possa candidatar. O Porto agradecerá enormemente ter alguém como ele a conduzir os destinos da cidade. O Clube, esse, terá de olhar e procurar inspiração num perfil similar ainda que não seja fácil. Ruis Moreiras não há muitos.
Olhando para o panorama actual, é difícil encontrar no Clube o defensor absoluto da cidade e região que já foi. O elo de identidade desaparecido. Os valores perdidos. A conexão apagada. A história reescrita. O Porto não deve nunca deixar de ser a máxima referência e prioridade do FC Porto por muito que este procure, legitimamente, expandir-se para a China, Colômbia, México, Espanha ou Nova Zelândia. Se alguma vez chegamos onde chegamos foi também pelas nossas origens. Hoje, como nunca, nota-se a falta desses laços. Desses jogadores da casa que entendem cada palavra murmurada pelas gaivotas. Desses dirigentes que se preocupam com o Clube e com a cidade muito mais do que com arranjar trabalho para filhos, genros, cunhados, irmãos e companheiras dentro da estrutura do clube, repartindo benesses que pertencem a todos os sócios e accionistas, a dedo. Desses adeptos que antes faziam das Antas uma plataforma gigante de portismo e de sentimento nortenho e que agora gelam o Dragão ao som do sorver de bebidas, do mastigar de pipocas e de assobios que envergonhariam as pedras da Constituição.
Rui Moreira pode não estar disponível nos próximos dez anos para ser Presidente do FC Porto mas o seu exemplo está aí, para todos verem. O Presidente da Câmara não dá trabalho à família num organismo que é de todos. Não se preocupa em beneficiar os amigos de fora - os fundos legais e suspeitos, os agentes e comissionistas - e sim os seus concidadãos através da dinamização das forças-vivas da cidade que crescem com o turismo, a indústria e as marcas mais fortes da Invicta onde está, inevitavelmente, o nosso clube. Rui Moreira não se cala quando se prejudica o Porto da mesma maneira que outros calam quando se prejudica o FC Porto. Não se vende àqueles que insultam a cidade como outros se vendem àqueles que insultaram o clube e os recebem entre mordomias no palco presidencial. Rui Moreira pode não ser o próximo Presidente do FC Porto mas alguém que siga o seu exemplo deveria sê-lo. O Rui é esperto. O Rui é fiel. O Rui é frontal. O Rui é honesto. O Rui é corajoso. Futuro presidente do FC Porto, seja esperto. Seja como o Rui.
«Vítor Pereira apostou na táctica do costume, com muita posse de bola, mas criando pouco perigo.»
Rui Moreira, in A BOLA, 17-05-2013
Nas vésperas do último jogo do campeonato, Rui Moreira, um dos mais mediáticos adeptos do FC Porto, comentando em A BOLA a vitória dos dragões sobre o grande rival no jogo do título, voltou a falar, com um indisfarçável enfado, na “táctica do costume”.
Convém dizer que Rui Moreira não está sozinho nas críticas à “táctica do costume”. Como ele, há muitos mais adeptos portistas que partilham o mesmo desagrado deste Dragão de Ouro (Sócio do ano em 2010) em relação ao modelo de jogo adoptado pelo FC Porto de Vítor Pereira, dizendo que este modelo é inconsequente, ineficaz e, em alguns casos, até o acusam de ser defensivo.
Independentemente de discutirmos se, com o plantel existente, o modelo de jogo do FC Porto poderia/deveria ser muito diferente (isso é assunto para outros artigos), será que este tipo de críticas são justas?
Olhemos para os números oficiais do campeonato.
Usando a “táctica do costume”, o FC Porto, após 30 jogos, concluiu o campeonato como vencedor (não é coisa pouca…) e:
- única equipa invicta;
- equipa com mais vitórias (juntamente com o slb);
- com 70 golos marcados (média de 2,33 por jogo);
- com 14 golos sofridos (média de 0,46 por jogo).
Penso que estes factos, por si só, já são elucidativos. Mas, se não quisermos limitar a análise às vitórias, derrotas, golos marcados e sofridos, podemos olhar para outros rankings de aspetos do jogo, que traduzem, ou são consequência, de acções ofensivas e defensivas da equipa.
Equipa com mais remates:
1º) FC Porto, 495
2º) benfica, 475
3º) sporting, 406
Equipa com menos remates consentidos: FC Porto (189)
Equipa com mais cantos a favor:
1º) FC Porto, 231
2º) benfica, 227
3º) sporting, 213
Equipa com menos cantos consentidos: FC Porto (110)
Será por acaso, ou por obra e graça divina, que a equipa do FC Porto chegou ao fim do campeonato na liderança destes rankings?
O gostar ou não gostar de um determinado modelo de jogo, tem sempre algo de subjectivo e eu até compreendo que haja portistas que prefiram a vertigem do modelo do "catedrático". Contudo, analisando todos estes números de uma forma racional, não-emotiva e sem preconceitos, não me parece que os adjectivos mais adequados para classificar o modelo de jogo adoptado pelo FC Porto sejam “defensivo”, “inconsequente” e muito menos “ineficaz”.
P.S. Acerca da “táctica do costume”, vale a pena ler o que disse o treinador do Estoril, Marco Silva, numa entrevista publicada no Record de 22-05-2013:
«Trata-se de uma equipa [FC Porto] muito coesa. Se formos a ver que, em três anos, apenas perdeu um jogo… isso define muito do que é aquela equipa. Acima de tudo, com Vítor Pereira, é uma equipa organizada e forte. (…)
Exerce [a equipa do FC Porto] uma pressão muito forte sobre o adversário, circula muito bem a bola e tem uma reação à perda de bola a todos os níveis fantástica. Só assim se explica como conseguiu ter níveis de posse de bola excecionais esta temporada.»
«Chegada a quarta-feira, logo desconfiei do onze inicial que Vítor Pereira escolheu. Com um meio campo reforçado, com Fernando, Defour, Moutinho e Lucho, restavam dois jogadores no ataque: Varela e o inevitável Jackson. (…)
É que não lembra ao Diabo ir jogar fora, para a Liga dos Campeões, e tentar um sistema inovador.»
Rui Moreira, A Bola, 15-03-2013
Discordo da forma como Rui Moreira (um conhecido adepto e comentador portista) viu o Málaga x FC Porto e também discordo da opinião que manifesta acerca de Vítor Pereira, o que é perfeitamente normal. Mas, o que me leva a pegar nestas afirmações, é Rui Moreira ter escrito que o treinador do FC Porto apresentou em Málaga um sistema inovador.
Eu sei que Rui Moreira não é o único portista que disse isto, e até ouvi portistas a fazer um paralelismo com as "invenções" de Bobby Robson em Barcelona (colocar Aloísio a defesa esquerdo) e de António Oliveira em Manchester (quando apostou de início no quase desconhecido Costa para o meio-campo), mas será que é verdade?
Recordemos qual foi o onze inicial que, há dois meses atrás, Vítor Pereira escolheu para enfrentar a equipa orientada pelo "catedrático":
Pois é, o sistema e onze inicial do FC Porto no La Rosaleda foi exatamente o mesmo da última deslocação ao estádio da Luz.
Parafraseando o saudoso Fernando Pessa, e esta heim?
P.S. As pessoas podem mudar de opinião e no futebol isso acontece com frequência mas, já agora, o que escreveu Rui Moreira acerca do sistema adoptado por Vítor Pereira no slb x FC Porto?
«Apesar das ausências de James e de Atsu, o que limitava as suas opções, Vítor Pereira teve o mérito de, compreendendo os pontos fortes e fracos do adversário, montar um sistema muito competente».
Para muitos adeptos portistas, o nome de Rui Moreira oferece um consenso pouco habitual fora da estrutura actual da SAD, quando se trata de falar da sucessão do maior presidente desportivo da história do futebol, a par de Santiago Bernabeu. O que leva que um sector de sócios do FC Porto pense que este empresário da Invicta é o homem certo para suceder a Pinto da Costa na cadeira de sonho do Dragão?
Rui Moreira tem a seu favor três elementos que quase sempre se procuram e poucas vezes se encontram em potenciais candidatos. É um homem da cidade e do clube desde sempre, seguidor confesso, adepto de bancada e sem medo de dizer publicamente o que pensa sobre a gestão do clube. É também uma figura pública, não tanto pelo seu trabalho ao serviço da Associação Comercial do Porto, mas pelo seu papel de cronista e convidado de programas televisivos para representar a facção azul e branca. Dele disse Pinto da Costa, quando em 2010 lhe entregou o Dragão de Ouro ao Sócio do Ano que "com a sua inteligência esteve lá a defender o FC Porto, mas não como um simples recadeiro, sem receber mensagens no telefone a meio do programa de outros, tendo mostrado a dignidade de dizer basta ao fartar vilanagem".
Educado, correcto mas directo, a sua postura, principalmente quando abandonou o programa da RTP Trio de Ataque, valeu-lhe o apoio de muitos sectores entre os adeptos, cientes que o sucessor de Pinto da Costa não pode ter medo de mandar as farpas necessárias para manter os rivais na ordem.
É, também, uma das poucas figuras consensuais de um Norte perdido de referentes públicos. A sua postura de defesa da autonomia do porto de Leixões, do aeroporto Sá Carneiro e o seu posicionamento favorável à regionalização vem de encontro com a massa adepta mais tradicional que vê no clube um reflexo da cidade do Porto e, por extensão, da região norte.
Mas o seu nome gera também muitas dúvidas. Sobretudo porque nunca escondeu a sua ambição política.
Nestas últimas semanas o seu nome voltou à baila com força, por motivo das eleições autárquicas deste ano. Politicamente conservador, associado historicamente ao CDS, Moreira sonha tanto com a cadeira de presidente do FC Porto como com a da Câmara Municipal da cidade. Durante os anos de gestão de Rui Rio foi sempre falado como um opositor capaz de reunir à sua volta toda a oposição mas acabou por desmarcar-se de todas as corridas, ciente que o apoio esmagador da direita valeria ao presidente em funções a renovação no cargo. Mas Luís Filipe Menezes, o candidato da coligação PSD-CDS, gera muitas dúvidas aos portuenses e há uma vazio político, que uma candidatura aparentemente independente, mas com muitos apoios partidários, pode explorar. Moreira sabe-o, conhece a sua popularidade e pode ser tentado a avançar. Se vencer, seguramente será presidente da autarquia entre quatro a oito anos, o que o invalidaria como candidato à presidência do clube. E se perde?
Bem, ninguém gosta de votar em candidatos perdedores. Uma derrota nas urnas, especialmente se for clara, pode ferir para sempre a sua imagem junto do associado portista e inviabilizar qualquer ideia de sucessão a Pinto da Costa.
Rui Moreira é também cronista no jornal A Bola. Para muitos sócios e adeptos portistas, isso não deixa de ser um sacrilégio, como Miguel Sousa Tavares bem sabe, e mesmo que o seu discurso seja previsivelmente o da defesa do clube num jornal de prestigio, a verdade é que poucos podem entender essa parceria a não ser da perspectiva do mais básico populismo mediático. Um populismo que funciona bem em modelos como o do Benfica mas que encontrará seguramente uma resistência tenaz no "tribunal" portista.
E afinal, Rui Moreira é um gestor de futebol reconhecido?
Foi membro do Conselho Consultivo do FC Porto mas não se lhe conhece nenhum acto de gestão interno que tenha saído de uma proposta sua. Escreve e fala fluentemente sobre futebol mas nunca mostrando um nível de conhecimento de gestão desportiva superior a muitos outros cronistas azuis e brancos. É um empresário de sucesso, sem dúvida, e o seu papel como presidente da ACP recebeu sempre bastantes elogios, mas não é o mesmo mexer-se no mundo empresarial tradicional do que no universo e no submundo futebolístico onde é preciso sujar as mãos muito mais vezes do que se quer. Rui Moreira seria um candidato interessante com uma equipa de gestores de futebol atrás de provas dadas. Poderia ser capaz de unir à sua volta os mais acérrimos nortenhos (aqueles que querem que o Olhanense perca com o Gil Vicente só por ser do Sul) e alguns dos pintistas confessos, mas será capaz de o fazer sozinho?
E no fim de contas, não parece que esse sonho de consagração política como símbolo unificador das distintas sensibilidades nortenhas, a través de um cargo no panorama regional, uma velha memória do antecessor de Pinto da Costa, o também homem forte do CDS no Porto, Américo de Sá, de quem José Maria Pedroto disse um dia que queria entrar na Assembleia da República (onde era, precisamente, deputado eleito pelo Porto) com a cabeça de Pinto da Costa numa bandeja para acalmar os centristas? Será Rui Moreira um presidente capaz de se comprometer a 100% com o futuro do clube, como muitos esperam, ou haverá sempre um canto da sereia ao virar da esquina para uma das grandes figuras presentes da Invicta?
«O nó do problema reside na incapacidade demonstrada pelos nossos governantes – de Soares a Passos, passando por Cavaco, Guterres, Durão, Lopes e Sócrates – em sequer verem que o pecado original está na estratégia de concentrar todos os recursos na capital, na esperança que essa locomotiva reboque o resto do país, o que nunca acontecerá porque Lisboa já há muito que está desengatada das outras carruagens do comboio português. Quando se está no Terreiro do Paço perde-se a perspectiva do resto do país, que passa ao estatuto secundário de paisagem (ou província). O resultado é o acentuar das desigualdades internas. Quem olha para o país de fora de Lisboa já percebeu que a chave para o desenvolvimento consiste em repensar tudo e apostar numa cobertura equilibrada do território nacional.» Jorge Fiel (JN, 27/12/2011)
«Na distribuição de recursos e de benesses, quem está próximo do Terreiro do Paço tem sempre direito a um maior quinhão; quem está próximo consegue influenciar as decisões; quem está perto consegue obter os cargos que, depois, determinarão os destinos do país, acentuando os desequilíbrios. (…) Foi assim sempre ao longo da história, tem sido assim desde o 25 de Abril. (…) Para isso contribuiu, também, muita da classe política do Norte, que resulta desse modelo, e que sabe que a sua carreira depende, em larga medida, da sua subjugação aos interesses da capital. Tudo isso só é possível porque o Porto, em vez de se fazer voz diferente, e de representar o resto do país, também se imaginou capital. E, falhado esse processo inexequível, que morreu com o fracasso da regionalização, embrenhou-se em querelas, deixou-se ficar pelo queixume surdo, e não cuidou de se unir para fazer frente à afronta. Só assim se compreende que não se reconheça o papel único e motivador de instituições como o FC Porto. Só assim se entende que um putativo candidato à câmara da cidade critique o Metro do Porto. Só assim se percebe que a população, e em particular a sua elite, não exerça o poder que tem à sua disposição. Numa civilização em que o consumo é rei, estou à espera do dia em que um banco que faz a aquisição de outro, que era do Porto, e que obriga os seus trabalhadores portuenses a migrarem para a capital como alternativa ao despedimento, veja os portuenses acorrerem aos seus balcões para levantarem os seus depósitos. Quando isso acontecer, o dragão da cidade cantará de galo e, acredito, ninguém o calará.» Rui Moreira (JN, 01/01/2012)
Os textos anteriores são extratos de crónicas recentes de Jorge Fiel e Rui Moreira, publicadas no Jornal de Notícias.
Com a “morte” por asfixia (financeira) do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro, e os projetos ainda imberbes do Porto Canal e do semanário Grande Porto, o JN transformou-se numa espécie de aldeia gaulesa da comunicação social, sendo um dos últimos redutos onde ainda são denunciados os abusos centralistas e se podem ler cronistas desalinhados dos cânones ditados pela capital do ex-Império.
Contudo, se o JN se tornar demasiado incómodo, corre o risco de ser esmagado pelo poder imperial de Olissipo. Por exemplo, seria interessante que fosse divulgado o montante gasto em publicidade no ano passado, nomeadamente pelo Estado e ex-empresas do Estado (PT, EDP, …), em cada um dos jornais diários generalistas. Além disso, é sabido que Joaquim Oliveira (o dono do JN) vive em Lisboa, gosta de jogar golfe e tem interesses que vão muito para além dos jornais…
Sobram os consumidores, conforme salientou Rui Moreira no final da sua crónica de ontem. Somos nós, com as nossas decisões (escolha de um canal, compra de um jornal, etc.), que podemos ser a “poção mágica”, que dá força e ajuda o JN (e o Porto Canal e o Grande Porto) a resistir às “legiões imperiais”.
Disputou-se no Palácio da Bolsa, no magnífico espaço do Pátio das Nações, o 62º Campeonato da Europa de Bilhar às três tabelas (individual), numa organização conjunta da Confederação Europeia de Bilhar, da Federação Portuguesa de Bilhar e da Secção de Bilhar do FC Porto.
O evento, que decorreu nos últimos quatro dias (16 a 19 de Junho), recebeu bilharistas de 22 países, sendo de destacar que o seu custo - cerca de 100 mil euros - foi totalmente coberto por patrocínios.
Num cenário de crise e de previsível aumento do centralismo (é mais fácil cortar longe do que perto do Terreiro do Paço), é importante este tipo de parcerias entre duas instituições da cidade - Futebol Clube do Porto e Associação Comercial do Porto -, as quais contribuem para trazer para o Porto eventos internacionais. E, apesar do Bilhar não ser um desporto de massas, este campeonato da Europa ajudou a promover o FC Porto, o Palácio da Bolsa e a própria cidade do Porto.
A SportTv transmitiu as meias-finais e a final mas, quem gosta da "magia das três tabelas" e não pôde assistir em directo, poderá ver um resumo nos dias 23 de Junho (19h00), 25 de Junho (09h00) ou 26 de Junho (14h00).
(clicar para ampliar)
P.S. A final foi ganha pelo holandês Dick Jaspers, o qual derrotou o belga Eddy Merckx por três sets a zero. O melhor portista foi o sueco Tornbjorn Blomdahl, que ficou em terceiro lugar.
Antes de ter sido tornado público que Rui Moreira não voltaria a participar no programa 'Trio de Ataque', o jornalista Alfredo Barbosa escreveu um artigo (clicar na imagem ao lado para aumentar) sobre o assunto, o qual foi publicado no semanário Grande Porto da passada sexta-feira.
Desse artigo, destaco a seguinte parte: «Se bem o conheço, Rui Moreira nunca mais se sentará ao lado de António Pedro Vasconcelos. O Trio de Ataque, tal como existiu durante anos, acabou. Se bem o conheço, José Alberto Lemos (director da RTPN) considerará que a saída de Rui Moreira não passa de um dano colateral na luta pela audiência.»
Ao contrário de Alfredo Barbosa, eu conheço mal o director de programas da RTPN. Sei que andou pelo jornal Público, pela SIC, pela RDP/Norte e que está na RTP desde 2003. Mas conheço razoavelmente bem o seu braço direito, o benfiquista mais famoso de Paredes, o qual, em Março de 2008, foi convidado para director adjunto da RTPN, tendo na altura José Alberto Lemos afirmado: “Carlos Daniel vai ter uma ligação muito estreita à área informativa, fazendo a gestão da informação do dia-a-dia. Vamos também reflectir em conjunto sobre os programas, o que devemos ou não mudar”.
Depois do que se passou no último Trio de Ataque, em que o próprio pivot do programa chamou à atenção do representante do slb para a ilegalidade que estava a cometer, o mínimo que a direcção de programas da RTPN deveria ter feito era um comunicado, garantindo que não mais seriam toleradas tais situações. Claro que não o fizeram, tamanha é a submissão aos interesses do slb.
Para verem onde a coisa chega, disse-me uma fonte credível que é frequente o cineasta ser visto no gabinete do Carlos Daniel até à hora do programa. E isso é crime? Não, tal como não é crime dois jornalistas da RTP - Carlos Daniel e Hélder Conduto - irem almoçar com Jorge Jesus no restaurante de um conhecido barbudo benfiquista, provavelmente para falarem do tempo...
O que é público e notório é a cumplicidade entre alguns jornalistas e diversos actores do slb. Esse facto, por si só, não põe em causa a sua competência profissional, mas que tipo de imparcialidade se pode esperar desses jornalistas? Como diz o povo, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.
“Passámos [RTP-N] de um canal regional para um canal nacional que representa todas as regiões do País. Era um canal que nasceu torto e desprestigiado, mas foi traçada uma estratégia para um canal de informação que se foi solidificando e hoje tem uma situação favorável do ponto de vista das audiências e é uma referência no panorama informativo. O canal precisa de crescer mais. E, mais do que estarmos obcecados com as audiências, apostamos antes em trabalhar com a qualidade, que distingue a RTP como serviço público de televisão”. José Alberto Lemos, 05/06/2009
Rui Moreira acaba de ser nomeado Sócio do Ano no âmbito da atribuição anual dos Dragões de Ouro.
Eu sempre interpretei este galardão como uma forma de, através de um sócio mais mediático e mais conhecido, distinguir anualmente a enorme massa anónima de sócios do F.C. Porto, sem desprimor, obviamente, pelos méritos dos agraciados. Mas a nomeação deste ano, ao contrário de tantas outras, toca decerto fundo na massa associativa do clube, pois semana após semana Rui Moreira tem defendido o F.C.P. com aprumo e carácter. Alguns, porventura confundindo grosseria com eficácia, por vezes acham que ele deveria ser mais "contundente". Outros ainda - muitas vezes os mesmos - não lhe perdoam o facto de da boca dele nunca sair o elogio fácil e/ou o aplauso acrítico. Eu, pelo contrário, acho que é precisamente por essas qualidades e postura que o que Rui Moreira tem para dizer faz muito mais eco e tem muito mais peso.
Os meus parabéns ao Sócio do Ano!
Nota: Pela internet e blogosfera portista fora Rui Moreira é por vezes muito mal tratado. Há até um sítio onde a simples digitação do seu nome é automaticamente recusada! Decerto que esta distinção está a causar desconforto em certos meios. Só lhes posso dar um conselho: tratem melhor o Miguel Sousa Tavares, porque qualquer dia pode ser a vez dele.
«O abandono de Rui Moreira do programa ‘Trio de Ataque’ (na última terça-feira, na RTPN) ganhou novas proporções. O gestor, que ontem foi eleito sócio do ano do FC Porto, vai ser substituído, apurou o CM. Hoje deverá ser anunciado o nome do novo representante do FC Porto no programa da RTPN. Ao CM, várias fontes revelaram que os responsáveis do canal público estão também a ser pressionados para que António Pedro Vasconcelos saia do programa, uma informação negada por José Alberto Lemos, director da RTPN. "Esse rumor não tem fundamento", garante ao CM. Já o comentador desconhece as pressões, mas admite que "é natural e possível que existam. Tenho acordo com eles [RTPN] e, até informação em contrário, vou comparecer”. “Esperemos que a RTP não avance para aquilo que será um acto de censura injustificada”, diz fonte oficial do Benfica ao CM, frisando que se tal vier a “acontecer é porque a RTP cedeu a pressões”. “E se há meio de comunicação social que tem de estar imune a pressões é a RTP”, observou a mesma fonte, deixando um aviso: “O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos e contra aqueles que o tentam agora silenciar”.» in Correio da Manhã, 08/10/2010
“O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos”, disse ao CM uma fonte oficial dos encarnados. Como? Mas, afinal, o APV participa no ‘Trio de Ataque’ como adepto do slb ou está lá como “comissário político” do “Politburo encarnado”?
Sinceramente, para salvaguardar o pouco que resta da sua imagem, o cineasta-comentador deveria pedir aos seus comparsas, que o ajudam a preparar o programa, para terem mais cuidado naquilo que dizem. É que, com este tipo de declarações, fica ainda mais óbvio que ele não passa de uma mera correia de transmissão da voz do dono.
Umas horas depois desta notícia do CM, a FC Porto Futebol SAD emitiu um comunicado, onde afirma que “não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais”.
O contraste com a posição do slb não poderia ser maior. Que grande bofetada de luva branca!
P.S.1 Na sua crónica de hoje em A Bola, Rui Moreira escreve: “Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.”
P.S.2 O semanário Grande Porto refere que Rui Moreira já decidiu que não volta ao programa. Estou curioso para ver se há algum portista que aceite sentar-se ao lado do APV ou se o Trio vai passar a Duo.
Rui Moreira abandonou o programa de hoje Trio D'Ataque, na RTPN, em total desacordo com a forma como a RTP decidiu tratar a questão das "novas" escutas de Pinto da Costa colocadas recentemente no Youtube. Mais uma vez, e à margem da legislação em vigor, a televisão pública decidiu dar voz ao representante do slb para este mencionar as referidas escutas e, inclusive, dizer que "Pinto da Costa pediu árbitros para alguns jogos", facto que nem sequer pode ser provado pela visualização dos videos roubados por alguém do Ministério da Justiça e colocados no Youtube. O video do programa está aqui, não sei por quanto tempo...
Costuma dizer-se que um relvado está inclinado quando o árbitro do jogo, sem dar muito nas vistas, “gere” os tempos do jogo, as faltas a meio-campo, a mostragem dos cartões amarelos, etc. Muitas vezes, sem necessitar de assinalar penalties mais do que duvidosos ou foras-de-jogo escandalosos, uma “arbitragem inteligente” é suficiente para perturbar, enervar, atrapalhar e dificultar ao máximo a tarefa de uma equipa.
Passe a comparação e com as devidas distâncias foi isso que eu senti no Trio d´Ataque da semana passada, com o “árbitro” - Hugo Gilberto - a dificultar, e de que maneira, a acção de um dos “jogadores” - Rui Moreira.
Hugo Gilberto, um ex-aluno da licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras de Coimbra, é jornalista da RTP há vários anos e há cerca de dois meses substituiu o Carlos Daniel como moderador deste programa das terças-feiras, em que durante cerca de hora e meia Rui Oliveira e Costa (Sporting), António Pedro de Vasconcelos (Benfica) e Rui Moreira (FC Porto) debatem sobre os principais acontecimentos futebolísticos da semana.
Já me tinha apercebido de uns sinais dados por Hugo Gilberto em programas anteriores, mas no Trio d´Ataque do dia 23 de Dezembro as coisas foram óbvias. Vejamos:
No SLB - Nacional quis-se dar a entender que tinha havido um roubo (quando, de facto, há um único lance discutível) e os lances polémicos do jogo parece terem sido escolhidos a dedo para que fosse essa a mensagem transmitida. Por exemplo, é analisado um pseudo fora-de-jogo do ataque do Nacional (em que o árbitro auxiliar decidiu bem ao não marcar) e de seguida um fora-de-jogo evidente do ataque do SLB (que o outro árbitro auxiliar voltou a estar bem ao interromper a jogada). Qual era a ideia ao analisar estes dois lances em sequência? Dar a entender que para dois lances “parecidos” o trio de arbitragem teve duas decisões distintas? Azar! Os três comentadores estiveram de acordo que nestes lances o árbitro Pedro Henriques esteve bem (as imagens televisivas não deixam dúvidas).
Ao falar do FC Porto - Marítimo, percebeu-se que antes de serem analisados casos em concreto, Rui Moreira pretendia fazer algumas considerações gerais sobre a arbitragem de Duarte Gomes. O adepto do FC Porto ainda conseguiu referir o ridículo cartão amarelo mostrado aos 92’ ao guarda-redes do Marítimo (quando este tinha começado a queimar tempo logo no início do jogo), mas já não pôde falar mais do critério na mostragem dos cartões e, principalmente, na forma como o árbitro lisboeta pactuou com todas as estratégias da equipa madeirense para fazer passar depressa os ponteiros do relógio, visto Hugo Gilberto tê-lo interrompido.
A seguir, quase não se percebeu que o árbitro internacional de Lisboa tinha perdoado duas expulsões a jogadores da equipa verde-rubra na altura decisiva do jogo, porque a preocupação do Hugo Gilberto pareceu ser destacar uma hipotética contradição de Rui Moreira, por este ter analisado os lances das mãos de Miguel Vítor (no SLB - Nacional) e de Bruno Alves (no FC Porto - Marítimo) de forma distinta. Não percebi a admiração, porque os lances, como o Rui Moreira muito bem explicou, são distintos, nomeadamente no que diz respeito ao movimento dos braços dos jogadores.
Um outro aspecto que me chamou à atenção foi o modo como o Hugo Gilberto adjectivou e destacou determinadas coisas.
Quando referiu o incidente havido no Túnel das Antas, não entre elementos participantes no jogo (como foi o caso no SLB – Nacional), mas entre indivíduos dos bastidores, Hugo Gilberto teve o cuidado de sublinhar que Duarte Gomes tinha anexado ao seu relatório um documento de quatro páginas sobre o incidente (4 páginas, ena pá, deve ter sido uma coisa gravíssima...).
Esta questão das escutas é polémica. Alguns dos maiores especialistas portugueses na matéria – José Faria Costa, Germano Marques da Silva, Manuel Costa Andrade e Damião da Cunha –, bem como, conhecidos juízes como Rui Rangel e Fátima Mata Mouros são taxativos e alinham na mesma tese do STA. Já o Tribunal Constitucional teve posições contraditórias sobre este assunto, a última das quais foi no sentido de considerar as escutas legais. Em que ficamos? Alguém se entende no meio das enumeras contradições da Justiça portuguesa?
Seja como for, os pobres juízes do Supremo Tribunal Administrativo devem estar a tremer com esta posição dos altamente isentos juristas escolhidos pelo inenarrável Gilberto Madail, para substituírem os comparsas da golpada de Julho…
Quem voltou a estar bem foi Rui Moreira, não reconhecendo idoneidade aos novos membros com velhos vícios do CJ da FPF, levando o representante do Sporting a mostrar toda a sua incomodidade, falando em pazadas...
Apesar do final do programa ter sido em contra-relógio, para além da “arrasante” decisão do CJ da FPF, houve ainda tempo para o Hugo Gilberto ler 5 ou 6 e-mails (nem um de adeptos do FC Porto!), incluindo um e-mail de um adepto do SLB, elencando jogos em que supostamente os encarnados teriam sido prejudicados (o hilariante é que até incluiu o Leixões – SLB para o campeonato). Para falar na entrevista de Madail ao Porto Canal, em que o presidente da FPF abordou os critérios de Scolari nas convocatórias e, particularmente, o caso do Vítor Baía é que infelizmente não houve tempo…
Dizem-me que o Hugo Gilberto é portista. Não sei se é portista, mas pelos vistos tem o estigma de o ser e já se sabe que neste país infestado pela inveja e mediocridade isso é pior, muito pior, do que ser incompetente. Talvez por isso, o Hugo Gilberto tem feito tudo para fugir a esse estigma, mas no último programa exagerou.
O Hugo Gilberto dá umas aulas no Curso de Pós-graduação em Comunicação e Desporto, na Escola de Jornalismo do Porto, em que juntamente com o seu colega Manuel Fernandes Silva é responsável pelos módulos/disciplinas de ‘Reportagem e Apresentação em Desporto’ e ‘Novos Desafios Éticos e Deontológicos’
Ora, é precisamente isso que eu espero dos bons jornalistas: ética e isenção no desempenho das suas funções. Porque se é para ser mais papista que o papa, antes o benfiquista Carlos Daniel do que o “portista” Hugo Gilberto.
Graças, em grande parte, à sua acção nos três jogos referidos, com vários pontos “subtraídos” ao FC Porto e outros “oferecidos” ao Sporting, o FC Porto não conseguiu atingir o Hexa, o Sporting pôs fim a um jejum de 18 anos e ele, o Bruno, despertou paixões de norte a sul.
Nos anos seguintes, e com a protecção dos senhores José Luís Tavares (à época, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga) e Carlos Valente (membro do CA da FPF), continuou em ascensão, numa caminhada que o havia de levar a árbitro internacional.
6. Bessa, 17 de Abril de 2004
Mais de quatro anos após o Campomaiorense - FC Porto, jogadores, treinadores, dirigentes, comentadores e adeptos do Sporting lançaram um clamor de revolta contra a arbitragem de Bruno Paixão porque, segundo eles, expulsou Rui Jorge indevidamente a 13 minutos do fim do jogo.
De repente, um dos mais famosos árbitros "anti-sistema" (leia-se, anti-FC Porto) e que nunca tinha suscitado críticas nas 12 vezes anteriores em que arbitrou jogos do Sporting, passou, num ápice, de bestial a besta.
É caso para perguntar a estes sportinguistas: meus caros, onde é que vocês estavam no dia 19 de Fevereiro de 2000 quando, em Campo Maior, Bruno Paixão decidiu oferecer o título ao Sporting? Por onde andaram ao longo dos últimos 4 anos? Quantos se revoltaram quando o Bruno chegou a internacional?
No programa 'Dia Seguinte' imediatamente após este jogo do Bessa (19/04/2004), Fernando Seara, reagindo à indignação truculenta de Dias Ferreira, afirmou que os sportinguistas têm memória curta. E porquê? Porque o árbitro Bruno Paixão lhes tinha oferecido o campeonato da época 1999/2000.
Qual é a novidade? Toda a gente sabe das escandaleiras que ocorreram na época 1999/2000. Sim, mas foi preciso esperar quatro anos para ouvir este reconhecimento da boca de um destacado benfiquista, conhecido pelo seu anti-portismo e que sempre defendeu uma aproximação entre os dois clubes da 2ª circular.
7. Leiria, 11 de Agosto de 2007
A Supertaça 2007/08, a disputar entre o FC Porto e o Sporting, foi marcada pela FPF para o Estádio Dr. Magalhães Pessoa em Leiria (por coincidência, uma zona do país onde há uma forte presença sportinguista...).
Quanto ao árbitro nomeado pela FPF para este jogo foi... Bruno Paixão!
Os portistas já sabem o que podem esperar das arbitragens apaixonadas do Bruno mas, desta vez, ele não quis perder tempo e desde o início mostrou ao que vinha. Logo ao 2º minuto, zás, amarelo para o Paulo Assunção e passados mais oito minutos foi a vez de Pedro Emanuel, após ter feito uma falta normalíssima, também ficar amarelado. E assim, ao minuto 10, um dos defesas-centrais e o médio-defensivo (um jogador-chave nas transições e compensações defensivas dos dragões) já estavam condicionados para o resto do jogo. Apesar das “habilidades” da arbitragem, o FC Porto foi sempre melhor, enviou inclusive uma bola ao poste, mas o jogo chegou ao intervalo empatado.
Poucos minutos após o início da 2ª parte, e ainda com o resultado em branco, deu-se o caso do jogo. Dentro da área do Sporting, Tonel corta a bola com a mão bem acima da cabeça. Os jogadores viram e o público, a avaliar pela reacção vinda da bancada, também não teve dúvidas. Penalty claríssimo em qualquer parte do mundo (e amarelo para Tonel), mas que Bruno Paixão (bem posicionado) e o árbitro-assistente que acompanhava o ataque do FC Porto decidiram ignorar.
Como é óbvio, este lance teve uma influência decisiva no desenrolar e resultado final do jogo e, por isso, esta Supertaça (ganha pelo Sporting com um golo de Izmailov aos 76') será para sempre lembrada como a Supertaça ganha com muita paixão...
O que diria a comunicação social do regime e os “calimeros de Alvalade” se o lance do Tonel tivesse sido o contrário? Isso todos sabemos.
8. Alvalade, 6 de Abril de 2008
Jogo Sporting – Braga, da 25ª jornada. Numa altura em que o Braga estava a tentar reduzir a desvantagem que trazia da 1ª parte (0-2), Zé Manel fez um cruzamento largo da direita e Mateus, saltando mais alto do que Abel, bate Rui Patricio. Não houve fora-de-jogo. Não houve falta. Golo limpíssimo, mas que Bruno Paixão, inexplicavelmente, anulou.
Na TVI, questionado por Sousa Martins se havia alguma razão para que Bruno Paixão tivesse anulado o golo do Braga, Jorge Coroado respondeu assim: “Razão objectiva não encontro absolutamente nenhuma”.
Mas quem disse que o Bruno tinha de ter alguma razão objectiva para beneficiar o Sporting? Anulou o golo porque lhe apeteceu. Há algum problema?
9. Paços de Ferreira, 4 de Maio de 2008
As deslocações a Paços de Ferreira não costumam ser fáceis para o Sporting e desta vez também não foi. O Sporting acabou por vencer pela diferença mínima, 1-0, golo marcado na sequência de uma falta. Contudo, a falta que está na origem do único golo dos leões é muito duvidosa e para Jorge Coroado é mesmo inexistente. Veja o lance e as declarações no seguinte vídeo:
10. Braga, 1 de Setembro de 2008
A habitual pressão do Sporting sobre os árbitros começou logo na 1ª jornada da época 2008/09. Assim, após as queixas estridentes de Paulo Bento no final do Sporting – Trofense (que os leões venceram por 3-1), o presidente da CA da Liga, o sportinguista Vitor Pereira, decidiu nomear um árbitro que, suponho, lhe dava garantias para a difícil deslocação do seu clube a Braga.
Logo ao 3º minuto, e perante uma falha clamorosa da defesa bracarense, o Sporting abriu o activo. A partir daí o jogo endureceu e o árbitro foi distribuindo cartões amarelos por jogadores das duas equipas. Aos 36' foi a vez de Postiga ver um cartão amarelo, por impedir a marcação rápida de uma falta contra a sua equipa. Ao minuto 39 dá-se o caso do jogo. Em plena área do Sporting, Postiga atira-se para cima de Meyong, encavalitando-se nas costas do avançado do Braga (conforme se pode ver na foto seguinte).
Lance de penalty mais do que evidente e cartão amarelo para o jogador infractor (neste caso seria o 2º cartão amarelo para Postiga). Contudo, qual não foi o espanto de todos, quando o Bruno, com toda a paixão deste Mundo, decidiu transformar um penalty descarado numa falta de Meyong! Deste modo, Bruno Paixão não só impediu o Braga de chegar ao 1-1, como evitou que o Sporting ficasse a jogar com 10 nos últimos minutos da 1ª parte e durante toda a 2ª Parte!
Mas não foi só Bruno Paixão que não viu a falta de Postiga sobre Meyong. 24 horas depois, no programa ‘Trio d’Ataque’ do dia 2 de Setembro, enquanto Rui Moreira e António Pedro Vasconcelos não tiveram dúvidas (Rui Moreira disse mesmo que Bruno Paixão não só viu que era falta como marcou ao contrário, como é típico nele em situações do género, acrescentando que o Sporting já tinha gasto "uma arbitragem à Bruno Paixão" neste campeonato), o representante do Sporting disse que, para ele, não houve qualquer penalty.
Esta posição de Rui Oliveira e Costa não surpreendeu minimamente, é mesmo típica dos sportinguistas. Raramente, ou nunca, reconhecem quando são beneficiados pelas arbitragens e, quando o fazem, tratam logo de arranjar um ou dois lances que lhes permita sustentar a tese de que “o árbitro errou para os dois lados”.
Em resumo, olhando para a anterior série de jogos, custa a perceber porque razão, depois de tantas manifestações de paixão, o Sporting se quer “divorciar” do Bruno. Ingratos! Ao menos devolvam as taças que ele vos ajudou a conquistar.
Numa altura em que Hélder Postiga está a atravessar um bom momento e em vésperas de um Sporting x FC Porto, Rui Moreira respondeu ontem, no caderno de desporto do Diário de Notícias, a seis perguntas sobre o Hélder Postiga.
[DN]: Como adepto do FC Porto como vê o Hélder Postiga no Sporting?
[Rui Moreira]: Acho que é a última oportunidade do Hélder Postiga encarreirar. Faz-me mais confusão ver o Derlei jogar contra nós, ele tem uma história no clube e uma ligação mais afectivas. Como o Madjer esteve ligado à final de 87, em Viena, Derlei foi o herói de Sevilha, em 2003. Postiga é tecnicamente muito evoluído, mas não recordo um bom momento ao qual esteja ligado no FC Porto.
[DN]: Mas ele foi formado no Dragão... [RM]: Ser formado no clube é uma questão enganadora. Os adeptos acolhem e recordam os jogadores conforme a importância que têm. Eu não sou o maior fã do Postiga. Não gosto da postura dele nem da forma de estar. É formado no FC Porto, mas não é um jogador "à Porto". O Lisandro, para mim, é um jogador "à Porto" e só chegou há dois anos ao clube.
[DN]: Tem más recordações dele? [RM]: Postiga tem melhores pés do que cabeça. Tem fama disso e o FC Porto não teve o proveito, e foram muitos os treinadores com quem trabalhou. Teve a melhor época com Mourinho e foi o próprio Mourinho que o quis vender. O Adriaanse tentou apostar nele e foi ele que esteve na origem da saída de Adriaanse.
[DN]: E se fizer sucesso no Sporting? [RM]: Eu espero que faça. Como o FC Porto tem metade do passe é um activo que estará a ser rentabilizado.
[DN]: E se marcar um golo amanhã? [RM]: Se marcar um golo, o FC Porto tem de marcar dois.
[DN]: E se voltar ao Dragão? [RM]: Será de certeza bem recebido.